quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Nova entrevista de Kristen e Julianne Moore para Collider

 
Para alguém que teve que assistir um ente querido sofrer com uma doença, Still Alice mostra de forma forma dolorosa e realista como isso afeta não só o indivíduo, mas todos a sua volta. Dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, a experiência em primeira pessoa de Alice Howland (Julianne Moore, em uma performance deslumbrante), uma bem casada professora de linguística com três filhos adultos (interpretados por Kristen Stewart, Kate Bosworth e Hunter Parrish), que descobrem que ela um tipo de Alzheimer precoce e luta para continuar conectada com quem ela costumava ser e como ela começa a esquecer tudo a sua volta.

Durante uma conferência, as co-stars Julianne Moore e Kristen Stewart falam sobre sua tentativa de entender como é viver com Alzheimer, que é uma doença que rapidamente se expande, como a comunidade do Alzheimer realmente sente que estão perto de algo significativo, se tiveram alguma experiência pessoal com a doença e o que mais gostaram ao trabalhar uma com a outra.

Julianne, como foi a abordagem para interpretar esta mulher, quando ninguém sabe como realmente é viver com esta doença?
MOORE: Essa é uma ótima questão. Ninguém realmente sabe. Isso, com certeza, é o maior desafio e foi o que nós falamos muito quando nós estávamos trabalhando no filme. Esse é um projeto incomum porque é o primeiro filme que eu vejo que fala sobre uma condição como essa, apresentada completamente de forma subjetiva, na maior parte da vezes pelo ponto de vista dela. Geralmente, nós vemos essas histórias e elas são do ponto de vista dos cuidadores ou de um membro da família diferente. Esse é de dentro da experiência da Alice. Então, a única coisa que eu poderia fazer era pesquisar. Não que eu vá entender completamente, mas falei com todo mundo que pude. Comecei com o chefe da Associação de Alzheimer e falei com diferentes mulheres, que foram diagnosticadas recentemente, pelo Skype. Eu fui ao Monte Sinai e falei com clínicos e pesquisadores. Eu fiz o teste cognitivo que eles oferecem. Eu fui à Associação de Alzheimer de Nova York e trabalhei com alguns grupos de apoio e falei com algumas mulheres. Eu fui a um centro de cuidado a longo prazo. Eu tentei conhecer todos, em cada estágio da doença. Eles foram tão generosos com seu tempo e informação, mas eu sempre disse a eles, “Você pode me dizer como se sente?”, e eles tentavam explicar. Eles diziam que nem sempre é o mesmo e que você tem bons dias e dias ruins e que você pode olhar para uma palavra e tentar alcançá-la, mas ela não está realmente lá. Nós realmente pensamos sobre está por dentro e eu penso que é o motivo de Alzheimer ser tão aterrorizante para as pessoas. Eles estão tipo, “Bem, quem sou eu, se isso tiver ido embora?” Então, eu não sei como isso realmente é, mas eu cheguei o mais perto que pude. Eu acho que todos nós tentamos representar isso o mais fiel possível.

Como uma cultura, nós sempre parecemos pensar que podemos sair e consertar o que quer que esteja errado, mas não tem nada que nós possamos fazer para consertar o Alzheimer nesse ponto. Isso é algo que te preocupa?

Moore: Tinha um artigo na revista Time que as mulheres em seus 60 anos tem a chance de um e seis de desenvolver o Alzheimer, o que equivale a chance de desenvolver o câncer de mama. É uma doença que rapidamente está ganhando espaço. A coisa mais aterrorizante sobre isso é que uma vez que voce é diagnosticado, tem muito pouco que você possa fazer para alterar os prognósticos ou, até mesmo, uma progressão. Nós não sabemos de nada. Nós sabemos que tem uma correlação entre a saúde do cérebro e a do coração. Tem alguns marcadores genéticos, but later onset has to do with age. Contudo 30 ou 40 anos atrás ninguém sabia o que fazer sobre o câncer. Com dinheiro suficiente, tempo e pesquisa, tem muitas coisas que se pode fazer agora. As pessoas na comunidade do Alzheimer realmente sentem que estão a poucos passos de algo significativo.

Kristen, você é uma atriz de sucesso que tem sido parte de uma grande franquia, mas nesse filme você interpreta uma aspirante, lutando, para ser uma atriz. Como foi entrar nessa papel?

Stewart: Uma das maiores lutas ao se tornar um adulto é descobrir o que você quer e o que te faz feliz. Lydia descobriu isso bem cedo. A coisa corajosa é se segurar a isso e ver se você estava certo. Eu a admiro pelas mesmas razões que eu admiro alguns dos meus amigos que não conseguiram o que eles mais gostariam, em seus sonhos mais selvagens. Eles ainda estão trabalhando para isso. Tenho sorte suficiente para ter filmagem após filmagem em minha disposição.Eu ainda estou procurando por isso, no entanto. Com cada projeto, você sente como se tivesse tentando encontrar seu lugar para desabafar. Para qualquer ator, esse é o típico sentimento que o leva a fazer isso. Eu posso me relacionar. Se eu parasse de trabalhar amanhã, eu ainda teria esses impulsos e sentimentos para sair e essas questões e desejos para explorar. Eu me sinto dessa forma toda vez que estou me aproximando da ideia de assumir uma responsabilidade tão boa e dizendo, “Eu sou boa o suficiente para estar em seu filme.” É uma grande declaração a se fazer e toda vez que falo isso, penso: “Essa é a escolha certa?”

Julianne, você interpreta uma esposa e mãe nesse filme e você também é uma. Como você se sente sobre encontrar um equilíbrio entre os dois?

Moore: Uma das coisas que é interessante nesse filme é que você está conhecendo uma mulher numa época que ela conseguiu muita coisa. Ela tem sido bem sucedida em sua carreira. ela tem uma casamento feliz e ela tem três filhos que ela espera que estejam bem em seus caminhos para a felicidade. Você realmente sente que ela está ponto que todos nós gostaríamos de estar. Quando ela recebe essa notícia, é bem dramático e há uma mudança na vida para toda a filha. Eu penso que isso é interessante em termos de contar a história. As coisas podem parecer perfeitas ou estáticas, mas eu nem sempre sei o que elas são. Tem muita beleza no filme. No início, você vê essa bela e maravilhosa família. Tem beleza em assistir a transformação deles em reação aos problema e a doença de sua mãe e tem beleza no final quando ela percebe sobre o que tudo isso tem sido. Nós temos essa discussão sobre trabalho e família e como você equilibra isso, mas ao final do dia não é tudo isso que há. É o que nós temos. Nós temos o trabalho que queremos fazer para nos expressarmos e nós temos as pessoas em nossas vidas que nos amam. É interessante porque esse é o tipo de coisa em nossa vida.

Kristen, se você estivesse nessa situação, você acha que reagiria da mesma forma que sua personagem?

Stewart: Bem, eu penso que é mais fácil para uma pessoa que vive e se entrega à ambiguidade da vida, considerando que Lydia é essa pessoa inclinada artisticamente e que não está inteiramente confortável tendo as respostas. Ela não é capaz de falar exatamente o que quer. O que ela está te dizendo é “Eu não sei o que eu quero e isso está bom. Eu estou atravessando isso.” Eu penso que é mais fácil para uma criança olhar para a sua mãe que tem algo tão indefinido. É mais fácil para uma criança apreciar e viver os momentos. Simplesmente porque você não pode ter a resposta final, no sentido de como tudo vai se resolver, ou você não posso nomeá-lo, ainda vale a pena viver aquele momento potencialmente maravilhoso. Condiserando que alguém quer definir tudo isso, se eles não podem resolver isso como uma equação, então eles não podem ter isso em suas vidas. Eu posso relacionar com a minha personagem, em que eu definitivamente não tenho respostas e nem é o que estou procurando. Eu não sou do tipo de pessoa que precisa se sentir concreta e como se nada fosse mudar. Eu fico feliz com a mudança. Não é que ela tenha mais aptidão ou tenha ferramentas para ser emocionalmente mais forte. Não é força. É o jeito que as pessoas são. Dentro dessa história e dentro de realidade de qualquer pessoa isso pode ser similar, eu espero em Deus que eles tenham alguém que não precisa de respostas e quem esteja disposto ali e esquecer as frases e ainda aproveitar a tarde.

Alguma de vocês já teve qualquer experiência pessoal com o Alzheimer?

Moore: Eu não tive nenhuma experiência com o Alzheimer. Fui sortuda nesse ponto.

Stewart: Eu nunca tive qualquer experiência com Alzheimer, com um membro da família ou um ente querido. Eu tenho uma história de quando eu era criança, no jantar na casa de amigos da família. Eu entrei na sala e havia uma senhora mais velha lá, e eu tive esta experiência estranha. Nós começamos a falar, e eu muito rapidamente descobri que havia algo errado. Eu era pequena, então eu não sabia o que era, mas estava muito ciente que ela era o que dizem sobre alguém que pode ter Alzheimer na terceira idade. Eu tive esta troca com ela que simplesmente nos colocou em nossos corpos e naquele momento com tanta força você conseguia sentir que estávamos nos conectando emocionalmente, e eu podia ver em seus olhos que isso era precioso e que estava acontecendo. E então, ela me perguntou onde sua irmã estava e eu fiquei como, “Eu não sei. Tchau.” Nós jantamos, ela ficou ausente no jantar. Ela estava sentada na mesa, mas fui completa e totalmente ignorada. Eu senti que não havia jeito que a alma desta pessoa, embora o corpo e a mente dela a limitavam, não estava cantando. Ela simplesmente não estava sendo ouvida. Eu me lembrei disso, por muito tempo. Foi a primeira coisa que compartilhei com Wash [Westmoreland] e Rich [Glatzer], quando conversamos sobre o roteiro. Eu não julgo a família que estava a ignorando, afinal. Eu era uma criança que esteve lá por trinta segundos. Esse provavelmente não é caso. Eles provavelmente tem estas conexões onde eles discutem e se doam muito um ao outro. Mas o que realmente me prende é que as pessoas são esquecidas, mas elas não estão perdidas. Todos podiam ser muito mais felizes e ter muito mais para aguentar. Isso me tornou muito emocionalmente investida nisto, de uma forma que eu não seria, se não tivesse visto isso.

Kristen, como foi trabalhar com Julianne Moore?

Stewart: Nos conhecíamos há alguns anos, e eu sabia que podia interpretar sua filha e ter este relacionamento com ela. Eu provavelmente somente gastei, acumulativamente antes deste filme, muito pouco tempo com ela.

Moore: Foram momentos em eventos, e coisas assim.

Stewart: Mas o que eu descobri, diferente do que esperava, é que ela transcede o aspecto técnico do que ela faz, e ainda assim ela domina isso, e é realmente capaz de viver e respirar isso. Eu sou uma criança, então soa bobagem para mim falar isso, mas eu assistir muitas pessoas fazendo isto. Fiquei muito enérgica pelo fato de que ela realmente gosta de escarranchar a emoção e a espontaneidade e o lado assustador com o lado preparado e controlado. Uma vez que ela está lá, ela se deixar estar lá. Eu a amo, e é estranho falar sobre ela numa sala como esta, mas estou dizendo franca e vergonhosamente, fala sério, isso se você a chamou de idiota, nós teríamos sérios problemas.

Eu aprendi muito. Eu aprendo muito com atores que eu não acho que são bons. Toda experiência te forma. Eu já tive experiências com atrizes – e eu digo atrizes porque há apenas uma coisa de mulher – que conquistaram o que elas conquistaram, por meios que não consigo entender. Quando encontrei Julianne e realmente comecei a passar por este processo com ela e fui capaz de observar este trabalho monumental que ela completou, eu podia relatar completamente pelo jeito que ela aborda tudo.Fez-me sentir tão bem. Eu quero saber de onde estamos sendo vistas, eu quero saber cada ângulo, eu quero falar com o Display Picture, e quero irritar o diretor, o dia todo, sobre o que é a lista de filmagem porque eu quero ser capaz de utilizar cada segundo que temos para contar a história que temos que contar. Isso é divertido. Eu não acho que isso seja negativo por estar completamente a segura, envolvida e perdida em uma situação. Ela é uma técnica de comoção. Eu nunca vi isso, e me faz sentir melhor sobre não ser o tipo de pessoa que está como, “Oh, eu não sei onde a câmera está, eu apenas estou nisso.” Não, ela sabe. É por isso que ela é melhor que você.

Julianne, como você se sentiu por trabalhar com Kristen Stewart?

Moore: Ou você gosta ou não gosta de uma pessoa. Eu não tenho que amar alguém para trabalhar com ele. Eu sou uma pessoa profissional. Mas quando você consegue o bônus de realmente gostar e se conectar e gostar deles, é uma coisa fantástica. E acho que sentimos isso como pessoas, como atores e como parceiros. É muito libertador. Deixa tudo muito, muito, muito fácil para nós.

Kristen, o que você procura, em uma personagem, quando assina o contrato para um filme?

Stewart: A maioria dos trabalhos que fiz, fui tão pessoalmente levada a eles que senti essa era a forma mais honesta de fazer isso, não somente pelo bom do projeto, mas pela razão de que sou uma atriz. Eu muito raramente saí de mim mesma para interpretar uma personagem que eu não conseguia entender completamente. Eu não sei se vou fazer isso. Talvez um dia. Eu não sei. Não há uma linha específica para os personagens nos quais eu gravito. Eu acho que vocês os vê em mim porque não consigo esquecer isso e não estou tentando. Eu interpretei vários personagens que foram baseados em pessoas reais, e aquelas foram as vezes que senti que fui levada longe. Mas mesmo então, eu acho que a razão pela qual eu fui atraída por aqueles personagens foi porque eu senti, inacreditavelmente, muito de mim neles, e aspectos não descobertos em mim neles, o que é o mais importante. Eu não estou completamente interessada em apenas interpretar coisas que eu sei. É claro, estou confortável em passar a mão pelo meu cabelo num momento que fico insegura, e isso pode ser pego no filme, então você pode me atribuir essa afeição para a vida, e está tudo bem. Mas a razão pela qual está acontecendo é porque eu quero estar lá e quero fazer isso. Eu quero saber por que eu trabalhei com um projeto. Eu quero saber por que tenho este sentimento quando leio um roteiro, ou pego o telefone com um diretor. Eu preciso viver isso, para que eu possa chegar no outro lado isso. A aprendizagem é 20/20 e eu aprendo algo, mas no momento, estou completamente lá. É isso que gosto de fazer.

Still Alice estreia nos cinemas em 16 de janeiro.

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