sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 9

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vasto oceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...

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Capítulo 9

Quando desceu para o café da manhã, Isabella se surpreendeu ao encontrar Carlisle já à mesa, muito antes de seu horário habitual, parecendo extremamente animado.
– Está linda, como sempre – ele disse com um largo sorriso, ao se levantar e puxar a cadeira de Isabella.
– E o senhor parece melhor do que nunca – ela replicou retribuindo-lhe o sorriso.
– Nunca me senti melhor – Carlisle admitiu. – Como está Edward?
Isabella deixou cair a colher com que mexia o chá.
– Eu o ouvi no corredor, de madrugada – Carlisle explicou. – E ouvi a sua voz, também. Ele me pareceu um pouco... alterado.

– Eu diria que estava bêbado como um gambá! – Isabella corrigiu com uma risada.
– Amun me informou de que o seu amigo, Wiltshire, esteve aqui há mais ou menos uma hora, perguntando com ar aflito sobre a saúde de Edward. Ao que parece, o jovem acredita que Edward participou de um duelo, ao amanhecer, e foi ferido.
Dando-se conta de que seria impossível esconder a verdade de Carlisle, Isabella contou:
– Segundo Edward, ele duelou com lorde Wiltshire porque lorde Wiltshire me chamou de "almofadinha inglesa".
– Ora, Wiltshire está me deixando maluco com sua insistência para que eu lhe dê permissão para cortejá-la formalmente. Ele não diria uma coisa dessas.
– Tenho certeza que não, até porque isso não faz o menor sentido.
– Exatamente – Carlisle concordou, divertido. – Mas, seja qual for à provocação ocorrida, aparentemente Wiltshire atirou em Edward.
Isabella não pôde conter uma gargalhada.
– Edward disse que foi ferido no braço... por uma árvore!
– Quanta coincidência! – Carlisle exclamou, partilhando com ela o humor da história. – Foi exatamente o que Wiltshire disse a Amun! Bem, não creio que exista algum motivo de preocupação. Fui informado de que o doutor Worthing cuidou de Edward e, sendo grande amigo nosso, além de excelente médico, se a saúde de Edward corresse o menor risco, ele estaria aqui, agora. E, mais importante, podemos confiar na discrição de Worthing. Você deve saber que duelos são ilegais.
Isabella empalideceu e Carlisle se apressou a pousar a mão sobre a dela, fitando-a com imensa ternura.
– Como já disse, não há com que se preocupar. Não tenho palavras para dizer quanto estou feliz por tê-la aqui conosco, minha querida. Há tanto que eu gostaria de lhe contar sobre Edw... sobre tudo – corrigiu-se depressa. – Creio que, em breve, poderei fazer isso.
Isabella aproveitou a oportunidade para insistir que Carlisle lhe falasse dos tempos em que conhecera sua mãe. Porém, como sempre fazia, ele se esquivou, prometendo:
– Logo, logo, mas não ainda.
O resto do dia se arrastou, enquanto Isabella esperava com nervosismo que Edward aparecesse. Não sabia como ele a trataria, depois do que acontecera de madrugada. Sua mente giravam recusando-se a abandonar a análise de todas as possibilidades. Talvez ele a desprezasse por ter se deixado beijar. Ou, então, odiasse a si mesmo por ter admitido que gostava dela. E, ainda, era possível que nada do que Edward dissera pudesse ser levado a sério.
Isabella tinha certeza de que a maior parte das atitudes que ele tomara na noite anterior havia sido induzida pelo álcool, mas queria muito acreditar que uma amizade mais sólida fosse resultar do que se passara entre eles. Ao longo das últimas semanas, ela passara a gostar muito de Edward e a admirá-lo e... Bem, seria melhor não pensar mais nisso.
À medida que o dia transcorria, suas esperanças foram se dissipando e a tensão se tornou ainda forte por causa das dezenas de visitantes que foram procurá-la, ansiosos para saber a verdade sobre o duelo de Edward. Amun encarregou-se de dizer a todos eles que lady Isabella fora passar o dia fora, enquanto ela continuava esperando.
À uma hora, Edward finalmente desceu, mas foi diretamente para o seu escritório, onde se fechou com lorde Collingwood e mais dois cavalheiros, para uma reunião de negócios.
Às três horas, Isabella foi para a biblioteca. Profundamente contrariada consigo mesma por ter se preocupado tanto, tentou se concentrar em um livro, uma vez que se viu incapaz de conduzir uma conversa inteligente com Carlisle, que se encontrava sentado diante dela, folheando um jornal.
Quando Edward finalmente entrou na biblioteca, a tensão de Isabella era tamanha, que ela quase pulou de susto ao vê-lo.
– O que está lendo? – ele perguntou em tom casual, parando ao lado dela.
– Shelley – Isabella respondeu, embaraçada por ter se demorado a lembrar o nome do poeta.
– Isabella – Edward começou e, só então, ela notou a tensão que tomava conta de suas feições. – Ontem à noite, fiz alguma coisa pela qual deveria me desculpar?
O coração de Isabella apertou-se. Edward não se lembrava de nada!
– Nada que eu me lembre – falou, tentando disfarçar a decepção.
Um esboço de sorriso curvou os lábios dele.
– Geralmente, quem não se lembra das coisas é quem bebeu demais – observou.
– Compreendo... Bem, não. Você não fez nada errado.
– Ótimo. Nesse caso, vejo você mais tarde, para irmos ao teatro. – Com um sorriso largo, Edward acrescentou: – Bella.
Então, virou-se para sair.
– Você disse que não se lembrava de nada! – Isabella explodiu, sem pensar.
Edward voltou a encará-la.
– Eu me lembro de tudo, Bella. Só queria saber se, na sua opinião, fiz algo de que deveria me desculpar.
– Você é o homem mais irritante do mundo! – ela acusou-o, sem poder conter uma risada.
– Verdade, mas você gosta de mim assim mesmo.
Um intenso rubor cobriu as faces de Isabella. Nem sequer lhe ocorrera que Edward pudesse estar acordado, quando ela confessara seus sentimentos por ele. Afundou-se na cadeira e fechou os olhos, sentindo-se mortificada. Um ruído leve lembrou-a da presença de Carlisle. Voltou a abrir os olhos e o descobriu a observá-la com uma expressão de alegre triunfo.
– Muito bem, querida – ele comentou com um sorriso. – Sempre tive esperança de que você passasse a gostar dele. Agora, vejo que estive certo.
– Sim, mas ainda não compreendo Edward, tio Carlisle.
Ele se mostrou ainda mais satisfeito.
– Se já gosta dele agora, que não consegue compreendê-lo, quando finalmente conseguir, vai gostar muito mais. Isso eu posso lhe garantir. – Carlisle se levantou. – Agora, devo me retirar. Tenho um compromisso com um velho amigo.
À noite, quando entrou no salão, Isabella encontrou Edward a sua espera. Estava mais bonito do que nunca, vestindo um traje cor de vinho com camisa branca. O rubi do prendedor da gravata combinava com os outros dois, incrustados nas abotoaduras.
– Você tirou a tipóia! – Isabella acusou.
– E você não está pronta para ir ao teatro – ele retrucou. – E os Mortram darão uma festa esta noite. Vamos para lá, mais tarde.
– Não estou disposta a sair, hoje. Já enviei uma mensagem ao marquês De Salle, pedindo desculpas por não acompanhá-lo ao jantar dos Mortram.
– Ele vai ficar arrasado – Edward concluiu satisfeito. – Especialmente quando souber que foi ao jantar comigo.
– Não posso fazer isso!
– Pode, sim.
– Acho que você deveria usar a tipóia – Isabella tentou mudar de assunto.
– Se eu aparecer em público usando a tipóia, Wiltshire vai acabar convencendo Londres inteira de que fui atingido por uma árvore.
– Duvido que ele diga isso – Isabella falou com um sorriso divertido. – Ele é muito jovem e, portanto, é mais provável que tente ganhar moral, dizendo que ele mesmo o atingiu.
– O que é muito mais embaraçoso do que ser atingido por uma árvore. Wiltshire nem sabe que extremidade da pistola apontar para o alvo.
Isabella reprimiu uma gargalhada.
– E por que devo sair com você, se tudo do que precisa é aparecer em público, sem aparentar estar ferido?
– Porque se você não estiver ao meu lado, alguma mulher ansiosa para se transformar em duquesa vai se pendurar no meu braço. Além disso, quero a sua companhia.
– Está bem. Eu não suportaria o sentimento de culpa, se fosse a responsável pela destruição de sua reputação de excelente duelista. – Antes de sair, Isabella virou-se para Edward com um sorriso malicioso. – É verdade que matou dezenas de homens em duelos, na Índia?
– Não – ele respondeu em tom seco. – Trate de se apressar.
Ao que parecia, toda a sociedade londrina decidira ir ao teatro naquela noite. E todos os olhos se fixaram no camarote de Edward, quando ele chegou, acompanhado por Isabella. Os murmúrios tiveram início imediato. Naturalmente, Isabella calculou que todos estavam surpresos por ver Edward em boas condições de saúde, mas logo começou a mudar de idéia. Quando deixaram o camarote, durante o intervalo, ela percebeu algo diferente no ar. Moças e senhoras, pessoas que haviam sido muito amigáveis antes, agora a fitavam com olhares suspeitos e até mesmo desdenhosos. E Isabella não demorou a descobrir o motivo: Edward havia duelado por ela. Sua reputação sofrera um duro golpe.
Não muito longe dali, uma mulher idosa, usando um turbante branco, ornado por uma grande ametista, observava Edward e Isabella com interesse.
– Então, é verdade que ele duelou por ela? – a duquesa de Claremont perguntou a sua acompanhante.
– Foi o que ouvi, alteza – lady Faulklyn respondeu.
A duquesa se apoiou na bengala, examinando a bisneta.
– Ela é a imagem viva de Renée.
– Tem razão, alteza.
Mais uma vez, a duquesa examinou Isabella da cabeça aos pés e então, dirigiu o olhar para Edward.
– Sujeitinho atraente, não?
Lady Faulklyn empalideceu, sem saber o que dizer.
Ignorando o silêncio da acompanhante, a duquesa tamborilou os dedos na bengala e continuou estudando o marquês de Wakefield.
– Ele se parece com Masen – concluiu.
– Há uma certa semelhança – lady Faulklyn concordou, hesitante.
– Ora, Wakefield é exatamente igual à Masen quando era jovem!
– Exatamente – a acompanhante concordou.
Um sorriso malicioso curvou os lábios da duquesa.
– Masen pensa que vai realizar um casamento entre nossas famílias, contra minha vontade. Esperou vinte e dois anos para se vingar de mim e pensa que, finalmente, chegou o momento. – Soltou uma risada maligna, enquanto observava o belo casal. – Masen está redondamente enganado.
Nervosa, Isabella desviou o olhar da velha senhora que usava o turbante peculiar. Todos pareciam observar a ela e a Edward, até mesmo pessoas que nunca vira antes, como àquela senhora.
– Foi um grande erro termos vindo juntos – comentou com Edward, apreensiva.
– Por quê? Você gostou de assistir à peça e eu gostei de ficar olhando para você.
– Pois não deveria ficar olhando para mim e, muito menos, demonstrar prazer nisso – ela o repreendeu, tentando esconder o profundo prazer proporcionado pelo elogio casual.
– Por que não?
– Porque todos estão nos observando;
– Já nos viram juntos antes – Edward comentou com indiferença, levando-a de volta ao camarote.
A situação piorou quando chegaram à festa dos Mortram. No momento em que os dois puseram os pés no salão, todos os convidados se viraram para fitá-los com ar decididamente pouco amigável.
– Edward, é horrível! Aqui é pior que no teatro. Lá, ao menos algumas pessoas prestavam atenção na peça. Aqui, todos olham para nós! Quer fazer o favor de parar de sorrir para mim? Estão nos observando!
– O que estou vendo – Edward falou com tranqüilidade – são os seus admiradores olhando para mim, como se estivessem tentando pensar em uma maneira de cortar o meu pescoço.
Isabella suspirou, exasperada.
– Está, deliberadamente, ignorando o que de fato aconteceu. Rosalie Collingwood está a par de todos os mexericos da ton. Ela me contou que ninguém jamais acreditou que estávamos interessados um no outro. Todos concordavam que estávamos levando a farsa adiante, só pelo bem de tio Carlisle. Mas agora, você participou de um duelo, porque alguém fez um comentário ofensivo sobre mim, o que muda tudo. Estão especulando todo o tempo que você tem passado em casa quando eu estou lá e...
– Por acaso, aquela é a minha casa – Edward a interrompeu, franzindo o cenho.
– Eu sei, mas é o princípio que conta. Todos, especialmente as mulheres, estão pensando as coisas mais horríveis de nós. Se você não fosse quem é, o problema não seria tão grave – Isabella acrescentou, referindo-se às condições confusas daquele suposto noivado. – É o princípio da...
Edward baixou o tom de voz para um sussurro gelado.
– Está enganada se julga que me preocupo com o que as pessoas pensam, inclusive você. Não perca tempo me passando um sermão sobre princípios porque não tenho nenhum. E não me confunda com um cavalheiro, pois não sou. Já vivi em lugares de que você nem sequer ouviu falar. E fiz coisas, em todos eles, que ofenderiam a sua sensibilidade puritana. Você é uma criança inocente. Eu nunca fui inocente. Nem mesmo fui criança. Mas já que está tão preocupada com o que as pessoas pensam, podemos resolver o problema com relativa facilidade. Pode passar o resto da noite com os seus admiradores, enquanto eu vou tratar de encontrar alguém para me fazer companhia.
Isabella ficou tão confusa e magoada com o ataque inesperado de Edward que mal conseguia pensar, no momento em que ele se afastou. Porém, fez exatamente o que ele havia sugerido e, apesar de perceber que as pessoas já não lhe lançavam olhares tão desagradáveis, teve uma das piores noites de sua vida. O orgulho ferido a fez fingir que estava se divertindo na companhia de seus parceiros, mas seus ouvidos pareciam irremediavelmente sintonizados no som profundo da voz de Edward. Seu coração, por sua vez, parecia pressentir cada aproximação dele.
Sentindo-se cada vez mais infeliz, Isabella deu-se conta de que Edward não perdera tempo e já se encontrava cercado por três lindas loiras, que disputavam sua atenção, dispostas a virarem no avesso, se necessário, para conquistar um único sorriso do homem mais desejado da ton. Desde a noite anterior, Isabella não se permitia pensar no prazer que os lábios dele haviam lhe proporcionado. Agora, porém, sua mente parecia se recusar a focalizar qualquer outro pensamento. Desolada, descobriu que queria tê-lo de volta a seu lado, e não vê-lo na companhia daquelas mulheres desprezíveis. E, para isso, sentia-se mais do que disposta a mandar a opinião alheia para o inferno.
Um jovem de seus vinte e cinco anos lembrou-a de que ela havia lhe prometido à próxima dança.
– Sim, claro – Isabella respondeu, sem muito entusiasmo. – Sabe que horas são, senhor Bascomb?
– São onze e meia – ele a informou.
Isabella reprimiu um gemido de agonia. A noite ainda demoraria horas para terminar.
Carlisle entrou na mansão Wakefield e deparou com Amun.
– Não precisava ter me esperado acordado, Amun – falou com um sorriso gentil. – Que horas são?
– Onze e meia, alteza.
– Edward e Isabella só devem chegar perto do amanhecer. Portanto, é melhor não esperar por eles. Você sabe como essas festas terminam tarde.
Amun desejou-lhe boa-noite e se dirigiu para seus aposentos. Carlisle tomou o rumo do salão, onde pretendia saborear uma boa dose de vinho do Porto e se deliciar com pensamentos agradáveis sobre o romance entre Edward e Isabella, que finalmente florescera no quarto de Edward, naquela madrugada. Dera apenas alguns passos pelo corredor, quando ouviu uma batida na porta. Acreditando que Edward e Isabella haviam se esquecido de levar a chave e decidido voltar mais cedo, virou-se e foi atender a porta, com um alegre sorriso nos lábios. Porém, o sorriso se desfez, dando lugar a um olhar de interrogação, quando ele se deparou com um desconhecido impecavelmente vestido.
– Perdoe-me por incomodá-lo há esta hora, alteza – o homem falou. – Sou Felix Winslow e minha firma foi contratada por outra firma de advocacia, da América, com instruções para lhe entregar esta carta pessoalmente. Tenho outra carta endereçada à senhorita Isabella Swan.
Um pressentimento terrível e incontrolável tomou conta de Carlisle.
– Lady Swan não está em casa, no momento.
– Sei disso, alteza. Estou esperando em minha carruagem há horas, pela chegada de um dos dois. No caso de não encontrar lady Swan, tenho instruções de entregar a carta a sua alteza e pedir-lhe que se encarregue de fazê-la chegar às mãos dela. Boa noite, alteza.
Com mãos trêmulas e molhadas de suor, Carlisle fechou a porta e abriu a carta endereçada a ele, procurando, aflito, pela identidade do signatário. O nome "Jacob Black" saltou aos seus olhos. Olhou fixamente para o papel, sentindo o coração prestes a explodir dentro do peito. Então, forçou-se a ler a mensagem. Enquanto o fazia, suas faces empalideceram e as palavras dançaram diante de seus olhos embaçados.
Quando terminou a leitura, Carlisle deixou as mãos caírem ao lado do corpo, e tombou a cabeça para a frente. Seus ombros sacudiram e as lágrimas correram soltas por suas faces, ao mesmo tempo em que seus sonhos e esperanças se desfaziam em uma explosão que fez seu sangue rugir em seus ouvidos. Muito tempo depois de as lágrimas terem secado, ele continuava ali parado, olhando fixamente para o chão. Finalmente, com movimentos lentos e pesados, endireitou os ombros e ergueu a cabeça.
– Amun – chamou, já subindo a escada. – Amun!
O mordomo apareceu no corredor, vestindo o paletó.
– Chamou, alteza? – indagou, pousando o olhar alarmado no duque, que se encontrava parado na escada, agarrando o corrimão com firmeza.
– Chame o doutor Worthing – Carlisle ordenou. – Diga-lhe para vir imediatamente.
– Devo mandar chamar lorde Cullen e lady Isabella, também? – Amun perguntou depressa.
– Não! – Carlisle respondeu, erguendo a voz, mas tratou de recuperar o controle. – Avisarei, se for preciso, depois que o doutor Worthing chegar.
O dia já estava quase amanhecendo, quando a carruagem de Edward estacionou diante da porta da mansão. Nem Edward, nem Isabella haviam pronunciado uma palavra sequer, durante o trajeto de volta para casa. Porém, ao notar a reação de alarme de Edward, Isabella inquiriu:
– De quem é aquela carruagem?
– Do doutor Worthing – ele respondeu, já abrindo a porta e saltando para o chão.
Sem cerimônia, tomou-a nos braços e a colocou nos degraus da entrada. Então, correu na direção da porta, que Amun já abrira. Segurando a saia, Isabella se apressou a segui-lo, o pânico apertando-lhe o peito.
– O que houve? – Edward perguntou a Amun.
– Seu tio, milorde... Ele teve um ataque cardíaco. O doutor Worthing está com ele, agora.
– Ah, meu Deus! – Isabella exclamou, apertando o braço de Edward em busca de apoio.
Juntos, os dois subiram a escada, mas Amun, que já os seguia avisou:
– O doutor Worthing pediu que vocês não entrassem, antes que eu o informasse de sua chegada.
Quando Edward erguia a mão para bater na porta do quarto de Carlisle, o Dr. Worthing a abriu. Depois de sair do quarto, ele fechou a porta atrás de si.
– Ouvi barulho e concluí que vocês haviam chegado – falou, passando as mãos pelos cabelos revoltos.
– Como ele está? – Edward indagou.
O Dr. Worthing respirou fundo, antes de declarar:
– Ele sofreu uma grave recaída, Edward.
– Podemos vê-lo?
– Sim, mas devo adverti-los para não dizer, nem fazer nada que possa contrariá-lo, ou preocupá-lo.
Isabella levou a mão ao peito.
– Ele não vai... Ele não vai morrer, vai, doutor?
– Mais cedo ou mais tarde, todos nós morreremos, minha cara – o médico respondeu com tamanha gravidade, que Isabella sentiu o corpo inteiro estremecer.
Entraram no quarto do moribundo e se aproximaram da cama. Edward parou de um lado, Isabella do outro. Embora as velas estivessem acesas sobre a mesa da cabeceira, para Isabella o quarto pareceu tão escuro e sombrio quanto um túmulo. A mão de Carlisle estava inerte sobre as cobertas e ela a segurou entre as suas, com firmeza, como se tentasse transmitir a ele parte de sua energia.
Os olhos de Carlisle se abriram e focalizaram o rosto de Isabella.
– Minha querida criança – ele murmurou com voz fraca. – Eu não queria morrer tão cedo. Queira tanto vê-la bem encaminhada, antes. Quem vai cuidar de você, quando eu me for? Quem mais lhe dará um lar?
As lágrimas brotaram dos olhos de Isabella. Aprendera a amar aquele homem como a um verdadeiro tio e, agora, estava prestes a perdê-lo. Tentou falar, mas o nó em sua garganta a impediu. Assim, ela se limitou a apertar a mão de Carlisle contra o peito.
Ele se virou para Edward.
– Você se parece tanto comigo... tão teimoso quanto eu... Agora, ficará sozinho, como eu sempre fui.
– Não fale – Edward ordenou com voz embargada pela emoção. – Descanse.
– Como posso descansar? Como posso morrer em paz, sabendo que Isabella estará sozinha? Vocês dois ficarão sozinhos, cada um a sua maneira. Ela não poderá continuar sob a sua proteção, Edward, pois a sociedade jamais perdoará... – Carlisle parou de falar, visivelmente lutando a fim de reunir forças para continuar, antes de virar-se para Isabella. – Isabella, você tem esse nome por minha causa. Sua mãe e eu nos amávamos. Eu pretendia lhe contar tudo, um dia, mas agora não há mais tempo.
Isabella já não podia conter os soluços.
Carlisle voltou a encarar Edward.
– Meu sonho era ver vocês dois casados, para que tivessem um ao outro, quando eu partisse...
O rosto de Edward era uma máscara de dor controlada. Ele assentiu com ar grave.
– Cuidarei de Isabella... Prometo me casar com ela – acrescentou depressa, ao perceber que Carlisle pretendia protestar.
Isabella ergueu os olhos arregalados para Edward, mas logo se deu conta de que ele só queria oferecer conforto a Carlisle, na hora da morte.
Carlisle fechou os olhos com um suspiro cansado.
– Não acredito em você, Edward – murmurou.
Desesperada, Isabella se pôs de joelhos, ao lado da cama.
– Não deve de preocupar conosco, tio Carlisle – implorou, aos prantos.
Com dificuldade, Carlisle virou a cabeça no travesseiro e abriu os olhos. Então, fixou-os nos de Edward.
– Jura? – inquiriu. – Pode jurar que vai se casar com Isabella e cuidar dela para sempre?
– Eu juro – Edward declarou.
E foi então que Isabella viu o brilho de determinação nos olhos dele e descobriu que Edward não estava fingindo, mas, sim fazendo um juramento solene para um moribundo.
– E você, Isabella? – Carlisle indagou. – Promete aceitá-lo?
Isabella ficou petrificada. Aquele não era momento para discutir. O fato brutal era que sem Carlisle e sem Edward, ela não tinha mais ninguém no mundo. Lembrou-se do prazer que o beijo de Edward lhe proporcionara. Embora temesse sua frieza, sabia que ele era forte e capaz de protegê-la. Os planos de, um dia, retornar à América por sua conta deram lugar à necessidade urgente de sobrevivência e de oferecer um pouco de conforto a Carlisle, no momento de sua morte.
– Isabella? – Carlisle insistiu com voz cada vez mais fraca.
– Prometo aceitá-lo – ela declarou.
– Obrigado – Carlisle murmurou, fazendo um esforço patético para sorrir. Então, retirou a mão esquerda de sob as cobertas e segurou a de Edward. – Agora, posso morrer em paz.
De repente, o corpo de Edward ficou tenso. Seus olhos fixaram-se nos de Carlisle e seu rosto se transformou em uma máscara de cinismo. Com voz sarcástica, replicou:
– Agora, você pode morrer em paz, Carlisle.
– Não! – Isabella explodiu em soluços. – Não morra, tio Carlisle. Por favor! – Tentando desesperadamente dar a ele uma razão para lutar pela vida, argumentou: – Se morrer agora, não poderá levar-me ao altar, no nosso casamento...
O Dr. Worthing se adiantou e ajudou Isabella a se pôr de pé. Fazendo um sinal para Edward, levou-a para o corredor.
– Já chega por ora, minha cara – o médico murmurou com voz gentil. – Se continuar assim, vai ficar doente também.
– Acha que ele vai viver, doutor? – ela perguntou, sem conter as lágrimas.
– Ficarei ao lado dele e os informarei sobre qualquer mudança em seu estado.
Sem oferecer esperança real, o médico voltou para dentro do quarto e fechou a porta.
Isabella e Edward desceram para o salão. Edward sentou-se ao lado dela e, a fim de confortá-la, passou o braço em torno de seus ombros e puxou-a para si. Isabella afundou o rosto no peito dele e soluçou até suas lágrimas secarem. Passou o resto da noite nos braços de Edward, rezando em silêncio.
Enquanto isso, Carlisle passou o resto da noite jogando cartas com o Dr. Worthing.
No início da tarde, o Dr. Worthing informou que Carlisle "ainda lutava pela vida". No dia seguinte, entrou na sala de jantar, quando Edward e Isabella jantavam, e declarou que Carlisle "parecia bem melhor".
Isabella mal pôde conter a alegria, mas Edward se limitou a fitar o médico com olhar cínico e convidá-lo para jantar.
– Obrigado – o Dr. Worthing agradeceu, desviando os olhos de Edward —, mas acho que já posso deixar meu paciente sozinho por um breve espaço de tempo.
– Tenho certeza que sim – Edward concordou.
– Acha que ele vai se recuperar, doutor? – Isabella perguntou, chocada pela reação fria de Edward.
– É difícil dizer – o médico respondeu, tendo o cuidado de evitar o olhar de Edward. – Ele diz que quer viver para assistir ao casamento de vocês. Pode-se dizer que está se agarrando a esse motivo para lutar pela vida.
Lançando um olhar rápido para Edward, Isabella inquiriu:
– O que pode acontecer se ele melhorar e, então, dissermos que mudamos de idéia?
– Nesse caso – foi Edward quem respondeu —, ele sem dúvida terá uma recaída. Não é doutor?
– Tenho certeza de que o conhece melhor do que eu, Edward – o Dr. Worthing replicou, constrangido. – O que você acha?
– Acho que ele vai ter uma recaída.
Isabella sentiu como se o destino estivesse brincando com sua vida. Primeiro, tirando dela seu lar e as pessoas a quem amava, para então mandá-la a uma terra distante e, finalmente, forçando-a a um casamento sem amor, com um homem que não a queria.
Muito depois de os dois homens terem saído, Isabella ainda brincava com a comida em seu prato, tentando encontrar uma solução para o dilema que envolvia a ela e Edward. Seus sonhos de um lar feliz, com um marido que a amasse e um bebê nos braços, voltou a sua mente como uma zombaria. Pela primeira vez, ela se permitiu um momento de autopiedade. Afinal, não havia desejado tanto da vida. Não sonhara com peles e jóias, nem com mansões espetaculares, onde poderia bancar a rainha. Só queria o que já tinha na América, desejando apenas um marido e um filho para completar seu ideal de vida feliz.
Uma onda de nostalgia a invadiu. Ah, como gostaria de poder voltar no tempo e ver os sorrisos de seus pais, ouvir o pai falar do hospital que sonhava construir para os aldeões, que haviam sido a segunda família de Isabella. Faria qualquer coisa para voltar para casa. A imagem do rosto bonito e sorridente de Jacob voltou a atormentá-la, mas Isabella tratou de afastá-la da lembrança, pois havia jurado não derramar nem mais uma lágrima pelo homem infiel que ela tanto amara.
Levantou-se e saiu à procura de Edward. Jacob a abandonara a sua própria sorte, mas Edward estava ali e tinha a obrigação de ajudá-la a encontrar um meio de escapar de um casamento que nenhum deles queria.
Encontrou-o sozinho no escritório, o braço apoiado no consolo da lareira, os olhos fixos no fogo. Sentiu o coração se encher de compaixão ao se dar conta de que, embora ele houvesse fingido frieza diante do Dr. Worthing, Edward havia buscado refúgio na privacidade da solidão, para dar vazão ao seu sofrimento.
Reprimindo o impulso de lhe oferecer conforto, pois sabia que ele o recusaria, chamou-o em voz baixa.
– Edward?
Ele ergueu os olhos com feições impassíveis.
– O que vamos fazer? – ela perguntou.
– Sobre o quê?
– Sobre essa idéia absurda de tio Carlisle de nos ver casados.
– Por que é absurda?
Isabella ficou surpresa com a reação de Edward, mas estava decidida a discutir o assunto com calma e franqueza.
– Porque não quero me casar com você.
– Sei muito bem disso, Isabella – Edward retrucou com olhar duro.
– Você também não quer se casar comigo.
– Tem razão.
Como ele voltasse a fitar o fogo, sem dizer mais nada, Isabella virou-se para sair, mas as palavras que Edward pronunciou a seguir a fizeram voltar.
– Mas o nosso casamento poderia nos dar o que nós dois realmente queremos.
– E o que nós queremos?
– Você quer voltar para América, ser independente, viver entre os seus amigos e, quem sabe, construir o hospital com que seu pai tanto sonhava. Ao menos, foi o que me disse. Se for honesta consigo mesma, vai admitir que também gostaria de voltar para mostrar a Jacob e a todos os que a conhecem, que o fato de ele a ter abandonado não significou nada, que você o esqueceu com a mesma facilidade com que ele se esqueceu de você, que levou sua vida adiante com sucesso.
Isabella se sentiu tão humilhada por esse comentário, que demorou alguns instantes para registrar as palavras seguintes de Edward.
– E – ele concluiu com objetivo – eu quero ter um filho. Podemos proporcionar um ao outro o que queremos. Case-se comigo e me dê um filho. Em troca, eu a mandarei de volta para a América, com dinheiro suficiente para viver como rainha e construir uma dúzia de hospitais.
Isabella fitou-o boquiaberta.
– Dar um filho a você? – repetiu, incrédula. – Dar-lhe um filho e, então, partir para a América? Dar-lhe um filho e deixá-lo aqui?
– Não sou tão egoísta. Você poderia ficar com ele até... digamos, quatro anos. Toda criança precisa da mãe, nessa idade. A partir de então, quero tê-lo comigo. Talvez você prefira ficar aqui, conosco, quando vier trazê-lo. Na verdade, eu preferiria que você ficasse, em caráter permanente, mas creio que essa decisão deve ser sua. Só tenho um condição a exigir.
– Que condição? – Isabella indagou, atordoada.
Edward hesitou, como se escolhesse cuidadosamente as palavras. Quando finalmente falou, desviou o olhar, fixando-o na janela.
– Pelo modo como me defendeu em público, há algum tempo, as pessoas acreditam que você não me despreza, nem tem medo de mim. Se concordar em se casar comigo, quero que reforce essa idéia e não diga ou faça nada que os faça pensar diferente. Em outras palavras, aconteça o que acontecer entre nós, quando estivermos em público, quero que se comporte como se tivesse se casado comigo por algo mais que o meu dinheiro, ou o meu título. Para colocar em palavras simples, como se gostasse de mim.
Foi então que Isabella se lembrou das palavras dele na festa dos Mortram: "Está enganada se julga que me preocupo com o que as pessoas pensam...". Edward mentira, ela se deu conta, sentindo o coração amolecer de ternura. Era óbvio que ele se importava com a opinião alheia ou, do contrário, não lhe faria um pedido como aquele.
Olhou para o homem frio, parado diante da lareira. Parecia poderoso e muito seguro de si. Era impossível acreditar que realmente desejasse ter um filho, ou que a desejasse, ou ainda que se importasse com o que às pessoas pensavam e diziam. Impossível, porém, verdadeiro. Isabella lembrou-se de como ele parecera quase infantil ao voltar do duelo e beijá-la. Lembrou-se da paixão contida naquele beijo e da solidão de suas palavras: "Mil vezes tentei me convencer de que não a quero, Isabella, mas foi em vão".
Talvez, por trás da fachada de frieza, Edward se sentisse tão solitário e vazio quanto ela. Talvez ele precisasse dela, mas não fosse capaz de admitir isso. Por outro lado, era possível que ela estivesse apenas tentando se enganar.
– Edward, você não pode esperar que eu tenha um filho e depois, o entregue a você e vá embora. Não pode ser tão frio e insensível quanto a sua proposta o faz parecer. Não acredito nisso.
– Não serei um marido cruel, se é isso que está falando.
– Não é do que estou falando! – Isabella explodiu. – Como pode falar em se casar comigo, como se estivesse discutindo um acordo de negócios, sem sentimento, emoção, e mesmo sem fingir amor...
– Ora, não me diga que ainda tem ilusões sobre o amor! – ele zombou. – Sua experiência com Black deveria tê-la ensinado que o amor é um sentimento usado apenas para manipular pessoas ingênuas. Não espero que me ame, Isabella.
Isabella agarrou-se ao espaldar da cadeira, furiosa com as últimas palavras dele. Abriu a boca para protestar, mas Edward sacudiu a cabeça e falou:
– Não responda antes de considerar com bastante cuidado e atenção o que lhe propus. Se se casar comigo, terá liberdade para fazer o que quiser. Poderá construir um hospital na América e outro perto de Wakefield, e ficar na Inglaterra. Tenho seis propriedades e uma infinidade de criados. Só eles já poderiam lotar o seu hospital, mas, se isso não acontecer, posso pagá-los para ficarem doentes – acrescentou com um arremedo de sorriso.
Isabella, porém, estava magoada demais para reconhecer algum humor naquelas palavras. Diante de seu silêncio, Edward continuou:
– Poderá cobrir todas as paredes de Wakefield com os seus desenhos e, quando não tiver mais espaço, mandarei construir paredes novas. – Então, acariciou-lhe a face com profunda e inesperada ternura. – Vai descobrir que sou um marido muito generoso. Eu prometo.
O modo como ele pronunciou a palavra marido fez Isabella se arrepiar.
– Por que eu? – ela inquiriu com um sorriso. – Se é um filho o que quer, existem dezenas de mulheres, em Londres, loucas para se casarem com você.
– Porque me sinto atraído por você... e você sabe disso. Além do mais, gosta de mim. Disse isso quando pensou que eu estava dormindo, lembra-se?
Por um momento, Isabella limitou-se a fitá-lo, chocada pela confissão de que ele realmente sentia alguma atração por ela.
– Eu gostava de Jacob, também – falou, irritada. – Meu julgamento dos homens deixa muito a desejar.
– Verdade – ele concordou.
Segurando-a pelos ombros, Edward puxou-a lentamente para si.
– Acho que você enlouqueceu! – ela murmurou com voz estrangulada.
– Sem dúvida – ele replicou, passando um braço em torno de sua cintura.
– Não vou aceitar... não posso...
– Isabella, você não tem escolha. Posso lhe dar tudo o que uma mulher deseja...
– Tudo, menos amor.
– Tudo o que uma mulher realmente deseja – ele insistiu. – Vou lhe dar jóias e peles. Você terá mais dinheiro do que jamais sonhou possível. E tudo o que terá de me dar em troca é isto... – concluiu, baixando a cabeça bem devagar, colando os lábios aos dela.
Um pensamento estranho cruzou a mente de Isabella: Edward estava se vendendo por pouco. Era atraente, rico e desejado e, com certeza, tinha o direito de esperar mais de uma esposa. Então, sua mente se esvaziou por completo, no momento em que ele aprofundou o beijo, fazendo com que ondas de prazer sacudissem seu corpo.
Quando Edward, por fim, descolou os lábios dos dela, Isabella sentia-se atordoada, trêmula e inexplicavelmente temerosa.
– Olhe para mim – ele murmurou, segurando-lhe o queixo entre os dedos. – Está tremendo. Tem medo de mim?
Apesar da torrente de sentimentos confusos que se agitavam em seu peito, Isabella sacudiu a cabeça. Não tinha medo de Edward. Por alguma razão que não saberia explicar, fora tomada por um súbito medo de si mesma.
Diante da resposta silenciosa, Edward sorriu.
– Acho que está com medo, sim, mas não tem motivo para isso. Vou machucá-la uma única vez e somente por ser inevitável.
– O que... Por quê?
– Talvez, eu não vá machucá-la de jeito nenhum. Certo? – ele disse com voz repentinamente dura.
– Certo, o quê? – Isabella ergueu a voz. – Gostaria que não falasse por meio de enigmas, quando já estou tão confusa que mal consigo pensar!
Em uma de suas mudanças súbitas de humor, Edward deu de ombros com indiferença.
– Não tem importância. Não me importo o que você fez com Black. Isso foi antes.
– Antes? – ela repetiu, à beira da histeria. – Antes do quê?
– Antes de mim. No entanto, fique sabendo que não vou admitir que me traia. Fui claro?
– Você está definitivamente louco!
– Já concordamos nisso – Edward lembrou-a com sarcasmo.
– Se vai continuar fazendo insinuações insultantes, vou me retirar para o meu quarto.
Edward fitou-a nos olhos, lutando contra o impulso de tomá-la nos braços novamente e devorar-lhe os lábios.
– Muito bem. Vamos falar de trivialidades. O que a senhora Craddock está preparando para o jantar?
Isabella sentiu que o mundo girava em uma direção e ela, em outra, atordoada e perdida.
– Senhora Craddock? – repetiu com olhar distante.
– A cozinheira. Como vê, já sei o nome dela. Também sei que O'Malley é o seu lacaio preferido. Agora, diga-me o que a senhora Craddock está cozinhando.
– Ganso – Isabella informou-o, tentando se recuperar. – É aceitável?
– Perfeitamente. Vamos jantar em casa?
– Eu vou.
– Nesse caso, naturalmente, eu também.
Ora, ele já estava desempenhando o papel de marido!
– Informarei a senhora Craddock – Isabella declarou e virou-se para sair.
Sua confusão se recusava a ceder. Edward dissera estar atraído por ela. Queria se casar com ela. Impossível! Se Carlisle morresse, ela seria obrigada a se casar com Edward. Se casasse com ele logo, talvez Carlisle encontrasse forças para viver. E Edward queria ter filhos. Ela também queria. Queria alguém para amar. Talvez pudessem ser felizes, juntos. Às vezes, Edward era adorável, às vezes seu sorriso a fazia sorrir também. Ele prometera não machucá-la...
Isabella estava perto da porta, quando a voz calma de Edward a fez parar.
– Isabella, acho que já tomou sua decisão quanto ao nosso casamento. Se a sua resposta é "sim", creio que devemos contar a Carlisle depois do jantar e marcarmos a data. Ele vai gostar, e quanto antes falarmos com ele, melhor.
Isabella se deu conta de que Edward estava insistindo em saber se ela pretendia se casar com ele. Fitou-o por um longo momento. Por que ele parecia tenso, à espera de sua resposta? Por que precisava pedi-la em casamento, se tudo não passava de um acordo de negócios?
– Eu... – Isabella começou.
Porém, a proposta romântica de Jacob brotou de sua memória: "Diga que vai se casar comigo, Isabella. Eu a amo. Sempre vou amar...".
Ora, Edward ao menos não pronunciara palavras de amor que não sentia. Nem a pedira em casamento com demonstrações de afeto. Por isso, ela aceitou a proposta com a mesma frieza que fora feita. Olhou para Edward e respondeu, impassível.
– Falaremos com tio Carlisle depois do jantar.
Isabella poderia jurar que, naquele momento, a tensão havia abandonado as feições de Edward.
Tecnicamente, era a noite de seu noivado e, assim, Isabella decidiu usá-la para estabelecer um padrão melhor para o seu futuro. Ao retornar do duelo, Edward confessara que gostava de ouvi-la rir. Se, como ela suspeitava, ele se sentisse tão solitário e vazio quanto ela, talvez os dois pudessem alegrar a vida um do outro. Descalça, passou um longo momento parada diante do guarda-roupa, tentando decidir que vestido usar para a ocasião supostamente festiva. Acabou se decidindo por um vestido de chiffon azul pálido, cuja bainha era bordada de fios dourados, e um colar de ouro e águas-marinhas que Edward lhe dera de presente, na noite de seu début. Emily escovou seus cabelos até que brilhassem e, então, repartiu-os no meio da cabeça, deixando que caíssem como cascata sobre os ombros. Uma vez satisfeita com sua aparência, Isabella foi para o salão. Aparentemente, Edward tivera a mesma idéia, pois vestia um traje formal, cor de vinho, colete de brocado e abotoaduras de rubi.
Estava enchendo uma taça de champanhe quando ela entrou, e ele interrompeu o que fazia para examiná-la da cabeça aos pés, com indisfarçável admiração. Isabella sentiu um aperto no estômago ao reconhecer o orgulho viril daquele olhar possessivo.
– Você tem a desconcertante capacidade de parecer uma criança em um momento e, no outro, uma mulher sedutora – ele comentou.
– Obrigada... eu acho.
– Foi um elogio – Edward assegurou. – Tentarei ser mais claro, no futuro.
Encorajada por aquela pequena indicação de que ele estava disposto a mudar para agradá-la, Isabella observou-o servir o champanhe. Quando ele lhe estendeu a taça, ela virou-se para se encaminhar ao sofá, mas Edward a segurou pelo braço com delicadeza. Com a mão livre, ele abriu uma caixa de veludo que se encontrava ao lado de sua taça, revelando um colar de três voltas, das pérolas mais espetaculares que Isabella já vira. Sem dizer nada, ele retirou o colar de águas-marinhas que ela usava e o substituiu pelo de pérolas.
No espelho, Isabella observou-o prender o fecho e, então, fitá-la.
– Obrigada – agradeceu, um tanto sem jeito.
– Prefiro que me agradeça com um beijo.
Isabella se pôs na ponta dos pés e beijou-o na face. Algo no modo como ele lhe dera as pérolas e, então, lhe pedira um beijo, a perturbou. Era como se Edward estivesse comprando seus favores, começando com um beijo em troca de um colar. A idéia desconcertante foi confirmada quando ele disse:
– Esse beijo não chega aos pés do colar que acabo de lhe dar.
Em seguida, beijou-a com ardor e, então, perguntou:
– Não gosta de pérolas, Isabella?
– Ah, sim, gosto muito! – ela respondeu, nervosa. – Nunca vi pérolas tão lindas. Nem mesmo as de lady Wilhelm são tão grandes. Estas deveriam pertencer a uma rainha.
– Pertenceram a uma princesa russa, há cem anos – Edward informou, fazendo Isabella sentir-se emocionada pelo fato de ele a considerar digna de um presente tão valioso.
Depois do jantar, subiram para ver Carlisle. A reação dele ao ser informado sobre a decisão dos dois em se casarem o rejuvenesceu de imediato. Quando Edward passou um braço em torno dos ombros de Isabella, o inválido ficou tão feliz, que chegou a emitir uma risada alta. Pareceu tão satisfeito e seguro de que os jovens estavam tomando a atitude mais acertada, que Isabella quase se convenceu disso.
– E quando o casamento vai se realizar? – Carlisle perguntou.
– Dentro de uma semana – Edward informou-o, recebendo um olhar surpreso de Isabella.
– Excelente! – Carlisle comemorou. – Pretendo estar em condições de assistir à cerimônia.
Isabella abriu a boca para protestar, mas Edward apertou-lhe o braço, para que não discutisse.
– E o que é isso, minha querida? – Carlisle indagou, apontando para o colar.
– Edward me deu de presente, esta noite, para selar o nosso ac... nosso noivado – ela explicou.
Quando a visita a Carlisle terminou, Isabella alegou estar exausta e Edward a acompanhou até a porta de seu quarto.
– Alguma coisa está perturbando você – ele disse. – O que é?
– Entre outras coisas, sinto-me péssima por me casar antes que o período de luto pela morte de meus pais termine. Já me senti culpada em cada baile a que compareci. Tive de ser evasiva quanto à data da morte deles, para que as pessoas não descobrissem que sou uma filha extremamente desrespeitosa.
– Você fez o que tinha de fazer. Casando-se comigo imediatamente, está dando a Carlisle uma razão para viver. Você mesma viu como ele pareceu melhor, quando marcamos a data. Além disso, a decisão de encerrar o seu luto foi minha, de modo que você não teve escolha. Se tem de culpar alguém, culpe a mim.
Isabella sabia que, em termos lógicos, Edward estava certo. Assim, mudou de assunto.
– Agora que descobri que "nós" decidimos nos casar daqui a uma semana, importa-se de me dizer onde "nós" decidimos nos casar? – perguntou com um sorriso maroto.
– Muito bem – ele falou com uma risada. – Nós decidimos nos casar aqui.
– Por favor, Edward, não podemos nos casar na pequena igreja da vila próxima a Wakefield? Poderíamos esperar até tio Carlisle estar em condições de fazer a viagem.
Chocada, Isabella viu a repulsa obscurecer os olhos de Edward à menção da igreja, mas após um breve instante de hesitação, ele assentiu.
– Se você quer um casamento na igreja, nós nos casaremos em uma aqui, em Londres, grande o bastante para acomodar os convidados.
– Não! Estou muito longe da América, milorde. A igreja perto de Wakefield seria melhor, pois me faz lembrar de casa. Desde menina, sempre sonhei em me casar em uma igrejinha...
Ao dar-se conta de que sempre sonhara em se casar em uma igrejinha do interior com Jacob, Isabella desejou não ter pensado em igreja alguma.
– Quero que nosso casamento seja celebrado em Londres, diante da ton – Edward declarou com firmeza. – Mas faremos um acordo: nos casaremos aqui e, então, iremos para Wakefield , para uma cerimônia menor.
– Esqueça que falei em igreja – Isabella voltou atrás. – Convide a todos para uma cerimônia aqui. Seria uma blasfêmia entrarmos em uma igreja e selarmos o que não passa de um acordo comercial. – Com uma tentativa de humor, acrescentou: – Quando estivéssemos jurando amar e respeitar um ao outro, eu estaria esperando que um raio nos caísse na cabeça!
– Nos casaremos na igreja – Edward pôs um fim à discussão. – E se um raio cair, pagarei por um telhado novo.

[N/A Fanfic]
O que eu disse? Esse Tio Carlisle é maravilhoso! Jogando cartas kkkk
E o nosso Lorde Malvado, se lembrou de tudo como, também vai ter que se casar com a nossa Bellinha kkkk! Se ferrou Edward! Era disso que ele estava precisando! kkkkk
Mais nem tudo serão flores! Esse casamento terá muitos autos e baixos! E quem vai sofrer nisso tudo? A Bella! Mais ela é uma força da natureza, acreditem ela não vai ficar sofrendo pelos cantos!
E posso garantir que o Edward vai sofrer três vezes pior! kkkk

[N/A Blog]
Oi gente!! Carlisle enganou toda a gente com a sua mentirinha kkkk mas acho que o Edward ficou com um pequena desconfiança das intenções dele. O que acham?? No próximo teremos o casamento e lua de mel, mas nem tudo será um mar de rosas e vocês vão sentir raiva do Edward. Imaginam o porquê disso?

Gente nos encontramos no domingo com um novo capitulo... 

Bjs e tenham um ótimo fim de semana...


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