terça-feira, 7 de julho de 2015

Olivier Assayas fala sobre Kristen e Personal Shopper em uma entrevista com Telerama

Você já tomou proveito da padronização do cinema americano?
Falarei mais sobre mecanização, a industrialização do cinema americano. Atores como Kristen Stewart são encontrados em filmes onde, mesmo que para uma simples participação, há 18 caminhões bloqueando as ruas, do tipo que latem para todas as direções em seus walkie-talkies. É logisticamente delirante e os priva do tempo e espaço que eles estavam saindo de vez em quando para rodar um filme grande de cinema para um filme de arte… Essa liberdade não existe no cinema americano. Até mesmo o relatório para a história não é o mesmo: quando Kristen Stewart viu Sils Maria, ela estava maravilhada ao encontrar todas as cenas que filmou. “Essa é a primeira vez!”, ela disse. Ela ficou surpresa que filmamos a maioria dos cenários, e mais ainda que o cenário é encontrado inteiramente na imagem sem dezoito camadas de montagem. E três quartos das cenas dos filmes americanos são com fundo verde, é a entrada no mundo dos efeitos especiais e, para os atores, isso é claramente cada vez menos divertido e mais restritivo.
Uma curiosidade: em Sils Maria, você controla duas jovens atrizes do cinema americano, Moretz e Kristen Stewart. Qual é a diferença?
Quase tudo exceto o talento. Eu escolhi Moretz após conversas via Skype. Olhando no Google, descobri que ela tinha apenas 16 anos. Não fazia sentido, eu não podia imaginar estar falando com uma menina de 16 anos. Eu fui visitá-la em Toronto, onde ela estava filmando, e eu encontrei uma maturidade incrível. Chloë é alegre, Kristen Stewart é sombria. Ela tem uma intensidade surpreendente, como um samurai. Embora ela já era uma estrela, o cinema americano a descobriu através de Sils Maria“Então ela sabe atuar?” Mas ela já era ótima nos seus filmes anteriores!
Você está com um filme novo para o fim do ano chamado Personal Shopper. O que pode nos dizer?
Queria já estar filmando! Mas escolhi esperar por Kristen Stewart, que está ocupada com Ang LeeWoody Allen – prova de que sua carreira americana mudou. Será um filme centrado nela e meio que um filme sobre fantasmas. Ainda estou em uma situação bizarra. Meus filmes caem em um ponto cego no sistema de financiamento: embora seja produzido por uma empresa francesa, como eles são em inglês, eles não têm direito ao crédito fiscal, e somente uma versão menor do fundo de apoio. Enquanto um produtor americano ao fazer um filme na França, ganha os direitos do crédito fiscal. Como em Sils Maria, que teve que mudar para Leipzig e Halle, na antiga Alemanha Oriental,Personal Shopper pode ser inteiramente em Paris, Hungria ou República Checa, depende do lance mais alto.

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