Inglaterra, 1815.

– Ah, aí está você, Edward – a beldade de cabelos loiros disse, ao ver o reflexo do marido no espelho sobre a penteadeira.

Com olhar desconfiado, examinou a figura atraente que se aproximava e, então, voltou-se para as diversas caixas de jóias espalhadas a sua frente. Com mãos ligeiramente trêmulas e sorriso forçado, retirou uma espetacular gargantilha de brilhantes de uma delas e estendeu-a para ele.

– Ajude-me a colocá-la, por favor – pediu.

As feições do marido se tornaram duras, quando seus olhos pousaram nos colares de rubis e esmeraldas que já enfeitavam o decote ousado do vestido.

– Não acha que essa exibição de jóias, bem como de seu corpo, é um tanto vulgar para uma mulher que pretende se passar por uma grande dama?

– O que você sabe sobre vulgaridade? – Tanya Cullen retrucou com irreverência. – Este vestido é a última palavra em moda. Além do mais, o barão Marcus Lacroix gosta tanto dele que me pediu para usá-lo no baile esta noite.

– Sem dúvida, ele não quer ter trabalho com uma porção de botões, quando chegar o momento de despi-la, mais tarde – o marido replicou sarcástico.

– Exatamente. Afinal, como todo francês, ele é muito impetuoso. – Infelizmente, ele não tem um tostão.

– Lacroix me acha bonita – Tanya provocou-o, a voz ligeiramente trêmula pela irritação contida.

Edward Cullen estudou a esposa da cabeça aos pés, examinando com profundo desprezo o lindo rosto com pele de alabastro, olhos verdes, levemente amendoados, os lábios carnudos e vermelhos, a curva dos seios fartos, exposta pelo decote do vestido de veludo escarlate.

– Ele tem razão. Você é linda, ambiciosa e imoral. – Girando nos calcanhares, encaminhou-se para a porta, mas parou, acrescentando com implacável autoridade: – Antes de sair, vá se despedir de nosso filho. Seth é pequeno demais para compreender que você não passa de uma vagabunda. Ele sente sua falta. Partirei para Escócia dentro de uma hora.

– Seth! – Tanya sibilou, irada. – É tudo o que importa para você. – Como o marido abrisse a porta, sem se dar ao trabalho de negar a acusação, ela ameaçou: – Quando voltar da Escócia, não estarei mais aqui!

– Ótimo – Edward replicou.

– Bastardo! Vou contar ao mundo quem você realmente é e, então, vou embora. Nunca voltarei. Nunca!

Com a mão na maçaneta, Edward virou-se para encará-la com expressão impassível.

– Vai voltar, sim – zombou —, assim que o seu dinheiro acabar.

Quando a porta se fechou, os olhos de Tanya brilharam em triunfo.

– Nunca voltarei, Edward – murmurou —, porque o meu dinheiro jamais acabará. Você mesmo vai me dar tudo o que eu quiser...

– Boa noite, milorde – o mordomo cumprimentou-o com voz estranhamente tensa.

– Feliz Natal, Amun – Edward respondeu de maneira automática, enquanto tirava a neve das botas e entregava a capa ao mordomo. A última cena com Tanya, ocorrida duas semanas antes, voltou-lhe à mente, mas ele afastou a lembrança depressa. – O mau tempo atrasou o meu retorno em um dia. Meu filho já foi para a cama?

O mordomo apareceu petrificado.

– Edward... – um homem atarracado, de meia-idade e a pele bronzeada de um marujo experiente, chamou da porta que separava o hall de entrada de um dos vários salões, fazendo um sinal para que Edward se juntasse a ele.

– O que está fazendo aqui, Mike? – Edward perguntou com ar de surpresa, observando o mais velho fechar a porta atrás de si.

– Edward – Mike Farrell começou com sua voz tensa —, Tanya se foi. Ela e Marcus Lacroix partiram para Barbados, logo depois de sua partida para Escócia. – Fez uma pausa, esperando por alguma reação, mas não houve nenhuma. Então, respirou fundo e continuou: – Levaram Seth com eles.

Uma fúria selvagem iluminou os olhos de Edward.

– Vou matá-la por isso! – declarou, já se virando para a porta. – Vou encontrá-la e matá-la...

– É tarde demais para isso – a voz desolada de Mike interrompeu os passos nervosos de Edward. – Tanya já está morta. O navio naufragou durante uma tempestade, três dias depois de ter deixado a Inglaterra. – Desviou os olhos da terrível agonia que já contorcia as feições de Edward, antes de acrescentar: – Não houve sobreviventes.

Em silêncio, Edward caminhou até a mesinha de canto, apanhou uma garrafa de cristal, cheia de uísque, e encheu um copo. Bebeu o líquido de um só gole e se serviu de mais uma dose, o olhar perdido no vazio.

– Ela deixou isso para você – Mike Farrell estendeu duas cartas, cujos lacres haviam sido violados. Como Edward não fizesse menção de apanhá-las, Mike explicou: – Já as li. Uma delas é um pedido de resgate, endereçado a você, que Tanya deixou no seu quarto. Ela pretendia trocar Seth por dinheiro. A segunda carta foi escrita com a intenção de expor você. Ela a entregou a um lacaio, com instruções para que fosse enviada ao Times, depois que ela tivesse partido. No entanto quando Eric Wilson descobriu que Seth tinha sido levado, imediatamente interrogou os criados sobre os atos de Tanya na noite anterior e o lacaio entregou a carta a ela, em vez de levá-la para o Times. Eric não conseguiu alcançar você, a fim de informá-lo de que Tanya tinha levado Seth. Por isso mandou me chamar e me entregou as cartas. Edward – Mike falou com voz rouca —, sei quanto amava o garoto. Sinto muito. Eu...

Edward ergueu lentamente o olhar torturado para o quadro sobre o consolo da lareira. Em silêncio, observou o retrato de seu filho, um garotinho robusto, com um sorriso angelical nos lábios e um soldadinho de madeira nas mãos.

O copo que Edward segurava se quebrou entre os dedos tensos, mas ele não chorou. A infância de Edward Cullen havia muito lhe roubara todas as lágrimas.

Portage, Nova York, 1815.

As botas que envolviam os pés delicados de Isabella Swan esmagaram a neve quando ela abriu o portão de madeira branca do jardim da casinha modesta onde havia nascido. Suas faces estavam coradas e seus olhos brilharam quando os ergueu para observar o céu salpicado de estrelas, com o prazer inocente de uma garota de quinze anos, no Natal. Cantarolou as últimas notas de um dos cânticos de Natal que entoara a noite inteira, junto aos demais freqüentadores da paróquia. Então, dirigiu-se para a casa, que já se encontrava às escuras.

Sem querer acordar os pais, ou a irmã mais nova, abriu a porta com cuidado e entrou na ponta dos pés. Tirou a capa, pendurou-a no cabide ao lado da porta e virou-se. Então parou surpresa. O luar que entrava pela janela junto ao patamar da escada iluminava o corredor, onde seus pais se encontravam, diante da porta do quarto de sua mãe.

– Não, Charlie! A mãe lutava para se desvencilhar dos braços do marido. – Não posso! Simplesmente, não posso!

– Não me recuse, Renée – Charlie Swan implorou – Pelo amor de Deus, não...

– Você prometeu! – Renée argumentou, desesperada, renovando seu esforço de luta. Ele abaixou a cabeça para beijá-la, mas ela virou o rosto depressa, lembrando-o entre soluços – Você prometeu, no dia em que Alice nasceu, que não pediria de novo. Você me deu sua palavra!

Imobilizada pela surpresa e pelo horror da cena, Isabella se deu conta de que jamais vira seus pais se tocarem antes. Porém não fazia idéia do que o pai estava pedindo, que a mãe negava com tamanha veemência.

Charlie finalmente libertou a esposa, deixando os braços caírem ao lado do corpo.

– Desculpe – murmurou.

Renée correu para o quarto e fechou a porta. Em vez de ir para o próprio quarto, Charlie deu meia volta e desceu a escada estreita, passando a pouco centímetros da filha.

Isabella colou-se à parede, com o terrível pressentimento de que a segurança e a paz de seu mundo haviam sido ameaçadas pelo que acabara de presenciar. Temendo que o pai percebesse a sua presença, que soubesse que ela havia testemunhado aquela cena íntima tão humilhante, observou-o sentar no sofá e olhar fixamente para as brasas na lareira. Uma garrafa de uísque, que passara anos na prateleira da cozinha, encontrava-se sobre a mesa de centro, ao lado do copo pela metade. Quando Charlie se inclinou para apanhar o copo, Isabella virou-se e, com todo o cuidado, pousou o pé no primeiro degrau.

– Sei que está aí, Isabella – ele falou com voz desprovida de emoção, sem olhar para trás. – Não faz o menor sentido fingirmos que você não presenciou o que acabou de acontecer entre mim e sua mãe. Por que não vem se sentar ao meu lado? Não sou o bruto que você deve estar imaginando.

A simpatia pelos sentimentos do pai provocou um nó na garganta de Isabella e, imediatamente, ela foi se sentar junto dele.

– Não acho que seja um bruto, papai. Jamais poderia pensar algo assim.

Ele bebeu um longo gole de uísque, antes de dizer:

– Também não deve culpar sua mãe.

A voz de Charlie soou ligeiramente enrolada, como se ele estivesse bebendo havia muito tempo. Com o julgamento prejudicado pelos efeitos do álcool, examinou a expressão chocada no rosto da filha e concluiu que ela havia compreendido muito mais do que na realidade, Isabella compreendera. Passando o braço em torno dos ombros dela, com um gesto reconfortante, tentou diminuir-lhe a aflição. Porém, o que disse, só fez piorar ainda mais os sentimentos da menina.

– Não é culpa de sua mãe, nem minha. Ela não consegue me amar e eu não consigo deixar de amá-la. Muito simples.

Isabella mergulhou, da maneira mais abrupta, da confortável segurança da infância para a fria e aterrorizante realidade dos adultos. Boquiaberta, ficou olhando para o pai, enquanto seu mundo parecia desmoronar ao seu redor. Sacudiu a cabeça, tentando negar as palavras horríveis que ele pronunciara. Sua mãe tinha de amar aquele homem maravilhoso!

– O amor não pode ser forçado – Charlie Swan continuou, confirmando a verdade medonha, sem desviar o olhar amargurado do copo. – Não se trata de algo que passe a existir pela nossa vontade. Se fosse assim, sua mãe me amaria. Ela acreditava que aprenderia a me amar, quando nos casamos. Eu também. Nós queríamos acreditar. Mais tarde, tentei me convencer de que não fazia diferença se ela me amasse ou não. Disse a mim mesmo que o casamento poderia ser feliz, mesmo sem amor.

As palavras seguintes foram pronunciadas com tamanha angústia, que partiram o coração de Isabella.

– Ah, como fui tolo! Amar alguém que não nos ama é como viver no inferno! Nunca deixe alguém convencê-la de que poderá ser feliz ao lado de um homem que não a ama.

– Eu... não vou deixar – Isabella murmurou, lutando para conter as lágrimas.

– E jamais ame alguém mais do que essa pessoa a ama, Bella. Não faça isso.

– Não... farei. Prometo – Isabella declarou, já incapaz de reprimir as lágrimas provocadas pelo amor e pela piedade que, agora, sentia pelo pai. – Quando me casar, papai, será com alguém exatamente como você.

Em vez de comentar a declaração da filha, Charlie ofereceu-lhe um sorriso terno e disse:

– Nem tudo foi ruim, minha filha. Sua mãe e eu temos Alice e você para amar. E esse amor nós compartilhamos.

O céu começava a clarear, quando Isabella saiu de casa, depois de uma noite de insônia. Vestindo uma saia de montaria azul-marinho e uma capa vermelha, retirou seu pônei do estábulo e montou com dificuldade.

Ao chegar ao riacho que corria ao lado da estrada que levava ao vilarejo, a menos de dois quilômetros de sua casa, desmontou. Desceu com facilidade pela margem, escorregadia, coberta pela neve, e foi sentar-se em um rochedo. Com os cotovelos apoiados sobre os joelhos e o queixo nas mãos, pôs-se a observar a água cinzenta que corria lentamente por entre blocos de gelo.

O céu se tornou amarelo e, então, rosado, enquanto ela permanecia ali, tentando recuperar a alegria que costumava sentir naquele lugar, toda vez que assistia ao amanhecer de um novo dia.

Um coelho saiu correndo detrás das árvores atrás dela, ao mesmo tempo em que um cavalo resfolegava e passos sorrateiros se aproximavam. Um sorriso curvou os lábios de Isabella, um segundo antes de uma bola de neve passar zunindo por sobre o seu ombro direito. Desviando-se rapidamente para a esquerda, ela falou, sem se virar:

– Sua mira é péssima, Jacob.

Um par de botas lustrosas parou a seu lado.

– Acordou cedo, hoje – Jacob comentou, sorrindo para a jovem e delicada beldade sentada na pedra.

Os cabelos ruivos, com magníficos reflexos castanhos, encontravam-se parcialmente presos por um pente de tartaruga, no topo da cabeça, caindo sobre os ombros como uma cascata de mogno. Os olhos ligeiramente puxados nos cantos eram de um chocolate ainda mais profundo que dos chocolates-perfeitos, emoldurados por cílios longos e espessos. O nariz perfeito enfeitava os contornos delicados das faces coradas e saudáveis, realçando a pequena, porém fascinante fenda que lhe marcava o queixo.

A promessa de beleza já se encontrava gravada em cada linha e traço do rosto de Isabella, embora fosse óbvio a qualquer observador que sua beleza estava destinada a ser mais exótica do que frágil, assim como era óbvia a teimosia no ângulo do queixo e a alegria com seus olhos. Naquela manhã, porém aqueles lindos olhos não exibiam o brilho costumeiro.
Isabella se inclinou e apanhou um punhado de neve com as mãos enluvadas. Com um gesto automático, Jacob se abaixou, mas em vez de atirar a bola de neve sobre ele, como normalmente fazia, Isabella limitou-se a atirá-la no riacho.

– O que há com você, olhos chocolates? – ele perguntou em tom de provocação. – Está com medo de errar?

– Claro que não – Isabella respondeu com um suspiro.

– Dê-me espaço para sentar ao seu lado.

Ela obedeceu e, ao estudar sua expressão triste, Jacob inquiriu, preocupado:

– Por que está tão desanimada?

Isabella sentiu-se profundamente tentada a contar tudo a ele. Jacob era muito mais sábio do que se poderia esperar de um rapaz de vinte anos. Era o filho único da moradora mais rica do vilarejo, uma viúva de saúde aparentemente delicada, que depositava nos ombros do filho toda a responsabilidade pela administração da imensa mansão, bem como dos mil acres de terra cultivada em sua fazenda.

Segurando-lhe o queixo entre os dedos delicados, Jacob forçou-a a encará-lo.

– Conte-me o que aconteceu – encorajou-a

Aquele segundo pedido era mais do que o coração partido de Isabella poderia suportar. Jacob era seu amigo. Ao longo dos anos, ele a ensinara a pescar, nadar, atirar com uma pistola e trapacear nos jogos de cartas, alegando que tal conhecimento era importantíssimo para que ela descobrisse de pronto se alguém tentasse trapaceá-la. Isabella o recompensara, tornando-se ainda melhor que ele em cada uma daquelas atividades. Eram amigos e ela sabia que podia confiar nele com relação a quase tudo. Ainda assim, não seria capaz de discutir com Jacob o casamento de seus pais. Por isso, decidiu conversar sobre a outra questão que a preocupava: a advertência de seu pai.

– Jacob, como é possível saber se alguém nos ama? Estou me referindo ao amor de verdade.

– Como o amor de quem vou me casar.

Se fosse um pouco mais velha, um pouco mais experiente, Isabella teria sabido interpretar a ternura que iluminou os olhos escuros de Jacob, antes que eles se desviassem dos dela.

– Você vai ser amada pelo homem com quem se casar – ele prometeu.– Tem minha palavra.

– Mas ele deve me amar, no mínimo, tanto quanto eu o amar.

– E será assim.

– É possível, mas como vou saber se ele realmente me ama?

Jacob lhe lançou um olhar desconfiado.

– Algum dos rapazes da vizinhança foi pedir sua mão a seu pai? – Inquiriu em tom contrariado.

– Claro que não! Só tenho quinze anos e papai faz questão que eu espere até fazer dezoito, para saber o que quero.

Jacob baixou os olhos para o queixo empinado de Isabella e riu baixinho.

– Se seu pai só quer garantir que você saiba o que quer, pode lhe dar permissão para se casar amanhã mesmo. Você sabe o que quer desde que completou dez anos de idade.

– Tem razão – ela concordou com franqueza inocente, antes de indagar: – Jacob, você nunca se pergunta com quem vai casar?

– Não – ele respondeu com um leve sorriso, voltando a fixar os olhos no riacho.

– Por que não?

– Já sei quem ela é.

Surpresa pela revelação inesperada, Isabella dirigiu-lhe um olhar curioso.

- Verdade? Conte-me quem é ela! Alguém que eu conheço?

Como ele permanecesse calado, Isabella começou a amassar uma grande bola de neve entre as mãos.

- Está pensando em enfiar essa neve por dentro da gola do meu casaco? – ele inquiriu, observando-a com ar divertido.

– Claro que não – ela respondeu com um brilho malicioso no olhar. – Estou pensando em uma aposta. Se a minha pontaria chegar mais perto daquele rochedo do outro lado, você terá de me contar quem é ela.

– E se minha pontaria for melhor?

– Nesse caso, você mesmo deve escolher o seu prêmio – Isabella concedeu, com ar magnânimo.

– Cometi um erro gravíssimo ao ensiná-la a apostar – Jacob concluiu com um sorriso, sucumbindo ao charme ingênuo de Isabella.

Jacob errou o alvo por uns poucos centímetros. Isabella fixou os olhos na rocha, em profunda concentração, e, então atingiu-a em cheio.

– E cometi outro erro, ainda mais grave, quando a ensinei a atirar bolas de neve – ele admitiu.

– Eu já sabia, antes de você me ensinar – Isabella anunciou com petulância, pousando as mãos nos quadris. – Agora, trate de me contar com quem pretende se casar.

Enfiando as mãos nos bolsos. Jacob sorriu com crescente ternura.

– Com quem você acha que pretendo me casar, olhos chocolates?

– Não sei – ela respondeu com seriedade —, mas espero que ela seja muito especial, pois você é.

– Ela é muito especial – Jacob garantiu em tom solene. – É tão especial, que pensei nela durante todo o tempo que passei na escola, no inverno. Na verdade, estou muito feliz por ter voltado para casa, pois posso vê-la com maior freqüência.

– Da maneira como fala, ela parece ser muito boa – Isabella comentou, sentindo-se subitamente zangada com a desconhecida.

– Eu diria que ela está mais para "maravilhosa" do que para "muito boa". Ela é dócil, corajosa, bonita, autêntica, gentil e teimosa. Todos que a conhecem passam a amá-la.

– Bem, então, por que não se casa com ela de uma vez e põe um ponto final na concorrência? – Isabella indagou, visivelmente irritada.

Os lábios de Jacob se curvaram e, em um raro gesto de intimidade, afagou-lhe os cabelos sedosos.

– Porque – murmurou com voz terna – ela ainda é jovem demais. O pai dela quer que espere até completar dezoito anos para que saiba o que quer.

Os olhos de Isabella se arregalaram.

– Está falando de mim? – inquiriu, incrédula.

– Você – ele confirmou. – Só você.

O mundo de Isabella, ameaçado pelo que ela vira e ouvira na noite anterior, subitamente voltou a parecer seguro e reconfortante.

– Obrigada, Jacob – murmurou com timidez. – Será maravilhoso me casar com o meu amigo mais querido.

– Eu não deveria ter mencionado as minhas intenções para você, antes de falar com seu pai a respeito. E não posso fazer isso pelos próximos três anos.

– Papai gosta muito de você e não vai fazer nenhuma objeção, desde que respeitemos o prazo imposto por ele. Como ele poderia ser contra, quando vocês dois são tão parecidos?

Alguns minutos mais tarde, Isabella montou seu pônei, sentindo-se alegre e animada. Porém, seu entusiasmo desapareceu no momento em que ela abriu a porta da cozinha.

Sua mãe estava inclinada sobre o fogão, ocupada com a preparação de panquecas. Tinha os cabelos presos na nuca e usava um vestido simples, mas muito limpo e impecavelmente passado. Pendurados em ganchos presos ao lado e acima do fogão, encontravam-se panelas, tachos, peneiras, facas e funis, tudo na mais perfeita ordem, conforme o costume de Renée. Sentado à mesa, Charlie bebericava seu café.

Olhando para eles, Isabella se sentiu constrangida, triste e profundamente zangada com a mãe, por ela negar ao seu maravilhoso pai o amor que ele tanto queria e precisava.

Uma vez que os passeios matinais de Isabella eram bastante comuns, ninguém estranhou a sua chegada. Os pais a fitaram, sorriam e a cumprimentaram. Isabella retribuiu o cumprimento do pai e sorriu para a irmã, mas mal conseguiu olhar para a mãe. Então, começou a arrumar a mesa com todas as louças e talheres, uma formalidade considerada por sua mãe inglesa "necessária a uma refeição civilizada".

Enquanto se ocupava de sua tarefa, Isabella se sentia pouco à vontade, mas quando tomou seu lugar à mesa, a hostilidade foi cedendo lugar a um sentimento de piedade. Observou Renée Swan, que tentava de todas as maneiras compensar o marido, conversando em tom animado, servindo-lhe mais café e pães quentinhos, recém-tirados do forno, ao mesmo tempo em que se esmerava no preparo das panquecas, que constituíam o item preferido de Charlie Swan para o café da manhã.

Isabella comeu em silêncio, a mente buscando com certo desespero uma maneira de consolar o pai pelo casamento sem amor.

A solução ficou clara em sua mente no momento em que ele se levantou, anunciando a intenção de cavalgar até a fazenda dos Jackson, a fim de verificar como estava o braço quebrado da pequena Anne.

– Vou com você, papai – Isabella anunciou, pondo-se de pé. – Já faz algum tempo que venho pensando em pedir que me ensine a ajudá-lo no seu trabalho.

Tanto o pai como a mãe dirigiram-lhe olhares surpresos. Afinal, Isabella jamais havia manifestado qualquer interesse pelas artes da cura. Na verdade, até aquele momento, ela não passara de uma criança alegre e despreocupada, interessada apenas em diversão. Ainda assim, nenhum dos dois fez objeção alguma.

Isabella e o pai sempre haviam sido muito próximos. Daquele dia em diante, tornaram-se inseparáveis. Ela o acompanhava a quase todos os lugares e, embora ele se recusasse terminantemente a permitir que ela o assistisse no tratamento de pacientes do sexo masculino, mostrava-se mais que feliz com a ajuda da filha em qualquer circunstância.

Nenhum dos dois jamais mencionou o assunto triste que haviam discutido na fatídica noite de Natal. Ao contrário, preenchiam o tempo que passavam juntos com conversas tranqüilas e brincadeiras inocentes. Apesar da infelicidade que lhe apertava o coração, Charlie Swan era um homem que apreciava o valor da alegria.

Isabella havia herdado a beleza exótica da mãe, bem como o humor e a coragem do pai. Agora, aprendia a desenvolver a compaixão e o idealismo, também características dele. Quando garotinha, ela conquistara com facilidade a simpatia dos habitantes do vilarejo com seu sorriso irresistível. Aqueles que antes gostavam da menina alegre agora adoravam a jovem de fibra que se preocupava com suas dores e se empenhava em diminuir-lhes o sofrimento.



[N/A Fanfic] 
Gostaram? Se não? Não fiquem desanimadas a estória vai ganhar corpo logo, logo! kkkk
Gente eu não posso ficar falando muito, se não acabo contando, mais posso garantir que esse livro me ganhou pela força da Bella e a vida atormentada do Edward. Ele se parece forte na superficie, mais é tão frágil e carente! :D Não tem como odiar esse homem, e não amá-lo!

[N/A Blog IRL]
Então gente?? Curiosos com o desenrolar dessa história??
Aguardamos vocês no capítulo de sexta-feira e não se esqueçam de deixar a vossa opinião nos comentários.

Bjs e Boa Noite!