quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 8

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vasto oceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...

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Capítulo 8

A tarefa de selecionar os melhores candidatos para marido de Isabella, a fim de preparar uma lista, se tornou bem mais difícil para Carlisle. Ao final da semana seguinte, a mansão se encontrava repleta de buquês de flores, levados por uma verdadeira multidão de cavalheiros entusiasmados, na esperança de conquistar as atenções e os favores de Isabella.
Até mesmo o elegante francês, marquês De Salle, curvou-se aos encantos dela. E não foi apesar da barreira da língua, mas sim por causa dela. Ele apareceu na mansão, um dia, na companhia do barão Arnoff e de outro amigo que decidira fazer uma visita matinal a Isabella.
– Seu francês é excelente – o marquês mentiu em inglês, em tom de galanteio.
Isabella fitou-o, divertida.
– Meu francês é medíocre! – protestou. – Tenho tanta dificuldade para imitar os sons anasalados do francês quanto os tons guturais dos apaches.

– O que são apaches?
– Uma tribo de índios americanos.
– Está se referindo a selvagens americanos? – interferiu o barão russo, lendário cavaleiro do Exército da Rússia, demonstrando interesse imediato. – Ouvi dizer que esses selvagens são cavaleiros soberbos. É verdade?
– Só conheci um índio, barão Arnoff, já bem velho e muito educado. Meu pai o encontrou doente, na floresta, e o levou para casa a fim de tratá-lo. Seu nome era Rushing River e ele ficou conosco, ajudando meu pai nos afazeres domésticos. Para responder a sua pergunta, embora fosse apenas metade apache, Rushing River era mesmo um cavaleiro soberbo. Eu tinha doze anos quando o vi realizar acrobacias sobre um cavalo e fiquei fascinada. Ele não usava sela e...
– Não usava sela! – o barão exclamou.
– Nenhum apache usa.
– Que tipo de acrobacias ele fazia? – O marquês perguntou, mais interessado no belo rosto de Isabella do que em suas palavras.
– Uma vez, ele me pediu que deixasse um lenço no meio de um campo. Então, cavalgou naquela direção, a toda velocidade. Quando já chegava onde havia deixado o lenço, largou as rédeas, tombou o corpo para o lado e apanhou o lenço, com o cavalo em movimento. Depois, ele me ensinou como fazer isso – Isabella confessou, rindo.
O barão parecia muito impressionado.
– Gostaria muito de ver isso. Pode me mostrar como se faz?
– Ah, sinto muito, mas seria impossível. O cavalo tem de ser treinado por um apache, antes.
– Você poderia ensinar algumas palavras da língua apache – o marquês sugeriu, sempre galante – e eu lhe ensinaria francês, em troca.
– Sua oferta é muito generosa, mas não seria justo, uma vez que tenho muito a aprender e bem pouco a ensinar. Só me lembro de algumas poucas palavras que Rushing River me ensinou.
– Tenho certeza de que poderia me ensinar uma frase, ao menos – ele insistiu.
– Ah, não, eu...
– Faço questão.
– Está bem – Isabella cedeu com um suspiro, antes de pronunciar uma frase apache. – Agora, tente repetir.
O marquês conseguiu na segunda tentativa e sorriu, satisfeito.
– O que significa? – perguntou. – O que eu disse?
Isabella lançou-lhe um olhar maroto, antes de traduzir:
– Aquele homem está pisando na minha águia.
O marquês, o barão e todos os presentes caíram na risada.
No dia seguinte, o barão russo e o marquês voltaram para uma nova visita, o que aumentou ainda mais o prestígio e popularidade de Isabella.
Onde quer que ela estivesse, dentro da mansão, ouviam-se risadas alegres e animadas. No resto da casa, porém, a tensão emanada por lorde Cullen fazia o ambiente vibrar. À medida que as semanas se seguiam e os admiradores de Isabella se multiplicavam, o humor de Edward ia de mau a pior. Onde quer que fosse, ele encontrava algo que o desagradava. Criticava a cozinheira por preparar seu prato predileto com muita freqüência; enfurecia-se com a governanta por um grão de poeira encontrado debaixo do corrimão; ameaçava demitir um lacaio, cujo uniforme apresentava um botão frouxo.
No passado, lorde Cullen fora um patrão exigente, porém razoável. Agora, nada parecia satisfazê-lo, e qualquer criado que cruzasse o seu caminho não escaparia sem um sermão rude. Infelizmente, quanto mais impossível ele se tornava, mais nervosos e agitados os criados ficavam e, em sua tentativa de trabalhar duro e mais depressa, acabavam se tornando mais desajeitados.
Antes, as propriedades de Edward funcionavam como máquinas muito bem reguladas. Agora, criados tropeçavam e se chocavam uns contra os outros, na pressa desesperada de realizarem suas tarefas e evitarem a ira do patrão. Como resultado desse frenesi de nervosismo, um valiosíssimo vaso chinês foi quebrado, um balde de água com sabão foi tombado sobre o tapete persa da sala de jantar e o caos tomou conta da mansão.
Isabella percebeu a tensão reinante no ambiente, mas quando tentou, com todo cuidado, abordar o assunto com Edward, ele a acusou de "tentar iniciar uma insurreição". Em seguida, fez comentários desagradáveis sobre o barulho provocado pelos visitantes dela enquanto ele tentava trabalhar, bem como sobre o odor "nauseante" das flores que tomavam conta da casa.
Por duas vezes, Carlisle tentou apresentar sua nova lista de candidatos a Edward, mas tudo o que conseguiu foi ser expulso do escritório aos berros.
Quando até mesmo Amun foi castigado com uma reprimenda rude, a criadagem entrou em pânico. Porém, tudo terminou no final de uma tarde, cinco semanas depois do début de Isabella. Edward trabalhava em seu escritório e chamou Amun, que tentava acomodar em um vaso um buquê que acabara de ser entregue a Isabella.
Em vez de fazer o irascível patrão esperar, o mordomo apressou-se em entrar no escritório, de buquê em punho.
– Chamou, milorde? – indagou, apreensivo.
– Ora, que lindas – Edward comentou, sarcástico. – Mais flores? Para mim? – Antes que Amun pudesse responder, o patrão explodiu: – A casa inteira cheira a flores! Já está parecendo um velório! Trate de se livrar desse buquê. Depois, diga a Isabella que quero vê-la imediatamente. Então, encontre o convite para a festa dos Frigley, esta noite. Não consigo me lembrar o horário. E avise meu valete para preparar trajes formais. E então? O que está esperando? Mexa-se!
– Sim, milorde – Amun respondeu, antes de sair correndo do escritório.
No corredor, deu de encontro com O'Malley, que Edward acabara de repreender por não ter engraxado suas botas como deveria.
– Nunca o vi desse jeito! – o chefe dos lacaios comentou, de olhos arregalados, enquanto Amun enfiava as flores no vaso, antes de sair à procura de lady Isabella. – O lorde me pediu chá e, então, gritou comigo porque eu deveria ter-lhe servido café.
– O lorde não toma chá – Amun explicou, tenso.
– Foi o que eu disse a ele, quando pediu – O'Malley devolveu —, e fui chamado de insolente!
– O que você realmente é – o mordomo criticou, alimentando a animosidade que pairava entre ele e o lacaio irlandês havia vinte anos.
Em seguida, Amun se afastou, apressado.
No salão menor, Isabella olhava fixamente para a carta que acabara de receber da Sra. Black, enquanto as palavras iam ficando turvas diante de seus olhos:
... não vejo maneira delicada e lhe contar que Jacob se casou com a prima, na Suíça. Tentei avisá-la sobre essa possibilidade antes de sua partida para a Inglaterra, mas você não quis me ouvir. Agora, que terá de aceitar a realidade, sugiro que procure por um marido mais adequado a uma moça da sua posição.
– Não! Por favor! – Isabella murmurou, ao mesmo tempo em que seus sonhos e esperanças caíam por terra, juntamente com sua fé nos homens.
Lembrou-se do rosto bonito e sorridente de Jacob, a elogiá-la enquanto cavalgavam juntos. "Ninguém monta como você Bella..." Também se lembrou do primeiro beijo, tão inocente, no seu aniversário de dezesseis anos. " Se você fosse mais velha eu lhe daria um anel, em vez de um bracelete..."
– Mentiroso! – Isabella balbuciou entre soluços. – Mentiroso!
As lágrimas corriam soltas por suas faces, indo cair no papel.
Amun entrou no salão e anunciou:
– Lorde Cullen deseja vê-la, no escritório, imediatamente, milady, e lorde Crowley acabou de chegar. Perguntou se... – parou de falar quando Isabella ergueu para ele os olhos vermelhos.
Em seguida, ela se pôs de pé e, cobrindo o rosto com as mãos, passou por ele e subiu a escada correndo.
Amun observou-a desaparecer e, com um gesto automático, abaixou-se para apanhar a carta que ela deixara cair no chão. Ao contrário de outros criados, que só ouviam partes de conversas familiares, Amun tinha acesso a muito mais informação. Também ao contrário dos demais, jamais acreditara que lady Isabella se casaria com lorde Cullen. Além disso, ouvira a própria Isabella dizer várias vezes que pretendia se casar com um cavalheiro americano.
– Amun! – lorde Cullen trovejou no escritório.
Como um autômato, o mordomo obedeceu ao chamado.
– Disse a Isabella que desejo vê-la? – Edward inquiriu. – O que tem na mão? É o convite dos Frigley? Dê-me isso. – Edward estendeu a mão, impacientando-se ao ver o mordomo se aproximar lentamente da escrivaninha. – Que diabo deu em você, Amun? – perguntou, arrancando o papel das mãos do mais velho. – Que manchas são essas?
– Lágrimas – Amun respondeu, as costas eretas, a postura impecável, os olhos discretamente fixos na parede.
– Lágrimas? – Edward repetiu, tentando ler as palavras borradas. – Isto não é um convite, é... – parou de falar quando finalmente se deu conta do que lia. Ao terminar, ergueu os olhos flamejantes para Amun. – Ele mandou a mãe contar a Isabella que se casou com outra? É um patife, covarde, miserável!
– Concordo plenamente, milorde.
Pela primeira vez em quase um mês, a voz de Edward não soou carregada de raiva e ressentimento, quando ele anunciou:
– Vou falar com ela.
Levantou-se e foi direto ao quarto de Isabella.
Como sempre, ela não respondeu à batida. Como sempre, Edward abriu a porta e entrou sem permissão. Em vez de estar chorando no travesseiro, Isabella olhava pela janela, as costas rijas, como se tivesse de se esforçar para se manter ereta. Edward fechou a porta atrás de si e hesitou, torcendo para que ela lhe passasse um de seus sermões por ele ter entrado no quarto sem ter sido convidado. Porém, quando Isabella finalmente falou, sua voz soou tão calma e desprovida de emoção, que ele chegou a ficar alarmado.
– Por favor, saia – ela pediu.
Ignorando o pedido, Edward se aproximou.
– Isabella, eu lamento... – parou de falar ao ver a ira nos olhos dela.
– Aposto que sim! Não se preocupe, milorde, pois não tenho a menor intenção de ficar aqui por muito tempo, nem de continuar sendo um fardo para você.
Ele estendeu os braços na tentativa de confortá-la, mas Isabella se afastou de um pulo.
– Não me toque! Não se atreva! Não quero ser tocada por homem algum, especialmente por você. – Respirou fundo, obviamente lutando para manter o controle. – Estive pensando em como cuidar de mim mesma. Não sou tão inútil quanto você imagina. Sou excelente costureira. Madame Dumosse mencionou mais de uma vez como é difícil encontrar profissionais competentes e responsáveis. Ela pode me dar um emprego e...
– Não seja ridícula! – Edward a interrompeu, furioso consigo mesmo por ter dito a ela que era inútil, quando chegara a Wakefield e ainda mais furioso com Isabella por atirar-lhe as palavras no rosto, quando tudo o que ele queria era confortá-la.
– Ah, mas eu sou ridícula! – ela balbuciou. – Sou uma condessa sem um tostão, sem lar, nem orgulho. Nem mesmo sei se sou competente o bastante com uma agulha na mão para...
– Chega! – Edward voltou a interrompê-la. – Não permitirei que trabalhe como costureira e ponto final! Vai retribuir a minha hospitalidade, colocando Carlisle e a mim em situação embaraçosa diante de toda a sociedade londrina?
Os ombros de Isabella vergaram-se e ela sacudiu a cabeça.
– Ótimo. Então, não quero ouvir mais essas bobagens sobre trabalhar para madame Dumosse.
– E o que eu vou fazer? – ela perguntou em um sussurro, os olhos repletos de um sofrimento insuportável.
Uma estranha emoção brilhou nos olhos de Edward e ele cerrou os dentes, como se lutasse para não dizer o que estava pensando.
– Faça o que todas as mulheres fazem – ele finalmente falou. – Case-se com um homem capaz de lhe oferecer um padrão de vida razoável. Carlisle já recebeu meia dúzia de pedidos de permissão para cortejá-la. Case-se com um desses homens.
– Não quero me casar com um homem a quem não amo – Isabella retrucou, recuperando parte de seu espírito de luta.
– Vai mudar de idéia – Edward afirmou com frieza.
– Talvez seja o melhor a fazer – ela murmurou com voz entrecortada —, pois amar alguém dói demais. Quando a pessoa a quem amamos nos trai... Ah, Edward, o que está errado comigo? Você me odeia e Jacob...
A resistência de Edward desmoronou e ele a tomou nos braços e a apertou contra si.
– Não há nada de errado com você – assegurou, enquanto lhe afagava os cabelos. – Jacob é um covarde idiota. E eu sou ainda mais idiota que ele.
– Ele desejou outra mulher mais do que a mim – ela soluçou contra o peito de Edward. – E dói tanto saber disso.
Edward fechou os olhos e respirou fundo.
– Eu sei – confessou.
Isabella encharcou a camisa de Edward com suas lágrimas que, pouco a pouco, foram derretendo o gelo que envolvera o coração dele durante anos. Abraçando-a com força, ele esperou que o pranto se abrandasse, para então beijá-la na testa e perguntar com voz suave:
– Lembra-se de quando me perguntou, em Wakefield, se poderíamos ser amigos?
Ela balançou a cabeça.
– Eu gostaria muito de ser seu amigo – Edward continuou. – Pode me dar uma segunda chance?
Isabella ergueu a cabeça e fitou-o com olhar cheio de dúvidas. Então assentiu.
– Obrigado – ele agradeceu com um esboço de sorriso.
Nas semanas que se seguiram, Isabella sentiu o impacto da rejeição de Jacob. No início, sentira-se magoada. Então, ficara furiosa. Finalmente, fora invadida por um profundo e doloroso sentimento de perda. Porém, com força e determinação, forçou-se a enfrentar a dura realidade daquela traição, bem como o fato inegável de que sua vida anterior chegara ao fim. Aprendeu a chorar na privacidade de seu quarto para, então, envergar um lindo vestido e seu melhor sorriso para exibir aos amigos e conhecidos.
Tratava de manter seus sentimentos bem escondidos de todos, exceto de Edward e Rosalie Collingwood, que a ajudavam de maneiras diferentes. Rosalie mantinha Isabella ocupada com intermináveis atividades sociais e Edward a acompanhava a todos os lugares.
Na maior parte do tempo, ele tratava Isabella como se fosse seu irmão mais velho, acompanhando-a a festas, ao teatro, à ópera, permitindo-lhe desfrutar da companhia dos amigos, enquanto ficava com os dele. Porém, era sempre alerta e protetor, pronto para afastar qualquer pretendente que ele não aprovasse. E Edward não aprovava um grande número deles. Para Isabella, que agora conhecia a fundo a fama de Edward como libertino incorrigível, era muito engraçado vê-lo intimidar um admirador mais entusiasmado com a simples força de seu olhar.
Para o resto da ton, o comportamento do marquês de Wakefield era não apenas engraçado, mas também muito estranho e até mesmo suspeito. Ninguém acreditava que os dois pretendiam se casar, especialmente porque Edward continuava a receber todos os admiradores de Isabella em sua casa e a afirmar que o noivado não era um compromisso definitivo. Por causa disso e pelo noivado ter sido anunciado antes de a condessa chegar à Inglaterra, a conclusão a que todos haviam chegado era de que o noivado fora arranjado de maneira prematura pelo duque, que, além de não possuir saúde boa, não escondia a profunda afeição pelos dois jovens. Assim, era fato aceito que o casal estava mantendo o compromisso apenas para agradá-lo.
Agora, porém, tal teoria começava a ser suplantada por outra, um bocado maliciosa. Desde o início, alguns membros da sociedade haviam manifestado objeções quanto ao fato de Isabella morar na mansão Wakefield. Por ser ela uma moça tão dócil e como lorde Cullen não demonstrara interesse especial por ela, à maioria das pessoas não dera ouvidos a tais objeções. No entanto, à medida que as aparições públicas de Edward ao lado de Isabella aumentavam, os mexericos cresciam, especulando que o notório lorde Cullen havia decidido transformar Isabella em mais uma das suas conquistas... se já não o fizera.
Alguns dos mexeriqueiros mais ferinos chegaram a insinuar que o noivado não passava de um disfarce conveniente para uma ligação imoral, levada a cabo bem abaixo do nariz da pobre srta. Zafrina Wilson. Esse boato em particular, embora repetido e passado adiante, não recebeu maior crédito simplesmente porque lorde Cullen, embora acompanhando Isabella a todos os lugares, jamais exibia a atitude possessiva de um amante. Além disso, lady Isabella já conquistara um grande número de ferrenhos defensores, entre eles à condessa de Collingwood e seu marido, que tomavam como ofensa pessoal qualquer comentário maldoso a respeito da condessa de Langston.
Isabella não ignorava a curiosidade que cercava seu relacionamento com Edward, nem deixava de perceber o fato de que muito membros da ton pareciam desconfiar dele. À medida que se acostumava ao jeito de ser de seus novos amigos, tomava maior consciência das suaves nuances de expressão exibidas pelas pessoas, sempre que Edward estava por perto. Suspeitavam dele, assumiam posição de alerta, desconfiavam. No início, Isabella acreditara estar imaginando coisas, mas depois confirmou suas suspeitas de que todos se tornavam mais tensos e formais na presença dele. Às vezes, ouvia comentários, ou partes de conversas sussurradas, nos quais reconhecia uma pontada de malícia ou, no mínimo, reprovação.
Rosalie a advertia sobre o fato de as pessoas temerem Edward e não confiarem nele. Uma noite, Alice tentou fazer o mesmo.
– Bella, Bella, é você? – Alice chamou, atravessando a pequena multidão que cercava Isabella no jardim da casa de lorde e lady Potham, onde havia uma festa.
Isabella, que não via a irmã desde que as duas haviam desembarcado do navio, fitou-a com ternura.
– Por onde você esteve? – perguntou. – Tem escrito tão raramente, que pensei que ainda estivesse "de castigo" no campo!
– Vovó e eu voltamos para Londres há três dias – Alice explicou, apressada. – Eu queria vê-la imediatamente, mas vovó não quer que eu tenha o menor contato com você. Assim mesmo tenho me mantido informada sobre todos os seus passos. Mas vamos deixar esse assunto de lado, pois não tenho muito tempo. Minha acompanhante virá a minha procura a qualquer momento. Eu disse a ela que vi uma amiga de vovó e que precisava lhe dar um recado. – Lançou um olhar apreensivo por cima do ombro, sem perceber a curiosidade com que os admiradores de Isabella a observavam. – Ah, Bella, estou tão preocupada com você! Sei que Jacob fez uma coisa horrível, mas você não pode nem sequer considerar a possibilidade de se casar com Wakefield! Ninguém gosta dele. Ouvi lady Faulklyn, a acompanhante de vovó, falar dele. Sabe o que ela disse?
Isabella deu as costas à audiência, que não escondia o interesse ávido.
– Alice, lorde Cullen tem sido muito bondoso comigo. Não me peça para ouvir mexericos desagradáveis, pois não lhes darei ouvidos. Deixe-me apresentá-la...
– Não agora! – Alice a interrompeu, desesperada. – Sabe das coisas horríveis que falam de Wakefield? Lady Faulklyn disse que ele nem seria recebido em Londres, se não fosse um Cullen. A reputação dele está abaixo da crítica. Ele usa as mulheres para suas finalidades devassas e, depois, as abandona! Todos têm medo dele e você também deveria ter! Dizem... – parou de falar ao avistar uma senhora de meia-idade que abria caminho por entre a multidão. – Preciso ir. Aquela é lady Faulklyn.
Alice correu ao encontro da mulher e as duas desapareceram.
O sr. Warren, que se encontrava bem ao lado de Isabella, aproveitou a oportunidade para dar a sua contribuição:
– Aquela jovem tem razão, sabia?
Com expressão de desagrado, Isabella virou-se para o jovem que parecia ser do tipo incapaz de enfrentar até mesmo a própria sombra. Então, olhou para os outros que a cercavam com expressões apreensivas. Era evidente que haviam ouvido boa parte das palavras de Alice.
Sentiu uma explosão de desprezo no peito. Nenhum daqueles jovens jamais se dedicara nem sequer a um dia de trabalho honesto, como Edward fazia. Eram tolos, superficiais, meros manequins bem vestidos, que adoravam criticar Edward pelo simples fato de ele ser muito mais rico e muito mais desejado pelas mulheres do que todos eles juntos.
O sorriso dócil que curvou os lábios de Isabella não escondeu o brilho ameaçador em seus olhos.
– Ora, senhor Warren, está preocupado com meu bem-estar?
– Sim, milady, e não sou o único.
– Que absurdo! Se quer mesmo ouvir a verdade, em vez de perder tempo com mexericos tolos, vou contá-la. Cheguei aqui, sozinha no mundo, sem família, nem fortuna, totalmente dependente de sua alteza e de lorde Cullen. Agora, quero que olhe bem para mim.
Isabella teve de conter uma gargalhada quando o jovem tolo colocou os óculos, a fim de obedecer as suas instruções ao pé da letra.
– Pareço uma mulher abusada? – inquiriu com impaciência. – Fui assassinada em minha cama? Não, cavalheiro! Na verdade, lorde Cullen deu-me o conforto de uma bela casa, além de me oferecer a proteção de seu nome. Com toda a honestidade, senhor Warren, penso que muitas mulheres em Londres, adorariam ser "abusadas" dessa forma e, pelo que pude observar, por aquele homem em particular. Além disso, acho que é a inveja e o ciúme que dão origem a esses mexericos ridículos.
O Sr. Warren corou e Isabella virou-se para os outros.
– Se conhecessem lorde Cullen tão bem quanto eu, saberiam que ele é o homem mais gentil, generoso, refinado e... e amável! – concluiu. Atrás dela, a voz de Edward soou divertida:
– Milady, em sua tentativa de defender minha negra reputação, está me fazendo parecer um homem tedioso!
Isabella virou-se para encará-lo embaraçada.
– No entanto – ele continuou com um sorriso —, poderei perdoá-la se aceitar dançar comigo.
Ela pousou a mão na dele a se deixou levar para o salão.
O sentimento de orgulho que a invadira por ter reunido coragem suficiente para defendê-lo começou a se dissipar, quando Edward a tomou nos braços, deslizando pela pista de dança, em silêncio. Só então Isabella parou para refletir que ainda sabia pouco sobre ele, embora houvesse aprendido, pela própria experiência, que Edward dava grande valor a sua privacidade e não gostava de falar de si mesmo. Sem jeito, perguntou-se se ele estaria zangado por tê-la surpreendido a discuti-lo com outras pessoas. Como ele continuasse quieto, Isabella ergueu os olhos e arriscou:
– Está zangado comigo por eu estar falando de você?
– Era de mim que estava falando? – ele indagou, erguendo as sobrancelhas. – Pela descrição que ouvi, jamais teria adivinhado. Desde quando sou gentil, generoso, refinado e amável?
– Você está zangado – Isabella concluiu com um suspiro.
Edward riu baixinho, ao mesmo tempo em que a apertava contra si.
– Não estou zangado – corrigiu. – Estou envergonhado.
– Por quê?
– Para um homem da minha idade e tamanho, com a minha reputação duvidosa, é um tanto embaraçoso ser defendido por uma jovem delicada como você.
Fascinada pela ternura que iluminou os olhos dele, Isabella teve de lutar contra o impulso absurdo de deitar a cabeça em seu ombro.
A notícia que Isabella defendera lorde Cullen em público se espalhou com rapidez. Aparentemente, ela o admirava, embora não estivesse decidida a se casar com ele. Ainda assim, a ton concluiu que a data do casamento deveria ser marcada em breve. Tal possibilidade deixou os admiradores de Isabella em pânico e eles redobraram esforços para agradá-la. Disputavam suas atenções com ferocidade, brigavam entre si por causa dela e, no final, lorde Crowley e lorde Wiltshire duelaram por ela.
– Ela não quer nenhum de nós dois – o jovem lorde Crowley informou a lorde Wiltshire uma tarde, quando saíram da mansão Wakefield, depois de uma visita breve e insatisfatória.
– Quer, sim – lorde Wiltshire protestou. – Ela demonstrou um interesse particular por mim!
– Ora, seu idiota! Ela nos considera almofadinhas ingleses e é evidente que não gosta dos ingleses. Prefere aqueles colonos rudes! Ela não é a criaturinha meiga que parece. Na verdade deve rir a nossa custa e...
– Mentira! – o amigo o interrompeu, furioso.
– Está me chamando de mentiroso, Wiltshire? – Crowley inquiriu, indignado.
– Estou – Wiltshire confirmou com petulância.
– Muito bem. Amanhã, ao raiar do dia, nos bosques de minha propriedade – Crowley decretou.
Em seguida, partiu a galope, na direção do clube que freqüentava, onde a notícia do duelo iminente se espalhou, chegando às mesas de jogos, onde o marquês De Salle e o barão Arnoff se distraíam.
– Malditos idiotas! – De Salle praguejou ao ser informado da disputa – lady Isabella ficará inconsolável quando souber disso.
O barão Arnoff se limitou a rir baixinho.
– Nem Crowley, nem Wiltshire tem pontaria para causar maiores estragos. Fui testemunha disso durante uma caçada na casa de campo de Wiltshire, em Devon.
– Talvez eu deva tentar impedir esse absurdo – o marquês declarou.
O barão sacudiu a cabeça, ainda parecendo divertido.
– Não vejo por que você deva se preocupar. O máximo que vai acontecer é um dos dois conseguir ferir o cavalo do outro.
– Estou pensando na reputação de lady Isabella. Um duelo travado por causa dela não será nada bom.
– Ótimo! – o barão zombou – Se ela se tornar menos popular, minhas chances de conquistá-la serão maiores.
Horas depois, ocupando uma outra mesa de jogo, Emmett Collingwood soube do duelo, mas não recebeu a notícia de bom humor. Pedindo licença aos amigos, deixou o clube e se dirigiu à residência do duque de Masen, onde Edward estava hospedado. Depois de esperar durante uma hora pelo retorno do amigo, Emmett persuadiu o mordomo a acordar o valete de Edward. Como resultado de muita insistência, o criado forneceu, com grande relutância, a informação de que o patrão voltara cedo do sarau a que acompanhara lady Isabella e, então, saíra para visitar uma certa dama, na Williams Street.
Emmett voltou para sua carruagem e deu o endereço ao cocheiro, ordenando:
– Depressa!
As batidas altas e insistentes na porta finalmente despertaram a criada francesa que, com a maior discrição, negou qualquer conhecimento do paradeiro de lorde Cullen.
– Vá chamar sua patroa imediatamente – Emmett comandou impaciente. – Não tenho muito tempo.
A criada lançou um olhar para o brasão na porta da carruagem e, após uma breve hesitação, subiu a escada apressada.
Depois de outra longa espera, uma bela loira desceu a escada, vestindo uma fina camisola.
– O que está acontecendo lorde Collingwood? – Lauren inquiriu.
– Edward está aqui? – Emmett perguntou.
– Está.
– Diga a ele que Crowley e Wiltshire vão duelar por Isabella ao amanhecer, no bosque da propriedade Crowley.
Quando Lauren se sentou na beirada da cama, Edward estendeu a mão e, de olhos fechados, encontrou a abertura da camisola e acariciou-lhe a coxa.
– Volte para cama – convidou com voz sonolenta. – Preciso de você de novo.
Um sorriso triste curvou os lábios dela.
– Você não precisa de ninguém, Edward. Nunca precisou.
Com uma risada, Edward deitou-se de costas e puxou-a para cima de seu corpo já excitado.
– Se isso não é precisar, então, o que é?
– Não foi isso que eu quis dizer com "precisar" e você sabe disso. Não! – Lauren protestou, ao sentir as mãos experientes começarem uma sensual exploração de seu corpo. – Não temos tempo, agora, Collingwood está lá embaixo. Pediu para avisá-lo de que Crowley e Wiltshire vão duelar ao amanhecer, na propriedade Crowley.
Edward abriu os olhos imediatamente, mas não pareceu preocupado.
– Vão duelar por Isabella – Lauren completou.
Em questão de segundos, Edward estava de pé, vestindo-se apressado.
– Que horas são? – perguntou.
– Falta mais ou menos uma hora para o amanhecer.
Ele assentiu, inclinou-se para beijá-la na testa e saiu.
O céu começava a clarear quando Edward finalmente localizou o bosque na propriedade Crowley e avistou os dois oponentes. À direita, sob os carvalhos frondosos, estava a carruagem do médico. Edward fincou os calcanhares nos flancos de seu garanhão, disparando em galope veloz.
Ao alcançar a clareira, saltou do cavalo antes mesmo que este parasse e correu para Crowley.
– Que diabo está acontecendo? – inquiriu, e ficou surpreso ao ver o marquês De Salle se aproximar de Wiltshire. – O que está fazendo aqui? Você deveria ter mais juízo do que esses dois moleques!
– Estou fazendo o mesmo que você, mas sem muito sucesso, como logo vai descobrir.
– Crowley atirou em mim – Wiltshire acusou com voz engrolada pelo álcool que havia ingerido, na tentativa de reunir coragem para o duelo. – Crowley não... não se comportou como um... cavalheiro. Agora... vou atirar nele.
– Não atirei em você – Crowley protestou, irritado. – Se tivesse atirado, você estaria ferido!
– Você não atirou para cima! – Wiltshire persistiu. – Não é um cavalheiro... merece morrer... e vou cuidar disso.
Então, Wiltshire ergueu o braço trêmulo, apontando a arma na direção do oponente. Em seguida, tudo aconteceu de uma só vez. A pistola explodiu no momento em que o marquês De Salle se lançava sobre Wiltshire, na tentativa de tomar-lhe a arma. Ao mesmo tempo, Edward atirou-se sobre Crowley, derrubando-o no chão. A bala passou zunindo, próximo à orelha de Edward, ricocheteou no tronco de uma árvore e, então, atingiu-lhe o braço.
Após um momento de imobilidade, Edward se sentou devagar, com expressão incrédula. Pôs a mão sobre a dor lancinante em seu braço e viu o sangue, que logo lhe manchou os dedos.
O médico, o marquês e Wiltshire correram para ele.
– Deixe-me examinar seu braço – o Dr. Worthing falou, afastando os outros e se ajoelhando ao lado de Edward.
O médico rasgou-lhe a manga da camisa e o jovem Wiltshire emitiu um gemido estrangulado ao ver o ferimento.
– Ah, meu Deus! Lorde Cullen, não tive a intenção de...
– Cale-se! – o Dr. Worthing ordenou. – Alguém me dê uma garrafa de uísque que está na minha maleta. – Para Edward, explicou: – É um ferimento sem maiores conseqüências, Edward, mas é profundo. Terei de limpá-lo e dar pontos. – Apanhou a garrafa que o marquês lhe entregou e lançou um olhar de desculpa para Edward. – Vai arder como o fogo do inferno.
Edward assentiu e cerrou os dentes, quando o médico derramou o líquido âmbar sobre o ferimento para, então, estender-lhe a garrafa.
– Se eu fosse você, Edward, beberia o resto. Vai precisar de muitos pontos.
– Não atirei nele – Wiltshire explodiu, na tentativa de escapar à ira de lorde Cullen, que teria todo o direito de exigir uma revanche. Quatro pares de olhos se fixaram nele, com evidente desprezo. – Não atirei! – ele repetiu, desesperado. – Foi à árvore. Atirei na árvore e, depois, a bala atingiu lorde Cullen.
Edward fitou-o com expressão sombria.
– Se tiver sorte, Wiltshire, vai conseguir se manter longe de minhas vistas, até que eu esteja velho demais para açoitá-lo.
Wiltshire girou nos calcanhares e começou a correr, Edward virou-se para Crowley, que o fitava, petrificado.
– Crowley, sua presença me ofende.
Seguindo o exemplo do amigo, o jovem montou em seu cavalo e desapareceu.
Em seguida, Edward bebeu um longo gole de uísque, contorcendo-se para suportar a dor provocada pela agulha com que o Dr. Worthing fechava seu ferimento. Então, virou-se para De Salle:
– Infelizmente, não dispomos de copo adequado, mas sirva-se à vontade.
Sem hesitar, o marquês aceitou a garrafa e bebeu, antes de explicar:
– Dirigi-me a sua casa, logo que soube do duelo, mas fui informado de que você não estava. Seus criados se recusaram a me fornecer seu paradeiro. Assim, trouxe o doutor Worthing comigo, para tentarmos evitar que o pior acontecesse.
– Devíamos ter deixado que se matassem – Edward murmurou com desgosto, voltando a se contorcer, pois acabar de levar mais um ponto.
– Tem razão – De Salle concordou.
Edward bebeu mais dois goles de uísque e começou a sentir os efeitos do álcool sobre seus sentidos. Apoiou a cabeça no tronco da árvore e, com um suspiro, perguntou:
– O que, exatamente, fez a minha pequena condessa para provocar esse duelo?
De Salle empertigou-se diante do tom afetuoso usado por Edward.
– Pelo que pude entender, lady Isabella teria chamado Wiltshire de almofadinha inglês.
– Nesse caso, Wiltshire deveria ter desafiado Isabella para um duelo – Edward falou com uma risada. – Ela não teria errado o alvo.
O marquês não achou graça da piada.
– O que quer dizer com "sua pequena condessa"? – indagou. – Se ela é sua, está se demorando demais para oficializar o noivado. Você mesmo disse que nada estava decidido. Que tipo de jogo está fazendo com os sentimentos dela, Wakefield?
Edward sustentou o olhar hostil do outro e, então, fechou os olhos e sorriu.
– Se está pensando em me desafiar para um duelo, espero que saiba atirar muito bem. É humilhante demais para um homem da minha posição ser atingido por uma árvore.
Isabella virava-se de um lado para outro, na cama, exausta demais para dormir e incapaz de afastar os pensamentos agitados. Ao amanhecer, desistiu de tentar e se sentou, apoiando-se nos travesseiros e pensando em sua vida como um túnel longo e escuro a sua frente. Pensou em Jacob, que estava casado com outra e perdido para ela. Lembrou-se dos camponeses que aprendera amar quando ainda era criança e que a amavam como a uma filha. Agora, eles se encontravam longe demais, totalmente fora de seu alcance. Só lhe restava tio Carlisle, mas nem mesmo o afeto sincero daquele homem poderia abrandar a agitação e o vazio que preenchiam seu peito.
Durante toda a sua vida, ela se sentira útil e necessária, de alguma maneira. Agora, sua vida era uma seqüência interminável de frivolidades, com Edward pagando por todas as suas despesas. Senti-se inútil, desnecessária... um fardo.
Havia tentado seguir o conselho insensível de Edward e escolher outro homem para se casar. Sim, tentara, mas simplesmente não conseguia imaginar-se casada com nenhum daqueles almofadinhas londrinos, todos tão superficiais, esforçando-se como podiam para agradá-la. Não precisavam dela como esposa. Isabella seria um mero ornamento, um objeto de decoração em suas vidas. Com exceção dos Collingwood e de outros raros casais, os casamentos na ton não passavam de acordos convenientes, nada mais. Os casais raramente compareciam junto ao mesmo evento, e quando o faziam, não era de bom-tom ficarem na companhia um do outro. Os filhos nascidos desses casamentos eram prontamente entregues aos cuidados de babás e professores. O significado do casamento era muito diferente na Inglaterra, Isabella concluiu.
Com nostalgia, lembrou-se dos maridos e esposas que conhecera em Portage. Lembrou-se do velho sr. Prowther, sentado na varanda, durante o verão, lendo com determinação para a esposa paralisada, que mal tinha consciência de onde estava. Recordou a expressão nos rostos dos Makepeace, quando seu pai os informara de que, depois de vinte anos de tentativas vãs, a Sra. Makepeace finalmente estava grávida. Pensou em como o casal de idade já pouco avançada havia se abraçado, chorando juntos a felicidade partilhada. Aqueles, sim, eram casamentos como todos os casamentos deveriam ser: duas pessoas trabalhando juntas, ajudando uma à outra, nos bons tempos e nos ruins; duas pessoas rindo juntas, criando seus filhos juntas e até mesmo chorando juntas.
Isabella pensou nos próprios pais. Embora Renée Swan não amasse o marido, ainda assim havia lhe proporcionado um lar acolhedor e sido sua companheira. Os dois faziam quase tudo juntos, como jogar xadrez diante da lareira, durante o inverno e sair para longas caminhadas, no verão.
Em Londres, Isabella era desejada por uma razão simples e estúpida: estava "na moda", no momento. Como esposa, não teria nenhuma utilidade, exceto a de ocupar o seu lugar à mesa, quando os convidados chegassem para o jantar. E ela sabia que jamais seria feliz vivendo assim. Queria partilhar sua vida com alguém que precisasse dela, fazer seu marido feliz e ser importante para ele. Queria se sentir útil, saber que possuía um propósito que não fosse meramente ornamental.
O marquês De Salle gostava muito dela, era verdade, mas não a amava. Isabella mordeu o lábio, atacada mais uma vez pela dor da perda, ao se lembrar das juras de amor que ouvira de Jacob. Ele não a amara de verdade. O marquês De Salle também não a amava. Talvez os homens ricos, incluindo Jacob, fossem incapazes de amar. Talvez...
Isabella empertigou-se ao ouvir passos pesados se arrastando pelo corredor. Era cedo demais para ser algum criado. Além disso, eles praticamente corriam pela casa, na tentativa de satisfazer os desejos do patrão. Algo bateu contra a parede e um homem gemeu. Tio Carlisle podia estar passando mal, Isabella pensou, atirando as cobertas para longe e saindo da cama apressada. Correu para a porta e abriu-a.
– Edward! – exclamou ao vê-lo apoiado na parede, o braço esquerdo suspenso em uma tipóia improvisada. – O que aconteceu? Ora, esqueça. Não tente falar. Vou chamar um criado para ajudá-lo.
Girou nos calcanhares, mas ele a segurou pelo braço, puxando-a de volta, com um sorriso estranho.
– Quero que você me ajude – Edward murmurou com voz enrolada e passou um braço pelos ombros dela, apoiando assim todo o peso do corpo. – Leve-me para o meu quarto, Isabella.
– Onde fica o seu quarto? – Isabella sussurrou.
– Você não sabe? Eu sei onde fica o seu.
– Que diferença isso faz, agora? – ela indagou, irritada.
– Nenhuma – ele admitiu e parou diante da primeira porta à direita.
Isabella abriu-a ajudou-o a entrar.
Do outro lado do corredor, uma outra porta se abriu e Carlisle Cullen apareceu, vestindo seu robe de seda, com ar preocupado. Então, imobilizou-se ao ouvir Edward ordenar em tom sedutor:
– Agora, minha pequena condessa, acompanhe-me até a minha cama.
Isabella percebeu a maneira estranha com que Edward estava pronunciando as palavras, mas atribuiu o fato à dor, ou à perda de sangue.
Quando pararam ao lado da cama imensa, Edward retirou o braço de seus ombros e esperou pacientemente enquanto ela puxava as cobertas. Em seguida, ele se sentou, fitando-a com um sorriso tolo. Isabella estudou-o, tentando esconder a ansiedade. Usando o tom de voz suave e profissional de seu pai, perguntou:
– Poderia me contar o que aconteceu com você?
– Claro! – ele respondeu, parecendo afrontado. – Não sou nenhum imbecil, sabia?
– Muito bem, o que aconteceu? – ela repetiu, começando a ficar impaciente.
– Ajude-me a tirar as botas.
Isabella hesitou.
– Acho melhor eu ir chamar Amun.
– Esqueça as botas – Edward decidiu, antes de se deitar ainda calçado. – Sente-se ao meu lado e segure a minha mão.
– Não seja tolo.
Ele lhe lançou um olhar magoado.
– Você deveria ser mais gentil comigo, Isabella. Afinal de contas, fui ferido em um duelo pela sua honra.
Horrorizada pela menção de um duelo, ela obedeceu.
– Ah, meu Deus, um duelo! Por quê? – Examinou-lhe as feições e sentiu o coração se derreter. Por alguma razão, Edward havia lutado por ela. – Por favor, diga-me por que você se envolveu em um duelo - implorou.
Edward sorriu.
– Porque Wiltshire chamou você de almofadinha inglesa.
– Do quê? – Isabella inquiriu, ansiosa. – Edward, quanto perdeu de sangue?
– Todo. Quanto você lamenta?
– Muito. Agora, por favor, tente falar coisa com coisa, Wiltshire atirou em você porque...
Edward revirou os olhos, com ares de desgosto.
– Wiltshire não atirou em mim. Ele seria incapaz de acertar uma parede a dois metros de distância! Uma árvore me atingiu. – Estendeu a mão e acariciou a rosto de Isabella, puxando-a para si. – Sabe que você é linda? – disse com voz rouca e dessa vez, o forte odor de uísque atingiu as narinas de Isabella.
– Você está bêbado! – ela acusou, recuando.
– Tem razão – Edward confirmou de bom humor. – Eu me embriaguei com seu amigo De Salle.
– Meu Deus! Ele também estava lá?
Edward assentiu, mas não disse nada, pois estava fascinado pela bela mulher a sua frente. Os cabelos, da mesma cor de mogno em brasa, caíam soltos sobre seus ombros, emoldurando um rosto de beleza incomparável. A pele era lisa como alabastro, as sobrancelhas delicadamente arqueadas. Seus olhos pareciam dois chocolates luminosas, que estudavam as feições de Edward com preocupação, tentando avaliar suas condições. Orgulho e coragem marcavam cada um de seus traços, das maças do rosto bem delineadas, ao nariz pequeno e arrebitado, e também o queixo, com sua encantadora fenda. Ainda assim, a boca era suave e vulnerável, tão suave quanto seus seios que ameaçavam saltar para fora do decote da camisola fina, parecendo pedirem a Edward que os tocasse. Porém, era a boca de Isabella que ele queria capturar... Lentamente, puxou-a para mais perto.
– Lorde Cullen! – Isabella advertiu, tentando se afastar.
– Você acabou de me chamar de Edward. Não negue.
– Foi um erro.
– Então, vamos errar de novo.
Enquanto falava, ele pousou a mão por trás da nuca de Isabella, forçando-a a se aproximar.
– Por favor, não – ela implorou. – Não me obrigue a lutar com você. Seu ferimento pode piorar.
A pressão em sua nuca diminuiu. Embora não a libertasse, Edward imobilizou-se, limitando-se a impedir que ela se afastasse, enquanto lhe estudava o rosto com ar reverente.
Isabella esperou pacientemente, sabendo que Edward estava confuso por causa da dor, da perda de sangue e da ingestão de uma quantidade considerável de álcool. Nem por um momento acreditou que ele realmente a desejava e, por isso, fitou-o com ar divertido.
– Alguma vez você já foi beijada por alguém, além de Jacoce? – Edward indagou.
– Jacob – Isabella corrigiu-o, esforçando-se para não rir.
– Nem todos os homens beijam do mesmo jeito, sabia?
Uma risada escapou dos lábios de Isabella, antes que ela pudesse reprimi-la.
– Verdade? Quantos homens você já beijou?
Embora o sorriso curvasse os lábios de Edward, ele ignorou a piada.
– Chegue mais perto – ordenou com voz rouca, voltando a intensificar a pressão de sua mão na nuca de Isabella. – Cole seus lábios aos meus. Faremos do meu jeito.
A complacência de Isabella desvaneceu e ela começou a entrar em pânico.
– Edward, pare com isso. Você não quer me beijar. Nem gosta muito de mim, quando está sóbrio.
Ele soltou uma gargalhada amarga.
– Gosto de você muito mais do que deveria – declarou.
Então, puxou-a para si com um movimento brusco e beijou-a com ardor. Isabella lutou para se libertar, mas Edward enroscou os dedos em seus cabelos e puxou-os.
– Não lute! – falou entre os dentes. – Está me machucando.
– É você quem está me machucando! – Isabella protestou. – Solte-me.
– Não posso – Edward argumentou, embora soltasse os cabelos de Isabella e deslizasse a mão por seu pescoço e costas, mantendo os olhos fixos nos dela. – Mil vezes tentei me convencer de que não a quero, Isabella, mas foi em vão – confessou, desolado.
E, enquanto Isabella ainda se recuperava do choque provocado por aquela declaração, Edward voltou a puxá-la para si e beijá-la. Desta vez, porém, seu beijo foi um misto de ternura e paixão, que deixou Isabella atordoada e imóvel. No início, ela simplesmente se deixou beijar, abandonado-se às sensações totalmente desconhecidas que invadiam seu corpo. Então, em um momento de paixão febril, retribuiu o beijo, imitando cada movimento dos lábios e da língua de Edward.
A reação dele foi imediata. Com um gemido abafado, ele passou o braço em torno das costas de Isabella e apertou-a contra si com força esmagadora, deliciando-se com o contato dos seios fartos e macios contra seu peito.
Depois do que pareceu uma eternidade, Edward descolou os lábios dos dela, passando a beijar-lhe as faces e a testa com profunda reverência e ternura. Então, de súbito, parou.
Isabella recuperou lentamente a clareza de raciocínio, que trouxe consigo a consciência horrorizada do comportamento devasso que acabara de exibir. Seu rosto encontrava-se pousado sobre o peito de Edward e ela estava parcialmente deitada sobre ele, como uma... uma leviana! Trêmula, forçou-se a erguer a cabeça, na certeza de que os olhos de Edward exibiriam o brilho frio do triunfo, ou até mesmo o mais profundo desprezo. Que era exatamente o que ela merecia. Com relutância, abriu os olhos e se obrigou a fitá-lo
– Meu Deus – ele murmurou com olhar desfocado.
Isabella se encolheu de leve ao vê-lo erguer a mão, pois pensou que Edward fosse empurrá-la para longe de si. Porém, ele segurou seu rosto com dedos delicados, acariciando-lhe a face com o polegar. Confusa pela reação inesperada, ela esperou.
– Seu nome não combina com você – ele finalmente falou. – Isabella é muito longo e frio para uma criatura tão delicada e adorável.
Cativada pelo ar de intimidade com que ele a fitava, Isabella contou:
– Meus pais me chamavam de Bella.
– Bella – Edward repetiu, sorrindo. – Gostei. Combina perfeitamente com você. Também gosto do brilho que seus cabelos refletem no sol, do som da sua risada e da maneira como seus olhos faíscam quando está zangada. Sabe do que mais eu gosto? – acrescentou, ao mesmo tempo em que seus olhos se fechavam lentamente.
Fascinada pelo som da voz grava e pela doçura das palavras de Edward, Isabella sacudiu a cabeça.
Com os olhos fechados e um sorriso nos lábios, ele murmurou:
– Gosto de como você preenche a camisola que está vestindo...
Isabella se afastou de um pulo, ofendida. A mão de Edward caiu inerte a seu lado. Ele já dormia profundamente.
Por mais que tentasse ficar furiosa, Isabella sentiu o coração amolecer. As feições de Edward, normalmente duras, exibiam grande suavidade quando ele dormia. Além disso, a ausência do brilho cínico em seus olhos fazia-o parecer vulnerável e quase infantil.
Perguntou-se como ele teria sido quando criança. Certamente, Edward não fora um garoto cínico e frio.
– Jacob arruinou todos os meus sonhos de criança – murmurou baixinho. – Gostaria de saber quem arruinou os seus. Vou lhe contar um segredo – acrescentou, sabendo que ele não poderia ouvi-la. – Também gosto muito de você, Edward.
Do outro lado do corredor, ouviu-se o clique de uma porta se fechando. Invadida pela culpa, Isabella se levantou de um pulo, alisando a camisola e ajeitando os cabelos. Porém, quando espiou da porta, o corredor estava deserto.

[N/A Fanfic] 
O Edward bêbado é um máximo! Mais será que ele vai se lembrar de tudo? O que vocês acham?
Acho que só posso dizer uma coisa! A BELLA ESTÁ LIVRE PARA O NOSSO LORDE MALVADO! KKKKK
Agora nossa Bellinha vai poder usar artilharia pesada para conquistar nosso marques cabeça dura! Mais não pense que eles vão se acertar e serem felizes pra já. Isso não vai acontecer! Ainda vai demorar um pouco para os nossos meninos serem completamente felizes!
E o Edward ainda vai fazer a Bella sofrer e chorar muito!
Mais teremos um salvador meninas! O tio Carlisle, esse homem vai nos ajudar kkkk... Eu amo ele, somente ele será capaz de fazer isso kkkk, E ele quando trama algo faz com categoria kkkk!
Nos próximos capítulos o Tio Carlisle, vai deixar os nossos meninos loucos kkkk
E para completar: PERDEU BLACK! KKKK

Gente nos encontramos na sexta com um novo capitulo... 

Bjs e boa noite...

Irmandade Robsten Legacy 

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