
14. O Primeiro beijo
Deixar Bella em casa e ir embora era horrível, eu queria poder ficar ou dizer a ela
para vir comigo, mas não podia ... ela nem fazia idéia que eu passava quase todas as noites
em seu quarto, vendo minha linda Bella dormindo. Isso se tornou uma rotina em minha
vida, desde a noite em que ela disse meu nome pela primeira vez, a partir daí eu não queria
mais ficar longe dela. Olhá-la dormir me fazia bem, me fascinava. Foi em uma dessas
noites, depois de salvá-la em Port Angeles que senti um lampejo de minha alma, há muito
adormecida, se modificando. Eu não acreditava que tinha alma, mas naquele dia, em que vi
em minha mente um anjo ... o anjo da guarda de Bella entregando-a aos meus cuidados
como uma recompensa ... nesse dia realmente me dei conta que a amava realmente, não era
uma mera atração física, não era o fascínio pelo perfume de seu sangue, era ela ... completa.
Seus olhos, sua alma, seu cheiro, seu toque suave sobre minha pele gélida e dura.
Imaginava o toque leve de meus dedos em seus lábios, em seus cabelos soltos envolvendo
meus braços enquanto a abraçava e acariciava sua cintura, trazendo seu corpo para perto do
meu ... Meu desejo de tocá-la era quase incontrolável, na verdade eu tinha que lutar contra
esse desejo sempre que estávamos a sós ou bem perto um do outro. Cada vez que ela entra
em meu carro, a minha vontade é de não ir à escola ... a minha vontade é de levá-la a um
lugar onde pudéssemos estar sozinhos e poder tocá-la ... beijar sua boca e trazer seu corpo
para junto do meu. Eu esperava que isso tudo fosse possível, e que talvez no sábado ... isso
pudesse acontecer quando eu a levaria à campina. Um calor percorria meu corpo frio
quando pensava nisso.
Na final da tarde de quinta estávamos há horas conversando dentro do meu carro.
Eu continuava a querer saber tudo sobre ela, ficava feliz por ter esses momentos, em que
ela estava acordada para perceber minha presença, até que um farol iluminou meu carro e
precisei deixa-la. Billie chegou acompanhado de seu filho para uma visita Ele me
reconheceu imediatamente, mas seu filho não ... estava excitado pela expectativa de
encontrar Bella mais uma vez. A paixão adolescente, que tinha abatido os machos da
escola, também caiu sobre o filhote de lobo.
Fui para casa deixar meu carro para voltei correndo para a casa de Bella.
– Carslile! Billie Black anda rondando o Charlie. Ele está sondando, mas não vejo ainda a
intensão de falar nada para ele. Está querendo mesmo é saber se Bella tem consciência
sobre nós. – Na mente de Carslile passou uma leve sombra de preocupação que se dissipou
rapidamente.
– Não vamos nos preocupar ainda. Ficaremos de olho.
– Preciso voltar. Vou ficar na espreita, perto da casa dela ouvindo. Qualquer coisa ligo para
vocês ... ou Alice avisa. – Dei um sorriso para minha irmã que estava na mesma sala
vasculhando o futuro. Nada de significativo acontecia, somente a mesma visão sobre eu e
Bella na campina e saí.
Fui correndo e subi em uma árvore ao lado da casa de Bella ouvindo tudo o que se
passava ... quase tudo. Apenas uma mente era um mistério para mim. Cheguei a tempo de
ver que Charlie e Billy estavam assistindo um jogo na TV, Jacob e Bella estavam na
cozinha. Bella preparava um lanche para eles enquanto via na mente de Jacob que ele
bolava uma forma de continuar um novo assunto. Fiquei ouvindo atentamente.
"Oh. Eu só estava me perguntando porque você não estava dirigindo ela". – Disse Jacob.
"Eu peguei uma carona com um amigo". – Respondeu Bella depois de um tempo, e parecia
meio sem graça.
"Bela carona ...Contudo, eu não reconhecí o motorista. Eu achei que conhecia a maioria das
pessoas daqui. Meu pai pareceu reconhecê-lo de algum lugar" – Ele insistia quando Bella
não dizia nada.
– "Jacob, você poderia pegar alguns pratos? Eles estão no armário em cima da pia." – Bella
tentava fugir do assunto e isso me deixou preocupado. Queria tirá-la de lá. Me dava raiva
ter ela tão perto desse filhote de lobo. Ele sentia atração por ela e via através de seus olhos
que aos poucos ele se aproximava dela.
– "Claro. Então, quem era?" – Ele insistiu.
– "Edward Cullen".
– "Eu estava imaginando porque meu pai estava agindo tão estranho".
– "É mesmo. Ele não gosta dos Cullen".
– "Velho supersticioso" – Disse Jacob, e nessa hora percebi que realmente a criança não
sabia de nada.
– "Você acha que ele vai dizer alguma coisa pra Charlie?" – Bella parecia tensta agora. Era
visível através dos olhos de Jacob, e ele percebeu isso.
– "Eu duvido. Eu acho que Charlie já deu uma bela lição nele da última vez. Eles não se
falaram muito desde então ... hoje é uma espécie de reunião, eu acho. Eu não acho que ele
vai falar nisso de novo". – Isso era novidade e Carslile precisava saber.
Peguei meu celular e disquei para Carslile. Assim que ele atendeu eu contei tudo.
Ele pareceu bem tranquilo ... como sempre nada abalava Carslile.
– Estão está tudo sobre controle. Se Billy ainda não falou nada, não falará. Afinal como ele
explicaria tudo? Contaria sobre a matilha de La Push? Isso é improvável. Fique tranquilo
agora ... e ... boa noite. – Ele disse ao desligar rindo ao ouvir as gargalhadas de Emmet ao
fundo. Emmet ainda me achava um lunático por persistir com essa relação com Bella. Por
ele, ela já estaria transformada e morando conosco. Para Emmet era tudo muito prático.
Continuei a observar toda a noite deles. Billy às vezes lançava indiretas para Bella
ou olhava pelo canto do olho.
– "Volte para o próximo jogo”, Charlie disse para Billy.
– "Claro, claro ... Estaremos aqui. Tenha uma boa noite.” Billie disse , mas depois se virou
olhando diretamente para Bella: “Se cuide, Bella”, mas na verdade em sua mente gritava
um aviso “Ele é um vampiro menina ... será que você ainda não percebeu que tem algo de
errado com ele e aquela família de sanguessugas?” – Isso me irritou.
– "Obrigada" – Ela disse virando o rosto já corando.
Fiquei deitado sobre um galho de um grande Abeto mais tranquilo e relaxado depois
que os visitantes foram embora, mas ainda ouvindo até poder me esgueirar pela janela de
Bella.
– "Umm, Mike Newton" – O que o desagradável Mike Newton estava fazendo nessa
conversa? Resolvi prestar mais atenção.
"Ah, é ... você já tinha dito que era amiga dele ... Boa família. Porque você não convidou
ele pro baile esse fim de semana?" – Para Charlie, Mike Newton seria um bom rapaz para
Bella, mas não queria saber, na verdade, dessas coisas de namorado. Bella ainda era muito
nova para essas coisas, pela concepção dele. Mas sabia que não apenas um “rapaz”, mas um
vampiro estava completamente apaixonado pela sua filha. Que faria qualquer coisa por ela,
que a protegeria e a amaria por toda a eternidade. Que esse vampiro tinha sido modificado
por esse amor. Mas essa era uma boa oportunidade de observar as reações de Bella em
relação ao Mike, sem estar na escola, na frente dos amigos.
– "Pai!... Ele está meio que namorando com a minha amiga Jéssica. Além do mais, você
sabe que eu não sei dançar". – Ela cortou o pensamento de Charlie em uma só frase, e na
mente dele uma onda de alívio passou.
Fiquei esperando por mais 1 hora até que os dois estivessem dormindo. Me
esgueirei pela janela de Bella e me sentei na cadeira de balanço observando a noite toda o
vai e vem de seu peito enquanto respirava. Em alguns momentos seu sono se agitava e eu
me aproximava a cada gemido dela. Quando estava bem perto, sentado ao lado de sua cama
começei a cantarolar a cantiga de ninar que compuz para ela ... ela sorriu e disse meu nome.
“Edward ...” e falou mais “Eu Te Amo ...”. Meu corpo parecia não ser suficiente quando a
ouvia falar meu nome. A felicidade era imensa. Percorri seu rosto com minha mão pairando
há alguns centímetros sobre ela. Sua boca se abriu quando meus dedos estavam sobre ele e
disse mais uma vez que me amava. Lutei contra a vontade de beijá-la, de sentir seus lábios
nos meus. Sabia que seria uma loucura, mas queria essa loucura. Ela suspirou e a sede
queimou em minha garganta. Já tinha mais de 1 semana que não caçava, e como ficaríamos
juntos no sábado precisava caçar. Liguei para Alice ... é claro que ela já sabia de tudo, mas
mesmo assim combinei com ela de sair amanhã, na hora do almoço.
Já estava amanhecendo quando tive que sair. Cheguei bem perto de sua testa e beijei
o vazio antes de seguir para casa. Subi como um foguete para meu quarto para mudar de
roupa e peguei meu carro. Não falei com ninguém. Todos já haviam saído. Esme foi ver
uma casa para reformar, Carslile já havia ido para o hospital e os outros foram no carro de
Rosalie para a escola.
Cheguei cedo na rua paralela a casa de Bella e fiquei aguardando até ouvir o som da
viatura de Charlie partir para que eu estivesse esperando lá ... por ela. Assim que ela saiu,
menos de 3 minutos depois de Charlie ... estava linda. Seus olhos brilhavam e ela sorria em
resposta ao meu sorriso. Era como se raios de sol pairassem sobre ela que estava radiante.
Abri a porta do carona para que ela entrasse.
– Você dormiu bem? – Antes que ela pudesse responder já estava ao volante.
– Bem. Como foi sua noite?
– Prazeirosa. – “Realmente foi uma das melhores noites da minha vida, principalmente por
estar à seu lado”. Era isso que eu queria dizer a ela, enquanto olhava em seus olhos.
– Será que eu posso perguntar o que você fez? – Ela desviou o rosto perguntando.
– Não ... Hoje ainda é meu dia.
Fomos juntos para a escola, deixei-a na porta da sua sala e a observei pelos olhos de
todos que cruzavam com ela até a hora do almoço, quando a busquei na aula de inglês.
Meus professores notavam algo diferente em mim, mas não diziam nada, só pensavam ...
“Edward Cullen está muito disperso ... não respondeu nenhuma das perguntas dirigidas á
classe ... o que está acontecendo com esse rapaz?”, pensava o professor de inglês no
segundo tempo. Em todos os momentos que estávamos juntos eu queria saber mais sobre
ela ... sobre sua família, amigos. Bella falava tudo com a maior sinceridade possível, ela se
sentia muito à vontade comigo. Apenas alguns assuntos a fazia corar.
– Então você nunca encontrou ninguém que você quisesse? – Isso era o único assunto que
me incomodava. Imaginar outro em sua boca ... outro tocando seu corpo. Isso me dava
muita raiva, mas precisava manter o tom sereno para ela.
– Não em Phoenix. – Ela estava tão envolvida quanto eu e suas palavras ao mesmo tempo
me fazia o mais feliz dos homens e o mais triste, por saber que para que esse amor
impossível pudesse prevalecer só havia uma saída ... sua transformação, e isso não era uma
coisa que eu queria para ela ... para mim, mas não era justo.
Seguimos juntos para o refeitório onde comprei seu almoço. Sentamos na nossa
mesa de sempre. Continuei com meu “interrogatório” enquanto ela comia ... e eu a
observava.
“Edward ... está na hora. Você vai querer ir ou não?” Falava Alice em sua mente.
– Eu devia ter deixado você vir sozinha hoje.
– Porque? – Ela pareceu surpresa.
– Eu vou embora com Alice depois do almoço.
– Oh ... Está tudo bem. Não é uma caminhada muito longa daqui até em casa. – Ela
realmente achou que eu faria isso com ela? Francamente ... deixar Bella andando pela
estrada do jeito que ela era desastrada? Seria o mesmo que ir de carro e jogá-la pela porta a
fora! Realmente ela não estava acostumada em ser mimada ... em ser cuidada. Ela sempre
se preocupava com o outro, e nunca com ela mesma.
– Eu não vou fazer você andar até sua casa. Nós vamos pegar a sua caminhonete e deixá-la
aqui pra você.
– Eu não trouxe as minhas chaves ... Eu realmente não me importo de ir andando. – Isso era
um desafio?
– Sua caminhonete estará aqui, e a chave estará na ignição ... a não ser que você tenha
medo que alguém vá roubá-la. – Sorri para ela.
– Tudo bem. – Mas sua testa franziu, mudando de assunto. –Então pra onde vocês vão?
– Caçar ... Se eu vou estar sozinho com você amanhã, eu vou tomar todas as precauções
que puder ...Você ainda pode cancelar, sabe. – A opção ainda era dela, eu precisava dar isso
a ela, mesmo não querendo que ela desmarcasse. Sofria só com essa possibilidade.
– Não ... Eu não posso.
– Talvez você esteja certa.
Bella realmente estava tão envolvida quanto eu ... da mesma forma que eu
simplesmente não conseguia me afastar dela sem sentir a dor da separação em meus ossos,
ela parecia sentir o mesmo, mas talvez não com tanta intensidade. Éramos como um
complemento. Eu sentia que não tinha opção. Simplesmente não poderia imaginar minha
não-vida sem ela.
– Que horas eu te vejo amanhã? – ela me perguntou quando um vinco surgiu em sua testa,
seus olhos brilharam e seu coração palpitou irregularmente.
– Isso depende...é Sábado, você não quer dormir até tarde?
– Não. – Ela foi taxativa.
– A mesma hora de sempre, então. ... Charlie vai estar em casa? – Queria ter algo para me
agarrar. O dia de amanhã seria algo novo. Estava disposto a me abrir realmente para ela,
mostrar como eu era no sol, e torcer para que ela me aceitasse. E se ela me aceitasse? E se
não aceitasse?
– Não, ele vai pescar amanhã.
– E se você não voltar pra casa, o que é que ele vai pensar? – Será que eu a traria de volta
se ela me aceitasse por completo depois de amanhã ou seguiria o conselho de Emmet e a
levaria direto para minha casa? Será que seria forte o bastante para me conter com ela tão
perto, em um lugar ermo, longe de tudo, sem testemunhas?
– Eu não tenho idéia ... Ele sabe que eu estava querendo lavar as roupas. Talvez ele ache
que eu caí dentro da máquina. – Ela brincou com essa idéia e nós ficamos nos encarando.
– O que você vai caçar hoje? – Ela demonstrava uma curiosidade nova agora.
– Qualquer coisa que encontrarmos no parque. Nós não vamos muito longe.
– Porque você está indo com Alice?
– Alice é a mais...encorajadora.
– E os outros? ...O que eles são?
– Incrédulos, em grande parte.
– Eles não gostam de mim.
– Não é isso ... Eles só não entendem porque eu não consigo te deixar sozinha.
– Eu também não, por falar nisso.
– Eu já disse ... você não se vê com muita clareza. Você não é como ninguém que já tenha
conhecido. Você me fascina. – Disse olhando no fundo de seus olhos de chocolate. SentiaComunidade
me bem ao falar de meus sentimentos para ela. Queria dizer mais ... – Tendo as vantagens
que eu tenho ... Eu tenho uma compreensão melhor da mente humana. As pessoas são
previsíveis. Mas você... você nunca faz o que eu espero. Você sempre me pega de surpresa,
essa parte é fácil de explicar ... Mas tem mais... e isso não é fácil de explicar com palavras...
Eu estava com a cabeça baixa e quando resolvi abrir meus sentimentos para ela
levantei e vi que ela tinha os olhos fixos em Rosalie que tinha os piores pensamentos em
relação à Bella. Gruni para ela que virou para me olhar, com o mesmo olhar de ódio.
Rosalie realmente não aprovava minha relação com Bella, tinha ódio por Bella ser humana
e não ela, pode Bella ter despertado em mim algo que nunca tive em relação a ela, mesmo
antes de Emmet.
– Eu sinto muito sobre isso. Ela só está preocupada. Entenda... não é perigoso apenas pra
mim se, depois de passar tanto tempo publicamente perto de você ... – Olhei novamente
para baixo ... não conseguia pensar nessa possibilidade.
– Se? – Ela me perguntou, e como sempre, não conseguia negar isso a ela. Seria, na
verdade, um alerta, para que ela tivesse a alternativa, que ela pudesse escolher o que fazer.
– Se isso acabar... mal. – Isso foi muito difícil de dizer e imaginar. Minhas mãos
encontraram meu rosto para acabar com essa imagem que me machucava.
– E você tem que ir agora? – ela parecia tão triste quanto eu. Na verdade era, para Bella,
nossa primeira separação mais longa, para mim também, depois do dia da minha revelação.
– Sim. Provavelmente é o melhor a fazer. Nós ainda temos quinze minutos daquele filme
inacabado de Biologia ... eu não acho que poderia aguentar mais. – O desejo e a fome me
tomavam quando eu estava perto dela. Agora precisava me alimentar com mais frequência
que antes. 2 semanas entre as viagens de caça não era suficiente, eu consumia o sangue
animal mais rapidamente. Estávamos nos olhando nos olhos até que ouvi Alice vindo
animadamente para irmos embora e para que eu finalmente as apresentassem oficialmente.
“Viva ..Agora você vai ter que apresentar a Bella! Viva ...” – Alice.
– Edward.
– Alice, Bella ...Bella, Alice. – Fiz as apresentações formais sorrindo da citação por causa
dos pensamentos de minha irmã mais nova.
– Olá,Bella. – Alice estava feliz demais, esperava por esse dia. – É bom finalmente te
conhecer. – Ela disse para Bella mas na verdade me repreendia por esperar tanto.
– Oi, Alice. – Bella respondeu meio sem graça.
– Você está pronto?
– Quase. Eu te encontro no carro. – Despachei Alice para me despedir de Bella, queria mais
privacidade, o máximo que o refeitório poderia nos dar.
– Eu devo dizer 'divirta-se' eu seria o sentimento errado?
– Não. “divirta-se” funciona tão bem quanto qualquer outra palavra. – Nada do que ela me
dissesse me faria sentir melhor. Eu sabia que precisava ir ... mas não queria. Sorri para ela.
– Divirta-se, então.
– Eu vou tentar ... E você tente se manter em segurança, por favor.
– Ficar segura em Forks- que desafio.
– Pra você isso é um desafio. – Pensar em tudo o que poderia acontecer com ela ... um
resfriado, cair (como aconteceu na floresta no dia seguinte a sua ida a La Push com os
amigos), ser atropelada (o que impedi há algum tempo atrás), bater com o carro ... eram
inúmeras as alernativas. – Prometa.
– Eu prometo tentar ficar em segurança ... Eu vou lavar roupa hoje á noite ... isso não deve
oferecer nenhum perigo.
– Não caia. – Brinquei com a situação para aliviar o clima.
– Eu farei meu melhor. – Ela disse olhando para baixo, com o rosto triste. Levantei para me
despedir e ir embora.
– Te vejo amanhã. – Ela disse suspirando.
– Parece tempo demais pra você, não parece? – Perguntei, mas na verdade era uma
afirmação dos meus sentimentos ... Era para mim ... Ela assentiu com os olhos suplicantes.
– Eu estarei lá pela manhã. – Disse a ela, tranquilizando-a.
Me despedi e como se não pudesse evitar estendi meu braço sobre a mesa e toquei
seu rosto, como enxugando uma lágrima. Tocar sua pele quente e macia era algo
inacreditavelmente prazeiroso. Hoje era um fogo que queimava em minha garganta e
percorria meu corpo como uma labareda. Obriguei minha mão a retornar ... me virei
abruptamente e parti para o estacionamente sem olhar para trás. Se eu visse seu rosto ... eu
voltaria com certesa ... não resistiria. Eu estava fraco, não confiava no meu auto-controle
para ser suficiente.
Quando cheguei ao carro, Alice já tinha entrado e estava ouvindo música. Claro que
ela já sabia o que íamos fazer mas isso não me ajudou muito. Quando chegamos na casa de
Bella Alice começou a rir.
– E ai? Onde estão as chaves da picape?
– Ei ... contava contigo nisso.
– Nem pensar, se vou ter que ficar um tempo longe de Jasper tem que valer a pena ... Que
tal cronometrarmos quanto tempo você levará para achar as chaves?
– Alice ... você não quer voltar logo? Pra que atrasar? Vai ... fala logo. – foi o bastante para
sua mente dar pra trás. Vi a visão que ela tinha tido no começo da semana, e ela mantinha
guardada em um canto de sua mente.
Fui direto para a lavanderia da casa de Bella mas não encontrei nada. “Mas eu vi na
mente de Alice! Onde estão as chaves?” Pensei comigo mesmo quando ouvi as risadas de
Alice, já na caminhonete. Através de seus olhos vi a chave girando em seus dedos enquanto
ela ria sem parar. Alice era a única, da família, que conseguia, às vezes, me surpreender.
Voltei correndo para o carro e seguimos para a escola. Alice estacionou a picape de Bella
onde meu carro estava anteriormente. Deixei um bilhete sobre o banco da picape “Fique
Segura”, beijei a folha e voltei para meu carro. Me concentrei por um momento para
localizá-la através dos pensamentos dos amigos de Bella, na intensão de vê-la mais uma
vez. Achei seu rosto através da mente de Mike Newton, ele a questionava sobre Seattle ...
quando soube que ela não iria mais senti seu coração acelerar mas recuar como seus
pensamentos ...
"Você vai pro baile com Cullen?"
"Não, eu não vou ao baile". – Vi Bella respondendo e a mente de Mike voar com as idéias
que passavam pela cabeça dele. “Será que ele a dispensou ou ela o dispensou ... será que
devo convidá-la de novo?” Ele pensava.
"O que você vai fazer, então?"
"Lavar roupa, depois eu tenho que estudar para o teste de Trigonometria se não eu vou
reprovar".
"Cullen vai te ajudar a estudar?"
“Edward ... não vai me ajudar a estudar. Ele vai viajar pra algum lugar durante fim de
semana" – Bella disse mentindo. Mas porque ela mentiria? Por que não dispensou logo esse
intrometido do Mike dizendo que estaria comigo? Seria bom, assim ele perderia todas as
esperanças de uma vez.
– Vamos Edward ... quero voltar ainda hoje. – Alice me apressava.
"Oh ... Você poderia vir para o baile com o nosso grupo ... vai ser legal. Nós todos
dançaremos com você"– Ele dizia mas na sua mente já se via dançando só com ela. Pensava
nas diversas formas de dispensar Jessica sem trauma.
"Eu não vou para o baile, Mike, tá bem?" – Bella parecia irritada. Sua testa enrugou
enquanto falava com ele.
"Tá ... Eu só estava oferecendo". – Ele disse desistindo.
– Se você queria ficar vigiando os passos de Bella o dia todo devia ter dito a ela que
sairíamos só depois da escola ... e eu poderia ficar com Jasper! – Alice disse irritada.
– Ok ... ok ... vamos nessa.
Caçamos a tarde toda e á noite já estávamos de volta. Alice saltou do carro antes de
eu estacionar na garagem e voou para os braços de Jasper que a esperava. Já estava tarde
então subi, tomei um banho, mudei de roupa e fui para a casa de Bella. Meus irmãos nem
reclamavam mais. Via em suas mentes paravras como “Lunático”, “Maluco”, “Idiota” ... as
mais ofencivas vinham sempre do lado de Rosalie.
– E aí Ed? Vai trazer Bella pra casa amanhã? Vai ser divertido ter ela por aqui. – Disse
Emmet provocando Rosalie. Eu nem respondi.
– Vou para a casa de Bella. – Disse para Esme ao sair. Minha mãe estava sempre sorrindo
para mim, ela ficava radiante cada vez que tocava no nome de Bella.
– Vai meu filho. Mas cuidado, ok?
Corri para sua casa ... ao chegar perto ouvi uma música suave. Bella estava ouvindo
música clássica enquanto dormia. Entrei em seu quarto e o aroma de seu perfume me
envolveu ... inspirei e senti minha garganta arder, mas dessa vez era como um sinal de boas
vindas. Olhei Bella dormindo e notei que ela parecia bem tranquila, na verdade estava mais
linda ... seus cabelos, sempre emaranhados, hoje estavam mais lisos, ela sorriu quando me
aproximei mais. Me ajoelhei ao lado de sua cama e pairei meus dedos por seu rosto, há
apenas alguns centímetros de distância. Ela susurrou meu nome e sorriu mais uma vez ...
“Edward”, isso me fazia muito feliz ... eu estava sempre em seus sonhos. Queria poder
dormir também e ter o prazer de sonhar com ela, em me mudar para um mundo em que
fôssemos iguais ... da mesma espécie, e que pudéssemos desfrutar de uma vida a dois, ter
um futuro único. Durante todas as noites em que eu vinha aqui, não havia uma em que ela
não dissesse meu nome ... claro que outros nomes apareciam, como o de sua mãe, mas era
pouco frequente. “Você ... é tão lindo ...” Ela sussurou de novo e sorriu. Ela estava tendo
sonhos felizes. Me afastei e sentei na cadeira de balanço observando seu sonho a noite toda,
observando seu quarto como sempre fazia. Tocava em seu objetos e conhecia mais sobre
seus gostos literários, por exemplo. Vi sobre a cadeira em frente ao computador a roupa,
que imaginei, que ela havia separado para amanhã. As horas voavam quando eu estava ao
seu lado, e logo a manhã chegou e tive que partir. Coloquei uma roupa qualquer de meu
closet, mas ao olhar no espelho percebi que inconscientemente estava com uma roupa
parecida com a que vi sobre a cadeira no quarto de Bella. Isso foi engraçado. Ri e
imediatamente Alice apareceu no meu quarto perguntando qual era a piada. Desconversei e
parti correndo para casa de Bella.
Fiquei à espreita na floresta perto de sua casa esperando o momento certo de ir.
Charlie saiu para sua pescaria enquanto Bella corria para cozinha. Vi quando ela olhou pela
janela duas vezes. Normalmente era mais fácil vigiar alguém, mas com Bella era diferente,
tinha que ouvir o som dos objetos, de seu coração e deduzir o que ela estava fazendo ou
sentindo. Quando ouvi o som vindo do banheiro, a torneira se fechando resolvi que era hora
de bater em sua porta. Bella desceu correndo as escadas, e abriu a porta com uma certa
dificuldade.
– Bom dia. – Disse rindo quando olhei para ela que estava vestida como eu.
– Qual é o problema? – Ela olhou para si mesma como conferindo seu traje.
– Estamos combinando. – Sorrimos e ela comparou nossas roupas. Fiz um sinal para
saírmos e esperei do lado do passageiro meio mau humorado.
– Nós temos um acordo. – ela disse enquanto entrava do lado do motorista. – Pra onde?
– Ponha o seu cinto de segurança ... eu já estou nervoso.
– Pra onde?
– Pegue a estrada um-zero-um para o norte.
Eu não resistia a tirar os olhos dela por todo caminho, ela estava linda, mas parecia
nervosa. Olhava a todo minuto pelo canto do olho e seu coração acelerava.
– Você estava planejando voltar á Forks antes do anoitecer? – Ela dirigia longe do limite
máximo da picape, que como era velha, mal chegava aos 80km/h.
– Esta velha caminhonete é velha o suficiente pra ser a avó do seu carro ... tenha algum
respeito. – Falar do carro dela era como mexer num ponto fraco.
– Vire á direita na um-dez ... Agora nós vamos até onde o asfalto termina. – Fui instruindo
o caminho feliz por estar com ela.
– E onde é que dá, quando o asfalto acaba? – Ela pareceu preocupada.
– Numa trilha. – Disse rindo.
– Nós vamos fazer uma caminhada? – Isso a surpreendeu. Sua testa vincou e ela suou um
pouco. Isso era sinal de medo?
– Isso é um problema?
– Não.
– Não se preocupe. São só uns cinco quilometros, e nós não estamos com pressa. – Fiquei
olhando sua reação modificando a cada segundo e isso me deixava curioso. – O que você
está pensando?
– Só imaginando pra onde estamos indo.
– É um lugar pra onde eu gosto de ir quando o clima está bom. – Olhamos para as nuvens
finas. Tinha a garantina de Alice que estaria ensolarado na campina.
– Charlie disse que hoje estaria morno.
– E você contou ao Charlie o que ia fazer? – Queria mais alguma coisa em que me agarrar.
Emmet instigou meus desejos antes de sair de casa. Seria muito bom ter ela sempre comigo,
mas sabia que isso era errado, muito perigoso tê-la perto de tantos vampiros,
principalmente Jasper.
– Não.
– Mas Jéssica acha que vamos pra Seattle juntos?
– Não, eu disse pra ela que havíamos cancelado ... o que é verdade.
– Ninguém sabe que você está comigo? – Ela era louca? Não tinha um mínimo de senso de
preservação? Ela havia esquecido o que eu era? Tudo o que já conversamos? A primeira
vez que nos vimos?
– Isso depende... eu acredito que você tenha contado pra Alice.
– Isso ajuda muito, Bella. – Disse irritado e confuso – Forks te deixa tão deprimida que
agora você virou suicída?
–Você disse que podia te causar problemas...nós sendo vistos juntos publicamente.
– Então você está preocupada com o que pode acontecer comigo se você não voltar ... pra
casa? – Disse debochando dela ... só podia ser mais uma piada de humor negro de Bella.
Ela assentiu e eu tive a confirmação de que ela realmente não era uma pessoa normal.
“Está mais complicado do que eu imaginava.” Pensei comigo mesmo.
Seguimos em silêncio até o final da estrada. Ela não falava nada ... só dirigia,
parecia preocupada. Saímos da picape em silêncio e vi que ela tirava o sweter, fiz o mesmo.
Ela estava com uma blusinha leve que mostrava o contorno de seu corpo ... sua clavícula
exposta .. seus braços pálidos. Fiquei a observando de longe deslumbrado pela imagem
dela alí ... comigo. Era a primeira vez que estávamos juntos ao ar livre.
– Por aqui. – Disse indicando por onde iríamos. O único caminho era pela floresta, não
havia passagens através de trilha, esse era o motivo da campina ser perfeita. Lá eu podia
deitar e sentir o sol sobre meu corpo frio.
– A trilha? – Ela apontava como se fosse possível que eu estivesse errando o caminho.
– Eu disse que havia uma trilha no fim do caminho, não que íamos usá-la.
– Sem trilha? – Suas sombrancelhas se elevaram e seus olhos se arregalaram.
– Você não vai se perder. – Disse sorrindo para ela. Nunca deixaria nada de mal acontecêla.
Ela olhava para mim com os olhos brilhando. Não entendia sua reação ... era medo, ela
estava desistindo, estava arrependida? – Você que voltar pra casa? – A escolha era sempre
dela.
– Não. – Ela me disse vindo ao meu encontro.
– Qual é o problema?
– Eu não sou muito boa em caminhadas ... Você vai ter que ser paciente.
– Eu posso ser paciente ... se eu fizer um grande esforço. – Sorri para ela, tentando
tranquilizá-la. As reações de Bella nunca eram as que eu esperava. Uma humana normal
contava para pelo menos uma amiga suas confidências, Bella não. –Eu vou te levar pra
casa. – Prometi.
– Se você quer que eu ande cinco quilômetros dentro da floresta antes que o sol se ponha, é
melhor você começar a mostrar o caminho. – Não entendi sua reação. Ela não queria que eu
a levasse para casa?
A guiei pela floresta, sempre ajudando quando era preciso, e isso era frequente. Em
alguns momentos ela parecia irritada, outros deslumbrada. Olhávamos com frequência um
para o outro. Na verdade eu observava cada movimento que ela fazia ... o suor que surgia às
vezes em sua testa e ela o secava. Tinha vontade de eu mesmo a levar nos braços ... nas
minhas costas voando pela floresta só pelo prazer de sentir o vento em nossos rostos. Ela
parecia ansiosa em alguns momentos, em outros impaciente. Eu queria muito chegar à
clareira, mas ao mesmo tempo tinha medo de sua reação.
– Já chegamos?
– Quase. – Sorri vendo sua testa vincar. –Você vê a claridade alí na frente?
– Umm, eu devia?
– Talvez seja cedo demais pra os seus olhos. – Disse sorrindo. Ela ficava linda quando
estava impaciente.
– Hora de visitar o oculista. – Ela brincou e eu sorri mais.
Quando Bella avistou a campina ao longe acelerou o passo e seus olhos brilharam
ao olhar para mim antes de entrar clareira a dentro. Eu fiquei abaixo das copas das árvores
observando o sol beijando seu corpo. Bella olhava para as flores, para o céu azul e parecia
muito feliz. Ela girava o corpo sentindo o sol quente. Seus olhos estavam fechados e seu
rosto virado para cima. Ela estava feliz por estar aqui ... e eu estava feliz por ela estar feliz.
Ela se virou de repente me procurando e quando me achou sorriu. Eu não sabia exatamente
o que fazer ... como sair daqui e me revelar para ela?
Bella deu um passo em minha direção, estendendo a mão para mim ... me
convidando a estar com ela ... deu outro passo quando eu não me movimentei. Eu levantei a
mão indicando para que ela parasse. O próximo passo seria o meu.
Fechei meus olhos e me permiti um passo ... quando senti o sol lambendo meu
rosto, meus braços e meu peito nú esposto pela camisa entre aberta, abri os olhos e olhei
para ela. Bella sorria deslumbrada para mim. Dei mais um passo em sua direção,
calculando bem os movimentos, observando suas reações. Eu queria poder correr ao seu
encontro, segurá-la em meus braços e girarmos juntos à luz do sol ... queria poder beijá-la
por saber, agora, todo o mistério de minha vida. Dei mais um passo e ela deu outro. Quando
nos encontramos eu toquei de leve seu rosto, hoje mais quente e mais corado pela
caminhada. Os pontos vermelhos de sangue em suas bochechas à deixava mais linda. Raios
de luz saídas da minha pele brilhavam sobre suas roupas.
– Você é lindo ... – Ela disse sorrindo para mim. Suas mãos tremiam levemente ao seu lado.
– Você está nervosa? ... Preocupada? – Perguntei por que simplesmente era um mistério
essa reação. Ela balançou a cabeça minimamente negando e sorriu. – Estou muito feliz por
você estar aqui. – Disse tocando seu cabelo. –Este é um lugar onde gosto de vir quando está
o sol. Aqui é um lugar bom para pensar porque está bem longe de tudo. As vozes não me
alcançam aqui.
– Estou feliz de estar aqui com você. Obrigado por confiar em mim. – Ela disse ainda
sorrindo, sem tirar os olhos de mim.
– Eu confio em você ... confio a minha vida a você ... se é que estou vivo. – Sorri mais uma
vez para ela.
Eu estava tão feliz hoje como nunca estive, tirando o dia em que ouvi meu nome na
boca de Bella em seu quarto. Sentamos no meio da campina e ficamos nos olhando por
muito tempo. Deitei e senti meu corpo se aquecendo um pouco à luz do sol com meus olhos
fechados ... cantarolei a música que fiz para Bella como se estivesse em um sonho. Ela
estava à minha frente sentada me olhando sem desviar por nenhum segundo. A campina
parecia ter sumido, era como se eu estivesse flutuando por meio às nuvens. Para mim
aquilo era o paraíso, até que ... Bella tocou minha mão e seu toque quente me fez mais feliz.
Olhei para ela e sorri.
– Eu não te assusto?
– Não mais que o normal. – Então eu a assustava de alguma forma, mas isso não a
incomodava.
Ela se aproximou mais de mim e começou a tocar em toda a extensão de meu braço
com suas mãos quente e macias. Seu toque me trazia um êxtase de prazer. Imaginava seu
toque em todo meu corpo.
– Você se incomoda?
– Não ... Você não pode imaginar o que isso me faz sentir. – Eu suspirei.
Bella se aproximou mais, e sem deixar de tocar meu braço, pegou minha mão. Eu
girei minha mão e senti ela congelar. Percebi que tinha sido rápido demais para ela.
– Me desculpe ... É fácil demais ser eu mesmo quando eu estou com você. – Disse fechando
novamente meus olhos enquanto sentia mais do calor de seu corpo tocando no meu. Era
uma sensação maravilhosa. “Uhmmmm”.
Ela levou minha mão para próximo de seu rosto, observando e pensando. Ela não
falava muito e isso me deixava muito curioso. Até que ponto ela estava desfrutando desse
momento?
– Me diga o que você está pensando ... Ainda é estranho pra mim, não saber.
– Sabe, o resto de nós se sente assim o tempo inteiro.
– É uma vida injusta ... Mas você ainda não me disse.
– Eu estava desejando saber o que você estava pensando... – Mas havia algo mais.
– E...?
– Eu estava desejando poder acreditar que você é real. E eu estava desejando não ter medo.
– Eu não quero que você sinta medo. – “Quero que você se sinta bem comigo, segura, feliz
e amada ... Eu Te Amo mais que tudo nesse mundo” Eu pensava e queria poder dizer. Será
que não era cedo demais para ela saber tudo o que eu sentia?
– Bem, não é exatamente desse medo que eu estou falando, apesar de que isso realmente é
algo em que eu devia estar pensando.
Queria saber mais ... saber tudo o que ela sentia... Sentei, rapidamente outra vez,
ainda com minha mão tocando na sua. Bella se assustou um pouco e se afastou um
centímetro. Mas uma vez não controlei minha velocidade. Cheguei bem perto ... podia
sentir seu coração batendo mais forte, seu perfume mais intenso. Olhava fundo nos seus
olhos desvendando seus segredos e desejos.
– Do que você está com medo, então? – Disse bem perto dela.
Acho que foi o mais perto que nos permitimos ... pelo menos com ela acordada.
Bella não respondeu ... seus olhos estavam fixos. Senti ela inspirar e sua boca se afastar ao
chegar mais perto. Éramos os dois como um ímãs. Da mesma forma em que seu cheiro me
hipnotizava o meu tinha o mesmo efeito sobre ela. Essa pequena distância fez minha
garganta arder mais do que nunca e um alerta ecoou em minha mente. Eu estava perto
demais ... ela estava perto demais. Estava perdendo o foco. Perdendo o controle das minhas
reações. Toda uma onda de dúvidas pairavam sobre minha mente. Pensava em muitas
coisas ao mesmo tempo. Via a visão de Alice em minha mente, todas ao mesmo tempo.
O que aconteceria se nossos lábios se encontrassem? Ela gostaria? Esses eram
sentimentos de um vampiro ou do humano há muito adormecido dentro de mim?
Eu resistiria ao seu perfume invadindo meu corpo de uma forma mais intensa, sem a
mistura com todo o ambiente? Seria somente eu e ela ...
Eu sabia do poder hipnotizador que minha espécie fazia sobre os humanos e eu não
queria isso com ela. Se ela me quizesse realmente seria por sua escolha e não uma reação
ao que minha espécie proporcionava a qualquer humano. Eu precisava me afastar e respirar
um ar mais puro, sem o cheiro intenso de seu perfume, sem seu toque quente em minha
mão ... eu precisava poder pensar ... e foi o que eu fiz.
Me afastei dela para a sombra de uma árvore olhando fixamente sua reação e
acalmando meu corpo e meus pensamentos. Vi Bella tremendo de susto pela minha reação
repentina.
– Me...desculpe...Edward. – “Não foi culpa sua meu amor ... sou eu ...” Queria dizer.
– Me dê um momento. – Eu respirei fundo e me aproximei, sentando mais distante dela. –
Eu sinto muito ... Você entenderia se eu dissesse que sou apenas humano? – Ela assentiu
sem sorrir da minha piadinha. – Eu sou o melhor predador do mundo, não sou? Tudo em
mim é convidativo pra você ... minha voz, meu rosto e até meu cheiro. Como se eu
precisasse disso!
Resolvi mostrar tudo o que eu poderia fazer se ela fosse minha preza, que ela não
resistiria se eu assim quizesse. Era também era uma forma de me distrair dos pensamentos
que rondavam minha mente. Seguindo de outros movimentos rápidos sempre sorrindo ...
me divertindo.
– Como se você pudesse fugir de mim – Fiquei de pé e dei uma volta em torno da clareira
em menos de meio segundo ... Arranquei uma árvore e joguei longe na floresta. – Como se
você pudesse me vencer! – Parei a sua frente de repente.
Quando olhei fixo nos olhos fixos de Bella o medo estava lá. Ela parecia congelada
e por seu rosto passavam emoções diferentes ... sua testa estava vincada, seu olhos
desfocados, sua boca meio aberta e trêmula.
– Não tenha medo ... Eu prometo ...Eu juro que não vou te machucar ... Não tenha medo! –
Eu me aproximei mais dela lentamente até que eu estava na mesma posição antes desse
exibicionismo louco que me tomou. –Por favor me perdoe ... Eu posso me controlar. Você
me pegou de surpresa. Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora. – Eu
precisava explicar. – Eu não estou com sede hoje, honestamente. – Brinque para descontrair
e ela sorriu.
–Você está bem? – Perguntei colocando minha mão onde não deveria ter saído, na dela.
Seu toque macio me felz feliz novamente. Eu estava muito arrependido do meu
comportamento. Olhei fundo em seus olhos para ver se ela me perdoaria, e acho que ela me
perdoou quando voltou a tocar minha mão com as pontas de seus dedos macios. – Então
onde é que nós estavamos, antes de eu me comportar tão rudemente? – Me desculpando
formalmente.
– Eu honestamente não me lembro.
– Nós estávamos falando sobre porque você estava com medo, sem contar as razões óbvias.
– Ah certo.
– Então? – Ela não parecia querer falar. Continuou tocando minha mão e pensando. Isso era
muito complicado para mim ... não saber era muito novo. – Como eu fico frustrado
facilmente ..
– Eu estava com medo...porque, bem, por razões óbvias, eu não posso ficar com você. E eu
tenho medo de querer ficar com você, mais até do que eu devia. – Ela disse olhando para
baixo.
– Sim ... Isso é algo pra se temer, realmente. Querer ficar comigo. Esse realmente não é o
seu melhor interesse. – Ela pareceu não gostar do meu comentário. – Eu já devia ter ido
embora a muito tempo ... Eu devia ir embora agora. Mas eu não sei se consigo. – Me afastar
dela por qualquer espaço de tempo me fazia sofrer, era uma dor física que eu não havia
sentido antes de conhecê-la. Eu amava tanto essa humana frágil e não conseguia mais ficar
longe dela.
– Eu não quero que você vá embora. – Ela disse num tom triste e suplicante olhando
novamente para mim.
– E é exatamente por isso que eu devia ir. Mas não se preocupe. Eu sou uma pessoa
essencialmente egoísta. Eu necessito demais da sua companhia para fazer o que eu devia.
– Eu fico alegre.
– Não fique! Não é apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca se esqueça disso.
Nunca se esqueça de que eu sou muito mais perigoso pra você do que pra qualquer outra
pessoa. – “Sou a pior pessoa do mundo ... por que eu tinha que amar você”. Dizia a mim
mesmo.
– Eu acho que não entendo o que você quis dizer ... sobre a última parte ...
– Como eu vou explicar? ... E sem assustar você.
Pousei minha mão na sua e ela a segurou forte ... uma onda de calor percorreu meu
corpo.
– Hummm ...Isso é incrivelmente prazeroso. O calor. – Suspirei com o prazer e tentei me
concentrar para poder explicar. – Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores?
... Como alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem morango? – Dizia
observando suas reações até que ela assentiu e continuei. – Me desculpe pela analogia á
comida ... eu não conseguia pensar em outra forma de explicar. – Sorrimos da situação.
Bella parecia se esforçar para me entender, e isso era bom. Quanto mais nos
adaptássemos, mas fácil seria para podermos ficar juntos, por mais tempo. Tentei explicá-la
como ela mexia comigo, como ela era atraente para mim. Era uma tarefa difícil.
– Entenda, cada pessoa cheira diferente, tem uma essencia diferente. Se você colocasse uma
pessoa alcólotra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia resistir, se
ela quisesse, se ela fosse uma alcólica em reabilitação. Agora digamos que você coloca
nessa sala uma garrafa de brandy de cem anos, o conhaque mais raro, mais fino ... que
enche a sala com o seu aroma ... como você acha que ela reagiria? – Ela não captava o
sentido disso tudo. Tive que ser mais explícito. – Talvez essa não seja a comparação certa.
Talvez fosse fácil demais recusar o brandy. Talvez o nosso alcólico devesse ser um viciado
em heroína. –Agora ela entendeu.
– Então, o que você está dizendo é que eu sou a sua injeção de heroína?
– Você é exatamente minha injeção de heroína. – Na verdade a heroína seria pouco
comparado com o que ela faz comigo, mas acho que ela entendeu o sentido.
– Isso acontece sempre?
– Eu falei com os meus irmãos sobre isso. – Disse sem conseguir encará-la. – Pra Jasper,
todos vocês são praticamente iguais. Ele foi o que se juntou á família mais recentemente. A
abstinência já é difícil pra ele por si só. Ele ainda não teve tempo pra desenvolver o olfato,
as diferenças do cheiro, no sabor ...Desculpe.
– Eu não me importo. Por favor, não tenha medo de me ofender, ou me assustar, ou o que
quer que seja. É assim que você pensa. Eu posso entender, ou pelo menos tentar. Me
explique como puder.
– Então Jasper não tinha certeza se já tinha cruzado com alguém tão ... atraente como você
é pra mim ... O que me faz acreditar que não. Emmett já está nessa a mais tempo, por assim
dizer, e ele entendeu o que eu quis dizer. Ele disse que já aconteceu com ele duas vezes,
para ele, uma vez foi mais difícil que a outra.
– E com você?
– Nunca. – “Mais de oitenta anos depois da minha transformação, andando por quase todos
os lugares e fui encontrar o amor na forma mais intensa com a pessoa mais linda e amorosa
do mundo ... e a mais perfumada e saborosa” pensei comigo mesmo.
– O que Emmett fez? – Não consegui responder. Como dizer a ela a verdade? – Eu acho
que já sei...
– Até o mais forte de nós comete erros, não é?
– Você está pedindo o que? Minha permissão? Eu quero dizer, não existem esperanças,
então?
– Não, não ... É claro que há esperança! Digo, é claro que eu não vou... É diferente
conosco. Emmett... aqueles eram estranhos que cruzaram o nosso caminho. Foi há muito
tempo e ele não tinha tanta... prática e cuidado que tem hoje. – Ela me pegou de surpresa.
“Eu te amo ... não posso fazer isso ... nunca!”
– Então... se tivéssemos nos conhecido num beco escuro ou alguma coisa assim...
– Eu fiz tudo o que pudia pra não pular em você no meio de uma sala cheia de crianças e ...
Quando você passou por mim, eu podia ter arruinado tudo o que Carlisle construiu pra nós,
lá mesmo. Se eu não tivesse renegado a minha sede pelos últimos, bem , muitos anos, eu
não teria sido capaz de me refrear. – Eu dizia sem encará-la. Tinha vergonha da minha
fraqueza. “Como um dia pude pensar em te matar ... eu te amo!” Eu queria gritar! –Você
deve ter pensado que eu estava possuído.
– Eu não conseguia entender porque. Como você poderia me odiar tão rapidamente...
– Pra mim, era como se você fosse uma espécie de demônio, reunindo forças do meu
próprio inferno pra me destrir. A fragrância que saia da sua pele... eu pensei que ia me
deixar desarranjado naquele primeiro dia. Naquela uma hora, eu pensei em milhões de
formas de te tirar da sala comigo, pra que ficássemos sozinhos. E eu lutei com esses
pensamentos, pensando na minha família, o que eu podia causar pra eles. Eu tive que sair
correndo, pra sair de perto de você antes de te dizer as palavras que faria você me seguir. –
Ela parecia assustada e confusa. Acho que lembrando do primeiro dia. – Você teria vindo!
– Sem dúvida. – Ela concordou e eu continuei a me explicar.
– E então, enquanto eu tentava refazer o meu horário numa tentativa inútil de te evitar, você
estava lá ... naquela sala pequena, quente, o seu cheiro era enlouquecedor. E então eu quase
te ataquei lá. Só havia uma outra frágil humana lá-fácil de lidar ... Mas eu resisti. Eu não sei
como. Eu me forcei a não te esperar, a não seguir você depois da escola. Foi mais fácil do
lado de fora, quando eu não conseguia mais sentir o seu cheiro, eu consegui pensar
claramente, tomar a decisão correta. Eu deixei os outros perto de casa ... eu estava
envergonhado demais pra contar pra eles o quanto eu era fraco, eles só sabiam que algo
estava muito errado- eu fui direto até Carlisle, no hospital, pra dizer pra ele que estava indo
embora. – Eu estava me declarando um fraco, mas não me importava. Ela precisava saber
de tudo o que aconteceu. – Eu troquei de carro com ele ... o dele estava com o tanque cheio
e eu não queria parar. Eu não queria ir pra casa, para enfrentar Esme. Ela não me deixaria ir
sem fazer uma cena. Ela teria tentado me convencer de que não era necessário... Na manhã
seguinte eu já estava no Alaska. Eu fiquei lá dois dias, com alguns conhecidos...mas fiquei
com saudades de casa. Eu detestava saber que estava machucando Esme, e o resto deles,
minha família adotiva. No ar puro das montanhas era difícil de acreditar que você fosse tão
irresistível. Eu me convencí de que era um fraco por ter fugido. Eu lidei com a tentação
antes, não nessas proporções, nem perto disso, mas eu era forte. Quem era você, uma
garotinha insignificante. – Sorri com a palavra absurda – para me afastar do lugar onde eu
queria estar? Então eu voltei... Eu tomei precauções, caçando, comendo mais do que o
normal antes que ver você de novo. Eu tinha certeza de que era forte o suficiente pra ter
tratar como qualquer outra humana. Eu estava sendo arrogante. Era inquestionavelmente
uma complicação não poder simplesmente ler a sua mente pra saber o que você pensava de
mim. Eu não estava acostumado a ser tão indireto, escutando as suas palavras pelos
pensamentos de Jéssica... a mente dela não é muito origonal, e era irritante ter que me
manter preso áquilo. E depois eu não sabia se você realmente estava pensando as coisas que
estava dizendo. Tudo era extremamente irritante. Eu queria que você esquecesse o meu
comportamento no primeiro dia, se possível, então eu tentei falar com você como eu falaria
com qualquer pessoa. Eu estava ansioso na verdade, esperando decifrar os seus
pensamentos. Mas você era interessante demais, eu me ví vidrado nas suas expressões... e
de vez em quando você esporeava o ar com o cabelo ou com as mãos, e o cheiro me pegava
de novo... É claro, depois você quase foi espremida até a morte diante dos meus olhos.
Depois eu pensei na desculpa perfeita pra ter feito o que eu fiz naquele momento ... porque
se eu não tivesse te salvado, seu sangue teria se esparramado bem na minha frente, eu não
acho que teria conseguido evitar e teria exposto a nós todos. Mas eu só pensei nessa
desculpa depois. Naquela hora, tudo o que eu conseguia pensar era “ela não” ".
As lembranças abriram um buraco no meu peito, as visões que surgiam em minha
mente me faziam sofrer e não conseguia continuar.
– No hospital? – Ela me encorajou e olhei para ela.
– Eu estava intimidado. Eu não conseguia acreditar que tinha exposto a nós todos daquela
forma, me colocado na sua mão ... você entre todas as pessoas. Como se eu precisasse de
outro motivo pra te matar. – Senti o meu corpo e o dela se inrijecer. Foi uma palavra dura
de pronunciar – Mas teve o efeito oposto. Eu briguei com Rosalie, Emmett, e com Jasper
quando eles sugeriram que essa era a hora... foi a pior briga que já tivemos. Carlisle ficou
do meu lado, e Alice. – Lembrei de suas visões – Esme me disse pra fazer o que eu tivesse
que fazer pra ficar. No dia seguinte eu espionei as mentes de todas as pessoas que falavam
com você, chocado por você ter mantido sua palavra. Eu não entendia nem um pouco. Mas
eu sabia que não podia me envolver nem mais um pouco com você. Eu fiz o que pude pra
ficar tão longe de você quanto era possível. E todos os dias o perfume da sua pele, sua
respiração, seu cabelo... tudo era tão apelativo quanto no primeiro dia.
Olhei novamente no fundo de seus olhos de chocolate e continuei.
– E por tudo isso ... Eu teria feito muito melhor se eu tivesse expostos a todos nós naquele
primeiro momento, do que aqui ... sem testemunhas e ninguém pra me parar ... eu ia te
machucar.
– Porque?
– Isabella – Disse finalmente tocando em uma mecha de seu cabelo que escondia parte de
seu rosto lindo, sentindo a eletricidade percorrendo meu corpo mais uma vez. Olhei para
baixo sem conseguir encarar seus olhos. – Bella, eu não conseguiria viver comigo mesmo
se eu te machucasse. Você não sabe como isso me torturou ... O pensamento de você,
rígida, branca, fria... nunca mais ver você ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash
de intuição que passa nos seus olhos quando você desvenda uma das minhas pretensões...
isso seria insuportável. – Agora, com coragem me declarei fielmente para ela, olhando em
seus olhos. – Você é a coisa mais importante pra mim agora. A coisa mais importante que
eu já tive. – Baixei minha cabeça esperando por alguma palavra dela, negativa ou positiva.
Eu me sentia hoje um homem totalmente frágil a tudo. Minha vida nas mãos dela, e
não só a minha, a de minha família. Dependendo de tudo o que acontecer hoje será a nossa
permanência ou mudança.
– Você já sabe como eu me sinto, é claro ... Eu estou aqui... que, traduzindo, significa que
eu preferiria morrer do que ficar longe de você. Eu sou uma idiota.
– Você é uma idiota. – Sorrimos um para o outro. – E então o leão se apaixona pelo
cordeiro...
– Que cordeiro idiota.
– Que leão doente e masoquista. – Doente por ela e masoquista por sentir prazer na
queimação que seu perfume me causava.
– Porque...?
– Sim?
– Me diga porque você corria de mim antes.
– Você sabe porque.
– Não, eu digo, o que exatamente eu fiz de errado? Eu terei que ficar de guarda, sabe, pra
aprender melhor o que eu devo fazer. Isso, por exemplo – Disse tocando minha mão –
parece ser normal.
– Você não fez nada de errado, Bella. Foi minha culpa.
– Mas eu quero ajudar, se puder, pra não fazer isso ser ainda pior pra você.
– Bem ... É só que você estava muito perto. A maioria dos humanos é instintivamente
timida perto de nós, são repelidos pela nossa alienação... Eu não estava esperando que você
chegasse tão perto. E o cheiro da sua garganta.
– Tudo bem, então ... Nada de expor a garganta. – Ela disse como se para diminuir a tensão.
– Não, de verdade, foi mais a surpresa do que qualquer outra coisa.
Toquei levemente seu pescoço, sentindo seu sangue pulsar sobre minha palma. Era
suportável, era gostoso, sua pele era fina e pálida, macia e suave. Ela se arrepiou e seus
olhos se fecharam ao meu toque, como acontecia comigo. Isso era um sinal de que ela
gostava tanto quanto eu?
– Veja ... Perfeitamente normal. As suas bochechas coradas são adoráveis – Com a outra
mão toquei seu rosto corado, segurando seu rosto entre minhas mãos, uma coisa que há
muito eu queria fazer, e mais ... – Fique bem parada ...
Me aproximei dela, sem respirar, e toquei meu rosto em sua garganta quente.
“Uhmm”. Respirei fundo sentindo seu perfume me envolvendo. Deslizei lentamente minhas
mãos até seu ombro sentindo a textura de sua pele sob a minha. “Gostoso ...”. Seguindo seu
perfume, me virei e meu nariz tocou sua pele. Seu perfume era mais gostoso, seu sangue
estava quente, sua respiração acelerada como a minha. Era muito bom sentí-la. Desci mas
meu rosto até descançá-lo sobre seu peito ouvindo mais forte seu coração palpitando e
meus braços a envolvendo. – "Ah".
Fiquei alí, sentindo o calor de seu corpo passar para o meu, seu coração
desacelerando enquanto ela relaxava. Memorizei cada batimento, memorizei seu cheiro
mais concentrado
– Não vai mais ser tão difícil.
– Foi muito difícil pra você? – Ela me perguntou mais tranquila.
– Nem de perto foi tão difícil quanto eu imaginava que seria. E você?
– Não, não foi ruim pra mim.
– Você sabe o que eu quero dizer. – Ela sorriu. – Aqui ... Você sente como está quente? –
Peguei sua mão e a fiz tocar meu rosto. Eu o sentia em chamas, mas era uma sensação
maravilhosa.
– Não se mova. –Fiquei imóvel e fechei meus olhos, aceitando seu pedido.
Bella se aproximou mais de mim, senti seu calor mais próximo de mim. Lentamente
ela começou a me tocar. Primeiro minha bochecha, meus olhos, minhas pálpebras, todo
meu rosto ... Senti-la me tocando era maravilhoso. Mais prazeiroso do que eu a tocando,
por que era uma opção dela. Quando ela tocou meus lábios aumentou a minha vontade de
sentir seu sabor, mas não como um vampiro ... como humano. Sentir seu sabor na minha
boca em um beijo. Meus lábios se afastaram e senti seu perfume em minha língua,
queimando em minha garganta ... “Ahhh!! Eu te quero tanto que chega a doer!” Dizia em
minha mente. Olhei para ela faminto.
– Eu queria. – Quase disse que queria beijá-la. – Eu queria que você sentisse
a...complexidade... a confusão... que eu sinto. Queria que você pudesse entender. – Disse
passando minhas mãos por seus cabelos, deixando que eles se emaranhassem em meus
braços.
– Me diga. – Ela pediu falando baixinho.
– Eu não acho que posso. Eu já te disse, de um lado a fome ... a sede ... que essa criatura
deplorável que eu sou sente por você. E eu acho que você consegue compreender isso, de
uma certa forma. Apesar de que ...Como você não é viciada em nenhuma substancia ilegal,
você provavelemente não pode enfatizar completamente. Mas... – Toquei seus lábios como
ela tinha feito comigo e seus olhos se fecharam. – Existem outras fomes. Fomes que eu nem
sequer entendo, que são estranhas pra mim.
– Eu acho que entendo isso melhor do que você imagina. – Ela disse ainda com os olhos
fechados e a voz embargada.
– Eu não estou acostumado a me sentir tão humano. É sempre assim?
– Pra mim? ..Não, nunca. Nunca antes disso. – Ela disse agora olhando para mim.
– Eu não sei como ficar perto de você ... Eu não sei se consigo.
– Isso é suficiente. – Ela disse ao se aproximar lentamente e pousar sua face em meu peito.
Abracei seu corpo trazendo mais para perto de mim e senti o perfume de seus
cabelos.
– Você é melhor nisso do que pensava.
– Eu tenho instintos humanos ... eles podem estar enterrados bem no fundo, mas estão lá.
Ficamos assim por quase 1 hora, curtindo o momento até que uma sombra foi se
aproximando e Bella enrijeceu, me lembrando de que esta tarde não era eterna. Eu
precisava levá-la de volta, mesmo não querendo. Queria ela para mim, levá-la dalí para um
lugar só nosso, longe de todos e de tudo, onde pudéssemos ser somente Bella e Edward.
– Você tem que ir.
– Eu pensei que você não podia ler minha mente.
– Ela já está começando a ficar mais clara. – Eu aprendi a interpretar suas reações, me
adaptar a essa nova vida. – Eu posso te mostrar uma coisa? – Acho que estávamos seguros
de nossos sentimentos e ela precisava me conhecer melhor.
– Me mostrar o que?
– Como eu ando pela floresta ... Não se preocupe, você estará segura, e chegaremos na sua
caminhonete muito mais rápido. – Sorri da expressão dela, parecia preocupada.
– Você vai se transformar num morcego? – Ela disse brincando e eu ri como sorria com
minha família, nos momentos de lazer.
– Como se eu nunca tivesse ouvido essa antes.
– Claro, eu tenho certeza que você ouve isso o tempo todo. – Ela estava realmente nervosa
com isso. Seu coração acelerou um pouco quando me aproximei.
– Vamos lá, pequena covarde, suba nas minhas costas. – Mas ela não se mexeu então eu a
peguei e coloquei nas minhas costas.
Sentir seu corpo tão perto foi maravilhoso. Passei minhas mãos por suas pernas me
envolvendo e seus braços também. Foi como um sonho realizado, um desejo aceito, um
prazer concretizado na forma de um abraço.
– Eu sou um pouco mais pesada do que a sua bagagem normal.
– Hah. – Eu estava muito feliz. Ela não conhecia ainda praticamente nada sobre mim como
eu conhecia sobre ela. Peguei uma de suas mãos e trouxe para meu rosto e inalei seu
perfume como reabastecendo-me. – Cada vez fica mais fácil.
Corri floresta a dentro em direção à sua picape. Saltei pelo riacho com ela em
minhas costas muda e ríjida. Sentia o vento em meu rosto e estava feliz por ela estar aqui
comigo. Chegamos rápido na picape.
– Divertido, não é? – Disse mas Bella não falou nada. Ela permanecia muda e ríjida em
minhas costas. – Bella? – Foi demais para ela? ... Ela não se mexia e nem descia das minhas
costas ... não que me incomodasse, mas seu coração estava descompassado e isso me
preocupou. Toquei seu rosto e ele parecia mais frio que o normal.
– Eu acho que preciso me deitar agora. – “É foi demais para ela” – pensei.
– Oh, desculpe.
– Eu acho que preciso de uma ajudinha.
Soltei suas mãos de meu pescoço e a trouxe para minha frente, segurando firme para
que ela não caísse. Deixei que ela se sentasse.
– Como você se sente?
– Tonta, eu acho. – Ela parecia enjoada, seu rosto estava mais branco que nunca.
– Ponha a cabeça entre os seus joelhos. – A ajudei e sentei ao seu lado, esperando para ver
se ela melhorava. Em minha mente já pensava nas saídas para essa situação. Chamar
Carslile ou levá-la até ele. O que seria melhor para ela? – Eu acho que essa não foi a melhor
idéia.
– Não, foi interessante.
– Hah! Você está branca feito um fantasma ... você está branca que nem eu.
– Eu devia ter fechado os olhos.
– Lembre-se disso na próxima vez. – Por que claramente essa não seria a única vez. Eu ri.
– Próxima vez! ... Exibido.
Ter Bella tão perto hoje me deu muita coragem. Senti que eu era forte o suficiente
para manter uma distância curta de Bella.
– Abra seus olhos, Bella. – Me coloquei à sua frente, bem perto de seu rosto. – Eu estava
pensando, enquanto eu estava correndo...
– Em não bater nas árvores, eu espero.
– Bella boba. Correr é minha segunda natureza, não há nada o que pensar.
– Exibido.
– Não. Eu estava pensando que há algo que eu quero tentar.
Olhando em seus olhos suaves me permiti chegar mais perto. Ia me aproximando
aos poucos sentindo suas reações. Meus olhos se fecharam e meus outros sentidos se
aguçaram. Meu nariz roçou no dela ... sentia sua respiração quente lambendo meu rosto.
Meu corpo foi se aquecendo e demonstrando vida. Num leve e suave toque meus lábios
encontraram os seus uma vez e um fogo inundou meu corpo. Seus lábios eram macios e
quentes. “Ah... Uhmmm” Como era gostosa a sensação de tê-la tão perto. Sorri e mais uma
vez meus lábios tocaram os dela por mais tempo e a fome por ela cresceu dentro de mim.
Eu queria mais ... mas era seguro? Senti perdendo o controle de minhas reações, mas não
como um vampiro, como homem. Queria mais ... meu corpo queria mais ... queria ela.
Toquei sua cintura e trouxe seu corpo mais para perto de mim. Seu corpo tremeu sob
minhas mãos e ela levou suas mãos para meus cabelos segurando-os. Me senti refém de seu
desejo. Ela se aproximou mais de mim e me beijou mais intensamente roçando seus lábios
nos meus com intensidade e desejo. Abri meus olhos e vi que os seus estavam fechados e
sua pele corada. Seu coração acelerou e sua respiração acompanhou a minha. Quando sua
boca se abriu junta à minha seu hálito me invadiu como uma labareda que ardeu minha
garganta. Meu corpo se enrijecei e me obriguei a afastar sua boca da minha quando senti o
meu veneno enchendo minha boca. A sede me dominou por um centésimo de segundo mas
me controlei. Segurei seu rosto e o afastei um pouco com minhas mãos, mas mantendo-a
perto.
–Ooops.
– Isso é uma declaração. – Mantinha seu rosto perto do meu ... olhando seus olhos
fixamente. “Preciso me controlar ... Eu te amo ... Preciso me controlar!”
– Será que eu posso...? – Ela tentou se afastar de mim, mas eu não deixei.
– Não. Isso é intolerável. Espere um momento,por favor. – Não podia me afastar dela
agora. Não era só a minha sede que eu precisava controlar, sentia meu corpo diferente,
algumas partes também estavam excitadas. Depois de alguns momentos o fogo do desejo e
da sede, que agora caminham juntos, diminuiram. – Pronto.
– Tolerável?
– Eu sou mais forte do que pensava. É bom saber. – Eu ri da situação.
– Eu queria poder dizer o mesmo. Me desculpe.
– Você é apenas humana, no final das contas.
– Muito obrigada.
Fiquei de pé e estendi minha mão para ela. Um gesto que eu esperava muito me
permitir fazer. Ela estendeu sua mão e tocou a minha. Quando se levantou ainda parecia
meio tonta ou sem prumo.
– Você ainda está tonta pela corrida? Ou foi minha habilidade com beijos?
– Eu não tenho certeza, eu ainda estou lerda. – Ela me disse depois de pensar bastante. –
Porém, eu acho que é um pouco dos dois.
– Talvez você devesse me deixar dirigir. – A noite estava se aproximando cada vez mais e
eu já havia tirado de casa há muito tempo.
Agora que eu me sentia forte e seguro para estar com ela, o desejo de roubá-la do
mundo estava em segundo plano. Minha família poderia permanecer em Forks pelo tempo
planejado e eu poderia estar sempre com ela, sem tirá-la do convívio de seu pai e amigos.
– Você está louco?
– Eu dirijo melhor do que você nos seus melhores dias ...Você tem reflexos muito mais
lentos.
– Eu tenho certeza de que é verdade, mas eu não acho que os meus nervos, ou a minha
caminhonete, aguentariam.
– Um pouco de confiança, Bella, por favor.
– Não. Sem chance.
Bella segurava sua chave no bolso. Ela sabia que eu não me atreveria a tanto. Ela
tentou ir para a picape mas se deliquilibrou. Eu passei meus braços por sua cintura,
assegurando que ela não caísse e a trouxe para meu peito nú. O toque quente de sua
respiração alí era delicioso e senti ela inspirando meu cheiro também.
– Bella, eu já gastei um bocado de esforço até esse ponto, pra manter você viva. Eu não vou
deixar você ficar atrás de um volante quando você não consegue nem caminhar direito.
Além do mais, amigos não deixam amigos dirigir quando estão bebados.
– Bêbada?
– Você está intoxicada com a minha presença. – Brinquei com ela e depois sorri.
– Eu não posso discutir com isso. – Ela disse ainda abraçada a mim enquanto pegava a
chave e soltava no ar. Peguei sem deixá-la, o que era uma coisa que eu não queria fazer. –
Pegue leve ... minha caminhonete é uma cidadã idosa.
– Muito sensível.
– E você não está nem um pouco afetado ... – ela perguntou elevando seu rosto para mim –
Pela minha presença?
É claro que estava, muito, mas minha mente trabalha diferente da dela, ela
compensa as lacunas. Com certesa a presença dela aqui me afetava mais do que a minha à
ela. Eu esperei 80 anos por ela. Esperei meses por esse dia, depois de conhecê-la. Fui do
ódio ao amor. Pensava nela 24 horas por dia. Em minha vida, nunca uma pessoa foi tão
importante quanto ela. Trouxe seu rosto para mais perto, passei meus lábios por toda a
extensão de seu rosto mais de uma vez, sentindo seu corpo tremer de excitação e sua
respiração lamber minha face.
– Sem dúvida ... Eu tenho reflexos melhores.






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