sábado, 13 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 6

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vasto oceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...

Capítulo 6

No momento em que os Collingwood partiram, Edward se dirigiu à biblioteca, onde Carlisle havia passado à última hora.
Ao vê-lo, Carlisle pôs de lado o livro que estava lendo e sorriu.
– Prestou atenção ao comportamento de Isabella, durante o jantar? – indagou ansioso. – Ela não é esplêndida? Possui tamanho charme, desenvoltura, conhecimento... quase explodi de orgulho! Ora, ela é...
– Leve-a para Londres amanhã – Edward o interrompeu em tom rude. – Zafrina Wilson poderá encontrá-los lá, para a temporada.
– Londres? Por que a pressa?
– Quero Isabella longe de Wakefield e da minha responsabilidade. Leve-a para Londres e trate de encontrar um bom marido para ela. A temporada terá início dentro de duas semanas.

Embora empalidecesse, Carlisle manteve a firmeza na voz.
– Creio que mereço uma explicação para essa sua decisão repentina.
– Já dei uma: quero Isabella longe daqui e da minha responsabilidade.
– As coisas não são tão simples – Carlisle protestou desesperado. – Não posso simplesmente colocar um anúncio no jornal à procura de um marido para ela. Temos de seguir as convenções sociais e apresentá-la à sociedade da maneira apropriada.
– Pode fazer isso depois de levá-la para Londres.
Carlisle sacudiu a cabeça e, mais uma vez, tentou dissuadir Edward.
– Minha casa não está em condições de recepcionar convidados...
– Use a minha.
– Então, você não poderá aparecer por lá – Carlisle argumentou, buscando desesperadamente opor obstáculos ao plano de Edward. – Se fizer isso, todos vão pensar que Isabella não passa de mais uma de suas conquistas. O fato de vocês estarem supostamente noivos não terá importância alguma.
– Quando precisar ir a Londres, ficarei na sua casa. Leve meus criados daqui. Eles são capazes de organizar uma festa em vinte e quatro horas. Já fizeram isso antes.
– E quanto aos vestidos, às aulas de etiqueta e...
– Peça a Zafrina Wilson que leve Isabella ao ateliê de madame Dumosse, com instruções minhas para que Isabella tenha o melhor... imediatamente. Zafrina saberá o que fazer em relação às aulas de etiqueta. O que mais?
– O que mais? – Carlisle explodiu. – Para começar, madame Dumosse é tão famosa, que até eu já ouvi falar dela. Não terá tempo para providenciar um guarda-roupa adequado para Isabella, estando tão perto do início da temporada.
– Diga a madame Dumosse que eu sugeri que ela obedeça ao seu próprio julgamento para o guarda-roupa de Isabella e não deve poupar despesas. Os cabelos avermelhados e tipo mignon de Isabella serão um desafio para madame Dumosse. Vai vesti-la com o objetivo de fazê-la ofuscar todas as loiras e morenas de Londres. Fará isso, mesmo que tenha que passar as próximas duas semanas sem dormir. Então, cuidará de me cobrar o dobro de seus preços já exorbitantes, a fim de compensar o inconveniente. Já passei por isso antes. Agora que está tudo resolvido – Edward concluiu com frieza —, tenho muito trabalho a fazer.
Carlisle emitiu um longo suspiro de frustração.
– Está bem, mas partiremos dentro de três dias, em vez de um. Isso dará tempo de avisar Zafrina Wilson para nos encontrar em Londres. Sendo solteiro, não posso viver na mesma casa de Isabella, sem a presença de uma acompanhante apropriada, especialmente em Londres. Mande seus criados na frente, para que organizem a casa. Enquanto isso, enviarei uma mensagem para Zafrina Wilson, para que nos encontre em Londres, depois de amanhã. Agora preciso lhe pedir um favor.
– Que favor?
Escolhendo cuidadosamente as palavras, Carlisle falou devagar:
– Não quero que ninguém saiba que o seu noivado com Isabella não é real. Ao menos, não por enquanto.
– Por que não? – Edward indagou, impaciente.
– Bem, se os membros da ton acreditarem que Isabella é sua noiva, não vão abordá-la de imediato. Assim, ela terá maior liberdade para conhecer os cavalheiros disponíveis, antes de se decidir por um deles. – Como Edward parecesse prestes a contra-argumentar, Carlisle acrescentou depressa: – Isabella será mais admirada e desejada, se os homens solteiros de Londres acreditarem que ela recebeu uma proposta de casamento sua. Todos vão pensar que ela é muito especial, para que você, justamente você, queira se casar com ela. Por outro lado, se imaginarem que a rejeitou, vão rejeitá-la também.
– A esta altura, a sua amiga lady Kirby já se encarregou de espalhar que o noivado foi desfeito – Edward lembrou-o.
– Ora, ninguém dará a menor atenção a Kirby, se você confirmar o noivado, quando for a Londres.
– Muito bem – Edward cedeu, disposto a concordar com qualquer coisa, a fim de encontrar um marido para Isabella. – Leve-a para Londres e apresente-a à sociedade. Providenciarei um dote razoável para ela. Organize algumas festas e convide todos os solteiros de boa posição da Europa. Atenderei ao début pessoalmente e ficarei em Londres para entrevistar os candidatos. Não será difícil encontrar alguém que a tire de nossas mãos.
Sentia-se aliviado por ter resolvido o problema de Isabella, que nem sequer se deu conta dos aspectos conflitantes dos argumentos apaixonados de Carlisle em favor de manter o noivado de pé.
Isabella entrou na biblioteca ao mesmo tempo em que Edward saía. Os dois trocaram sorrisos e, quando ele se foi, ela se aproximou de Carlisle.
– Está disposto a jogar damas comigo, hoje, tio Carlisle?
– O que disse? – ele perguntou, distraído. – Ah, sim, minha querida. Esperei por este momento o dia todo.
Os dois se sentaram diante do tabuleiro, um de cada lado. Enquanto arrumava as pedras em seus devidos lugares, Isabella observou o homem alto e elegante, de cabelos grisalhos, a sua frente. Durante o jantar, ele se mostrara alegre e descontraído, rindo muito das histórias contadas pelos mais jovens. Agora, porém, parecia preocupado.
– Está se sentindo bem, tio Carlisle? – ela indagou.
– Estou ótimo, minha querida.
Porém, em menos de cinco minutos de jogo, Isabella já vencia a partida com grande facilidade.
– Parece que não estou conseguindo me concentrar – Carlisle admitiu.
– Por que não conversamos, em vez de jogar? – Isabella sugeriu.
Assim que ele concordou, Isabella se pôs a pensar em um meio de descobrir, com muito tato, o que o estava preocupando. Seu pai sempre defendera a tese de que as pessoas deveriam desabafar o que quer que as incomodasse, especialmente aquelas que possuíam um coração fraco, pois assim evitariam o estresse que poderia provocar outro ataque cardíaco. Lembrando-se de que Edward estivera na biblioteca pouco antes de ela chegar, Isabella concluiu que o lorde fora a causa mais provável da contrariedade de Carlisle.
– O senhor se divertiu no jantar? – perguntou em tom casual.
– Muito – ele respondeu com sinceridade.
– Acha que Edward também gostou?
– Ah, sim, sem dúvida. Por que pergunta?
– Bem, não pude deixar de notar que, ao contrário de todos nós, ele não contou histórias da infância.
Carlisle desviou os olhos dos dela.
– Talvez ele não tenha conseguido se lembrar de nenhuma história divertida para contar.
Isabella mal prestou atenção à resposta, pois continuava empenhada em descobrir um meio de dirigir a conversa ao ponto que desejava.
– Achei que, talvez, ele estivesse contrariado com algo que eu fiz, ou disse, e por isso veio conversar com o senhor.
Carlisle voltou a fitá-la, mas, dessa vez, seu olhar e seu sorriso brilhavam de ternura.
– Está preocupada comigo, não é, minha querida? Quer saber se algo está me perturbando?
Isabella caiu na risada.
– Sou tão transparente assim?
Ele pousou a mão sobre a dela.
– Você não é transparente, Isabella. É maravilhosa. Importa-se de verdade com as pessoas. Quando olho para você, sinto uma forte esperança no futuro. Apesar de todo o sofrimento que enfrentou nos últimos meses, ainda é capaz de perceber quando um velho parece cansado e se preocupa com ele.
– O senhor não é velho – ela protestou.
– Às vezes, sinto-me bem mais velho do que eu sou. Esta noite é uma dessas ocasiões, mas você conseguiu me alegrar. Posso lhe dizer uma coisa?
– O que quiser.
– Muitas vezes em minha vida desejei ter uma filha. Você é exatamente como imaginei que ela seria. Quando a vejo passeando pelo jardim, ou conversando com os criados, meu coração se enche de orgulho. Sei que deve parecer estranho, já que não contribuí em nada para você ser o que é, mas é assim que me sinto. Tenho vontade de gritar para todos os cínicos do mundo: "Olhem para ela e aprendam o significado da vida, da coragem e da beleza. Ela é o que Deus tinha em mente quando deu ao primeiro homem a sua companheira. Ela lutará por aquilo em que acredita, se defenderá quando for injustiçada e, ainda assim, aceitará um gesto de desculpa pela injustiça feita e perdoará sem o menor rancor". – Isabella sentiu um nó se formar na garganta, enquanto Carlisle acrescentava: – Sei que perdoou Edward mais de uma vez, pela maneira como ele tratou você. Eu penso em tudo isso e, então, me pergunto: "O que posso lhe dar, a fim de mostrar quanto carinho tenho por ela? Que presente um homem pode dar a uma deusa?".
Isabella teve, a impressão de ver o brilho das lágrimas nos olhos de Carlisle, mas não poderia ter certeza, uma vez que seus próprios olhos encontravam-se embaçados por elas.
– Ora, vejam! – Carlisle exclamou com uma risada um tanto constrangida. – Vamos acabar chorando como crianças e derramando nossas lágrimas sobre o tabuleiro de damas! Já que respondi a sua pergunta, posso lhe fazer outra? O que você acha de Edward?
Isabella exibiu um sorriso nervoso.
– Ele tem sido generoso comigo – começou com cuidado, mas Carlisle a interrompeu com um aceno de mão.
– Não é disso que estou falando. Quero saber o que acha dele em termos pessoais. Diga-me a verdade.
– Eu... acho que não entendi a pergunta.
– Muito bem, serei mais específico. Acha Edward atraente?
Isabella reprimiu uma risadinha infantil.
– A maioria das mulheres parece pensar assim – Carlisle persistiu com um sorriso que, para Isabella, pareceu de orgulho. – E você?
Recuperando-se do choque provocado pela pergunta direta, Isabella assentiu, tentando não demonstrar o embaraço que sentia.
– Bom, bom. E concorda que ele é muito... másculo?
Para horror de Isabella, sua memória escolheu aquele exato momento para trazer à tona a lembrança do beijo que Edward lhe dera à beira do riacho. Imediatamente, suas faces adquiriram uma tonalidade escarlate.
– Vejo que concorda – Carlisle concluiu erroneamente, com uma risadinha marota. – Ótimo. Agora, vou lhe contar um segredo: Edward é um dos melhores homens que você já conheceu. A vida dele não foi nada feliz, mas ele a leva adiante porque é dono de uma incrível força de vontade e de caráter. Leonardo da Vinci disse: "Quando mais grandiosa for à alma de um homem, mais profundamente ele amará". Essas palavras sempre me fizeram pensar em Edward. Ele sente as coisas em grande profundidade, mas quase nunca demonstra seus sentimentos. E por ser tão forte, raramente encontra oposição de alguém... nunca de jovens mulheres. É por isso que você deve achá-lo um tanto... prepotente.
A curiosidade de Isabella foi maior que seu desejo de se manter discreta.
– De que maneira a vida dele não foi feliz?
– É Edward quem deve contar sobre sua vida a você. Não tenho o direito de fazer isso. Eu sei, no fundo do meu coração, que um dia ele a colocará a par de tudo. No entanto, tenho algo para lhe contar: Edward decidiu que você deve passar a próxima temporada em Londres, com toda a pompa e glamour. Partiremos dentro de três dias. Zafrina Wilson nos encontrará lá e, durante a quinzena que precede a abertura da temporada, ensinará tudo o que você tiver de aprender sobre como se comportar na sociedade londrina. Ficaremos hospedados na casa de Edward, que é bem mais adequada a festas e recepções do que a minha, e Edward ficará na minha casa, quando for a Londres. Não vi maiores problemas no fato de morarmos juntos, os três, aqui na privacidade do campo. Em Londres, porém, essa situação não poderia perdurar.
Isabella não fazia idéia do que uma temporada londrina compreendia e ouviu atentamente enquanto Carlisle descrevia os bailes, festas, saraus, óperas e peças teatrais que a esperavam. Sua ansiedade já beirava a histeria, quando ele finalmente a informou de que Rosalie Collingwood estaria em Londres pelos mesmos motivos.
– Embora você não tenha dado atenção especial ao comentário – ele concluiu —, lady Rosalie mencionou duas vezes que esperava vê-la em Londres, para que vocês duas pudessem se conhecer melhor. Vai gostar disso, não vai?
Isabella refletiu que gostaria muito, ao menos daquela parte da temporada londrina, e manifestou tal sentimento. Porém, detestou a idéia de deixar Wakefield e enfrentar centenas de desconhecidos, especialmente se eles se parecessem com as duas Kirby.
– Muito bem, já que está tudo resolvido – Carlisle falou, abrindo uma gaveta da mesa e retirando um baralho —, diga-me uma coisa. Quando seu amigo Jacob a ensinou jogar cartas ele incluiu o jogo piquet em suas lições?
Isabella assentiu.
– Ótimo! Vamos jogar, então. – Como Isabella concordasse de pronto, Carlisle lhe lançou um olhar de fingida reprovação. – Não vai trapacear, vai?
– De jeito nenhum – ela prometeu em tom solene.
Carlisle entregou-lhe o baralho.
– Primeiro, mostre-me a sua habilidade em embaralhar e dar as cartas. Vamos comparar nossas técnicas.
Caindo na risada, Isabella se pôs a embaralhar com destreza invejável.
– Para começar, vou deixá-lo pensar que esta é a sua noite de sorte – ela explicou, distribuindo doze cartas para cada um.
Carlisle examinou as cartas que tinha na mão e assobiou baixinho.
– Quatro reis! Eu apostaria uma fortuna nesta mão.
– E perderia – Isabella garantiu com um sorriso malicioso, exibindo suas cartas, que incluíam quatro ases.
– Agora, é a minha vez – Carlisle anunciou, fitando-a pelo canto do olho e tomando-lhe as cartas.
O que deveria ter sido um jogo de piquet se degenerou em uma grande farsa, na qual cada um se servia de cartas vencedoras, sempre que as distribuía. Suas gargalhadas faziam a biblioteca vibrar.
Incapaz de se concentrar no trabalho por causa do barulho no aposento ao lado, Edward decidiu ir até a biblioteca para investigar o que se passava. Quando abriu a porta, o relógio anunciava nove horas. Ao entrar, deparou com Carlisle e Isabella ainda rindo, secando as lágrimas do rosto, um baralho no centro da mesa entre os dois.
– As histórias que estão partilhando no momento devem ser ainda mais engraçadas do que as que contaram durante o jantar – comentou, sem esconder um leve desagrado. – Posso ouvir suas gargalhadas do meu escritório.
– A culpa é toda minha – Carlisle mentiu, piscando para Isabella e se levantando. – Isabella queria jogar baralho, mas não parei de distraí-la com brincadeiras. Não estou conseguindo me manter sério, esta noite. Por que não joga com ela?
Isabella esperava que Edward recusasse a sugestão, mas, para sua surpresa, depois de lançar um olhar curioso para Carlisle, ele se sentou diante dela. Imediatamente, Carlisle posicionou-se atrás de Edward e enviou uma mensagem clara para Isabella através de um olhar divertido: "Derrote-o sem dó! Trapaceie!".
Animada pelas trapaças que haviam praticado até então, especialmente pelos novos truques que Carlisle lhe ensinara, Isabella aceitou a sugestão sem hesitar.
– Quer dar as cartas, ou prefere que eu dê? – perguntou a Edward com ar inocente.
– Dê as cartas você – ele respondeu com cortesia.
Tendo o cuidado de fazê-lo se sentir seguro, Isabella embaralhou as cartas sem demonstrar grande habilidade. Então, começou a distribuí-las. Edward pediu a Carlisle que servisse uma dose de conhaque, acendeu um dos charutos finos que gostava de fumar à noite e se acomodou na cadeira.
– Não vai olhar as cartas? – Isabella indagou.
Edward enfiou as mãos nos bolsos, segurando o charuto entre os dentes e fitando-a com olhar especulativo.
– Normalmente, prefiro que minhas cartas sejam retiradas do topo do baralho, não de baixo – murmurou.
Reprimindo o riso, Isabella tentou blefar.
– Não sei do que está falando – defendeu-se.
Edward ergueu uma sobrancelha.
– Sabe o que acontece a trapaceiros nos clubes de jogo?
Desistindo de fingir inocência, Isabella apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos. Então, fitou-o com olhar divertido.
– Não. O que acontece?
– O trapaceado geralmente desafia o trapaceiro para um duelo.
– Pretende me desafiar para um duelo? – Isabella arriscou, divertindo-se como nunca.
Edward estudou-a por alguns momentos, como se considerasse a possibilidade.
– Atira tão bem quanto disse, quando me ameaçou, esta tarde?
– Melhor – ela declarou com ousadia.
– E como se sai na esgrima?
– Nunca empunhei uma espada, mas talvez lady Rosalie se ofereça para tomar o meu lugar. Ela é ótima esgrimista.
O sorriso estonteante de Edward provocou reações estranhas em Isabella, quando ele comentou:
– Não sei onde estava com a cabeça quando achei que você e Rosalie Collingwood seriam companhias seguras uma para a outra. – Então, Edward acrescentou o que Isabella considerou um grande elogio: – Que Deus ajude todos os homens solteiros de Londres, nesta temporada. Não restará um só coração intacto quando você tiver conhecido todos eles.
Isabella ainda se recuperava da surpresa provocada pela opinião de Edward sobre o efeito que ela exercia sobre os homens, quando ele se endireitou na cadeira e declarou:
– Agora, vamos ao jogo.
Como ela assentisse, Edward tomou-lhe o baralho.
– Cuidarei disso, se não se importar – falou em tom de brincadeira.
Edward já vencera três mãos, quando Isabella o viu retirar uma carta de que precisava do monte das que já havia descartado e que não deveria voltar a tocar.
– Trapaceiro! – acusou-o com uma risadinha indignada. – Estou vivendo com dois bandidos! Vi o que você fez! Está roubando nesta mão!
– Está redondamente enganada, minha cara – Edward a corrigiu com um sorriso, enquanto se punha de pé com movimentos ágeis. – Trapaceei desde o início do jogo.
Então, ele se inclinou e beijou-lhe a testa, antes de afagar-lhe os cabelos com um gesto afetuoso e sair da biblioteca.
Isabella estava tão atordoada pelas atitudes de Edward, que não viu a expressão de prazer e satisfação no rosto de Carlisle, quando Edward saiu.
Dois dias depois, a Gazette e o Times anunciaram que lady Isabella Swan condessa de Langston, cujo noivado com Edward Cullen, marquês de Wakefield, fora previamente anunciado, seria formalmente apresentada à sociedade em um baile a ser oferecido, dentro de duas semanas a contar daquela data, por seu primo, o duque de Masen.
A ton mal havia digerido a notícia excitante e já testemunhava uma explosão de atividade na residência londrina do marquês de Wakefield, localizada na Bond Street.
Em primeiro lugar, chegaram duas carruagens, trazendo além de criados de menor importância, Amun Northrup, o mordomo, O'Malley, o chefe dos lacaios, e a Sra. Craddock, a cozinheira. Logo seguiu um imenso furgão que transportava a governanta, várias criadas, três ajudantes de cozinha, quatro lacaios, subordinados e uma verdadeira montanha de baús.
Pouco depois, mais uma carruagem chegou, trazendo a srta. Zafrina Wilson, a tia solteira do duque. Tratava-se de uma senhora gorducha, de rosto redondo e corado, emoldurado por cachos dourados. No topo da cabeça, ela envergava um chapeuzinho colorido, muito mais apropriado a uma moça bem mais jovem, que fazia a srta. Zafrina parecer uma boneca envelhecida. Conhecida pela sociedade londrina, a srta. Zafrina saiu da carruagem, acenou alegremente para dois amigos que passavam na rua e subiu apressada os degraus da porta de entrada da mansão do sobrinho-neto.
Toda essa atividade foi notada pelas damas e cavalheiros elegantes que passavam pela Bond Street, mas nada causou mais furor do que a chegada, no dia seguinte, da carruagem de Edward Cullen, puxada por quatro magníficos garanhões. De seu luxuoso interior, saiu Carlisle Cullen, duque de Masen, seguido por uma jovem que só podia ser a esposa prometida de Edward Cullen. A jovem desceu os degraus da carruagem com movimentos graciosos, aceitou o braço oferecido pelo duque e exibiu um sorriso fascinante ao erguer os olhos para a lindíssima mansão de quatro andares.
– Meu Deus! É ela! – o jovem lorde Wiltshire exclamou, do outro lado da rua, acotovelando com entusiasmo o amigo que o acompanhava. – É a condessa de Langston.
– Como pode ter certeza? – indagou lorde Crowley, alisando uma ruga imaginária no paletó.
– É evidente, mesmo a uma criatura totalmente desprovida de inteligência, quem ela é. Olhe para ela... é uma beldade. É incomparável!
– Não podemos ver-lhe o rosto – o amigo argumentou, com razão.
– Não precisamos, seu idiota. Se ela não fosse bonita, jamais teria recebido uma proposta de casamento de Wakefield. Alguma vez você o viu em companhia de uma mulher que não fosse uma beldade?
– Não – lorde Crowley admitiu, antes de assobiar baixinho. – Ela tem cabelos avermelhados! Por essa eu não esperava.
– Não são avermelhados. Estão mais para dourados do que ruivos.
– Não, são castanho-avermelhados. Aliás, uma cor encantadora. Sempre preferi as ruivas.
– Bobagem! Você nunca teve preferência por ruivas, pois elas nunca estiveram na moda.
– A partir de agora, estarão – lorde Crowley previu com um sorriso. – Se não me engano, minha tia Mersley é amiga de Masen. Vai conseguir um convite para o baile de apresentação da condessa de Langston. Acho que vou abordá-la e... – parou de falar quando a beldade em discussão virou-se para a carruagem, chamando alguém. Um instante depois, um animal imenso, coberto de pêlos cinzentos, saltou da carruagem e, então, o trio se encaminhou para a mansão. – Meu Deus! É um lobo!
– Ela tem estilo – lorde Wiltshire decretou, assim que recuperou a voz. Nunca ouvi falar de uma mulher que tivesse um lobo de estimação. Ela é original.
Ansiosos para espalhar a notícia de que haviam sido os primeiros a terem um vislumbre da misteriosa lady Isabella Swan, os dois jovens se separaram e correram em direções opostas, cada um para o seu clube.
Na noite seguinte, quando Edward chegou a Londres e se dirigiu ao White's pela primeira vez em muitos meses, pretendendo desfrutar algumas horas de diversão à mesa de jogo antes de sair para o teatro, já era fato notório que sua noiva era uma beldade magnífica, além de confirmada como lançadora de moda. Como resultado, em vez de jogar em paz, Edward era interrompido a todo momento por amigos e conhecidos, que insistiam em elogiar-lhe o bom gosto e a boa sorte, além de parabenizá-lo e desejar-lhe felicidades para o futuro.
Depois de enfrentar aquela farsa por duas horas, recebendo apertos de mãos e tapinhas no ombro, ocorreu a Edward que, apesar dos argumentos veementes de Carlisle, não era boa idéia deixar a sociedade continuar acreditando que Isabella era sua noiva. Edward chegou a essa conclusão depois de refletir que nenhum dos homens solteiros que lhe haviam dado os parabéns se arriscaria a ofendê-lo, cortejando sua noiva. Assim, tratou de encorajá-los a abordá-la, agradecendo os cumprimentos, mas acrescentando uma pequena informação: "O casamento ainda não está definitivamente acertado entre nós", ou "Lady Swan não tem certeza absoluta de que seu afeto pode ser meu em caráter permanente, uma vez que ainda não me conhece muito bem".
Dizia essas coisas por julgá-las necessárias, mas se sentia profundamente desgostoso com aquela farsa e irritadíssimo por se ver obrigado a representar o papel do noivo prestes a ser rejeitado pela noiva.
Às nove horas, quando a carruagem estacionou diante da casa elegante que ele mantinha para a sua amante, na Williams Street, Edward encontrava-se de péssimo humor. Subiu os degraus da entrada e bateu na porta com impaciência.
A criada que abriu a porta lançou-lhe um olhar para suas feições sombrias e recuou, alarmada.
– A senhorita Lauren instruiu-me para lhe dizer que... não deseja vê-lo novamente.
– É mesmo? – Edward falou com voz macia.
A moça, sabendo muito bem que seu salário era pago pelo homem alto e ameaçador parado a sua frente, assentiu, engoliu em seco e balbuciou:
– Sim... Sim, senhor... A senhorita Lauren leu sobre o baile de sua noiva e se deitou. Está na cama, agora.
– Ótimo! – Edward exclamou em tom rude.
Sem paciência para mais um dos ataques de Lauren, passou pela criada, subiu a escada e entrou no quarto, sem bater. Estreitou os olhos ao deparar com a bela mulher reclinada sobre uma montanha de travesseiros revestidos de cetim.
– Mais uma crise depressiva, doçura? – inquiriu com frieza, apoiando-se no batente da porta.
Embora Lauren lhe lançasse um olhar faiscante, ela não respondeu.
Edward estava, ele mesmo, prestes a explodir em um ataque de ira.
– Saia da cama e vista-se – ordenou com voz perigosamente baixa. – Vamos a uma festa, esta noite, conforme o recado que lhe enviei.
– Não vou a lugar algum com você! Nunca mais!
Com gestos casuais, Edward começou a desabotoar o paletó.
– Nesse caso, chegue para lá. Passaremos a noite onde você está.
– Animal! – a beldade irada explodiu, saltando para fora da cama. – Como se atreve? Como pode pensar em se aproximar de mim, depois daquele artigo no Times? Saia da minha cama!
Edward limitou-se a estudá-la, impassível.
– Preciso lembrá-la de que esta casa é minha?
– Então, eu mesma sairei! – ela declarou, mas, ao mesmo tempo, seu lábio começou a tremer. Em seguida, Lauren se desfez em pranto. – Edward, como pôde fazer isso comigo? Você me disse que o seu noivado não passava de uma farsa... e eu acreditei! Jamais o perdoarei...
A raiva abandonou a expressão de Edward, dando lugar a certo arrependimento, à medida que ele reconhecia os soluços de verdadeiro sofrimento.
– Acha que isto pode ajudá-la a me perdoar? – perguntou, ao mesmo tempo em que retirava do bolso uma caixinha forrada de veludo e a estendia para Lauren.
Ela espiou por entre as lágrimas e o pranto cessou imediatamente, diante do esplendor do bracelete de brilhantes que repousava na caixinha. Erguendo a jóia com reverência nos dedos trêmulos, ela murmurou:
– Edward, por um colar que combine com este bracelete, posso perdoar qualquer coisa!
Edward, que estivera prestes a jurar que não tinha a menor intenção de se casar com Isabella, atirou a cabeça para trás e soltou uma estrondosa gargalhada.
– Lauren, essa é a qualidade que mais me atrai em você.
– Que qualidade?
– A cobiça descarada! Todas as mulheres são interesseiras, mas você, ao menos, é honesta. Agora, venha cá e me mostre quanto está feliz com o novo presente.
Lauren obedeceu, mas continuou a fitá-lo com olhar ligeiramente magoado.
– Você não tem uma opinião muito boa a respeito das mulheres, não é, Edward? Não é só por mim que nutre esse desprezo secreto, mas por todas nós, não é?
– Acho – ele respondeu em tom evasivo, enquanto desfazia os laços do robe de Lauren – que as mulheres são maravilhosas... na cama.
– E fora da cama?
Ignorando a pergunta, Edward a despiu, acariciando-lhe os seios com mãos experientes e beijando-a com ardor quase selvagem. Então, tomou-a nos braços e levou-a para a cama. Lauren nem percebeu que Edward não respondera a sua pergunta.
Isabella estava sentada no canapé em seu quarto, cercada de caixas recém-chegadas do ateliê de madame Dumosse, contendo mais roupas, que se somariam à variedade já imensa de vestidos para o dia e para a noite, trajes de montaria, capas, casacos, chapéus, luvas, xales e sapatos que tomavam conta de seu guarda-roupa.
– Milady! – Emily exclamou, ao desembrulhar uma capa de cetim azul-royal, com capuz orlado de arminho. – Já viu coisa mais linda?
Isabella ergueu os olhos da carta de Alice.
– É bonita – murmurou sem muito entusiasmo. Quantas capas já tenho?
– Onze. Não, doze. Já ia me esquecendo da amarela, de veludo. Ou seriam treze? Deixe-me pensar... São quatro de veludo, cinco de cetim, duas de pele e três de lã. Catorze, ao todo!
– É difícil acreditar que eu costumava passar muito bem com apenas duas capas – Isabella lembrou-se, sorrindo. – E, quando voltar para casa, três ou quatro serão mais que suficientes. Acho um desperdício lorde Cullen gastar tanto dinheiro com roupas que nem terei onde usar, dentro de algumas semanas. Em Portage, Nova York, as mulheres não usam trajes tão sofisticados – concluiu, retomando a leitura da carta da irmã.
– Quando vai voltar para casa? – Emily perguntou, alarmada. – O que está querendo dizer? Desculpe, milady, por ter perguntado.
Na verdade, Isabella nem sequer ouvira a criada, pois já se encontrava profundamente concentrada na carta que recebera havia pouco.
Querida Bella,
Recebi sua carta há uma semana e fiquei muito feliz por
saber que viria para Londres, pois não vejo a hora de vê-la.
Eu disse à vovó que pretendia encontrar você assim que
chegasse, mas, em vez de ficarmos em Londres, partimos
no dia seguinte para a casa de campo de vovó, que fica a
menos de uma hora a cavalo de Wakefield Park. Agora, eu
estou no campo e você, na cidade. Bella, tenho a impressão
se que vovó pretende nos manter completamente separadas,
e isso me deixa muito triste e furiosa. Precisamos descobrir
um meio de nos encontrarmos, mas deixarei a questão a
seu encargo, uma vez que é bem melhor do que eu para
arquitetar planos.
Talvez eu esteja apenas imaginando as intenções de vovó.
Não posso afirmar com certeza. Apesar de rígida, ela não
foi cruel comigo, nem uma vez. Planeja me arranjar o que
chama de um bom casamento e, para isso, parece já ter
escolhido um cavalheiro chamado Winston. Tenho dezenas
de vestidos maravilhosos, embora não possa usar a maioria
deles enquanto não fizer meu début, o que parece ser uma
tradição muito esquisita. E vovó afirma que não posso debutar enquanto você não estiver noiva de alguém, o que é mais uma tradição por aqui. As coisas eram muito mais simples em casa, não acha?
Já perdi a conta de quantas vezes expliquei à vovó que você
está praticamente noiva de Jacob Black e que eu
desejo seguir a carreira musical, porém ela parece simplesmente não ouvir.
Ela nunca mencionou seu nome, mas falo de você o tempo
todo, de propósito, pois pretendo vencê-la pelo cansaço e
fazer com que a convide para ficar conosco. Vovó não me
proíbe de falar em você, mas nunca pronuncia nem uma
palavra sequer quando o faço. É como se ela preferisse fingir
que você não existe. Limita-se a me ouvir, mantendo o rosto
completamente inexpressivo.
Para ser honesta, eu a estou torturando, de tanto falar de
você, embora me mantenha discreta, conforme prometi. No início, eu me limitava a incluir seu nome na conversa, sempre que possível. Quando vovó disse que tenho um rosto bonito, fiz questão de dizer que você é muito mais bonita; quando ela comentou meu dom para tocar piano, eu disse que você toca muito melhor; quando ela elogiou meus modos à mesa, garanti que você é uma verdadeira lady.
Quando todas as minhas tentativas de fazê-la entender quanto sinto a sua falta falharam, fui obrigada a tomar medidas mais drásticas. Assim, levei aquele seu retrato de que tanto gosto para a sala e o coloquei sobre a lareira. Vovó não
comentou, mas, no dia seguinte, providenciou para que eu
fizesse um passeio pela cidade de Londres e, quando voltei, o retrato estava de volta ao meu quarto.
Alguns dias depois, sabendo que ela esperava algumas amigas para o chá, entrei sorrateiramente no salão preferido de vovó e preparei uma pequena exposição dos desenhos que você fez, retratando paisagens de Portage. Quando as amigas de vovó entraram, ficaram maravilhadas e não pararam de elogiar o seu talento. Vovó, porém, não disse nada e, no dia seguinte, mandou-me para Yorkshire. Quando voltei, dois dias depois, os desenhos haviam sido guardados no armário do meu quarto.
Esta noite, ela recebeu amigos novamente e pediu que eu
tocasse piano para entretê-los. Obedeci, mas enquanto tocava, cantei a canção que eu e você compusemos juntas.
Demos o título de Irmãs para Sempre, lembra-se? A julgar pela expressão de vovó, ela estava furiosa comigo. Quando seus amigos se foram, ela me informou de que vai me mandar para Devonshire, onde deverei ficar por uma semana inteira.
Se continuar a provocá-la, tenho a impressão de que ela será capaz de me mandar para Bruxelas, ou para qualquer outro lugar, por um mês! Mesmo assim, não vou desistir.
Bem, vamos mudar de assunto.
Você deve ter ficado chocada ao saber que seu noivado com lorde Cullen havia sido anunciado. Imagine como Jacob se sentiria se soubesse! No entanto, agora que está tudo esclarecido e essa história não vai dar em nada, acho que você deve se alegrar com seu novo guarda-roupa e não se sentir culpada por não ter observado o período de luto apropriado por papai e mamãe. Tenho usado luvas pretas, pois vovó disse que é assim que se demonstra luto na Inglaterra, embora algumas pessoas se vistam de preto durante seis meses e de cinza nos seis meses seguintes.
Vovó é do tipo que se recusa a quebrar convenções e tradições. Por isso, de nada adiantou eu garantir que você está noiva de Jacob, pois não poderei debutar antes da próxima primavera. Ela diz que um ano deve se passar desde a morte de um parente próximo, antes que alguém freqüente eventos sociais, exceto por reuniões pequenas e informais. A verdade é que não estou me importando com isso, pois a perspectiva de grandes bailes me assusta. Peço que você me escreva, contando se é mesmo tão ruim.
Vovó irá a Londres com certa freqüência, durante a temporada, para ir ao teatro, que ela adora. Prometeu me levar de vez em quando. Assim que eu souber quando isso vai acontecer, enviarei uma mensagem para você e descobriremos um meio de nos encontrarmos.
Preciso encerrar por aqui, pois vovó contratou um professor de etiqueta para me ensinar como deverei me comportar em sociedade, quando finalmente debutar. Há tanto o que aprender, que chego a ficar atordoada...
Isabella guardou a carta em uma gaveta, olhou para o relógio sobre a lareira e suspirou. Sabia muito bem a que Alice se referia no último parágrafo, pois a srta. Zafrina Wilson passara as duas últimas semanas lhe ensinando regras de etiqueta. Agora estava na hora de mais uma aula.
– Aí está você – a srta. Zafrina declarou com um sorriso, ao ver Isabella entrar no salão. – Hoje, vamos repassar as formas corretas de se dirigir aos membros da nobreza, pois seria um desastre você cometer um erro desse tipo no seu baile, amanhã.
Reprimindo o impulso de fugir dali, Isabella se sentou ao lado de Carlisle, de frente para a srta. Zafrina. Durante quase duas semanas, a mais velha a arrastara de ateliê para ateliê, incluindo visitas intermináveis à costureira, ao chapeleiro, ao sapateiro... tudo isso entre as também intermináveis aulas de etiqueta, dança e francês. Durante as últimas, a srta. Zafrina prestava muita atenção aos mínimos erros de Isabella, conduzindo verdadeiros interrogatórios sobre seus interesses e planos para o futuro.
– Muito bem – a srta. Zafrina começou. – Vamos iniciar nossa aula pelos duques. Como já lhe disse, um duque possui o título mais alto da nobreza, superado apenas pelos títulos da realeza. Tecnicamente, duques são "príncipes". Pode parecer que a posição do príncipe seja superior à do duque, mas devo lembrá-la de que os filhos da realeza já nasceram príncipes, mas são educados para serem duques. Nosso querido Carlisle é um duque! – acrescentou, com um sorriso triunfante, a informação absolutamente desnecessária.
– Certo – Isabella concordou, retribuindo o sorriso solidário de Carlisle.
– Logo abaixo do duque vem o marquês. Um marquês é herdeiro de um ducado. E é por isso que o nosso querido Edward é um marquês! Então, vem o conde, o visconde e, finalmente, o barão. Quer que eu faça uma lista por escrito, querida?
– Não, não – Isabella apressou-se em responder. – Já sei a ordem dos títulos de cor.
– Você é tão inteligente! Muito bem, então, vamos às maneiras de se dirigir a cada um deles. Quando falar a um duque, deve chamá-lo de "alteza". Nunca – a srta. Zafrina pronunciou em tom enfático – se dirija a um duque como "milorde". Uma duquesa também deve ser chamada de "alteza". Todos os demais devem ser chamados de "milorde" e "milady", que é a forma apropriada de se dirigir a eles. Quando for duquesa, você será chamada de "alteza"! Não é excitante?
– Sim – Isabella balbuciou, embaraçada.
Carlisle havia lhe explicado os motivos pelos quais era tão importante que a sociedade londrina continuasse acreditando que Isabella e Edward estavam noivos. E, como Zafrina Wilson falava demais, ela devia pensar o mesmo.
– Já obtive a permissão necessária das matriarcas para você dançar a valsa, amanhã, mas isso não tem importância agora. O que acha de repassarmos a linhagem Debrett?
Para profundo alívio de Isabella, Amun entrou no salão naquele exato momento, a fim de anunciar a chegada da condessa de Collingwood.
– Traga-a até nós, Amun – Carlisle instruiu-o em tom jovial.
Rosalie Collingwood entrou no salão, percebeu os livros de etiqueta e o grosso volume a respeito dos Debrett abertos sobre a mesa e olhou para Isabella com ar conspiratório.
– Vim convidá-la para passear comigo no parque – declarou.
– Ah, eu adoraria! – Isabella respondeu de pronto, levantando-se. – Importa-se se eu sair, senhorita Zafrina? Tio Carlisle?
Ambos deram sua permissão e Isabella correu até seu quarto, a fim de apanhar o chapéu.
Enquanto esperava pela amiga, Rosalie tratou de exibir maneiras impecáveis.
– Imagino que estejam ansiosos pelo baile de amanhã – comentou.
– Ah, sim, muito! – a srta. Zafrina confirmou, sacudindo os cachos dourados com muita energia. – Isabella é uma jovem adorável, o que não preciso dizer a você, que já a conhece. Ela é tão simpática e agradável para se ter como companhia! E que olhos! Tem um rosto lindo, também. Tenho a mais absoluta certeza de que vai fazer muito sucesso. Só acho uma pena que Isabella não seja loira – lamentou com um suspiro, sem se aperceber dos cachos caramelos de lady Collingwood. – As loiras estão definitivamente na moda. – Então, virou-se para Carlisle: – Lembra-se de lorde Hornby, quando era jovem? Eu o considerava o homem mais atraente do mundo. Ele tinha cabelos ruivos e porte invejável. O irmão dele era tão baixinho... – E assim ela continuou, pulando de um assunto para outro, como um passarinho de galho em galho.
Isabella olhou para o parque a sua volta e respirou fundo.
– É tão quieto aqui – comentou com Rosalie. – Tem sido muita bondade sua me salvar da senhorita Zafrina quase todas as tardes com esses passeios.
– O que estavam estudando, quando cheguei?
– A maneira correta de se dirigir aos membros da nobreza.
– E você já decorou todos os títulos e tratamentos?
– Claro! Tudo o que tenho de fazer é chamar os homens de " milorde", como se fossem deuses, e suas esposas de "milady", como se eu fosse sua criada! – As duas caíram da risada, antes de Isabella continuar: – Minha maior dificuldade é o francês. Minha mãe ensinou a mim e a Alice a ler muito bem em francês, mas não consigo me lembrar das palavras adequadas quando falo.
Rosalie que falava francês fluentemente, tentou ajudar:
– Às vezes, é mais fácil aprender uma língua em frases úteis do que em palavras soltas. Assim, você não precisa pensar em como colocá-las juntas. O resto vem depois, naturalmente. Por exemplo, como você me pediria o material necessário para escrever uma carta?
– Mon pot d'encre veut vous emprunter votre stylo? – Isabella arriscou.
Rosalie mal pôde conter o riso.
– Você disse: "Meu tinteiro deseja tomar a sua pena emprestada".
– Pelo menos, cheguei perto – Isabella concluiu às gargalhadas.
Os ocupantes de outras carruagens, que passeavam pelo parque, viraram-se ao som musical das risadas alegres das duas. E, mais uma vez, confirmaram o interesse especial da arrojada condessa de Collingwood por lady Isabella entre os membros da ton que ainda não a conheciam pessoalmente.
Isabella afagou a cabeça de Wolf, que invariavelmente as acompanhava nos passeios, antes de murmurar, pensativa:
– É incrível que eu tenha aprendido matemática e química com meu pai sem a menor dificuldade e, por outro lado, tenha tantos problemas com o francês. Talvez eu não consiga aprender por achar a tarefa tão sem sentido.
– Por que é sem sentido?
– Porque Jacob chegará em breve e me levará para casa.
– Sentirei a sua falta – Rosalie declarou com uma ponta de melancolia. – A maioria das amizades leva anos para se tornar tão fortes quanto a nossa é agora. Quando, exatamente, acha que Jacob vai chegar?
– Enviei-lhe uma carta uma semana depois da morte de meus pais. A carta levaria aproximadamente seis semanas para chegar ao seu destino e Jacob demoraria mais seis semanas para chegar à América. Então, precisaria de quatro a seis semanas para voltar para cá. O total ficaria entre dezesseis e dezoito semanas. Amanhã completam-se exatamente dezoito semanas desde que enviei a carta.
– Seus cálculos pressupõem que ele recebeu a carta na Suíça, mas o correio europeu nem sempre é confiável. Além disso, Jacob poderia já ter partido para a França, quando a carta chegou.
– Entreguei uma segunda carta à senhora Black, mãe de Jacob, com o endereço dele na França, para o caso de isso acontecer – Isabella explicou. – Se eu soubesse, na ocasião, que viria para a Inglaterra, ele poderia ter ficado na Europa, o que teria sido muito mais conveniente. Infelizmente, eu não sabia e, assim, escrevi apenas que meus pais haviam morrido em um acidente. Tenho certeza de que ele partiu para a América imediatamente, quando recebeu a notícia.
– Então, por que ele não chegou lá, antes de você partir?
– Provavelmente, não houve tempo. Calculo que ele tenha chegado uma ou duas semanas depois da minha partida.
Rosalie observou a amiga por um momento, antes de perguntar:
– Isabella, já disse ao duque de Masen que tem certeza de que Jacob virá buscá-la?
– Sim, mas ele se recusa a acreditar. E é por não acreditar que faz questão que eu tenha essa temporada londrina.
– Não acha estranho ele querer que você e lorde Cullen finjam estarem noivos? Não quero bisbilhotar – Rosalie desculpou-se depressa. – Se você preferir não discutir o assunto, saberei compreender.
Isabella sacudiu a cabeça de pronto.
– Não! Já faz algum tempo que desejo conversar sobre isso com você, mas não queria abusar da nossa amizade, desabafando todos os meus problemas.
– Ora, eu já lhe contei tudo sobre a minha vida – Rosalie argumentou. – Afinal, é para isso que servem os amigos. Você não faz idéia de como é saber que posso me relacionar com um membro da ton que não vai sair por aí espalhando tudo o que eu disser.
Isabella sorriu.
– Nesse caso... Tio Carlisle diz que o motivo pelo qual ele quer que todos acreditem que estou noiva é porque isso me manterá livre de outras "complicações". Na condição de noiva, segundo ele, poderei desfrutar de todos os prazeres de meu début, sem ser pressionada por pretendentes, ou pela sociedade, para escolher um noivo.
– Ele não deixa de ter razão – Rosalie admitiu. – Ainda assim, está se esforçando demais só para evitar que os cavalheiros a pressionem com propostas de casamento.
– Sei disso – Isabella confessou, pensativa. – Estive pensando... Tio Carlisle gosta muito de mim e, às vezes, acho que ele ainda tem esperanças de que lorde Cullen e eu nos casemos, caso Jacob não venha me buscar.
– Acha que isso é possível? – Rosalie inquiriu, preocupada.
– De jeito nenhum – Isabella garantiu, convicta.
– Ótimo – a amiga não escondeu o alívio. – Eu ficaria preocupada com você, se... se casasse com lorde Cullen.
A curiosidade tomou conta de Isabella.
– Por quê?
– Eu não deveria ter dito isso, mas como já disse, é melhor esclarecer a questão. Se Jacob não vier buscá-la, você precisa saber que tipo de homem lorde Cullen realmente é. Existem residências onde ele é recebido, mas não é bem-vindo...
– Por que motivo?
– Ao que parece, houve algum tipo de escândalo, há quatro anos. Não conheço detalhes porque era jovem demais para ter acesso a bisbilhotices realmente escandalosas. Na semana passada, perguntei ao meu marido, mas ele é amigo de lorde Cullen e se recusa a tocar no assunto. Disse apenas que tudo não passou de boatos sem fundamento, espalhados por uma mulher vingativa. Além disso, ele me proibiu de perguntar a quem quer que fosse por achar que isso poderia trazer à tona o velho mexerico novamente.
– A senhorita Zafrina diz que a ton está sempre fervilhando com algum tipo de mexerico e que, na maioria das vezes, tudo não passa de boatos sem fundamento – Isabella comentou. – Seja o que for, tenho certeza de que saberei de tudo nas próximas duas semanas.
– Está enganada – Rosalie afirmou, convicta. – Em primeiro lugar, como você é jovem e solteira, ninguém vai comentar alguma coisa ligeiramente escandalosa perto de você, com medo de ferir sua sensibilidade. Em segundo, as pessoas falam dos outros, mas raramente contam suas histórias para quem está envolvido. Faz parte da natureza do mexerico ser espalhado pelas costas daqueles intimamente ligados à história.
– Porque, assim, o mexerico causa maiores danos e provoca maior excitação – Isabella concordou. – O mexerico não era incomum em Portage e, também, raramente tinha fundamento.
– Talvez, mas quero avisá-la sobre outra coisa – Rosalie continuou, parecendo sentir-se culpada, mas determinada a proteger a amiga. – Por causa de seu título e de sua fortuna, lorde Cullen ainda é considerado um excelente partido e as mulheres o consideram extremamente atraente. Por essas razões, as solteiras não poupam esforços para agradá-lo. No entanto, ele não lhes dispensa um tratamento gentil. Na verdade, chega a ser definitivamente rude em diversas situações. Isabella, lorde Cullen não é um cavalheiro.
Com essa conclusão, a condessa esperou por alguma reação de Isabella, mas uma vez que esta se limitava a fitá-la, como se aquele defeito de caráter não tivesse maior importância, Rosalie prosseguiu:
– Os homens o temem tanto quanto muitas mulheres, não só por sua frieza e cinismo, mas por causa dos rumores sobre seus duelos na Índia. Dizem que ele participou de dezenas de duelos e matou seus oponentes a sangue-frio, sem demonstrar o menor traço de emoção ou arrependimento. Dizem que é capaz de desafiar um homem para um duelo pela ofensa mais banal...
– Não acredito – Isabella interrompeu-a com lealdade inconsciente.
– Você não pode acreditar, mas muita gente acredita e tem medo dele.
– Ele é marginalizado por isso?
– Muito pelo contrário. As pessoas literalmente se curvam diante dele. Ninguém tem coragem de enfrentá-lo.
– Não é possível que todos que o conheçam tenham medo dele! – Isabella exclamou, incrédula.
– Quase todos. Emmett gosta dele com sinceridade e ri quando digo que há algo sinistro em lorde Cullen. Uma vez, porém, ouvi a mãe de Emmett dizer a um grupo de amigas que lorde Cullen é depravado, que usa as mulheres e, então, as abandona.
– Ele não pode ser tão ruim. Você mesma disse que é considerado um excelente partido.
– Na verdade, é considerado o melhor partido da Inglaterra.
– Está vendo? Se as pessoas acreditassem que ele é tão terrível quanto você pensa, nenhuma jovem, ou sua mãe, jamais pensaria em um casamento com ele.
Rosalie sorriu ironicamente.
– Por um título de duquesa e uma grande fortuna, existem mulheres dispostas a se casarem até mesmo com o Barba-Azul! – Como Isabella achasse graça, a amiga persistiu: – Ele não lhe parece estranho e assustador?
Isabella considerou a pergunta com cuidado. Lembrou-se dos modos rudes de Edward quando ela chegara a Wakefield e de sua ira incontrolada ao surpreendê-la nadando no riacho. Também se lembrou da facilidade com que ele trapaceara no jogo de cartas, a consolara na noite em que a encontrara chorando e rira de sua tentativa de ordenhar a vaca. E, ainda, do modo como ele a apertara contra si e a beijara com paixão e ternura, mas tratou de afastar tal lembrança bem depressa.
– Lorde Cullen é, sem dúvida, muito temperamental – começou. – Por outro lado, já notei que ele não guarda rancor e pouco tempo depois, se mostra disposto a realmente deixar para trás o que já passou. Sou muito parecida com ele nesse aspecto, embora não me zangue com tanta facilidade e rapidez. E posso afirmar que lorde Cullen não me desafiou para um duelo, quando ameacei atirar nele – acrescentou com uma risada. – Portanto, não acredito que ele goste tanto de matar pessoas. Se me pedisse para descrevê-lo, eu provavelmente diria que se trata de um homem extremamente generoso, que pode até mesmo ser gentil, por trás de sua...
– Você só pode estar brincando!
– Não. Só o vejo de maneira diferente de você. Sempre tento ver as pessoas como meu pai me ensinou.
– E seu pai a ensinou a ficar cega para os defeitos das pessoas?
– Meu pai era médico e me ensinou a procurar pelas causas e não só pelos sintomas. Por isso, sempre que alguém se comporta de maneira estranha, começo a me perguntar por que a pessoa age assim. Acredite, sempre existe uma razão. Por exemplo, já notou que quando alguém não se sente bem, geralmente se mostra irritado?
Rosalie assentiu.
– Meus irmãos ficavam de mau humor diante da mais leve dor de cabeça.
– É disso que estou falando: seus irmãos não são más pessoas, mas quando não se sentem bem, ficam mal-humorados.
– Quer dizer que você acha que lorde Cullen é doente?
– Acho que ele não é feliz, o que equivale a não se sentir bem. Além disso, meu pai também me ensinou a dar mais importância ao que as pessoas fazem do que ao que elas dizem. Se você analisar lorde Cullen desse ângulo, verá que ele tem sido muito bom para mim. Ele me deu um lar e mais roupas bonitas do que serei capaz de usar em toda a minha vida. E me deixou levar Wolf para dentro de casa.
– Você deve possuir uma compreensão superior da natureza humana – Rosalie concluiu, pensativa.
– Não é verdade – Isabella protestou com um sorriso maroto. – Fico mal-humorada e magoada com a mesma facilidade que os outros. É só "depois" que me lembro de tentar compreender o motivo pelo qual a pessoa me tratou de tal maneira.
– E não tem medo de lorde Cullen, nem mesmo quando ele está zangado?
– Só um pouquinho, mas não o vejo desde que vim para Londres e, portanto, posso estar cheia de coragem devido à distância que nos separa, no momento.
– Separava – Rosalie corrigiu-a, pois, naquele momento, a carruagem entrou no jardim da mansão Wakefield, onde outra carruagem estava estacionada. – Aquele é o brasão de lorde Cullen – explicou e, apontando para uma terceira carruagem, continuou: – E aquela é nossa. O que significa que meu marido já resolveu seus negócios e decidiu vir me buscar.
Isabella sentiu o coração disparar diante da notícia de que Edward estava em casa. Porém, atribuiu tal reação ao sentimento de culpa por ter falado dele com Rosalie.
Os dois homens estavam no salão, ouvindo pacientemente o relato da srta. Zafrina sobre os progressos de Isabella naquelas duas semanas, freqüentemente interrompido por comentários nostálgicos sobre o début dela mesma, cerca de cinqüenta anos antes. Bastou um olhar para as feições de Edward para Isabella concluir que, mentalmente, ele estava estrangulando a pobre mulher.
– Isabella! – a srta. Zafrina exclamou ao vê-la. – Finalmente! Estive contando a estes cavalheiros sobre seus dotes ao piano e os dois estão mais que ansiosos para ouvi-la tocar. – Sem perceber a expressão irônica que tomou conta do semblante de Edward, ao ser descrito como "mais que ansioso", ela conduziu Isabella até o piano, insistindo para que tocasse imediatamente.
Sem saber o que fazer, Isabella se sentou no banquinho e lançou um olhar para Edward, que se concentrava em retirar um fiapo de lã da calça preta. Parecia mais entediado do que nunca e também, mais bonito do que nunca. Isabella sentiu outra onda de nervosismo quando ele ergueu os olhos para fitá-la com um sorriso zombeteiro.
– Nunca tive a oportunidade de conhecer uma mulher capaz de nadar, atirar, domesticar animais selvagens e, ainda, tocar piano – ele gracejou.
Pelo tom de voz, Isabella deu-se conta de que ele esperava que ela tocasse muito mal. Desejou ardentemente adiar aquele recital para um momento em que não se sentisse tão nervosa.
– O senhor Wilheim deu aulas de piano para Alice e para mim, como pagamento pelo tratamento que meu pai lhe proporcionava para os pulmões, mas Alice toca muito melhor do que eu. Passei meses sem tocar e só recomecei a praticar há duas semanas. Ainda não recuperei a forma – tentou se desculpar. – Minha interpretação de Beethoven é medíocre e...
A esperança de ser dispensada morreu quando Edward ergueu uma sobrancelha e apontou para o teclado.
Isabella suspirou e se rendeu.
– Gostaria de ouvir algo em particular?
– Beethoven – ele respondeu.
Isabella lançou-lhe um olhar exasperado, que só serviu para tornar o sorriso de Edward mais largo. Em seguida, ela abaixou a cabeça e se preparou para tocar. Quando pousou os dedos sobre o teclado, o aposento vibrou com a melodia contagiante da Sonata em Fá Menor para Piano, de Beethoven.
No corredor, Amun interrompeu o polimento de uma peça de prata e fechou os olhos, extasiado. No hall de entrada, O'Malley suspendeu o sermão que passava em um subordinado e virou-se na direção do salão, com um sorriso de prazer.
Quando Isabella terminou, todos no salão explodiram em aplausos espontâneos. Exceto Edward, que se reclinou na poltrona, com um sorriso maroto nos lábios.
– Você possui mais algum dote "medíocre"? – indagou em tom de provocação, embora houvesse um brilho de sincera admiração em seus olhos.
O que proporcionou a Isabella um prazer imenso.
Rosalie e o marido partiram em seguida, prometendo comparecer ao baile, no dia seguinte. A srta. Zafrina foi acompanhá-los até a porta. Ao se ver sozinha com Edward, Isabella ficou extremamente nervosa e, para esconder os sentimentos, desatou a falar:
– Estou surpresa por vê-lo aqui.
– Não pensou que eu ficaria ausente no seu début, pensou? Não sou totalmente indiferente às tradições. Se todos acreditam que estamos noivos, o que iriam pensar se eu não viesse?
– Milorde... – Isabella começou a falar.
– Isso soa muito bem – ele a interrompeu com uma risada. – Respeitoso. Você nunca me chamou assim, antes.
– E não teria chamado agora, se a senhorita Zafrina não estivesse passado os últimos dias me torturando com títulos e maneiras de me dirigir aos nobres. Mas o que comecei a dizer é que não sei mentir muito bem e a idéia de dizer às pessoas que estamos noivos me faz sentir péssima. Tio Carlisle não dá ouvidos as minhas objeções, mas não creio que essa farsa seja uma boa idéia.
– Não é – Edward concordou. – O motivo para lhe proporcionar esta temporada londrina é justamente apresentá-la a pretendentes em potencial...
Isabella abriu a boca para insistir que Jacob se tornaria seu marido, mas Edward a impediu com um gesto.
– O motivo é apresentá-la a pretendentes em potencial, caso Jacoob não se apresse em vir resgatá-la.
– Jacob – Isabella corrigiu. – Jacob Black.
Edward deu de ombros.
– Quando alguém tocar no assunto do nosso noivado, quero que diga o que estou dizendo.
– O quê?
– Tenho dito que nada está decidido porque você ainda não me conhece o bastante para ter certeza de seus sentimentos por mim. Assim, deixaremos a porta aberta para qualquer futuro pretendente, e nem mesmo Carlisle poderá se queixar.
– Ainda prefiro dizer a verdade e contar que não estamos noivos.
– Não podemos fazer isso. Se um de nós dois der o suposto noivado por encerrado, tão pouco tempo depois da sua chegada à Inglaterra, todos começarão a especular sobre qual dos dois foi rejeitado e os mexericos vão correr soltos.
No mesmo instante, Isabella lembrou-se do que Rosalie lhe contara sobre a atitude da ton com relação a Edward e adivinhou o que iriam dizer se pensassem que ela o rejeitara. Analisando a situação daquele ponto de vista, sentiu-se imediatamente disposta a levar a farsa adiante. Por nada no mundo retribuiria a atenção e a generosidade de Edward para com ela, permitindo que pensassem que ela o achava repugnante ou assustador como futuro marido.
– Muito bem – disse. – Direi que nada está decidido.
– Boa menina. Carlisle já teve um ataque cardíaco quase fatal e o seu coração é fraco. Não quero lhe causar preocupações desnecessárias e ele está determinado a vê-la bem casada.
– Mas... O que vai acontecer a ele quando Jacob vier me buscar? – Isabella inquiriu, aflita. – E o que as pessoas vão dizer quando eu... quando eu rejeitar você para me casar com Jacob?
Edward fitou-a com olhar divertido.
– Se isso acontecer, diremos que você tem de honrar um compromisso assumido por seu falecido pai. Na Inglaterra, o dever de uma filha é se casar com o homem escolhido por sua família. Todos irão compreender. Carlisle sentirá a sua falta, mas se acreditar que você está feliz, o golpe será mais suave. No entanto não creio que nada disso vá acontecer. Carlisle me falou sobre Black e, ao que parece, trata-se de um homem fraco, dominado pela mãe viúva. Sem a sua presença na América para reforçar a coragem, ele certamente não terá a fibra necessária para desafiar a mãe e vir buscar você.
– Ora, pelo amor... – Isabella começou a protestar com veemência, mas Edward a interrompeu em tom autoritário.
– Ainda não terminei. Aparentemente, seu pai não estava certo de que esse casamento seria o melhor para você. Afinal, ele insistiu em uma separação para testar os sentimentos de vocês dois, sabendo que já se conheciam desde crianças. Quando seu pai morreu, você não estava noiva de Black, Isabella. Portanto, se ele bater a nossa porta, terá de conquistar a minha aprovação para poder se casar com você e levá-la de volta para a América.
Isabella se sentiu dividida entre a fúria e um acesso de riso.
– Quanta petulância! – exclamou. – Você nem conhece Jacob, mas já decidiu que tipo de homem ele é. E, agora, diz que não poderei me casar com ele, a menos que você o aprove. Justamente você, que quase me expulsou da sua casa, quando cheguei a Wakefield! – A situação era tão absurda, que ela começou a rir. – Francamente, nunca sei o que você vai dizer ou fazer a seguir, para me surpreender. Não tenho a menor idéia de como agir com você.
– Tudo o que tem a fazer – Edward respondeu com um sorriso – é prestar bastante atenção a todos os jovens solteiros que conhecer durante a temporada, escolher o que mais lhe agradar e trazê-lo para que eu o conheça, aprove e lhe dê minha benção. Nada poderá ser mais fácil, pois estarei trabalhando no meu escritório aqui, na maior parte do tempo.
– Aqui? – Isabella repetiu, sufocando o riso provocado pela descrição de como ela deveria escolher um marido. – Pensei que fosse se hospedar na casa de tio Carlisle.
– Dormirei lá, mas trabalharei aqui. A casa de Carlisle é extremamente desconfortável. A mobília é muito velha e os aposentos são pequenos e escuros. Além disso, ninguém pensará em tolices se eu ficar aqui durante o dia, desde que você conte com companhia adequada, o que já acontece. Assim, não há motivo para que eu seja perturbado enquanto trabalho. Falando em companhia, Zafrina Wilson já a enlouqueceu com sua tagarelice?
– Ela é adorável – Isabella respondeu, esforçando-se para não rir.
– Nunca vi uma mulher capaz de falar tanto e dizer tão pouco.
– Ela tem um bom coração.
– Verdade – Edward concordou, distraído e, olhou para o relógio. – Tenho ingressos para a ópera, esta noite. Quando Carlisle chegar, diga-lhe que estive aqui e que voltarei a tempo de receber os convidados, amanhã.
– Está bem, mas quero avisá-lo de que ficarei mais satisfeita quando Jacob chegar e você for forçado a admitir que errou em seu julgamento.
– Não conte com isso.
– Ah, mas já estou contando! E pensarei nas maneiras mais humilhantes de forçá-lo a essa admissão!
– Você não tem medo de nada?
– Não tenho medo de você.
– Pois, deveria – ele concluiu em tom enigmático e saiu.

[N/A Fanfic] 
Eu teria medo do Edward kkk... Esse homem sabe ser malvado! E teimoso! A Bella tem uma guerra pela frente, vamos torcer para ela sair vitoriosa!

Voltámos na segunda com um novo capitulo... 

Bjs e bom fim se semana...

Irmandade Robsten Legacy 

Visite nossa Galeria

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Antes de comentar saiba que:
1. Você pode se Cadastrar com sua rede social para comentar é muito simples. Clique AQUI para saber mais.
2. Comentários, imagens e links ofensivos a Robert, Kristen ou ao trabalho realizado por esse fandom serão deletados e banidos.
2. Evitem usos de palavrões e confusões pois esses comentários serão deletados e colocados na lista de SPAM.
3.Links de sugestão de máterias por favor enviem para irmandaderobsten@hotmail.com ou no nosso chat.