O jantar finalmente acabara e, pude soltar o ar que prendera desde que tomara consciência de que o calor daquela perna encostada na minha, estava se espalhando por todo o meu corpo. Levantei declinando o oferecimento do Jacob em me acompanhar até a minha cabine e, virando-me para o Capitão que também se levantara, estendi a mão em agradecimento pelo jantar.
- Foi um começo de viagem e um jantar maravilhoso, Capitão. Agradeço pelo convite para sentar-me a sua mesa. Foi no mínimo... Impactante, esta noite. - agradeci.
- Eu é que agradeço por ter aceitado o meu convite. - O Capitão segurou a minha mão e roçou os lábios nas pontas dos meus dedos, causando uma descarga elétrica que me tomou dos pés a cabeça. Puxei a mão assustada e, ele também pareceu sentir o mesmo, pois, levantou a cabeça e me olhou com curiosidade.
- Boa noite. - disse afastando-me
- Boa noite, Bella. - respondeu num murmúrio.
Fui para a minha cabine, tirei a roupa e coloquei uma camisola curtinha de seda e renda preta com o robe de seda preta por cima. Lavei o rosto tirando toda a maquiagem e soltei os cabelos. Abri o prosecco italiano que ainda estava no balde de gelo e servida de uma taça fui para a varanda do meu quarto, sentando-me numa das espreguiçadeiras. a noite estava agradável e a lua parecia maior ali no meio do oceano.O silêncio era impressionante...lentamente uma imagem foi tomando forma minha mente e de repente frases viravam diálogos e depois capítulos...deixei a taça na mesinha e corri em busca do meu note book.Ali e naquele instante estavam surgindo os primeiros capítulos da segunda parte do meu romance.
Meus dedos voavam pelas teclas do note sem querer deixar escapar nada de dentro da minha cabeça. As horas se passaram voando quando dei por mim, já era 3h00 da manhã. Fechei o note satisfeita e me espreguicei... Tinha o compromisso com o Capitão às 9h00. Tudo bem... Programei o despertador tocar às 8h00, escovei os dentes e caí na imensa e confortável cama, o sono veio fácil.
O despertador tocou algumas vezes antes que me trouxesse de meu sono profundo... - Oh... Droga!Parece que acabei de deitar... -resmunguei. Então me lembrei do Capitão e levantei de um pulo. Corri para o banheiro e fiz a minha higiene pessoal. Lavei o rosto e passe uma leve maquiagem para tentar disfarçar as olheiras causadas pelas poucas horas de sono. O tempo estava aberto e o sol brilhava, então decidi colocar um vestido de alça de algodão de fundo branco estampado com pequenas florzinhas em tons cereja, bege e verde.
Calcei uma sandália bege e prendi os cabelos num rabo de cavalo. Levei a minha carteira pois pretendia comprar um biquíni para tomar um pouco de sol mais tarde.
Quando abri a porta para sair, tomei um grande susto!...Emmet me aguardava todo sorridente. - Bom dia, senhora! - disse fazendo aquela sua reverência exagerada se curvando para frente e aproveitou para pegar a minha carteira que deixara cair no susto.
- Bom dia, Emmet. Que faz aqui?- perguntei surpresa, não lembro de haver combinado nada com ele.
- O Capitão pensou que seria melhor que a Srta. tivesse um guia até conhecer todo o navio. Então, aqui estou para garantir que chegue rapidamente ao restaurante onde é servido o café da manhã. - disse Emmet.
- É muita consideração dele, mas, realmente não era necessário. - disse. - Emmet, não te aborrece ter que fazer este tipo de serviço? - questionei.
- Só quando a passageira é feia! - disse ele brincando. Dei uma tapa nele com a carteira - Fale sério!- disse. Ele riu.
- Era isso ou ir para a cozinha ajudar o cozinheiro a descascar cebolas, então... - continuou brincando. Desisti de falar sério com o Emmet e perguntei onde ficava a boutique que eu precisava comprar um biquíni. Ele explicou e dispensei sua oferta para ir comigo até a lojinha depois do café.
O restaurante estava cheio. Havia um imenso Buffet com frutas, torradas, pães de diversos tipos e tamanhos, biscoitos, bolos, mouses, iogurtes, sucos de vários sabores, cereais, frios, geléias, manteigas e alguns pratos quentes como ovos fritos inteiros e mexidos, bacon frito, salgados, tortas, café, leite, chocolate, chás, etc...
Peguei um suco de laranja, um pedaço de queijo branco, um pãozinho, um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate que eu nunca resistia e uma xícara de café com leite. Escolhi uma mesa com vista para o mar e sentei para tomar meu café. Estava com fome, na noite anterior o meu apetite não estava dos melhores, apesar do delicioso jantar, havia comido pouco. Comecei pelo bolo, lógico!Servi-me de uma generosa garfada e virei o rosto para janela, observando o mar.
- Pelo o visto o seu apetite é bem melhor pela manhã do que à noite - Dei um pulo com aquela voz que quase me derrubou da cadeira.
- B... Bom dia, Capitão. - disse após engolir o pedaço de bolo que estava mastigando e corando ligeiramente pela quantidade de comida que havia em minha frente. - É... Parece que o ar marinho abriu o meu apetite. - disse e sinalizei para que sentasse o que ele fez prontamente. Seu olhar mostrava que se divertia com o meu constrangimento.
- Já tomou café? - perguntei por não saber o que dizer
- Sim. Levanto muito cedo. - respondeu olhando-me mais atentamente. - Não dormiu bem? - perguntou ao notar as pequenas manchas levemente arroxeadas embaixo dos olhos.
- Muito bem, por sinal! É que ontem a noite fiquei escrevendo até às 3h00 da madrugada. Sabe, quando a inspiração vem, a gente não pode tratar com descaso, senão ela foge e demora a voltar. - disse dando de ombros.
- Hum... Entendo. - foi tudo que ele disse.
- Então, não vou mesmo atrapalhá-lo nesta manhã? - questionei enquanto tomava um gole do meu café.
- Será uma honra contar a história do Love oh the Seas e mostrar cada lugar especial dele à você, Bella.- disse sério e fiquei pensando comigo como é que ele conseguia só em falar fazer com que meu corpo reagisse daquela maneira...coração disparado, respiração pesada, tremor nas mãos....terminei o café e disse - Então,vamos?
- Vamos. Começaremos pela sala do Capitão. - disse e colocou levemente a mão nas minhas costas para guiar-me na direção certa. A Sala do Capitão era elegante e decorada com sobriedade, havia uma bancada que tomava todo um lado da sala com vários displays com fotos de navios antigos até os modernos Transatlânticos dos dias de hoje. Ele começou a explicar que a Família Cullen estava no ramo desde 1.900 e, que já era uma tradição os filhos seguirem os pais na decisão de serem Capitães de Navios. Ele contava histórias de situações divertidas que os Capitães passavam de pais para filhos, sua voz hipnótica prendia totalmente a minha atenção. Saímos de lá e ele levou-me num pequeno tour pelo navio. Para cada Sala, Restaurante que me mostrava, havia uma história curiosa ou engraçada. A hora passou num piscar de olhos. Quando olhei no relógio já era quase 10h30. - Céus!Você é muito bom nisso! Nem senti a hora passar. - disse espontaneamente e ele riu.
- Vou tomar isso como um elogio. - Mas, você também é muito boa ouvinte e excelente companhia. - disse charmoso. Sacudi a cabeça embaraçada e desviei o olhar.
- Acho que vou agora comprar um maiô para mim... Quero tomar um pouco de sol. -começando a me despedir.
- Jante comigo esta noite. - pediu ele sério. Engoli seco.
- Capitão, eu... - comecei, mas ele interrompeu - Edward. Apenas Edward. - disse
- E..Edward - pronunciar aquele nome causava uma sensação de ter borboletas no estômago.
- Diga de novo - ele ordenou. Fitei-o por um momento
- Edward. - disse, a minha voz saiu rouca. Vi os seus olhos escurecerem e ele me fitou intensamente.
- Diga que sim. - ele pediu
- Sim. - eu respondi, mas, já nem lembrava mais sobre o que estávamos falando. Ele abriu um sorriso torto - Então até a noite. - disse e desapareceu.
Fiquei ali parada, a respiração acelerada e a mão sobre o peito para evitar que o meu coração saltasse pela minha boca aberta. Sacudi a cabeça e fui até a lojinha comprar o meu biquíni... Uma marquinha de bronzeamento faria maravilhas sob os meus vestidos... Sorri. Estava começando a gostar dessa brincadeira.
Cheguei na loja e uma moça baixinha e simpática veio me atender.
- Bom dia. Sou Alice. Fique à vontade. - disse sorrindo. Gostei dela imediatamente.
- Bom dia, Alice. Sou Bella. Estou precisando de biquíni e saída de banho. Pode me ajudar? - perguntei
- Estou à disposição. Por aqui, por favor - disse ela se encaminhando para trás do balcão. Fiquei diante dela aguardando. Enquanto pegava os modelos, Alice foi comentando sobre cada coleção. Mas, não gostei muito dos modelos e estampas que tinha.
- Alice, eu realmente queria uma peça especial. Não quero esses biquínis americanos com calcinhas enormes e estampas exageradas. Alice sorriu, assentindo.
- Venha, tenho umas exclusividades aqui. - disse apontando para a outra extremidade do balcão, tirou uma caixa repleta de saquinhos coloridos.
- Biquínis brasileiros... Poucas têm corpo e coragem para usar, mas esse não parece ser o seu caso. Pode provar. - disse abrindo pequenos embrulhos. Engoli em seco quando ela me mostrou a minúscula peça... Sacudi a cabeça... Alice! Não sei... Parecem minúsculos... - ela me interrompeu. - Não diga nada antes de vê-los em seu corpo. - disse dando uma piscadela para mim. - Prove alguns. - insistiu. Com um suspiro resignado escolhi um modelo, o sutiã era meia taça de alças finas e a calcinha era estilo asa delta. Quando vesti, entendi o que Alice dizia... A modelagem dos biquínis brasileiros era bem menor do que a dos americanos, mas, caiam como uma luva no corpo ressaltando as minhas curvas. Escolhi um de uma cor azul esverdeado e outro totalmente branco, do mesmo modelo para não ficar com diversas marcas. Alice me trouxe uma saída de banho de organdi de seda transparente, e na sua estampa tinham as mesmas cores dos dois biquínis que e escolhera. - Você vai arrasar. - disse sorrindo largamente.
- Obrigada, Alice. Fiquei feliz com a minha compra. - disse sorrindo para ela, também. Paguei com o cartão e fui para a minha cabine me trocar. Escolhi o biquíni azul. Usaria o banco quando estivesse mais bronzeada. Passei protetor solar, vesti a saída de banho, calcei os meus tamancos, os meus óculos de sol, peguei um livro para ler e saí em direção às piscinas. O barco tinha 4 piscinas de adultos e duas de crianças, escolhi a que ficava mais longe das crianças e, consequentemente a mais tranqüila. Peguei uma espreguiçadeira mais isolada e sentei. Um funcionário do barco aproximou-se me oferecendo uma toalha que aceitei prontamente. Tirei a saída de banho, deitei na espreguiçadeira e abri o livro para ler, alguns capítulos. Havia pedido um coquetel de frutas sem álcool para matar a sede e fechei os olhos sentindo que o sol aquecia lentamente o meu corpo. De repente uma sombra cobriu o meu sol e abri os olhos para ver de quem se tratava, dei de cara com um desconhecido que me encarava com um sorriso que me causou náuseas... Refreei o impulso de me cobrir - Está tampando o meu sol. - avisei-o friamente. Ele não se intimidou pelo meu tom. e sentou-se numa espreguiçadeira ao meu lado.Fechei os olhos tentando ignorá-lo, mas, podia sentir seu olhar percorrendo o meu corpo e comecei a sentir-me incomodada. O funcionário chegou trazendo o meu coquetel e olhou estranho para o homem ao meu lado. - Aceita algo senhor? - perguntou para o homem.
- Sim. Mas duvido que o que quero você tenha no bar. - disse com um sorriso cínico os olhos em cima de mim.
Levantei e fui para uma outra espreguiçadeira o mais distante do homem que podia. Deitei de costas e fechei os olhos... O calor do sol acariciava a minha pele e uma brisa fresca do mar embalou o meu sono atrasado. Despertei com o toque de uma mão áspera passando pelo meu corpo e sentei imediatamente, dando de cara com aquele homem asqueroso sorrindo diante de mim... abri a boca sem falar nada, não acreditando no atrevimento do sujeito.
- Eu tomei a liberdade de passar um pouco de protetor nas suas costas para que não tivesse queimaduras de sol. - disse com um risinho convencido da sua esperteza.
Dei uma tapa na cara dele que ficaram os cinco dedos marcados. - Seu atrevido! Como ousa? - gritei para ele. Vi seu rosto ficar vermelho - Sua vadia! Você me paga - gritou ele erguendo-se e dando um passo na minha direção com a mão levantada. Recuei um passo, mas, antes que ele me agredisse uma mão se fechou sobre o punho dele.
- Acho que não. - Uma voz dura o deteve
- Edward!- com alivio, reconheci a voz do meu salvador.
- Ela me agrediu. - o homem virou-se irado para o Capitão.
- Eu vi exatamente tudo o que aconteceu. Não é a primeira vez que o senhor nos causa problemas com as passageiras mas, garanto que será a última. Por favor, faça as suas malas que o senhor deixará este navio no próximo porto. - disse o Capitão com voz gelada.
- Não pode fazer isso. Eu paguei pelo cruzeiro! -disse o cafajeste
- Seu dinheiro será restituído pela empresa e não quero mais ver a sua cara deslavada no meu barco novamente ou você vai virar comida de tubarão. Fui claro? - perguntou e vi o homem engolir seco, assentindo com a cabeça.
- Agora vá! - ordenou Edward e o homem saiu sem olhar para trás. Ele se virou para me encarar...
- Edward, eu sinto muito... - comecei ensaiando minhas desculpas.
- Você está bem? - ele se aproximou preocupado. - Assenti e baixei a cabeça procurando pela saída de banho que vesti em segundos.
- Não se preocupe. Você tem todo o direito de tomar o seu sol sem ser importunada. Este passageiro já nos causou problemas anteriormente. Meus funcionários estavam de olho nele. Quando me avisaram que poderia ocorrer outro possível incidente, resolvi interferir pessoalmente. Só que não imaginava que seria com você. Peço desculpas pelo que passou. Cheguei a tempo de ver tudo que aconteceu. - disse o rosto endurecendo e fechando as mãos em punho.
- Tudo bem. Obrigada por sua ajuda. - eu disse abraçando o meu próprio corpo, que tremia pela lembrança daquele momento. Ele passou o braço pelos meus ombros, confortando-me. - Está tudo bem, Bella. Venha eu acompanharei você até a sua cabine. - disse com um carinho imenso na sua voz. Deixei que ele me guiasse até a cabine, ele entrou junto comigo, deitou-me na cama e cobriu-me com o cobertor. Afastou com a mão uma mecha do meu cabelo que cobria meu rosto.
- Descanse um pouco, Bella. Vai se sentir melhor quando acordar - disse com voz grave. Fechei os olhos, sentindo seu olhar em meu rosto. Tentei estabilizar a minha respiração. Ouvi quando ele saiu, fechando a porta atrás de si e apaguei exausta.Quando acordei já era noite.Olhei no relógio e pude ver que já era 18h30. Levantei e tomei uma ducha quente. Envolvida no roupão, fui escolher o vestido que usaria para o jantar. As horas no sol haviam deixado minha pele com um leve bronzeado, então resolvi usar um dos vestidos curtos. Escolhi um de musselina marfim, o tecido leve cruzava sobre o busto, dando volta pelas costas e voltando num ombro só para frente prendendo abaixo de um dos bustos. A cor realçou meu leve bronzeado. Calcei as sandálias de Pedrarias e peguei uma carteira bege da Fendi que combinava perfeitamente com o vestido e as sandálias. Deixei os cabelos soltos e, só coloquei um batom cor de boca e perfume, por que o sol deixara minha pele com uma aparência saudável, dispensando o uso de mais maquiagem. Era 20h00, peguei a minha carteira e fui para o restaurante. Quando cheguei lá avistei imediatamente o Capitão conversando com um casal. Fiquei parada sem saber o que fazer e, nesse momento ele olhou em minha direção. Nossos olhos se cruzaram e me senti enrubescer pela intensidade do olhar dele. Ensaiei um sorriso. Ele virando-se para o casal falou alguma coisa baixinho e veio em minha direção.
- Você está linda. - disse
- Obrigada, você também. - indicando com a cabeça o seu novo uniforme, azul marinho. Não sabia se ele ficava mais bonito de branco ou de marinho. Ele me pegou pela mão
- Venha. Não jantaremos aqui. - disse me surpreendendo.
- Aonde vamos? - perguntei enquanto apressava o passo para acompanhá-lo.
- É surpresa. - ele disse e fomos subindo algumas escadas até que chegamos numa parte onde uma corrente restringia o acesso. Uma placa pendurada avisava que era proibido a acesso de pessoas não autorizadas. Ele puxou a corrente e subimos mais um lance de escadas. Chegamos numa área aberta, como uma grande varanda.com vista para o mar. Pequenas lamparinas brancas estavam distribuídas pelo espaço iluminando uma mesa redonda coberta com uma linda toalha branca ricamente bordada, a porcelana branca os cristais e os talhares de prata. Tudo extremamente branco e bem arrumado. Somente um arranjo no centro da mesa de flores vermelhas e brancas com umas folhagens verdes, dava um toque colorido. A lua enorme, parecia uma grande lamparina no céu, deixando um rastro prateado no mar.
- Lindo. - sussurrei. Edward se aproximou e olhou para o mar concordando. - Está uma noite perfeita. - depois se virando para mim, acrescentou: - Mas, eu não usaria a palavra linda. Não com você aqui para comparar. - disse sério. Touchée!
- Muito galante - aprovei com um sorriso.
- Apenas sincero. - ele me dando aquele sorriso torto lindo - Venha, vou abrir o champagne. - acrescentou. Segui-o de bom grado. Ele abriu a garrafa sem nem mesmo fazer barulho, ao ver meu olhar surpreso sorriu e esclareceu enquanto enchia as duas taças - Uma técnica que aprendi com um maitre francês, que trabalhou uma época conosco. Você tem que pegar o guardanapo e ir girando a rolha de um lado e depois no sentido contrário. O champagne abre sem fazer barulho ou derramar. - disse entregando-me uma taça.
- Ao seu próximo Best Seller - ele brindou erguendo a taça. Eu inclinei a cabeça em agradecimento e toquei sua taça com a minha. Tomamos um gole. Estava perfeito. O Champagne levemente brut estava na temperatura ideal e desceu suave pela garganta. - Delicioso! - aprovei - e quase acrescentei que não deveria ter usado a palavra delicioso, não com ele ali para comparar. Não pude evitar sorrir da minha piadinha particular.
- Vai compartilhar comigo? - perguntou divertido
- O... O quê? - pega de surpresa
- Esses pensamentos que te divertem - senti meu rosto corar. Ele passou os dedos delicadamente sobre as minhas bochechas quentes e riu.
- Não pensei que ainda existissem mulheres que ficassem ruborizadas. Mas, você é uma surpresa constante. Eu gosto disso. - disse baixando a mão. Nesse momento, dois garçons entraram carregando imensas bandejas com o nosso jantar. Ele sinalizou com a cabeça para que o seguisse a mesa - Vamos jantar. - disse enquanto puxava uma cadeira para mim.
- Obrigada - disse sentando-me. Um garçom serviu-nos mais champagne enquanto o outro colocava um prato com uma imensa lagosta gratinada na minha frente. Esperei que ele fosse servido antes de começar a comer. A lagosta estava soberba. Edward se revelou uma ótima companhia. Ele era inteligente, divertido e muito charmoso. Falou pouco sobre si, mas, fez muitas perguntas ao meu respeito, sobre coisas de que gostava ou não, bichos de estimação que tive e riu alto quando lhe contei que desisti de ter bichinhos depois de ter matado sem querer o meu terceiro peixinho de aquário. Estávamos terminando na sobremesa, um delicioso Crepe flambado com Sorvete de creme. Quando um som de violino, vindo do andar abaixo do nosso começou a tocar uma melodia conhecida... - Claire de Lune! - exclamei surpresa.
- Conhece Debussí? - ele parecia agradavelmente surpreso.
- Não muito. Apenas algumas músicas, mas esta é uma das minhas favoritas. - disse tímida
- Minha também - ele falou pegando a minha mão. - Dança comigo? - perguntou ele. Eu assenti e ele ajudou-me a levantar segurando a cadeira.
Ele me envolveu nos seus braços e me guiou delicadamente. Estar ali me pareceu a coisa mais certa do mundo e a mais errada também. O calor do seu corpo, o seu cheiro causava uma corrente elétrica que ia dos meus pés para os meus cabelos e voltando dos meus cabelos para os pés, que era quase palpável. Edward encostou o seu nariz na base da minha orelha e desceu pelo meu pescoço. Senti o meu corpo estremecer e ele me apertou mais em seus braços. Eu estava embriagada pela presença dele e imitei o seu gesto inalando o perfume em seu pescoço. Percebi sua pele arrepiar e sorri baixinho. Edward parou de dançar. - Bella - sussurrou. -com o dedo indicador levantou o meu queixo para que pudesse me olhar nos olhos. Perdi-me de vez naqueles olhos de gato selvagem dele. Com um grunhido ele segurou meu pescoço com uma das mãos e puxou meu rosto esmagando minha boca com um beijo apaixonado. Levei uma das minhas mãos até os seus cabelos sedosos e enrosquei os meus dedos neles, puxando-o ainda mais para perto de mim. Nossos corpos se roçavam, nossas mãos urgentes tocavam nossos corpos numa necessidade difícil de conter. Edward abandonou a minha boca, mas, só para colar a dele no meu pescoço dando pequenas mordidinhas até chegar ao meu ombro. Minha cabeça girava e eu me agarrava em seus ombros. Estava começando a sentir os meus joelhos ceder quando caí em mim.
- Pare, por favor. - pedi ofegante. Ele também respirava com dificuldade.
- Me desculpe. - disse ele se afastando.
- Eu não sei o que aconteceu, eu... Desculpe-me também.
- Diga-me Bella, que não sou melhor do que aquele cafajeste que te atacou pela manhã.
- O..O que...está dizendo? - perguntei chocada.
- O fato de termos jantado e compartilhado um pouco da nossa intimidade, não me dá o direito de te tocar desta maneira. Assim como ele, eu meu aproveitei de você numa situação em que estava vulnerável. - Disse tenso. - Vou acompanhá-la até a sua cabine. Já passa da meia-noite e amanhã cedo tenho um compromisso. - concluiu ele.
- Edward. Não foi só culpa sua o que aconteceu agora. - disse entre frustrada e aliviada. Ele não era o único que ficava sem controle por ali.
Descemos em silêncio e ele me acompanhou até a porta da minha suíte. Virei-me para agradecer pelo jantar, mas, fiquei muda diante da expressão intensa do seu rosto. Ele me segurou pelo queijo e se aproximou lentamente. Fechei os olhos e ele beijou os meus lábios com tanta ternura que sentí lágrimas subindo aos meus olhos.
- Boa noite, Bella. - sussurrou
- Boa noite, Edward - respondi, mas, ele já tinha desaparecido.






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