terça-feira, 9 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 4

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vasto oceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...


Capítulo 4

Na manhã seguinte, Isabella acordou cedo, ao som do canto dos pássaros. Virando-se na cama, olhou pela janela aberta e deparou com o céu muito azul, pontilhado de nuvens brancas. Definitivamente, o dia convidava à vida ao ar livre.
Sem perder tempo, lavou-se e se vestiu, antes de ir para a cozinha à procura de comida para Willie. Edward Cullen fora sarcástico ao perguntar se ela era capaz de puxar um arado, pregar uma tábua ou ordenhar uma vaca. Bem, Isabella não se acreditava capaz de fazer as duas primeiras, mas vira vacas serem ordenhadas, várias vezes, em casa. A tarefa não lhe parecera difícil. Além do mais, depois de seis semanas confinada em um navio, qualquer atividade física seria bem-vinda.
Estava prestes a sair da cozinha, quando um pensamento súbito lhe ocorreu. Ignorando o olhar irado do homem de avental, que a observava como se ela fosse uma louca invadindo o seu reino, ela se dirigiu à Sra. Northrup.

– Há algo que eu possa fazer para ajudar, aqui na cozinha? – perguntou.
A Sra. Northrup arregalou os olhos.
– Não, claro que não.
Isabella suspirou.
– Nesse caso, pode me dizer onde encontrar as vacas?
– As vacas? – a outra repetiu, chocada. – Para quê?
– Vou ordenhá-las.
A mulher empalideceu, mas não disse nada. Após um momento, Isabella deu de ombros e saiu, decidida a descobrir por si mesma onde ficavam as vacas. Seguiu na direção do bosque, à procura de Carlisle. No mesmo instante, a Sra. Northrup limpou a farinha das mãos e foi ao encontro do Sr. Northrup, na porta da frente.
Ao se aproximar das árvores, Isabella avistou Willie. Por um momento, distraiu-se com o pensamento de que tal nome não combinava muito bem com um animal tão grande, de aspecto tão feroz. Embora continuasse sentindo medo, aproximou-se mais do que na véspera, antes de colocar o prato de sobras no chão e murmurar:
– Veja, Willie, eu trouxe o café da manhã. Venha comer.
Os olhos do animal pousaram na comida, mas ele não se moveu.
– Não quer chegar um pouquinho mais perto? – Isabella insistiu, determinada a fazer amizade com o cachorro de Edward Cullen, já que o dono era inatingível.
Infelizmente, o cão não se mostrou mais amigável que o dono, limitando-se a fitá-la com olhar desconfiado e ameaçador. Com um suspiro, Isabella se afastou, deixando o prato no chão.
Um jardineiro lhe explicou onde encontrar as vacas e Isabella foi até o celeiro, impecavelmente limpo e bem cuidado. Então, parou diante de uma dúzia de vacas, que a observavam com seus olhos grandes e brilhantes. Apanhou um banquinho e um balde e se aproximou da mais gorda.
– Bom dia – cumprimentou-a e afagou-lhe a cabeça, enquanto tentava reunir coragem.
Agora que se via diante da tarefa imposta por si mesma, já não tinha certeza de que sabia como proceder. Após alguns instantes de hesitação, Isabella se sentou no banquinho e posicionou o balde sob as tetas da vaca. Lentamente, arregaçou as mangas do vestido e ajeitou a saia em torno de si. Sem perceber a presença do homem que acabara de entrar, afagou o flanco do animal e respirou fundo.
– Devo ser totalmente honesta com você – confessou em voz alta. – A verdade é que nunca fiz isso antes.
Tal admissão interrompeu as passadas largas de Edward, que parou para observá-la com olhar divertido. Sentada no banquinho, ela mais parecia uma princesa ocupando seu trono. Seu perfil bem desenhado era realçado pelos cabelos castanho-avermelhados que brilhavam aos raios do sol que invadiam o celeiro.
Quando Isabella se abaixou para ajeitar melhor o balde, Edward não pode deixar de notar as curvas promissoras dos seios fartos, insinuados pelo decote do vestido preto. As palavras que ela pronunciou a seguir forçaram-no a reprimir uma gargalhada.
– Isso vai ser tão embaraçoso para mim quanto para você.
Isabella estendeu as mãos e tocou as tetas da vaca, encolhendo-se com uma careta de desgosto. Respirou fundo e tentou novamente, apertando com rapidez, duas vezes seguidas, antes de encolher de novo. Então, espiou dentro do balde, cheia de esperança. Não havia nem uma gota de leite.
– Ah, por favor, não torne as coisas ainda mais difíceis – implorou à vaca.
Repetiu o processo mais duas vezes, mas nada aconteceu. Frustrada, na terceira tentativa, apertou as tetas com força excessiva , fazendo a vaca virar a cabeça e lhe lançar um olhar furioso.
– Estou fazendo a minha parte – Isabella declarou, devolvendo o olhar maligno. – O mínimo que você poderia fazer é a sua.
Atrás dela, uma voz masculina advertiu:
– O leite vai coalhar, se continuar olhando para ela desse jeito.
Sobressaltada, Isabella virou-se no banquinho.
– Você! – exclamou, mortificada pela cena que ele acabara de testemunhar. – Por que tem de ser sempre tão sorrateiro? O mínimo que poderia fazer é...
– Bater? – ele sugeriu, esforçando-se para não rir. – Costuma conversar com animais com freqüência?
Isabella não sentia a menor disposição para se submeter a zombarias e, pelo brilho nos olhos dele, era exatamente o que Edward estava fazendo. Com toda a dignidade que lhe restava se levantou e alisou a saia. Então, tentou passar por ele.
Com um movimento rápido, Edward a segurou pelo braço.
– Não vai terminar a ordenha?
– Você já sabe que não posso.
– Por que não?
Isabella empinou o queixo e fitou-o diretamente nos olhos.
– Porque não sei como fazê-lo.
– Quer aprender?
– Não. Se tirar a mão do meu braço – ela falou, ao mesmo tempo em que arrancava o braço do aperto firme —, vou procurar outra coisa que eu possa fazer para pagar pelo meu sustento aqui.
Sentiu o olhar dele segui-la, enquanto se afastava, mas sua atenção foi logo distraída, quando ela avistou Willie, em seu esconderijo atrás das árvores, a observá-la. Sentiu um arrepio na espinha, mas decidiu ignorá-lo. Acabara de ser intimidada por uma vaca e por nada no mundo permitiria que um cachorro fizesse o mesmo.
Edward observou-a desaparecer e, então, afastou da mente a imagem da garota angelical e voltou ao trabalho que abandonara quando Amun o informara de que a srta. Swan fora ordenhar as vacas.
Retomando seu lugar atrás da escrivaninha, dirigiu-se ao seu secretário.
– Onde estávamos, Benjamin?
– O senhor estava ditando uma carta para o seu homem em Delhi, milorde.
Tendo falhado em sua tentativa com a vaca, Isabella procurou pelo jardineiro que lhe explicara como chegar ao celeiro. Aproximou-se dele e perguntou se poderia ajudar a plantar os bulbos que os demais estavam colocando nos canteiros circulares.
– Cuide dos seus afazeres no celeiro e fique fora do nosso caminho, mulher! – ele respondeu, mal-humorado.
Isabella desistiu. Sem se dar ao trabalho de explicar que não tinha afazeres no celeiro, deu a volta na casa e foi para o único lugar onde estaria realmente capacitada a realizar algo útil: a cozinha.
Assim que a viu desaparecer no caminho de pedra, o jardineiro largou sua pá e saiu à procura de Amun.
Sem ser notada, Isabella permaneceu ao lado da porta da cozinha por algum tempo. Oito criadas trabalhavam, preparando uma refeição, cujo prato principal parecia ser ensopado de carne com verduras, além de pão e meia dúzia de outros acompanhamentos. Desolada com as duas tentativas frustradas de ser útil, tratou de ser certificar de que seria realmente capaz de desempenhar aquela tarefa. Então, aproximou-se do temperamental cozinheiro francês.
– Eu gostaria de ajudar.
– Non! – ele gritou, evidentemente confundindo-a com uma criada, por causa do vestido preto simples. – Saia! Saia daqui! Vá cuidar do seu trabalho!
Isabella já estava cansada de ser tratada como uma idiota inútil. Com voz educada, porém firme, argumentou:
– Posso ajudar aqui e é óbvio, pelo modo como todas estão trabalhando, que o senhor está precisando de mais gente.
O cozinheiro pareceu prestes a explodir.
– Você não foi treinada! – o outro trovejou. – Saia! Quando Demetri precisar, ele pedirá ajuda e ele mesmo cuidará do seu treinamento.
– Não há absolutamente nada de complicado na preparação de um ensopado, monsieur – Isabella persistiu, exasperada. Ignorando a tonalidade escarlate que tomara conta das faces do homem, diante da maneira insolente como ela se referia a sua culinária complexa, continuou: – Tudo o que se tem de fazer é cortar as verduras nesta mesa e jogá-las naquela panela.
O cozinheiro emitiu um som abafado, antes de arrancar o avental.
– Farei com que seja expulsa desta casa dentro de cinco minutos! – ele anunciou, ao sair da cozinha.
Nos momentos de silêncio tenso que se seguiram, Isabella olhou em volta, para as criadas que a fitavam, petrificadas, com expressões que iam da simpatia ao divertimento.
– Meus Deus, menina – uma senhora de meia-idade falou, limpando a farinha das mãos. – O que deu em você para provocá-lo? Ele vai mesmo exigir que seja expulsa desta casa.
Exceto por Emily, a criada que cuidava do quarto de Isabella, aquela era a primeira voz amigável que ela ouvia entre os criados da propriedade. Infelizmente, estava tão arrasada por ter criado problemas, quando só queria ajudar, que a simpatia da mulher quase a reduziu às lágrimas.
– Não que você estivesse errada ao dizer que é simples fazer um ensopado – a criada continuou, dando-lhe um tapinha no ombro. – Qualquer uma de nós poderia se encarregar da cozinha sem André, mas o lorde faz questão do melhor e André é considerado o melhor cozinheiro do país. Agora, convém você arrumar as suas coisas, pois não há dúvida de que será demitida imediatamente.
– Não sou uma criada, mas sim uma hóspede – Isabella informou-a em voz baixa. – Pensei que a senhora Northrup tivesse informado vocês sobre isso.
A mulher se limitou a fitá-la, boquiaberta.
– Não, senhorita, ela não disse nada. Os criados são proibidos de conversar e a senhora Northrup seria a última a desobedecer às ordens, pois é parente do senhor Amun Northrup, o mordomo. Eu sabia que tínhamos uma hóspede, mas... – Lançou um olhar para o vestido simples de Isabella, provocando-lhe intenso rubor nas faces. – Quer comer alguma coisa?
Os ombros de Isabella vergaram de frustração e desespero.
– Não, mas gostaria de preparar um cataplasma para aliviar a dor de dente do senhor O'Malley. Só preciso de alguns ingredientes simples.
A mulher se apresentou como a Sra. Craddock e lhe mostrou onde encontrar os ingredientes que desejava. Isabella se pôs a trabalhar, temendo que o "lorde" entrasse na cozinha a qualquer momento e a humilhasse publicamente.
Edward acabara de retomar a carta que havia parado de ditar ao ser informado de que Isabella fora ordenhar as vacas, quando Amun bateu na porta de novo,
– O que foi, agora? – indagou, impaciente, ao ver o mordomo entrar.
– Foi à senhorita Swan novamente, milorde. Ela... bem... ela tentou ajudar o jardineiro-chefe a plantar bulbos. Ele a confundiu com uma criada e, agora que o informei de que ela é uma hóspede, está preocupado em saber se o senhor está descontente com o trabalho dele e, por isso, mandou-a até lá para...
– Diga ao jardineiro – Edward o interrompeu com voz gelada – que volte ao trabalho. Então, diga à senhorita Swan para ficar fora do caminho dele. E você – acrescentou em tom ameaçador – fique fora do meu! Tenho trabalho a fazer. – Virou-se para o secretário e inquiriu: – Onde estávamos, Benjamin?
– Na carta para o seu homem em Delhi, milorde.
Edward havia ditado apenas duas linhas, quando ouviu uma comoção do outro lado da porta de seu escritório. Um segundo depois, a porta se abriu e o cozinheiro entrou, seguido pelo desesperado Amun, que tentava impedi-lo de todas as maneiras.
– Ou ela sai ou saio eu! – monsieur Demetri declarou aos brados, encaminhando-se para a escrivaninha de Edward. – Não admito que aquela ruivinha ponha os pés na minha cozinha!
Com calma assustadora, Edward colocou a pena na mesa e ergueu os olhos para o cozinheiro.
– O que disse?
– Disse que não admito...
– Saia – Edward ordenou com voz macia.
O cozinheiro empalideceu.
– Oui – respondeu, apressado, recuando alguns passos. – Voltarei para a cozinha...
– Saia da minha casa – Edward esclareceu – e da minha propriedade. Agora!
Pondo-se de pé, Edward saiu do escritório e marchou para a cozinha.
As criadas ficaram petrificadas ao vê-lo.
– Alguma de vocês sabe cozinhar? – ele perguntou, sem preâmbulos.
Imediatamente, Isabella concluiu que o cozinheiro pedira demissão por causa dela. Horrorizada com a idéia, adiantou-se, mas o olhar de Edward indicou que se ela se oferecesse para ocupar a posição, as conseqüências poderiam ser nefastas. Ele olhou em volta, furioso e contrariado.
– Será possível que ninguém aqui sabe cozinhar? – repetiu.
A sra. Craddock hesitou e, então, falou:
– Eu sei milorde.
– Ótimo. A partir de agora, é a responsável pela cozinha. No futuro, por favor, dispense aqueles molhos franceses horríveis que tenho sido obrigado a comer. – Com isso, Edward virou-se para Isabella e ordenou: – Fique longe do celeiro, dos jardins e da cozinha!
Ele saiu e as criadas se viraram para Isabella com um misto de choque e gratidão. Envergonhada pelos problemas que havia causado, ela se limitou a abaixar a cabeça e continuar a preparar o cataplasma para o Sr. O'Malley.
– Ao trabalho! – a sra. Craddock ordenou a todas com um sorriso. – Temos de provar ao lorde que somos capazes de cuidar da cozinha, sem termos nossos tímpanos ofendidos, ou nossas mãos atingidas por colheres de pau!
Isabella ergueu os olhos, fitando a mulher com olhar surpreso e horrorizado.
– Ele é um tirano cruel – a sra. Craddock explicou, referindo-se ao cozinheiro francês. – Somos profundamente gratas por ter-nos livrado dele.
Com exceção do dia em que seus pais haviam morrido, Isabella não se lembrava de ter tido um dia pior em sua vida. Apanhou a mistura que seu pai a ensinara preparar para aliviar dores de dente e saiu.
Como não encontrasse O'Malley, procurou por Amun e o encontrou saindo de um aposento repleto de livros. Lá dentro, avistou Edward sentado a uma escrivaninha, conversando com um homem de óculos.
– Senhor Northrup – chamou com voz sufocada e estendeu-lhe a mistura —, poderia fazer a gentileza de entregar isto ao senhor O'Malley? Diga a ele para aplicar o cataplasma sobre o dente e a gengiva, várias vezes ao dia. Vai ajudar a tirar a dor e diminuir o inchaço.
Distraído mais uma vez pelo som de vozes próximas à porta de seu escritório, Edward largou o papel que estivera lendo, levantou-se para abrir a porta. Sem perceber a presença de Isabella, que já subia a escada, dirigiu-se a Amun:
– Que diabo ela fez desta vez?
– Ela... ele fez um remédio para o dente de O'Malley, milorde – o mordomo respondeu com voz tensa, apontando um dedo trêmulo para a escada.
Edward virou-se e estreitou os olhos ao deparar com a figura delicada e cheia de curvas que subia a escada.
– Isabella – chamou.
Ela virou-se, preparada para ouvir um sermão rude, mas ele falou com voz controlada, embora autoritária.
– Não use mais roupas pretas. Não gosto.
– Sinto muito se as minhas roupas o ofendem – ela respondeu com dignidade —, mas estou de luto pela morte de meus pais.
Edward franziu o cenho, porém esperou que ela desaparecesse para voltar a se dirigir a Northrup.
– Mande alguém até Londres para comprar roupas decentes para ela. Então, livre-se daqueles trapos pretos.
Quando Carlisle desceu para o almoço, Isabella se sentou ao lado dele, em postura submissa.
– Meu Deus, menina! O que aconteceu? Está pálida como um fantasma.
Isabella confessou suas desventuras da manhã e Carlisle ouviu os lábios trêmulos de riso.
– Excelente! – exclamou quando ela terminou. – Vá em frente e vire a vida de Edward de pernas para o ar, minha querida. É exatamente do que ele precisa. Na superfície, ele pode parecer frio e duro, mas se trata de mera aparência. A mulher certa será capaz de descobrir a gentileza que se esconde dentro dele. E quando isso acontecer, Edward vai fazê-la muito feliz. Entre outras coisas, ele é um homem muito generoso...
Carlisle ergueu as sobrancelhas, deixando a frase interrompida no ar. Isabella se sentiu constrangida diante do olhar atento do primo e se perguntou se Carlisle poderia estar acalentando alguma esperança de que ela fosse essa mulher. Além de não acreditar que houvesse nem sequer uma fibra de gentileza em Edward Cullen, ela não queria nenhum tipo de envolvimento com ele. Porém, em vez de dizer isso ao bondoso Carlisle, mudou de assunto com muito tato.
– Devo receber notícias de Jacob nas próximas semanas.
– Ah, sim... Jacob – ele murmurou com expressão sombria.
No dia seguinte, levou Isabella para um passeio de carruagem pela vila mais próxima e, embora o que visse provocasse imensa saudade de casa, Isabella adorou a saída. Flores desabrochavam em todos os lugares: em floreiras, onde eram tratadas com cuidado e carinho, e nas montanhas e campos, onde ficavam aos cuidados somente da mãe natureza. A vila era linda com suas casinhas caiadas e ruas de paralelepípedos. Isabella se apaixonou instantaneamente pelo lugar.
Toda vez que saíam de uma das pequenas lojas, os habitantes da vila paravam, tiravam o chapéu e se curvavam. Dirigiam-se a Carlisle como "alteza" e, embora ele não soubesse o nome de nenhum deles, tratava a todos com simpatia e simplicidade, sem dar a menor atenção à diferença social que os separava.
Quando retornaram a Wakefield Park, naquela tarde, Isabella se sentia bem mais otimista com relação a sua nova vida e já nutria esperanças de poder conhecer melhor os habitantes da vila.
A fim de evitar novos problemas para si mesma, limitou as atividades do resto do dia à leitura em seu quarto, além de duas excursões ao bosque, onde tentou sem sucesso maior aproximação de Willie.
Antes do jantar, deitou-se e dormiu, refletindo que novos conflitos entre ela e Edward Cullen poderiam ser evitados, se ela se mantivesse fora do caminho dele, como fizera o dia todo.
Estava enganada. Quando acordou, Emily guardava uma porção de vestidos coloridos no armário.
– Não são meus – Isabella informou-a com voz sonolenta, ao se levantar.
– São sim, senhorita! – Emily corrigiu-a com entusiasmo. – O lorde mandou comprá-los em Londres.
– Por favor, diga a ele que não vou usá-los – Isabella pediu com gentileza, apesar do tom firme.
– Ah, não, senhorita! Não posso fazer isso!
– Pois eu posso! – Isabella declarou, abrindo o outro armário, a fim de apanhar um de seus vestidos.
– Não estão mais aí – Emily explicou, aflita. – Eu os levei embora. Foram ordens do lorde...
– Entendo – Isabella tranqüilizou-a, embora fosse invadida por uma fúria que jamais se imaginara capaz de sentir.
– Senhorita – a criada chamou, torcendo as mãos —, o lorde disse que poderei assumir a posição de sua criada pessoal, se meus serviços forem satisfatórios.
– Não preciso de uma criada, Emily.
Os ombros da moça vergaram.
– Seria bem melhor do que minhas tarefas atuais...
– Está bem – Isabella concedeu, incapaz de resistir ao tom de súplica de Emily. – O que uma "criada pessoal" faz?
– Bem, devo ajudá-la a se vestir e cuidar para que seus vestidos estejam sempre limpos e passados. E também devo arrumar seus cabelos. Posso? A senhorita tem cabelos tão lindos e minha mãe sempre diz que tenho jeito para isso.
Isabella concordou, não porque fizesse questão de ter os cabelos arrumados, mas porque precisava de tempo para se acalmar, antes de enfrentar Edward Cullen. Uma hora depois, usando um vestido de seda cor de pêssego, com delicados laços de cetim da mesma cor, Isabella examinou seu reflexo no espelho. Seus cabelos estavam presos no topo da cabeça, de onde cachos cor de mogno saltavam em um arranjo sofisticado, entremeados por fitas idênticas às do vestido. Suas faces apresentavam-se coradas pela raiva e seus olhos chocolates faiscavam de ressentimento e vergonha.
Nunca vira, nem imaginara um vestido tão maravilhoso quanto aquele e, também, nunca sentira tamanho desprazer com sua própria aparência. Não a agradava em nada ser forçada a desrespeitar a morte recente de seus pais.
– Ah, senhorita! – Emily exclamou, cruzando as mãos diante do peito. – Está tão linda! O lorde não vai acreditar quando a vir!
Emily tinha razão, mas Isabella estava furiosa demais para se sentir gratificada pela expressão de fascínio nos olhos de Edward, quando ele entrou na sala de jantar.
– Boa noite, tio Carlisle – cumprimentou o primo com um beijo no rosto, notando que Edward se pusera de pé.
Invadida por profunda rebeldia, Isabella virou-se para ele e permaneceu calada, fitando-o com ressentimento e desprezo, enquanto os olhos verdes do lorde passeavam com insolência por seu corpo. Embora estivesse habituada a receber olhares de admiração de diversos cavalheiros, Isabella reconheceu que não havia nada de cavalheiresco no modo como Edward a examinava.
– Terminou? – indagou, furiosa.
Sem pressa, ele ergueu os olhos para ela, ao mesmo tempo em que um sorriso maroto lhe curvava os lábios, diante do antagonismo de Isabella nem sequer tentara disfarçar. Edward estendeu a mão e, em uma reação automática, Isabella recuou um passo, antes de se dar conta que ele só pretendia puxar a cadeira para que ela se sentasse.
– Cometi mais uma gafe, como não bater na porta? – ele perguntou em tom divertido, aproximando perigosamente os lábios da face de Isabella, quando ela se sentava. – Não é costume na América um cavalheiro ajudar uma dama a se sentar?
Isabella afastou a cabeça com um gesto brusco.
– Está me ajudando a sentar, ou tentando comer a minha orelha?
Edward não conteve um sorriso.
– Talvez eu faça isso, caso a nova cozinheira tenha preparado uma refeição insatisfatória. – Ao se sentar, virou-se para Carlisle e explicou: – Despedi aquele francês gordo.
Isabella se sentiu culpada por sua parte no incidente, mas estava tão zangada com a atitude de Edward ao ordenar que se livrassem de seus vestidos, que nem mesmo o sentimento de culpa diminuiu sua ira. Decidida a tratar do assunto em particular, mais tarde, dirigiu-se exclusivamente a Carlisle, durante o jantar. Porém, à medida que a refeição prosseguia, foi se tornando constrangida pelo modo como Edward Cullen a observava, por entre as velas do castiçal que ocupava o centro da mesa.
Edward levou o copo aos lábios, estudando-a. Sabia que Isabella estava furiosa por ele ter mandado a criada dar fim àqueles trapos pretos. Tanto que, a julgar pelo brilho assassino naqueles espetaculares olhos chocolates, ela não hesitaria em agredi-lo, caso tivesse a oportunidade.
Ali estava uma verdadeira beldade, orgulhosa e cheia de coragem, Edward pensou com imparcialidade. Antes, ela lhe parecera uma garota bonita, mas ele não imaginara uma transformação tão fascinante, resultante da simples mudança nos trajes. Talvez, seu ódio da cor do luto fosse tão intenso, que os vestidos haviam prejudicado a sua percepção. De qualquer maneira, Edward não tinha dúvidas de que Isabella Swan enlouquecera os rapazes, na América. E também não tinha dúvidas de que ela repetiria a façanha na Inglaterra. Ora, ela arrasaria os rapazes e os homens, Edward se corrigiu.
E era justamente esse o seu problema. Apesar das curvas sedutoras e do rosto perfeito, Edward começava a se convencer de que Isabella era mesmo a garota inocente e inexperiente que Carlisle defendera. Uma inocente que fora parar à porta de sua casa e por quem Edward se tornara involuntariamente responsável. A imagem de si mesmo no papel de protetor de Isabella, guardião da virtude de uma moça solteira, era tão ridícula que ele quase riu alto. Porém, era exatamente aquele papel que ele seria forçado a desempenhar. Qualquer pessoa que o conhecesse acharia a situação tão ridícula quanto ele, considerando-se a sua notória reputação com as mulheres.
O'Malley serviu-lhe mais vinho e Edward bebeu, pensativo, tentando imaginar uma maneira rápida e eficiente de se livrar de Isabella o mais depressa possível. Quanto mais considerava a questão mais se convencia de que deveria providenciar a temporada londrina que Carlisle estava tão ansioso para proporcionar a ela.
Com a beleza exuberante de Isabella, seria muito fácil lançá-la com sucesso na sociedade. E, com a ajuda de um pequeno dote, proporcionado por ele mesmo, seria igualmente fácil conseguir-lhe um casamento seguro. Por outro lado, se Isabella realmente acreditava que o tal Jacob iria buscá-la, poderia insistir em esperar meses, ou quem sabe anos, antes de aceitar a proposta de outro homem. E tal possibilidade não satisfazia as necessidades de Edward de maneira nenhuma.
A fim de avaliar seu plano, ele aproveitou a primeira pausa na conversa de Isabella e Carlisle.
– Carlisle me contou que está praticamente noiva de... Jason? Jared?
– Jacob – ela corrigiu-o de pronto.
– Como ele é? Edward perguntou.
Um sorriso afetuoso curvou os lábios de Isabella.
– Ele é gentil, atraente, inteligente, amável...
– Acho que já posso fazer uma idéia – Edward a interrompeu contrariado. – Aceite um conselho: esqueça-o.
Reprimindo o impulso de atirar algum objeto pesado nele, Isabella indagou:
– Por quê?
– Ele não é o homem certo para você. Em quatro dias, você virou minha casa de pernas para o ar. Que tipo de casamento teria com um aldeão sereno, determinado a levar uma vida calma e organizada? O melhor a fazer é esquecê-lo e aproveitar ao máximo as suas oportunidades aqui.
– Em primeiro lugar... – Isabella começou, mas foi prontamente interrompida por Edward, que parecia determinado a lançar as sementes da discórdia.
– É claro que existe a possibilidade de você não conseguir esquecê-lo, mas será esquecida por Jared assim mesmo. Como é mesmo o ditado? "Longe dos olhos, longe do coração."
Fazendo um esforço sobre-humano para se controlar, Isabella permaneceu calada.
– Não vai discutir? – Edward provocou-a, admirando o modo como à raiva fazia os olhos dela escurecerem. – Não acredito!
Isabella empinou a queixo.
– No meu país, senhor Cullen, discutir à mesa é considerado uma grande falta de educação.
A reprimenda fez Edward se divertir ainda mais.
– O que deve ser uma grande inconveniência para você – retrucou com voz macia.
Carlisle reclinou-se na cadeira, com um sorriso nos lábios, observando a discussão acalorada do filho com a jovem beldade que o fazia lembrar-se da mãe dela. Eram perfeitos um para o outro. Ao contrário da maioria das mulheres, Isabella não se deixava impressionar por Edward. Sua coragem e generosidade o tornariam mais gentil e, uma vez domado, Edward se transformaria no tipo de marido que todas as moças sonham encontrar. Juntos, os dois seriam felizes e Isabella daria um filho a Edward.
Invadido por profunda alegria, Carlisle imaginou o neto que eles lhe dariam, depois que se casassem. Depois de todos aqueles anos de vazio e desespero, ele e Renée finalmente teriam um neto juntos. Bem era verdade que Edward e Isabella não estavam se dando muito bem no momento, mas isso já era esperado. Edward era um homem experiente, endurecido e amargo, e tinha bons motivos para isso. Isabella por sua vez, tinha coragem, o espírito e a generosidade de Renée. E Renée havia mudado a vida do próprio Carlisle. Ela lhe ensinara o significado do amor. Assim como da perda. A mente de Carlisle vagou pelos eventos do passado, que haviam levado ao que acontecia agora...
Ao completar vinte e dois anos de idade, Carlisle já conquistara a merecida reputação de libertino, jogador e encrenqueiro. Não tinha responsabilidades, restrições e absolutamente nenhuma perspectiva de vida, uma vez que o irmão mais velho herdara o título de duque, juntamente com as propriedades e o dinheiro da família. O dinheiro, na verdade, era pouco, pois durante quatrocentos anos, os homens da família Cullen haviam demonstrado uma forte tendência para todo tipo de vícios caros. De fato Carlisle não era pior que o pai, ou que o avô. O irmão mais novo de Carlisle foi o único Cullen a manifestar o desejo de combater as tentações do demônio, mas fez isso com o excesso típico dos Cullen, tornando-se missionário e se mudando para a Índia.
Mais ou menos na mesma época, a amante francesa de Carlisle anunciara que estava grávida. Quando Carlisle lhe ofereceu dinheiro, sem mencionar casamento, ela chorou e brigou, mas não conseguiu fazê-lo mudar de idéia. Finalmente, decidiu abandoná-lo, furiosa. Uma semana depois do nascimento de Edward, ela visitou Carlisle e, sem a menor cerimônia, abandonou o filho e desapareceu. Ao mesmo tempo em que não sentia nenhuma disposição de arcar com a responsabilidade de criar um filho, Carlisle não foi capaz de simplesmente abandonar o menino em um orfanato. Em um momento de grande inspiração, teve a brilhante idéia de entregar Edward para o irmão missionário e sua feia esposa, que estavam de partida para a Índia, a fim de "converter os pagãos".
Sem nenhuma hesitação, dera o bebê àqueles dois fanáticos religiosos, tementes a Deus, junto com praticamente todo o dinheiro que possuía, para ser usado nas despesas com Edward. Com isso, lavou as mãos.
Até então, Carlisle conseguira se sustentar com o dinheiro que obtinha nas mesas de jogos. A sorte, porém, caprichosa que era, acabou por abandoná-lo. Aos trinta e dois anos, Carlisle foi obrigado a encarar o fato de que já não era possível manter o padrão de vida adequado a um homem da sua posição apenas com os rendimentos de jogos e apostas. Tratava-se de um problema comum entre os filhos mais novos de famílias nobres e Carlisle o resolveu da mesma maneira que a maioria deles fazia: decidiu trocar o nome ilustre por um bom dote. Com indisfarçável indiferença, pediu em casamento a filha de um mercador, uma moça de muito dinheiro, alguma beleza e pouquíssima inteligência.
Tanto a jovem, quanto o pai aceitaram prontamente o pedido. Até mesmo o irmão mais velho de Carlisle, o duque, concordou em patrocinar uma festa para comemorar as bodas.
E fora exatamente naquela ocasião que Carlisle reencontrou sua prima distante, Renée Langston, a neta de dezoito anos da duquesa de Claremont. Quando a vira pela última vez, estava fazendo uma de suas raras visitas ao irmão, em Wakefield, e Renée, então com dez anos, passara as férias em uma propriedade vizinha. Durante duas semanas inteiras, ela o seguiu a todos os lugares, sem esconder o brilho de grande admiração nos olhos incrivelmente azuis. Carlisle a considerava uma garota muito bonita, dona de coragem infinitamente maior que muitas mulheres com o dobro da idade dela. Juntos, saltaram obstáculos em seus cavalos e empinaram papagaios.
Agora, ela havia se transformado em uma mulher de beleza ímpar e Carlisle não era capaz de desviar os olhos dos dela.
Fingindo-se impassível e indiferente, ele estudara aquela mulher fascinante, seus traços perfeitos, os cabelos dourados, enquanto ela se mantinha à margem da verdadeira multidão que apinhava o salão, parecendo serena e etérea. Então, Carlisle se aproximou e, com ar casual, apoiou um braço no consolo da lareira, admirando a beleza de Renée com olhar franco e ousado. Esperava que ela manifestasse algum tipo de objeção a suas maneiras diretas, mas Renée não fez nenhuma. Não corou, nem tentou fugir ao escrutínio. Simplesmente, sustentou-lhe o olhar, como se estivesse esperando que ele terminasse a sua avaliação.
– Olá, Renée – Carlisle finalmente a cumprimentara.
– Olá, Carlisle.
– Está achando a festa tão tediosa quanto eu, querida?
Em vez de balbuciar alguma tolice sobre a festa estar maravilhosa, Renée fixara os olhos nos dele e respondera com calma e tranqüilidade:
– É o prelúdio perfeito para um casamento que vai acontecer por motivos exclusivamente monetários.
A franqueza dela o apanhara de surpresa, embora o que realmente o desarmasse fosse à estranha sombra de acusação que obscureceu os olhos de Renée, antes que ela se virasse e começasse a se afastar. Sem pensar, Carlisle a segurou pelo braço. O contato físico inocente provocou uma reação inesperada em ambos. Então, Carlisle a levou para o jardim. À luz do luar, ele a fitou nos olhos e, porque a acusação dela o atingira em cheio, sua voz soou rude:
– É muita presunção de sua parte concluir que o dinheiro é a única razão pela qual vou me casar com Esme. As pessoas têm inúmeras razões para tomar decisões como essa.
Mais uma vez, aquele olhar desconcertante sustentara o dele.
– Não, em se tratando de pessoas como nós – ela argumentara. – Nós nos casamos para aumentar a riqueza, ou o poder de nossas famílias, ou para melhorar nossa posição social. No seu caso, o casamento servirá para aumentar a sua riqueza.
Ora, era evidente que Carlisle estava trocando sua linhagem aristocrática por dinheiro e, embora tal prática fosse comumente aceita, Renée o fizera sentir-se indigno.
– E quanto a você? – ele reagira. – Não vai se casar por uma dessas razões, também?
– Não. Vou me casar por amar alguém e ser amada pela mesma pessoa. Não vou aceitar um casamento como o que meus pais tiveram. Quero mais da vida e tenho muito mais para dar.
As palavras pronunciadas em tom suave carregavam tamanha convicção, que Carlisle permanecera em silêncio por um longo momento, antes de dizer:
– Sua avó não vai ficar nada satisfeita se você se casar por amor, em vez de por posição social, minha cara. Correm boatos de que ela quer uma aliança com os Winston e que pretende obtê-la através do seu casamento.
Renée sorrira pela primeira vez, fazendo o coração de Carlisle disparar no peito.
– Minha avó e eu – replicara em tom casual – já discutimos esse assunto diversas vezes. Estou tão determinada quanto ela a fazer as coisas a meu modo.
Ela era tão linda, franca e honesta, que a armadura de cinismo que circundara Carlisle durante trinta anos começou a derreter, fazendo-o sentir-se subitamente vazio e solitário. Sem se dar conta do que fazia, ele ergueu a mão e, com a ponta do dedo, tocou de leve a face de Renée, murmurando com ternura:
– Espero que o homem que venha a amar seja digno de você.
Por um momento interminável, Renée estudara-lhe as feições, como se fosse capaz de enxergar-lhe a alma. Então, sussurrara baixinho:
– Eu acho que é mais uma questão de saber se eu posso ser digna dele. Ele precisa muito de mim, mas só está começando a perceber isso agora.
Após um breve instante, o significado das palavras de Renée haviam atingido a mente de Carlisle e ele ouviu a própria voz murmurar o nome dela com o desespero febril de um homem que acabara de descobrir o que estivera procurando, sem nem sequer se dar conta, por toda a sua vida: uma mulher que o amasse pelo que ele era, pelo que queria ser. E Renée não tinha outra razão para amá-lo, pois sua linhagem era tão aristocrática quanto à dele, seu círculo de amizades muito superior, sua riqueza, infinitamente maior.
Carlisle a fitara, tentando negar os sentimentos que o invadiam. Aquilo era uma grande loucura, disse a si mesmo. Afinal, eles mal se conheciam. Não era o tipo de jovem tolo que acreditava que um homem e uma mulher podiam se apaixonar à primeira vista. Aliás, até aquele momento, Carlisle nem sequer acreditara em amor. Agora porém, acreditava, pois queria que aquela mulher bonita, inteligente e idealista o amasse. Pela primeira vez em sua vida, encontrara algo raro e valioso, e estava determinado a manter aquela mulher exatamente como era. Queria se casar com ela e mimá-la, protegê-la contra o cinismo que parecia corromper todos os membros de sua classe social.
A idéia de pôr um fim ao seu noivado com Esme não pesava em sua consciência, pois Carlisle não acalentava ilusão alguma com relação às razões pelas quais ela aceitara se casar com ele. Era verdade que Esme sentia uma certa atração por Carlisle, mas iria se casar porque o pai desejava se unir à nobreza.
Por duas semanas inesquecíveis, Carlisle e Renée haviam conseguido manter seu amor em segredo. Foram as duas semanas de preciosos momentos a sós, de longas caminhadas pelos campos, de muito riso e sonhos sobre o futuro.
Ao final daquele período, Carlisle já não podia mais adiar um encontro com a duquesa de Claremont. Queria se casar com Renée.
Estava preparado para as objeções da duquesa, pois, embora sua família fosse nobre e tradicional, ele era um mero segundo filho, sem título. Ainda assim, tais casamentos ocorriam com freqüência e Carlisle imaginava que após algumas discussões, a duquesa cederia porque Renée desejava aquela união tanto quanto ele. Nem lhe passara pela cabeça que ela ficaria enlouquecida de raiva, que o chamasse de "oportunista libertino" e "degenerado corrupto e devasso". Também não esperava que ela mencionasse o comportamento promíscuo de seus ancestrais, bem como o dele mesmo, e muito menos que rotulasse os homens de sua família como "loucos irresponsáveis".
Acima de tudo, Carlisle não imaginara que ela fosse capaz de jurar que se Renée se casasse com ele, seria deserdada e ficaria sem um tostão. Afinal, esse tipo de coisa não ocorria na sociedade londrina. Porém, ao sair daquela casa, Carlisle tinha a mais absoluta certeza de que a duquesa faria exatamente o que havia ameaçado. Uma vez em seus aposentos, ele passou a noite em claro, alternando momentos de ódio e desespero. Ao amanhecer Carlisle sabia que não poderia se casar com Renée, pois, mesmo estando disposto a ganhar a vida honestamente, com as próprias mãos, se fosse necessário, jamais admitira que a sua bela e orgulhosa Renée fosse rebaixada por sua causa. Não seria o responsável por ela ser deserdada pela família e marginalizada pela sociedade.
Simplesmente não poderia permitir que ela se transformasse em uma dona de casa comum. Renée era jovem e idealista, além de estar apaixonada por ele, mas também estava habituada a vestidos bonitos e criados para satisfazer todas as suas vontades. E não seria com o fruto de seu trabalho que Carlisle conseguiria oferecer essas coisas à esposa. Renée jamais lavara um prato, ou esfregara um chão, ou passara uma peça de roupa, e ele não a veria reduzida a esse tipo de vida só por ter sido tola o bastante para amá-lo.
Quando, finalmente, conseguira marcar um encontro clandestino com ela, no dia seguinte, Carlisle a informou de sua decisão. Renée argumentou que o luxo não significava nada para ela, implorou que ele a levasse para a América, onde ouvira dizer que qualquer homem era capaz de estabelecer uma vida decente, desde que estivesse disposto a trabalhar.
Sentindo-se incapaz de suportar as lágrimas dela, ou a própria angústia, Carlisle fora rude ao dizer que tais idéias não passavam de tolices e que ela jamais sobreviveria na América. Renée lhe lançou um olhar amargo, como se ele não estivesse realmente disposto a trabalhar para viver. Então, acusou-o de estar interessado em seu dote, não nela... exatamente como a avó dissera.
Para Carlisle, que estava sacrificando a própria felicidade por Renée, a acusação tivera o feito de uma punhalada no peito.
– Acredite no que quiser – havia declarado, virando-se e partindo, antes que sua determinação falhasse e ele fugisse com ela naquele mesmo dia. Ao alcançar a porta, Carlisle descobriu não ser capaz de permitir que Renée acreditasse que ele queria apenas o seu dinheiro. – Por favor, Renée, não pense isso de mim.
– Não penso – ela confessara.
Renée também não acreditava que Carlisle poria um fim àquele tormento casando-se com Esme na semana seguinte. Porém foi exatamente o que ele fez, tomando pela primeira vez em sua vida uma atitude inteiramente desprovida de egoísmo.
Renée comparecera ao casamento na companhia da avó e, enquanto vivesse, Carlisle jamais se esqueceria da expressão nos olhos dela, ao final da cerimônia.
Dois meses depois, ela se casara com um médico irlandês e partira para a América. Renée fez isso porque estava furiosa com a avó e porque não suportaria continuar vivendo na Inglaterra, tão perto de Carlisle e sua esposa. E, também, para provar a ele que seu amor teria sobrevivido a tudo, mesmo à vida na América.
Naquele mesmo ano, o irmão mais velho de Carlisle morrera em um duelo de bêbados e Carlisle herdou o título de duque. Embora não houvesse herdado muito dinheiro, teria sido o bastante para dar a Renée um padrão de vida muito próximo ao que ela estava habituada. Mas Renée se fora. Carlisle não havia acreditado que o amor dela por ele fosse forte o bastante para sobreviver a alguns desconfortos. Não deu a menor importância ao dinheiro que herdou. Já não dava a menor importância a nada.
Não muito tempo depois, o irmão missionário de Carlisle morrera na Índia. Dezesseis anos mais tarde, Esme também morreu.
Na noite do funeral de Esme, Carlisle se embriagara, como vinha fazendo com freqüência naquela época. Porém, ao se sentar na sala vazia de sua casa, um pensamento sombrio cruzou-lhe a mente: ele também não demoraria muito a morrer. E, quando isso acontecesse, o ducado sairia das mãos dos Cullen para sempre, pois Carlisle não tinha um herdeiro.
Durante dezesseis anos, vivera em um estranho limbo. Naquela noite, porém, enquanto contemplava sua vida vazia, algo começou a crescer dentro dele. No início, tratava-se apenas de uma vaga inquietação, que foi se transformando em profundo desgosto, depois em ressentimento e, por fim, em fúria. Perdera Renée, perdera dezesseis anos de sua vida. Suportara uma esposa insípida, um casamento sem amor e, agora, morreria sem ter produzido um herdeiro. Pela primeira vez em quatrocentos anos, o ducado corria o risco de deixar a família Cullen e Carlisle foi invadido por uma forte determinação de não jogá-lo fora como fizera com o resto de sua vida.
Era verdade que os Cullen não haviam sido uma família particularmente honrada e digna, mas o título lhes pertencia e ele faria tudo para mantê-lo.
Para isso, precisava de um herdeiro, o que significava que teria de se casar de novo. Depois de tantas aventuras na juventude, a idéia de dormir com uma mulher, àquela altura, a fim de produzir um herdeiro, parecia-lhe mais cansativa do que excitante. Pensou em todas as belas mulheres que levara para a sua cama, tantos anos antes, lembrou-se da bailarina francesa que fora sua amante e que lhe entregara um bastardo...
Uma súbita explosão de alegria o pusera de pé. Não precisaria se casar de novo, pois já tinha um herdeiro! Tinha Edward. Carlisle não sabia ao certo se as leis de sucessão permitiam que o título de duque fosse herdado por um filho bastardo, mas isso não fazia diferença. Edward era um Cullen e as poucas pessoas que sabiam de sua existência na Índia acreditavam ser ele o filho legítimo do irmão mais novo de Carlisle. Além do mais, o rei Charles concedera o ducado a três de seus bastardos e, agora, Carlisle Cullen, duque de Masen, faria o mesmo.
No dia seguinte, Carlisle contratara detetives, mas dois longos anos haviam se passado, quando um deles enviou um relatório, contendo informações específicas. Não haviam encontrado o menor sinal da cunhada de Carlisle na Índia, mas Edward fora localizado em Delhi, onde aparentemente fizera fortuna no ramo de comércio e navegação. O relatório começava com o atual paradeiro de Edward e terminava com todas as informações que o detetive conseguira reunir sobre o passado do rapaz.
O orgulho exultante de Carlisle diante do sucesso financeiro de Edward havia se transformado rapidamente em horror e, então, em fúria, à medida que ele lia sobre o abuso depravado que a cunhada impusera à criança inocente que ele entregara aos cuidados dela. Ao terminar a leitura, Carlisle vomitou.
Mais determinado do que nunca a fazer de Edward seu herdeiro legítimo, Carlisle enviara uma carta, pedindo que retornasse imediatamente à Inglaterra, para que ele pudesse reconhecê-lo formalmente.
Como não obtivesse resposta, Carlisle partira para Delhi. Encorajado pelo remorso profundo e pela determinação absoluta, foi à magnífica casa de Edward. No primeiro encontro, Carlisle constatou o que o relatório do detetive já lhe dissera: Edward havia se casado e tido um filho, e vivia como um rei. Também deixou claro que não queria nenhum tipo de relacionamento com Carlisle, ou com o legado que Carlisle estava lhe oferecendo. Nos meses que se seguiram, Carlisle permaneceu na Índia e, lentamente, foi convencendo o filho frio e reticente de que ele jamais suspeitara dos abusos terríveis que Edward havia sofrido quando criança. Porém, não conseguiu convencê-lo a voltar para a Inglaterra como seu herdeiro.
Tanya, a linda esposa de Edward, ficara maravilhada com a idéia de viver em Londres, na posição de marquesa de Wakefield, mas nem seus acessos de raiva, nem as súplicas de Carlisle exerceram o menor efeito em Edward, já que ele não dava a menor importância a títulos, nem alimentava simpatia alguma pelos Cullen no tocante à iminente perda do ducado.
Carlisle já estava prestes a desistir, quando se deparou com o argumento perfeito. Uma noite, enquanto observava Edward brincar com o filho pequeno, deu-se conta de que havia uma pessoa no mundo por quem Edward faria qualquer coisa: Seth. Assim, Carlisle mudou imediatamente de tática. Em vez de tentar convencer Edward dos benefícios que ele mesmo teria se voltasse para a Inglaterra, passou a mostrar que, ao recusar que Carlisle o reconhecesse como herdeiro, Edward estaria negando a Seth seu direito de nascimento. Afinal, o título, as propriedades e tudo o mais seriam de Seth um dia.
E dera resultado.
Depois de contratar um profissional competente para cuidar de seus negócios em Delhi, Edward se mudara com a família para a Inglaterra. Na intenção de construir um "império" para o filho, Edward gastou de bom grado quantias astronômicas na restauração das propriedades quase abandonadas por Carlisle, proporcionando-lhe um esplendor que elas jamais haviam tido.
Enquanto Edward se ocupava sem supervisionar as reformas, Tanya passava seu tempo em Londres, assumindo seu lugar de marquesa de Wakefield. Um ano depois, a cidade fervilhava com os mexericos sobre seus casos amorosos extraconjugais. Poucos meses mais tarde, ela e o filho estavam mortos...
Carlisle despertou das lembranças tristes quando a toalha estava sendo removida da mesa.
– Podemos quebrar o hábito esta noite? – perguntou a Isabella. – Em vez de os homens permanecerem à mesa, bebendo vinho do Porto e fumando charuto, podemos fazer isso com você, no salão? Não estou disposto a abrir a mão da sua companhia.
Embora não conhecesse o hábito, Isabella aceitou quebrá-lo e declarou sua intenção. Quando entrava no salão, decorado em tons de rosa e dourado, Carlisle a segurou pelo braço, falando em voz baixa:
– Percebo que você abandonou o luto antes da data prevista, minha querida. Se a decisão foi sua, devo aplaudi-la. Sua mãe detestava preto. Ela me disse isso quando era criança e foi obrigada a usar roupas pretas, em luto pela morte dos pais. A decisão foi sua, Isabella?
– Não – ela admitiu. – O senhor Cullen mandou a criada retirar as minhas roupas do armário e substituí-las por outras.
Carlisle assentiu.
– Edward tem aversão a todos os símbolos de luto. A julgar pelos olhares fulminantes que dirigiu a ele durante o jantar, você não gostou do que ele fez. Deve dizer isso a Edward. Não o deixe intimidá-la, menina, pois ele detesta pessoas covardes.
– Não quero perturbar o senhor, tio Carlisle. Disse que seu coração é fraco.
– Não se preocupe comigo – ele replicou com um sorriso. – Meu coração é um pouco fraco, mas não a ponto de não suportar um pouco de excitação. Na verdade, isso vai me fazer bem. A vida aqui era muito desinteressante antes de você chegar.
Quando Edward estava sentado, desfrutando de uma dose de vinho do Porto e de um bom charuto, Isabella tentou várias vezes fazer o que Carlisle sugerira. Porém, cada vez que olhava para Edward, a coragem a abandonava. Ele havia escolhido uma calça cinza-escuro, combinando com o paletó, e uma camisa pérola. Apesar do traje elegante e da postura casual, Edward parecia irradiar um poder devastador. Havia algo de primitivo naquele homem e Isabella suspeitou que as roupas caras e o ar indolente serviam apenas como disfarces para enganar as pessoas, dando-lhes a impressão de que ele era civilizado, quando na realidade, não passava de um selvagem.
Mais uma vez, Isabella estudou-o pelo canto do olho e foi imediatamente percorrida por um arrepio. Quais seriam os segredos escondidos no passado de Edward? Certamente, eram muitos, pois era a única explicação para ele ser tão cínico e frio. Ao que parecia, Edward já vira e fizera todo tipo de coisas terríveis e proibidas, que o haviam endurecido tanto. Ainda assim, era bonito, com seus cabelos bronzes, olhos verdes e físico soberbo. Isabella não poderia negar que, se não passasse a maior parte do tempo com medo daquele homem, gostaria de conversar com ele. Sentia-se tentada a conquistar-lhe a amizade, o que seria tolice tão grande quanto conquistar a amizade do diabo. E igualmente perigoso.
Isabella respirou fundo, preparando-se para insistir com firme gentileza que suas roupas de luto fossem devolvidas ao seu armário. Naquele exato momento, porém, Amun entrou no salão, anunciando a chegada de lady Kirby e da srta. Kirby.
Edward lançou um olhar cínico para Carlisle, que deu de ombros e ordenou ao mordomo:
– Mande-as embora.
– Não precisa nos anunciar, Amun – declarou uma voz firme, ao mesmo tempo em que uma mulher roliça entrava no salão, seguida por uma jovem, mais ou menos da mesma idade de Isabella. – Carlisle! Ouvi dizer que você estava na vila hoje, em companhia de uma senhorita Swan. Por isso, decidi vir conhecê-la. – Fazendo uma pausa tão breve, que mal lhe deu tempo para respirar, a mulher se virou para Isabella: – você deve ser a senhorita Swan. – Examinou-a da cabeça aos pés, como se estivesse procurando por algum defeito. E encontrou. – Ora, que marca estranha essa que tem no queixo, querida! Como isso aconteceu? Foi um acidente?
– De nascimento – Isabella respondeu com um sorriso, perguntando-se se a Inglaterra estaria repleta de pessoas como lady Kirby, extremamente mal-educadas, cujas excentricidades eram aceitas por causa de seus títulos e riqueza.
– Que pena! – lady Kirby prosseguiu. – Isso a incomoda?
– Só quando me olho no espelho, madame – Isabella respondeu, esforçando-se para conter o riso.
Evidentemente insatisfeita, a mais velha virou-se para Edward, que havia se levantado e, agora, se encontrava de pé, com o cotovelo apoiado na lareira.
– Bem, Wakefield, pelo que vejo, o anúncio no jornal era verdadeiro. Para ser sincera, não acreditei. E então? Era mesmo?
– Era mesmo o quê? – Edward inquiriu, com ar inocente.
– Amun – a voz de Carlisle abafou a de lady Kirby – sirva refresco às senhoras.
Todos se sentaram e Carlisle deu início a uma animada discussão sobre o tempo. A Sra. Kirby ouviu o monólogo com impaciência e, na primeira oportunidade, voltou a atacar, virando-se para Edward e perguntando à queima roupa:
– Wakefield, seu noivado está de pé, ou não?
Edward levou o copo aos lábios.
– Não.
Isabella observou as reações diversas à resposta nos rostos a sua volta. Lady Kirby se mostrou satisfeita, enquanto a filha pareceu deliciada. Carlisle não escondeu o profundo desgosto e Edward, como sempre, manteve a expressão fechada. O coração generoso de Isabella logo derreteu por ele. Ora, não era de admirar que Edward se comportasse daquela maneira. Ao que parecia, a mulher que ele amava o abandonara, pondo fim ao noivado. Ao mesmo tempo, estranhou o fato de as duas Kirby a fitarem imediatamente, esperando que ela dissesse alguma coisa.
Sem compreender o que se passava, Isabella exibiu um sorriso confuso, o que levou lady Kirby a reiniciar a conversa:
– Bem, Carlisle, se é assim, imagino que você vá apresentar a pobre senhorita Swan à sociedade londrina, na próxima temporada.
– Pretendo tomar as providências necessárias para que a condessa Langston assuma o seu lugar na sociedade – Carlisle a corrigiu.
– Condessa de Langston... – lady Kirby repetiu, arregalando os olhos.
Carlisle assentiu.
– Isabella é a filha mais velha de Renée Langston. A menos que eu esteja enganado quanto às leis de sucessão, é a herdeira do título escocês de sua mãe.
– Mesmo assim, não vai ser fácil encontrar um bom partido para ela – a mulher declarou para, então, lançar um olhar de falsa simpatia para Isabella. – Sua mãe provocou um escândalo e tanto quando fugiu com aquele trabalhador irlandês.
O comentário ofensivo com relação à mãe fez Isabella fervilhar de raiva.
– Minha mãe se casou com um médico irlandês – corrigiu-a.
– Sem permissão da avó – lady Kirby argumentou. – Moças respeitáveis não se casam contra a vontade de suas famílias, neste país.
Ora, a implicação era clara: Renée não fora uma moça respeitável!
– Bem, a sociedade acaba se esquecendo dessas coisas – lady Kirby continuou em tom de falsa generosidade. – Enquanto isso, você terá muito que aprender, antes de ser formalmente apresentada. Precisa aprender a maneira correta de se dirigir a cada membro da nobreza, bem como dispor lugares à mesa, em visitas e jantares, o que é bem mais complicado. Vai precisar de meses para saber tudo. O pessoal das colônias é totalmente ignorante sobre regras de etiqueta, mas nós, ingleses, damos importância prioritária às normas de convivência social.
– Talvez isso explique por que nós sempre os derrotamos na guerra – Isabella sugeriu com um sorriso inocente.
Lady Kirby estreitou os olhos.
– Não tive a intenção de ofendê-la, mas vejo que terá de aprender a dominar sua língua ferina, se pretende encontrar um bom marido e redimir a reputação de sua mãe.
Isabella se pôs de pé e, com grande dignidade, declarou:
– Mais difícil será imitar a reputação de minha mãe. Ela foi à mulher mais gentil e amável que já existiu. Agora, se me der licença, tenho algumas cartas para escrever.
Isabella fechou a porta atrás de si e foi para a biblioteca, uma sala enorme, cujo assoalho de madeira encerada era quase totalmente coberto por tapetes persas, enquanto prateleiras repletas de livros escondiam as paredes. Furiosa demais para se sentar a uma das mesas e escrever uma carta para Alice, ou Jacob, pôs-se a examinar os livros, à procura de algo que pudesse acalmá-la. Depois se passar por diversos volumes de história, mitologia e comércio, chegou à seção de poesia, onde encontrou obras de vários autores, inclusive alguns que conhecia, como Milton, Shelly, Keats e Byron. Como não estivesse particularmente interessada em ler, apanhou um livro fino, simplesmente porque se encontrava desalinhado em relação aos demais. Então, acomodou-se em uma poltrona confortável e acendeu o lampião a óleo sobre a mesinha ao lado.
Ao abrir o livro, uma folha de papel cor-de-rosa e perfumada caiu ao chão. Com um gesto automático, Isabella se abaixou para apanhá-la e já ia devolvê-la ao seu lugar, quando as primeiras palavras da mensagem escrita em francês chamaram-lhe a atenção.
Querido Edward,
Sinto sua falta. Espero, impaciente, contando as horas, pelo
momento de vê-lo novamente...
Isabella disse a si mesma que ler a carta endereçada a outra pessoa era grande falta de educação, imperdoável e muito abaixo de sua dignidade. Porém, a idéia de uma mulher esperando impacientemente por Edward Cullen era tão incrível, que ela não foi capaz de controlar a curiosidade. No que lhe dizia respeito, sentia-se mais inclinada a esperar impacientemente que ele desaparecesse! Envolveu-se com tamanha intensidade na descoberta, que nem percebeu a aproximação de Edward e da srta. Kirby no corredor.
Estou enviando estes belos poemas na esperança de que você os leia e pense em mim e nas noites maravilhosas que passamos nos braços um do outro...
– Isabella! – Edward chamou-a em tom irritado.
Subitamente nervosa e sentindo-se culpada, Isabella se levantou de um pulo, deixando o livro cair, apanhou-o do chão e voltou a se sentar. Tentando parecer absorvida pela leitura, abriu o volume e fixou os olhos na página, sem se dar conta de que o livro estava de cabeça para baixo.
– Por que não respondeu, quando chamei? – Edward indagou, ao entrar na biblioteca com a bela srta. Kirby a seu lado. – Jéssica queria se despedir e lhe da sugestões, caso você deseje fazer compras na vila.
Depois do ataque inexplicável de lady Kirby, Isabella não pôde deixar de se perguntar se a srta. Kirby estaria insinuando que ela não saberia escolher suas próprias compras.
– Desculpe, mas não ouvi você me chamar – respondeu, esforçando-se para não parecer zangada, ou culpada. – Como vê, eu estava lendo e me distraí. – Fechou o livro e colocou-o sobre a mesa, encarando os dois com expressão tranqüila, que logo se dissolveu, pois o semblante de Edward se contorceu em profundo desgosto. – Algo errado? – perguntou com voz tensa, acreditando que ele acabara de se lembrar do bilhete guardado dentro do livro.
– Sim – ele respondeu, antes de se virar para a srta. Kirby, que exibia expressão muito semelhante à dele. – Jéssica, pode recomendar um bom professor da vila que possa ensinar Isabella a ler?
– Ensinar-me a ler? Isabella repetiu, incrédula e ao mesmo tempo irritada pelo sorriso de desprezo que curvou os lábios da moça. – Não seja tolo! Não preciso de um professor. Sei ler perfeitamente.
Ignorando-a, Edward continuou olhando para a outra e repetiu:
– Pode recomendar um bom professor que venha ensiná-la?
– Sim, milorde. Tenho certeza de que o vigário, senhor Walkins, aceitará a tarefa.
Com firmeza de quem já se submeteu a insultos demais e não pretende aceitar mais nenhum, Isabella declarou:
– Francamente, isso é absurdo. Não preciso de professor. Eu sei ler.
Edward dirigiu-lhe um olhar gelado.
– Nunca mais minta para mim – advertiu em tom ameaçador. – Detesto mentirosos, especialmente mulheres mentirosas. Você não é capaz de ler uma palavra e sabe muito bem disso!
– Não acredito no que está acontecendo aqui! – Isabella elevou o tom de voz, sem dar a menor importância para a expressão horrorizada da srta. Kirby. – Estou dizendo que sei ler!
Furioso por achar que ela estava ultrapassando os limites em sua tentativa de enganá-lo, Edward deu três passos largos até a mesa, apanhou o livro e o pôs nas mãos dela, sem a menor gentileza.
– Então, leia! – ordenou.
Sentindo-se profundamente humilhada por ser tratada daquela maneira diante de uma estranha, Isabella abriu o livro e deparou com o bilhete cor-de-rosa.
– Vamos! – Edward insistiu em tom de zombaria. – Leia!
Isabella lançou-lhe um olhar de desafio.
– Tem absoluta certeza de que deseja ouvir o que está escrito aqui? – indagou.
– Leia.
– Diante da senhorita Kirby?
– Leia ou admita, de uma vez por todas, que você não sabe ler.
– Muito bem – Isabella concordou e, forçando-se a controlar o riso, leu em tom dramático: – Querido Edward, sinto sua falta. Espero, impaciente, contando as horas, pelo momento de vê-lo novamente. Estou enviando estes belos poemas na esperança de que você os leia e pense em mim e nas noites maravilhosas que passamos nos braços um do outro...
Edward arrancou o livro das mãos dela. Com ar inocente, Isabella fitou-o diretamente nos olhos e explicou:
– O bilhete está escrito em francês. Traduzi à medida que lia. – Virou-se para a srta. Kirby, antes de acrescentar com um sorriso: – O bilhete continua, mas não creio que esse seja o tipo de leitura que deva ser deixado por aí, especialmente quando existem moças decentes por perto. Você concorda?
Antes que qualquer dos dois tivesse tempo de responder, Isabella deu meia-volta e saiu da biblioteca de cabeça erguida.
Lady Kirby esperava no hall de entrada, pronta para partir. Isabella se despediu das duas mulheres e começou a subir a escada, na esperança de escapar à ira de Edward que, certamente, pretendia enfrentá-la assim que as visitantes se fossem. Infelizmente, o último comentário de lady Kirby fez com que a mente de Isabella ficasse anuviada.
– Não fique chateada com a rejeição de lorde Cullen, minha cara – a mulher falou, enquanto Amun colocava a capa em seus ombros. – Pouca gente acreditou no anúncio de noivado publicado no jornal. Todos tinham certeza de que, assim que você chegasse, ele encontraria um meio de escapar ao compromisso. Afinal, ele já deixou bem claro que não pretende se casar com ninguém...
Carlisle empurrou-a para fora, sob o pretexto de acompanhá-la até a carruagem. Isabella girou nos calcanhares e, como uma deusa ultrajada, encarou Edward com olhar irado.
– Devo entender – indagou em tom perigosamente controlado – que o noivado que você disse estar terminado era o nosso noivado?
Edward não respondeu, mas a tensão que tomou conta de seu semblante era uma resposta inconfundível.
– Como se atreve? – Isabella sibilou, ignorando os criados que os observavam, paralisados de terror. – Como se atreve a insinuar que eu consideraria me casar com você? Eu não me casaria com um homem como você, mesmo que fosse...
– Não me lembro de ter pedido você em casamento – Edward a interrompeu com sarcasmo. – Mas não deixa de ser um grande alívio saber que, se um dia eu perdesse o juízo e lhe fizesse uma proposta tão absurda, você teria a consideração de me recusar.
Prestes a explodir em lágrimas, ela o examinou da cabeça aos pés, com ar de repulsa.
– Você é um monstro frio e arrogante, sem o menor respeito por ninguém, nem mesmo pelos mortos! Qualquer mulher em seu juízo preferiria morrer a se casar com você! Você é um...
Como a voz lhe faltasse, Isabella virou-se e correu para cima.
Parado no meio do hall, Edward observou-a desaparecer na escada. Atrás dele, dois lacaios e o mordomo esperavam, com olhos fixos no chão, o patrão explodir e desabafar neles a ira provocada por aquela garota insolente, que acabara de cometer um ato imperdoável. Após um longo momento, Edward enfiou as mãos nos bolsos e virou-se para o mordomo:
– Acho que acabo de ouvir um sermão arrasador, Amun.
Com isso, desapareceu no corredor.
Boquiaberto, O'Malley contou ao outro lacaio:
– Ela preparou um cataplasma para o meu dente inflamado e, agora, estou curado. Talvez ela tenha preparado algum remédio para o mau gênio do lorde, também.
Sem esperar pela resposta, dirigiu-se à cozinha, a fim de contar à sra. Craddock e suas ajudantes o incidente inacreditável que acabara de testemunhar. Depois da partida de monsieur Demetri, graças à jovem americana, a cozinha havia se transformado em um lugar bastante agradável para se passar breves momentos de descanso, quando os olhos de águia de Amun se encontravam ocupados com outra coisa.
Uma hora depois, a criadagem perfeitamente discreta e bem treinada da mansão Wakefield já ouvira a história do que havia acontecido na escada. Mais meia hora e o fato já alcançara os estábulos e os jardins.
No andar de cima, as mãos de Isabella tremiam, enquanto ela retirava os grampos dos cabelos e despia o vestido cor de pêssego. Ainda lutando para conter as lágrimas, ela o pendurou no guarda-roupa, vestiu uma camisola e se deitou. No mesmo instante, foi invadida por uma insuportável saudade de casa. Queria fugir dali, colocar um oceano entre si mesma e gente como Edward Cullen e lady Kirby. Provavelmente, sua mãe deixara a Inglaterra pelo mesmo motivo. Pensando na mulher linda e tão gentil que fora Renée, Isabella não conteve um soluço.
Lembranças da vida feliz que tivera antes preencheram a mente de Isabella. Ela se lembrou do dia em que apanhara um buquê de flores-do-campo para a mãe e sujou o vestido ao fazê-lo.
– Veja, mamãe. Não são lindas? – indagara. – Eu as apanhei para você, mas sujei o meu vestido.
– São as flores mais lindas que já vi – a mãe respondera – mas você é muito mais linda do que elas.
Lembrou-se da febre que a acometera aos sete anos de idade, quase lhe tirando a vida. Noite após noite, a mãe se sentou na beirada da cama, aplicando panos úmidos sobre sua pele escaldante, enquanto Isabella oscilava entre a consciência e o delírio. Na quinta noite, acordou nos braços da mãe, sentindo o próprio rosto molhado de lágrimas de Renée, que a embalava e implorava entre soluços:
– Por favor, meu Deus, não deixe minha filhinha morrer. Ela é tão pequena e tem tanto medo do escuro...
Envolta pelos lençóis macios da cama que agora era sua, em Wakefield, Isabella afundou o rosto no travesseiro, entregando-se ao pranto.
– Ah, mamãe – balbuciou —, sinto tanto a sua falta...
Edward parou diante da porta do quarto de Isabella e ergueu a mão para bater. Porém, imobilizou-a no ar ao ouvir os soluços lá dentro. Depois de refletir por alguns instantes, concluiu que ela se sentiria bem melhor se chorasse todas as lágrimas que possuísse. Por outro lado, se continuasse chorando daquele jeito, certamente acabaria doente. Assim, ele foi até o próprio quarto, encheu um cálice de conhaque e voltou.
Seguindo as instruções arrogantes que ela lhe dera, bateu na porta. Como Isabella não respondesse, Edward entrou e ficou parado à porta, observando os ombros dela sacudirem pelos soluços angustiados. Embora já houvesse visto mulheres chorando, suas lágrimas eram sempre falsas e deliberadas, destinadas a persuadir um homem. Isabella, porém, mantivera a compostura e a dignidade na escada, enquanto dizia em alto e bom tom o que pensava dele. Então, havia se refugiado em seu quarto, a fim de chorar em segredo.
Edward pousou a mão de leve no ombro dela.
– Isabella...
Ela se apoiou nos cotovelos, fitando-o com seus enormes olhos chocolates.
– Saia daqui! – ordenou com voz rouca. – Saia antes que alguém o veja!
Edward estudou a beldade de temperamento forte a sua frente. As faces de Isabella estavam coradas de raiva, seus cabelos avermelhados espalhavam-se sobre os ombros. Usando uma camisola branca, fechada até o pescoço, parecia uma criança inocente e abandonada. Ainda assim, havia um ar de desafio na posição em que ela mantinha o queixo, bem como o brilho daqueles fascinantes olhos chocolates. Era como se eles advertissem Edward para que não a subestimasse. Ele se lembrou da impertinência ousada de Isabella, na biblioteca, quando lera o bilhete em voz alta, sem esconder a satisfação que sentia por desconcertá-lo. Tanya fora a única mulher com coragem bastante para desafiar Edward, mas só o fizera pelas costas. Isabella Swan o desafiava cara a cara, o que provocava nele um sentimento muito próximo de admiração.
Como Edward não se movesse, Isabella secou as lágrimas do rosto, puxou as cobertas até o queixo e se sentou.
– Faz idéia do que as pessoas vão dizer, se souberem que você está aqui? – indagou, furiosa. – Não tem princípios?
– Nenhum – Edward admitiu, tranqüilo. – Prefiro objetividade a princípios. Agora, beba isto.
Ele aproximou o cálice do rosto de Isabella e ela e sentiu o cheiro forte do álcool.
– De jeito nenhum! – protestou.
– Beba, ou serei obrigado a forçá-la – Edward insistiu, sem se alterar.
– Você não faria isso!
– Faria, sim, Isabella. Agora, beba como uma boa menina. Vai se sentir melhor.
Percebendo que de nada adiantaria discutir e cansada demais para lutar, Isabella bebeu um gole e tentou devolver o cálice, alegando:
– Já me sinto bem melhor.
Apesar do brilho divertido que iluminou os olhos de Edward por um breve instante, a voz dele se manteve implacável:
– Beba o resto.
– Se eu beber, você sairá do quarto? – Isabella perguntou, irritada.
Como ele assentisse, ela decidiu pôr um ponto final à história e, como se tivesse que engolir um remédio amargo, bebeu dois grandes goles. Depois de engasgar e tossir, sentindo o líquido traçar um caminho de fogo até chegar a seu estômago, Isabella murmurou:
– É horrível!
Então, voltou a se reclinar nos travesseiros.
Edward permaneceu em silêncio por um longo momento, esperando que o efeito reconfortante do conhaque se espalhasse pelo corpo de Isabella. Então, falou:
– Em primeiro lugar, foi Carlisle quem anunciou o nosso noivado no jornal. Segundo, você quer se casar comigo tanto quanto eu com você. Estou certo?
– Perfeitamente.
– Se é assim, pode me explicar por que está chorando por saber que não estamos noivos?
Isabella dirigiu-lhe um olhar de desdém.
– Eu não estava chorando – declarou.
– Não? – Com um sorriso, Edward estendeu-lhe um lenço. – Então, por que o seu nariz está vermelho e seus olhos, inchados?
Isabella conteve o riso provocado pelo conhaque e secou os olhos com o lenço.
– Seu comentário não foi nada cavalheiresco.
Edward exibiu um dos raros sorrisos, que lhe suavizavam as feições duras.
– Tenho certeza de que, até agora, não fiz nada que pudesse lhe dar a impressão de que sou um cavalheiro!
O tom de incredulidade zombeteira fez os lábios de Isabella se curvarem em um sorriso relutante.
– Absolutamente nada – ela confirmou. – Eu não estava chorando por causa desse noivado ridículo. Isso só me deixou furiosa.
– Então, por que estava chorando?
Isabella baixou os olhos para as mãos.
– Estava chorando por minha mãe. Lady Kirby disse que eu teria de redimir a reputação dela e isso me deixou tão furiosa, que nem fui capaz de responder à altura. – Lançou um olhar rápido para Edward e, como ele parecesse sinceramente preocupado e, pela primeira vez, humano, ela continuou: – Minha mãe era carinhosa, gentil e muito meiga. Comecei a me lembrar de quanto ela era maravilhosa e acabei chorando. Desde que meus pais morreram, tenho esses... momentos de descontrole. Ora estou bem, ora sinto uma falta insuportável deles. Quando isso acontece, eu choro.
– É natural chorar pelas pessoas que ama – Edward falou com tamanha ternura, que Isabella mal acreditou que as palavras haviam mesmo sido pronunciadas por ele.
Sentindo-se estranhamente reconfortada pela presença dele, bem como por sua voz calma e profunda, Isabella sacudiu a cabeça e confessou:
– A verdade é que choro por mim mesma. Choro por autopiedade, por ter perdido meus pais. Não sabia que era tão covarde.
– Já vi homens de muita coragem chorarem, Isabella.
Isabella estudou-lhe os traços bem desenhados. Mesmo sob o efeito suavizante da luz da velas, Edward continuava parecendo invulnerável. Era impossível imaginá-lo com lágrimas nos olhos.
– Você já chorou? – ela indagou, com sua reserva natural sensivelmente diminuída pelo conhaque.
– Não – Edward respondeu, ao mesmo tempo em que seus olhos voltavam a exibir aquele brilho frio que ela já vira antes.
– Nem mesmo quando era garotinho? – Isabella insistiu, tentando provocá-lo para manter o bom humor da conversa.
– Nem mesmo então.
Com um movimento abrupto, Edward tentou se levantar, mas Isabella pousou a mão em seu braço, impedindo-o.
– Senhor Cullen – falou, hesitante, tentando reforçar aquela pequena trégua que haviam conseguido estabelecer —, sei que não me quer aqui, mas não ficarei por muito tempo... apenas até Jacob vir me buscar.
– Fique quanto tempo quiser – ele replicou, dando de ombros.
– Obrigada – Isabella agradeceu, sem esconder a confusão resultante das mudanças súbitas de humor que ele apresentava. – O que eu quis dizer foi que... bem, eu gostaria muito se nós pudéssemos ser... amigos.
– Que tipo de amizade tem em mente, milady?
Já totalmente alterada pelos efeitos do álcool, Isabella não percebeu a pontada de sarcasmo na voz de Edward.
– Bem, somos primos distantes e não tenho parentes vivos, exceto por tio Carlisle e você. Acha que podemos nos tratar como primos?
Edward pareceu surpreso e, então, divertido com a proposta.
– Acho que sim.
– Obrigada.
– Agora, trate de dormir.
Ela assentiu e se acomodou na cama.
– Ah! Já ia me esquecendo de pedir desculpas pelas coisas horríveis que disse, quando fiquei zangada.
Os lábios de Edward se curvaram em um sorriso.
– Está arrependida do que disse?
Isabella ergueu as sobrancelhas e sorriu com impertinência sonolenta.
– Você mereceu cada palavra.
– Tem razão – ele admitiu, ainda sorrindo. – Mas não abuse da sorte.
Reprimindo o impulso de afagar os cabelos de Isabella, Edward foi para o seu próprio quarto, serviu-se de uma dose de conhaque e se sentou na poltrona. Perguntou-se por que Isabella Swan lhe despertava aquele instinto protetor, havia tanto tempo adormecido. Chegara a planejar mandá-la de volta para a América assim que chegasse, e isso fora antes de ela virar sua casa e sua vida de pernas para o ar. Talvez fosse o fato de ela parecer tão perdida e vulnerável, de ser tão jovem e ingênua, que o fizesse sentir paternal. Ou, então, fosse aquela franqueza inocente que o havia apanhado de surpresa. Ou, quem sabe, aqueles espetaculares olhos chocolates, que lhe examinavam as feições como se ela estivesse tentando enxergar-lhe a alma. Isabella não tinha malícia, nem precisava dela, pois aqueles olhos seriam capazes de seduzir um santo.

[N/A Fanfic] 
Coitada da Bella, não gosto de ver meu anjinho sofrendo desse jeito. Aff
Mais essas invejosas saíram do inferno para acabar com a paz dela! E o Edward é de muita serventia mesmo, viu! O homem difícil, meu Deus!
Mas se tem algo que eu amo nessa Bella é a força que ela tem!

[N/A Blog IRL]
Ui que alguém está começando a mudar de ideias em relação a Bella!! Esse dois são muito difíceis, mas isso é que torna a história tãoo interessante... com a passar do tempo acho que vamos ter aqui uma relação de amor-ódio ;) Voltámos na quinta com um novo capitulo... 

Bjs e boa noite...


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