13. Desvendando os Mistérios Humanos
14. O Primeiro beijo
15. Aconteça o que acontecer
16. Conhecendo a Família
17. O Jogo
18. A Caçada
19. Sua Dor ... Minha Dor
– Boa Tarde. Gostaria de fazer um reserva. – Carslile disse ao telefone enquanto ligava
para o hotel. – Um suíte com 1 cama de casal e 2 camas de solteiro, por favor. Em nome de
Dr. Carslile Cullen. Chegarei em menos de 2 horas com meus filhos. – Carslile disse assim que estávamos prontos para partir.
– Sim Dr. Cullen. Sua suíte estará pronta em 1 hora. É só o Sr. se apresentar na recepção. – A recepcionista confirmou.
– Muito obrigado. – Carslile disse e desligou.
– Temos que nos apressar, os bombeiros chegarão em menos de 20 minutos. – Alice disse preocupada.
– Dará tempo de queimar tudo? Não podemos deixar rastro. – Disse para ela. Em sua visão não ficou muito claro se todo o prédio iria virar cinzas. Tínhamos que ter certesa.
– Não sei ... acho que teremos que dar mais uma forcinha. – Ela disse já pensando em Emmet.
– Ei! Deixa comigo. – Emmet disse. – Será um prazer acelerar tudo e garantir que aquele maldito fique nas profundezas do inferno.
Emmet se divertiu muito enquanto espalhava combustível pelo prédio e acelerava o incêndio. Jasper ria muito quando as chamas chegavam perto de Emmet e esse pulava longe. Ficamos no carro há 2 quadras esperando. Eles não demoraram e saíram a tempo de ouvir as sirenes dos bombeiros se aproximando. Alguns curiosos também cercavam o prédio em chamas. Partimos antes que os bombeiros chegassem.
Já era hora do Crepúsculo quando chegamos no estacionamento do Hotel.
Preferimos um hotel diferente do que Alice, Bella e Jasper estiveram hospedados, para não chamar atenção. Bella ainda estava adormecida. A morfina, os ferimentos e a perda do sangue a enfraqueceram consideravelmente.
– Como entraremos com Bella sem chamar atenção? – Perguntei à Alice, é claro que ela saberia.
– Tem uma entrada pelos fundos em que podemos alcançar o elevador, só precisamos de algum tipo de distração .... – Alice disse sorrindo, ela já havia visto tudo e estava se divertindo.
– Epa! Deixa comigo. Isso vai ser divertido. – Emmet se ofereceu.
– O que você vai fazer, Emmet? – Carslile perguntou.
– Eu não, nós ... – Ele disse e olhou para Jasper.
– Eu? O que você está planejando, Emmet. – Jasper perguntou confuso.
– Só preciso de uma forcinha ... psíquica. – Emmet disse rindo.
– Ok, mas se apressem. Precisamos levar Bella para o hospital ... logo. – Disse sem humor
nenhum.
– Edward tem razão. Apressem-se. Ainda teremos que fazer uma cena para justificar todos
os ferimentos de Bella. – Carslile lembrou. – Deixem que eu me apresente na recepção e
pegue as chaves do quarto, assim que eu subir vocês começam.
– Ok. – Emmet disse mais sério. – Vamos Jazz.
Eu, Alice e Bella ficamos no carro aguardando. Carslile avisou assim que pegou as
chaves e deu o sinal a Emmet. Ele e Jasper chegaram na recepção e começaram o teatro.
Assim que Alice viu que seria seguro, saímos do carro e pegamos o elevador de
serviço para o terceiro andar, Carslile já nos esperava com a porta do quarto aberta e a cama
preparada para receber Bella. Fiquei ao seu lado enquanto Alice e Carslile combinavam
tudo na sala.
– Terei que dar uma saídinha. – Alice disse.
– Onde você vai, Alice? – Carslile perguntou.
– Tenho que comprar umas lentes para Edward. Ele não pode ficar por aí com os olhos
vermelhos à mostra. Ele vai querer acompanhar Bella no hospital. Ela ficará alguns dias por
lá. – Alice disse já vendo como seriam os próximos dias.
– Sim, isso é provável. Temos que nos apressar, Alice. – Carslile disse preocupado com
Bella. Ele queria levá-la logo para o hospital.
– Eu sei. – Alice concordou preocupada também. – Não demorarei. – Ela disse e correu.
Ver Bella toda machucada só me causava mais dor e agonia. Ela estava daquele
jeito por minha causa ... minha culpa, eu me arrependia amargamente de tê-la levado para o
jogo, de ter me afastado dela ... Bella não devia ficar tão perto do meu mundo.
Eu ficava ao lado de sua cama, olhando todo o estrago que eu havia causado nela e
pensando numa forma de compensar tudo aquilo, mas não encontrava uma forma segura de
deixar Bella.
– Eu preciso deixá-la ... de alguma maneira. Não é justo o que ela passou por minha culpa.
– Disse para Carslile que entrava no quarto.
– Não, meu filho. – Ele me disse.
– Não vejo outra saída, Carslile. É muito perigoso para ela. Hoje foi James, mas Victória
ainda está por aí, ela vai querer vingança ... e será em Bella que ela vai agir para nos atingir.
Vi que ela e James tinham uma ligação muito forte. – Contei a ele.
– Você acha que isso fará algum bem para você e ... – Ele ia continuar mas eu interrompi.
– Não me importo comigo. – Disse firme.
– E com Bella? Ela te ama, e ficar sem você não será nada bom para ela ... também. – Ele
completou.
– Ela é humana ... vai superar. Ela vai me esquecer. – Disse com a cabeça baixa, ao lado
da cama de Bella, sofrendo só de imaginar.
– Não acredito nisso. – Carslile contestou.
– Ah! Edward ... não ... Edward! – Bella começou a gritar ainda inconsciente e se mexer.
Eu lhe segurei com cuidado para não piorar seu estado.
– Carslile! – Me virei e pedi ajuda. Eu estava muito preocupado. Me sentia um inútil.
– Calma, ela está delirando. Temos que nos apressar, Edward. – Carslile disse preocupado
assim que se aproximou e examinou Bella. Ele lhe aplicou outro sedativo e Bella logo
adormeceu.
– Vou atrás de Alice! – Disse a Carslile já me levantando.
– Não. Se Bella despertar e você não estiver aqui será pior para ela. É só em você que ela
confia e é só você que ela vai querer, meu filho. – Carslile disse me impedindo de sair. –
Vou pedir a Jásper. Ele saberá onde encontrar Alice, volto já. – Ele disse e saiu.
Fiquei alí esperando que eles voltassem. Eu me sentia muito mal, era como se tudo
o que pudesse dar errado, deu. Foram 10 longos minutos esperando que Alice e Carslile
voltassem.
– Como ela está? – Alice disse assim que chegou. Ela estava preocupada com Bella, ainda
não conseguia ter uma visão muito clara de seu futuro, apenas me via sentado ao lado da
cama do hospital ao seu lado.
– Está quieta. Comprou tudo que precisava? – Perguntei.
– Sim. Inclusive uma peruca para ficar parecida com Bella. – Ela disse animada no final. –
Vou me disfarçar de Bella. Eles terão que confirmar que ela veio nos visitar aqui.
– Você vai começar quando? – Perguntei.
– Agora mesmo, vou me arrumar. – Alice disse e foi para o banheiro, antes passou a mão
na mala de Bella e pegou umas roupas parecidas com as que Bella estava usando..
– Bella vai ter que entrar no teatro, Edward. – Carslile me disse.
– Como? – Disse.
– Mas só no final. Na chegada da ambulância, mas fique tranquilo, vou cuidar dela. –
Carslile disse.
– Não vou sair de perto, Carslile. Nem um minuto. – Disse firme.
– Não vai precisar. Te aviso o momento em que colocaremos Bella na cena. – Carslile me
disse. Eu já via em sua mente o que ele planejava. Ele havia combinado com Alice que
seria algo simples, mas dramático, para poder fazer jus aos ferimentos de Bella.
– Ok. Mas sejamos breves. Emmet e Jasper podem ajudar impedindo que os humanos se
aproximem antes de colocarmos Bella no lugar.
– Beleza, estamos dentro. – Jasper disse. – Mas tem uma coisa. Quem vai contar para o
Chefe Swan?
– Esme já está cuidando disso. Ela está em Forks, e disse ao Charlie que eu e Alice viemos
para Phoenix com Edward para tentar convencer Bella a voltar. Tudo a pedido de Edward.
Esme disse que Edward ficou muito abalado com a reação de Bella e que não queria perdêla,
que ele gosta muito da filha do chefe e que toda a família o está apoiando. – Ele foi
dizendo e olhando para mim.
– Obrigado, pai. – Disse a ele. – Assim que Bella estiver no hospital ligamos para ele.
– Deixe isso comigo, eu vou ficar acompanhando Bella no hospital o tempo todo. – Ele me
garantiu.
– E a mordida? Como explicar no hospital? – Emmet perguntou.
– Eu vou cuidar disso. – Carslile garantiu. Ele ia ficar o tempo todo acompanhado o
quadro de Bella até seus pais chegarem.
Assim que Carslile terminou de falar, Alice apareceu vestida de “Bella”, todos
rimos.
– Vamos lá. – Alice disse animada com o teatrinho que ela ia preparar.
– Emmet? Jasper? Desçam e assim que eu avisar levem os elevadores para o último andar e
apertem todos os andares. Isso deve bastar. Estaremos na escada de serviço. – Carslile nos
instruiu.
– Ok. – Emmet disse. Ele e Jasper logo saíram para cumprir sua parte.
– Edward. Prepare Bella. Terei que tirar a tala de sua perna. – Carslile disse.
– Ela parece mais pálida. – Disse.
– E está mesmo, Bella perdeu muito sangue, mas nada que uma transfusão não resolva. –
Carslile disse para me tranquilizar.
– Ei! Não está esquecendo de nada? – Alice me disse antes de sair.
– De que? – Perguntei e Alice mostrou meus olhos em sua mente. – Ah! Tinha me
esquecido.
– Esquecido? Eita, a coisa tá braba mesmo. – Emmet disse. – Vamos lá. Já está ficando
tarde.
Assim que Alice, Emmet e Jasper saíram eu coloquei as lentes para esconder meus
olhos e ajudei Carslile a preparar Bella. Peguei Bella no colo delicadamente e fiquei
aguardando até que nenhuma mente humana tivesse intenção de passar pelo corredor. Alice
havia saltado pela janela e já estava na recepção perguntando pelo Dr. Cullen, dando o álibi
para Bella. Ela correu pela escada e em menos de 30 segundos já estava ao nosso lado.
– Emmet, pode seguir com o combinado. – Carslile disse ao telefone.
– Vamos esperar 2 minutos e seguir que dará tudo certo. – Alice disse e ficou vasculhando o
futuro para garantir que nada daria errado. – Vamos. – Ela disse quando o futuro estava
concretizado.
Tudo aconteceu bem rápido. Alice me olhou, deu uma risada maliciosa e se jogou
pela escada fazendo muito barulho e depois se chocou contra a vidraça que iluminava o
lance da escada. Tudo saiu perfeitamente. Carslile me ajudou a posicionar o corpo de Bella
de forma em que a cena ficasse perfeita e bem na hora em que o gerente chegou estávamos
“socorrendo” Bella que estava desacordada e Carslile ligando para os para-médicos. Alice
correu para o quarto e desfez a fantasia de Bella e voltou para ajudar na farsa.
– Por favor, preciso de uma ambulância urgente. É Dr. Cullen do Hospital de Forks,
Washington. – Carslile disse ao telefone.
– Bella! Amor, você está me ouvindo? – Eu gritava fazendo meu papel.
– Bella, querida? Você está me ouvindo? – Alice gritava. – Por que ela veio pela escada?
Por que não usou o elevador?
Nessa hora Emmet veio descendo a escada reclamando com Jasper.
– Mas que droga de elevador que nunca chega! – Emmet fazia sua parte.
– A gente já estava lá um tempão, né? Só pode estar com defeito. – Jasper veio ajudando.
Os dois fizeram cara de espanto quando se depararam com a cena e ficaram
perguntando se queríamos ajuda ... se podiam ajudar de alguma forma. Eles fizeram bem
seus papéis de depois seguiram seu caminho. Muitos curiosos apareceram e isso foi bom
para a nossa farsa.
Não demorou muito até que a ambulância chegou e Bella foi removida. Eu queria ir
na ambulância mas Carslile achou melhor eu ir com Alice no carro, mantendo nosso papel.
Assim que Bella estava na ambulância a segui com o nosso carro.
– Calma, Edward. Carslile está com ela. – Alice tentava me controlar. Eu já estava no meu
limite.
– Como calma, Alice! Ela está lá por minha causa. – Eu grunia para ela.
– Ela vai ficar bem ... Veja. – Ela me disse e me mostrou uma visão onde eu e Bella
dançávamos.
– Mas e até lá? O que mais ela vai ter que sofrer para ficar comigo? Não Alice, isso tem
que acabar. Não posso mais fazer isso com ela.
– Você pode até tentar se afastar, mas não vai conseguir. Bella só vai sofrer mais ... e você
também, aí você vai voltar. – Ela disse tranquilamente cruzando os braços.
Não discuti mais, estávamos chegando no hospital. Assim que saí do carro pude ver
a mente de Carslile. Ele estava acompanhando os médicos nos cuidados de Bella. Ele havia
informado que fez os primeiro socorros e aplicado morfina. Os médico elogiaram a atitude
de Carslile e disseram que se ele não estivesse lá, talvez Bella não sobrevivesse. Quando os
médico informaram o que Carslile já sabia vacilei e precisei me apoiar no carro. A hipótese
de perdê-la abriu um buraco em meu peito e senti dor física pela primeira vez desde a
minha transformação.
– Vamos Alice. Preciso ficar perto dela. – Disse seguindo para a emergência.
– Precisamos avisar Charlie. – Alice disse.
– Ele vai ficar furioso comigo, mais do que já está. – Falei para ela.
– Não se preocupe, Esme já está instruída e vai amenizar as coisas. – Ela tentou me
confortar.
– Mesmo assim não vai ser fácil com ele, e você sabe disso. – Concluí assim que vimos
Carslile. – Como ela está?
– Ela está no UTI no momento. Estão fazendo uma transfusão agora. Ela perdeu muito
sangue e está muito machucada. Mas vai ficar bem. Terá que ficar aqui por alguns dias. –
Ele me falou. – Assim que ela for para o quarto eu aviso e você vai ficar com ela, já
autorizei.
– Obrigado. Temos que avisar, Charlie. – Disse agradecido por tudo que meu pai estava
fazendo por mim e por Bella.
Carslile já considerava Bella da família e como tal iria gozar de todos os benefícios
que nós pudéssemos proporcionar a ela, assim como todos os cuidados. Ele se preocupava
muito com a minha relação com Bella e principalmente como eu ia encarar tudo. Ele sabia
que eu não pretendia transformá-la, e depois do acontecido, suas suspeitas foram
confirmadas.
– Já liguei para Esme, ela deve estar falando com ele nesse momento. – Ele nos informou.
Ele havia ligado da ambulância no caminho para o hospital.
– Melhor providenciarmos passagens e hospedagem para ele e a mãe de Bella. Eles vão
querer vir para cá o mais rápido possível. – Pedi.
– Esme já está cuidando de tudo. Não se preocupe com nada isso, Edward. – Ele me
tranquilizou. – Só cuide de sua menina. – Ele disse e sorriu.
Alice ficou comigo na sala de espera aguardando que Carslile voltasse. Ele ficou o
tempo todo acompanhando Bella. Eu não conseguia ficar sentado, estava muito angustiado.
As mentes humanas gritavam em minha mente, dentro daquele hospital. Foram 2 horas
intermináveis. Tive que trocar as lentes com frequência por que o sangue humano de Bella,
que estava dentro do meu corpo, e o meu veneno faziam as lentes desintegrarem com
rapidez.
Assim que Esme falou com Charlie ele ligou no meu celular furioso e preocupado.
– O que você fez com a minha filha? – Foi a primeira coisa que ele disse assim que atendi.
– Calma, Charlie. – Disse. – Bella esteve no nosso hotel para conversarmos e caiu da
escada, mas Carslile estava lá e a socorremos imediatamente.
– Onde ela está? – Ele ainda gritava comigo ao telefone.
– Estamos no hospital. Estou esperando Carslile dar notícias. – Contei a ele.
– Como ela está? O que aconteceu com ela? – Ele agora falava com o tom de voz normal,
mas muito preocupado ... com razão.
– Bem ... ela quebrou a perna ... e ... teve um corte na cabeça. – Fui contando devagar, para
não pegá-lo de surpresa e dar tempo para que ele fosse assimilando tudo.
– Como? Mas tudo isso em uma queda? – Ele disse incrédulo.
– Isso. – Confirmei.
– Você está me escondendo algo, Edward? Quero saber de tudo. – Ele pressionou.
– Calma, Charlie. Carslile vai lhe contar tudo, mas fique tranquilo que ela está sendo muito
bem cuidada. – O tranquilizei.
– Vou pegar o primeiro avião. Espero que você não esteja aí quando eu chegar. – Ele
ameaçou.
– Charlie. Eu não vou sair do lado de Bella. – Garanti.
– Vamos ver. – Ele me desafiou.
– Não é hora para discutirmos isso. Só me preocupo com a recuperação dela, o resto penso
e resolvo depois que ela estiver bem. – Disse firme.
– Nisso você tem razão. – Ele baixou a guarda. – Vou ligar para Renée e logo estaremos aí.
– Minha mãe cuidará da passagem de Renée. Vocês não precisam se preocupar com nada,
Charlie. – Disse a Charlie.
– Ela já me falou. Não é necessário. – Ele dispensou a nossa ajuda. Charlie parecia muito
orgulhoso.
– Carslile faz questão. – Eu insisti.
– Ok. Depois converso com ele. Por favor peça que ele entre em contato comigo antes que
eu embarque. Quero ter detalhes sobre a situação da minha filha. – Ele pediu.
– Ok. Aviso a ele. – Disse e antes dele desligar completei. – Charlie ... Sinto muito o que
aconteceu com Bella. Estou muito triste com tudo isso. Saiba que gosto muito de Bella. –
Disse um centésimo do que eu sentia por Bella. Charlie não ainda estava preparado para
ouvir a verdade.
– Ok ... Ok. – Ele disse e desligou.
Charlie iria dificultar a minha pernanência ao lado de Bella, mas eu não ia
desistir. Ficar aquelas horas na recepção esperando ela ir para o quarto foi torturante, eu
queria estar com Bella, rapidamente.
Enquanto esperávamos por Carslile aproveitei o momento para conversar com
Alice. Ela não tirava da cabeça as cenas que ela viu na câmera gravada por James no
estúdio de balet. As dúvidas pairavam sua cabeça e ela ficava a todo momento vasculhando
o futuro, tentando descobrir algo.
– O que você vai fazer agora? – Perguntei à Alice.
– Talvez viajar ... tentar descobrir mais alguma coisa. – Ela disse de cabeça baixa. O fato
de James ter revelado algo de seu passado... algo que sempre a atormentou ... eles terem
um passado em comum, abalou Alice.
– Será que isso é o melhor a fazer? Já viu alguma coisa? – Perguntei.
– Não, nada de novo ... mas preciso descobrir alguma coisa ... algum vestígio sobre meu
passado, sobre quem eu fui e sobre a minha família. – Ela disse confiante.
– Pelo jeito você cheirava para ele como Bella cheira para mim. – Disse revendo as
imagens da câmera na mente de Alice.
– É ... parece que sim. E parece que alguém fez tudo para me proteger ... como você fez por
Bella. – Ela disse e olhou para mim.
– Sim ... Deve ter sido alguém a amou ... como eu amo Bella. – Falei e sorri para ela, mas
logo depois pensei em como estava sendo difícil para mim. – Mas ele tomou uma decisão
diferente da minha.
– Sim ... pode ter sido a única solução para mim ... Por isso preciso saber. – Ela disse, e
teve uma outra visão de Bella, em que ela ainda aparecia com os olhos vermelhos a
abraçando, como velhas amigas.
– Eu impedi uma vez e impedirei de novo, Alice. – Disse sem humor e mudei de assunto. –
Mas será legal saber se você é mais velha que eu, depois que você descobrir sobre seu
passado. – Brinquei para aliviar a tensão.
– Se eu for ... você vai ter que me obedecer sempre ... Afinal, não se deve obedecer sempre
aos mais velhos? – Ela retrucou no mesmo nível e me deu um empurrãozinho de leve.
Assim que Alice terminou de falar ouvi a mente de Carslile mais aliviada. Bella
ainda estava na UTI em observação, mas estava reagindo bem. Ela seria transferida para o
quarto brevemente. Ele estava vindo falar conosco.
– Carslile. – Eu o saudei.
– Ela está reagindo bem, Edward. Logo você poderá estar com ela. – Ele me informou.
– Charlie me ligou, ele está bem irritado. – Contei a ele, mas vi na mente dele e Carslile já
esperava por essa reação.
– Acho melhor não contar isso para Bella, não fará bem para sua recuperação. – Carslile
disse.
– Ok. Falarei com ela da melhor forma possível. – Garanti a ele e perguntei angustiado. –
Quando poderei vê-la, Carslile?
– Terá que ter um pouco mais de paciência, filho. – Ele disse tocando em meu ombro.
A paciência eu podia aguentar, mas a angústia não me deixava, mesmo podendo ver
Bella pela mente da enfermeira humana que a vigiava, eu queria vê-la com meus olhos.
– Carslile ... – Implorei. – Preciso vê-la, pai. – Carslile pensou e assentiu. “Vou ver o que
posso fazer, filho. Não garanto nada, ok?”, ele me disse mentalmente.
Depois de me dar alguma esperança Carsile partiu e foi arrumar um jeito de me
colocar dentro do UTI. Ele convenceu a médica responsável pelo plantão. Foi fácil, os
humanos ficavam deslumbrados conosco com muita facilidade. Essa notícia iluminou
minha noite.
Assim que entrei na UTI tive que me controlar para não arrancá-la de todos aqueles
aparelhos e correr com Bella de lá ... “Ela está tão imóvel e estática.”, pensei angustiado.
“Seu cheiro ... Está diferente. Não ... não gostei.”, pensei depois de inalar. Me aproximei e
segurei de leve sua mão. Fiquei alí a noite toda velando seu sono e sua inconsciência.
Alguns momentos eu beijava sua mão, em outros eu dizia em seu ouvido que a amava,
quando a enfermeira se ausentava. O corpo humano tinha necessidades que nós vampiros
não tínhamos. Agradecia muito por isso naqueles momentos sozinho com Bella.
– Estou aqui, meu amor. E ficarei aqui com você o tempo todo. – Eu dizia em seu ouvido. –
Eu te amo, mesmo depois de tudo o que eu fiz com você ... Me desculpe.
Assim que amanheceu os médicos viriam ver Bella e eu tive que sair. Alice ainda
estava na recepção e havia trazido roupas para mim. Ela sabia que eu não sairia de lá, ainda
mais durante o dia. Charlie estava para chegar e ela e Carslile iriam recepcioná-lo no
aeroporto. Vi em suas mentes que eles pretendiam diminuir a tensão entre eu e ele.
– Olá Edward. – Ele me saudou. – Onde está minha filha?
– Olá Charlie. Ela está no UTI. Passei a noite ao seu lado, ela está sendo bem cuidada. –
Disse a ele.
– Venha Charlie. Vou levá-lo para ver Bella. – Carslile disse indicando o caminho à
Charlie.
– Ele vai te perdoar, Edward. – Alice disse assim que Charlie se afastou.
– Não sei, Alice. Ele está bem chateado comigo. Ele me culpa pelo que aconteceu, mas nem
faz idéia da culpa que eu sinto. – Disse a ela.
Ficamos na sala de espera do hospital por todo o dia, longe do sol. Alice ficava
imóvel a maior parte do tempo olhando para o próprio futuro. Renée, mãe de Bella chegou
ao hospital no final da tarde e foi se juntar à Charlie na UTI. Alice foi recepcioná-la
fazendo as devidas apresentações, pude então conhecer a mente da mãe de Bella. Eu tinha
uma curiosidade em conhecer a sua mente e tentar descobrir o porque da mente de Bella ser
completamente fechada para mim. Ela tinha uma mente incrivelmente infantil e boa. Seus
pensamentos não eram tão obscuros como os de Charlie, eram mais puros e verdadeiros,
como os de Bella deveriam ser. Ela ficou impressionada com a minha devoção à Bella,
assim como a de Alice e Carslile. Ela não imaginava que sua filha tinha tão bons amigos.
Bella foi transferida para o quarto na manhã do segundo dia de internação e Renée
aceitou meu pedido de acompanhar a recuperação de Bella. Alice havia se tornado uma
amiga de Renée, elas conversavam muito e foi em uma dessas conversas que Alice inseriu
meu pedido. Eu ficava sentado no canto do quarto quieto apenas observando. Renée mal
falava comigo, Charlie muito menos, mas não impediam a minha permanência.
– Vocês se conhecem à muito tempo? – Foi a primeira pergunta que Renée me fez assim
que ficamos sozinhos pela primeira vez. Charlie havia saído para dar alguns telefonemas e
fazer um lanche.
– Um pouco. Foi logo no primeiro dia em que ela chegou na escola. Somos colegas de
classe em Biologia. – Disse a ela e dei um meio sorriso me lembrando da mente dos outros
alunos em relação à Bella em seu primeiro dia. Eu nem imaginava que me apaixonaria por
ela ... também.
– Ela fala pouco sobre os amigos. Aliás, nas últimas semanas tem escrito menos ... acho
que agora posso entender o por que. – Ela disse e sorriu. Eu sorri de volta.
– Bella fez boas amigas na escola. – Disse a ela ainda sorrindo..
– Sim, imagino. – Ela me respondeu sorrindo também.
– Ela é muito inteligente. – Disse sorrindo para Bella.
– Sim ... ela sempre foi muito dedicada. – Sua mãe disse orgulhosa.
– E linda. – Deixei escapar e Renée sorriu mais.
– Você parece gostar muito dela. – Ela disse e eu assenti. “Gostar é pouco. Ela é minha
vida.”
– Minha vida mudou depois que eu a conheci. – Disse deslumbrado ao olhar seu rosto,
mesmo adormecido.
– Como tudo isso aconteceu, Edward? – Renée me disse querendo saber como o acidente
aconteceu.
– Não sei lhe dizer exatamente. – Lhe disse.
– Vamos, Edward? – Alice veio me tirar do quarto antes que Renée fizesse perguntas
demais. Mas antes de sair olhei para Bella e me despedi. “Não demorarei, meu amor.”, me
despedi mentalmente.
– Ok. Não vamos demorar, caso a Senhora queira ir comer algo ou ir para casa. – Informei.
Aprendi com a convivência com Bella que os humanos tinha mais necessidade que nós, e
era nisso que eu apostava.
– Não se preocupe com isso, Edward. Ficarei aqui no hospital o tempo que Bella
permanecer aqui. – Ela me garantiu.
– Sim senhora. Peço-lhe a permissão para permanecer acompanhando-a. – Pedi
formalmente.
– Sim ... claro. – Ela aceitou e em sua mente pude ver que meu comportamento a
impressionava a cada minuto. Ela na verdade parecia orgulhosa por sua filha ter
encontrado uma pessoa com a alma igual a dela.
Alice previu que Renée ia começar a perguntar demais. Carslile estava vindo para
conversar com ela, ele daria a versão oficial ... a mesma dada à Charlie. Ficamos na
recepção enquanto Charlie e Carslile conversavam com Renée. Charlie ainda me evitava,
mas aceitava minha presença no quarto de Bella por conta da autorização de Renée. Eu
acordava e “dormia” alí, só saía para fingir ir ao banheiro, comer ou mudar de roupa.
Charlie já havia comentado com Renée sobre meu estranho hábito alimentar, logo ela não
estranhou.
Na manhã do quarto dia de internação, eu estava sentado na cadeira ao lado da cama
de Bella, cantando para que ela tivesse um sono tranquilo, com a cabeça deitada em seu
travesseiro ao seu lado, quando ouvi seu coração acelerar. Renée havia saído para fazer
uma lanche na cafeteria do hospital. Bella abriu lentamente seus olhos iluminando meu dia
e tentou retirar o respirador.
– Não, não pode. – Disse baixinho segurando delicadamente suas mãos quentes novamente.
– Edward? – Ela disse meu nome ao virar seu rosto e encontrar meu olhar. – Oh, Edward.
Eu sinto muito! – Ela começou a se desculpar e seu coração acelerou.
– Shhhh. Agora tudo vai ficar bem. – Disse evitando que ela se stressasse.
– O que aconteceu? – Ela me perguntou confusa.
– Eu quase cheguei tarde demais. Eu podia ter chegado tarde demais. – Sussurrei para ela.
– Eu fui tão idiota, Edward. Eu achei que ele estava com minha mãe. – Ela disse
justificando sua atitude.
– Ele enganou a todos nós. – Disse para ela.
– Eu tenho que ligar para Charlie e para minha mãe. – Ela pediu. Bella não devia estar
ciente de quanto tempo estava desacordada.
– Alice ligou para eles. Renée está aqui ... bem, aqui no hospital. Ela está comendo alguma
coisa nesse momento. – Contei a versão que ficaria melhor. Não queria que Bella se
aborrecesse nem ficar irritada com seu pai a troco de nada.
– Ela está aqui? – Bella disse animada e tentou se levantar, mas eu a impedi. Não faria
bem a ela.
– Ela vai estar de volta logo. – Disse a ela, tranquilizando-a. – E você tem que ficar quieta.
– Mas o que vocês disseram a ela? – Bella começou a se agitar, e ficar nervosa. Seus olhos
me mostravam o medo que sua mãe soubesse a verdade. – Porque disse a ela que eu estou
aqui?
– Você caiu por dois lances de escada e atravessou uma janela. – Contei a versão oficial –
Você tem que admitir, isso podia ter acontecido. – Disse brincando com ela. Bella sempre
foi desastrada.
Bella não gostou muito da brincadeira e suspirou. A dor que ela sentiu ficou visível
em seu rosto quando sua testa enrugou e seus olhos se fecharam. Queria poder fazer algo ...
queria que Jasper estivesse lá para poder amenizar sua dor, mas ele e Emmet não podiam
aparecer. Alice encontrava com Jasper no hotel enquanto eu ficava com Bella, Emmet
havia voltado para Forks para se reunir à Rosalie e Esme.
– O que aconteceu comigo? – Ela disse assim que ela olhou seu corpo sob o lençol.
– Você tem uma perna quebrada, quatro costelas quebradas, algumas rachaduras no crânio,
hematomas cobrindo cada centímetro de seu corpo, e você perdeu um muito sangue. Eles
fizemos alguma transfusões em você. Eu não gostei disso ... isso fez você cheirar
completamente diferente por um tempo. – Contei a ela resumidamente.
– Deve ser uma boa mudança pra você. – Ela disse.
– Não, prefiro seu cheiro. – Disse para ela.
– Como você conseguiu? – Ela me perguntou depois de olhar em meus olhos.
– Eu não tenho certeza. – Disse olhando para baixo e peguei levemente a mão que foi
mordida para não machucá-la. Ela teria para sempre a marca do meu fracasso gravado
alí. A marca de que um dia eu mesmo a poderia ter matado. – Era impossível... parar. –
Disse susurrando para ela. – Impossível. Mas consegui. – Sorri para ela. – Eu devo
mesmo amar você.
– Eu não tenho um gosto tão bom quanto o cheiro? – Ela me perguntou.
– É ainda melhor ... melhor do que eu imaginava. – Eu disse lutando contra a minha mente
que lembrava do sabor e da loucura que foi sentir seu sangue quente em minha boca,
minhas presas perfurando seu corpo quente e macio. “Páre!”, eu gritei em minha mente.
– Desculpe. – Ela me disse.
– De todas as coisas para se desculpar ... – Disse a ela.
– Pelo que eu devia me desculpar? – Ela me perguntou.
– Por quase tirar você de mim pra sempre. – Falei.
– Desculpe. – Ele disse novamente.
– Sei porque você fez isso ... Assim mesmo foi irracional. Devia ter me esperado, devia ter
me contado. – Disse calmamente a ela. Não era momento para brigas ou discuções, o
importante é que ela estava viva e em segurança ... Longe de James ou de qualquer
ameaça iminente.
– Você não teria me deixado ir. – Ela disse.
– Não ... Eu não deixaria. – “Com certesa não a colocaria em perigo”., pensei.
Bella começou a ofegar, seu batimento cardíaco acelerou e seus olhos ficaram meio
desfocados de repente. Segurei levemente seu rosto entre as minhas mãos. Ela piscava sem
parar e seu corpo tremia sob minhas mãos.
– Bella, qual o problema? – Perguntei angustiado imaginando que ela estaria sentindo dor.
– O que aconteceu com James? – Ela me perguntou nervosa.
– Depois que eu o separei de você, Emmet e Jasper deram conta dele. – Disse com raiva.
Eu mesmo queria ter matado aquele maldito por ter pensado em feri-la.
– Eu não vi Emmet e Jasper lá. – Ela me disse.
– Eles tiveram que sair do quarto... tinha muito sangue. – Contei a ela.
– Mas você ficou. – Ela disse.
– Sim, eu fiquei. – Confirmei.
– E Alice, e Carlisle... – Ela disse conforme as lembranças deviam voltar à sua mente.
– Eles também te amam, você sabe. – Disse a Bella.
– Alice viu a fita? – Bella perguntou ansiosa depois de alguns segundos pensando.
– Sim. – Disse pensando na angústia que minha irmã estáva sentindo por conta do maldito
James. Ele não apenas quiz tirar de mim uma pessoa, mas duas ... Duas pessoas que eu
amava.
– Ela sempre esteve no escuro, por isso não conseguia lembrar. – Bella deduziu.
– Eu sei. Ela entende agora. – Disse a Bella. Eu queria mudar de assunto mas Bella queria
sempre saber mais.
Bella tentou estender a mão, mas ela estava presa à agulhas que levavam soro para
dentro de seu corpo frágil.
– Ai. – Ela gemeu.
– O que é? – Perguntei preocupado.
– Agulhas. – Ela disse com medo e começou a ofegar..
– Medo de agulha. – Disse para mim mesmo. – Ah, um vampiro sádico, que pretende
tortura-la até a morte, é claro, ela corre pra encontrá-lo. Mas uma agulha intravenosa por
outro lado... – Disse e ela revirou os olhos discordando comigo.
– Porque você está aqui? – Ela me perguntou.
“– Ela quer que eu vá embora ... eu a machuquei demais.”, pensei. Era justo ... ela estava
certa. “Vou partir ... por você, meu amor, se é isso que você deseja.”, pensei e a dor eu
meu peito aumentou muito. Se ela quizesse se afastar de mim ... eu ... iria embora.
– Você quer que eu vá embora? – Precisa confirmar sua vontade.
– Não! – Ela disse arfadamente. – Não, eu quis dizer, porque minha mãe acha que você
está aqui? Eu preciso lembrar da história direitinho pra quando ela voltar.
– Ah! – “Alívio”, pensei e fiz o possível para falar na forma mais traquila possível. – Eu
vim pra Phoenix para tentar colocar algum juízo na sua cabeça, para te convencer a voltar
pra Forks. Você concordou em me ver e foi até o hotel onde eu estava com Carlisle e Alice
... é claro de que estava aqui com a supervisão de meu pai. Mas você tropeçou nas escadas á
caminho do meu quarto e... bem, você já sabe o resto. Porém, você não precisa lembrar dos
detalhes, você tem uma desculpa muito boa pra não se lembrar dos detalhes mais
importantes. – Disse para ela a versão oficial.
– Tem algumas falhas nessa história. Nenhuma janela quebrada, por exemplo. – Ela
comentou.
– Na verdade não. Alice se divertiu um pouco demais fabricando as evidências. Tudo já foi
cuidado de forma muito convincente ... você poderia provavelmente até processar o hotel se
você quisesse. Você não tem nada com o que se preocupar. – Disse a tranquilizando e
acariciando seu rosto, ele agora estáva mais rosado.. – Seu único trabalho agora é sarar.
Assim que toquei seu rosto, Bella corou e seu coração acelerou, como sempre
acontecia, mas dessa vez ela também pôde ouvir sua pulsação acelerar junto comigo. Era
maravilhoso ver que apesar de tudo que aconteceu, Bella ainda me amava ... como eu a
amava.
– Isso vai ser vergonhoso. – Bella disse baixinho e eu gargalhei da expressão de seu rosto.
– Hmm, eu imagino... – Disse e me aproximei mais dela, me inclinei para beijá-la.
A cada centímetro que eu me aproximava os bips vindos do marcador cardíaco
aceleravam cada vez mais. A eletricidade encheu o quarto do hospital, mas assim que meus
lábios tocaram nos dela o som do bip simplismente desapareceu. Era como se seu coração
tivesse parado de bater e ficasse morto como o meu. “Morto ... como o meu? ... Não!”,
pensei e me afastei rapidamente dela assustado. Fiquei alí, olhando para o monitor e para
Bella observando até que os bips voltassem a tocar.
– Parece que eu vou ter que ser mais cuidadoso com você do que o normal. – Disse ainda
preocupado.
– Eu não terminei de beijar você. Não me faça ter que ir até aí. – Bella pediu.
Bella sempre queria mais, mesmo alí, deitada numa cama de hospital, toda
machucada e ferida seus hormônios saltitavam dentro dela. Eu também queria muito sentir
sua boca na minha então sorri para sua ânsia de mim e me aproximei ouvindo os bips
aceleraram novamente, mas dessa vez eles não pararam quando meus lábios tocaram nos
dela ... Aceleraram muito. Senti meu corpo se aquecer como sempre acontecia quando eu
estava com Bella.
“– Já fiquei fora tempo demais ... Não posso deixar aquele rapaz sozinho demais com
Bella.”, Renée pensou e veio em direção ao quarto. Mal sabia ela que eu passava as noites
ao lado de Bella à meses e nos últimos dias com o consentimento e consciência de Bella.
– Eu acho que estou ouvindo sua mãe. – Disse sorrindo para ela e para os pensamentos de
sua mãe.
– Não me deixe. – Bella disse chorando em pânico para mim. Seu coração acelerou
novamente mas não era por conta de meus beijos. Vi o medo de me perder em seus olhos.
– Eu não vou. – Disse a ela. Bella ainda não sabia que eu estava aqui com o consentimento
de seus pais. – Eu vou tirar um cochilo.
Me levantei da cadeira e fui para a chaise do quarto fingir novamente que eu
dormia. Renée queria estar presente quando Bella acordasse, eu poderia muito bem dar esse
prazer a ela. Renée me veria dormindo e não imaginaria que eu estava lá e fui a primeira
pessoa que Bella viu ao acordar, como eu queria que acontecesse.
– Não esqueça de respirar. – Ela disse sarcasticamente baixinho.
Inspirei fundo deixando o perfume de Bella invadir meu corpo enquanto ouvia
Renée se aproximando enquanto conversava com a enfermeira.
“– Ela está dormindo tempo demais. Gostaria de falar novamente com os médicos ... talvez
mais alguns exames para ver se realmente está tudo bem com ela.”, Renée dizia do lado de
fora.
“– Não se preocupe, Senhora. Dr. Cullen e todos médicos já fizeram todos os exames. Ela
está sendo muito bem cuidada, seu corpo apenas precisa de tempo para se recuperar.”, a
enfermeira disse.
“– Eu sei ... mas a espera é angustiante. Quero ver logo os olhos de minha filha abertos.”,
Renée falou.
“– Ela desperatá logo, e assim que isso acontecer a Senhora nos avise.”, a enfermeira
disse e seguiu seu caminho. Renné respirou fundo e entrou no quarto.
– Mãe! – Bella disse e pude ouvir a mente de Renée se enchendo de alegria e felicidade por
ouvir novamente a voz de Bella. O amor que Renée tinha por Bella me impressionou, eu
nunca tinha visto uma mente se emocionar como a dela. Ela viu que eu dormia e se
aproximou lentamente de Bella.
– Ele não vai embora nunca, não é? – Renée murmurou. Ela havia conversado com Charlie
na cafeteria, ele havia reclamado da minha presença alí.
– Mãe, eu estou tão feliz de ver você! – Bella disse ignorando o comentário de Renée, ela
me queria por perto e eu não a deixaria.
– Bella, eu estava tão perturbada! – Renée disse chorando ao abraçar de leve sua filha.
– Me desculpe, mãe. Mas vai ficar tudo bem agora, está tudo bem. – Bella disse cuidando
de sua mãe, como ela já havia me demonstrado uma vez ... ela era a adulta naquela
relação mãe-filha.
– Fico tão feliz por finalmente ver seus olhos abertos. – Renée disse e se sentou ao lado de
Bella na cama.
– Por quanto tempo estão fechados? – Bella perguntou.
– É sexta, querida, você esteve fora por algum tempo. – Renée disse.
– Sexta? – Bella disse incrédula, como se não estivesse entendendo.
– Eles tiveram que te manter sedada por algum tempo, querida ... você tem um monte de
ferimentos. – Renée começou a contar a Bella assim que percebeu que ela não tinha noção
de nada.
– Eu sei. – Bella concordou.
– Você teve sorte porque o Dr. Cullen estava lá. Ele é um homem muito bom... Mas tão
novo. E ele parece mais um modelo do que um médico... – Renée comentou.
– Você conheceu Carlisle? – Bella perguntou preocupada.
– E a irmã de Edward. Ela é uma garota adorável. – Renée elogiou Alice.
– Ela é. – Bella concordou.
– Você não me contou que tinha tão bons amigos em Forks. – Renée disse olhando para
mim. Bella deve ter ficado preocupada ou angustiada com alguma coisa que a fez gemer.
Eu não pude saber o que era, por que Renée estava virada olhando para mim.
– Onde dói? – Renée perguntou assim que se virou para Bella. Não consegui me segurar e
quase saltei da chaise. Olhei para Bella com meus próprios olhos.
– Eu estou bem. – Ela disse dançando seus olhos para mim e para Renée. – Eu só tenho
que lembrar de não me mexer. – Ela me assegurou e eu voltei à minha farsa. – Onde está o
Phil? – Bella mudou rapidamente de assunto e eu sorri com a sua astúcia.
– Na Flórida ... Ah, Bella! Nem imagina! Quando estamos prestes a ir embora, a boa notícia
chegou! – Renée contou.
A nossa estratégia para manter Renée fora de Phoenix deu certo. O gerente do banco
cumpriu com o combinado, ele não arriscaria a ficar sem clientes tão bons como os Cullen.
Carslile ia ficar satisfeito com a novidade.
– Phil conseguiu um contrato? – Bella disse como se soubesse.
– Sim! Como você adivinhou! Os Suns, dá pra acreditar? – Renée disse animada.
– Isso é ótimo, mãe. – Bella disse animada também. “Será que ela vai ficar com sua
mãe?”, a dúvida pairou sob minha mente. Talvez a tática pudesse se virar contra mim.
– E você vai gostar tanto de Jacksonsville. – Ela disse e eu podia ver a cara casual que
Bella fazia ao olhar e ouvir cada palavra de Renée. – Eu fiquei um pouco preocupada
quando Phil começou a falar de Akron, com toda aquela neve e tudo mais, porque você
sabe que eu odeio o frio, mas Jacksonsville! É sempre ensolarado, e a umidade não étão
ruim assim. Nós achamos a casa mais lindinha, amarela, com a acabamentos de madeira
branca e uma varanda, como a dos filmes antigos, e um enorme carvalho, e é só a alguns
minutos do oceano, e você terá seu próprio banheiro ... – Renée ia despejando as novidades
para Bella já planejando tudo, mas Bella a interrompeu.
Minha respiração foi acelerando mesmo que eu tentasse controlar. O medo de
perdê-la novamente me deixava nervoso e ansioso demais. Bella ainda era de menor e teria
que obedecer as determinações de seus pais. Charlie ficaria muito satisfeito com a
novidade, mesmo não querendo se afastar de sua filha ... mas ela estaria longe de mim, o
causador de toda aquele desgraça. Renée teria Bella debaixo de suas vistas e cuidaria bem
de Bella. No fundo de sua mente ela concordava em parte com Charlie, pude perceber isso
conforme ela ia falando e foi abrindo parte de sua mente que ainda estava encoberta ...
protegida por algo semelhante ao que protegia a mente de Bella.
– Espere, mãe. – Bella disse. – Do que é que você tá falando? Eu não vou para a Flórida. Eu
moro em Forks. – Ela garantiu a sua mãe e a mim.
– Mas você não tem que viver mais, sua boba. – Renée disse rindo. – Phil vai conseguir
ficar mais parado agora... nós falamos muito sobre isso, e o que eu vou fazer é deixar de ir a
alguns jogos, metade do tempo com ele, metade do tempo com você.
– Mãe ... Eu quero morar em Forks. Eu já estou acostumada com a escola, eu tenho
algumas amigas. – Bella disse mas Renée olhou para mim. “Tá bom ... sei ... amigas.”, ela
pensou. – Charlie precisa de mim. Ele fica sozinho lá, e ele não sabe cozinhar nem um
pouco. – Bella disse mudando o rumo da conversa.
– Você quer ficar em Forks? – Renée perguntou incrédula. “Será que Bella gosta tanto
assim desse rapaz?”, ela pensou e olhou novamente para mim. – Porque?
– Eu te disse ... escola, Charlie, ai! – Bella disse e gemeu de dor e Renée tentou consolá-la
assim que se virou novamente, mas não conseguiu encontrar algum lugar para tocar Bella
sem machucá-la .
– Bella, querida, você odeia Forks. – Renée disse para Bella. Ela imaginava que isso a
faria mudar de idéia.
– Não é tão ruim assim. – Bella respondeu.
– É esse garoto? – Renée perguntou depois de olhar para mim e para Bella várias vezes.
Eu vi em sua mente que Renée repassava e analisava as inúmeras vezes que Bella ligou e
as inúmeras cartas que recebeu de Bella, tudo o que conversavam. Fiquei impressionado
em ver quantas vezes Bella deixou escapar que algo de novo estava acontecendo em sua
vida.
– Ele é parte disso. – Bella adimitiu. – Então, você teve uma chance de conversar com
Edward? – Bella perguntou curiosa.
– Sim. – Renée confirmou. Sua mente estava muito confusa e curiosa. Bella nunca tinha se
interessado por ninguém daquela forma. – Eu eu quero falar com você sobre isso.
– Sobre o que? – Bella perguntou e ouvi seu coração acelerar. Estava ficando cada vez
mais difícil manter a farsa, eu queria estar ao seu lado ... desesperadamente.
– Eu acho que esse garoto está apaixonado por você. – Renée disse baixo para não me
acordar. Ela jogou para ver onde a reação de Bella.
“– Apaixonado? Não. Amando loucamente e desesperadamente.”, a corrigi mentalmente.
– Eu também acho que sim. – Bella concordou.
– E como você se sente em relação a ele? – Renée continuava seu inquérito. Ela observava
as reações de Bella meticulosamente. Renée conhecia Bella muito bem, e percebeu na hora
que ela estava ... diferente. Bella parecia muito feliz apesar de todos seus ferimentos.
– Eu estou louca por ele. – Bella confessou. Meu corpo se aqueceu quando ouvi Bella
contando para sua mãe. Ela sabia que eu podia ouvir e mesmo assim não se envergonhou
em falar. Bella não havia falado daquele jeito com seu pai ... mas ela e sua mãe tinham
uma cumplicidade e amizade que me impressionou.
– Bem, ele parece muito legal, e, minha nossa, ele é incrivelmente lindo, mas você é tão
jovem, Bella... – Renée disse meio preocupada. Era o primeiro amor de sua filha e ela
tinha medo por Bella ... medo que sua filha cometesse o mesmo erro que ela, se apaixonar
pelo primeiro amor e acabar se casando com ele.
– Eu sei, mãe. Não se preocupe. É só uma paixonite. – Bella completou interrompendo sua
mãe.
– Está bem. – Renée disse mais tranquila. Ela confiava no julgamento de Bella. Toda
aquela conversa a fez lembrar de Phill, ela havia combinado conversar com ela sobre
Bella.
– Você precisa ir? – Bella disse assim que viu sua mãe olhando para o relógio.
– Phil deve ligar em pouco tempo... eu não sabia quando você acordaria... – Renée a
informou.
– Sem problemas, mãe. Eu não vou ficar sozinha. – Bella disse casualmente.
“– Pode ir sossegada. Eu estarei aqui.”, pensei.
– Eu volto logo. Eu estive dormindo aqui, sabe. – Renée disse orgulhosa de si mesma. Era
sempre Bella que cuidava dela, mas dessa vez ela se sentiu útil.
– Oh, mãe, você não precisava fazer isso! Você pode dormir em casa ... eu nunca iria
reparar. – Bella disse. Mesmo através dos olhos de Renée, percebi que Bella estava meio
sonolenta. Sua voz estava meio lerda.
– Eu estava nervosa demais. Aconteceu algum crime no bairro, e eu não gosto de ficar lá
sozinha. – Renée disse lembrando do ocorrido no estúdio de Balét.
– Crime? – Bella perguntou assustada.
– Alguém invadiu aquele estúdio de dança na esquina da nossa casa e tocou fogo nele ...
não sobrou nada! E eles deixaram um carro roubado lá na frente. Você lembra de quando
tinha aulas de dança lá, querida? – Renée contou.
– Eu me lembro. – Bella respondeu e tremeu.
– Eu posso ficar, bebê, se você precisar de mim. – Renée disse pensando que Bella estaria
assustada pelos mesmos motivos que ela.
– Não, mãe, eu vou ficar bem. Edward vai ficar comigo. – Bella tinha a certesa.
– Eu vou voltar á noite. – Renée disse olhando para mim. Era como um recado, como se
ela soubesse que eu podia ouvir, mas em sua mente não havia nada.
– Eu te amo, mãe. – Bella disse a Renée.
– Eu te amo também, Bella. Tente ser mais cuidadosa quando anda, querida. Eu não quero
perder você. – Renée disse meio angustiada. Em sua mente eu via os flashs de lembrança
de cada tombo de Bella. Foi até engraçado e eu sorri, não aguentei.
Assim que uma enfermeira entrou no quarto Renée se despediu de Bella acariciando
a mão dela e beijando sua testa. Ela achava que a enfermeira iria ficar olhando Bella, mas
estava errada. Eu logo teria um tempo a sós com Bella.
– Você está se sentindo ansiosa, querida? O seu coração está parecendo um pouco rápido
aqui. – A enfermeira disse depois de analisar as fitas do eletro-cardiograma de Bella.
– Eu estou bem. – Bella garantiu.
– Eu vou dizer á medica que está cuidando de você que você está acordada. Ela vai vir te
ver em um minuto. – A enfermeira disse e saiu. Em sua mente pude ver que ela desconfiou
de mim.
Assim que a enfermeira saiu eu corri para o lado de Bella.
– Você roubou um carro? – Bella me perguntou curiosa.
– Era um bom carro, muito rápido. – Contei animado.
– Como foi a sua soneca? – Ela perguntou.
– Interessante. – Disse e franzi minha testa com meus pensamentos.
– O que? – Bella quiz saber o que eu pensava.
– Eu estou surpreso. Eu pensei que a Flórida ... e a sua mãe ... bem, eu pensei que isso era
tudo o que você podia querer. – Disse olhando para baixo.
– Mas você ficaria preso o dia inteiro em casa na Flórida. E você só poderia sair durante a
noite, como um vampiro de verdade. – Ela reclamou.
– Eu ficaria em Forks, Bella. Ou algum lugar assim. – Disse o que seria melhor para Bella.
Ela devia saber que tinha opção, e que a decisão seria dela. – Algum lugar onde eu não te
machucasse mais.
Disse mas Bella não falou nada. Seus olhos tentavam desvendar meus pensamentos
e eu fazia o mesmo com ela. Eu esperava por suas palavras ... pela decisão que mudaria a
minha vida. Sua mãe havia dado uma opção tentadora. Bella muitas vezes deixou bem claro
que não gostava de Forks, do frio e da umidade, além disso havia todos aqueles
machucados. Bella tinha que pensar em si mesma ... Seus olhos mudaram ... em seu olhar
eu via desespero e dor, seu coração começou a acelerar e sua respiração hiperventilar.
Antes que eu pudesse dizer algo a médica entrou novamente no quarto e eu fui obrigado a
me afastar. Ela observava o monitor e imaginava que eu estava ao lado de Bella por que ela
estivesse sentindo dor.
–Está na hora dos remédios pra dor agora, querida? – A médica perguntou conferindo o
soro de Bella.
– Não, não. Eu não preciso de nada agora. – Bella dispensou rapidamente.
– Não precisa ser corajosa, querida. É melhor se você não se estressar; você deve descansar.
– A médica insistiu mas Bella negou com a cabeça. – Ok. – Ela então desistiu. – Aperte o
botão quando estiver pronta. – Ela disse. “O que será que ele fez para deixá-la assim. Ela
está meio alterada, mas ele é tão lindo. Ela tem sorte de ter alguém tão lindo como ele, e
ela nem é lá tão bonita.”, ela pensou, observou o monitor cardíaco e saiu.
– Shhh, Bella, acalme-se. – Eu corri para seu lado.
– Não me deixe. – Bella disse nervosa e com medo olhando nos meus olhos. Sua voz saiu
tremendo em meio aos seus lábios.
– Eu não vou. – Prometi. – Agora relaxe antes que eu chame a enfermeira pra te sedar. –
Pedi a ela, mas seu coração não desacelerava. Eu queria que Carslile estivesse lá. Me
aproximei mais dela. – Bella. – Eu acariciei ansiosamente seu lindo rosto. – Eu não vou a
lugar nenhum. Eu vou ficar aqui até quando você precisar de mim.
– Você promete que não vai me deixar? – Ela sussurrou para mim mas ainda ofegando
muito.
– Eu prometo. – Segurei firme seu rosto entre as minhas mãos, me aproximei mais e disse
olhando em seus olhos.
Bella sempre me disse que eu a deslumbrava e eu resolvi usar esse artifício. Fixei
meus olhos nos dela e vi que ela estava acreditando em mim quando seu coração foi
desacelerando e sua respiração acalmando. A cada vez que Bella inspirava meu cheiro via
suas pupilas dilatarem levemente. “É o meu cheiro.”, pensei.
– Melhor? – Perguntei.
– Sim. – Ela me disse.
Eu não devia ter falado nada daquilo naquela hora. Bella estava se reestabelecendo.
– Não devia ter provocado ... ela não devia ter uma reação exagerada. – Disse baixo para
mim mesmo balançando a cabeça negativamente.
– Porque você disse isso? – Bella disse. Ela havia escutado. – Você se cansou de ter que
ficar me salvando o tempo inteiro? Você quer que eu vá embora? – Ela me perguntou.
– Não, eu não quero ficar sem você, Bella, é claro que não. Seja racional. E eu também não
tenho problema nenhum em salvar você ... isso se não fosse pelo fato de que sou eu que
está te colocando em risco... que eu sou a razão pela qual você está aqui. – Disse
angustiado para Bella.
– Sim, você é a razão. – Ela concordou e fechou a cara para mim. –A razão pela qual eu
estou aqui ... viva.
– Mais ou menos. – Sussurrei para ela. – Coberta de ataduras e de gesso e quase
impossibilitada de se mexer.
– Eu não estava me referindo á mais recente experiência de quase-morte. – Bella disse com
raiva. – Eu estava falando das outras ... você pode escolher uma. Se não fosse por você eu
estaria criando raíz no cemetério de Forks. – Ela disse usando as piores palavras. Tremi só
de pensar das inúmeras vezes em que eu pude perdê-la ... por minha causa ... também.
– No entanto, essa não é a pior parte. – Disse a ela que ainda parecia irritada. – Nem ver
você lá no chão... amassada e quebrada ... Nem pensar que eu chegara tarde demais ... Nem
mesmo ouvir você gritando de dor ... todas essas memórias insuportáveis que eu vou
carregar comigo por toda a eternidade. Não, a pior parte foi sentir... saber que eu não podia
parar. Acreditar que eu mesmo fosse matar você.
– Mas você não matou. – Bella retrucou.
– Mas eu podia. Tão facilmente. – Disse.
– Me prometa. – Ela pediu.
– O que? – Perguntei fingindo não entender.
– Você sabe o que. – Ela disse ainda irritada comigo.
– Eu não pareço ser forte o suficiente pra ficar longe de você, então eu acho que você
seguirá seu caminho... quer isso mate você ou não. – Disse o que ela queria ouvir.
– Bom. – Ela disse secamente para mim. – Você me disse como parou... agora eu quero
saber porque. – Ela me questionou.
– Porque? – “Como assim “por que”?”, pensei e disse seco.
“– Edward. Isso não vai fazer bem a ela. Controle-se.”, Carslile me disse mentalmente, ele
podia ouvir a nossa conversa e se preocupou. Ele estava do lado de fora dificultando a
entrada da enfermeira. Ele sabia que eu precisava ter aquela conversa com Bella ... a sós.
– Porque você fez isso? Porque você não deixou o veneno se espalhar? A essas horas eu
seria como você. – Ela me disse.
“– Alice!”, pensei furioso mas me contive obedecendo as recomendações de Carslile.
Alice havia me prometido não ficar revelando coisas demais para Bella, mas pelo
jeito não tinha conseguido ficar de boca fechada. Pensar nas coisas que ela pudesse ter
falado para Bella me deixava furioso. Ela sabia que eu não cogitava transformar Bella, eu
não queria e repelia essa idéia o tempo todo, mas mesmo assim falou demais. Cuidaria dela
depois. Bella olhava para mim observando minha reação ... calada.
– Eu serei a primeira a admitir que não tenho nenhuma experiência com relacionamentos,
mas me parece lógico... um homem e uma mulher tem que ser parecidos em algo... como,
um deles não pode sempre estar sendo abatido e o outro salvando. Eles tem que salvar um
ao outro igualmente. – Ela me disse tranquilamente, mesmo depois de ficar observando
minha reação.
Cruzei meus braços e deitei meu queixo sobre ele e fiquei observando Bella. Eu
estava sendo injusto com ela. Bella me amava e queria se juntar a mim, mesmo depois de
tudo que havia acontecido com ela, mesmo sabendo da dor. Ela não tinha noção da
mudança que havia feito em minha vida, nem sabia que o fato de estar viva era a única
razão por eu estar vivo, se é que é isso que um vampiro faz. Se eu tivesse chegado tarde...
se eu a tivesse perdido, naquela hora eu já estaria morto, os Volturi já teriam atendido meu
pedido, de uma forma ou de outra, e eu estaria morto ... como ela.
– Você me salvou. – Disse baixinho. Eu não me irritaria com Bella.
– Eu não posso ser Lois Lane. Eu quero ser o Superman também. – Bella disse brincando.
– Você não sabe o que está pedindo. – Disse fugindo de seus olhos.
– Eu acho que sei. – Ela insistiu.
– Bella, você não sabe. Eu já tive quase noventa anos pra pensar nisso e ainda não tenho
certeza. – Falei para ela.
– Você queria que Carlisle não tivesse salvado você? – Ela me perguntou.
– Não, eu não preferiria isso. – “Se ele não tivesse me transformado, eu não teria
encontrado você.”, pensei. – Mas a minha vida estava acabada. Eu não estava desistindo de
nada. – Disse.
– Você é a minha vida. Você é a única coisa que eu me incomodaria em perder. – Ela me
disse.
– Eu não posso fazer isso, Bella. Eu não vou fazer isso com você. – Disse tranquilamente.
– Porque não? – Ela me disse se alterando novamente, mas eu não ia me deixar levar, eu ia
manter o controle. – Não me diga que é muito difícil! Depois de hoje, ou eu acho alguns
dias atrás... de qualquer forma, depois daquilo, isso não devia ser nada.
– E a dor? – Perguntei a ela e vi suas pupilas dilararem. Bella ficou mais pálida.
– Isso é problema meu. Eu posso aguentar. – Ela tentou me enganar que seria corajosa.
– É possível levar a coragem ao ponto em que se torna loucura. – Comentei.
– Isso não é problema. Três dias. Grande coisa. – Ela disse casualmente.
“– Alice realmente falou demais.”, pensei com raiva novamente, mas tive o controle.
– Charlie? ... Renée? – Apelei para seus pais e Bella não falou nada. “ Consegui. Esse é
seu ponto fraco.”, pensei.
Bella tentou falar mas nada saída de sua boca, ela pensava mas não tinha mais
argumentos para tentar me convencer.
– Olha, isso também não é nenhum problema. – Ela tentou novamente, mas mentia
descaradamente. – Renée sempre fez as escolhas que funcionavam pra ela ... e ela sempe
quis que eu fizesse o mesmo. E Charlie é resistente, está acostumado a ficar sozinho. Eu
não posso tomar conta dele pra sempre. Eu tenho a minha própria vida pra viver. – Ela
concluiu.
– Exatamente. E eu não vou acabar com ela pra você. – Completei.
– Se você está está esperando que eu esteja no meu leito de morte, eu tenho notícias pra
você! Eu já estou nele!
– Você vai se recuperar. – Lembrei a ela.
Ficamos nos encarando por alguns momentos. Ela não desistiria, nem eu.
– Não. – Ela finalmente disse. – Eu não vou.
– É claro que vai. Você pode ficar com um cicatriz ou duas... – Disse fechando a cara para
ela.
– Você está errado. Eu vou morrer. – Ela insistia.
– Sério, Bella. – Eu não podia deixar que ela me convencesse nem me irritar com aquela
conversa. – Você vai sair daqui em alguns dias. Duas semanas no máximo.
– Eu posso não morrer agora... mas eu vou morrer um dia. A cada minuto eu chego mais
perto. Eu vou ficar velha. – Ela me disse.
“Então é isso... ela tem medo de envelhecer ao meu lado ... eu jovem...eternamente.”,
pensei.
– Isso é o que supostamente acontece. É assim que deve acontecer. – Disse apertando
minhas têmporas e fechando meus olhos, querendo tirar da minha mente a idéia de que um
dia ela realmente vai me deixar ... essa certesa, mesmo que demorasse 60 anos já me
machucava. E pior, que isso já poderia ter acontecido se eu não tivesse impedido, se eu
não tivesse resistido ao seu perfume desde o primeiro dia. “O que teria sido de mim.”, eu
pensava angustiadamente. – Aconteceria se eu não existisse ... e eu não deveria existir. –
Disse e Bella bufou tão alto que me fez olhar para ela. Bella estava irada comigo.
– Isso é estúpido. Isso é como alguém que acabou de ganhar na loteria, pegando o dinheiro,
e alguém dizer “Olha, vamos voltar a ser como as coisas deviam ser. É melhor assim”. Eu
não vou aceitar isso. – Bella disse bem irritada.
– Eu não sou bem um premio de loteria. – Rugi irritado também.
– Isso mesmo. Você é muito melhor. – Bella retrucou tantando apelar para o amor dela
por mim.
– Bella, nós não vamos mais continuar com essa discussão. Eu me recuso a te amaldiçoar á
noite eterna e esse é o fim. – Apelei para ela. Bella não podia se estressar.
– Se você acha que acaba aqui, você não me conhece muito bem. Você não é o único
vampiro que eu conheço. – Bella me desafiou.
– Alice não ousaria. – Disse muito irritado ... Irritado de uma forma que Bella nunca viu.
– Alice já viu isso, não foi? É por isso que as coisas que ela fala aborrecem você. Ela sabe
que eu serei como vocês ... um dia. – Ela especulou ... corretamente. Minha reação
confirmou sua teoria.
– Ela está errada. Ela também viu você morta, mas isso também não aconteceu. – Retruquei
sua teoria.
– Você nunca vai me pegar apostando contra Alice. – Ela usou uma frase que eu mesmo
disse uma vez.
Ficamos alí olhando um nos olhos do outro. Eu avaliava suas reações e sua
convicção. Seria muito complicado argumentar com Bella, ainda mais nas condições em
que ela estava. Bella não voltaria atrás, eu já a conhecia o suficiente para saber que Bella
era insistente, foi assim que ela descobriu tudo sobre mim, descobriu em pouco tempo
coisas que os outros humanos, que já conviviam conosco há mais de 2 anos nem
desconfiavam. No rosto e nos olhos de Bella eu via várias emoções passando ... e eu
também não queria ficar brigado com Bella. Aquela foi a nossa primeira e mais séria
discução.
– Então onde isso nos deixa? – Bella rompeu o silêncio.
– Eu acredito que se chama impasse. – Disse rindo.
– Ai. – Ela disse depois de suspirar. Mesmo um leve suspiro era suficiente para ela sentir
dor.
– Como você está se sentindo? – Perguntei mesmo sabendo que ela mentiria para mim,
então eu já me preparava para chamar a enfermeira. Bella precisava descançar.
– Eu estou bem. – Ela respondeu como eu imaginei que ela faria ... mentindo para mim.
– Eu não acredito em você. – Disse gentilmente para ela.
– Eu não vou voltar a dormir. – Ela falou meio zangada comigo.
– Você precisa descansar. Toda essa discussão não faz bem a você. – Tentei argumentar.
– Então desista.
– Boa tentativa. – Disse rindo muito ... por dentro. Bella não desistia.
– Não! – Ela reclamou quando eu toquei o botão que chamaria a enfermeira.
“– Sim?” – A recepcionista disse no comunicador.
– Eu acho que estamos prontos para mais analgésicos. – Disse mesmo indo contra a
vontade de Bella. Ela não sabia mais o que queria.
“– Eu vou mandar a enfermeira”– A recepcionista me respondeu.
– Eu não vou tomar. – Ela reclamou fazendo beicinho.
– Eu acho que eles não vão te pedir pra engolir nada. – Disse indicando o soro. O coração
de Bella começou a acelerar e ela começou a ofegar. Olhei em seus olhos e vi que Bella
estava com medo e o medo lhe causava mais dor. – Bella, você está sentindo dor. Você
precisa relaxar pra se curar. Porque você está sendo tão difícil? Eles não vão mais colocar
agulhas em você. – Disse tentando tranquilizá-la. Bella tinha pavor de agulhas.
– Eu não estou com medo das agulhas. – Ela disse murmurando para mim. – Eu estou com
medo de fechar meus olhos. – Ela disse olhando em meus olhos.
– Eu disse que não vou pra lugar nenhum. Não tenha medo. Enquanto isso te fizer feliz, eu
vou ficar aqui. – Disse sorrindo para ela e segurei seu rosto delicado entre minhas mãos.
– Você está falando de pra sempre, sabe. – Ela me disse sorrindo.
– Oh, você vai superar isso ... é só uma paixonite. – Disse sorrindo enquanto usava as
mesmas palavras dela.
– Eu fiquei chocada quando Renée comprou essa. Eu sei que você sabe e conhece bem a
verdade. – Ela me disse com os olhos melosos.
– Isso é a beleza de ser humano. As coisas mudam. – Disse com humor para ela.
– Não segure o fôlego. – Bella disse revirando os olhos e sorrindo.
– Com licença. – A enfermeira disse para mim. Ela precisava trabalhar.
Me afastei de Bella e encostei na parede, aguardando que a enfermeira fizesse seu
trabalho. Bella ainda estava assustada e com medo, mas ao olhar para mim, ela relaxava e
pensava. Ficamos assim, olhando um no olho do outro. A enfermeira fazia seu trabalho mas
a sua mente ficava especulando o tempo todo como eu poderia ter escolhido Bella.
“Tola...”, eu pensava.
– Aí está, meu bem. Você vai se sentir melhor agora. – A enfermeira disse e sorriu para
Bella.
– Obrigada. – Bella disse sarcasticamente.
– Eu acho que isso será suficiente. – A enfermeira disse assim que as pálpebras de Bella
foram ficando leves, depois recolheu suas coisas e saiu do quarto. Eu corri para o lado de
Bella.
– Fique. – Bella disse com a voz truncada assim que sentiu minhas mãos frias acariciando
seu rosto.
– Vou ficar. – Prometi a ela. – Como eu disse, já que isso faz isso feliz ... Já que é melhor
pra você.
– Não é a mesma coisa. – Ela disse meio confusa.
– Não se preocupe com isso agora, Bella. Você pode discutir comigo quando se acordar. –
Falei sorrindo para ela.
– Tá. – Ela concordou.
– Eu te amo. – Disse em seu ouvido.
– Eu também. – Ela me disse quase adormecendo.
– Eu sei. – Disse sorrindo para ela.
Bella virou a cabeça para o lado onde eu estava, me procurando e eu a beijei. Sentir
sua boca novamente foi maravilhoso. Bella sorriu.
– Obrigada. – Ela me disse.
– De nada.. – Disse e me sentei ao seu lado, sua mãe estava voltando, acompanhada por
Charlie.
– Edward? – Ela chamou por mim antes que eu me sentasse.
– Sim? – Voltei para seu lado de pé.
– Eu aposto em Alice. – Ela murmurou para mim e adormeceu momentos antes que sua
mãe e Charlie entravam no quarto.
Eles vinham juntos ansiosos por notícias de Bella, Carslile os estava segurando na
recepção, contando como seria a recuperação de Bella, ele sabia que eu precisava de mais
tempo com Bella e ele conseguiu esse tempo para mim. Eu tinha que agradecê-lo depois.
– Ela voltou a dormir? – Renée perguntou assim que entrou no quarto e viu Bella.
– Sim, agora a pouco. – Informei a eles. – A enfermeira acabou de sair. Ela aplicou um
sedativo. Bella não queria, mas estava sentindo dor. Achei melhor chamar a enfermeira.
– Obrigado, Edward. Foi bom você ficar aqui. – Renée me disse com sinceridade.
– Boa noite, Edward. – Charlie falou comigo.
– Boa noite, Charlie. – O cumprimentei.
– Por que ela estava sentindo dor novamente? – Charlie perguntou.
– Ela ficou agitada e piorou quando percebeu as agulhas. – Disse para ele.
– Ela tem pavor de agulhas ... sempre teve. – Ele disse olhando para Bella.
– Ela me falou e pude ver isso com meus próprios olhos. – Disse e pude sentir que minhas
lentes estavam prestes a desintegrar. – Peço licença a vocês para me retirar por alguns
minutos. – Disse e me levantei.
– Ok, Edward. Você não precisa se preocupar, eu ficarei a noite toda. – Charlie me disse,
mas em sua mente ele queria mesmo me dispensar.
– Só preciso falar com meu pai, mas voltarei. Bella pediu para eu ficar. – Disse.
– Ok, querido. Ela também me pediu para que você ficasse. – Renée disse e olhou para
Charlie. – Foi na hora em que ele estava dormindo.
Naquela hora vi que Renée estaria do nosso lado.
– Obrigado. Volto mais tarde, vou no hotel e retornarei logo. – Disse, me virei e saí do
quarto exatamente na hora em que minhas lentes desintegraram.
No final do corredor pude ver Alice com a caixinha com os novos pares de lentes
me esperando.
“– Foi por pouco, heim.”, ela me disse mentalmente. Ela sabia que eu estava chateado com
ela, mas também sabia que eu não ia falar sobre o assunto naquele momento, eu esperaria
chegarmos a Forks.
– Me dê logo isso e vamos sair daqui. Aquela enfermeira já está me dando nos nervos. –
Disse ríspido com ela.
“– Por que?”, Alice me perguntou.
– Você deve imaginar, mas não estou com tempo para isso, nem cabeça. – Disse a ela.
Descemos pela escada para que eu pudesse colocar as lentes e fomos para a
recepção onde Carslile já nos esperava, ele queria contar as novidades de Forks.
– Esme disse que Victória andou rondando, mas ao ver Emmet sumiu. Eles a seguiram até o
aeroporto mas não conseguiram pegá-la. Parece que ela está vindo para cá. – Carslile nos
contou.
– Teremos que caçá-la. – Disse.
– Ela não tem intenção de nos procurar, ela só quer saber de James ... mal sabe que agora
ela é viúva. – Alice disse com um sorriso macabro.
– E quando ela descobrir? – Carslile perguntou.
– Não tenho como saber ainda, mas ficaremos de olho. Ela é muito astuta e perigosa, isso
posso ver. – Ela disse.
– Qualquer sinal de perigo Alice nos avisará, então vamos nos concentrar em cuidar de
Bella. – Carslile disse.
– Você não tem que voltar para Forks? – Perguntei a Carslile.
– Não se preocupe com isso. Ficarei até Bella ter alta. Não te deixarei sozinho aqui. – Ele
me informou. Pude ver em sua mente que Carslile havia ligado para o hospital e
comunicado uma dispensa por problemas de família.
– Nem eu. – Alice disse também.
– Mas e Esme ... – Especulei.
– Ela já sabe de minha decisão. – Carslile me garantiu.
“– Esme já cuidou de tudo, apenas Rosalie e Emmet retornaram as aulas, para desgosto de
Rosalie.”, Alice me disse mentalmente.
– Como ela está? Pude ouvir parte da conversa de vocês. – Carslile perguntou.
– Está bem, apesar de tudo. – Disse e depois de um meio sorriso. – Ela é muito teimosa.
– O importante é que ela vai se curar logo. Acredito que em mais alguns dias poderemos
voltar todos para casa. – Carslile me disse. Ele havia conversado com os outros médicos
“mais experientes que ele”, eles haviam dado uma previsão de mais 5 dias no máximo de
internação para a cura dos ferimentos e para que os hemotas se dissolvam.
– Você tem mais algumas horas para poder sair. – Alice me disse, ela já havia visto o que
eu ia fazer. – Posso ir com você? Temos que comprar mais lentes, você vai precisar.
– Sei ... e você aproveitar para fazer umas comprinhas, né? – Disse rindo e dei um
empurrãozinho de ombro nela.
– Claro ... vocês vão precisar. – Ela repondeu mostrando a língua. Alice era a nossa
consultora de moda. Era sempre ela que cuidava dessa parte de nossa vida, e nem
adiantava discutir com ela ... era inútil.
– Discretas, Alice. – Carslile pediu ... como sempre.
– Deixa comingo ... Você vai ficar ... Lindo! – Ela disse rindo. Em sua mente via Alice
ensaiando cores mais alegres para Carslile e eu.
– Nem pensar, Alice! – Disse rindo das suas imagens mentais. – Nada de vermelho e
amarelho para mim.
– O que? É isso que você está pensando? – Carslile disse já protestando. – Por favor,
Alice. Assim vou passar eu mesmo a comprar minhas roupas.
– Não se preocupe, foi só um ensaio. – Ela disse rindo. – Vamos, Edward.
– Tem certesa? E se ela acordar? – Especulei com ela.
– Aquela enfermeira a sedou muito. Você a estressou demais, não é maninho... – Ela me
garantiu.
– Pode deixar que a qualquer sinal que mude isso, ligo para vocês. – Carslile nos disse.
Alice havia me garantido que Bella só acordaria novamente ao amanhecer, então
resolvi dar uma saída e fui num shopping próximo. Bella adorava ler, então comprei um
romance para ler para ela, caso ela não quizesse ler sozinha enquanto Alice se divertia
numa outra loja, ela havia dado a sugestão para que eu comprasse um para Renée também.
“Cativar a futura sogrinha”, Alice havia brincado. Tive que ficar esperando por mais de
15 intermináveis minutos enquanto Alice terminava. “Por que mulher, seja humana ou
vampira, sempre demora quando se trata de escolher ou comprar roupa?”, eu pensava.
Assim que Chegamos ao hospital, Carslile esperava na recepção. Eu li a sua mente e
vi que ele estava realmente preocupado.
– Eu não devia ter saído ... Droga! – Reclamei comigo mesmo.
– Talvez tenhamos alguns problemas. – Ele disse assim que nos viu.
– O que houve, Carslile? – Alice perguntou, ela não tinha visto nada, além de Victória em
busca de James.
– Victória achou o nosso rastro e o dos pais de Bella. A vi através do sistema de segurança
há menos de meia hora. – Ele a informou.
“– Como fui deixar isso escapar?”, Alice se reprovou. Toda aquela situação estava
mexendo com ela de uma forma muito intensa, ela aproveitou as comprar para esvaziar um
pouco a sua mente e esquecer das imagens da gravação de James.
– Temos que chamar Emmet e Jasper. – Disse ansioso.
– Já fiz isso. Emmet já está no aeroporto. Já liguei para Jasper também. Teremos que ficar
de olho. – Ele me falou.
– Maldita. – Disse com raiva. Vi que teríamos problemas futuros.
– Foi a mesma coisa que Rosalie disse. Emmet a manteve em Forks, seu gênio poderia
atrapalhar e chamar atenção de Charlie e Renée. –Carslile nos disse.
– Quando ele chega? – Alice perguntou, não estava confiando em suas visões.
– Antes do amanhecer, assim podem vir para cá e nos ajudar. – Carslile disse.
– Ótimo. – Falei. – Jasper ficará bem aqui no hospital? Muito sangue ...
– Ele ficará bem, aqui tem mais cheiro de Eter do que de sangue. Os humanos são muito
cuidadosos nos hospitais. Cuidarei dele, não se preocupe. – Alice me garantiu, mas ficaria
de olho nele sempre. – Diremos à Charlie e Renée que eles quizeram vir fazer uma visita, já
que amanhã é sábado e não tem aula. – Alice disse mais confiante.
– Ótimo. Combinamos assim. Vamos ficar de olho. Edward? Qualquer sinal me avise. –
Carslile pediu.
Voltei logo para o quarto de Bella para ficar de olho nela, protegendo-a. A qualquer
sinal de perigo iminente daríamos um jeito de transferi-la, Carslile já estava cogitando essa
possibilidade, até um jato UTI estava em seus planos, ele não mediria esforços.
Charlie foi para o hotel por volta das nove horas da noite e Alice o seguiu
discretamente, protegendo-o. Em sua mente pude ver que ele havia contado a sua versão
sobre o motivo da saída repentina de Bella de Forks. Não havia nenhuma intenção de
ataque de Victória, mas ela não descuidou. Renée ficou no quarto de Bella comigo.
Trocamos de lugar para que ela pudesse dormir por volta das 11 horas da noite.
– Você tem certesa, Edward? – Ela me perguntou.
– Sim, Senhora. Dormi muito à tarde, lembra? – Lembrei a ela.
– Sim ... sim. – Ela concordou. – Foi muita gentiliza sua comprar o livro para Bella e para
mim. Ela adora ler ... principalmente os romances de Austen eu também adoro ficção,
obrigado.
– De nada. Bella não tem esse livro ainda ... – Disse afimando.
– É ... Acho que “Emma” ela não tem. A não ser que Bella tenha comprado em Forks. –
Renée especulou.
– Não ... acho que não, Senhora. – Neguei. Eu tinha certesa que Bella não tinha aquele
livro. Eu conhecia os seus preferidos em Forks.
“– Ela vai te questionar sobre a saída de Bella.”, Alice me disse mentalmente, e iria me
instruir qual melhor caminho a seguir.
– Edward? – Renée me chamou. – Pode me chamar de Renée, ok? Assim me sinto velha. –
Ela pediu.
– Sim, Senhora ... quer dizer ... Renée. – Disse meio sem graça, como um adolescente
humano. – É que meus pais me criaram assim ...
– Charlie me disse que você era muito formal ... me disse também sobre a discução entre
você e Bella que resultaram na saída de Bella de Forks. – Ela comentou.
– Sim ... – Disse e deixei que ela falasse.
– Charlie disse que ela falou que não queria fincar vínculos fortes em Forks, e que ela que
tinha decidido partir. – Ela continuou.
– Sim. – Disse e abaixei a cabeça. Tinha que fazer o papel do apaixonada desolado.
– Quero ouvir de você ... o que realmente aconteceu.
– Bem ... Eu também não entendi muito bem. Nós havíamos ido jogar bola com minha
família e depois eu a levei para comer algo. Estava tudo bem, mas quando começamos a
falar sobre Faculdade e futuro, Bella ficou irritada e quis voltar para casa. – Fui contando
conforme Alice foi me instruindo. – No carro ela ficou pensativa e mais irritada conforme
eu ia questionando sobre a sua reação, e quando chegou perto de sua casa ela explodiu e me
mandou embora. Disse que queria voltar para Phoenix. Eu perguntei se tinha feito algo
errado, mas ela disse que não ... Eu não entendi. Ela tinha dito ... que gostava de mim, mas
que tinha que partir. Fiquei muito confuso, mas não tinha muito o que fazer, ela estava
muito decidida.
– Ela sempre foi muito teimosa. – Renée comentou e começou a entender tudo. Vi em sua
mente que ela estava começando a juntar os pedacinhos.
– Passei por uns colegas da escola naquela noite mesmo e eles me disseram que viram Bella
passar em disparada por eles, dirigindo a caminhonete dela e nem se despediu. Fiquei muito
preocupado e começei a ligar para ela, mas Bella não atendia o celular. No dia seguinte
pedi ao meu pai para virmos para cá ... eu precisava falar com ela. No celular fizemos às
pazes e ela concordou em nos encontrar, no nosso hotel. Ela ainda estava na estrada, mas
estava perto, então fiquei esperando ansioso. Chegamos primeiro, de avião e nos
hospedamos no mesmo hotel que Charlie está. – Fui contando. – Assim que ligaram da
recepção avisando que ela estava subindo, eu e Carslile fomos para o elevador esperá-la,
mas ela não chegava, o elevador parecia que estava preso em algum andar ... Foi quando
ouvimos o barulho forte vindo da escada, era Bella caindo e os vidros se quebrando.
Corremos e assim que vimos que era realmente Bella, meu pai chamou a emergência e o
resto você já sabe.
– Sim. Sinto muito por tudo isso. Bella não está acostumada com relacionamentos. – Renée
comentou.
– O importante é que ela está bem ... e em segurança, aqui. – Disse olhando para Bella.
– Segurança? – Ela perguntou.
“– Ops!”, pensei quando percebi que falei demais.
– Sim, a senhora ... quer dizer, você não comentou que houve um incêndio e até carro
roubado? – Me apressei para consertar o meu deslize.
– Ah! Sim ... claro, entendo.
Renée logo adormeceu depois da nossa conversa. Fiquei em silêncio quase absoluto,
a única coisa que quebrava o silêncio era o som baixo da minha voz enquanto eu cantava
para Bella. Deitei minha cabeça no seu travesseiro e cantava para que ela dormisse
tranquila. Por volta das três horas da manhã, Jasper e Emmet chegaram no hospital e foram
direto para o quarto de Bella, Carslile autorizou e as enfermeiras nada puderam fazer,
mesmo achando estranho os meus irmãos chegando de madrugada. Elas na verdade se
assustaram com os dois.
“– Estranho esses filhos do Dr. Cullen.”, uma delas pensou.
“– Ouvi dizer que são todos adotados, mas tem o sobrenome dele e da sua esposa. Mas
uma coisa é certa ... são lindos como ele”, a outra disse e riu. Carslile virou a fofoca do
hospital, da mesma forma que acontecia em Forks e em todos os hospitais em que Carslile
estivesse trabalhando.
– E aí, Edward. Como ela está? – Emmet perguntou assim que entrou.
– Dormindo ... agora. – Disse a ele.
– Vocês três ... para fora. Se Renée acordar vai ter um troço, e se Bella ver vocês aqui, à
essa hora da madrugada vai desconfiar. – Alice disse e depois se virou para mim, ela sabia
que eu não deixaria Bella. – Pode deixar que fico com ela. Se ela acordar te chamo, mas
não vai acontecer antes das seis da manhã. – Assenti para ela e saí do quarto com Emmet e
Jasper.
Fomos para o estacionamento do hospital para conversarmos mais tranquilamente,
Carslile foi conosco.
– Teremos que caçar essa madita. – Disse para eles. – Ela não vai conseguir terminar o
serviço de James.
– Alice me garantiu que Victória não está com intenção de atacar, mas ela já apareceu por
aqui. Ela conseguiu pegar nosso rastro depois de seguir Charlie, quando ele estava vindo
para cá. – Carslile colocou em dia as informações.
– Ela deve estar se escondendo em algum lugar durante o dia e saindo à noite. Faremos uma
busca assim que o sol se por. Até lá é melhor ficarmos aqui. – Jasper disse do alto de toda
sua experiência.
– Concordo. – Emmet disse. – Vai ser divertido mexer com a cabeça das enfermeiras. Bella
também vai ficar surpresa em nos ver, mas vamos ter que dar uma boa desculpa para ela e
Renée.
– Essa vai ser fácil, sobre Jásper ela vai logo deduzir pensando em Alice ... Agora Emmet
eu ainda não sei. – Falei. – A gente pensa na hora, apesar de que eu tenho certesa de que
ela não vai perguntar. Alice nos alertará e dará uma boa desculpa.
– Ah! Diz para ela que tem um urso pardo nas redondezas que ela vai ficar tranquila. – Ele
disse e riu.
– Então está combinado. Assim que anoitecer eu saio com Alice, Jasper e Emmet. Você
fica de olho em Bella, Charlie e Renée.
Voltamos para dentro do hospital assim que os primeiros raios de sol começaram a
surgir no horizonte. Bella ainda estava dormindo e Renée também então Alice pode descer
e ficar com Jasper, Emmet e Carslile. Eles ficariam aguardando até Bella acordar e depois
iriam para o hotel, para não chamar atenção demais, voltariam à tarde.
Conforme Alice havia visto, Bella acordou exatamente as seis da manhã enquanto
eu ainda cantava para ela.
– Adoro quando você canta para mim. – Foi a primeira coisa que ela me disse ainda com
os olhos fechados. – Bom dia, é ótimo acordar com você.
– Shhh. Sua mãe está aqui. – Disse para Bella e ela fez uma careta. – Não se preocupe, ela
ainda está dormindo. Você terá visitas hoje.
– Visitas? Quem ? – Bella perguntou curiosa.
– Emmet e Jasper já estão aqui. – Disse e Bella ficou me olhando ... examinando minha
reação.
– Por que eles estão aqui? – Bella perguntou e seu coração acelerou. – O que está
acontecendo, Edward?
– Calma, amor ... não está acontecendo nada. – Disse segurando seu rosto em minhas mãos.
Eu sabia que ela ia imaginar coisas ... e não estava errada, mas eu não podia deixar ela
perceber. – Jasper veio por Alice e Emmet queria te ver, ele te ama também, esqueceu?
– É verdade? Você não me escondendo nada? – Ela insistiu olhando nos meus olhos.
– Nós já cuidamos de James, não se preocupe, eles só querem te ver. – Disse em seu
ouvido. – Fiquei calma, senão chamo a enfermeira de novo. Pense em Renée. – Ameacei.
– Ok. – Ela disse e desistiu. – Que horas eles vem aqui? – Ela completou sorrindo um
pouco.
– Quando você quizer, mas é melhor preparar Renée, não acha? – Disse a ela.
– Sim ... Emmet pode ser assustador. – Bella riu.
– Ele falou que era para eu te dizer que ele veio para caçar um grande urso pardo. – Disse
brincando com ela.
– Isso é típico dele. – Ela brincou e riu na hora em que sua mãe despertou.
– Olá mocinha ... Parece que você está bem melhor hoje. – Renée disse ao se levantar e ver
que Bella sorria..
– Oi mãe ... você dormiu aqui ... – Bella disse orgulhosa de sua mãe.
– Claro, eu tinha que cuidar de você, não é? – Renée disse e ficou ao lado de Bella, eu
havia dado espaço, fui sentar na chaise do quarto..
“– Edward! Precisamos conversar.”, Alice me chamou mentalmente e eu me levantei.
Bella seguiu meu olhar, ela já reconhecia quando eu ouvia alguém me chamar.
– Vou lá fora, um pouco. Depois eu volto. – Disse.
– Edward? ... Não demora, e traga Emmet e Jasper ... e Alice também. Quero vê-los. – Ela
me pediu. Renée ficou curiosa com a nossa troca de olhares, percebeu que estava perdendo
algo.
– Quem é Emmet e Jasper? – Renée perguntou confusa.
– Irmãos de Edward. Eles vieram de Forks para me ver. São ótimas pessoas. – Bella se
apressou em dizer e eu saí. Desci correndo pelas escadas e encontrei com eles no hall do
hospital.
– Victória deve nos dar problemas, ela achará o rastro de James até as cinzas do estúdio
perto da casa da mãe de Bella, não demorará até ela encontrar a casa de Renée. – Carslile
se apressou em dizer assim que me viu.
– Vamos tentar interceptá-la hoje à noite antes que ela acho algo mais, assim que Alice vir
que ela saiu do esconderijo. – Jasper completou.
– Não tenho ainda como saber onde é que ela está. Ela está em um lugar escuro, é só o que
posso saber. – Alice me disse.
– Eu irei com eles, você fica de olho em todos aqui e nos falamos no celular. Não deixe que
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Renée e Charlie saiam. – Carslile me pediu.
– Ok ... Vou ter que despistar com Bella. Ela ficou sismada quando eu disse que Emmet e
Jasper estavam aqui. Ela pediu para que vocês voltassem comigo. – Disse a eles.
– Vamos então, não vamos deixar minha irmãzinha esperando. – Emmet se apressou em
dizer todos rimos. Ele realmente estava preocupado com Bella.
Assim que todos nós entramos no corredor do quarto de Bella as enfermeiras
ficaram oriçadas, elas ainda não tinham visto todos nós juntos. Em suas mentes a surpresa e
a curiosidade era geral. Nos apressamos e fomos para o quarto de Bella, somente Renée
estava lá.
– Bella, você tem visitas. – Disse na porta e Bella abriu um lindo sorriso quando me viu. –
Posso mandá-los entrar?
– Oi ... Você voltou. – Bella disse animada. Renée ficou impressionada com o brilho nos
olhos de Bella. Naquela hora ela viu que não era só uma apaixonite. Ela olhou para mim e
viu em mim os mesmo brilho no olhar, mesmo eu usando lentes.
– Sim, amor. Não disse que não ia demorar ... E trouxe visita. – Disse e meus irmãos
entraram. Renée ficou impressionada com o tamanho de Emmet.
– E aí irmãzinha? – Emmet disse assim que entrou e Bella corou rindo.
– Oi ... irmão urso. – Quando ela disse todos rimos. Renée não entendeu mais achou
engraçado.
– E aí, Bella. Tá melhor? – Jasper a saudou.
– Oi, Jasper. Acho que sim ... mas acho que você deve saber. – Bella disse, mas asism que
percebeu o deslize completou. – Alice já deve ter dado todo o relatório.
– Sim ... vai ficar tudo bem, mas você tem que se cuidar. Nada de ficar correndo por aí. –
Jasper deu seu recado.
– Sim. Vou me comportar. – Bella assentiu entendendo o recado de Jasper. Foi a primeira
vez que eles se viram depois que Bella escapou dele no banheiro do aeroporto. – Ah! Essa
é minha mãe, gente ... Renée.
Eles ficaram por 1 hora no quarto e saíram assim que Carslile veio avisar que Bella
teria visita dos médicos, o quarto estava cheio demais e os seus colegas com certesa iriam
reclamar. Apoveitamos para acabar de combinar a tocaia da noite e eles partiram para o
hotel. Fiquei o dia todo com Bella, naquele dia ela se comportou e não fez movimentos
bruscos. Me garantiu que já não sentia tanta dor e que os hematomas eram coisas rotineiras
em sua vida, qualquer batidinha ela ficava roxa, Renée confirmou. Charlie chegou logo
depois que meus irmãos saíram, eles se cruzaram no corredor, mas Chalie não estranhou,
Carslile já tinha comentado com ele que meu irmãos viriam.
Bella adorou o livro que comprei para ela e queria começar a ler, mas os médicos
disseram que ela ainda não poderia de reclinar, então fiquei lendo para ela até o anoitecer.
Charlie havia descido para fazer um lanche e Renée estava sentada lendo outros livro. Bella
reparou que fiquei meio tenso conforme a noite caiu.
– O que foi? – Ela me perguntou.
– Nada ... está tudo bem. – Disse casualmente.
– Você está me escondendo algo, Edward. – Bella insistiu e tive que inventar uma história
de última hora.
– Jasper me disse mentalmente, antes de sair, que você ainda sentia dor. Estava pensando
nisso agora. – Disse baixinho.
– Eu estou bem ... juro. Com você aqui fico melhor ... então você não poder sair. – Ela me
disse testando alguma teoria.
– Eu não ia sair mesmo ... só para ir ao banheiro e fazer um lanche. – Disse.
– Lanche? Aqui? – Bella disse com os olhos arregalados.
– Sim ... na lanchonete, Bella. – Disse indicando sua mãe com os olhos e ela entendeu.
Por volta das dez e meia da noite meu celular vibrou. Bella já estava dormindo e eu
me levantei para sair e atender, mas Bella despertou.
– Onde você vai? – Bella disse sonolenta, ela ainda não estava totalmente apagada.
– Só atender o celular, não queria te acordar. – Falei para ela.
– Ok, mas volte ... logo. – Ela disse e olhou nos meus olhos especulando. Eu assenti e saí.
Renée veio ficar no meu lugar.
– O que foi Carslile? – Disse urgente ao telefone.
– Victória fugiu para o sul. Chegou a atravessar a fronteira mas voltou para o Texas,
estamos em San Angelo. Ela sumiu mas não voltou, acho que seguiu mais para o sul.
Estamos voltando. Alice disse que ela ficará por lá por muito tempo. – Carslile me passou
toda a situação. Ele parecia mais tranquilo.
– Ok. Aqui está tudo tranquilo. Amanhã nos vemos então. – Disse e desliguei. Fiquei do
lado de fora ouvindo Bella e Renée conversando, Bella havia ficado acordada esperando o
meu retorno.
“– Isso tudo não está parecendo só uma apaixonite, filha. Edward parece gostar de você
tanto como você dele.” – Renée disse a Bella.
“– Ele é especial, mãe.” – Bella disse.
“– Ele tem uma família grande, não é mesmo? E Carslile é tão novo para ter filhos tão
grandes” – Renée disse.
“– Sim, eles todos são adotados. Jasper é irmão gêmeo de Rosalie. ... Você tem que
conhecer Esme, a mãe deles.” – Bella disse.
“– Tem mais uma? Nossa.” – Renée disse espantada.
“– Sim.” – Foi só o que Bella disse e mudou de assunto. – “O que você estava lendo?”
“– Ficção. Edward trouxe para mim de presente como fez com você. Ele parece que
adivinhou o que eu precisava para me distrair.” – Renée disse e Bella sorriu.
“– Ele parece ser muito bem resolvido, não é mesmo? E eles parecem ter uma boa
condição financeira”, Renée comentou.
“– Isso por que você não viu os carros e a casa deles. Mas isso não faz a menor diferença
para mim, eles são pessoas ótimas. Papai disse que o Carslile podia estar trabalhando em
qualquer hospital caro, mas ele e Esme gostaram tanto de Forks que estão lá há mais de 2
anos.”, Bella comentou e despertou a curiosidade de Renée.
“– Com certesa ele já deve ter recebido convite daqui também.”, Renée comentou.
Assim que entrei no quarto Bella grudou seus olhos em mim e eu sorri para ela.
Bella sabia que eu estava ouvindo.
– Oi. – Disse.
– Oi. Você voltou. – Bella disse enquanto Renée nos observava.
– Eu disse que voltaria, não é? – Confirmei.
– Sim. Está tudo bem? – Bella especulou. Ela sabia que eu poderia enganá-la com
facilidade.
– Sim. Era Esme querendo saber de você. – Contei e ela creditou.
Fiquei conversando um pouco com Bella esperando que o sono voltasse mas Renée
estava preocupada. Ela achava que Bella não ia dormir por vontade própria e ela estava
ficando cansada.
– Acho que já está na hora de você dormir, mocinha. – Renée disse e eu concordei. Charlie
já havia voltado para o hotel.
Foi uma noite tranquila, Bella adormeceu sem a ajuda dos medicamentos. No dia
seguinte os médicos pareciam mais confiantes e até disseram que Bella teria só mais dois
dias com eles, se ela se comportasse bem e não se agitasse. Carslile havia retornado com
Emmet, Jasper e Alice e nem Bella nem Renée e Charlie notaram que eles haviam saído.
Charlie voltou para Forks no mesmo vôo de Emmet e Jasper, ele ia aproveitar a carona.
Renée até saiu mais me deixando tomando conta de Bella, Alice ficava quase o tempo todo
também, ela ajudava Bella em seus momentos mais íntimos e eu saía para dar privacidade.
Alice agia como Esme, evitava olhar para Bella impedindo a minha visão. Seu hematomas
foram clareando a cada dia.
Na segunda feira à tarde Carslile trouxe a notícia de que Bella teria alta no dia
seguinte pela manhã, mas com a promessa de que ele a acompanharia em Forks. Renée
ficou bem animada e até cogitou a possibilidade de voltar com Bella, apesar da falta que
sentia de Phill.
– Não precisa, mãe. Carslile vai cuidar de mim ... e Edward e Alice também. – Bella disse
dispensando a ajuda de sua mãe. – Você está com saudades de Phill, eu sei. Vá ficar com
ele ... eu ficarei bem.
– Você tem certesa? – Renée perguntou.
– Sim, mãe. Se quizer ir hoje não tem problema, Edward e Alice ficarão aqui comigo. Pode
ir tranquila. – Bella a encorajou.
– Ok, bebê. Eu irei. – Renée concordou. – Obrigado, querida.
Naquela tarde Renée partiu e me deixou cuidando de Bella. Alice nos deu
privacidade e pude ficar a noite toda sozinho com Bella. Li para Bella e cantei para que ela
dormisse. Por volta de nove horas de terça, os médicos deram alta para Bella e seguimos
direto para o aeroporto, seria muito sacrificante para Bella voltar de carro. Comprei três
assentos seguidos para que ela pudesse apoiar sua perna engessada durante a viagem.
– Você está confortável? – Perguntei assim que a coloquei no assento do avião.
– Sim, obrigado. Não precisava tudo isso. Eu podia vir andando mesmo. Todo mundo ficou
olhando. – Bella comentou.
– Não estou nem aí com os outros. – Disse a ela sorrindo.
– Eu sei. – Bella disse e sorriu.
A viagem foi tranquila. Bella ficou com o rosto apoiado em meu peiro e a perna
sobre o assento vazio. Minha família foi nos esperar no aeroporto, até Rosalie estava lá,
mas só cumprimentou Bella. Esme veio correndo e abraçou Bella.
– Como você está querida? – Esme perguntou ansiosa.
– Estou bem, obrigado. – Bella agradeceu. – Obrigado a todos ... por tudo.
– Fico muito feliz que você esteja bem. Fiquei muito preocupada. – Esme disse.
Coloquei Bella no Mercedes de Carslile e partimos. Bella parecia ansiosa.
– Você está bem? Está sentindo dor? – Perguntei afagando seu rosto.
– Não estou com dor. – Bella me disse.
– O que é então? – Perguntei.
– Você ... vai ficar? – Bella me disse.
– Como assim, Bella. O que você quer dizer? – Perguntei confuso.
– Você vai ficar comigo ... hoje? Vai voltar ... à noite? – Ela me perguntou calculando suas
palavras. Bella ainda tinha medo.
– Sim. Eu não prometi que ficaria com você enquanto você me quizesse por perto ... não
prometi? – Disse olhando em seu olhos e ela assentiu. – Então não fique angustiada. Sua
vida vai voltar ao normal ... nossa vida vai voltar ao normal. – Disse e me inclinei para
beijá-la.
– Eu te amo. – Bella me disse, mesmo alí, dentro do carro, mesmo na presença de Carslile
e Esme ela não ficou acanhada.
– Eu também te amo. – Disse e a beijei novamente.
Quando chegamos na casa de Bella seus amigos estavam lá à sua espera, felizes por
ela ter voltado.
Inclusive ... Jacob Black.






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