domingo, 2 de janeiro de 2011

Love of the Seas- capitulo 1

Um toque estridente e insistente me despertou de um sono cheio de sonhos confusos e incoerentes... Demorei ainda uns segundos para perceber que o toque irritante era do meu celular - Alô! - resmunguei sonolenta.

- Bella! Onde você está? - Reconheci a voz da Angela, secretária de Mike, dono da Editora que publicava os meus livros e com quem eu teria uma reunião em exatos 20 minutos! - Ai... - Gemi.

- Bella, por favor, me diga que está a caminho. Ele está com um humor insuportável, hoje! - Ângela suplicou, aflita.

- Ele sempre está com este humor, Ângela. Não é só hoje. Desculpe, esqueci de ligar o alarme do celular para despertar. Diga-lhe que estou no trânsito e que devo atrasar uns 15 minutos. - Antes de desligar pude ouvir o suspiro conformado dela no outro lado. Sabia o quanto o Mike podia ser duro quando não se cumpria prazos e horários. O que me lembrava que o meu problema era muito maior do que meu possível e certo atraso à reunião...

Pulei da cama e fui de direto para o banheiro escovar os dentes e tomar uma ducha rápida. Pelo telefone solicitei um táxi, enquanto me vestia. Escolhi um vestido tubinho vermelho, calcei sapatos de saltos altos pretos e casaco que iam até os joelhos, também, preto. Passei um batom vermelho e prendi os cabelos num coque. Um olhar ao espelho me garantiu que estava preparada para a guerra com o meu editor. Olhei o relógio, havia gasto apenas 15 minutos. O interfone tocou anunciando a chegada do táxi. Abandonando a esperança de tomar um gole de café, peguei a bolsa e saí apressada do apartamento. Ignorei o elevador e desci correndo pelas escadas. Morava no primeiro andar e, era mais rápido descer pelas escadas do que esperar o lento elevador. O prédio era antigo, mas, tinha charme e era meu! Eu o comprara por uma pechincha, no boêmio bairro West Village, em Manhattan e, transformara-o em meu ninho onde me refugiava do mundo para escrever.

Sempre gostara daquele charmoso bairro que mantinha a aura artística e boêmia conquistada nos anos 70 e 80, quando era considerado o lar de músicos, escritores, pintores e agitadores culturais, cheio de bares e restaurantes, entremeados por lojas de grife. Tivera realmente sorte, pois, poucos meses após ter adquirido o meu apartamento, o bairro foi tomado pela especulação imobiliária e pelos ricos empresários, elevando muito os valores dos imóveis na região.

Entrei no táxi e passei o endereço ao motorista – Vá o mais rápido que puder e será bem recompensado. – disse ao motorista sorridente. Cinco minutos depois estava arrependida e agarrada ao banco do carro. Ora me amaldiçoando, ora rezando para chegar viva ao meu destino. Depois de 15 minutos cheguei ao prédio da Editora que ficava na parte central de Manhattan. A fachada do prédio era toda espelhada e o seu interior decorado, com um requinte sutil. A Recepcionista sorriu ao ver-me entrar esbaforida – Bom dia, Srta.Swan.Pode subir, ele a aguarda. – Bom dia. Obrigada, Jéssica. – respondi indo direto para os elevadores. O escritório ficava no vigésimo andar e dava dentro da ante-sala da Ângela. Quando a porta abriu, saltei para fora quase trombando com a Ângela.

- Graças à Deus! – disse ela quando me viu. – Mais cinco minutos e pularia pela janela – disse entre divertida e aliviada. Segui-a até o escritório do Mike e ela bateu suavemente aguardando que a voz impaciente ordenasse para que entrássemos.

- Está atrasada, Bella – disse levantando-se para me cumprimentar. Mike era jovem, aproximadamente 27 anos e já possuía uma respeitável editora. no mercado. Ele não era muito alto, tinha cerca de 1,70 m, cabelos loiros e olhos azuis, poderia ser até considerado bonito se o rosto não estivesse sempre com expressão tão fechada.

- Bom dia para você também, Mike. - respondi sarcasticamente e vi seu rosto ficar vermelho. Ele ignorou minha provocação e virou-se para a secretária. – Traga-nos 2 cafés, Angela. – ordenou enquanto me indicava a cadeira para sentar.

- Por favor e obrigada, Ângela.- provoquei-o mais uma vez dando uma piscadela para Ângela que saiu disfarçando um sorriso.

- Sinceramente, Mike! Não sei como a Ângela te suporta com tanto mau humor! Deveria dobrar o salário dela... No mínimo.

- Até poderia pensar, Bella, se a Editora tivesse escritores que cumprissem os prazos de entrega dos livros! – Respondeu ácido. Fiz uma careta para ele.

- Acontece que inspiração não vem junto com pressão. Você já deveria saber disso. – disse dando de ombros.

- Bella.- Mike suspirou e me olhou sério. – Você tem só até o final do mês para entregar a segunda e última parte do romance... Estamos no dia dez e, até agora não recebi nenhum novo capítulo!

- Eu sei Mike! Eu até andei escrevendo, mas, não gostei e então rasguei. Você sabe que eu tenho que gostar antes de qualquer outra pessoa. Sou a minha pior crítica.

- Isso é função minha, Bella.Se não gostar você tem que reescrever! Deixe que eu decida se está bom ou não. – disse dando um soco na mesa.

Agradeci mentalmente a entrada da Ângela que trazia nosso café, ganhando um tempo para que ele se acalmasse antes de continuar.

- Obrigado, Ângela – ele falou, mas, lançando um olhar tipo: “suma daqui!”, o que ela fez prontamente. Comecei a bebericar meu café lentamente enquanto pensava na melhor maneira de dar a notícia de que pretendia viajar para tentar buscar inspiração... O que significaria outro adiantamento do meu pagamento pelo romance, antes de entregá-lo. Mike iria surtar!

- Mike, eu acho que preciso mudar de ares, buscar inspiração. Sinto que devo esvaziar a minha cabeça de qualquer tipo de pressão, antes de continuar esse romance, para poder escrever um livro com a qualidade que os meus leitores e você – acrescentei para adoça-lo – esperam e merecem de mim.

- O que tem em mente, Bella?O que precisa?Aceito tudo, contando que me prometa entregar o livro no prazo combinado. – disse ele mais cordato.

- Eu estava pensando... Acho que deveria viajar. Estou querendo fazer um cruzeiro, já algum tempo. Longe de tudo, de buzinas, fumaça, telefones... No meio do mar, tenho certeza que minha inspiração voltaria e poderia terminar o livro no prazo. – parei de falar enquanto observava o Mike avaliar o que acabara de ouvir. Para o meu espanto, ele sorriu. – Está bem, Bella. Faça isso, então. Vá ao seu cruzeiro e volte até o final do mês com os benditos capítulos finais.

– Bom você sabe que eu precisarei de um bom adiantamento. Vou de primeira classe. Preciso comprar algumas roupas e de dinheiro para a viagem... - ele apertou o interfone e chamou:

- Ângela venha até minha sala..- quando ela entrou ele ordenou – Providencie tudo que a Srta.Swan necessitar e me traga para assinar. Disse levantando-se, dando a reunião por encerrada. Levantei-me entendendo o recado e agradeci.

– Obrigada, Mike. Isso realmente vai ser bom para mim. – disse contente. Fora mais fácil do que esperava. Eu trabalhava com a Editora do Mike a 5 anos e esta era a primeira vez que tinha essa necessidade de viajar em busca de inspiração. No final, eu era uma escritora que não dava muito trabalho para ele e os meus livros sempre vendiam bem.

Ângela disse que pesquisaria opções de cruzeiros que estivesse dentro do prazo que precisávamos e me enviaria até a manhã do dia seguinte, para que eu escolhesse qual gostaria de fazer. Depois disso acertado, saí de lá decidida a passar numa daquelas lojas chiques do meu bairro e dar uma enriquecida no meu guarda-roupa. Estava estranhamente empolgada! Nunca fui muito de ficar viajando, mesmo quando precisava pesquisar sobre alguma cidade ou o costume de seus habitantes, eu preferia acessar o Google a ir a campo. Por puro comodismo, mas, desta vez era diferente. Sentia-me impelida a seguir como que empurrada por uma mão invisível.

A loja cheirava a perfume francês, uma música suave tocava baixinho e uma vendedora com ares de importante veio me atender com um sorriso enquanto os seus olhos me avaliavam, lembrei do filme uma linda mulher em que a Julia Roberts fazia o papel de uma prostituta que tentara entrar numa dessas lojas sendo rechaçada pela vendedora. Respirei fundo. Bom, não é eu meu caso. Eu sou uma escritora de sucesso, estou bem vestida, tenho dinheiro para gastar comigo aqui, então... Olhei para a vendedora e disse: - Preciso comprar alguns vestidos de noite, três deles longos. – os olhos da moça brilharam e pediu-me para acompanhá-la. Passamos por uma bancada com uma prateleira repleta de carteiras e fomos em direção a uma pequena saleta, nela algumas araras bem posicionadas guardavam verdadeiras tesouros, dos mais finos tecidos e acabamentos.

Escolhi nove vestidos sendo três longos e seis curtos. Todos os vestidos era para usar a noite, para o dia eu já tinha vários novos, alguns deles que ainda nem usara. Eles eram lindos, elegantes e muito ousados. Não era meu estilo. Eu sempre me vestira de modo mais recatado, mais clássico. Mas, eu queria ousar, mesmo que depois do cruzeiro não tivesse coragem de usar estes vestidos de novo. Escolhi duas carteiras para acompanhar os vestidos, uma era prata com cristais e a outra era de cetim preto. Comprei duas sandálias uma prata de tirinhas delicadas e, outra com pedrarias no peito do pé que parecia uma jóia de tão bonita, pelo preço que me esforcei para não olhar duas vezes por medo de desistir, deveria ser mesmo.

Saí da loja carregada de sacolas e totalmente satisfeita apesar da pequena fortuna que havia deixado lá. Chegando em casa, guardei as compras tirei a minha roupa e vesti um roupão curtinho de seda marfim, que havia ganhado de Renné no meu último aniversário.Era minha peça favorita para estar dentro de casa. Preparei um café e deixei coando na cafeteira. Estava indo na direção do banheiro para tomar um banho decente, quando meu celular começou a tocar. Pelo visor, vi quem me chamava.

- Oi, Ângela.

- Bella, você não vai acreditar no que eu encontrei! Tenho certeza que irá aprovar, mas, estou mandando outras opções. – eu ri da empolgação dela.

- Ângela, respire. O que encontrou? – perguntei curiosa

- Bella você está em casa?- quando respondi que sim, ela continuou, - Fique aí que estou enviando pelo moto boy os prospectos que recebi da agência de viagens.

- OK! Não tinha mesmo planos de sair. – respondi achando graça.

- Em dez minutos ele chegará ai. – ela prometeu desligando. Tive que segurar a idéia do banho demorado e voltei para a cozinha para tomar o café que já estava pronto, enquanto aguardava os prospectos. Esperava de coração que esta viagem quebrasse esse meu bloqueio mental e que conseguisse terminar o romance. Nunca tivera dificuldade de escrever, as palavras fluíam naturalmente e pouca vez corrigia ou tinha necessidade de melhorar frases. Era uma coisa que fazia parte de mim, de repente criava vida na minha cabeça e conseguia colocar tudo no papel... Mas, esse último livro foi diferente. Suspirei... Acho que eu estou precisando somente de férias... como todo ser humano normal.Desde que mudei para Manhattan, a cinco anos que não descanso.Prometi a mim mesma que depois deste livro concluído, eu iria visitar o Charlie e a Renné.A campanhia do interfone tirou-me do devaneio. Levantei para atender – Sim?

- Sou da Editora. Dona Ângela mandou um envelope para a senhorita. – Abri a porta e mande-o subir. Fiquei na porta do apartamento aguardando ele chegar, só me dei conta de que ainda estava de robe quando o moço arregalou os olhos ao me ver.Fingindo uma indiferença que não sentia, peguei o envelope. – Obrigada. – disse. Ele gaguejou um “Não por isso” e foi embora.

_ Vamos ver o que temos aqui. Fui até a sala e me joguei no sofá, abrindo o envelope. Vários prospectos e fotos com belas praias e Navios imensos caíram dele junto com um bilhetinho da Ângela. “Bella, tem duas opções que atendem o prazo para que esteja de volta antes do final do mês, conforme solicitou. Você encontrará prospectos com a letra A e outro com a letra B. Ambos para embarque em 2 dias.Escolha qual te agrada mais e me ligue para que eu possa fechar com a agência de viagens. Estamos em cima da hora e, quero pegar uma cabine na primeira classe para você. Beijos. Ângela.” Olhei os prospectos.O “A” tinha um lindo Transatlântico,com embarque no Porto de Nova York, oferecia 14 noites e 15 dias de viagem passando por algumas cidades dos EUA e indo ao Canadá.Não era uma viagem curta, mas, com poucas paradas em Nova Inglaterra, Cape Liberty, Boston, Portland, Quebec City e Charlottetown.Gostei muito dessa proposta. Olhei os prospectos “B”.Esse era 16 noites e 17 dias de viagem, sua rota era Itália, Espanha, Marrocos. Mas o embarque se daria em Porto Italiano e ficaria corrido e cansativo para mim, o que me fez decidir pela opção “A”.Peguei o telefone e liguei para Ângela. No segundo toque ela atendeu. - Editora Forks, Ângela falando.

- Sou eu, Bella.Adorei a opção A.Pode fechar.- disse decidida.

- Eu sabia! – riu – Ótima escolha. Vou cuidar de tudo, até amanhã envio outro envelope para você com tudo resolvido. Já comprou o protetor solar? – perguntou animada. - Protetor não, mas, fui numa daquelas lojas de grifes aqui no meu bairro e. - O gritinho da Ângela me interrompeu e ela ordenou que eu contasse tudo. Eu ri e então comecei a contar sobre a “pequena” extravagância que tinha feito após sair da Editora, naquela manhã. Ângela dava suspiros enquanto descrevia cada peça. Depois de prometer tirar foto com cada roupa que vestisse desliguei e fui finalmente tomar meu demorado banho, desta vez com mil planos na cabeça.

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