quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 5

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vasto oceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...

Capítulo 5

Não tenho palavras para dizer quanto lamento o que aconteceu ontem à noite – Carlisle desculpou-se com Isabella, durante o café da manhã, no dia seguinte. – Errei ao anunciar seu noivado com Edward, mas tinha esperança de que vocês dois pudessem se dar bem. Quando lady Kirby... Bem, a mulher é uma bruxa velha e a filha vem tentando conquistar Edward há dois anos. Foi por isso que as duas vieram vê-la, assim que souberam da sua chegada.
– Não há necessidade de explicar tudo de novo, tio Carlisle – Isabella falou em tom gentil. – Nenhum grande mal foi feito.
– Talvez não, mas além de todos os defeitos que você já pôde constatar, lady Kirby é a maior mexeriqueira da região. Agora que sabe que você está aqui, vai se encarregar de contar isso para todos os conhecidos. O que significa que, em breve, teremos uma fila de visitantes, todos ansiosos para dar uma olhada em você. consequência, teremos de providenciar uma acompanhante adequada, para que ninguém se ponha a questionar o fato de você estar morando com dois homens solteiros.

Carlisle ergueu os olhos quando Edward entrou na sala de jantar. Isabella ficou imediatamente tensa, rezando para que a trégua da noite anterior resistisse à luz do dia.
– Edward, eu estava explicando a Isabella sobre a necessidade de uma acompanhante. Mandei um recado para Zafrina Wilson – acrescentou, referindo-se à tia solteirona que, no passado, ajudara a cuidar do pequeno Seth. – Sei que ela não tem muito bom senso, mas é a única parente viva que possuo, além de ser a única acompanhante aceitável para Isabella que conheço. E, também, Zafrina conhece bem as regras sociais.
– Tudo bem – Edward respondeu, distraído, antes de se aproximar de Isabella. – Espero que não esteja sofrendo nenhum efeito indesejável da sua primeira experiência com conhaque.
– Nenhum – ela respondeu com um sorriso. – Na verdade, até gostei da bebida, depois que me acostumei àquele gosto horrível!
Um sorriso lento curvou os lábios de Edward e Isabella sentiu o coração disparar. Edward Cullen possuía um sorriso capaz de derreter geleiras!
– Cuidado para não gostar demais – ele advertiu em tom de provocação, acrescentando: —, prima.
Distraída com planos de transformar Edward em um verdadeiro amigo, Isabella não prestou atenção à conversa entre os dois homens, até Edward se dirigir a ela:
– Está me ouvindo, Isabella?
Ela ergueu os olhos, confusa.
– Desculpe, não estava prestando atenção.
– Na sexta-feira, receberei a visita de um vizinho que acaba de retornar da França – Edward explicou. – Se ele trouxer a esposa, gostaria de apresentá-la a você. A condessa de Collingwood é um excelente exemplo de como uma mulher deve se comportar na sociedade. Espero que você a observe e a imite.
Isabella corou, sentindo-se como uma criança mal comportada, que acabara de receber uma ordem de seguir o exemplo de outra. Além do mais, já conhecera quatro aristocratas ingleses: Carlisle, Edward, lady Kirby e Jéssica Kirby. Com exceção de Carlisle, eram todos pessoas extremamente difíceis de se conviver, o que não a tornava nem um pouco ansiosa para conhecer mais dois. Ainda assim, tratou de reprimir os maus sentimentos e afastar o medo.
– Obrigada – falou com delicadeza. – Estou ansiosa para conhecê-los.
Isabella passou os quatro dias seguintes ocupada em escrever cartas, ou desfrutando da companhia agradável de Carlisle. Na tarde do quinto dia, foi até a cozinha, a fim de apanhar restos de comida para Willie.
– Aquele animal logo terá peso suficiente para sustentar um cavaleiro no lombo, se continuar a alimentá-lo com tamanha fartura! – a Sra. Craddock comentou de bom humor.
– Ele ainda tem muito o que engordar, antes de chegar a esse ponto – Isabella replicou, retribuindo o sorriso. – Posso pegar aquele osso grande, ou pretende usá-lo para fazer sopa?
Assegurando que não, a Sra. Craddock entregou-lhe o osso. Isabella agradeceu e já estava na porta, quando se lembrou de algo e voltou a encarar a cozinheira.
– Ontem à noite, o senhor Cullen, ou melhor, o lorde – corrigiu-se, notando que as criadas ficavam tensas só de ouvir o nome do patrão – disse que o pato assado foi o melhor que já comeu na vida. Não sei se ele se lembrou de dizer isso à senhora, mas achei que gostaria de saber.
As faces gorduchas da Sra. Craddock coraram de prazer.
– Obrigado, milady.
Com um sorriso, Isabella saiu à procura de Willie.
– Aí está uma verdadeira lady – a cozinheira disse às outras criadas. – É gentil e amável e não se parece nem um pouco com aquelas mulheres insípidas de Londres, nem com as criaturas antipáticas que o lorde trás para Wakefield, de tempos em tempos. O'Malley ouviu sua alteza dizer a lady Kirby que ela é condessa.
Isabella levou a comida ao lugar onde vinha deixando pratos com sobras durante os últimos nove dias. Em vez de espiá-la de seu esconderijo, atrás das árvores, como geralmente fazia, Willie se adiantou alguns passos, assim que a viu.
– Veja o que eu trouxe hoje – ela falou, tentando atraí-lo para mais perto. Sentiu o coração disparar ao vê-lo aproximar-se ainda mais. – Se me deixar afagá-lo, Willie, trarei outro osso depois do jantar.
Ele permaneceu imóvel, observando-a com desconfiança e medo. Dando um passo na direção do animal, Isabella se abaixou para colocar o prato no chão, continuando:
– Sei que você quer comer. E eu quero ser sua amiga. Provavelmente, está pensando que a comida é algum tipo de suborno. E tem toda a razão! Sou tão solitária quanto você e acho que poderíamos ser amigos. Nunca tive um cachorro antes, sabia?
Willie olhou para a comida e, então, voltou a fixar os olhos em Isabella, sem desviá-los, nem mesmo enquanto se inclinava sobre o prato e devorava o alimento. Isabella continuou falando em tom suave, na esperança de tranqüilizá-lo:
– Não sei no que o senhor Cullen estava pensando quando decidiu chamá-lo de Willie. Você não tem cara de Willie! Eu o chamaria de Lobo, ou Imperador, ou qualquer outro nome tão forte e feroz quanto a sua aparência.
Assim que acabou de comer, Willie começou a se afastar, mas Isabella estendeu a mão esquerda, apresentando-lhe o osso enorme.
– Vai ter de tirá-lo da minha mão, se quiser comê-lo – avisou.
O cachorro examinou o osso por um breve instante, antes de abocanhá-lo da mão de Isabella. Ela pensou que ele fosse correr para o bosque imediatamente, mas, para sua surpresa e profunda satisfação, ele se acomodou a seus pés e se pôs a roê-lo.
Isabella foi invadida por uma súbita sensação de que, finalmente, os céus estavam sorrindo para ela. Já não se sentia indesejada em Wakefield, uma vez que os dois Cullen eram, agora, seus amigos. E, em breve, ela teria Willie como companhia, também. Ajoelhou-se e afagou a cabeça do cachorro.
– Você está precisando de uma boa escovada nos pêlos – diagnosticou. – Gostaria que Alice o visse. Ela adora animais e tem um jeito especial de tratá-los. Tenho certeza de que ela o ensinaria a fazer uma porção de truques, em pouquíssimo tempo – acrescentou sorrindo e ao mesmo tempo sentindo o coração doer de saudade da irmã.
No meio da tarde do dia seguinte, Amun foi à procura de Isabella, a fim de informá-la de que lorde Collingwood acabara de chegar e lorde Cullen pedia que ela fosse até o escritório.
Apreensiva, Isabella examinou a própria imagem refletida no espelho. Então, sentou-se à penteadeira e prendeu os cabelos em um coque impecável, preparando-se para ser apresentada a um aristocrata frio e orgulhoso, da idade de lady Kirby.
– A carruagem dela quebrou perto daqui e dois camponeses a trouxeram na carroça – Edward contava a Emmett Collingwood, com um sorriso seco. – Quando retiravam o baú de Isabella da carroça, dois leitões escaparam e ela apanhou um deles no exato momento em que Amun abriu a porta. Ao vê-la com um leitão nos braços, ele a confundiu com uma camponesa e mandou que fosse fazer sua entrega na porta dos fundos. Quando Isabella tentou explicar quem era, Amun ordenou a um lacaio que a expulsasse da propriedade – terminou, entregando um copo de vinho clarete ao amigo.
O conde riu.
– Meu Deus! Que recepção! – Ergueu o copo em um brinde. – A sua felicidade e à paciência de sua noiva.
Edward franziu o cenho e Emmett explicou:
– Como ela não deu meia-volta e pegou o primeiro navio de volta para a América, só posso concluir que a senhorita Swan é uma moça muito paciente. O que é uma qualidade mais que desejável em uma noiva.
– O anúncio de noivado no Times foi obra de Carlisle – Edward esclareceu de pronto. – Isabella é uma prima distante e, quando soube que ela vinha para a Inglaterra, ele decidiu que eu deveria me casar com ela.
– Sem consultá-lo antes? – Emmett indagou, incrédulo.
– Fiquei sabendo que estava noivo exatamente como todos souberam: lendo o jornal.
Os olhos castanhos do conde iluminaram-se com um brilho divertido.
– Imagino que tenha ficado um tanto surpreso;
– Furioso – Edward corrigiu. – Já que entramos nesse assunto, eu esperava que você trouxesse sua esposa hoje, para que Isabella pudesse conhecê-la. Rosalie é pouco anos mais velha que Isabella e acho que as duas poderiam se tornar amigas. Para ser franco, Isabella vai precisar de uma amiga, aqui. Foi um escândalo quando a mãe dela decidiu se casar com um médico irlandês e tenho certeza de que lady Kirby planeja reavivar o mexerico. Além disso, Isabella é neta da duquesa de Claremont, que não se mostrou disposta a reconhecer a garota. Isabella é condessa por direito, mas o título não vai garantir que seja aceita pela sociedade. É claro que Carlisle vai lhe dar todo o apoio necessário, que garantirá que, ao menos, ninguém a rejeite abertamente.
– Ela contará com o peso da sua influência também, o que é considerável – Collingwood comentou.
– Não se tratando de estabelecer a reputação de uma jovem inocente e virtuosa – Edward lembrou-o.
– Verdade – Emmett concordou com uma risada.
– De qualquer maneira, Isabella conheceu apenas as duas Kirby como amostra da aristocracia inglesa. Achei que sua esposa poderia lhe dar uma impressão melhor. Na verdade, sugeri a Isabella que observasse Rosalie como sendo um bom exemplo de comportamento...
Emmett Collingwood atirou a cabeça para trás, emitindo uma sonora gargalhada.
– Disse isso a ela? Nesse caso, trate de começar a rezar para que lady Isabella não siga o seu conselho. O comportamento de Rosalie é excelente... tanto que ela enganou até mesmo você, fazendo-o acreditar que é um modelo de virtude. Acontece que vivo resgatando minha doce esposa de terríveis encrencas. Nunca vi jovem mais determinada e teimosa.
– Nesse caso, Isabella e Rosalie vão se dar muito bem – Edward concluiu.
– Vejo que está muito interessado nela – Emmett comentou.
– Somente como guardião, embora tenha recebido tal incumbência contra a minha vontade.
Isabella parou diante da porta do escritório, alisou a saia do vestido de musselina verde-claro, bateu e entrou. Encontrou Edward sentado em uma poltrona, conversando com um homem mais ou menos da mesma idade que ele. Quando a viram, os dois pararam de falar e se puseram de pé, o que exaltou as semelhanças entre eles. Assim como Edward, o conde era alto, atraente e possuía porte atlético. Somente os cabelos e os olhos eram diferentes, de um castanho não muito escuro. Por outro lado, ele possuía a mesma aura de calma autoridade que Edward exibia, embora fosse menos assustador. Havia em seus olhos um brilho de humor e seu sorriso era mais amigável do que irônico. Ainda assim, não parecia ser um homem que qualquer pessoa em sã consciência pretendesse ter como inimigo.
– Desculpe-me por ter encarado o senhor – Isabella falou, quando Edward terminou as apresentações. – quando vi os dois juntos, reconheci algumas semelhanças.
– Tenho certeza de que isso foi um elogio, milady – Emmett Collingwood comentou, sorrindo.
– Não foi, não – Edward corrigiu-o em tom de brincadeira.
Isabella tentou desesperadamente pensar em algo para dizer, mas nada lhe ocorreu. Felizmente, foi poupada de maior embaraço pelo conde, que lançou um olhar indignado para Edward, inquirindo:
– Ora, que resposta lady Swan poderia dar a tal comentário?
Isabella não ouviu a resposta de Edward, pois sua atenção se desviou para outro ocupante do aposento: um garotinho adorável, de uns três anos de idade, que a fitava com fascinação muda, segurando um barquinho nos braços. Com cabelos e olhos castanho-claros, era a miniatura do pai, até mesmo nas roupas que usava. Isabella sorriu para o menino.
– Acho que ninguém nos apresentou – comentou.
– Desculpe-me – o conde falou. – Lady Isabella, permita-me apresentar-lhe meu filho, John.
O menino depositou o barquinho na cadeira a seu lado e curvou-se com um gesto reverente. Isabella retribuiu, segurando a saia, abaixando-se e inclinando a cabeça. O menino soltou uma risada infantil e, apontando para os cabelos dela, olhou para o pai.
– Vermelho? – indagou.
– Sim – Emmett confirmou.
– Bonito – John sussurrou, provocando uma gargalhada do pai.
– John, você é jovem demais para tentar conquistar uma lady!
– Ora, mas não sou uma lady – Isabella corrigiu-o, já apaixonada pelo garotinho. – Sou marinheira! – Como John a estudasse com ares de dúvidas, ela acrescentou: – E muito boa. Meu amigo Jacob e eu costumávamos construir barquinhos e fazê-los navegar pelo rio, quando éramos crianças. Que tal levarmos o seu barco até o riacho?
John assentiu e Isabella virou-se para o conde, em busca de permissão.
– Tomarei conta dele – assegurou – e do barco, é claro.
Assim que Emmett consentiu, John deu a mão a Isabella e os dois saíram do escritório.
– É evidente que ela adora crianças – o conde observou.
– Ela mesma é pouco mais que isso. – Edward replicou com indiferença.
Emmett virou-se e observou a bela jovem que atravessava o hall. Então, voltou a encarar Edward, erguendo as sobrancelhas com ar de contradição. Porém, não disse nada.
Isabella passou quase uma hora sentada em um cobertor estendido à margem do riacho que cortava os jardins. Com o sol a banhar-lhe o rosto, inventava histórias sobre piratas e tempestades que, supostamente, haviam atacado seu navio durante a viagem da América para a Inglaterra. John ouviu, encantado, segurando com firmeza a linha de pesca que Isabella amarrara ao barquinho, que flutuava na água. Quando o menino se cansou das águas calmas em que seu barquinho navegava, Isabella tomou a linha e os dois seguiram pela margem, até onde o riacho se tornava fundo, passando por debaixo de uma ponte de pedras. Ali, as águas eram um pouco turbulentas, graças a um tronco de árvore caído havia tempos.
Então, Isabella devolveu a linha a John, instruindo-o:
– Segure com firmeza, ou o barco vai bater contra aquele tronco.
– Vou segurar – ele respondeu, sorrindo.
Isabella havia se afastado alguns passos, a fim de colher algumas das flores coloridas que cresciam à margem do riacho, quando John gritou, aflito por ter soltado a linha em um momento de distração.
– Fique onde está! – Isabella ordenou em tom urgente, correndo para o menino.
Esforçando-se para não chorar, John apontou para o barquinho, que deslizava diretamente para os galhos da árvore caída debaixo da ponte.
– Escapou – ele balbuciou, enquanto as lágrimas faziam seus olhos brilharem. – Foi tio George quem fez o barquinho para mim. Ele vai ficar triste.
Isabella hesitou. Embora aquele trecho fosse fundo, ela e Jacob haviam resgatado seus barquinhos do rio muito mais perigoso, onde costumavam brincar. Olhou para os lados e para a margem, certificando-se de que ficaria fora de vista. Então, tomou sua decisão.
– Ainda podemos salvá-lo – declarou com firmeza, já tirando o vestido e os sapatos. – Sente-se aqui e espere. Vou buscar o seu barquinho.
Vestindo apenas a combinação, Isabella entrou na água e, quando já não podia sentir o leito do riacho sob os pés, pôs-se a nadar com braçadas vigorosas. Foi fácil encontrar o barquinho. A única dificuldade consistiu em libertar a linha de pesca resistente que havia se enroscado nos galhos da árvore. Assim, Isabella mergulhou diversas vezes, para delícia de John que, aparentemente, nunca antes vira alguém nadar ou mergulhar. Apesar da água fria e turbulenta, o exercício era revigorante e Isabella deu as boas-vindas à quase esquecida sensação de liberdade que a invadiu.
Preocupada em verificar que John não tentaria juntar-se a ela, Isabella acenou e gritou:
– Vou conseguir desta vez! Fique onde está e espere que o nosso navio receba socorro!
Depois de vê-lo assentir com grave obediência, Isabella se sentiu mais tranqüila e voltou a mergulhar.
– Amun disse que os dois vieram na direção da ponte e... – Edward parou de falar quando a palavra "socorro" alcançou seus ouvidos.
Os dois homens dispararam na direção da ponte. Tropeçando e escorregando, desceram até a margem, correndo na direção de John. Ao alcançá-lo, Emmett segurou o filho pelos ombros.
– Onde está ela? – indagou, alarmado.
– Debaixo da ponte – o garotinho respondeu com um sorriso. – Ela mergulhou para salvar o barco que tio George fez para mim.
– Ah, meu Deus! Aquela maluca! – Edward murmurou, aflito, já tirando o casaco e correndo para a água.
De repente, uma sereia de cabelos avermelhados emergiu na superfície, o corpo em arco, os lábios curvados em um sorriso triunfante e os cabelos molhados sobre os olhos.
– Consegui, John! – gritou, alegre.
– Maravilha! – o menino gritou em resposta, batendo palmas.
Edward imobilizou-se, sentindo o terror se transformar imediatamente em fúria cega, enquanto observava Isabella nadar com facilidade para a margem, seguida do barquinho. Com as pernas afastadas, as mãos na cintura e uma expressão aterrorizante no rosto, aguardou com impaciência a chegada dela à margem.
Compreendendo e até mesmo partilhando os sentimentos do amigo, Emmett Collingwood lançou-lhe um olhar de simpatia, antes de puxar o filho pela mão.
– Vamos voltar para dentro da casa, John – ordenou com gentil firmeza. – Acho que lorde Cullen quer dizer alguma coisa à senhorita Isabella.
– Ele vai dizer "obrigado"?
– Não exatamente.
Isabella saiu da água de costas e continuou assim, dando passos para trás, enquanto içava o barquinho para a terra firme.
– Viu, John? Eu não disse que conseguiríamos salvar o seu...
Suas costas colidiram em cheio com algo grande, imóvel e resistente, ao mesmo tempo em que um par de mãos fortes seguravam seus ombros, forçando-a a virar-se.
– Sua maluca! – Edward declarou entre dentes. – Maluca! Poderia ter se afogado!
– Não... não, eu não estava correndo o menor perigo – ela explicou depressa, assustada pela ira que obscurecia os olhos dele. – Sei nadar muito bem... você deve ter visto...
– Assim como o criado que quase morreu, neste mesmo ponto, no ano passado! – ele a interrompeu.
– Ora, quebrar meus braços não vai ajudar em nada! – Isabella queixou-se, esforçando-se em vão para se libertar das mãos implacáveis que a mantinham prisioneira. – Vejo que o assustei e sinto muito por isso, mas não corri nenhum risco... não fiz nada errado.
– Não fez nada errado? Não correu nenhum risco? Edward repetiu, em tom cada vez mais assustador, ao mesmo tempo em que baixava os olhos para o decote profundo da combinação, fazendo Isabella se lembrar de que, além de muito molhada, estava quase nua. – Imagine que outro homem estivesse aqui, agora, olhando para você desse jeito. O que acha que poderia acontecer?
Isabella engoliu em seco, lembrado-se de uma vez em que chegara em casa muito depois do anoitecer. Seu pai já havia organizado um grupo para procurá-la pelos bosques. A primeira reação dele fora de profundo alívio e alegria. Depois... Isabella passara alguns dias sem conseguir se sentar confortavelmente.
– Não sei o que poderia acontecer... Acho que qualquer pessoa que me encontrasse aqui me daria minhas roupas e...
Os olhos de Edward voltaram a baixar para o decote que expunha boa parte dos seios fartos, que subiam e desciam rapidamente, acompanhando a respiração ofegante de Isabella e ao mesmo tempo ressaltando o fato de que ela era uma mulher extremamente desejável, e não a criança que Edward tentara se convencer que era.
– Pois vou lhe mostrar o que poderia acontecer! – ele anunciou com voz rude e, no instante seguinte, seus lábios pousavam com violência sobre os dela.
Isabella se contorceu, tentando escapar aos braços de ferro e ao beijo poderoso. Porém, sua luta pareceu deixá-lo ainda mais furioso e cruel.
– Por favor – ela implorou, quase chorando. – Sinto muito se o assustei...
Lentamente, as mãos de Edward afrouxaram o aperto nos ombros de Isabella. Então, ele ergueu a cabeça e fitou-a diretamente nos olhos. Com um gesto automático, ela cruzou os braços sobre o peito. Seus cabelos caíam como um lençol de mogno sobre os ombros, seus olhos, mais chocolates ainda, não disfarçavam o medo e o arrependimento.
– Por favor – ela balbuciou com voz trêmula, tentando desesperadamente recuperar a trégua que haviam mantido durante quase cinco dias. – Não fique zangado. Não tive a intenção de assustá-lo. Aprendi a nadar quando era criança, mas só agora percebo que não deveria ter feito o que fiz hoje.
A admissão franca e direta de Isabella apanhou Edward de surpresa. Todos os ardis femininos já haviam sido usados com ele, desde que fizera fortuna e conquistara um título de nobreza, mas sempre sem sucesso. A total ausência de malícia de Isabella, somada àquele rosto bonito e inocente e à sensação do corpo delicado pressionado contra o dele, atuaram como um potente afrodisíaco. O desejo tomou conta de Edward, fazendo o sangue ferver em suas veias, e seus braços apertarem-na contra si.
Isabella viu algo primitivo e assustador nos olhos dele, que não soube reconhecer. Sobressaltada, abriu a boca para gritar, mas não teve tempo para isso, pois os lábios de Edward voltaram a pousar sobre os dela, deixando-a atordoada. Isabella resistiu por alguns momentos, mas foi lentamente invadida por uma sensação também desconhecida, ao sentir as mãos dele deslizarem com ternura por suas costas.
Buscando o equilíbrio que aquele contato destruía, ela pousou as mãos no peito largo, despertando nele a reação imediata de apertá-la ainda mais. Tomada por ímpetos mais intensos a cada momento, Isabella se deixou apoiar no corpo dele, entregando-se àquela exploração deliciosa de seus lábios. Então, ele aprofundou o beijo, tornando o contato mais íntimo, de uma maneira que ela jamais experimentara, nem sequer imaginara possível.
Apavorada, atirou a cabeça para trás, empurrando-o.
– Não! – gritou.
Ele a soltou de súbito e respirou fundo, os olhos fixos no chão. Isabella encarou-o, furiosa, já esperando que Edward pusesse a culpa por aquele beijo indecoroso sobre seus ombros.
– Imagino que eu tenha sido culpada por isso – declarou, zangada. – Sem dúvida, você vai dizer que eu estava pedindo para ser tratada desta maneira!
Ao ver os lábios de Edward se curvarem em um esboço de sorriso, Isabella teve a impressão de que ele estava lutando para recuperar a compostura.
– Você cometeu o primeiro erro – ele finalmente murmurou. – O último foi meu. Desculpe.
– O quê? – ela inquiriu, sem acreditar no que ouvira.
– Ao contrário do que você evidentemente pensa de mim, não tenho o hábito de seduzir garotas inocentes...
– Eu não estava correndo o risco de ser seduzida – Isabella mentiu.
Um brilho zombeteiro iluminou os olhos de Edward.
– Não? – ele indagou com uma pontada de divertimento.
– De jeito nenhum!
– Nesse caso, é melhor você se vestir, antes que eu me sinta tentado a provar que está completamente enganada.
Isabella abriu a boca, pensando em dar uma resposta à altura do comentário insolente, mas o sorriso de Edward foi mais do que sua indignação era capaz de enfrentar.
– Você é impossível! – limitou-se a declarar, sem grande convicção.
– Tem razão – Edward concordou e lhe deu as costas para que ela pudesse se vestir.
Lutando desesperadamente para controlar as emoções caóticas, Isabella se vestiu depressa. Jacob a beijara várias vezes antes, mas nunca daquela maneira. Edward não devia ter feito o que fizera, assim como não deveria estar se mostrando tão diferente, agora. Isabella estava convencida de que tinha todos os motivos para se sentir furiosa com ele, mas lhe ocorreu que, talvez, na Inglaterra os costumes fossem outros. Era possível que as mulheres dali reagissem a beijos como aquele com naturalidade. O que a faria parecer tola, se desse maior importância ao fato. E, mesmo que o fizesse, Edward trataria o assunto como sendo insignificante, como, aliás, já estava fazendo. Concluiu que não teria nada a ganhar, irritando-se mais do que já fizera naquela tarde. Ainda assim, não pôde controlar por completo a sua raiva.
– Você é mesmo impossível! – repetiu.
– Já concordamos com isso.
– E, também, é imprevisível.
– Em que sentido?
– Ora, cheguei a pensar que fosse me bater por eu ter assustado você. Ao contrário, você me beijou! Estou começando a pensar que você e o seu cachorro são muito parecidos. Os dois aparentam ser muito mais ferozes do que realmente são.
– Meu cachorro? – Edward indagou, aparentemente sem saber do que ela estava falando.
– Willie – Isabella esclareceu.
– Você deve ter pavor de passarinhos, se acha que Willie parece feroz.
– Estou chegando à conclusão de que não há motivo para ter medo de nenhum de vocês dois.
Um sorriso maroto curvou os lábios sensuais de Edward, enquanto ele se abaixava para apanhar o barquinho de John.
– Não conte isso a ninguém, ou vai arruinar a minha reputação.
Isabella ajeitou o cobertor sobre os ombros e, então, empinou o queixo.
– E você tem reputação?
– A pior possível. Quer que eu lhe conte os detalhes sórdidos?
– É claro que não! – Isabella respondeu de pronto e, reconhecendo o leve arrependimento por tê-la beijado de maneira tão atrevida, decidiu tomar coragem e tocar no assunto que a incomodava havia dias: – Existe uma maneira de você compensar o seu erro.
Edward lançou-lhe um olhar especulativo.
– Eu diria que um erro justifica o outro, mas diga o que você quer.
– Quero minhas roupas de volta.
– Não.
– Você não compreende! Estou de luto pela morte de meus pais.
– Compreendo muito bem, mas não acredito que a dor possa ser grande a ponto de não ser guardada dentro de nós. Assim como não acredito nas exibições de luto. Além do mais, Carlisle e eu queremos que você construa uma vida nova aqui.
– Não preciso de vida nova! Ficarei aqui somente até Jacob vir me buscar e...
– Ele não virá, Isabella – Edward a interrompeu em tom implacável. – Ele não escreveu uma única carta em todos esses meses.
As palavras atingiram Isabella como uma lâmina afiada.
– Ele virá! Sei que virá. Não houve tempo para as cartas chegarem.
A expressão de Edward se tornou mais dura.
– Espero que esteja certa, mas continua proibida de vestir roupas pretas. O luto deve ser guardado no coração.
– Como você sabe? Se tivesse coração, não me forçaria a usar estas roupas, como se meus pais não tivessem existido. Você não tem coração!
– Tem razão. Não tenho coração. Trate de se lembrar disso e não cometa o erro de acreditar que, por baixo da máscara feroz, sou tão manso quanto um cãozinho de estimação. Muitas mulheres pensaram assim e se arrependeram.
Isabella se afastou com pernas trêmulas. Como fora acreditar que poderiam se amigos? Edward era frio, cínico, e amargo, além de ser dono de um temperamento irascível e, claro, de ser completamente desequilibrado! Nenhum homem em sã consciência seria capaz de beijar uma mulher com ternura e paixão, para se tornar frio e cruel alguns instantes depois. Não, Edward não era um cãozinho de estimação, mas sim tão perigoso quanto à pantera que a fazia lembrar, com seus cabelos bronzes e olhos verdes.
Chegaram juntos aos degraus que levavam à porta da frente da mansão. O conde de Collingwood encontrava-se à espera deles, já montado em seu esplêndido cavalo alazão, com John confortavelmente instalado a sua frente.
Zangada e envergonhada, Isabella balbuciou uma breve despedida para o conde e, forçando um sorriso, devolveu o barquinho para John. Então, correu para dentro de casa.
John observou-a desaparecer e, então, olhou para Edward e, em seguida, para o pai.
– Ele não a repreendeu, não é, papai? – perguntou, ansioso.
Emmett ergueu o olhar divertido da camisa molhada de Edward para o seu rosto.
– Não, John. Lorde Cullen não repreendeu a senhorita Isabella. – Então, dirigiu-se a Edward: – Devo pedir a Rosalie que venha visitar a senhorita Swan amanhã?
– Venha com ela para que possamos terminar a nossa discussão de negócios.
Emmett assentiu. Passando um braço protetor em torno do filho, esporeou de leve o alazão, que saiu em trote suave pelo jardim.
Edward observou-os partir, a expressão se tornando amarga à medida que, pela primeira vez, ele se permitia encarar o que realmente acontecera na margem do riacho.
No meio da tarde seguinte, Isabella ainda não conseguira tirar o beijo arrasador de Edward da cabeça. Sentada na grama, ao lado de Willie, afagava a cabeça do animal, enquanto ele roía o osso levado por ela. Observando-o, voltou a se lembrar da atitude de Edward depois do beijo e sentiu o estômago se contorcer quando comparou a própria inocência com a experiência e sofisticação dele.
Como ele fora capaz de beijá-la e abraçá-la, como se estivesse prestes a devorá-la com paixão, para então fazer piadas a respeito? E como ela conseguira se fingir indiferente, quando ainda se sentia atordoada e seus joelhos ainda tremiam? E, depois de tudo isso, como ele podia fitá-la com aquele olhar frio e adverti-la para que não cometesse o mesmo erro de "muitas outras mulheres"?
O que o levara a pensar assim? Definitivamente, Edward era impossível de compreender! Isabella se esforçara para se tornar amiga dele e tudo o que conseguira fora ser beijada de maneira inesperada e... arrasadora. Tudo lhe parecia muito diferente na Inglaterra. Refletiu que, talvez, aquele tipo de beijo fosse comum entre os ingleses. Se fosse assim, ela não teria motivo para se sentir zangada, ou culpada. Infelizmente, não conseguia se livrar de nenhum dos dois sentimentos. Ao mesmo tempo em que foi invadida por uma intensa saudade de Jacob, sentiu-se envergonhada por ter retribuído, ao menos em parte, o beijo de Edward.
Ergueu os olhos ao ouvir o som de cascos à distância e constatou que Edward cavalgava para o estábulo. Como ele fora caçar pela manhã, Isabella conseguira evitar o confronto, ganhando tempo para se recompor. Porém, seu sossego estava chegando ao fim, pois a carruagem do conde Collingwood estacionava diante da mansão. Com um suspiro resignado, Isabella se pôs de pé.
– Venha, Willie. Vamos avisar lorde Cullen de que o conde e a condessa chegaram. Assim, pouparemos o pobre senhor O'Malley de uma caminhada inútil até o estábulo.
O cachorro fitou-a com seus olhos inteligentes, mas não se moveu.
– Já está na hora de você parar de se esconder das pessoas! Não sou sua criada, sabia? Logo vou me recusar a trazer sua comida até aqui. Amun me contou que você costumava ser alimentado no estábulo. Venha, Willie! – ela repetiu, decidida a controlar ao menos aquela parte de sua vida.
Vendo que ele se punha de pé, deixando claro que compreendera o comando, insistiu com voz irritada:
– Willie, estou começando a ficar impaciente com machos arrogantes. Venha! – Deu alguns passos adiante, antes de chamar de novo: – Venha, Willie!
Desta vez, o cachorro obedeceu e a seguiu. Encorajada por aquela pequena conquista, Isabella marchou para o estábulo, de onde Edward saía, carregando seu rifle de caça.
Diante da mansão, o conde de Collingwood ajudou a esposa a sair da carruagem.
– Lá estão eles – apontou na direção do estábulo e, tomando o braço da esposa com um gesto carinhoso, começou a atravessar os gramados, sussurrando-lhe ao ouvido: – Sorria. Você parece estar caminhando para um carrasco!
– Pois é como me sinto – Rosalie admitiu com um sorriso maroto. – Sei que vai rir de mim, mas lorde Cullen me assusta. E não sou a única a ter medo dele!
– Edward é um homem brilhante, Rosalie. Obtive lucros enormes com os investimentos que ele gentilmente me recomendou.
– Acredito, mas continua sendo uma figura ameaçadora. Além do mais, ele tem a capacidade de dar respostas desconcertantes, que deixam as pessoas profundamente embaraçadas. No mês passado, ele disse à senhorita Farraday que detesta mulheres que passam o tempo todo com um sorriso tímido nos lábios, especialmente quando seguram seu braço enquanto sorriem.
– E como a senhorita Farraday reagiu?
– O que ela poderia fazer, se estava justamente segurando o braço dele e sorrindo naquele exato momento? Foi extremamente embaraçoso! – Ignorando a gargalhada do marido, Rosalie continuou: – Simplesmente não consigo entender o que as mulheres vêem nele, para se derreter toda vez que ele está por perto. É verdade que lorde Cullen é rico como um rei, com seis grandes propriedades e uma renda de... Deus sabe quantas libras por ano. E, é claro, será o próximo duque de Masen. E sou obrigada a admitir que é um homem muito atraente e...
– E você não entende o que as mulheres vêem nele? – Emmett a interrompeu em tom de zombaria.
Rosalie sacudiu a cabeça e baixou o tom de voz, uma vez que se aproximavam do casal.
– Ele não tem boas maneiras. Ao contrário, é direto demais em suas respostas e comentários, completamente sem tato!
– Quando um homem é perseguido, sem trégua, por sua fortuna e título, deve ser desculpado por perder a paciência vez por outra.
– Você pode pensar assim, mas, de minha parte, sinto profunda solidariedade pela pobre senhorita Swan. Imagine como a pobrezinha deve estar aterrorizada por ter de viver sob o mesmo teto que ele!
– Não sei se ela está aterrorizada, mas tive a impressão de que se sente muito solitária e que está precisando de uma amiga que a ajude a compreender os costumes ingleses.
– A menina deve estar muito infeliz – Rosalie comentou com simpatia, observando Isabella que, agora, falava com Edward.
– O conde e a condessa acabaram de chegar – ela o informava em tom neutro.
– Já vi. Estão vindo para cá. – Edward replicou, olhando para o casal que se aproximava, e, quando voltou a encarar Isabella, ficou petrificado, os olhos fixos em algo atrás dela. – Saia daí! – ordenou em voz baixa, empurrando-a para o lado e levando o rifle ao ombro.
No mesmo instante, Isabella ouviu Willie rosnar e, de súbito, compreendeu o que Edward pretendia fazer.
– Não! – gritou, atingindo o rifle com a mão e, em seguida, caindo de joelhos e passando os braços em torno do cachorro. – Você está louco! O que Willie lhe fez para ser privado de alimento e agora, morto? Por acaso, ele também nadou no seu riacho... ou se atreveu a desobedecer a uma de suas ordens?
Edward baixou o rifle lentamente, até o cano estar apontado para o chão. Então, com voz excessivamente calma, que contradizia a expressão tensa e a palidez em seu rosto, falou:
– Isabella, este não é Willie. Willie é um collie que emprestei aos Collingwood há três dias, para reproduzir.
A mão de Isabella, que afagava carinhosamente a cabeça de "Willie", imobilizou-se no ar.
– Ao menos que minha vista, ou meu raciocínio, não esteja funcionando bem – Edward continuou —, o animal que você está abraçando, como uma mãe protegendo o seu bebê, é pelo menos metade lobo.
Isabella se levantou bem devagar.
– Mesmo que não seja Willie, ainda é um cachorro, não um lobo – persistiu com teimosia. – Ele reconhece o comando "venha".
– É parte cachorro – Edward a corrigiu.
Então, na intenção de afastá-la dali, segurou-a pelo braço. O gesto provocou a reação imediata do animal, que se colocou em posição de ataque, rosnando e exibindo as presas. Edward soltou o braço de Isabella e moveu a mão lentamente na direção do gatilho.
– Afaste-se dele, Isabella – comandou.
Os olhos de Isabella encontravam-se fixos na arma.
– Não faça isso! – ela o advertiu, histérica. – Não vou permitir! Se atirar nele, atirarei em você. Sei atirar melhor do que sei nadar. Edward! Esse animal é um cachorro e só está tentando me proteger de você. Qualquer um perceberia isso. Ele é meu amigo. Por favor, não atire.
Aliviada, viu Edward retirar o dedo do gatilho e voltar a baixar o rifle.
– Muito bem, pare com isso – ele resmungou. – Não vou atirar nele.
– Vai me dar sua palavra de cavalheiro? – Isabella persistiu, ainda mantendo o corpo entre Edward e o corajoso animal que tentava protegê-la.
– Dou minha palavra.
Isabella começou a se mover, mas a lembrança de um comentário de a fez parar.
– Você me disse que não é um cavalheiro e que não tem princípios. Como posso ter certeza de que vai manter a sua palavra?
Edward teve se esforçar para esconder o divertimento e a admiração provocados pela jovem que não só defendia a vida de um lobo, mas também se atrevia a desafiá-lo, cara a cara.
– Prometo manter minha palavra. Agora, pare de se comportar como Joana D'Arc.
– Não sei se posso acreditar em você. Faria a mesma promessa ao conde de Collingwood? – Isabella insistiu.
– Está abusando da sorte, minha cara – Edward a advertiu com voz macia.
Embora pronunciada com suavidade, a frase soou extremamente ameaçadora. Percebendo que Edward não estava brincando, Isabella obedeceu e deu um passo para o lado, mas o animal se manteve em posição de ataque, o olhar feroz fixo no suposto agressor.
Edward, por sua vez, também observava o animal, o rifle ainda em punho. Desesperada, Isabella ordenou ao seu mais novo amigo:
– Sente-se!
Para sua surpresa, depois de hesitar por um segundo apenas, ele obedeceu.
– Viu? – ela se virou para Edward, aliviada. – Ele foi bem treinado por alguém. E sabe que a sua arma pode feri-lo. É por isso que continua observando você com desconfiança. É um cão inteligente.
– Muito inteligente – Edward confirmou com ironia. – O bastante para viver na minha propriedade, bem debaixo do meu nariz, enquanto todos os habitantes da região tentamos caçar o "lobo" que vem invadindo galinheiros e aterrorizando a vila.
– É por isso que sai para caçar todas as manhãs? – Quando Edward assentiu, Isabella pôs-se imediatamente contra a possibilidade de o animal ser expulso dali. – Bem, ele não é um lobo, é um cachorro, como você pode ver. Além disso, eu mesma tenho cuidado de alimentá-lo todos os dias. Portanto, ele não terá mais motivos para invadir galinheiros. E é inteligente e compreende o que eu digo.
– Nesse caso, talvez deva dizer a ele que é, no mínimo, falta de educação ficar aí sentado, esperando pela oportunidade de morder a mão que, indiretamente, o está alimentando.
Isabella lançou um olhar para o fiel protetor, antes de voltar a encarar Edward.
– Acho que, se você estender a mão para mim de novo e eu disser a ele que não deve rosnar, ele vai compreender. Vamos, tente. Estenda a mão na minha direção.
– O que eu gostaria mesmo de fazer é estender a mão para o seu pescoço e esganá-la – Edward murmurou, mas fez o que ela pediu e segurou-lhe o braço.
Imediatamente, o animal retomou a posição de ataque e se pôs a rosnar.
– Não! – Isabella comandou com firmeza.
No mesmo instante, o lobo chamado Willie hesitou, relaxou e lambeu a mão dela.
– Pronto. Deu certo. Cuidarei dele e garanto que ninguém mais terá preocupações com um lobo na vizinhança.
Edward não resistiu à coragem, nem ao olhar de súplica que Isabella lhe dirigiu.
– Trate de acorrentá-lo – falou com um suspiro resignado. – Pedirei a que informe os criados de que ele não deve ser molestado, mas se o seu cachorro se aventurar em outras propriedades, será morto. Embora ele nunca tenha atacado ninguém, os fazendeiros costumam valorizar suas galinhas, além de suas famílias.
A fim de evitar discussão, Edward virou-se para cumprimentar os Collingwood e, só então, Isabella se lembrou da presença deles.
Mortificada, forçou-se a virar para encarar a mulher que Edward considerava um modelo de bom comportamento. Em vez do desdém que Isabella esperava encontrar no semblante da condessa, lady Collingwood a fitava com aparente admiração, além do esforço para conter o riso, é claro. Depois de fazer as apresentações, Edward se afastou com o conde, discutindo assuntos de negócios, deixando Isabella sozinha com a condessa.
Lady Collingwood foi a primeira a quebrar o silêncio:
– Posso acompanhá-la, enquanto acorrenta seu cão?
Isabella assentiu, torcendo as mãos.
– Deve pensar que sou a mulher mais mal-educada do mundo – murmurou, embaraçada.
– Não. Acho que é a mais corajosa.
– Só porque não tenho medo de Willie? – Isabella indagou, surpresa.
– Porque não tem medo de lorde Cullen – a condessa a corrigiu, sem mais poder conter o riso.
Examinando a bela loira e seus trajes elegantes, Isabella reconheceu a malícia divertida em seus olhos, bem como a oferta de amizade em seu sorriso. Dando-se conta que finalmente encontrara uma alma gentil naquele país pouco amigável, sentiu o ânimo se elevar.
– Para ser sincera, estava aterrorizada! – admitiu, enquanto tomava o caminho para os fundos da casa, onde amarraria seu cachorro, até convencer Edward a permitir que ele entrasse em casa.
– Mas não demonstrou, o que é muito bom, pois tenho a impressão de que toda vez que um homem se dá conta de que uma mulher tem medo de alguma coisa, ele usa isso das maneiras mais horríveis. Por exemplo, quando meu irmão Felix descobriu que eu tinha medo de cobras, colocou uma na minha gaveta de lenços. Eu ainda nem tinha me recuperado do susto, quando meu outro irmão, Royce, colocou outra na minha sapatilha de dança.
Isabella estremeceu.
– Tenho pavor de cobras – confessou. – Quantos irmãos a senhora tem?
– Seis, todos homens, e capazes de fazer as piores coisas para mim, até que aprendi a me vingar à altura. E a senhorita, tem irmãos?
– Não, só uma irmã.
Quando os cavalheiros terminaram sua discussão de negócios e se juntaram às damas para o jantar, Isabella e Rosalie já se tratavam pelo primeiro nome e se encontravam a apenas um passo de uma amizade sólida. Isabella já explicara à condessa que seu noivado com lorde Cullen não passara de um grande erro cometido por Carlisle, embora com a melhor das intenções, e falara sobre Jacob. Rosalie por sua vez, confidenciara que seus pais haviam escolhido lorde Collingwood para seu marido, mas, pelo modo como os olhos dela brilhavam cada vez que o mencionava, era evidente que o adorava.
O jantar transcorreu em meio a um clima alegre, enquanto Isabella e Rosalie comparavam suas aventuras de infância. Até mesmo lorde Collingwood contribuiu para a conversa descontraída, contando seus feitos de garoto. Ficou claro para Isabella que os três guardavam lembranças adoráveis da infância, tendo vivido cercados pelo carinho dos pais. Edward, porém, recusou-se a falar de suas próprias experiências, embora demonstrasse interesse genuíno no relato dos demais.
– Sabe mesmo usar uma arma de fogo? – Rosalie perguntou a Isabella, com ar de admiração.
– Sim. Jacob me ensinou a atirar, pois queria ter com quem competir, quando praticasse tiro ao alvo.
– E você conseguiu se transformar em uma adversária para ele?
– Sim. Na primeira vez em que ele colocou a arma em minhas mãos, segui as instruções, mirei e acertei o alvo. Não me pareceu tão difícil.
– E depois disso?
– Foi se tornando cada vez mais fácil.
– Gosto de esgrima – Rosalie contou. – Meu irmão, Ryler, costumava praticar comigo. Basta ter alguma força no braço.
– E vista boa – Isabella completou.
Lorde Collingwood sorriu.
– Eu costumava fingir que era um cavaleiro medieval e criava torneios para combater os cavalariços. Geralmente, eu me saía muito bem, mas é claro que um criado jamais teria coragem de derrubar um futuro conde de seu cavalo. Portanto, creio que não era tão bom quanto calculava ser.
– Costumava brincar de cabo-de-guerra, na América? – Rosalie voltou a se dirigir a Isabella.
– Claro! Invariavelmente, eram os meninos contra as meninas.
– Isso não é justo! Os meninos são sempre mais fortes.
– Não, se as meninas escolherem um local onde exista uma árvore e passarem à corda, sem querer, é claro, pelo troco – Isabella corrigiu com uma piscadela marota.
– Que vergonha! – Edward protestou às gargalhadas. – Vocês trapaceavam!
– Verdade, mas como as probabilidades estavam sempre contra nós, não se pode considerar tal artifício uma verdadeira trapaça.
– O que sabe sobre probabilidades? – ele inquiriu em tom de provocação.
– Está se referindo aos jogos de cartas? Para dizer a verdade não só sou capaz de calcular as probabilidades de várias rodadas, como também sei distribuir as cartas de maneira a produzir os resultados desejados. Em outras palavras, sei exatamente como roubar no jogo.
– Quem a ensinou?
– Jacob. Ele dizia serem apenas "truques" que havia aprendido na escola.
– Lembre-me de nunca apresentar esse tal de Jacob em nenhum dos clubes que freqüento – lorde Collingwood comentou. – Ele não viveria por muito tempo.
– Jacob não trapaceia – Isabella apressou-se em defender o noivo. – Acha importante saber como a trapaça é feita, para que não nos tornemos vítimas de jogadores inescrupulosos.
Reclinando-se na cadeira, Edward estudou Isabella com interesse. Era fascinante a facilidade com que ela se comportava diante dos convidados, deixando-os à vontade e garantindo que todos participassem da conversa. Também notou a maneira como seus olhos se iluminavam todas as vezes que ela mencionava Jacob e como aquele sorriso radiante contagiava o ambiente.
Isabella era inocente, cheia de vida, sem o menor traço de uma menina mimada. Apesar de sua juventude, seu comportamento apresentava uma sofisticação natural, certamente nascida de uma mente sagaz e de uma inteligência invejável.
Edward sorriu consigo mesmo ao se lembrar da coragem com que Isabella se lançara na defesa do cão que, como ela havia anunciado antes do jantar, passaria a se chamar Wolf, que significa "lobo", em inglês. Ele conhecera alguns homens corajosos, mas jamais encontrara uma mulher de verdadeira coragem. Lembrou-se da reação tímida de Isabella ao seu beijo e do desejo arrasador que ela provocara em seu corpo.
Isabella Swan era cheia de surpresas, cheia de promessas, Edward concluiu, continuando a estudá-la sub-repticiamente. Havia um toque de beleza exótica em cada traço de seu rosto, mas seu encanto ia muito além, envolvendo-lhe o riso musical e os gestos graciosos. Algo dentro dela a fazia brilhar como uma jóia perfeita, que precisava apenas dos complementos necessários, como roupas elegantes que lhe enaltecessem a beleza, uma casa magnífica onde reinaria como soberana absoluta, um marido capaz de domar-lhe os impulsos mais ousados, uma criança ao seio...
Absorvido em sua observação detalhada, Edward se lembrou de seu próprio sonho, havia muito tempo perdido, de ter uma esposa para alegrar sua mesa, uma mulher para ter nos braços, à noite, e afastar o escuro vazio que lhe ocupava o peito, uma mulher capaz de amar os filhos que ele lhe desse...
Sacudiu-se mentalmente, livrando-se dos tolos e ingênuos sonhos da juventude, bem como dos ideais jamais satisfeitos. Havia levado tais sonhos a sério, carregando-os para a vida adulta e se casando com Tanya. Fora mesmo tolo ao acreditar que uma mulher bonita pudesse transformar aqueles sonhos em realidade. Ora, fora muito mais que tolo por imaginar que uma mulher se importasse com amor e filhos, ou com qualquer coisa que não fosse dinheiro, jóias e poder. Franziu o cenho com expressão sombria ao se dar conta de que a bela Isabella era responsável pelo súbito retorno daquelas lembranças a sua mente.

[N/A Fanfic] 
Eu não disse que é ela é um anjo. Além de anjo é moleca kkkk, e muito louca! kkkk! Quem entraria no rio para resgatar um barquinho? Só a Bella, e o coitado do Edward viu o que é bom pra tosse! kkkk
O Edward já está entendendo que não pode lutar contra ele, e nem com ela, porque ele sabe que vai sair perdedor!
A Rose, vai se tornar uma grande amiga da Bella, e o Edward vai se arrepender de ter sugerido essa amizade kkkk

[N/A Blog IRL]
Alguém estava esperando por esse beijo? Eu definitivamente não estava!! 
A faísca está lançada entre esse dois... agora veremos até onde a atração vai ser superior ao ódio. Voltámos no sábado com um novo capitulo... 

Bjs e boa noite...

Irmandade Robsten Legacy 

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