sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 12

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vastooceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...

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Enquanto Isabella vestia as roupas ainda úmidas, o capitão Farrel atrelou a égua à carruagem. Depois de ajudá-la a tomar seu lugar, montou seu próprio cavalo. A chuva diminuíra, transformando-se em uma garoa persistente, mas como já anoitecia, ele a acompanhou até Wakefield.
– Não é preciso me acompanhar até lá – Isabella protestou. – Conheço o caminho.
– Está enganada. As estradas não são seguras, depois do anoitecer. Na semana passada, uma carruagem foi assaltada, perto da vila, e um de seus ocupantes foi morto. Há quinze dias, uma das meninas mais velhas do orfanato saiu para um passeio, à noite. No dia seguinte, encontraram seu corpo no rio. Como se tratava de uma garota retardada, não foi possível saber o que aconteceu.
Embora ouvisse as palavras do capitão, a mente de Isabella dirigia-se a Edward. Seu coração estava repleto de ternura pelo homem que lhe dera um lar, quando ela chegara à Inglaterra, além de roupas bonitas. Ele também lhe oferecera conforto para a sua solidão e, por fim, havia se casado com ela. Era verdade que Edward também se mantinha distante na maior parte do tempo, mas quanto mais considerava a questão, mais acreditava que o capitão Farrell tinha razão. Edward devia gostar muito dela. Do contrário, não teria arriscado um novo casamento.
Lembrou-se da paixão contida nos beijos dele, antes de casamento, e ficou ainda mais convencida disso. Apesar dos tormentos que sofrera quando criança, em nome da religião, ele aceitara se casar na igreja, somente porque Isabella assim lhe pedira.
– Acho melhor o senhor não continuar, a partir daqui – Isabella pediu, ao se aproximarem dos portões de Wakefield.
– Por quê?
– Porque se Edward souber que passei à tarde na sua casa, vai suspeitar de que o senhor me contou algo sobre ele, assim que eu passar a agir de maneira diferente.
Farrell ergueu as sobrancelhas.
– Pretende agir de maneira diferente?
Isabella assentiu.
– Provavelmente. Acho que vou tentar domar uma pantera.
– Nesse caso, tem razão. É melhor não contar a Edward que esteve comigo. Há dois chalés abandonados, pouco antes de meu. Diga que se abrigou em um deles. Porém, você precisa saber de uma coisa: Edward detesta mentiras. Não deixe que ele descubra.
– Também tenho aversão à mentira. E, mais ainda, de ser apanhada mentindo por Edward.
– Receio que ele esteja preocupado e furioso, se já voltou para casa e descobriu que você saiu sozinha nesse temporal.
Edward havia retornado. Estava, decididamente, preocupado e furioso. Isabella ouviu sua voz assim que entrou pelos fundos, depois de acorrentar Wolf. Sentindo-se ao mesmo tempo alarmada e ansiosa para vê-lo foi diretamente ao escritório. Ele andava de um lado para outro, falando a um grupo de seis criados de expressões aterrorizadas. A camisa branca que usava estava encharcada e suas botas, cobertas de lama.
– Diga-me, mais uma vez, o que lady Cullen falou – ele vociferou para Emily. – E pare de chorar! Comece do início e repita as palavras dela, exatamente como ela falou!
A criada torceu as mãos.
– Ela... ela pediu que um cavalariço escolhesse o cavalo mais manso e a menor carruagem, pois não estava acostumada a conduziu carruagens. Então, pediu que eu dissesse à senhora Craddock... a cozinheira... para embrulhar os restos de comida da festa de ontem e mandar colocá-los na carruagem. Eu a avisei de que uma tempestade estava a caminho, mas... ela disse que não choveria durante horas. Então, ela me perguntou se... se eu tinha certeza de que o senhor havia deixado a propriedade. Eu disse que sim. Então... ela partiu.
– E vocês permitiram! – Edward explodiu com os criados. – Deixaram uma mulher visivelmente nervosa, que não tem a menor experiência em conduzir carruagens, sair debaixo de um terrível temporal, levando comida suficiente para um mês! – Virou-se para o cavalariço: – Ouviu-a dizer ao cachorro que estavam "finalmente livres" e não achou estranho?
Sem esperar pela resposta, Edward se aproximou de Amun, que mantinha a sua postura rígida e ereta, como um homem diante do pelotão de fuzilamento, pronto a enfrentar com dignidade um destino injusto e terrível.
– Conte-me outra vez, exatamente, o que ela lhe disse.
– Perguntei a lady Isabella o que eu deveria dizer ao senhor, quando chegasse – Amun respondeu. – Ela disse: "Diga-lhe que eu disse adeus".
– E você não percebeu nada de estranho nisso? – Edward inquiriu, irado. – Uma mulher recém-casada sai de casa sozinha, mandando dizer adeus ao marido!
Amun corou até a raiz dos cabelos.
– Considerando outros acontecimentos, milorde, essa situação não me pareceu estranha.
Edward parou de andar de um lado para outro e encarou-o, estreitando os olhos.
– Considerando que "outros acontecimentos"? – indagou, ameaçador.
– Considerando o que o senhor me disse ao sair, uma hora antes de lady Isabella, concluí, naturalmente, que os dois haviam tido uma rusga e que ela estava abalada por isso.
– O que eu lhe disse ao sair? – Edward persistiu, parecendo mais perigoso a cada momento.
Os lábios de Amun tremeram de ressentimento.
– Quando o senhor saiu, pela manhã, eu lhe desejei um bom-dia.
– E?
– E o senhor respondeu que "já tinha outros planos". Naturalmente, concluí que o senhor não pretendia ter um dia bom e, quando lady Isabella desceu, anunciando que iria sair sozinha, calculei que havia algum problema entre os senhores.
– É pena que você não tenha "concluído" que ela estava me deixando e não tenha tentado impedi-la.
O coração de Isabella se apertou de remorso. Edward havia acreditado que ela o abandonara. E, para um homem como ele admitir isso diante dos criados, só poderia estar muito desesperado. Jamais ocorreria a Isabella que Edward pudesse chegar àquela conclusão. Agora, porém, sabendo do que Tanya fizera, era fácil compreender-lhe a reação. Determinada a salvar o orgulho de seu marido, Isabella forçou um sorriso largo e conciliatório, antes de se aproximar.
– Amun jamais seria tolo a ponto de imaginar que eu pudesse deixá-lo milorde – falou em tom alegre, segurando o braço de Edward com um gesto afetuoso.
Edward virou-se com tamanha violência, que quase a derrubou. Isabella recuperou o equilíbrio e continuou:
– Posso ser uma mulher nervosa, mas não sou idiota.
Os olhos de Edward se iluminaram de alívio, mas o alívio foi imediatamente substituído pela fúria.
– Onde diabo você se meteu? – ele inquiriu entre os dentes.
Com pena dos criados, já mortificados, Isabella murmurou:
– Tem todo o direito de se zangar comigo e vejo que pretende me dizer exatamente o que pensa de minha atitude. Só lhe peço que não o faça diante dos criados.
Edward respirou fundo, como se seu controle estivesse por um fio e, então, com um leve aceno de cabeça, dispensou os criados. No silêncio pesado que se seguiu, todos eles deixaram o escritório apressados. O último a sair fechou a porta atrás de si. No instante seguinte, Edward deu vazão a sua fúria.
– Sua idiota! Revirei os campos a sua procura!
Isabella olhou para o homem atraente e viril a sua frente, mas o que viu foi um garotinho sujo, sendo surrado por ser o "demônio". Um nó se formou em sua garganta e, invadida por profunda ternura, acariciou-lhe a face sem pensar.
– Sinto muito – sussurrou.
Edward se afastou com um gesto violento.
– Sente muito? – repetiu com sarcasmo. – Sente pelo quê? Pelos homens que ainda estão na chuva, a sua procura? Ou pelo cavalo que derrubei na lama?
– Sinto muito que tenha pensado que eu o havia abandonado – Isabella explicou com voz trêmula. – Eu jamais faria isso.
Edward lançou-lhe um olhar irônico.
– Considerando que ontem você quase me abandonou no altar e que hoje me pediu o divórcio, suas palavras são surpreendentes! A que se deve essa "crise de fidelidade", agora?
Apesar da atitude de sarcasmo e indiferença, Isabella reconheceu a mágoa na voz de Edward, quando ele mencionou que ela quase o abandonara no altar. Sentiu um forte aperto no peito ao se dar conta de quanto isso o perturbara.
– Milorde...
– Ora, pelo amor de Deus! Pare de me chamar de "milorde"! E não se humilhe, pois detesto isso!
– Não estou me humilhando! Só estava tentando dizer que minha intenção era levar comida para o orfanato. Lamento tê-lo deixado preocupado e prometo que isso não voltará a acontecer.
Ele a fitou com ar cansado, a ira abandonando lentamente as suas feições.
– Você é livre para fazer o que quiser, Isabella. Nosso casamento foi o maior erro que já cometi na vida.
Isabella hesitou, sabendo que nada do que dissesse o faria mudar de idéia, especialmente enquanto Edward estivesse naquele estado de ânimo. Após alguns momentos, pediu licença e foi para o seu quarto, trocar de roupa. Edward não jantou com ela e Isabella foi se deitar, certa de que ele se juntaria a ela na cama, ao menos para forçá-la a cumprir a sua parte no acordo e lhe dar um filho.
Edward não a procurou naquela noite, nem nas três seguintes. Na verdade, ele fez o possível para evitá-la completamente. Passava o dia todo no escritório, ditando cartas ao seu secretário, o sr. Benjamim, e discutindo negócios com cavalheiros que vinham de Londres. Quando encontrava Isabella durante uma refeição, ou pelos corredores da mansão, limitava-se a cumprimentá-la com cortesia, porém com frieza, como se ela fosse uma completa estranha. Quando terminava seu trabalho, ia para o quarto, trocava de roupa e, então, partia para Londres.
Como Rosalie viajara para o sul da Inglaterra, a fim de visitar um irmão cuja esposa estava prestes a dar à luz, Isabella passava a maior parte do tempo no orfanato, organizando brincadeiras com as crianças, e visitando os residentes da vila, para que continuassem a se sentir à vontade com ela. Mas, por mais ocupada que se mantivesse, sentia falta de Edward. Em Londres, passavam muito tempo na companhia um do outro. Ele a acompanhava a quase todos os lugares, incluindo festas, bailes e peças de teatro e, embora não passasse o tempo todo a seu lado, Isabella se sentia segura por saber que ele estava por perto, sempre muito protetor. Agora, ela sentia falta de suas brincadeiras e até mesmo se seus momentos de zanga. Nas semanas que haviam se seguido à chegada da carta da mãe de Jacob, ele havia se transformado em um amigo muito especial.
Agora, Edward era um estranho que talvez até precisasse dela, mas que fazia questão de mantê-la à distância. Isabella sabia que ele já não estava zangado. Simplesmente, cuidara de expulsá-la do coração e da mente, como se ela não existisse.
Na quarta noite, Edward foi para Londres mais uma vez. Isabella ficou acordada em sua cama, os olhos fixos no teto, perdida em fantasias tolas sobre dançar com ele como haviam dançado tantas vezes antes. Era delicioso dançar com Edward, pois ele possuía movimentos leves e...
De súbito, uma pergunta ocorreu a Isabella: o que Edward fazia em Londres, à noite? Depois de muito pensar, concluiu que ele passava o tempo jogando em um dos clubes que freqüentava.
Na quinta noite, Edward nem se deu ao trabalho de voltar para casa. Na manhã seguinte, durante o café da manhã. Isabella folheava a Gazette, quando descobriu como Edward ocupava suas noites em Londres. Ele não fora jogar, nem se reunira a cavalheiros para tratar de negócios. Edward comparecera a um baile em casa de lorde Muirfield e dançara a noite inteira com a jovem esposa do lorde de meia-idade. O jornal também mencionava que, na noite anterior, lorde Cullen fora ao teatro na companhia de uma loira, dançarina de ópera. Isabella sabia três coisas sobre a amante de Edward: seu nome era Lauren, ela era dançarina de ópera e loira.
O ciúme tomou conta de Isabella e foi um sentimento tão violento, que abalou seu equilíbrio, pois ela jamais sofrera desse mal antes.
Edward escolheu justamente aquele momento para entrar na sala de jantar, com as mesmas roupas que usara quando partira para Londres, na véspera. A diferença era que, agora, ele levava o paletó descuidadamente atirado sobre o ombro, a gravata desamarrada, pendendo do pescoço, e a camisa aberta no colarinho. Era evidente que não dormira em sua mansão, em Londres, onde contava com um guarda-roupa completo.
Limitou-se a cumprimentar Isabella com um aceno de cabeça, antes de se servir de um xícara de café.
Isabella levantou-se lentamente, tremendo de raiva.
– Edward – chamou-o com voz fria e controlada.
Ele olhou por cima do ombro, mas ao perceber a expressão sombria da esposa, virou-se para encará-la.
– O que é?
– Lembra-se de como se sentia quando sua primeira esposa estava em Londres e se envolvia em casos escandalosos?
– Perfeitamente – ele respondeu, impassível.
Surpresa e, até mesmo impressionada com a própria coragem, Isabella lançou um olhar significativo para o jornal, antes de erguer o queixo e declarar.
– Nesse caso, espero que não me faça sentir o mesmo de novo.
Edward olhou rapidamente para o jornal, antes de voltar a fitá-la.
– Se bem me lembro, eu não dava importância ao que ela fazia.
– Pois, eu dou! – Isabella explodiu, incapaz de manter o controle por mais tempo. – Compreendo perfeitamente que maridos civilizados tenham amantes, mas espera-se que sejam discretos. Vocês, ingleses, têm regras para tudo, até para a discrição. Quando você sai por aí, com sua... sua amiga ao lado, sinto-me humilhada e magoada.
Com essas palavras, Isabella saiu, sentindo-se como um sapato velho deixado de lado.
Parecia uma linda rainha, com os cabelos soltos balançando às costas, o corpo movendo-se com graça inigualável. Edward observou-a sair, esquecendo-se da xícara de café que tinha nas mãos. Foi invadido pelo desejo familiar de tomá-la nos braços e mergulhar o rosto naqueles cabelos de mogno, mas não se moveu. O que quer que Isabella sentisse por ele, não era amor, nem desejo. Ela considerava "civilizado" da parte dele manter uma amante, discretamente, para satisfazer seus desejos repulsivos. Por outro lado, seu orgulho havia sido ferido quando Edward fora visto em público ao lado de outra mulher.
Sim, tratava-se de orgulho ferido, nada mais. Porém, ao se lembrar do duro golpe que o orgulho de Isabella sofrera com a traição de Jacob, Edward descobriu-se incapaz de magoá-la ainda mais. Compreendia os sentimentos dela, pois lembrava-se com clareza de como ele mesmo se sentira ao descobrir a perfídia de Tanya.
Passou no escritório para apanhar alguns documentos e, então, subiu a escada lendo os papéis e carregando o paletó.
– Bom dia, milorde – o valete cumprimentou com um olhar de reprovação para suas roupas amarrotadas.
– Bom dia, Tyler – Edward respondeu, sem tirar os olhos dos documentos recém-chegados.
Tyler preparou os apetrechos de barbear de Edward e, em seguida, pôs-se a escovar o paletó que o patrão acabara de lhe entregar.
– Seu traje para esta noite deverá ser formal ou informal, milorde?
Edward virou a página do documento.
– Informal – respondeu, distraído. – Lady Cullen acha que tenho passado tempo demais fora de casa, à noite.
Encaminhou-se para o banheiro, sem perceber a expressão de prazer que iluminou as feições do valete. Tyler esperou que Edward entrasse no banho para, então, correr ao andar de baixo e dar a notícia a Amun.
Até lady Isabella invadir a casa, meses antes, destruindo a ordem e disciplina tediosas ali reinantes, Tyler e Amun haviam mantido suas posições de confiança com unhas de dentes, ardendo de ciúme um do outro. Na verdade, tinham se evitado escrupulosamente durante anos. Agora, porém, os dois antigos adversários haviam unidos esforços e interesses em favor do bem-estar do patrão e da patroa.
Amun estava no hall de entrada, encerando uma mesa. Olhando em volta a fim de se certificar de que não havia criados de menor escalão por perto que pudessem ouvi-los, Tyler se aproximou do mordomo, ansioso para partilhar as novidades do romance tumultuado do lorde, ou melhor, da ausência de romance. Em troca, queria ouvir qualquer novidade que Amun tivesse que contar. Inclinou-se para o confidente, sem perceber a presença de O'Malley, que se encontrava no salão contíguo, o ouvido colado à parede.
– O lorde anunciou que jantará em casa esta noite, senhor Amun – o valete sussurrou em tom conspiratório. – Reputo isso um bom sinal.
Amun endireitou-se mantendo a expressão impassível.
– Trata-se de um acontecimento incomum, considerando-se a ausência do lorde nas últimas cinco noites. Porém, não julgo a notícia tão encorajadora.
– Acho que não compreendeu! O lorde foi muito específico: vai ficar em casa porque lady Isabella assim o deseja!
– Ah, isso, sim, é encorajador, senhor Tyler! – Então, foi à vez de Amun olhar em volta, a fim de se certificar se ninguém mais os ouvia. – Creio que o motivo do pedido de lady Isabella foi um certo artigo na Gazette desta manhã, insinuando que lorde Cullen tem desfrutado da companhia de uma certa dançarina de ópera, em Londres.
O'Malley descolou o ouvido da parede e, saindo pela porta lateral do salão, correu para a cozinha.
– Ela conseguiu! – anunciou, triunfante, ao chegar lá.
A Sra. Craddock parou de misturar a massa de torta que estava preparando, tão ansiosa para saber das novidades, que nem se importou quando O'Malley apanhou uma das maças que ela deixara sobre a mesa.
– O que ela conseguiu?
– Conseguiu impor sua vontade a lorde Cullen! Ouvi a conversa de Amun e Tyler. Lady Isabella leu no jornal que lorde Cullen esteve com a senhorita Lauren e disse a ele que ficasse em casa, onde é seu lugar. E é exatamente o que ele vai fazer. Eu disse a todos vocês que ela é capaz de lidar com ele. Soube disso no momento em que ela me contou que é irlandesa! Mas lady Isabella é uma lady de verdade, além de ser muito gentil e alegre.
– A pobre criança tem se mostrado a imagem da tristeza nesses últimos dias – a Sra. Craddock comentou, preocupada. – Mal toca na comida, quando ele não está em casa. E tenho preparado todos os seus pratos prediletos! Ela sempre agradece com tanta gentileza, que tenho vontade de chorar. Não consigo entender por que ele não tem dormido com ela, como deveria...
O'Malley sacudiu a cabeça, também preocupado.
– Ele não a procurou desde a noite de núpcias. Emily tem certeza absoluta disso. E lady Isabella não tem dormido na cama dele, pois as criadas têm ficado de olho no quarto do lorde e garantem que, todas as manhãs, encontram um único travesseiro amarrotado.
Em silêncio pensativo, O'Malley devorou sua maça e estendeu a mão para apanhar outra, mas dessa vez, a Sra. Craddock o impediu.
– Pare de roubar as minhas maças, Eric. Eu as apanhei para fazer uma torta de sobremesa. – Um súbito sorriso iluminou as feições da cozinheira. – Pensando melhor, pode comer as maças. Vou preparar algo mais festivo que uma torta, para a sobremesa de hoje.
A mais jovem das ajudantes de cozinha, uma garota gorducha, de dezesseis anos, decidiu participar da conversa:
– Uma das criadas da lavanderia estava me falando sobre um pó que deve ser colocado no vinho para fazer um homem desejar uma mulher, se o problema for sua virilidade. Todas as criadas, lá, concordam que o lorde deveria provar um pouco do pó... Talvez ajude.
As demais ajudantes concordaram com entusiasmo, mas O'Malley soltou uma gargalhada.
– Por Deus, garota! De onde vocês tiram essas idéias? O lorde não precisa de pó algum. Pode dizer às criadas da lavanderia que eu garanto isso. Sam, o cocheiro, apanhou um resfriado crônico por ter esperado na carruagem, ao relento, todas as noites do inverno passado, até o lorde deixar a cama da senhorita Hawthorne, que foi a amante do lorde, antes da senhorita Lauren.
– Ele esteve com a senhorita Lauren, ontem à noite? – a Sra. Craddock inquiriu. – Ou foi apenas mexerico de jornal?
– Ele esteve com ela, sim – O'Malley respondeu com seriedade. – Ouvi os cavalariços confirmarem a notícia. Só não sabemos o que aconteceu, enquanto ele estava lá. Talvez estivesse apenas se livrando dela.
A Sra. Craddock exibiu um sorriso nada convicto.
– Bem, ao menos, ele vai jantar em casa com a esposa, esta noite. Já é um começo.
O'Malley assentiu em concordância e se dirigiu ao estábulo, a fim de dar a notícia ao cavalariço que o informara sobre as atividades de lorde Cullen na noite anterior.
E foi por isso que, das cento e quarenta pessoas residentes em Wakefield Park, só Isabella se surpreendeu ao ver Edward entrar na sala de jantar, naquela noite.
– Ficará em casa, esta noite? – perguntou, aliviada.
– Tive a impressão de que era isso o que você queria que eu fizesse.
– E era – Isabella admitiu, perguntando-se se a escolha do vestido verde-esmeralda fora adequada e desejando que ele não houvesse se sentado tão longe, na outra ponta da mesa. – Só não esperava que você ficasse. Isto é... – parou de falar quando O'Malley se encaminhou em sua direção, com um brilho de determinação no olhar.
– Seu vinho, milady – ele anunciou, apanhando um dos copos e colocando-o sobre a mesa com um floreio exagerado que, como só poderia ser, resultou em um acidente.
Todo o vinho foi derramado sobre a toalha, bem diante de Isabella.
– O'Malley...! – Amun repreendeu-o de sua posição, ao lado da mesa das comidas, de onde costumava supervisionar o serviço dos lacaios durante as refeições.
O'Malley lançou-lhe um olhar inocente, antes de puxar a cadeira de Isabella e conduzi-la até a outra ponta da mesa, onde Edward estava sentado.
– Peço que me perdoe, milady – ele se desculpou com ar exageradamente arrependido, quando a acomodou à direita de Edward. – Providenciarei mais vinho imediatamente. Então, limparei a toalha. O cheiro de vinho derramado é terrível, não é? Será melhor milady fazer sua refeição longe de lá. Não sei como fui fazer isso. Deve ser meu braço... Tenho sentido muitas dores. Não é nada sério, nada que deva preocupá-la. Apenas um osso que quebrei, quando criança.
Isabella ajeitou o guardanapo no colo e fitou-o com um sorriso de simpatia.
– Lamento saber que seu braço o incomoda, senhor O'Malley.
O'Malley virou-se para lorde Cullen, pronto a recitar mais desculpas falsas, mas sentiu a boca secar ao deparar com o olhar penetrante de Edward, que passava lentamente o dedo pela faca, como se testasse seu corte.
Depois de limpar a garganta, O'Malley voltou a se dirigir a Isabella:
– Vou providenciar outro copo de vinho, milady.
– Lady Cullen não bebe vinho durante as refeições – Edward assinalou em tom irônico. – Ou você mudou seus hábitos, Isabella?
Ela sacudiu a cabeça, sem compreender a comunicação que parecia ocorrer, sem a necessidade de palavras, entre Edward e o pobre O'Malley.
– Mas acho que vou beber um pouquinho esta noite – acrescentou, tentando resolver a estranha situação.
Os criados se retiraram, deixando-os sozinhos. Um silêncio pesado persistiu durante todo o jantar, quebrado apenas pelo ocasional tilintar dos talheres de prata contra a porcelana. Tal silêncio tornou-se ainda mais constrangedor para Isabella quando ela pensou na animação que estaria cercando Edward em Londres, se ele não tivesse ficado em casa com ela.
Quando os pratos foram retirados da mesa e a sobremesa foi servida, a infelicidade de Isabella já havia se transformado em desespero. Por duas vezes, tentara quebrar o silêncio com comentários inócuos sobre o tempo e sobre a excelência dos pratos preparados pela Sra. Craddock. As respostas de Edward, porém, haviam sido monossilábicas e nada encorajadoras.
Isabella sabia que precisava fazer alguma coisa depressa, pois o vazio que os separava tornava-se maior a cada momento, mais profundo a cada dia. Em breve, não existiriam meios de repará-lo.
Sua ansiedade cedeu um pouco quando O'Malley, mal escondendo o sorriso maroto, entrou com um bolo, decorado com duas bandeiras enlaçadas: a inglesa e a americana.
Edward examinou o bolo e ergueu o olhar cínico para o chefe dos lacaios.
– Pelo que vejo, a senhora Craddock está se sentindo particularmente patriota, hoje. Ou a sobremesa foi preparada no intento de me fazer lembrar que sou casado?
O lacaio empalideceu.
– De maneira alguma, milorde – respondeu e, assim que Edward o dispensou com ar de desagrado, desapareceu.
– Se o bolo deveria representar nosso casamento – Isabella comentou com humor impensado —, a Sra. Craddock deveria tê-lo decorado com duas espadas, não duas bandeiras.
– Tem razão – Edward concordou.
Ele parecia tão desinteressado pelo estado lastimável de seu casamento, que Isabella finalmente tomou coragem para abordar o assunto que quisera discutir desde o início do jantar.
– Não quero ter razão, Edward. Por favor, quero que as coisas sejam diferentes entre nós.
Edward reclinou-se na cadeira, fitando-a nos olhos, sem esconder uma pontada de surpresa.
– O que, exatamente, você tem em mente?
– Bem, em primeiro lugar, gostaria que fôssemos amigos. Nós costumávamos conversar e rir juntos.
– Então, vamos conversar.
– Há algum assunto que você gostaria de discutir?
Os olhos de Edward fixaram-se nos dela, enquanto ele pensava: "Quero discutir por que você precisa se embriagar para enfrentar a idéia de ir para a cama comigo. Quero saber por que os meus carinhos a fazem sentir doente".
– Nada em particular – ele respondeu em voz alta.
– Muito bem... Gosta do meu vestido? É um dos que madame Dumosse fez para mim.
Edward baixou os olhos para a pele alva exibida pelo decote do vestido. Isabella ficava linda de verde, pensou, mas precisava de esmeraldas para completar o traje. Se as coisas fossem diferentes, ele dispensaria os criados e a sentaria em seu colo. Então, desabotoaria o vestido, expondo os seios fartos ao seus lábios e as suas mãos. Então, depois de beijá-la e acariciá-la, a levaria para o quarto, e eles fariam amor até esgotarem suas forças.
– É um belo vestido, mas merece um colar de esmeraldas.
Isabella levou a mão ao pescoço, lembrando-se de que não possuía um colar de esmeraldas.
– Você também está muito bem – elogiou, admirando o paletó azul que ele envergava com elegância tão natural. – Você é muito bonito – acrescentou com ternura.
– Obrigado – Edward agradeceu, visivelmente surpreso.
– De nada – Isabella replicou e, por achar que ele gostara do elogio, decidiu explorar aquele tópico de conversa. – Sabia que, quando o vi pela primeira vez, eu o achei assustador? É verdade que já escurecia e eu estava muito nervosa, mas... bem, você é tão grande, que chega a ser assustador.
Edward engasgou com o vinho.
– Do que está falando?
– Do nosso primeiro encontro – ela esclareceu, inocente. – Eu me encontrava lá fora, segurando um leitão nos braços. Então, você me arrastou para dentro, onde estava bem mais escuro e...
Edward se levantou de súbito.
– Sinto muito se não tratei você com cortesia. Agora, se me der licença, vou trabalhar um pouco.
– Não! – Isabella protestou, levantando-se depressa. – Por favor, não trabalhe. Vamos fazer alguma coisa juntos... algo de que você goste.
O coração de Edward disparou. Viu o convite naqueles olhos suplicantes e, no mesmo instante, foi invadido pela esperança e pela incredulidade, que se explodiram em seu peito. Sem pensar, ergueu a mão e acariciou a face de Isabella, para então afagar-lhe os cabelos sedosos.
Isabella estremeceu de prazer, pois ele finalmente a tratava com carinho. Deveria ter tentado aquela aproximação dias antes, em vez de sofrer em silêncio.
– Podemos jogar xadrez – sugeriu, animada. – Não sou muito boa, mas se você...
A mão de Edward congelou no ar e seu rosto se transformou em uma máscara.
– Desculpe, Isabella. Tenho trabalho a fazer.
Passou por ela e se fechou no escritório, onde ficou pelo resto da noite.
Desapontada, Isabella passou o tempo tentando ler. Na hora de se deitar, estava determinada que impedir que ele voltasse a tratá-la como a uma estranha, custasse o que custasse. Lembrou-se de como ele a fitara, antes de sua sugestão sobre jogarem xadrez. Fora igual ao modo como ele costumava fitá-la, antes de beijá-la. Seu corpo reconhecera aquele olhar imediatamente e reagira daquela maneira inexplicável que sempre reagia quando Edward a tocava. Talvez ele houvesse preferido beijá-la, em vez de jogar xadrez. Ora, talvez ele quisesse fazer aquela coisa horrível com ela, de novo...
Isabella estremeceu diante da idéia, mas estaria disposta até mesmo a isso, se pudesse restaurar a harmonia. Sentiu o estômago revirar ao pensar no modo como ele estudara seu corpo, com olhar indiferente, na noite de seu casamento. Talvez não tivesse sido tão ruim se ele a houvesse tratado como a tratava, quando a beijava.
Esperou até ouvir Edward entrar no quarto dele e, usando seu robe de cetim turquesa, abriu a porta de comunicação, que fora devidamente substituída, com exceção do trinco, e entrou.
– Edward, preciso falar com você – anunciou, sem preâmbulos.
– Saia daqui, Isabella – ele retrucou, irritado, acabando de tirar a camisa.
– Mas...
– Não quero conversar – ele a interrompeu com sarcasmo. – Não quero jogar xadrez, não quero jogar cartas.
– Então, o que você quer fazer?
– Quero que saia daqui. Fui claro?
– Eu diria que sim – Isabella respondeu com dignidade. – Não voltarei a incomodá-lo.
Voltou para o seu quarto e fechou a porta atrás de si, embora continuasse firmemente determinada a tornar seu casamento feliz e sólido. Não fazia idéia do que Edward esperava dela. Mais precisamente, não o compreendia. Porém, conhecia alguém que compreendia Edward. Edward tinha trinta anos, era bem mais velho e experiente que ela, mas o capitão Farrell era mais velho que Edward e, sem dúvida, saberia aconselhá-la sobre o que fazer.
Na manhã seguinte, com passos determinados, Isabella foi até o estábulo e lá esperou enquanto o cavalariço selava um cavalo. Seu novo traje de montaria era muito bem cortado, e o casaquinho justo acentuava-lhe o volume arredondado dos seios e a cintura delgada. A blusa branca ressaltava sua pele clara e os cabelos avermelhados, que ela prendera em um coque discreto, na nuca. Ao se olhar no espelho, antes de sair do quarto, sentira-se bastante bonita e sofisticada, o que contribuíra para aumentar sua autoconfiança.
Exibiu um sorriso largo quando o cavalariço lhe trouxe um lindo alazão, cujos pelos reluziam ao sol.
– É um animal muito bonito, Sam. Como se chama?
– Matador, pois creio que veio da Espanha. O lorde deixou instruções para que milady use este cavalo, até o seu chegar, dentro de algumas semanas.
Edward havia lhe comprado um cavalo, Isabella concluiu, enquanto montava com a ajuda de Sam. Não podia compreender a necessidade de adquirir um novo animal, quando seus estábulos eram famosos por abrigarem as melhores montarias da Inglaterra. Mesmo assim, tratava-se de uma atitude bastante generosa e muito típica de Edward Cullen o fato de ele nem sequer ter mencionado o assunto.
Ao parar diante do chalé do capitão Farrell, Isabella suspirou aliviada ao vê-lo abrir a porta e se adiantar para ajudá-la a desmontar.
– Obrigada – agradeceu. – Estava rezando para encontrá-lo em casa.
Ele sorriu.
– Eu pretendia ir até Wakefield, hoje, a fim de verificar como você e Edward estão se saindo.
– Nesse caso – ela comentou com um sorriso triste —, foi bom não ter se dado a esse trabalho.
– A situação não melhorou? – ele inquiriu, surpreso, convidando-a para entrar.
Enquanto Farrel punha água para ferver, a fim de preparar o chá, Isabella se acomodou no sofá, sacudindo a cabeça.
– Eu diria que, se a situação mudou, foi para pior. Bem, não exatamente. Pelo menos, Edward ficou em casa ontem à noite, em vez de ir para Londres, visitar a sua... bem, o senhor sabe, do que estou falando.
Isabella não planejara mencionar questões tão íntimas. Só queria discutir o estado de ânimo de Edward.
O capitão retirou duas xícaras do armário e lançou-lhe um olhar perplexo por cima do ombro.
– Não, não sei do que está falando.
Isabella corou e desviou o olhar.
– Ora, vamos criança! Confiei em você. Devia saber que pode confiar em mim. Com quem mais pode conversar?
– Ninguém – ela respondeu, desolada.
– Se o que tem a dizer é tão difícil, pense em mim como se fosse seu pai, ou pai de Edward.
– Além de não ser nem uma coisa, nem outra, não sei se eu seria capaz de contar ao meu pai o que está querendo saber, capitão.
Ele pôs as xícaras na mesa e virou-se para encará-la.
– Sabe qual é a única coisa que não gosto no mar? A solidão da minha cabina. Às vezes, gosto de estar lá, sozinho, mas quando algo me preocupa, como, por exemplo, uma tempestade que se aproxima, não tenho com quem partilhar meus medos. Não posso deixar meus homens perceberem que estou com medo, pois eles entrariam em pânico. Por isso, tenho de guardar tudo dentro de mim, onde o medo cresce, até atingir proporções exageradas. Às vezes, eu me encontrava em alto-mar e tinha o pressentimento de que minha esposa estava doente, ou correndo algum tipo de perigo, e o sentimento me assombrava porque eu não tinha ninguém para me garantir que tudo não passava de tolice. Se não pode conversar com Edward e não quer conversar comigo, nunca encontrará as respostas que está procurando.
Isabella fitou-o com olhar afetuoso.
– É um dos homens mais gentis que já conheci, capitão Farrell.
– Então, por que não imagina que sou seu pai e conversa comigo?
Muita gente, incluindo mulheres, havia confiado todo tipo de problemas ao Dr. Swan, sem o menor embaraço, ou vergonha. Isabella sabia disso. E se tinha alguma esperança de compreender Edward, precisava conversar com o capitão.
– Muito bem – começou, sentindo-se grata por ele ter o tato de se fingir ocupado com a preparação do chá e lhe dar as costas, pois era muito mais fácil falar, quando ele não a fitava nos olhos. – A verdade é que vim perguntar se o senhor tem certeza de que me contou tudo o que sabe sobre Edward. Mas, para responder a sua pergunta, Edward ficou em casa, ontem à noite, pela primeira vez desde que estive aqui. Ele tem ido a Londres para visitar sua... bem.. sua amante.
O capitão se empertigou, visivelmente chocado, mas não se virou para encará-la.
– O que a levou a essa conclusão? – ele perguntou.
– Li no jornal, ontem pela manhã. Edward havia passado a noite fora e chegou justamente quando eu acabava de ler o artigo. Eu estava furiosa e...
– Posso imaginar.
– E quase perdi a calma, mas tentei ser razoável. Disse a ele que compreendo o fato de um marido civilizado ter uma amante, mas acho que ele deve ser discreto e...
O capitão virou-se de súbito, boquiaberto.
– Disse a ele que acha "civilizado" ele ter uma amante, mas que deve ser "discreto"?
– Sim. Não deveria?
– Por que disse isso? Aliás, por que pensa assim?
Isabella reconheceu o tom de crítica na voz do capitão e ficou imediatamente tensa.
– A senhorita Wilson... Zafrina Wilson explicou que, na Inglaterra, é comum os maridos que consideram suas esposas terem...
– Zafrina Wilson? – ele repetiu, incrédulo. – Zafrina Wilson é uma solteirona, sem mencionar que não é muito certa da cabeça! Edward costumava mantê-la em Wakefield para ajudar a cuidar de Seth, pois só assim o garoto recebia carinho e atenção, quando Edward tinha de viajar. Zafrina era carinhosa e atenciosa, sem dúvida, mas um dia perdeu o bebê dentro de casa! E você foi pedir conselhos a uma mulher como ela?
– Não pedi. Ela ofereceu a informação – Isabella se defendeu, corando.
– Desculpe, se gritei com você, criança. Na Irlanda, uma esposa bate no marido com um cabo de vassoura, se ele for procurar outra mulher! É mais simples, mais direto e muito mais eficiente, eu garanto. Por favor, continue o que estava contando. Disse que confrontou Edward e...
– Acho melhor não continuar. Na verdade, não foi boa idéia ter vindo até aqui. Eu só queria saber se o senhor pode explicar por que Edward se tornou distante depois da noite...
– O que quer dizer com "distante"?
– Não sei como explicar.
Ele encheu as duas xícaras de chá.
- Isabella, está tentando me dizer que Edward não tem se deitado com você?
As faces de Isabella se tornaram escarlate.
– A verdade é que ele não faz isso desde a nossa noite de núpcias, embora eu temesse que fosse fazê-lo, quando derrubou a porta depois de eu tê-la trancado...
Sem dizer uma palavra, o capitão depositou as xícaras na mesa e encheu dois copos de uísque. Então, estendeu um deles para Isabella.
– Beba isto – ordenou. – Tornará mais fácil falar e eu quero ouvir o resto da história.
– Sabe, antes de vir para a Inglaterra, eu nunca tinha bebido, exceto depois do enterro de meus pais, quando tomei vinho. No entanto, desde que cheguei aqui, as pessoas me dão vinho, conhaque e champanhe, dizendo que vou me sentir melhor, mas não me sinto melhor com a bebida.
– Beba – ele insistiu.
– No dia do casamento, eu estava tão nervosa que tentei fugir de Edward, no altar. Então, quando chegamos a Wakefield, achei que um pouco de vinho me ajudaria a enfrentar o resto da noite. Bebi cinco copos, na festa, mas tudo o que consegui foi ficar enjoada, quando... quando fui para a cama, mais tarde.
– Está dizendo que quase abandonou Edward no altar, diante de todas as pessoas que o conhecem?
– Sim, mas não me dei conta do que estava fazendo. Edward percebeu, infelizmente.
– Meu Deus!
– E, na nossa noite de núpcias, eu quase vomitei.
– Meu Deus! – ele repetiu. – E, na manhã seguinte, trancou Edward para fora do seu quarto?
– E, ontem, disse a ele que considera "civilizado" ele procurar a amante?
Quando Isabella assentiu novamente, Farrell limitou-se a fitá-la, boquiaberto, por um longo momento.
– Tentei compensar tudo isso, ontem à noite – Isabella informou-o na defensiva.
– É bom ouvir isso.
– Sim, sugeri que fizéssemos qualquer coisa que ele tivesse vontade de fazer.
– O que deve ter melhorado um bocado o humor dele – o capitão calculou com um sorriso satisfeito.
– Bem, por um momento, foi o que pensei. Mas, quando sugeri que jogássemos xadrez, ele se tornou...
– Sugeriu que jogassem xadrez? Pelo amor de Deus! Por que xadrez?
Isabella fitou-o com expressão magoada.
– Tentei pensar nas coisas que meu pai e minha mãe costumavam fazer juntos. Pensei em sugerir um passeio pelo campo, mas estava muito frio.
Visivelmente entre a vontade de rir e o quase desespero, o capitão sacudiu a cabeça.
– Pobre Edward – murmurou baixinho, antes de voltar a encarar Isabella com seriedade. – Garanto que seus pais faziam... outras coisas, juntos.
– Como por exemplo? Ela perguntou, inocente, pensando nas noites que seus pais passavam diante da lareira, lendo bons livros.
Sua mãe também cozinhava os pratos prediletos de seu pai, mantinha a casa limpa e arrumada e cuidava das roupas dele. Edward, porém, contava com um verdadeiro exército de criados para desempenhar tais funções com perfeição. Ela olhou para Farrell com expressão confusa.
– A que tipo de coisa está se referindo? – indagou.
– Estou me referindo às coisas íntimas que seus pais faziam quando você estava na sua cama e eles, na deles – o capitão respondeu.
Uma lembrança antiga voltou à mente de Isabella: seus pais parados diante do quarto de sua mãe, a voz suplicante do pai, que tentava abraçar a esposa, dizendo: "Não me recuse, Renée. Pelo amor de Deus, não...".
Só agora Isabella se dava conta de que sua mãe recusava que seu pai partilhasse sua cama. Então, lembrou-se de como ele parecera magoado e desesperado e de como ela ficara furiosa com a mãe por magoá-lo. Seus pais eram amigos, sem dúvida, mas sua mãe jamais amara seu pai. Renée amava Carlisle Cullen e, por isso, se negara a dormir com o marido, depois que Alice nascera.
Isabella pensou em como seu pai sempre parecera solitário. Perguntou-se se todos os homens se sentiam solitários, ou, talvez, rejeitados, se suas esposas se recusavam a dormir com eles.
A mãe não amara o pai, mas eles haviam sido amigos. Amigos... Isabella deu-se conta de que estava tentando transformar Edward em seu amigo, exatamente como a mãe fizera com seu pai.
– Você é uma mulher cheia de vida e de coragem, Isabella. Esqueça os casamentos que viu na ton, pois são vazios, insatisfatórios e superficiais. Pense no casamento de seus pais. Eles eram felizes, não eram?
O silêncio prolongado levou o capitão a franzir o cenho e mudar o foco da conversa.
– Esqueça o casamento de seus pais, também. Conheço os homens e conheço Edward. Por isso, quero que se lembre de uma coisa. Se uma mulher trancar seu marido para fora do quarto, ele vai trancá-la para fora de seu coração. É o que vai fazer, se possuir orgulho. E o que não falta a Edward é orgulho. Ele não vai se ajoelhar a seus pés, nem implorar pelos seus favores. Você se negou a se entregar a ele. Agora, cabe a você fazer com que Edward compreenda que não é assim que você pretende viver, ao lado dele.
– E como posso fazer isso?
– Não sugerindo um jogo de xadrez. Nem pensando que é civilizado e correto ele ter uma amante. – O capitão coçou a cabeça, um tanto embaraçado. – Nunca me dei conta de quanto deve ser difícil para um homem criar uma filha. Existem coisas difíceis de discutir com o sexo oposto.
Isabella se pôs de pé.
– Vou pensar em tudo o que me disse – prometeu, tentando disfarçar seu próprio embaraço.
– Posso lhe fazer uma pergunta?
– Nada mais justo, já que fiz tantas – ela respondeu com um sorriso, disfarçando o pânico.
– Alguma vez, alguém conversou com você sobre o amor no casamento?
– Não é o tipo de coisa que uma mulher discuta, a não ser com sua mãe – ela respondeu, voltando a corar. – Ouvi falar de obrigações maritais, claro, mas não entendi muito bem...
– Obrigações! – Farrell repetiu com desgosto. – No meu país, as mulheres mal podem esperar pela noite de núpcias. Vá para casa e trate de seduzir seu marido, menina. Ele se encarregará do resto. E nunca mais pensará nisso como sendo uma "obrigação", depois que vocês se entenderem. Conheço Edward o bastante para ter certeza do que estou dizendo.
– Se eu fizer o que está dizendo, ele ficará feliz comigo?
– Sim. E vai fazer você muito feliz, também.
Isabella deixou o copo de uísque intocado sobre a mesa.
– Sei pouco sobre o casamento, menos ainda sobre ser uma boa esposa e absolutamente nada sobre sedução.
O capitão estudou a beldade ruiva a sua frente e teve de conter o riso.
– Não creio que vá precisar se esforçar para seduzir Edward, minha querida. Assim que perceber que você o quer em sua cama, tenho certeza de que ele não perderá tempo em atendê-la.
Isabella corou ainda mais, sorriu envergonhada e se dirigiu para a porta.
Voltou para casa tão distraída com os próprios pensamentos, que nem percebeu como Matador era gentil e, ao mesmo tempo, rápido. Quando puxou as rédeas diante da porta da mansão, estava certa de uma coisa, ao menos: não queria que Edward tivesse um casamento que o fizesse se sentir tão solitário quanto fora o de seu pai.
Submeter-se a Edward na cama não seria tão terrível, especialmente se, em outros momentos, ele a beijasse daquele jeito ousado que fazia seu corpo tremer e amolecer. Em vez de pensar em vestidos novos, como a srta. Flossie havia sugerido, quando Edward estivesse na cama, trataria de se lembrar daqueles beijos. Àquela altura, já podia até admitir que adorava os beijos de Edward. Era uma pena que os homens não fizessem aquele tipo de coisa quando estavam na cama, ela pensou. Tudo seria mais fácil e melhor!
– Não me importo! – Isabella falou em voz alta e determinada.
Estava decidida a fazer qualquer coisa que pudesse deixar Edward feliz e recuperar a proximidade que tinham antes. Segundo o capitão Farrell, tudo o que precisava fazer era insinuar para Edward que ela queria que ele partilhasse sua cama.
– Lorde Cullen está em casa? – perguntou a Amun, assim que chegou em casa.
– Sim, milady. Está no escritório.
– Sozinho?
– Sim, milady.
Isabella agradeceu e foi até o escritório. Abriu a porta e entrou sem fazer barulho. Edward estava sentado à escrivaninha, diante de uma pilha de papéis. Isabella estudou-o, vendo o garotinho que saíra da infância pobre e miserável, para se transformar em um homem rico, atraente e poderoso. Ele fizera fortuna, comprara propriedades, perdoara o pai e abrigara uma órfã vinda da América. Ainda assim, estava sozinho. Ainda trabalhava, ainda tentava.
"Eu amo você", ela pensou, e seus joelhos quase vergaram diante da constatação inesperada. Sempre amara Jacob, mas jamais sentira aquela necessidade desesperada de fazê-lo feliz. Sim, amava Edward, apesar das advertências de seu pai e das do próprio Edward, que não queria o seu amor, mas apenas o seu corpo. Era uma ironia do destino Edward ter exatamente o que não queria e, ao mesmo tempo, não ter o que queria. E Isabella estava determinada a fazê-lo querer as duas coisas.
Atravessou o escritório, seus passos abafados pelo tapete espesso, e parou atrás da cadeira de Edward.
– Por que trabalha tanto? – perguntou com voz suave.
Ele se sobressaltou ao ouvir sua voz, mas não se virou.
– Gosto de trabalhar – respondeu. – Quer alguma coisa? Estou muito ocupado.
Não foi um bom começo e, por uma fração de segundo, Isabella chegou a pensar em falar com toda a objetividade que queria que ele a levasse para a cama. A verdade, porém, era que ela não tinha tanta ousadia, nem se sentia tão ansiosa para ir para a cama, especialmente quando Edward parecia estar com um humor bem pior do que na noite do casamento. Na esperança de melhorar-lhe o ânimo, falou:
– Deve ter dores nas costas, passando tanto tempo sentado.
Reuniu toda a coragem que possuía para pousar as mãos nos ombros dele e massageá-los.
O corpo de Edward tornou-se tenso no momento em que ela o tocou.
– O que está fazendo? – ele inquiriu.
– Pensei em fazer uma massagem nos seus ombros.
– Meus ombros não precisam dos seus cuidados, no momento, Isabella.
– Por que está me tratando assim? – ela perguntou, dando a volta na mesa e parando diante dele.
Como se voltasse a escrever, ignorando-a por completo, Isabella sentou-se na beirada da mesa.
Edward largou a pena com expressão contrariada, reclinou-se na cadeira e encarou-a. A coxa de Isabella estava bem ao lado de sua mão, a perna balançando, enquanto ela lia o documento sobre a mesa. Como se tivessem vontade própria, os olhos de Edward subiram até a altura dos seios redondos, moldados pela blusa, e continuaram até pousarem nos lábios generosos e convidativos.
– Saia de cima da mesa e me deixe em paz – ordenou.
– Como desejar – ela replicou com um sorriso e se pôs de pé. – Só vim lhe desejar um bom-dia. O que gostaria de comer no jantar?
Você, ele pensou, mas respondeu:
– Qualquer coisa.
– E para sobremesa, quer algo especial?
O mesmo que gostaria no jantar, Edward pensou.
– Não – falou em voz alta, cerrando os dentes na tentativa de controlar os impulsos que haviam tomado conta de seu corpo.
– Você é muito fácil de agradar – Isabella provocou-o, passando um dedo pelas sobrancelhas negras de Edward.
Ele arrebatou-lhe a mão com um gesto ágil, segurando-a com força.
– O que pensa que está fazendo?
Embora tremesse por dentro, Isabella conseguiu dar de ombros, fingindo-se impassível.
– Há sempre uma porta entre nós. Só pensei em abrir a porta de seu escritório e ver o que você estava fazendo.
– Há muito mais que portas nos separando – ele a corrigiu, soltando-lhe a mão.
– Eu sei – ela concordou com tristeza, fitando-o diretamente nos olhos.
Edward desviou o olhar.
– Estou muito ocupado – declarou, antes de voltar ao documento que abandonara.
– Estou vendo – Isabella murmurou. – Ocupado demais para mim, agora.
Com isso, saiu em silêncio.
Pouco antes do jantar, Isabella entrou no salão, usando um vestido cor de pêssego que aderia a cada curva de seu corpo, além de ser quase totalmente transparente. Edward estreitou os olhos.
– Eu paguei por isso?
Percebendo a direção do olhar dele, Isabella sorriu e respondeu:
– Claro. Não tenho dinheiro algum.
– Não use esse vestido fora de casa. É indecente.
– Eu sabia que você iria gostar! – ela comentou com uma risadinha.
Edward fitou-a como se não acreditasse nos próprios ouvidos.
– Aceita um cálice de licor?
– Não! Como já deve ter percebido, não me dou bem com álcool. Sempre que bebo, fico enjoada. Veja o que aconteceu na nossa noite de núpcias. – Sem fazer idéia da importância do que estava dizendo, Isabella virou-se para examinar um valiosíssimo vaso de porcelana chinesa e, de súbito, teve uma idéia. – Quero ir a Londres amanhã.
– Por quê?
Ela se acomodou no braço da cadeira em que Edward acabara de se sentar.
– Para gastar o seu dinheiro, é claro.
– Não me lembro de ter lhe dado dinheiro – ele murmurou, distraído pela proximidade da perna bem torneada.
– Ainda tenho a maior parte do dinheiro que você tem me dado como mesada. Vai comigo a Londres? Quando eu terminar as compras, poderemos ir ao teatro e dormir na mansão da Brook Street.
– Tenho uma reunião de negócios, aqui, depois de amanhã.
– Sem problemas. Voltaremos amanhã à noite.
– Não posso perder tanto tempo.
– Edward... – Isabella falou com ternura, enroscando os dedos nos cabelos dele.
Ele se pôs de pé, fitando-a com ar de desprezo.
– Se quer dinheiro, diga logo, mas pare de se comportar como uma prostituta barata, ou vou tratá-la como tal e você vai acabar naquele sofá, com a saia acima da cabeça.
Isabella foi tomada pela fúria e pela humilhação.
– Pois saiba que prefiro ser uma prostituta barata a ser tola e cega, como você, que interpreta mal todos os gestos das pessoas e vai tirando conclusões erradas!
– O que, exatamente, você está querendo dizer?
– Descubra você mesmo! Afinal, você é ótimo para adivinhar tudo o que sinto e penso. É uma pena que esteja sempre errado! Mas vou lhe dizer uma coisa: se eu fosse uma prostituta, morreria de fome, se dependesse de você! E tem mais! Pode jantar sozinho e despejar o seu mau humor nos criados, em vez de em mim. Amanhã irei a Londres sem você!
Com isso, Isabella saiu do salão, deixando Edward mais confuso do que nunca. Ao chegar a seu quarto, tirou o vestido transparente e vestiu um robe de cetim. Sentou-se à penteadeira e, à medida que sua ira se dissipava, um sorriso maroto curvou-lhe os lábios. A expressão de Edward ao ouvi-la dizer que morreria de fome se fosse uma prostituta se dependesse dele fora cômica.


[N/A Fanfic]
Mas, essa minha anjinha é danada!
Adorei a Bella atormentando o Edward mesmo não tendendo ideia do que faz com ele.
O que eu disse? A Bella vai infernizar o nosso Lorde Malvado !
Coitado meninas, esse homem via louco!
Mais não posso dizer que ele via mudar agora! O Edward ainda vai apronta muito, ele está lutando contra o que sente pela nossa Bellinha.
Vamos torcer a para nossa Anjinha seduzir esse homem, mesmo que seja da forma inocente dela.

Gente nos encontramos no sábado com um novo capitulo... 

Bjs e boa noite...

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3 comentários:

  1. porque terca se sao dias alternad
    os

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  2. Terça?..nao entendi! Não vai postar no sábado? Essa foi de quinta, a próxima seria s a sábado. ..mudou? ??

    ResponderExcluir

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