domingo, 21 de setembro de 2014

Fanfic "Agora e Sempre" - Capítulo 10

Autora: Gaby
Censura: +16
Capítulos:15
Postagens: Dias alternados
Shipper: Edward e Bella
Sinopse: Em 1815 órfã e sozinha, a jovem americana Isabella Swan atravessou o vasto oceano com destino à Inglaterra. Determinada a assumir a herança perdida havia tanto tempo, surpreendeu-se diante da suntuosa propriedade de seu primo distante, o mal-afamado lorde Edward Cullen. Disputado pelas mais belas mulheres da alta sociedade, solteiras ou casadas, Edward era um mistério para ela. Confusa com sua postura arrogante, porém atraída por seu imenso poder de sedução , ela deslumbrou poderosas lembranças nos profundos olhos verdes de Edward...

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Capítulo 10

– Boa tarde, querida – Carlisle cumprimentou, alegre, apontando para a beirada da cama a seu lado. – Sente-se aqui. Sua visita com Edward, ontem à noite, fez verdadeiros milagres por minha saúde. Agora, conte-me sobre os planos de casamento.
Isabella sentou-se.
– Na verdade, tudo é muito confuso, tio Carlisle. Amun acaba de me informar que Edward voltou para Wakefield e levou tudo o que havia no escritório.
– Eu sei – Carlisle falou com um sorriso. – Ele veio me ver antes de partir e disse que decidiu fazer isso "em nome das aparências". Quanto menos tempo passar perto de você, menor a chance de mexericos.
– Então, foi por isso que ele partiu – Isabella murmurou com expressão pensativa.
Os ombros de Isabella sacudiram com o riso que ele não pôde conter.
– Minha criança, acho que esta foi a primeira vez na vida de Edward que ele fez uma concessão às convenções! Não foi fácil para ele, mas fez assim mesmo. Decididamente, você exerce uma boa influência sobre Edward. Quem sabe você também consiga ensiná-lo a não zombar dos princípios.

Isabella retribuiu o sorriso, sentindo-se subitamente aliviada e feliz.
– Receio não saber nada sobre os planos para o casamento, exceto que vai se realizar em uma grande igreja aqui, em Londres.
– Edward está cuidando de tudo. Levou o secretário para Wakefield, assim como os criados, para que possam fazer os preparativos. Depois da cerimônia, haverá uma festa de casamento em Wakefield, para os seus amigos e alguns residentes da vila. Acredito que a lista de convidados, bem como os convites, já estão sendo preparados. Portanto, você não tem de fazer nada além de ficar aqui e se divertir com a surpresa das pessoas, quando souberem que você será a única e verdadeira duquesa de Masen.
Isabella acenou com a mão, indicando que isso não tinha importância para ela. Então, arriscou entrar em um assunto bem mais delicado.
– Na noite em que ficou doente, o senhor mencionou algo sobre a minha mãe... algo que pretendia me contar.
Carlisle virou-se para a janela e Isabella apressou-se em acrescentar:
– Não precisa me contar, se as lembranças lhe fazem mal.
– Não é isso – ele falou, voltando a encará-la. – Sei que você é sensata e compreensiva, mas ainda é muito jovem. Amava seu pai, provavelmente, tanto quanto amava sua mãe. Quando eu lhe contar o que tenho a dizer, pode começar a pensar em mim como um intruso no casamento dos dois, embora eu jure que nunca tenha entrado em contato com sua mãe, depois que ela se casou com seu pai. Isabella... a verdade é que temo que você me despreze, quando ouvir a minha história.
Isabella prendeu a mão dele entre as suas e assegurou-o:
– Como posso desprezar alguém que teve o bom senso de amar minha mãe?
– Você também herdou o coração de sua mãe, sabia? – Carlisle declarou com voz embargada pela emoção.
Como Isabella ficasse em silêncio, ele voltou a olhar para a janela e começou a contar a história de seu envolvimento com Renée. Só voltou a fitá-la quando terminou e, ao fazê-lo, não encontrou o menor sinal de reprovação, apenas compaixão e tristeza.
– Como vê – Carlisle concluiu —, eu a amava de todo o coração. Eu a amava e a afastei da minha vida, quando ela era a única e verdadeira razão que eu tinha para viver.
– Minha bisavó o forçou a fazer isso – Isabella corrigiu–o.
– Seus pais eram felizes? Sempre quis saber que tipo de casamento eles tinham, mas não tive coragem de perguntar.
Isabella se lembrou da cena horrível que havia presenciado em uma noite de Natal, mas que fora superada pelos dezoito anos de carinho e consideração que os dois haviam devotado um ao outro.
– Sim, eles eram felizes. O casamento de mamãe e papai não se parecia em nada com os que vemos na ton.
– O que quer dizer com isso? – Carlisle perguntou, sorrindo diante da aversão com que ela pronunciara as palavras.
– Refiro-me ao tipo de casamento que a maioria das pessoas tem, aqui, exceto por Emmett e Rosalie Collingwood e outros poucos. O tipo de casamento no qual um casal raramente é visto na companhia um do outro e, quando aparecem juntos em um evento, comportam-se como estranhos gentis e corteses. Os cavalheiros estão sempre fora de casa, desfrutando de suas diversões, enquanto as mulheres têm amantes. Meus pais, ao menos, viviam em um lar de verdade e nós formávamos uma família de verdade.
– Suponho que você pretende ter um casamento à moda antiga e uma família à moda antiga – Carlisle provocou-a, demonstrando gostar da idéia.
– Não creio que Edward queira esse tipo de casamento.
Isabella não poderia contar a Carlisle que Edward lhe propusera dar-lhe um filho e, então, ir embora. O que lhe servia de consolo era o fato de ele ter deixado claro que preferia tê-la ao seu lado.
– Duvido que Edward saiba o que quer, no momento. Ele precisa de você, Isabella. Precisa do seu calor e do seu espírito. Não vai admitir nem para si mesmo e, quando o fizer, não vai gostar nada disso. Acredite, ele vai tentar lutar contra os próprios sentimentos. Mas, cedo ou mais tarde, Edward abrirá o coração para você e, quando isso acontecer, encontrará a paz. Então, ele fará de você a mulher mais feliz do mundo.
Ela se mostrou tão cética, que Carlisle acrescentou depressa:
– Tenha paciência, criança. Se Edward não fosse tão forte, de corpo e espírito, não teria sobrevivido até os trinta anos. Ele tem cicatrizes profundas, mas você tem dom de curá-las.
– Que tipo de cicatrizes?
Carlisle sacudiu a cabeça.
– Será melhor para vocês dois se Edward lhe contar, ele mesmo, sobre sua vida e, especialmente, sua infância. Se ele não fizer isso, então você poderá me procurar e eu lhe contarei.
Nos dias que se seguiram, Isabella teve pouco tempo para pensar em Edward, ou em qualquer outra coisa. Mal deixara o quarto de Carlisle, naquela tarde, quando madame Dumosse chegou, acompanhada por quatro costureiras.
– Lorde Cullen pediu-me que confeccionasse um vestido de noite para a senhorita – ela informou, andando em volta de Isabella. – Ele disse que o vestido deve ser rico, elegante, exclusivo, digno de uma rainha.
Dividida entre a vontade de se rebelar e a de cair na risada diante do autoritarismo de Edward, Isabella perguntou com ironia:
– Ele por acaso, escolheu a cor?
– Azul.
– Azul! – Isabella repetiu, preparada para uma luta corporal pelo branco, se fosse necessário.
Madame Dumosse assentiu, examinando-a com ar pensativo.
– Sim, azul pálido. Ele disse que essa cor fica gloriosa em você, que a faz parecer um anjo de cabelos de fogo.
De súbito, Isabella decidiu que azul pálido era uma cor adorável para seu vestido de noiva.
– Lorde Cullen tem muito bom gosto – madame Dumosse comentou. – Não acha?
– Sem a menor sombra de dúvida – Isabella declarou com uma risada.
Quatro horas depois, quando madame Dumosse finalmente se retirou, Isabella foi informada de que lady Rosalie Collingwood encontrava-se a sua espera, no salão dourado.
– Isabella – a amiga a recebeu com expressão ansiosa. – Lorde Cullen esteve em nossa casa, esta manhã, para nos convidar para o casamento. Fiquei honrada por ser sua dama de honra, como ele disse ser o seu desejo, mas foi tudo tão de repente...
Isabella foi invadida por imenso prazer ao saber que Edward se lembrara de que ela precisaria de uma dama de honra e que havia convidado Rosalie, sua melhor amiga, para a função.
– Não imaginei que você estivesse desenvolvendo uma ligação duradoura com lorde Cullen – Rosalie continuou. – Você quer mesmo se casar com ele, não é? Ou está sendo... forçada de alguma maneira?
– Só pelo destino – Isabella respondeu com um sorriso e se deixou afundar em uma poltrona. Ao perceber a preocupação genuína da amiga, esclareceu: – Não estou sendo forçada. É o que eu quero fazer.
As feições de Rosalie se desanuviaram, expressando seu alívio e alegria.
– Fico tão feliz em ouvir isso! Estava torcendo para que as coisas se acertassem entre vocês. – Diante do olhar cético de Isabella, a condessa explicou: – Nas últimas semanas, tive a oportunidade de conhecer lorde Cullen melhor e sou obrigada a admitir que, agora, concordo com Emmett. Ao que parece, tudo o que falam dele não passa de resultado de mexericos iniciados por uma única mulher particularmente maldosa. Duvido que alguém tivesse acreditado em todos esses rumores, se lorde Cullen não fosse tão fechado. Mas, como Emmett diz, lorde Cullen é um homem orgulhoso e, por isso, jamais se esforçaria para mudar a opinião que os outros têm sobre ele. Especialmente quando as pessoas foram injustas!
Isabella reprimiu o riso diante da defesa apaixonada que sua amiga estava fazendo do homem que, um dia, temera e condenara. Porém, essa era uma atitude típica de Rosalie, incapaz de encontrar nem um defeito sequer nas pessoas de quem gostava e, ao mesmo tempo, de admitir alguma qualidade nas que a desagradavam. Tal característica fazia dela a mais leal das amigas, e Isabella sentia-se profundamente grata por contar com aquela amizade inabalável.
– Obrigada – agradeceu a Amun, que entrou com uma bandeja de chá.
– Não sei por que eu o achava assustador – Rosalie falou, enquanto Isabella servia o chá. – Cometi um grave erro ao permitir que minha imaginação turvasse a razão. Acho que, em parte, ele me assustava por ser tão alto e forte e por ter cabelos tão bronzes. O que é ridículo, claro. Sabe o que ele disse pela manhã, quando se despedia de nós?
– Não – Isabella respondeu, divertindo-se com a urgência de Rosalie em absolver Edward de seu julgamento injusto. – O que ele disse?
– Que eu o faço lembrar de uma linda borboleta.
– Quanta gentileza.
– Foi mesmo, mas não tão gentil quanto à descrição que ele fez de você.
– De mim? Ora, mas como tudo isso começou?
– Está se referindo aos elogios? Eu disse a ele quanto estava feliz por saber que você iria se casar com um inglês e ficar aqui, pois assim poderemos continuar amigas. Lorde Cullen riu e disse que nós duas nos completamos, pois eu o faço lembrar de uma linda borboleta e você é como uma flor silvestre, que resiste às adversidades e ilumina a vida de todos a sua volta. Não foi lindo?
– Muito – Isabella concordou, invadida por um imenso sentimento de satisfação.
– Acho que ele está muito mais apaixonado por você do que demonstra – Rosalie arriscou. – Afinal, ele duelou por sua causa!
Quando Rosalie partiu, Isabella já estava quase totalmente convencida de que Edward gostava muito dela. Tal conhecimento foi o responsável por seu excelente humor na manhã seguinte. Quando uma interminável procissão de visitantes apareceu na mansão para lhe desejar felicidades pelo casamento iminente.
Isabella conversava com um grupo de jovens mulheres, quando o objeto da discussão romântica entrou no salão. O riso alegre deu lugar a murmúrios nervosos no instante em que as moças avistaram a figura impressionante do imprevisível marquês de Wakefield. Vestindo um traje de montaria negro, que o fazia parecer ainda mais bonito e poderoso, ele nem mesmo se deu conta do efeito que exercia sobre aquelas mulheres, muitas das quais haviam acalentado por muito tempo a esperança de, um dia, cativar-lhe o coração.
– Bom dia, senhoritas – cumprimentou-as com um sorriso estonteante, antes de se virar para Isabella. – Pode me dar um minuto?
Isabella se levantou de pronto, pediu licença às visitantes e o acompanhou até o escritório.
– Não vou mantê-la afastada de suas amigas por muito tempo – ele prometeu, enfiando a mão no bolso do paletó.
Sem dizer mais nada, tomou a mão de Isabella e colocou um anel em seu dedo. Ela examinou a jóia. Uma fileira de lindas safiras no centro, ladeada por duas de brilhantes, uma de cada lado.
– Edward, é lindo! – exclamou. – É o anel mais maravilhoso que já vi! Obrigada...
– Agradeça com um beijo – ele lembrou com voz suave.
Quando Isabella se pôs na ponta dos pés, os lábios de Edward capturaram os dela em um beijo embriagante, que lhe drenou toda a resistência. Enquanto ela ainda se recuperava do assalto avassalador, ele a fitou nos olhos e perguntou:
– Acha que, da próxima vez, poderá me beijar sem que eu peça?
O tom de quase súplica derreteu o coração de Isabella. Edward se oferecera para ser seu marido, pedindo pouco em troca. Assim, ela deslizou as mãos pelo peito largo, até alcançar-lhe a nuca e enroscar os dedos nos cabelos bronzes, ligeiramente encaracolados. Sentiu um tremor sacudir o corpo de Edward quando, com um gesto inocente, roçou os lábios nos dele, em uma exploração lenta e inexperiente da boca que lhe proporcionava sensações tão maravilhosas quando a beijava.
Abandonando-se à torrente de emoções provocadas pelo beijo, Isabella não se apercebeu do volume que crescia de encontro a seu ventre e, em um impulso automático, moldou o corpo ao dele. E, então, tudo mudou. Os braços de Edward a enlaçaram com força inesperada, ao mesmo tempo em que seus lábios se tornavam mais exigentes. Um instante depois, seus corpos se encontravam colados, ardendo no fogo da paixão.
Quando Edward, finalmente, descolou os lábios dos de Isabella, ele a fitou com uma expressão estranha, que mesclava desejo e divertimento.
– Eu devia ter lhe dado safiras e brilhantes, em vez de pérolas, na noite em que ficamos noivos. Mas não me beije desse jeito de novo, até estarmos casados.
Isabella fora advertida pela mãe e pela srta. Flossie de que um cavalheiro poderia se deixar levar por seu ardor, o que o faria comportar-se de maneira indesejada com uma jovem que, erradamente, permitisse que ele perdesse a cabeça. Seus instintos lhe disseram que Edward estava tentando lhe dizer que estivera prestes a perder a cabeça durante aquele beijo ardente. E Isabella não pôde evitar uma pontada de satisfação feminina por saber que seu beijo, mesmo tão inexperiente, era capaz de exercer tal efeito sobre um homem como ele. Especialmente levando em conta que Jacob jamais se mostrara tão afetado por seus beijos, embora ela jamais o tivesse beijado da maneira que Edward gostava que o fizesse.
– Vejo que compreendeu o que eu quis dizer – Edward concluiu com um sorriso maroto. – Pessoalmente, não supervalorizo a virgindade. Existem muitas vantagens em se casar com uma mulher que já tenha aprendido a satisfazer um homem...
Esperou por alguma reação de Isabella, mas ela se limitou a desviar o olhar, embaraçada. Afinal, sua virgindade deveria ser o maior presente de casamento para seu marido, ou, ao menos fora isso em que ela acreditara a vida inteira. Portanto, não poderia oferecer a ele a menor experiência em "satisfazer um homem", fosse o que fosse o significado daquelas palavras.
– Eu... sinto muito... por desapontá-lo – balbuciou. – Na América, as coisas são diferentes.
Apesar da tensão evidente na voz de Edward, suas palavras foram gentis:
– Não precisa se desculpar, nem ficar tão infeliz, Isabella. Nunca tenha medo de me dizer a verdade, por pior que ela possa parecer. Não só aceito, como também admiro sua coragem em dizê-la. – Acariciou-lhe a face com ternura. – Nada disso tem importância. Agora, diga-me se gostou do anel e volte para a companhia de suas amigas.
– Adorei – Isabella falou com sinceridade. – É tão lindo, que já estou morrendo de medo de perdê-lo.
Edward deu de ombros com indiferença.
– Se você o perder, comprarei outro.
Com essas palavras, ele se foi, deixando Isabella a olhar para o anel, desejando que Edward não fosse tão generoso com relação a uma possível perda. Ela gostaria que aquele anel fosse mais importante para ele, além de não tão fácil de substituir. Por outro lado, como prova de afeto, era apropriado, uma vez que ela era pouco importante e igualmente fácil de ser substituída na vida de Edward.
Ele precisa de você. As palavras de Carlisle ecoaram na mente de Isabella e ela sorriu ao se lembrar de que, ao menos quando estava nos braços dele, Edward realmente precisava dela. Sentindo-se melhor, voltou ao salão, onde o anel provocou exclamações maravilhadas das amigas.
Nos dias que precederam o casamento, quase trezentas pessoas visitaram Isabella, a fim de lhe desejar felicidades. Carruagens elegantes deixavam seus ocupantes à porta da mansão e voltavam para apanhá-los vinte minutos depois, obedecendo às regras de etiqueta da ton. Enquanto isso, Isabella permanecia no salão, ouvindo matronas sofisticadas que a cobriam de conselhos sobre a difícil tarefa de administrar uma casa e receber convidados pertencentes à nobreza. As mais jovens contavam como era difícil contratar boas governantas e selecionar os melhores professores para os filhos. E, em meio àquele alegre caos, Isabella começou a desenvolver o sentimento de que pertencia àquela vida. Até então, ela não tivera oportunidade de conhecer melhor aquelas pessoas, nem de conversar com elas sobre assuntos que não fossem os mais superficiais. Por isso, estivera inclinada a vê-las como mulheres ricas e mimadas, incapazes de se preocupar com qualquer coisa, exceto jóias, vestidos e diversão. Agora, podia vê-las sob uma nova luz, como esposas e mães dedicadas, sinceramente preocupadas em cumprir suas tarefas de maneira exemplar. E isso a agradava imensamente.
De todas as pessoas que conhecia, somente Edward se mantinha distante, mas ele fazia isso em nome das aparências e Isabella tinha de lhe ser grata, mesmo que tal afastamento às vezes lhe desse a impressão de estar prestes a se casar com um estranho. Carlisle descia com freqüência, a fim de receber as visitantes e deixar bem claro que Isabella contava com sua plena aprovação e apoio. Durante o resto do tempo, permanecia em seu quarto, "recuperando as forças", como costumava dizer, a fim de estar em condições de levar Isabella ao altar. Nem Isabella, nem o Dr. Worthing foram capazes de dissuadi-lo dessa idéia, Edward nem sequer tentou.
À medida que os dias passavam, Isabella apreciava a companhia dos visitantes, exceto nas ocasiões em que o nome de Edward era mencionado e ela sentia a familiar tensão tomar conta do ambiente. Era evidente que suas novas amigas e conhecidas admiravam o prestigio social que ela teria como esposa de um marquês excepcionalmente rico, mas Isabella tinha a sensação desagradável de que muitas delas ainda guardavam sérias reservas com relação a seu futuro marido. E isso a incomodava porque começava a gostar muito dessas pessoas e queria que elas gostassem de Edward também. Com certa freqüência, enquanto conversava com alguém, ouvia trechos de diálogos envolvendo Edward em outra parte do salão. Porém, tais conversas eram abruptamente interrompidas no momento em que ela lhe dirigia a atenção. O que a impedia de se lançar em defesa dele, pois não sabia contra o que deveria defendê-lo.
Um dia antes do casamento, as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixaram, formando um quadro que quase tirou de vez o equilíbrio de Isabella. Quando lady Clappeston, a última visitante da tarde, se despedia de Isabella, deu-lhe um tapinha no ombro e disse:
– Você é uma jovem muito sensata, minha querida. Ao contrário dessas pessoas pessimistas que temem por sua segurança, tenho fé de que saberá lidar com Wakefield. Você não se parece em nada com a primeira esposa dele. Na minha opinião, lady Tanya mereceu tudo o que disse ter sofrido nas mãos dele, e muito mais! Afinal, ela não passava de uma leviana.
Com isso, lady Clappeston se foi, deixando Isabella no salão, sozinha com Rosalie.
– Primeira esposa? – ela repetiu, chocada. – Edward já foi casado? Por que ninguém me contou?
– Pensei que você soubesse – Rosalie se defendeu. – Naturalmente, calculei que seu tio, ou mesmo lorde Cullen, tivesse lhe contado. Certamente, você ouviu, ao menos, alguns mexericos sobre isso.
– Tudo o que ouvi foram trechos de conversas que se interrompiam no momento em que a minha presença era notada. Ouvi o nome de lady Tanya ligado ao de Edward, mas nunca ninguém se referiu a ela como sendo esposa dele. Geralmente, as pessoas falam dela em um tom de tamanha reprovação, que concluí se tratar de mais uma... das conquistas de Edward. Assim como a senhorita Lauren esteve envolvida com ele, até agora.
– Esteve envolvida? – Rosalie repetiu, surpresa com o uso do verbo no passado.
Então, desviou o olhar com rapidez.
– Naturalmente, agora que vamos nos casar, Edward não vai... ou vai? – Isabella perguntou, como se discutisse consigo mesma.
– Não sei dizer o que ele vai fazer – Rosalie admitiu. – Alguns homens, como Emmett, deixam de ter casos com outras mulheres quando passam a ter uma esposa. Outros, não.
Isabella massageou as têmporas, profundamente confusa.
– Às vezes, a Inglaterra ainda é totalmente estranha para mim. Na América, os maridos não dedicam atenção ou afeto a mulheres que não sejam suas esposas. Pelo menos, nunca ouvi falar disso. Aqui, ao contrário, pelos comentários que ouvi, é perfeitamente aceitável que um homem casado tenha amantes.
Rosalie tratou de mudar de assunto.
– O fato de lorde Cullen ter sido casado antes é mesmo importante para você?
– Claro! Ao menos, acho que sim. Já não sei. O que me deixou realmente furiosa foi o fato de ninguém da família ter me contado. – Isabella se levantou de súbito, provocando um sobressalto na amiga. – Se me der licença, preciso conversar com tio Carlisle.
O valete de Carlisle levou um dedo aos lábios quando Isabella bateu na porta do quarto e a informou de que o duque estava dormindo. Perturbada demais para esperar que ele acordasse para responder a suas perguntas, ela se dirigiu ao quarto da srta. Flossie. Nas últimas semanas, a srta. Flossie praticamente delegara a função de acompanhante para Rosalie Collingwood, de maneira que Isabella pouco via a adorável senhora de cabelos dourados, exceto durante as refeições.
A srta. Flossie mostrou-se alegre por vê-la e a convidou para entrar. Isabella aceitou e as duas se sentaram na confortável ante-sala.
– Isabella, querida, você está mesmo parecendo uma noiva radiante – a srta. Flossie observou com seu sorriso vago e, como sempre, com péssimo julgamento, uma vez que Isabella se apresentava pálida e visivelmente perturbada.
– Senhorita Flossie – Isabella começou, decidida a entrar diretamente no assunto. – Fui ao quarto de tio Carlisle, mas ele está dormindo. Assim, a senhora é a única pessoa que pode me ajudar. Trata-se de Edward. Algo está muito errado.
– Meus Deus! Do que você está falando?
– Acabei de descobrir que Edward já foi casado!
– Ora, pensei que Carlisle tivesse lhe contado, ou mesmo Wakefield. Bem, de qualquer maneira, Edward já foi casado. Agora, você já sabe – declarou com naturalidade e voltou ao seu bordado.
– Não sei de nada! – Isabella protestou, exasperada. – Lady Clappeston disse que a esposa de Edward mereceu tudo o que ele fez a ela. O que ele fez, afinal?
– Nada, que eu saiba com certeza. Lady Clappeston foi, no mínimo, precipitada ao dizer isso, pois também não pode saber de nada, a menos que já tenha sido casada com ele, o que não foi. Pronto. Sente-se melhor agora?
– Não! Quero saber por que lady Clappeston acredita que Edward fez mal à esposa. Ela deve ter motivos para pensar assim e, a menos que eu esteja enganada, muita gente pensa o mesmo.
– Provavelmente. A esposa de Edward, que ela descanse em paz, embora eu não veja como possa ter paz depois da maneira como se comportou quando era viva, espalhou aos quatro ventos que Wakefield lhe dispensava tratamento abominável. Evidentemente, algumas pessoas acreditaram nela, mas o simples fato de ele não a ter assassinado deveria provar que ele é um homem de controle admirável. Se eu tivesse um marido, coisa que nunca tive, e fizesse as coisas que ela fez, que eu jamais faria, é claro, ele certamente me bateria. Portanto, se Wakefield bateu em Tanya, o que não sei com certeza se aconteceu, teve motivos de sobra para fazê-lo. Acredite no que estou dizendo.
Isabella lembrou-se das vezes em que vira Edward zangado, e da fúria contida que reconhecera em seus olhos. Sua mente aterrorizada formou a cena de uma mulher aos gritos, sendo espancada por ele, por ter cometido alguma pequena infração da normas pessoais estabelecidas por ele.
– O que, exatamente, Tanya, fez? – perguntou com um fio de voz.
– Bem, não existe uma maneira suave de dizer isso. A verdade é que ela foi vista na companhia de outros homens.
Isabella estremeceu. Quase todas as mulheres casadas de Londres eram vistas na companhia de outros homens. Parecia mesmo ser perfeitamente aceitável que elas tivessem amantes.
– E Edward bateu nela por isso?
– Ninguém sabe ao certo. Pessoalmente, eu duvido. Uma vez ouvi um cavalheiro criticar Edward pelas costas, claro, pois ninguém jamais teria coragem de criticá-lo cara a cara, por ele ignorar o comportamento devasso de Tanya.
Um pensamento repentino cruzou a mente de Isabella e ela perguntou:
– Quais foram, exatamente, as palavras desse cavalheiro?
– Exatamente? Bem, já que você insiste... ele disse: "Wakefield está sendo traído diante de toda a sociedade londrina, sabe disso muito bem e, ainda assim, ignora o fato e parece aceitar a traição. Está dando um péssimo exemplo as nossas esposas. Se quer saber minha opinião, acho que ele deveria trancar aquela leviana em seu castelo, na Escócia, e jogar fora a chave".
Isabella apoiou o queixo no peito e fechou os olhos, com um misto de alívio e pesar.
– Traído – murmurou. – Então, é isso...
Pensou em quanto Edward era orgulhoso e em como seu orgulho fora certamente ferido pela infidelidade pública da esposa.
– Gostaria de saber mais alguma coisa? – a srta. Flossie perguntou.
– Sim – Isabella respondeu de pronto, embora não soubesse bem por onde começar.
A tensão em sua voz deixou a srta. Flossie evidentemente nervosa.
– Bem, espero que não seja sobre "aquilo", porque sendo a parente mais próxima, sei que é minha responsabilidade explicar tudo a você, mas a verdade é que sou absolutamente ignorante no assunto. Acalentei a esperança de que sua mãe tivesse explicado tudo, antes de morrer.
Isabella fitou-a com ar curioso.
– Não sei do que está falando – anunciou com voz cansada.
– Estou falando "daquilo"... é assim que minha melhor amiga, Senna, chama... "aquilo". Tudo o que posso fazer é repetir a informação que a mãe de Senna deu a ela, no dia do seu casamento.
– O que está dizendo? – Isabella inquiriu, cada vez mais confusa.
– Estou dizendo que lamento não ter a informação para lhe dar, mas mulheres de respeito não conversam sobre "aquilo". Gostaria que eu lhe contasse o que a mãe de Senna disse a ela?
– Sim, por favor – Isabella respondeu, sem fazer a menor idéia do que a srta. Flossie estava falando.
– Muito bem. Na noite do seu casamento, seu marido vai se juntar a você em sua cama, ou talvez levá-la para a dele. Não me lembro bem dos detalhes. De qualquer maneira, você não deve, em hipótese alguma, demonstrar a sua repulsa, nem gritar, nem desmaiar. Deve fechar os olhos e permitir que ele faça "aquilo", seja lá o que for. Vai doer, além de ser repugnante e, na primeira vez, você vai sangrar. Mesmo assim, deve fechar os olhos e suportar até o fim. Se não me engano, a mãe de Senna sugeriu que, enquanto "aquilo" estivesse acontecendo, ela pensasse em outra coisa, como o lindo casaco de pele que ela poderia comprar em breve, se deixasse seu marido satisfeito. Esquisito, não?
Os ombros de Isabella sacudiram de riso provocado pelo humor da situação, bem como pela ansiedade que se formara em seu peito.
– Obrigada, senhorita Flossie. A senhora ajudou muito.
Até então, Isabella não havia parado para pensar nas intimidades do casamento, às quais Edward teria direito e certamente usaria, uma vez que desejava ter um filho com ela. Apesar de ser filha de um médico, seu pai sempre tivera o cuidado de evitar que ela visse determinadas partes da anatomia masculina. Ainda assim, Isabella não era completamente ignorante sobre o processo de reprodução. Sua família mantinha um galinheiro nos fundos da casa e ela havia presenciado o bater de asas e o cacarejar que acompanhava o ato, embora fosse impossível dizer exatamente o que acontecia. Afinal, ela sempre tivera a discrição de desviar o olhar, a fim de proporcionar às galinhas a privacidade necessária para produzirem seus pintinhos.
Uma vez, quando tinha catorze anos, seu pai fora chamado para cuidar da esposa de um fazendeiro, que entrara em trabalho de parto. Enquanto esperava pelo nascimento do bebê, Isabella fora passear no pequeno pasto, onde os cavalos passavam o dia. Ali, ela havia presenciado o espetáculo assustador de um garanhão cobrindo uma égua. Ele cravara os dentes enormes no pescoço da fêmea, mantendo-a cativa e indefesa, enquanto fazia as piores coisas com ela. E a pobre égua berrara de dor.
Visões de asas batendo, galinhas cacarejando e éguas aterrorizadas encheram a mente de Isabella e ela estremeceu.
– Minha querida criança, você está muito pálida e não posso culpá-la por isso – a srta. Flossie falou, piorando ainda mais a situação. – No entanto, pelo que pude compreender, depois que uma esposa cumpre a sua obrigação e dá a luz um herdeiro, um marido dedicado trata de arranjar uma amante para fazer "aquilo" e deixa a esposa em paz.
– Uma amante – Isabella repetiu, pensativa.
Sabia que Edward tinha uma amante e que, segundo os mexericos, tratava-se de uma mulher muito bonita. Também ouvira dizer que ele já tivera dúzias delas, todas muito atraentes. Tratou de repensar seus sentimentos com relação aos cavalheiros da ton e suas amantes. Antes, considerara uma perfídia o fato de todos eles terem outras mulheres, sendo casados. Porém, isso talvez não fosse tão ruim. Ao que parecia, os cavalheiros da ton eram muito civilizados e tinham grande consideração por suas esposas. Em vez de usarem as esposas para satisfazer seus desejos mais básicos, simplesmente arranjavam outra mulher, a instalavam em uma boa casa, com criados e vestidos bonitos, e deixavam as esposas em paz. Sim, concluiu, essa era a solução ideal para o problema. Afinal, as mulheres da ton pareciam pensar assim e, certamente, conheciam o assunto muito melhor que ela.
– Muito obrigada, senhorita Flossie – agradeceu com sinceridade. – A senhorita ajudou muito.
A srta. Flossie assentiu com um largo sorriso.
– Sou eu quem deve agradecer, querida, pois você fez Carlisle mais feliz do que nunca. E Edward, também.
Isabella sorriu, embora não concordasse plenamente com a idéia de que estava fazendo Edward realmente feliz.
De volta a seu quarto, Isabella se sentou diante da lareira e se forçou a compreender os próprios sentimentos e parar de se esconder dos fatos. Não manhã seguinte, ela se casaria com Edward. Queria fazê-lo feliz... queria tanto, que nem sabia como lidar com os sentimentos que a invadiam no momento. O fato de ele ter sido casado com uma mulher infiel fizera brotar simpatia e compaixão de seu coração, além do desejo ainda maior de compensá-lo por toda a infelicidade que tivera na vida.
Inquieta, Isabella se levantou e se pôs a andar pelo quarto, de um lado para outro. Tentou se convencer de que iria se casar com Edward porque não tinha alternativa, mas quando se sentou na beirada da cama, admitiu que isso não era totalmente verdadeiro. Uma parte dela realmente queria se casar com ele. Isabella gostava da aparência de Edward, de seu sorriso, de seu senso de humor. Apreciava a autoridade de sua voz profunda e a confiança que transpirava de suas passadas largas e firmes. Também gostava do modo como os olhos dele brilhavam quando ele sorria para ela. Bem como da maneira como eles se tornavam mais escuros quando a beijava. E Isabella adorava a elegância natural com que ele envergava as roupas e a sensação que os lábios dele provocavam...
Forçou-se a afastar os pensamentos dos lábios de Edward. Gostava de muitas coisas em Edward, coisas demais. Não possuía um bom julgamento no tocante aos homens. A experiência com Jacob fora prova disso. Isabella havia se enganado, acreditando que Jacob a amava, mas não tinha nenhuma ilusão com relação aos sentimentos de Edward por ela. Ele se sentia atraído por ela e queria que Isabella lhe desse um filho. Gostava dela, também, mas Isabella sabia que ele não sentia nada além de pouco mais que amizade. Ela, por sua vez, corria sério risco de se apaixonar por Edward, mesmo sabendo que ele não queria o seu amor, como havia deixado bem claro.
Durante semanas, Isabella tentara se convencer de que só sentia gratidão e amizade por Edward, mas agora sabia que seus sentimentos iam muito, além disso. Por que sentia tamanha necessidade de fazê-lo feliz e de fazê-lo amá-la? Por que experimentara ira tão profunda ao ouvir a srta. Flossie falar da infidelidade da esposa dele?
Um medo terrível a invadiu. Na manhã seguinte, Isabella entregaria a sua vida nas mãos de um homem que não queria o seu amor, que poderia usar os sentimentos que ela tinha por ele para magoá-la. O instinto de autopreservação advertiu-a para que não se casasse com Edward. As palavras de seu pai ecoaram em sua mente, como vinha acontecendo havia dias: "Amar alguém que não nos ama é como viver no inferno... Nunca deixe alguém convencê-la de que poderá ser feliz ao lado de alguém que não a ama... E jamais ame alguém mais do que essa pessoa a ama, Bella...".
Isabella fechou os olhos e cerrou os punhos. A razão a advertia para que não se casasse com Edward, pois ele a faria extremamente infeliz. Seu coração, porém, implorava que ela apostasse tudo em Edward, que lutasse pela felicidade pouco além do alcance de sua mão.
A razão lhe ordenava que fugisse, mas o coração suplicava que não fosse covarde.
Amun bateu na porta e anunciou com voz carregada de reprovação e desagrado:
– Com licença, lady Isabella. Há uma jovem lá embaixo, aparentemente descontrolada, que chegou sem acompanhante em uma carruagem alugada, alegando ser... bem, sua irmã. Como nunca fui informado de qualquer parente sua residente em Londres, sugeri a ela que partisse, mas...
– Alice! – Isabella quase gritou e, levantando-se de um salto correu para a porta. – Onde ela está?
– Eu a instalei no salão menor – Amun respondeu, com evidente confusão —, mas se ela é mesmo sua irmã, é claro que devo transferi-la para...
Isabella já descia a escada.
– Bella! – Alice gritou, abraçando a irmã com força, rindo e chorando ao mesmo tempo. – Precisava ter visto a expressão do seu mordomo ao ver a minha carruagem alugada!
– Por que não respondeu as minhas cartas? – Isabella indagou, retribuindo o abraço.
– Porque só cheguei ontem de Bath. Amanhã, partirei para a França, onde deverei ficar por dois meses, para o que vovó chama de "retoques finais". Ela vai ficar furiosa se souber que vim até aqui, mas eu não podia simplesmente deixar você se casar com aquele homem. Bella, o que eles fizeram para obrigá-la a concordar? Bateram em você? Deixaram você sem comida?
– Nada disso – Isabella garantiu com um sorriso. – Eu quero me casar com ele.
– Não acredito. Está tentando me enganar, pois não quer que eu me preocupe...
Edward reclinou-se no banco da carruagem, enquanto observava as mansões da Brook Street. Seu casamento seria no dia seguinte...
Depois de admitir para si mesmo que desejava Isabella e de ter tomado a decisão de se casar com ela, passara a querê-la com urgência irracional. Seu desejo crescente por ela o fazia sentir-se vulnerável, pois sabia, por experiência anterior, como o chamado "sexo frágil" podia ser maligno. Ainda assim, era tão incapaz de conter tal desejo, quanto de reprimir a esperança quase infantil de que, juntos, eles poderiam encontrar a felicidade.
A vida ao lado de Isabella jamais seria plácida, pensou com um sorriso maroto. Ela o divertiria, frustraria e desafiaria o tempo todo. Tinha certeza disso quanto do fato de que ela se casaria com ele por falta de escolha. Sabia disso tanto quanto sabia que a virgindade dela fora entregue a Jacob.
O sorriso se desfez, Edward havia esperado que ela negasse tal fato, na tarde em que lhe dera o anel, mas Isabella desviara o olhar e dissera: "Sinto muito".
Ao mesmo tempo em que detestara ouvir a verdade, Edward a admirara por dizê-la. No fundo de seu coração, não conseguia culpá-la por ter se entregado a Jacob, especialmente porque compreendia como isso fora acontecer. Era fácil imaginar como uma garota inocente, criada no campo, poderia ser convencida pelo homem mais rico da região de que seria a esposa dele. Depois de tê-la convencido disso, Black certamente não encontrara dificuldade em roubar-lhe a virgindade. Isabella era uma mulher ardente e generosa, que provavelmente se entregaria ao homem a quem de fato amasse com a mesma naturalidade com que dava atenção aos criados, ou afeto a Wolf.
Depois da vida libertina que Edward tivera até então, condenar Isabella por ter perdido a virgindade para o homem a quem amava seria o cúmulo da hipocrisia. E Edward detestava os hipócritas. Infelizmente, também detestava a idéia de Isabella nua, nos braços de outro homem. Jacob fora um bom professor, pensou com amargura, quando a carruagem já entrava em sua propriedade. Ele a ensinara a beijar um homem e aumentar seu ardor, pressionando o corpo contra o dele...
Afastou da mente os pensamentos dolorosos e saiu da carruagem. Jacob era um capítulo encerrado na vida de Isabella, disse a si mesmo. Ela o esquecera ao longo das últimas semanas.
Bateu na porta, sentindo-se um tanto tolo por ir procurá-la na véspera do casamento. Não tinha motivo para visitá-la, exceto pelo prazer que o simples fato de vê-la lhe proporcionava. Pretendia, também, deixá-la feliz ao informá-la sobre o pônei americano que providenciara que fosse enviado para a Inglaterra em um de seus navios. Seria um de seus presentes de casamento e a verdade era que Edward mal podia esperar para vê-la mostrar suas habilidades em montaria. Sabia que ela ficaria linda, inclinada sobre o dorso do cavalo, os cabelos esvoaçando ao vento...
– Boa noite, Amun. Onde está lady Isabella?
– No salão amarelo, milorde, com a irmã.
– Com a irmã? – Edward repetiu, sorrindo pela surpresa. – Ao que parece, a velha bruxa suspendeu as restrições para que as duas pudessem se encontrar.
Feliz pela oportunidade de conhecer a cunhada, Edward foi diretamente até o salão e abriu a porta.
– Eu não poderia suportar – uma jovem lamentava, com o rosto escondido por um lenço. – Fico feliz por vovó ter me proibido de assistir ao seu casamento, pois não poderia ficar ali, parada, vendo você entrar na igreja, fingindo que ele é Jacob...
– É evidente que cheguei em um mau momento – Edward declarou.
A esperança secreta que ele acalentara de que Isabella realmente quisesse se casar com ele teve uma morte súbita e dolorosa diante da descoberta de que ela teria que fingir que ele era Jacob, a fim de poder entrar na igreja.
– Edward! – Isabella exclamou, aflita ao se dar conta de que ele ouvira as bobagens que a irmã insistia em proferir. Recuperando a compostura, estendeu a mão para ele e sorriu. – Estou tão feliz que esteja aqui. Por favor, deixe-me apresentá-lo a minha irmã. – Sabendo que não haveria um modo de suavizar a situação com uma mentira, Isabella decidiu contar a verdade: – Alice ouviu alguns comentários desagradáveis feitos por lady Faulklyn, a acompanhante de nossa bisavó, e formou a impressão absurda de que você é um monstro cruel. – Ao ver Edward erguer uma sobrancelha, com expressão irônica, para Alice, Isabella virou-se para a irmã. – Alice, quer fazer o favor de ser razoável e permitir que eu, ao menos, lhe apresente lorde Cullen, para que você veja por si mesma que ele é um bom homem?
Cética, Alice ergueu os olhos para o homem de expressão fria que pairava sobre ela, ameaçador. Então, ela se levantou e o fitou com ar de desafio.
– Lorde Cullen, não sei se o senhor é um bom homem ou não. No entanto, quero avisá-lo de que se ousar fazer mal a minha irmã, não terei o menor escrúpulo em matá-lo. Fui clara?
– Perfeitamente.
– Nesse caso, como não é possível convencer minha irmã a fugir deste casamento, devo voltar à casa de minha bisavó. Boa noite.
Com isso, Alice saiu, seguida de perto por Isabella.
– Alice, como pôde ser tão grosseira?
– Prefiro que ele me considere grosseira, pois assim não vai pensar que pode abusar de você, sem pagar caro por isso!
Isabella revirou os olhos, despediu-se da irmã e voltou para o salão.
– Sinto muito – lamentou, constrangida, vendo Edward parado diante da janela.
– Ela sabe atirar? – ele perguntou por cima do ombro.
Nervosa, Isabella sacudiu a cabeça.
– Alice tem uma imaginação muito fértil e se recusa a acreditar que não estou me casando com você só por estar furiosa com Jacob.
– Não está?
– Não.
Edward virou-se para encará-la com olhar gelado.
– Quando entrar na igreja, amanhã, Isabella, o seu precioso Jacob não vai estar a sua espera no altar. Eu estarei. Lembre-se disso. Se não é capaz de encarar a realidade, não compareça ao casamento.
Edward fora até lá na intenção de contar a ela sobre o pônei, de fazê-la rir, mas saiu sem pronunciar nem mais uma palavra.
O céu se apresentava nublado e cinzento quando a carruagem negra de Edward atravessou as ruas de Londres, puxada por quatro magníficos cavalos castanhos em cabrestos de prata. Seis batedores, envergando uniformes de veludo verde, lideravam a procissão e quatro outros cavaleiros uniformizados seguiam a carruagem. Os dois cocheiros sentavam-se eretos e orgulhosos no banco dianteiro do veículo, enquanto dois lacaios imponentes ocupavam o traseiro.
No interior da carruagem, seguia Isabella, usando um vestido de incrível beleza e valor exorbitante, o olhar perdido e os pensamentos tão cinzentos quanto o dia lá fora.
– Está sentindo frio, querida? – Carlisle perguntou, solícito, ao notar-lhe a postura encolhida.
Ela sacudiu a cabeça, perguntando-se por que Edward insistira em fazer de seu casamento um espetáculo tão grandioso.
Pouco minutos depois, Isabella aceitava a mão estendida de Carlisle para sair da carruagem e, lentamente, subir os degraus da igreja imensa, parecendo uma criança conduzida pelo pai a um evento assustador.
Esperou, ao lado de Carlisle, nos fundos da igreja, tentando não pensar na enormidade do que estava prestes a fazer, deixando o olhar vagar por entre a multidão de convidados. Apreensiva, focalizou a atenção na enorme diferença entre os aristocratas londrinos, vestidos com seda e ricos brocados, que haviam comparecido para assistir ao seu casamento, e os camponeses simples e amigáveis que ela sempre imaginara que teria por perto no dia mais importante de sua vida. Isabella mal conhecia a maior parte das pessoas que se encontravam na igreja. Algumas, ela jamais vira antes. Desviando os olhos do altar, onde Edward, não Jacob, a receberia em breve, examinou os bancos. Havia um lugar vazio na primeira fila, à direita, reservado para Carlisle, mas o restante já estava ocupado pelos convidados. Também na primeira fila, à esquerda, lugar normalmente reservado aos parentes próximos da noiva, estava sentada uma mulher idosa, as mãos apoiadas no cabo de uma bengala cravejada de pedras, os cabelos escondidos por um turbante de cetim, que pareceu vagamente familiar a Isabella. Porém, estava nervosa demais para se lembrar onde vira aquela pessoa antes.
Carlisle distraiu-lhe a atenção ao apontar lorde Collingwood, que se aproximava.
– Edward já chegou? – Carlisle perguntou a Emmett Collingwood.
O conde, que seria o padrinho de Edward, beijou a mão de Isabella e, depois de lhe oferecer um sorriso encorajador, respondeu:
– Já chegou e está pronto para entrar.
Os joelhos de Isabella começaram a tremer. Ela não estava pronta!
Rosalie ajeitou a cauda do vestido de Isabella, uma verdadeira obra de arte, confeccionada com cetim azul pálido, ornado de brilhantes, e sorriu para o marido.
– Lorde Cullen está nervoso?
– Ele diz que não, mas quer que a cerimônia se realize imediatamente.
Quanta frieza, Isabella pensou, sentindo o pânico crescer.
Carlisle não conseguia esconder a ansiedade.
– Estamos prontos – declarou. – Vamos começar.
Sentindo-se como uma marionete manipulada por todos, Isabella pousou a mão no braço de Carlisle e deu início à interminável e lenta caminhada pelo corredor iluminado por grande número de velas.
O coral entoava uma bela canção, mas Isabella não ouvia. Atrás dela, mais distante a cada passo, estavam os dias alegres e despreocupados de sua juventude. A sua frente encontrava-se Edward, vestindo um espetacular traje de veludo azul-escuro. Com o rosto parcialmente escondido pelas sombras, parecia muito alto e muito sombrio. Tão sombrio quanto o desconhecido... quanto o futuro de Isabella.
Por que está fazendo isso? Uma voz repleta de pânico gritou na mente de Isabella.
Não sei, ela respondeu em silêncio. Edward precisa de mim.
Isso não é motivo!, A razão argumentou. Você ainda pode fugir.
Não posso!, O coração retrucou.
Pode, sim. Basta dar meia-volta e correr. Agora, antes que seja tarde demais.
Não posso! Não posso, simplesmente abandoná-lo.
Por que não?
Seria uma humilhação muito maior para ele do que foi aquela imposta por sua primeira esposa.
Lembre-se das palavras de seu pai: nunca deixe alguém convencê-la de que pode ser feliz ao lado de alguém que não a ama. Lembre-se de quanto ele foi infeliz. Corra! Depressa! Saia daqui, antes que seja tarde demais!
O coração de Isabella perdeu a batalha contra o terror no momento em que Carlisle depositou sua mão gelada na de Edward e, então, se afastou. Seu corpo se preparou para a fuga, sua mão livre agarrou a saia ampla, sua respiração tornou-se mais rápida. Começou a retirar a mão da de Edward, mas, no mesmo instante, os dedos dele se apertaram, como uma armadilha, em torno dos seus. Ele a encarou com olhar duro, com uma advertência para que não se atrevesse a tentar escapar. Então, seu olhar se tornou frio e distante. Ao mesmo tempo, seus dedos soltaram à mão de Isabella, deixando-a cair. Em seguida, Edward, virou-se para o arcebispo.
Ele vai suspender o casamento! Isabella concluiu, aflita, ao ouvir a voz do arcebispo:
– Podemos começar, milorde?
Edward sacudiu a cabeça de leve e abriu a boca.
– Não! – Isabella sussurrou, tentando impedi-lo.
– O que disse? – o arcebispo indagou, franzindo o cenho para ela.
Isabella ergueu os olhos para os de Edward e reconheceu neles a luta para esconder a humilhação que o consumia.
– Estou apenas assustada, milorde – disse. – Por favor, segure minha mão.
Ele hesitou, estudando-lhe as feições e, lentamente, o alívio tomou conta de seu corpo. Sua mão tocou a dela e, um segundo depois, seus dedos lhe transmitiam a confiança de ferro, que era a marca registrada de Edward Cullen.
– Posso prosseguir, agora? – o arcebispo perguntou em tom ligeiramente indignado.
– Por favor – Edward respondeu com um leve sorriso.
Quando o arcebispo começava a ler a longa missa, Carlisle pousou o olhar feliz e satisfeito pelos noivos, sentindo o peito prestes a explodir. Porém, um brilho lilás captado pelo canto do olho, além da impressão de estar sendo observado, desviou-lhe a atenção. Virou-se para o lado e teve um sobressalto quando seus olhos fixaram os da duquesa de Claremont. Por um longo momento, Carlisle a encarou com expressão de orgulho e triunfo. Então, com um gesto de desprezo, voltou a olhar para o altar, afastando aquela presença nefasta da mente. Observou seu filho ao lado de Isabella, dois lindos jovens, fazendo votos que os uniriam para sempre. Seus olhos se encheram de lágrimas, quando o arcebispo entoou:
– Isabella Swan, aceita...
– Renée, meu amor – murmurou consigo mesmo —, está vendo nossos filhos juntos? Não são lindos? Sua avó nos impediu de termos nossos filhos, minha amada... Essa vitória foi dela, mas desta vez, nós venceremos, minha querida. Teremos nossos netos, minha doce e linda Renée...
Carlisle inclinou a cabeça sobre o peito, a fim de impedir que a mulher sentada do outro lado do corredor o visse chorar. A duquesa de Claremont, porém, não poderia ver nada, pois as lágrimas que enchiam seus olhos turvavam-lhe a visão.
– Renée, minha querida – ela murmurou consigo mesma —, veja o que eu fiz. Em meu egoísmo cego e estúpido, impedi você de se casar e ter seus filhos com ele. Mas, agora, cuidei para que vocês tenham netos. Ah, Renée, eu a amo tanto! Queria que você tivesse o mundo a seus pés e me recusei a acreditar que tudo o que você queria era ele...
Quando o arcebispo pediu a Isabella que repetisse seus votos, ela se lembrou do acordo, segundo o qual deveria fazer parecer que sua ligação com Edward era firme e profunda. Erguendo os olhos para ele, tentou falar em voz alta e confiante, mas quando prometeu amá-lo, ele olhou para cima e seus lábios se curvaram em um sorriso cínico. Isabella deu-se conta de que ele estava esperando que um raio atingisse o telhado da igreja e, então, sua tensão se dissolveu em um risinho abafado, que ganhou um olhar de censura do arcebispo.
O momento de descontração, porém, logo terminou, pois Edward recitou seus votos e, em seguida, a cerimônia estava concluída.
– Pode beijar a noiva – o arcebispo autorizou.
Edward virou-se para ela com expressão de triunfo tão intensa que Isabella foi, mais uma vez, invadida pelo pânico, ao sentir os braços dele enlaçarem sua cintura. Inclinando-se para ela, ele a beijou com ardor que fez o arcebispo limpar a garganta, irritado, e diversos convidados rirem. Então, soltou-a e ofereceu-lhe o braço.
– Milorde – ela sussurrou em tom de súplica, quando atravessavam o corredor na direção da porta da igreja —, não consigo acompanhá-lo.
– Trata de me chamar de Edward – ele retrucou em tom rude, embora diminuísse o passo. – E, da próxima vez em que eu a beijar, finja gostar.
O tom de voz gelado atingiu Isabella como um balde de água fria, mas ela conseguiu permanecer firme, entre Carlisle e ele, na entrada da igreja, exibindo um sorriso radiante para os oitocentos convidados que os cumprimentaram.
Carlisle virou-se para falar com um amigo, no momento em que a última convidada atravessava a porta, apoiando-se na bengala cravejada de pedras preciosas.
Ignorando Edward completamente, a duquesa se aproximou de Isabella e fitou-a diretamente nos olhos.
– Sabe quem eu sou? – perguntou sem preâmbulos.
– Não, madame. Sinto muito, mas não sei. Acho que já nos vimos antes, pois a senhora me parece familiar, mas...
– Sou sua bisavó.
A mão de Isabella apertou o braço de Edward com um espasmo. Aquela era a sua bisavó, a mulher que recusara a lhe oferecer um teto, que destruíra a felicidade de sua mãe. Isabella empinou o queixo e declarou com fingida calma:
– Não tenho bisavó.
A declaração surtiu um efeito estranho na duquesa, cujos olhos se acenderam em admiração, ao mesmo tempo em que suas feições se suavizavam.
– Ah, tem, sim, minha querida. Você se parece muito com sua mãe, mas esse brilho de desafio em seus olhos você herdou de mim. De nada adianta negar a minha existência, pois meu sangue corre em suas veia minha própria teimosia que vejo no modo como empina o queixo. Tem os olhos de sua mãe e a minha determinação.
– Fique longe dela! – Carlisle ordenou, furioso. – Saia daqui!
A duquesa empertigou-se e lançou-lhe um olhar faiscante.
– Não se atreva a usar esse tom comigo, Masen, ou vou...
– Vai o quê? – ele a interrompeu. – Não adianta me ameaçar, pois, agora, tenho tudo o que quero.
A duquesa fitou-o com ar triunfante.
– Tem o que quer porque eu dei isso a você, seu tolo. – Então, ignorando o olhar confuso de Carlisle, voltou a encarar Isabella, com lágrimas nos olhos. – Espero que vá à mansão Claremont para visitar Alice, quando ela voltar da França. Não foi fácil mantê-la afastada de você, mas ela teria estragado tudo com aquela história boba de antigos escândalos, ou melhor, mexericos. – Então, virou-se para Edward. – Estou confiando minha bisneta aos seus cuidados, Wakefield, mas o responsabilizarei pela felicidade dela. Fui clara?
– Muito clara – ele respondeu em tom solene, embora estudasse, com olhar divertido, a mulher franzina que o ameaçava.
A duquesa o fitou por um momento, antes de balançar a cabeça.
– Muito bem, já que estamos entendidos, posso ir embora. – Ergueu a mão diante do rosto de Edward. – Pode beijar minha mão.
– Com um galante floreio, ele obedeceu.
Virando-se para Isabella, a duquesa falou, um tanto constrangida:
– Imagino que seria esperar demais...
Isabella não compreendera nada do que se passara ali nos últimos minutos, mas poderia jurar que os sentimentos que vira nos olhos da velha senhora eram amor e profundo remorso.
– Vovó – murmurou com voz trêmula e deixou-se abraçar pela bisavó.
Logo depois, a duquesa voltava a assumir sua postura imperiosa, para anunciar:
– Wakefield, decidi não morrer enquanto não tiver segurando meu tataraneto nos braços. Como não posso viver para sempre, não vou tolerar demoras de sua parte.
– Darei atenção imediata à questão, alteza – Edward replicou com voz séria, mas com um brilho divertido no olhar.
– Também não vou tolerar vacilações de sua parte, minha querida – a duquesa avisou à bisneta, que já corava. – Decidi me retirar para a minha casa de campo. Claremont fica a menos de uma hora, a cavalo, de Wakefield. Portanto, espero que vá me visitar de vez em quando. Então, virou-se para o advogado, que a aguardava junto à porta. – Dê-me seu braço, Weatherford. Já vi o que queria e disse o que tinha a dizer.
E, com um último olhar para o atordoado Carlisle, afastou-se de ombros eretos, a bengala mal tocando o chão.
Muito dos convidados ainda esperavam por suas carruagens, quando Edward ajudou Isabella a entrar na sua. Ela sorriu de maneira automática para as pessoas que a observavam e acenavam, mas o caos resultante da torrente de emoções que haviam agitado o seu dia tomara conta de sua mente. Ela mal percebeu o que se passava a sua volta, até a chegada à vila perto de Wakefield. Com uma forte pontada de culpa, deu-se conta de que nem sequer falara com Edward durante mais de duas horas.
Olhou para o homem atraente que, agora, era seu marido. Ele mantinha o rosto virado para a janela, o perfil de linhas duras e implacáveis desprovido de qualquer emoção. Ele estava zangado por ela ter tentado deixá-lo no altar. Isabella foi invadida pelo medo de uma possível vingança, o que a deixou ainda mais nervosa. Perguntou-se, aflita, se teria criado um abismo intransponível entre eles, com sua atitude covarde.
– Edward – chamou com voz tímida. – Sinto muito pelo que houve na igreja.
Ele deu de ombros, mantendo as feições impassíveis.
Seu silêncio aumentou a ansiedade de Isabella. Àquela altura a carruagem já fazia a última curva antes dos jardins de Wakefield. Isabella abriu a boca para se desculpar mais uma vez, mas sinos começaram a tocar e ela viu camponeses alinhados no caminho que levava à mansão, todos vestindo suas roupas de domingo.
Sorriam e acenavam à medida que a carruagem avançava. Crianças corriam ao lado do veículo, empunhando buquês de flores que estendiam para Isabella.
Um garotinho de seus quatro anos de idade tropeçou na raiz de uma árvore e caiu, sem jamais largar as flores.
– Edward – Isabella implorou —, peça ao cocheiro para parar, por favor!
Ele obedeceu e Isabella abriu a porta.
– Que flores lindas! – ela exclamou, enquanto o garotinho se punha de pé, ao som de risadas e zombarias dos maiores. – São para mim?
O garotinho afastou as lágrimas com uma das mãos, antes de responder:
– Sim, milady, eram para a senhora, antes de eu cair sobre elas.
– Gostaria de tê-las assim mesmo – Isabella garantiu com um sorriso. – Ficariam lindas junto ao meu buquê.
Tímido, o menino lhe estendeu as flores murchas e quebradas.
– Eu mesmo as apanhei – ele confidenciou, orgulhoso. – Meu nome é Billy – informou, fixando o olho esquerdo em Isabella, enquanto o outro parecia perdido no horizonte. – Moro no orfanato da vila.
– Meu nome é Isabella, mas meus amigos me chamam de Bella. Gostaria de me chamar de Bella?
O peito do garoto se encheu de orgulho, mas ele lançou um olhar cauteloso para Edward e esperou que o lorde assentisse, para balançar a cabeça em um exuberante "sim".
– Gostaria de vir me visitar em Wakefield e me ajudar a empinar pipas? – Isabella convidou, notando que Edward lhe lançava um olhar surpreso.
O sorriso de Billy se desfez.
– Não consigo correr, pois caio o tempo todo – confessou, baixando os olhos.
Isabella assentiu com ar compreensivo.
– Talvez seja por causa do seu olho, mas eu sei de um jeito de fazê-lo voltar ao normal. Conheci um outro garotinho que tinha o olho igual ao seu. Um dia, quando brincávamos de índios e colonizadores, ele caiu e machucou o olho bom. Meu pai precisou cobri-lo com um tapa-olho, até que ficasse curado. Enquanto o olho bom estava coberto, o ruim começou a endireitar. Meu pai achou que foi porque o olho ruim foi obrigado a trabalhar, enquanto o bom estava coberto. Gostaria de me visitar e tentar usar o tapa-olho?
– Vou ficar esquisito, milady – ele argumentou.
– Todas as crianças acharam que Levi, o outro menino, se parecia com um pirata. E, logo, todos nós queríamos usar tapa-olhos. O que acha de me visitar para brincarmos de pirata?
Billy concordou e virou-se com um sorriso triunfante para as demais crianças.
– O que ela disse? – elas perguntaram, quando Edward fez um sinal para o cocheiro prosseguir.
Billy enfiou as mãos nos bolsos, estufou o peito e declarou:
– Ela disse que posso chamá-la de Bella.
As crianças se juntaram aos adultos, que seguiam em procissão a carruagem. Isabella calculou tratar-se de um costume local dos camponeses para comemorar o casamento do lorde. Voltou a olhar para Edward e teve a impressão de que ele lhe escondia um sorriso.
A razão para tal sorriso tornou-se óbvia quando a carruagem parou diante da mansão. Isabella dissera a Edward que sempre sonhara em se casar em uma pequena, vila, com os camponeses participando das comemorações. Com um estranho gesto de cavalheirismo, o homem enigmático com quem ela acabara de se casar estava tentando realizar, ao menos, parte de seu sonho. Ele havia transformado os jardins de Wakefield em um mar de flores. Imensos arranjos de orquídeas, lírios e rosas enfeitavam mesas enormes, cobertas de porcelanas, talheres de prata e muita comida. O pavilhão na extremidade do gramado encontrava-se repleto de flores e lampiões coloridos. Tochas iluminavam diversos pontos do jardim, afastando a escuridão da noite que caía e acrescentando um brilho festivo à cena.
Em vez de ficar zangado por ter de abandonar todos os convidados do casamento de Londres, Edward gastara uma fortuna a fim de transformar a propriedade em um paraíso mágico para Isabella, além de ter convidado todos os aldeões e camponeses para a festa. Até a natureza havia colaborado, pois as nuvens haviam se dissipado, permitindo que o pôr-do-sol colorisse o céu com cores vívidas.
Isabella olhou em volta, considerando a evidência da atitude gentil de Edward, que contradizia sua indiferença e frieza habituais. Olhou para o marido e, notando o sorriso que ele já não conseguia disfarçar, pousou a mão em seu braço.
– Edward – murmurou com voz trêmula de emoção —, muito... muito obrigada.
Lembrando-se do pedido para que o agradecesse com um beijo, inclinou-se e beijou-lhe os lábios com timidez e profunda ternura.
A voz alegre de um irlandês trouxe Isabella de volta à realidade.
– Edward, meu garoto! Vai sair dessa carruagem e apresentar-me a sua esposa, ou terei de me apresentar por minha conta?
Edward virou-se com expressão de alegre surpresa e saiu da carruagem. Estendeu a mão para o irlandês grandalhão, mas o outro o apertou em um abraço de urso.
– Vejo que finalmente encontrou uma esposa para aquecer esse seu palácio frio! – o homem declarou, sem esconder a afeição que nutria por Edward. – Poderia, ao menos, ter esperado que o navio atracasse, para que eu pudesse assistir à cerimônia!
– Eu só esperava vê-lo no mês que vem – Edward explicou. – Quando chegou?
– Esperei que o navio fosse descarregado e vim para casa hoje. Cheguei há uma hora, mas em vez de encontrá-lo mergulhado no trabalho, fui informado de que você estava muito ocupado com seu próprio casamento. E então? Não vai me apresentar sua esposa?
Edward ajudou Isabella a sair da carruagem e, então, apresentou o marujo como capitão Marcus Farrel. Ela calculou que o capitão tivesse por volta de cinqüenta anos, com seus cabelos fartos e os olhos castanhos mais alegres que ela já vira. Isabella gostou dele de imediato, mas o fato de ter sido chamada de "esposa" de Edward pela primeira vez deixou-a tão nervosa, que ela o cumprimentou com a formalidade que lhe fora exigida desde que pusera os pés na Inglaterra.
No mesmo instante, a expressão do capitão Farrell se alterou e ele a cumprimentou com maneiras rígidas.
– É um prazer conhecê-la, lady Cullen. Deve perdoar meus trajes, mas eu não sabia que encontraria uma festa, ao chegar aqui. Agora, se me der licença, passei seis meses no mar e não vejo a hora de chegar em casa.
– Ora, mas não pode ir agora! – Isabella protestou com a simplicidade que lhe era natural. Percebera que o capitão Farrell era um grande amigo de Edward e queria muito fazê-lo sentir-se bem-vindo. – Meu marido e eu é que estamos vestidos com exagero para esta hora do dia – falou com um sorriso maroto. – Além disso, depois de ter passado só seis semanas no mar, eu não via a hora de comer em uma mesa que não balançasse. Posso garantir que nossas mesas ficarão exatamente onde estão.
O capitão estudou-a, como se não soubesse ao certo de que maneira se comportar diante dela.
– Ao que parece, não apreciou a viagem, lady Cullen – comentou.
Isabella sacudiu a cabeça com um sorriso contagiante.
– Tanto quanto apreciei quebrar o braço, ou ter sarampo. Em tais ocasiões, pelo menos não fiquei enjoada, como fiquei durante uma semana inteira a bordo de um navio! Receio ser uma péssima maruja, pois quando uma tempestade se abateu sobre o navio, antes mesmo que eu me recuperasse dos enjôos, quase morri de medo!
– Meu Deus! – o capitão Farrell exclamou, recuperando a alegria inicial. – Não se considere covarde por isso. Já vi marujos experientes terem medo de morrer durante uma dessas tempestade.
– Mas eu tive medo de não morrer – Isabella o corrigiu com uma gargalhada.
Marcus Farrell tomou as mãos dela nas suas e sorriu.
– Adorarei comemorar com você e Edward. Desculpe-me por ter sido tão... hesitante, há pouco.
Isabella sorriu, apanhou um copo de vinho de uma bandeja passada por um lacaio e se dirigiu para os dois camponeses que haviam lhe dado uma carona, no dia de sua chegada a Wakefield.
Assim que ela se afastou, Marcus virou-se para Edward.
– Quando a vi beijando você, na carruagem, gostei do jeito dela imediatamente – contou. – Mas, quando ela me cumprimentou com aquele ar distante, cheguei a pensar que você havia encontrado outra Tanya para se casar.
Edward observou Isabella, que já punha os camponeses completamente à vontade.
– Isabella não se parece em nada com Tanya. Seu cachorro é metade lobo e ela é metade peixe. Meus criados são devotados a ela e Carlisle a adora. Além disso, todos os homens solteiros de Londres estão apaixonados por Isabella.
– Inclusive você?
Edward observou-a largar o copo vazio e apanhar outro. A única maneira que ela havia encontrado de se casar com ele fora fingir que Edward era Jacob. E, ainda assim, quase o deixara plantado no altar, diante de oitocentas pessoas. Como jamais a vira beber mais que um gole de vinho antes, e agora a via beber o segundo copo, Edward concluiu que Isabella estava tentando se embriagar, a fim de suportar deitar-se com ele mais tarde.
– Você não parece, exatamente, o mais feliz dos noivos – Marcus Farrell comentou, notando-lhe a expressão sombria.
– Nunca estive mais feliz – Edward replicou com amargura e se afastou, a fim de cumprimentar convidados cujos nomes desconhecia, para poder apresentá-los à mulher com quem já começava a se arrepender de ter-se casado.
Desempenhou seu papel de anfitrião e noivo com sorridente cortesia, embora não tirasse da cabeça que Isabella quase fugira dele na igreja. A lembrança humilhante e dolorosa simplesmente se recusava a deixá-lo em paz.
As estrelas brilhavam no céu e Edward observava Isabella dançar com o juiz local, com Marcus Farrell e diversos camponeses. Sabia que ela o estava evitando, pois nas raras ocasiões em que seus olhares se cruzaram, Isabella tratara de desviar o dela depressa.
Já fazia tempo que ela havia tirado o véu e a grinalda, pedindo à orquestra que tocasse músicas mais animadas. Quando a lua brilhou alta no céu, todos dançavam e batiam palmas, inclusive Isabella, que já bebera cinco copos de vinho. Era evidente que estava se embriagando, Edward pensou com sarcasmo, percebendo o profundo rubor em suas faces. Sentiu um aperto no peito ao pensar nas esperanças que havia acalentado para aquela noite, para seu futuro. Fora tolo ao acreditar que a felicidade estava, finalmente, ao alcance de suas mãos.
Apoiado no tronco de uma árvore, Edward se perguntou por que as mulheres se sentiam tão atraídas por ele até o casamento, para então desprezá-lo. Furioso, concluiu que cometera o mesmo erro idiota pela segunda vez. Havia se casado com uma mulher que o aceitara porque queria algo dele, mas que não o queria.
Tanya desejara todos os homens que conhecera, exceto Edward. Isabella só desejava Jacob, o bom, gentil, amável e covarde Jacob.
A única diferença entre Tanya e Isabella era que Isabella era muito melhor atriz. Desde o princípio, Edward soubera que Tanya não passava de uma interesseira egoísta e calculista. Porém, pensara que Isabella fosse um anjo... um anjo caído, graças a Jacob, mas ele não havia dado importância a tal fato. Agora, dava. Desprezou-a por ter se entregado a Jacob e, agora, por evitar entregar-se a seu marido, o que era exatamente o que Isabella estava fazendo, tentando beber até perder a consciência. Detestara o modo como ela tremera em seus braços e evitara seu olhar. Quando haviam dançado juntos, minutos antes. E detestara mais ainda a reação de evidente repulsa que ela não conseguia esconder, quando ele sugerira que já era hora de os dois se retirarem da festa.
Amargurado, Edward se perguntou por que era capaz de fazer suas amantes gritarem de prazer, quando suas esposas não queriam nem sequer chegar perto dele, uma vez feitos os votos sagrados. Perguntou-se por que era tão fácil para ele ganhar dinheiro e acumular fortunas e, ao mesmo tempo, impossível conquistar a felicidade. A maldita mulher que o criara certamente tinha razão. Edward era filho do demônio, não merecia viver e menos ainda, ser feliz.
As únicas três mulheres que haviam feito parte de sua vida, Isabella, Tanya e a mãe adotiva, haviam visto nele algo de maligno, que o tornava repulsivo para elas, embora suas duas esposas houvessem sido capazes de esconder tal repulsa até estarem casadas, com plenos direitos sobre sua fortuna.
Com determinação implacável, Edward se aproximou de Isabella e segurou-lhe o braço. Ela se encolheu, como se o contato a queimasse.
– Já é tarde e está na hora de entrarmos – ele declarou.
Mesmo à luz do luar, o rosto de Isabella empalideceu e uma expressão de horror tomou conta de seu semblante.
– Mas... não é tão tarde, ainda...
– Está na hora de irmos para a cama, Isabella – Edward persistiu, inabalável.
– Mas eu não estou com sono!
– Ótimo – ele declarou em tom propositadamente rude e percebeu que Isabella compreendeu suas intenções ao senti-la estremecer. – Fizemos um trato – lembrou-a – e espero que cumpra a sua parte, por mais repulsivo que seja para você se deitar em minha cama.
O tom frio e autoritário congelou Isabella até os ossos. Assentindo, ela seguiu para seu novo quarto, que se comunicava com o de Edward.
Percebendo o ânimo introspectivo da patroa, Emily se manteve em silêncio enquanto a ajudava a tirar o vestido de noiva e vestir a camisola de renda creme, criada por madame Dumosse especialmente para a noite de núpcias.
Isabella sentiu um gosto amargo na garganta e foi tomada pelo terror ao ver Emily preparar a sua cama. O vinho que bebera na esperança de aplacar o medo a estava deixando tonta e enjoada. Em vez de acalmá-la, como fizera no início, a bebida a estava deixando doente e incapaz de controlar as emoções. Desejou tardiamente não ter tocado naqueles copos. A única vez que bebera, antes, fora logo após o enterro de seus pais, quando o Dr. Morrison insistira para que ela tomasse dois copos de vinho. Isabella havia passado mal e ele lhe dissera que, provavelmente, ela era uma dessas pessoas cujo organismo não tolera os efeitos do álcool.
Com a descrição horrenda da srta. Flossie ecoando em sua mente, Isabella foi para a cama. Em breve, seu sangue mancharia aqueles lençóis, pensou, desesperada. Quanto sangue? Quanta dor? Começou a suar frio e sentir vertigens, enquanto Emily ajeitava os travesseiros. Isabella deitou-se, tentando conter o pânico e a náusea. A srta. Flossie a advertira de que não deveria gritar, nem demonstrar sua repulsa, mas quando Edward abriu a porta que ligava os dois quartos, vestindo um robe escuro que deixava à vista boa parte do peito e pernas nuas, Isabella perdeu o controle sobre o medo.
– Edward! – exclamou, apavorada, pressionando as costas contra os travesseiros.
– Quem esperava ver agora? Jacob? – ele perguntou em tom casual, ao mesmo tempo em que levava as mãos à tira de cetim que mantinha seu robe fechado.
Tomada de pânico, Isabella balbuciou:
– N-não faça... isso! Um cavalheiro não se despe diante de uma dama, mesmo que os dois sejam casados!
– Se não me engano, já discutimos isso antes, mas caso você tenha se esquecido, devo lembrá-la de que não sou um cavalheiro. No entanto, se a visão do meu corpo pouco cavalheiresco ofende a sua sensibilidade, pode resolver o problema fechando os olhos. A única opção seria eu me deitar debaixo das cobertas, para então tirar o robe. Infelizmente, tal opção ofende a minha sensibilidade e, portanto, está fora de questão.
Com essas palavras, Edward puxou a extremidade da tira de cetim e se despiu. Os olhos de Isabella se arregalaram, horrorizados pela visão do corpo viril e musculoso.
Qualquer esperança, por menor que fosse, que Edward ainda acalentasse de que ela fosse aceitar os seus avanços de boa vontade morreu quando Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado.
Edward fitou-a por um momento e, então com movimentos deliberadamente rudes, arrancou-lhe os lençóis das mãos, descobrindo-a. Deitou-se a seu lado e, sem pronunciar nem uma palavra sequer, desamarrou o laço da camisola de renda. Respirou fundo diante da perfeição do corpo nu a sua frente.
Isabella possuía seios redondos e cheios, cintura fina, quadris suavemente arredondados e pernas longas e incrivelmente bem torneadas. À medida que os olhos de Edward deslizavam por seu corpo, as faces de Isabella foram adquirindo tonalidade escarlate. No momento em que ele pousou a mão sobre um dos seios, ela se encolheu, rejeitando a carícia.
Para uma mulher experiente, Isabella mostrava-se fria como uma pedra de gelo, deitada com o rosto voltado para a parede, o semblante contorcido em repulsa. Edward pensou em seduzi-la com carícias, mas logo descartou a idéia. Ela quase o abandonara no altar e era mais que evidente que não tinha a menor disposição de suportar seus carinhos por mais tempo.
– Não faça isso – Isabella implorou, enquanto Edward continuava a acariciar-lhe um seio. – Vou passar mal! – ela gritou, tentando sair da cama.
Tais palavras atingiram Edward como um golpe de punhal e a ira cega explodiu dentro dele. Segurando-a pelos cabelos, posicionou-se sobre Isabella.
– Se é assim, vamos acabar com isso de uma vez! – declarou com voz selvagem.
Visões de sangue e dor invadiram a mente de Isabella, aumentando ainda mais o seu terror e a náusea provocada pelo vinho.
– Não quero! – ela lamentou entre soluços.
– Fizemos um acordo e, enquanto formos casados, você vai cumprir a sua parte – Edward sussurrou ao seu ouvido, ao mesmo tempo em que lhe afastava as coxas. Isabella gemeu ao sentir a pressão implacável contra sua feminilidade, mas, em algum recesso de sua mente, reconheceu que ele estava certo ao lhe cobrar o cumprimento de sua parte no acordo. Assim, parou de lutar. – Trate de relaxar – ele ordenou. – Posso não ser tão gentil quanto o seu querido Jacob, mas não quero machucá-la.
A menção cruel ao nome de Jacob em um momento como aquele acabou de partir o coração de Isabella e toda a sua angústia se expressou em um profundo grito de dor, quando Edward a penetrou. Seu corpo se contorcia sob o dele, ao mesmo tempo em que lágrimas quentes, resultantes da dor e da humilhação, banhavam suas faces, enquanto seu marido a usava sem a menor gentileza e cuidado.
No momento em que sentiu Edward retirar o peso de cima dela, Isabella virou-se de lado e enterrou o rosto no travesseiro.
– Saia daqui! – murmurou entre soluços amargos que lhe sacudiam o corpo encolhido. – Saia!
Após um breve instante de hesitação, Edward saiu da cama, apanhou o robe e foi para seu quarto. Embora fechasse a porta, continuou ouvindo o choro de Isabella. Ainda nu, apanhou uma garrafa de conhaque e se serviu de uma dose. Bebeu de um só gole, tentando apagar da memória a lembrança da resistência de Isabella, bem como afastar o som de seus soluços.
Ah, como fora estúpido ao acreditar que sentira calor humano nos beijos de Isabella. Quando ele sugerira, pela primeira vez, que se casassem, ela lhe dissera que não queria se casar com ele. Muito tempo antes, quando descobrira sobre o suposto noivado anunciado por Carlisle, Isabella revelara seus verdadeiros sentimentos por Edward: "Você é um monstro frio e arrogante... Nenhuma mulher em seu juízo perfeito se casaria com você...".
Era exatamente o que ela pensava.
Fora mesmo tolo ao se convencer de que Isabella gostava dele... Edward virou-se para se servir de mais conhaque e, ao colocar o copo sobre a penteadeira, viu o próprio reflexo no espelho. Só então notou as marcas de sangue em suas coxas.
O sangue de Isabella.
O coração dela certamente pertencera a Jacob, mas nunca seu corpo perfeito, que ela só entregara a Edward. Ele ficou olhando fixamente para o espelho, enquanto um profundo desprezo por si mesmo tomava conta de todo o seu ser. Deixara se levar pelo ciúme e pelo orgulho ferido a ponto de não perceber que ela era virgem.
Fechou os olhos de remorso e angústia, incapaz de suportar a visão de si mesmo. Tratara Isabella com menor gentileza ou consideração do que um marujo bêbado dispensa a uma prostituta do cais.
Pensou no quanto ela estivera seca e rija, quanto parecera frágil e vulnerável em seus braços, lembrou-se da maneira selvagem como a possuíra... e sentiu uma onda de repulsa sacudi-lo.
Abrindo os olhos, Edward olhou para si mesmo no espelho, dando-se conta de que havia transformado a noite de núpcias de Isabella em um pesadelo. A verdade era que ela sempre fora o anjo de fibra e coragem que ele pensara desde o início. E ele... ora, ele era exatamente o que sua mãe adotiva sempre dissera: um filho do demônio.
Vestindo o robe, Edward retirou uma caixa de veludo da gaveta da penteadeira e voltou ao quarto de Isabella. Ficou parado ao lado da cama, observando-a dormir.
– Isabella – sussurrou.
Ela se moveu levemente ao ouvir o som de sua voz e Edward foi imediatamente invadido pela dor do remorso. Ela parecia tão vulnerável, tão linda, com os cabelos espalhados no travesseiro, refletindo a suave luz da vela.
Edward observou-a em silêncio atormentado, sem querer perturbá-la. Após alguns momentos, puxou as cobertas sobre os ombro cabelos de seu rosto.
– Sinto muito – murmurou baixinho.
Apagou a vela e depositou a caixinha de veludo na mesa-de-cabeceira, onde Isabella a encontraria assim que acordasse. Os diamantes a confortariam. As mulheres eram capazes de perdoar qualquer coisa por diamantes.

[N/A Fanfic]
O que eu disse? Esse Lorde Malvado é malvado mesmo! Homens!
Coitada do meu anjinho! Ninguém merecia uma noite dessas!
O Edward sabe como fazer mal a alguém, e tudo por despeito e ciumes infundados!
Esse casamento foi esquisito kkk, a noiva querendo fugir do noivo kkkk... E o noivo com medo de ser rejeitado.
Uma #Dica: O Edward vai colocar na cabeça que a Bella tem nojo dele kkk, depois de tudo até que ele merecia, mais ela só estava enjoada por causa da bebida.
Agora estou com ódio do Edward, mais vai passar logo, porque eu sei toda a historia dele. E sei que esse homem tem traumas difíceis de ser ignorados.
E se serve de consolo, Ele vai sofrer, e a causa vai ser nossa Bellinha!
E mais uma coisinha no próximo capitulo vamos descobrir o passado dele! E o nosso anjinho vai mudar de tática e seduzir o Lorde Malvado!

[N/A Blog]
Oi gente!! Eu avisei vocês que esse capitulo não seria um mar de rosas... então, com muita raiva do Edward?? Muita coisa vai mudar nos próximos capítulos, e para melhor claro :)) 

Gente nos encontramos na terça com um novo capitulo... 

Bjs e tenham uma ótimo semana...


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