domingo, 2 de janeiro de 2011

Iris de Edward Cullen - Capitulo 5


Segundo Semestre
Deixá-la ... permitir que ela se afastasse de mim, depois de tudo que havia
acontecido nas últimas horas foi muito difícil, mas era necessário. Bella precisava de um
tempo para ela mesma depois da longa viagem, e Charlie também não ia facilitar. Assim
que Bella saiu do quarto, para um dos seus “minutos humanos”, me sentei em sua cama ...
nossa cama para poder pensar. Alí, na casa dela era o melhor lugar, era fácil me concentrar,
a mente humana era mais fácil de bloquear do que a mente dos da minha espécie.
Mas não esperava pelo que viria ... pelo que Charlie estava pensando.
Charlie estava furioso sentado no sofá da sala, remoendo em sua mente tudo que
Bella falou, tentando digerir tudo aquilo e achar um meio de me tolerar em sua vida, já que
era uma exigência de Bella. Estava muito difícil, e ele estava tentando descobrir uma forma
de me manter longe dela, a qualquer custo, mas não encontrava um meio de resolver em
Forks, somente se ele mandasse Bella de volta para casa de sua mãe, e isso ele não queria, e
ele tinha certesa que Bella não iria. Mesmo se ele proibisse de todas as formas, eu não seria
capaz de manter distância ... não mais, eu iria com ela, para onde ela fosse, mesmo que para
o lugar mais ensolarado da face da Terra. Bella já fazia parte de mim antes, mas ela ter ido
até Volterra, ter enfrentado tudo, se arriscado para salvar a minha vida, foi uma prova de
que deveríamos ficar juntos, e nada nos separaria, nem seu pai.
Naquela hora, veio na mente de Charlie, a imagem de Bella gritando e se debatendo
em sua cama, depois de muito dias cataônica. Renée tinha vindo à Forks depois de muitos
anos, ela estava muito preocupada com Bella e ia levá-la, mas depois da reação de Bella,
voltou atrás. Aquilo me assustou muito e me senti mais culpado ainda, abaixei minha
cabeça, colocando meu rosto entre minhas mãos e arranhando meu rosto com meus dedos,
querendo arrancar de minha mente aquela imagem. Foi naquela hora que Alice apareceu.
– Você está bem? – Alice me perguntou assim que entrou pela janela de Bella
silenciosamente.
– Não. – Disse sinceramente ainda com a cabeça baixa.
– Você precisa sair. – Ela me disse.
– Por que? – Levantei meu rosto e questionei, já vendo na mente dela a visão.
– Charlie virá, ele vai revirar a bolsa de Bella, quer saber onde ela esteve. – Ela me contou.
– O passaporte. – Disse quando vi na visão Charlie segurando o passaporte de Bella, cheio
dos carimbos da viagem.
– Sim, mas Jasper já cuidou disso. – Ela me disse e balançou em sua mão um passaporte
falso. Jasper era especialista e tinha contatos.
– Quando? – Queria saber mais.
– No avião, quando estávamos indo. Pedi para ele ir providenciando, havia uma boa
possibilidade de que tudo acabasse bem, precisava estar preparada para os possíveis
futuros. – Ela me contou e deu de ombros.
– Obrigado, Alice. – Agradeci. Mas uma vez ela nos ajudava. Alice amava Bella.
– Não diga a ela. – Ela me pediu e fez a troca, colocou o passaporte falso no lugar do
verdadeiro, que iria para o cofre de nossa casa.
– Não ia. – Contei. Claro que se Bella soubesse ia ficar preocupada e muito chateada com
seu pai, ela prezava sua privacidade.
– Eu sei. – Ela me disse sorrindo. – Só checando.
– Existiam outros futuros? – Perguntei, tentando descobrir em sua mente.
– Não pense nisso, foi esse o melhor. – Ela me disse um pouco tensa.
– Você manipulou? – Continuei.
– Dessa vez não. – Ela me disse e vi que era verdade.
– “Dessa vez não”. – Repeti. – Desde quando você não muda as coisa para o “seu
melhor”?
– Dessa vez não foi preciso. – Ela me garantiu. – Está no destino de vocês, você não tem
como discutir isso.
– Não vou, não mais. – Disse e baixei a cabeça.
– Ela aceitou? – Alice finalmente perguntou.
– Bisbilhotando de novo, Alice? – Acusei olhando para ela.
– Veio pouco depois que vocês saíram de casa. – Eu ia perguntar mas ela se adiantou. –
Não contei a eles.
– Obrigado. Quero contar ... principalmente à Esme. – Disse agradecido.
– Ela vai adorar ... não, vai amar. – Alice me disse e já ia mostrar quando eu cortei.
– Será que dá para segurar a língua, Alice. – Pedi sorrindo um pouco. Ela ficou feliz.
“– Por onde ela andou? Será que ela mentiu para mim?” – Charlie pensou no andar de
baixo e eu me virei para a porta.
– Tá na nossa hora. – Alice disse. – Fique do lado de fora, ele vai sair logo e você poderá
voltar, mas só terá mais uma hora com ela. – Ela me disse.
– Ok, obrigado. – Agradeci. – Vamos. – Disse e indiquei a janela.
Saímos do quarto de Bella e fomos para o telhado, nos fundos da casa dela. Alice
não ficou, saltou direto para a floresta, me deixando só com meus pensamentos, ela sabia
que eu queria ficar sozinho, precisava de um tempo para mim, para poder entender tudo o
que havia acontecido, como em menos de trinta horas eu estava prestes a morrer nas mãos
dos Volturi e naquela hora eu estava praticamente noivo, comprometido com uma promessa
de transformação, a promessa de ficar com Bella por toda a eternidade, já que de uma
forma ou de outra ela seria transformada, pelas presas de meu pai, ou pelas minhas ... caso
ela aceitasse se casar comigo.
Como Alice havia previsto, Charlie entrou no quarto de Bella e revirou sua bolsa
encontrando seus documentos e até o passaporte. Ele ficou intrigado no porque de o
passaporte estar lá, mas não se prendeu à idéia. Como não descobriu nada e ouviu o
chuveiro sendo desligado, saiu rapidamente do quarto de Bella e foi para o seu, buscando o
seu uniforme. Charlie voltaria à rotina, ele voltaria ao trabalho depois de três dias de
angústia e agonia. Vi em sua mente que um amigo o havia substituído, praticamente o
explusado da delegacia quando viu o estado que Charlie ficou. Ele se recusou a acionar o
FBI quando Bella desapareceu com Alice, preferiu esperar por uma notícia, mas prometeu a
si mesmo que se Bella desaparecesse por mais dois dias, acionaria todos os órgãos
competentes para encontrá-la. Dessa vez ele saiu de casa sem se despedir de Bella. Charlie
estava muito magoado e com raiva de mim, não queria outra discução, deixou apenas um
bilhete para Bella sobre a mesa da cozinha. Eu pude ouvir e ver quando a viatura saiu em
disparada pela rua, Bella também deve ter escutado.
Pude ouvir o barulho de Bella voltando para o seu quarto e parou.
– Edward? – Ela disse depois de fechar a porta.
– Sim. – Disse entrando pela janela.
– Você ficou. – Ela disse aliviada. – Fiquei preocupada, pensei que você fosse embora. –
Ela disse ainda parada atrás da porta.
– Não vou me separar de você Bella, nunca mais. – Disse e dei um passo em sua direção.
– Você promete? – Ela me pediu e não se mexeu.
– Sim. – Prometi e parei. – Nunca mais, não tenho mais forças, Bella. Não é possível,
como nunca foi. Mas eu fui teimoso, tanto quanto você é, mas não mais ... não vou mais
lutar contra o que estamos destinados. – Disse e ela se moveu.
Bella veio em minha direção e se abraçou à mim. Ela parecia tremer em meus
braços, não com medo, tensa demais como raramente ficava.
– O que foi, Bella? – Perguntei trazendo seu rosto para cima. – Me diga, por favor ... não
me esconda nada ... nunca mais me esconda o que você sente. – Pedi.
– Não é nada, só bateu uma insegurança ... um medo. – Ela me disse e tremeu novamente.
– Medo de que? – Perguntei.
– De você não voltar ... não sei. – Ela me disse olhando em meus olhos e depois sacudiu a
cabeça.
– Se eu pudesse, corria com você daqui agora mesmo, para o lugar mais distante e
longínquo, Bella. – Disse e acariciei seus lábios.
– Eu te amo. – Bella disse olhando nos fundo dos meus olhos e tocando em meus lábios
também.
Mesmo estando há muitos dias sem caçar, mesmo estando com os meus olhos mais
negros que a noite mais negra, a sede não me incomodou naquele momento. Eu beijei Bella
lentamente, e ela também não tinha mais urgência. Era como se não houvesse mais pressa
naquela hora ... era como se o mundo tivesse parado para nos presentear com aquele
momento.
– Quando você vai? – Bella me disse quando nos sentamos na nossa cama.
– Vou aonde, Bella? – Perguntei.
– Caçar. – Ela disse e fez sinal para os meus olhos.
– Ainda não sei.
– Você não precisa ficar sofrendo, não quero que você sofra. Mesmo não gostando, mesmo
sabendo que vou ficar contando cada segundo, eu entendo, preciso entender. – Ela me disse
firme.
– O problema não é esse. – Disse e virei meu rosto. – Ainda não estou pronto.
– Não entendo, Edward. – Bella disse e tentou encontrar meu olhar.
– Bella. Ficar longe de você ... todo esse tempo. – Disse mas parei para pensar a forma
certa de falar. – Sei como você sofreu ... vi na mente de seu pai.
– Já passou. – Ela me garantiu. – Você está aqui comigo agora, e ficará para sempre. –
Bella disse e tocou meu rosto.
– Ok. Mas não vou longe, não vou ... Caçarei durante a noite nas proximidades, enquanto
você dorme. – Disse. – Não vou longe, não enquanto eu não me sentir pronto, não enquanto
eu não me sentir seguro novamente.
– O que você está dizendo? – Bella me questionou.
– Os lobos, Bella. Não quero você perto deles. Não quero você perto de Jacob Black, é
muito perigoso. – Contei a ela.
– Jacob não é perigoso. – Bella disse e se levantou.
– Ele é muito novo, não tem tanto controle sobre seus impulsos ainda, Bella. – Me levantei
e fui para o seu lado. – Você não tem noção de quão perigoso um lobo jovem pode ser.
– Ele nunca me machucou, nunca. Ele me protegeu. – Bella disse se virando para mim.
– E eu estarei devendo isso a ele por toda a eternidade. – Disse virando meu rosto. – Nunca
vou me perdoar por ter feito isso com você. – Disse e olhei novamente para ela. – Mas isso
não muda as coisas, Bella.
– Não vamos discutir isso hoje, ok? – Ela me pediu e eu assenti, sorrindo para ela. – Será
que eu ainda tenho emprego? – Bella perguntou a si mesma.
Depois que Bella se alimentou, pegou o telefone e ligou para a loja nos Newton se
desculpando pelo sumisso repentino. Explicou que foi uma emergência familiar, a Sra.
Newton disse que ficou preocupada mas que seu emprego ainda estava garantido, para
alívio de Bella.
– Você vai continuar na loja do Newton? – Perguntei a ela assim que ela desligou.
– Sim, nada mudou.
Eu não questionei Bella naquele momento, se ela quizesse viver esse momento
humana, ela viveria ...ela teria todos os momentos que quizesse, o tempo que fosse
necessário, não havia pressa ... não para mim, eu havia imposto a minha condição para
transformá-la, o próximo passo seria dela, e eu aguardaria ansiosamente.
– Senti falta disso. – Bella me disse ao aconchegar em meu peito naquela noite.
– Eu também ... muita, pensava nisso o tempo todo. – Disse, a apertei levemente em meu
peito e inspirei. A sede ardeu novamente, intensamente.
“– Preciso caçar ...urgentemente.”, pensei.
– Você ficará a noite toda? – Bella me perguntou.
– Essa noite não. Preciso ir em casa. Você ficará bem? – Perguntei um pouco preocupado.
– Sim, estou muito cansada. Acho que vou desmaiar a qualquer momento. – Bella disse e
bocejou.
– Durma então, meu amor. – Disse e feliz, começei a cantar para ela, novamente depois de
oito meses.
Bella adormeceu rapidamente como ela mesma havia previsto, antes da uma da
madrugada ela já estava dormindo profundamente. Bella esteve em seu limite por muito
tempo, merecia uma noite tranquila e revigorante. Me disvencilhei de seus braços e a cobri
com mais uma colcha que peguei do armário do corredor. Antes de sair a beijei de leve, foi
a noite em que eu parti mais cedo, normalmente eu ficava até quase amanhecer. Foi difícil
partir naquele momento, mas a sua segurança estava sempre em primeiro lugar e naquele
momento não seria diferente, eu iria para casa conversar com Esme e Carslile, contar da
minha decisão e depois caçaria.
– Como Bella está? – Carslile me disse assim que entrei. – Você não voltou, ficou o dia
todo lá e nem telefonou, ficamos preocupados, mesmo quando Alice disse que estava tudo
bem.
– Ela está bem, só muito cansada. – Contei. – Desculpe não voltar antes, mas não pude sair.
– Nós entendemos. – Esme me disse. – Ela estava muito abatida no aeroporto, ficamos
muito preocupados, Edward, principalmente depois de tudo que Alice contou.
– Ela é muito forte, Esme. – Disse.
– Percebemos, ela foi incrível e seremos eternamente gratos a ela por sua atitude. – Carslile
disse sinceramente.
Como médico, Carslile avaliou o estado de Bella rapidamente assim que
aparecemos no portão de desembarque. Ele identificou a fraquesa física e mental de Bella, e
prometeu a si mesmo que cuidaria disso, além de conversar com Charlie.
– Tenho muita coisa para resolver. Tenho que ir na escola, amanhã pela manhã. Tentarei
convencer a Sra. Cope a me colocar de volta em meu horário, junto dela. – Disse a eles.
– Já cuidei disso. – Carslile disse. – Na verdade, cuidamos. – Ele completou abraçando
Esme.
– Fomos hoje na escola, Edward. Dissemos que, como estávamos de volta à cidade, você
retornaria em seu horario, mas tem um problema. – Esme me disse.
– Qual? – Perguntei.
– Não conseguimos todas as aulas. Você ficará com Alice em Espanhol e História
Americana III. – Carslile me contou com humor.
Alice não estava em casa, ela havia saído para caçar com Jasper e matar a saudade
que sentiam por conta de todos aqueles dias longe um do outro. Ela ficaria satisfeita, já que
seriam duas aulas que ela não estaria sozinha como ficou no início do semestre. Esme e
Carslile não conseguiram colocar Alice em nenhuma das aulas junto com Bella.
– Tudo bem, é suportável. – Disse sorrindo, pelo menos ficaria com ela na maioria das
aulas.
– Amanhã mesmo, quer dizer ... hoje mesmo você pode retornar. – Esme me falou.
– Acho que Bella vai gostar disso. – Rosalie disse ao se aproximar com Emmett.
– Queria estar lá para ver a cara de todos quando derem de cara com você e Bella juntos
novamente. – Emmett disse brincando.
– Com certesa ficarão surpresos, mas sobreviverão. – Disse com humor. – Mas tenho
problema maiores, os lobos. Eles já devem saber que estamos de volta, Charlie com certesa
informou aos amigos de La Push.
– O Tratado ainda está valendo, Edward. Eles não vão se aproximar. – Carslile me
garantiu.
– Mas e Bella? Jacob com certesa vai querer uma convivência. – Emmett disse.
– E não podemos tocar nele. – Rosalie disse.
– E nem vamos. Bella com certesa não aprovaria isso. – Disse. – A princípio não temos
motivos para preocupação, ele a salvou, como Alice disse. A minha preocupação é ela
querer frequentar La Push ... Já conversei com ela, mas sei que não a convenci. Isso vai ser
complicado.
– Vamos esperar para ver o que acontece. – Carslile disse.
– O problema é que Alice não consegue vê-los. – Esme completou.
– Não consegue? – Perguntei.
– Não. Ela contou tudo quando voltamos. – Esme contou. – Foi por isso que ela só viu
Bella saltando do penhasco. Ela não conseguiu ver que ele tinha tirado Bella, nem o que
aconteceu depois.
Vimos Rosalie sair de perto e ir para a janela da sala, em seu rosto a informação foi
preenchendo as lacunas em sua mente. Emmett a acompanhou.
– Foi por isso então ... cachorro maldito! – Rosalie rosnou. – Foi culpa dele ... foi por causa
dele que Edward ficou furioso comigo, por isso dei a informação errada e ele foi para
Volterra para morrer. – Rosalie disse furiosa para Emmet. Ela ainda não sabia daquela
parte. Rosalie passou a odiar Jacob naquela hora.
– Vamos esquecer isso, ok? – Disse e Rosalie assentiu mas seu ódio por Jacob estava
apenas nascendo.
– Pelo jeito, Bella andou muito por La Push enquanto estivemos fora, por isso Alice não
pôde ver nada. – Carslile completou.
– Isso seria normal, Carslile. Eles são amigos da família, e Bella precisou de apoio. – Esme
disse.
– E estarei devendo isso a Jacob Black para toda a eternidade. – Rosnei baixo..
– Você não deve nada aqueles lobos. – Emmett disse meio irritado. Ele não gostava de ver
Rosalie daquele jeito, ainda mais sabendo como ela ficou.
– Devo sim, ele a protegeu, quando eu não fiz. – Falei para ele.
– Pare com isso, meu filho. Não podemos mudar o passado, mas cuidaremos do futuro. –
Carslile concluiu.
– Preciso tirar de Bella tudo que aconteceu, tudo que ela não contou para Alice. Laurent,
por exemplo. – Disse preocupado.
– Lembrou do rastro na campina há dez meses, não foi? – Carslile disse.
– Sim. Ele já devia saber qua andávamos por lá, mas o que me intriga é por que e como ela
conseguiu chegar lá sozinha. – Falei.
– Ela sempre foi estranha. Nós nunca podemos esperar a lógica da Bella. – Emmett disse.
– Tenho que ter cuidado redobrado. – Falei. – Mas por que Laurent voltou, e sozinho? –
Perguntei mas ninguém soube me responder. – Talvez Bella tenha uma pista. Vou tentar
com ela essa noite.
Carslile me contou que, assim que eles voltaram para a cidade, se encontrou com o
diretor do Hospital de Forks e disse que estava de volta à cidade. A justificativa foi Esme,
ela não se adaptou bem à vida na cidade grande e pediu para voltar. Ele claro, atendeu ao
seu pedido sem nem parar para pensar. Tudo foi resolvido enquanto estávamos no vôo da
Itália para casa. O hospital ficou muito satisfeito em receber Carslile de volta e fizeram até
uma festa de boas vindas, e apesar da cara de felicidade de Carslile na cena que vi em sua
mente, sentia a preocupação nele, esperando pela minha chegada.
Emmett e Rosalie saíram para caçar no meia hora depois da minha chegada me
deixando finalmente à sós com Carslile e Esme. Foi bom, eu precisava conversar com eles,
em particular, coisa rara em minha casa. Fiquei olhando enquanto o sol se levantava
lentamente por trás das nuvens, foi bom ver aquela cena novamente enquanto esperava que
Rosalie e Emmett estivessem bem longe.
– Você quer falar comigo, Edward? – Carslile disse. Ele me observava ansioso no canto da
sala olhando para fora, sem ver nada.
– Você realmente vai cumprir a promessa que fez a ela? – Perguntei à Carslile depois de
meia hora que Emmett e Rosalie partiram, seria seguro, não escutava a voz metal de
nenhum de meus irmãos.
– É o único jeito, Edward. Será seguro para ela, não perderei o controle. – Ele me garantiu.
– Eu não concordo com isso, Carslile. – Disse.
– Edward? É o que ela quer ... é o melhor para vocês dois, sempre foi. – Carslile disse. –
Você viu como é perigoso para ela viver perto de nós como humana, e como é desastroso
vocês separados.
– Não quero tirar a sua vida .
– Não vejo outra solução, filho. – Esme completou.
– Você ainda não percebeu que sem você ela vai morrer mais rápido? Edward, ela é a sua
parceira ... sua metade, como Esme é para mim. – Carslile disse e se aproximou de Esme, a
abraçando.
– Ela quer que eu faça, me pediu ontém à noite. – Contei a eles.
– Isso seria o melhor, mas sei que você não conseguirá fazer isso ... Não que você não seja
capaz, não que você não resista. – Carslile disse.
– Você não conseguirá por que você não acha que é o certo, mas é ... é a escolha dela, por
vocês dois, ela tomou a decisão e você tem que respeitar. – Esme completou.
Carslile e Esme eram tão perfeitos um para o outro, que completavam um a frase do
outro, eles comungavam do mesmo pensamento e das mesmas idéias sempre. Eles se
amaram desde o primeiro minuto em que Esme abriu os olhos pela primeira vez na sua
nova vida, eu estava lá, e vi tudo.
– Eu tentei ponderar com ela, depois que saímos daqui. – Contei.
– Tenho certesa de que ela não voltou atrás. – Esme disse.
– Não, mas eu dei a opção de eu mesmo fazer. – Disse e eles me olharam incrédulos.
“– Uma mudança tão rápida?” – Esme pensou.
“– Isso não é típico dele.” – Carslile completou.
– Não mudei de idéia, mas já que ela é tão teimosa que não vai voltar atrás, e já que ela
quer realmente ficar comigo pela eternidade, cedi, mas apenas com uma condição.
– Condição? – Esme me questionou.
“– Sabia, ele ia encontrar uma forma dela voltar atrás.”, Carslile pensou.
– Esme? Lembra o que você pensou na nossa última reunião? Quando Bella estava aqui?
– Que eu pensei? Não ... – Esme parou e começou a rever a discução. – Epa!
– O que é? – Carslile perguntou olhando para a cara de espanto de Esme e para o sorriso
que apareceu no canto da minha boca.
– Sim ... a pedi em casamento naquela noite. – Contei.
– Edward! – Esme sorriu e me abraçou, ela era só felicidade.
– Parabéns Edward. – Carslile disse com um sorriso no rosto e me deu um tapinha no
ombro.
– O que ela disse? – Esme me perguntou curiosa.
– Bem ... ela ainda não aceitou, na verdade ficou em choque e até me desafiou para ver se
eu falava sério. – Contei.
– Desafiou como? – Carslile me perguntou.
– Eu tentei argumentar, pedi mais tempo, já que ela não voltaria atrás, mas não consegui
convencer. – Contei. – Eu ia tentar argumentar durante todo o tempo, claro, ia tentar fazê-la
mudar de idéia.
– Claro que ela não ia aceitar, ela te conhece bem. – Esme me disse.
– Exatamente. – Confirmei. – Bella sempre me contou do casamento desastroso de seus
pais, e das inúmeras vezes em que sua mãe falava mal de casamento, essas coisas. Foi a
solução. Já que ela queria que eu mesmo fizesse, essa era a minha condição. Isso vai
retardar as coisas, por um tempo.
– Mas eu prometi que faria depois da formatura. – Carslile lembrou.
– Eu sei disso. – Falei.
– Não entendo, Edward. Você não querer que Bella se torne vampira, eu já entendi, mas por
que essa condição? – Esme me questionou.
– É a alma, Esme. Ele não quer condená-la. – Carslile disse.
– Já que ela quer que eu faça, que quer ser minha há regras sobre isso que devemos seguir,
será dentro de todas as leis, então ... ela será minha para a eternidade. Não importa quanto
tempo ela demore para se resolver. Sei que isso pode demorar, mas não me importo, tenho
tempo. – Contei.
– Mas e a formatura? – Carslile me perguntou.
– Espero fazê-la mudar de idéia até lá, mas se não houver outro jeito ... – Disse e dei de
ombros.
– Eu posso protelar também. – Carslile riu, ele ia me ajudar naquilo.
– Obrigado. – Agradei a ele.
– Quer dizer que temos que nos preparar para uma festa de casamento humano? – Esme
perguntou.
– Ela me desafiou à levá-la para Las Vegas. – Contei rindo. – Quando eu concordei ela
voltou atrás rapidamente e disse que ia esperar até a formatura.
– E se ela acordar amanhã e disser que aceita a sua condição? – Esme me questionou já com
sua mente viajando em novas reformas na casa.
– Aí ... Ou eu levo ela até Las Vegas ... ou teremos um casamento na família, do jeito
humano, com padre e tudo. – Disse rindo.
– Aposto que Alice vai exigir a segunda opção. – Carslile disse e riu.
– A gente foge dela para Las Vegas. – Disse rindo do absurdo.
– Como se isso fosse possível. – Esme riu e depois arregalou os olhos. – Você precisa
compar um anel para ela ... caso ela aceite. – Esme disse e eu começei a rir lembrando da
reação de Bella . – O que foi? – Esme perguntou.
– Estou lembrando de Bella. Quando eu perguntei se ela aceitaria se eu tivesse uma aliança,
Bella deu um grito que acordou Charlie.
– E você tem? – Carslile perguntou.
– Sim. – Disse e vi o rosto de Esme mudar. Ela queria ver. – Esperem.
– Ele parece mais feliz, mas ainda está muito abatido, Carslile. Edward precisa caçar. –
Esme disse assim que saí da sala.
– Sim, falarei com ele. – Carslile falou.
Fui ao meu quarto e peguei dentro do meu closet a caixinha preta que continha o
anel de minha mãe, a aliança que ela recebeu de meu pai quando aceitou se casar com ele.
Ela era linda e ficaria perfeita na mão de Bella. Quando voltei e mostrei, Esme ficou
encantada, ela ainda não tinha visto a aliança, somente Carslile, que cuidou de tudo depois
da minha morte, mas ele estava há quase um século guardado, era uma das poucas coisas
que ainda me restavam da minha vida humana, eu havia dado algumas jóias que herdei de
minha mãe à Esme e Alice no passado.
Fui caçar depois de conversar com Esme e Carslile para aliviar um pouco a sede que
me ardia a garganta. Eu ainda tinha pelo menos duas horas antes de ir buscar Bella e caçaria
próximo de casa, no bosque do outro lado do rio, lá sempre tinha alguns cervos e
esporadicamente alguns felinos, o suficiente para mim.
Assim que voltei para casa, todos já tinham retornado e já estavam sabendo da
novidade. Rosalie ficou furiosa com a notícia do provável casamento, claro. Apesar dela
estar agradecida por Bella ter salvo a minha vida em Volterra, o fato dela estar abrindo mão
de sua mortalidade por sua vontade, deixava minha irmã furiosa, Bella estava abrindo mão
de tudo que Rosalie queria para ela mesma. Emmett ficou muito animado e feliz por mim.
Jasper já sabia de tudo, Alice contou enquanto eles caçavam.
Alice era a mais animada, claro. Já estava pensando na decoração da casa, festa,
vestidos, convidados. Em sua mente a nossa casa já estava pronta para tudo e ela podia
imaginar Bella em um lindo vestido que ela prontamente escondeu de mim.
– Contenha-se Alice. Ela ainda não aceitou. – Disse a minha irmã que só pensava na
mesma coisa, enquanto dirigia para a casa de Bella.
– Mas vai, tenho certesa, não preciso de visão para nada disso. – Ela me falou e mostrou a
língua.
Bella ficou surpresa quando saiu de casa e me viu parado ao lado do carro. Charlie
já havia saído cedo, antes mesmo de chegarmos para buscá-la.
– Bom dia. – Ela me disse com um sorriso no rosto. – O que você está fazendo aqui?
– Você não quer carona para a escola? – Perguntei meio confuso. – Prefere ir sozinha?
– Não ... Mas vocês vão para a escola? Pensei ... – Bella disse mas não completou.
– Não foi você que disse que nada mudou? – Lembrei. – Então ... nada mudou, vou voltar
para a escola, apenas com algumas mudanças.
– Que mudanças? – Ela me perguntou ainda parada na minha frente.
– Não vou estar em com você em todas as matérias como antes. – Contei e abri a porta do
meu carro. – Você quer ir comigo ou prefere à sua caminhonete?
– Prefiro com você.
Bella se aproximou mas não entrou diretamente no carro. Parou na minha frente e
me beijou suave e lentamente. Ela ficou diferente em relação aquilo, não tinha tanta
urgência, mas seus beijos não deixaram de ser quentes e apaixonados. Segurei em sua
cintura e a aproximei de mim.
Seguimos para a escola praticamente em silêncio depois que contei a Bella a
desculpa que Carslile havia dado na escola e no hospital para justificar a nossa volta, ela
tinha que estar a par da situação, tomos tínhamos que estar em sintonia com a história.
Alice me mostrava o que eu iria encontrar quando chegássemos, ia ser até engraçado. Bella
olhava pela janela calada mas com um sorriso no rosto.
– Você não quer dividir comigo? – Perguntei a ela.
– Dividir o que? – Ela me perguntou assim que se virou.
– O que você está pensando?
– Nada demais, estava pensando em como vai ser hoje. O que vão pensar depois de nos ver
juntos, chegando juntos depois de tanto tempo. – Ela me contou.
– Isso a preocupa? – Perguntei.
– Na verdade não, só curiosa.
– Bem, não vai demorar muito para descobrirmos. – Alice disse assim que entramos no
estacionamento da escola.
Todos viraram quando ouviram o ronco do meu motor se aproximando, todos
conheciam bem o meu carro, ele se destacava no meio dos velhos e desbotados automóveis
dos alunos. Tanto eu quando Alice podíamos escutar perfeitamente a conversa deles, além
dos pensamentos que somente eu poderia ouvir. Bella ficou tensa e praticamente se
encolheu no banco quando viu seus amigos olhando nossa aproximação.
“– Não acredito! Edward Cullen voltou!”, Mike pensou assim que viu meu carro.
– É a Bella dentro do carro? Não acredito. – Mike disse junto de seus amigos forçando os
olhos, para poder enxergar quem estava no banco do carona.
– Sim, é ela mesmo, só pode ser. Bella ficou doida realmente. – Jéssica disse.
– Pensei que ela estivesse com o Jacob. – Eric disse. – Você não disse que eles estavam
juntos no cinema, cara?
“– Bella foi ao cinema com ele?”, pensei com ciúmes e apertei firme o volante.
– Calma, Edward. – Alice me disse baixo para Bella não ouvir.
– Não, eles são só amigos. Bella nunca deixou de gostar do Cullen. – Ângela disse.
Alice não havia me preparado para algumas notícias, talvez, ela mesma não
soubesse de alguns detalhes. Eram muitas coisas para descobrir nas mentes dos alunos de
Forks e eu me esforçaria para ler todas, descobrir tudo que aconteceu na minha ausência.
A primeira coisa que percebi quando saímos do carro foi que Bella e Jéssica não
eram mais tão amigas quanto antes, ao contrário de Ângela. Eu fiquei curioso para
descobrir o motivo. Mas uma coisa era unânime na mente de praticamente todos os alunos,
as imagens mentais que eu podia ver de vários ângulos, era imagens diferentes que me
mostravam como Bella foi definhando a cada dia ... como ela foi ficando abatida e magra.
Como ela ficava isolada no início ... quando eu fui embora.
– Você está bem? – Bella disse quando saiu do carro. Eu havia congelado quando vi mais
uma imagem mental.
Mike Newton estava vendo, em sua mente, a evolução de Bella até que ela voltou a
reagir, quando ela voltou a falar com os amigos, Jacob quase beijando Bella no cinema e
vendo como ela ficou depois daquilo.
– Não. – Respondi e fechei meus olhos.
“– Ela ficou muito mal, não foi?”, Alice me perguntou mentalmente e eu assenti. Ela me
conhecia muito bem, e sabia que eu estava lendo e vendo a mente de todos.
– Edward? Não. Vamos. Está tudo bem agora. – Alice me disse quando viu no futuro
voltando para o carro, mas ela não sabia o meu destino, nem eu.
– O que foi, Alice? – Bella perguntou à minha irmã.
– Não, Alice. – A previni.
– Ele está vendo como você ficou, Bella. – Alice contou parte do que viu mas Bella só ficou
calada, não havia o que falar.
– Eu vou andando. A gente se vê na hora do almoço. – Alice disse e nos deu um tempo.
Bella olhou para mim, olhou para Alice caminhando e olhou para o lado, onde seus
amigos nos observavam. Sem eu esperar, Bella olhou nos meus olhos e se aproximou,
passando a mão pela minha cintura me abraçando.
– Bella?
– Eles precisam saber que estamos juntos sim, e mais firmes que nunca. Eu te amo. – Bella
disse e se esticou para me beijar. Nosso beijo não chegou aos pés dos que tínhamos em seu
quarto, mas foi intenso o bastante para chamar a atenção.
Todos ficaram olhando cada passo que dávamos pelo estacionamento e até mesmo
nos corredores. Na sala de aula, o Sr. Banner me cumprimentou dando boas vindas e
transcorreu a aula de biologia normalmente, como deveria ser, apesar dos pensamentos e
lembranças de todos. Até o Sr. Banner tinha imagens mentais de Bella assistindo suas aulas
sem nenhum entusiasmo, sentada sozinha na nossa bancada. Ele teve pena de Bella, e vi na
sua mente que todos os professores souberam da minha partida e viram como isso a afetou
profundamente. Eu ficava em silêncio, só respondia quando eu era questionado, não estava
sendo fácil para mim aquele primeiro dia.
– Olha como ele está estranho. – Ângela disse para Jéssica no fundo da sala.
– Acho que eles não estão tão firmes quanto parece. – Jéssica disse um pouco animada.
Eu sofria a cada imagem mental que via e Bella notava, ela prestava mais atenção
em mim do que nas aulas, e mesmo com o meu pedido para que ela não se preocupasse, era
difícil dela se concentrar. Na hora do almoço, comprei o almoço de Bella e nos sentamos
em nossa antiga mesa e Alice nos acompanhou. As imagens mentais ainda me
atormentavam mas eu não as bloqueava, precisava saber o que eu causei a ela, precisava
saber o que ela tinha passado.
– Páre com isso, Edward. – Bella me disse depois de observar meu rosto mudando
novamente depois de mais uma imagem mental que me atormentou.
– Nunca poderei me redimir. – Disse olhando para ela.
– Edward ... – Bella ia protestar mais não o fez, ficou simplismente olhando em meus olhos.
– Será que um dia, você realmente vai se perdoar, meu irmão? – Alice me disse. Ela via em
sua mente, o futuro.
– Alice. – Pedi para ela parar, não queria saber o que aconteceria, não naquele momento.
As nossas duas últimas aulas foram separadas. Bella pareceu bem tensa quando a
deixei na porta da sala.
– Vou estar aqui quando a aula terminar. – Prometi.
– Vou sentir saudades. – Ela me disse e abaixou a cabeça.
– Eu também. Eu te amo ... para sempre, lembra? – Disse ao levantar seu rosto. Bella
assentiu e sorriu antes de se virar e entrar na sala.
Como antes, fiquei vigiando as reações de Bella pela mente de seus colegas de
classe. Jéssica, mesmo sentada ao lado de Bella na aula de cálculo, praticamente a ignorava.
Mas foi quase no final da aula que Jéssica me mostrou a pior das imagens que vi naquele
dia, a imagem de Bella sozinha em um beco de Port Angels indo na direção de vários
homens no meio da escuridão. Jéssica ficou em pânico naquele dia, ela pensou que Bella
estava querendo se matar. Aquela cena me lembrou Port Angeles há mais de um ano,
quando tirei Bella de Lonnie e seus capangas que a perseguiram, os malditos que queriam
machucá-la, mas alí era Bella quem estava indo de encontro com o perigo. Eu ficava cada
vez mais furioso a cada segundo. Parte da minha mente estava consciente da minha aula e
de Alice ao meu lado vasculhando o futuro enquanto olhava meu rosto se modificando
levemente, ela me conhecia bem para saber o que eu estava fazendo.
Segundos antes do sinal tocar, me levantei da minha carteira e me apressei para
chegar logo na sala de Bella. O passo humano era irritante naquele momento mais do que
em qualquer um. Enquanto eu caminhava, podia ver na mente dos colegas de Bella que ela
arrumava lentamente seu material, provavelmente dando tempo para que eu chegasse para
buscá-la. Quando cheguei, fiquei na porta esperando que o último saísse, e assim que ele
saiu eu entrei. Bella se assustou com a minha urgência.
– O que houve? – Bella me disse depois de eu a abraçar, precisava sentir seu corpo no
meu, precisava ouvir seu coração batendo e seu perfume ardendo em minha garganta.
– Por que você não me contou o que aconteceu Port Angeles? – Disse a liberando e
segurando seus braços. – Você estava tentando se matar, Bella?
– Não ... na verdade eu não sabia o que eu estava fazendo. – Ela me contou. – Lembra que
eu te disse que eu ouvia a sua voz? – Bella me perguntou e eu assenti. – Bem ... foi naquela
hora ... foi lá que eu pude te ouvir pela primeira vez, Edward.
– Bella ... – Disse e a abracei firme. – Me perdoe ... me perdoe pelo que fiz você passar, eu
não imaginei que você ficaria daquele jeito, não imaginei que você pudesse passar por tudo
aquilo.
– Me leve embora daqui antes que alguém chegue. – Bella me pediu e eu assenti.
Bella ia voltar ao trabalho naquele dia e eu a levei até a loja dos Newton mesmo
contra a minha vontade. Pensei que depois de Bella fazer o acordo com Carslile, ter a
promessa da transformação, ela fosse repensar suas prioridades, ela não precisaria mais
trabalhar, depois da formatura ou depois de se casar comigo, ela teria o tempo que quizesse
para fazer a faculdade e o dinheiro suficiente para frenquentar qualquer faculdade do
mundo, não fazia sentido ela continuar naquele emprego de meio período que não a
ajudaria em nada para a faculdade.
– Você tem certesa? – Perguntei antes dela sair do carro.
– Bella, você não conseguiu o que queria, não tem a promessa de Carslile? – Alice disse no
banco de trás do meu carro.
– Tenho. – Ela disse. – Tudo de volta ao normal, lembra? Inclusive isso, é por Charlie.
Quero que ele veja que está tudo como antes.
– Venho te buscar no final do seu turno. – Disse desistindo naquele momento e acariciei
seus cabelos.
Alice correu para se encontrar com Jasper enquanto eu ainda estacionava meu carro.
Eu só ouvia as vozes mentais de Emmett, Rosalie e Jasper dentro de casa, Carslile e Esme
não estavam, o que era estranho, eu sabia que naquele dia, Carslile só estaria de plantão à
noite e Esme não tinha nenhum cliente. Sempre que eles resolviam sair para caçar juntos,
avisavam a todos.
Subi para o meu quarto e estava guardando o meu material quando vi surgindo na
mente de Alice outra visão, mas não era de um futuro distante, era algo que estaria
acontecendo poucos segundos à nossa frente e eu não poderia fazer nada para impedir, só
podia observar junto com Alice, que mesmo com os protestos de Jasper, tentando fazê-la
voltar, ela se mantinha concentrada. Alice via e eu acompanhava Carslile e Esme, que
estavam chegando na delegacia para se encontrar com Charlie sem me avisar.
– Olá, Charlie. Será que podemos conversar? – Carslile disse assim que entrou no
escritório de Charlie.
– Carslile, por favor. Eu entendo que você venha em favor de seu garoto, mas eu preciso
defender minha filha.
– Não é nada disso, Charlie. Por favor, nos ouça. – Esme pediu.
– O que é então? – Charlie perguntou e indicou a cadeira para que eles sentassem.
– Queremos nos desculpar por tudo que aconteceu com Bella. – Esme disse. – Alice nos
contou tudo.
– Foi minha culpa, eu não devia ter aceitado aquela proposta, não fez bem a eles. –
Carslile disse.
– A eles? Que eu saiba, somente Bella se feriu nessa história. – Charlie disse meio
surpreso.
– É por isso que estamos aqui. – Esme disse.
– A oportunidade que me ofereceram foi irrecusável, Charlie, e eu não podia simplesmente
deixar Edward aqui, como ele havia me pedido e partir, tenho minhas responsabilidades,
mas me arrependo amargamente do que eu fiz.
– Ele tinha pedido para ficar aqui nessa cidade pequena ao invés de ir para a bela Los
Angeles? Por favor, Carslile ... – Charlie disse com humor.
– Ele ama sua filha, Charlie. – Esme disse e Charlie arregalou os olhos.
– Foram oito meses de muito sofrimento para ele, Charlie. Edward se rebelou contra nós e
nem queria estudar. – Carslile foi contando, ele sabia bem que eu tinha a fama de ser um
sabe tudo, todos na cidade comentavam sobre as boas notas e os bons modos dos filhos do
Dr. Cullen. – Quando partimos, não imaginávamos que ele sofreria tanto, imaginávamos
que era apenas um namoro de juventude, que o tempo ia fazer esquecer, como acontece
com todo mundo, mesmo depois de Phoenix.
– Pelo visto não com todo mundo. – Charlie mencionou.
– Exatamente. Alice também sofria e pedia para voltar o tempo todo. – Esme disse.
– Esme tentou me convencer a voltar já no segundo mês, ela não aguentava ver Edward
sofrendo pelos cantos e os pedidos intensos de Alice, mas eu precisava cumprir pelo menos
parte do contrato. Achávamos que depois de dois meses, Bella também teria esquecido de
tudo, tivesse esquecido dele. – Carslile disse. – Edward já estava arrastando o dia quando
Emmett resolveu viajar e arrastou Edward com ele, ele só estava indo à escola
praticamente obrigado por nós, então eu desisti. Pouco depois deles partirem,
conversamos e resolvemos que não tinha mais como ficar em Los Angels com Alice e
Edward infelizes, isso estava deixando todos infelizes.
– Bella também não ficou bem com isso tudo. – Charlie o interrompeu. – Vocês foram
embora de repente e ela ficou muito doente. Eu não conseguia falar com vocês, não
conseguia ajudá-la. Bella ficou praticamente vegetando durante de mais de quatro meses,
nem Renée conseguiu fazer alguma coisa.
– Eu sinto muito por isso, Charlie. – Carslile disse. – Foi o que dissemos, não
imaginávamos que tudo isso estava acontecendo. Nós desligamos os celulares de Forks
quando partimos, era uma nova vida que estávamos começando fora daqui.
– Quando Edward soube que voltaríamos, ficou muito feliz e pegou o primeiro avião de
volta com Emmett, ele resolveu fazer uma surpresa para Bella, ele realmente acreditava
que, como ele, ela também não o tinha esquecido. – Esme disse apoiando Carslile.
– Você conhece Alice. Ela não aguentou a ansiedade e veio visitar Bella sem o nosso
consentimento, ela não sabia que Edward estava voltando. – Carslile contou. – Foi quando
tudo virou de cabeça para baixo em Los Angeles. Ela ligou e disse que Bella tinha se
jogado de penhasco, Rosalie contou a ele da pior forma possível e Edward simplesmente
enlouqueceu.
– O que ele fez, Carslile? – Charlie perguntou preocupado.
– Não quero entrar em detalhes Charlie, ele não gostaria que Bella soubesse de nada
disso, na verdade, Edward não sabe que estamos aqui. – Carslile disse instigando a
curiosidade de Charlie.
– O que ele fez Carslile? – Charlie insistiu.
– Ele tentou tirar a própria vida, Charlie. – Carslile disse e Esme fingiu um choro abraçada
a ele. Charlie ficou assustado com o que Carslile disse e preocupado com Esme. – Ele
pensou que Bella tivesse morta. Rosalie ligou para Alice e contou o que aconteceu, então
Alice quiz voltar correndo e Bella fez questão de ir junto. Todos começamos uma busca
pela cidade por que ele simplesmente sumiu de casa e não atendia o telefone. Quando eu o
encontrei e disse que Bella estava viva e indo para lá, ele não acreditou, Emmett me
ajudou a segurá-lo, então eu tive que sedar ele, tive que sedar meu próprio filho. – Naquela
hora Esme chorou mais.
– Sinto muito por tudo isso, Carslile. – Charlie disse olhando para Esme abraçada à
Carslile. – Eu entendo a sua situação, mas não posso esquecer o que aconteceu com Bella,
ela fez muita besteira por aqui e vai ficar de castigo até que eu ache que é o suficiente. Não
posso separá-los, ela enlouqueceria novamente, e eu não quero isso para minha filha. Ela
ameaçou sair de casa se eu fizer isso.
– Sinto muito, Charlie. – Esme disse olhando novamente para ele. – Acho que eles se amam
mesmo, e separá-los foi muito pior. Não queremos prejudicar Bella nem ir contra a sua
autoridade de pai, apenas estamos querendo o bem do nosso filho.
– Eu concordo. Vou deixar que eles se vejam, mas nos horário que eu estipular. – Charlie
disse e Esme abriu um lindo sorriso.
– E Edward vai respeitar tudo, isso eu posso lhe garantir. – Carslilie garantiu.
– Vamos manter esse assunto entre nós então. Direi a Bella as regras e você diz ao seu
garoto como você achar melhor. – Charlie concluiu.
– Obrigado, Charlie. – Esme disse e sorriu para Charlie. – Você está me deixando muito
mais tranquila. Nunca vi meu Edward daquele jeito, e nunca mais quero ver.
– Nem eu Bella. Vamos dar tempo ao tempo e ver como isso fica. – Charlie disse. –
Qualquer complicação nos falamos e resolvemos isso entre nós.
– Se houver qualquer problema, Charlie, não deixe de me comunicar. Vou acompanhar
tudo mais de perto agora. – Carslile disse e se despediu.
A atitude de Esme e Carslile me emocionaram, eles nunca precisaram interceder à
meu favor daquela maneira, eles estavam se comportando realmente como pais e amigos.
Esme foi tão convincente que quase me convenceu. Alice também ficou impressionada com
a atitude deles e acreditou que foi algo de repente por que, nem eu havia percebido a
intenção deles, nem Alice havia previsto.
Esperei por Carslile e Esme na garagem e assim que eles chegaram pereberam logo
que eu estava sabendo de tudo.
– Alice? – Carslile perguntou.
– Sim, mas muito em cima da hora. – Contei. – Vocês não precisavam fazer aquilo.
– Precisávamos sim. – Esme disse. – Se você pretende realmente se unir a Bella pelo
casamento antes da transformação, precisávamos começar a trabalhar o quanto antes, afinal,
para todos os efeitos, somos seus pais.
– Vocês são muito mais que isso. Obrigado. – Disse a eles.
– Só queremos a sua felicidade. – Carslile disse. – Já estava na hora de você se amarrar
mesmo. – Ele disse e me deu um empurrãozinho.
– Que horas você vai buscar Bella? – Esme me perguntou.
– Daqui a uma hora. – Contei.
– Deixe ela em casa e volte. Vamos dar um tempo para Charlie conversar com ela. Depois
ela vai te ligar autorizando a visita. – Carslile pediu e eu assenti.
Emmett e Rosalie ficaram na sala ouvindo o que conversávamos enquanto
terminavam os preparativos de suas viagens, Rosalie queria cair fora de Forks o quanto
antes, ela precisava de um tempo.
– Nós não ficaremos muito tempo fora, só estou fazendo isso para dar um tempo a ela,
Rosalie precisa de um tempo longe de Forks. – Emmett me disse ao se despedir. Carslile e
Esme os levariam ao aeroporto.
Assim que Bella saiu do trabalho eu estava lá esperando por ela.
– Meu pai ligou lá no trabalho. – Bella me disse assim que entrou no carro e eu podia
imaginar o que seria.
– Algum problema? – Perguntei.
– Acho que não, ele parecia mais manso. – Bella me disse. – Foi estranho, ele me perguntou
se você iria lá em casa hoje. Eu disse que não tinha certesa, que você sabia que ele estava
furioso e que não queria mais problemas com ele.
– E o que ele disse? – Perguntei.
– Ele disse que queria conversar com a gente mais tarde, mas que era para eu ir para casa
sozinha, ele ia dizer a hora de você aparecer. – Bella me contou meio desconfiada.
– Parece que é alguma coisa séria. – Disse com um ar preocupado.
– Você está sabendo de alguma coisa? – Bella me questionou.
– Não. – Disse.
– Nem Alice? – Ela perguntou.
– Não, ela passou a tarde tomando conta do futuro de Jasper e cuidando da viagem do
Emmett e da Rosalie. – Confirmei e mudei de assunto. Eu estava seguindo o acordo de
Charlie e Carslile, para todos os efeitos, eu não sabia de nada.
– Eles estão indo viajar? – Bella prontamente mudou de assunto também.
– Sim. Vão para Africa. – Comentei.
– Caçar?
– Sim, Emmett viu um documentário e ficou interessado. – Disse a ela.
Como Charlie pediu, deixei Bella na porta de casa e, teoricamente, fui para a minha,
na verdade fui para a rua lateral e fiquei de lá ouvindo a conversa. Ele estava ansioso à
espera de Bella, e em sua mente vinham as palavras de Carslile, mas com mais frequência
as de Esme, o rosto de Esme sofrendo por minha causa. Charlie estava tentando achar as
palavras corretas para ponderar com Bella sem deixar escapar o motivo que o levou a ser
mais complacente, mas nem tanto. Ele ouviu o barulho do ronco do meu motor partindo e o
da chave de Bella na porta e se posicionou em sua poltrona para esperar por ela.
– Oi pai. – Bella saudou seu pai assim que entrou.
– Venha, sente-se aqui, Bells. – Ele a chamou pelo apelido carinhoso e viu quando ela se
aproximou. Eu queria poder estar junto dela, Bella parecia bem tensa e Charlie percebeu
isso.
– Está tudo bem? – Bella perguntou ansiosa caminhando lentamente para o sofá.
– Sim, vai ficar. – Charlie disse e esperou que Bella se sentasse. – Primeiro, não quero
mais saber de você sumindo sem dar notícias, você tem celular para isso. – Bella ia
protestar mas voltou atrás. – Segundo, eu vou aceitar esse namoro entre você e o Edward
Cullen, mas com reservas.
– Pai... – Bella ia falar mas Charlie a interrompeu.
– Preste bem atenção, Bells. – Charlie cortou chamando a atenção de Bella. – Você é minha
filha e tenho responsabilidades, mas vou deixar esse namoro seguir adiante.
– Eu concordo com o que você quizer, pai, mas contanto que eu fique com ele. – Ela disse
ansiosa.
– Me escute, Bella. – Charlie estava fazendo um esforço muito grande para se manter calmo
e não explodir com ela. – Você ainda é jovem e tem muito o que aprender, e está de castigo
por causa da sua irresponsabilidade, mas ele poderá vir aqui ... em horários prédeterminados,
ele terá hora para entrar e para sair. – Charlie foi dizendo.
– Ok.
– Tem mais. Não morro de amores por essa situação, você fugiu novamente de mim sem
dar muitas explicações, e por causa dele novamente. Não gosto dele com você, mas é ele
quem você quer. Vou tolerá-lo, Bella, nada mais. – Ele infatizou bem no final.
– Ok.
– Vou ficar de olho, um deslize da parte dele, e coloco ele para fora ... Sem volta.
– Ok, pai.
– Ligue para ele. – Charlie disse e Bella ficou congelada. – Quero ter essa mesma conversa
com ele, na sua frente. Ele tem que saber que essa é a minha casa, tem que obedecer as
minhas regras se quer ficar com você.
– Ok, pai.
– Mande ele vir depois do jantar. – Charlie disse e Bella foi para a cozinha.
Bella fez exatamente o que Charlie lhe disse, foi até a cozinha e me ligou enquanto
Charlie estava na sala vendo jogo.
– Bella? Está tudo bem? – Disse como se não soubesse de nada.
– Acho que sim. – Ela me disse um pouco mais aliviada.
– O que houve? – Perguntei.
– Meu pai quer conversar com você ... aqui em casa. Você pode vir depois do jantar?
– Claro, amor. Você está bem.
– Sim. – Ela mentiu.
– Não acredito, mas vou estar logo aí, vamos ficar juntos, ok? – Disse a ela.
– Ok.
– Eu te disse, não vou te deixar sozinha.
– Obrigado.
– Eu te amo. – Disse firme para ela.
– Uhmmm. – Bella viu Charlie se levantar e se apressou em falar. – Eu também. Te espero
depois do jantar então.
– Eu estarei aí.
Carslile e Esme ficaram satisfeitos por sua interferência ter tido o resultado esperado
e combinamos que ele estaria sempre em contato com Charlie bancando o pai preocupado,
sempre questionando o meu comportamento e as minhas condutas em sua casa e com Bella.
Aquilo ia deixar Charlie mais seguro e despreocupado, Carslile ia mostrar que estava de
olho na situação, como havia prometido.
– Boa noite, Chefe Swan. – Disse assim que Charlie abriu a porta para mim e apenas
indicou para que eu entrasse.
– Venha. – Bella veio e pegou a minha mão, me levando para o sofá.
– Vamos lá. – Charlie disse ao se sentar em sua poltrona na nossa frente. – Já conversei
com Bella, agora é com você, rapaz. Não gostei nada do que aconteceu há oito meses e
durante eles também.
– Me desculpe, Senhor. – Disse.
– Deixe-me terminar, rapaz.. Eu falo, você escuta. – Charlie disse e Bella fez uma careta
para ele. – Eu já percebi que vocês se gostam e vou permitir esse namoro, mas vocês terão
regras a seguir. Bella ainda está de castigo por ter saído sem aviso, sem nem um telefonema
por três dias. Não tolero essas coisas dentro da minha casa. – Ele disse e olhou bem para
nós dois. – Vocês poderão se ver na escola, claro, mas nada de cinemas, festas e passeios. É
da escola para o trabalho e do trabalho para casa.
– Ok, pai.
– Você terá horários de visita, que termina sempre às nove. – Ele disse olhando bem para
mim. – Você pode vir depois do jantar.
– Mas, pai, são apenas pouco mais de duas horas. – Bella protestou.
– Tudo bem, Bella. – Disse olhando em seus olhos e segurei a sua mão firme. – Deixe seu
pai falar. – Bella olhou nos meus olhos e assentiu.
– Tudo bem, então. – Charlie perguntou. – Bem, estamos combinados.
– Sim, Senhor. – Confirmei.
Charlie ficou um pouco surpreso com o meu comportamento, e até pensou que
Carslile pudesse ter falado alguma coisa, tive que deixar escapar alguma coisa para que ele
se convencesse que estava tudo sobre controle. Bella havia me puxado para a cozinha, para
lá nos sentarmos à mesa de jantar.
– Conversei com Carslile quando cheguei em casa. Para todos os efeitos, eu estava em uma
escola em Los Angeles. – Disse baixo no ouvido de Bella enquanto caminhávamos para a
cozinha.
– Ok, entendi. – Ela me disse.
– Acho que você perdeu algumas informações na escola enquanto ... estava fora, vamos ter
que repor tudo. – Disse alto o suficiente para que Charlie pudesse ouvir e fiz um sinal para
que Bella entendesse.
– Eu sei, perdi uma prova de Cálculo. – Bella disse, mas era verdade.
– Sinto muito. – Disse e peguei na sua mão, na hora em que Charlie entrou na cozinha.
– A sua outra escola era boa? – Bella me perguntou e eu tive que fazer a cena.
– Não quero falar sobre isso, Bella. – Disse e virei meu rosto. Charlie percebeu e entendeu
tudo.
– Por que? – Bella me perguntou confusa mas entendeu que era uma cena, quando viu um
pequeno sorriso no meu rosto.
– Minha escola é aqui ... com você. – Disse fechando a cara e mudei de assunto. – Você já
pensou na faculdade?
Naquele primeiro dia do castigo de Bella, ficamos na cozinha dela conversando, sob
os olhares cuidadosos de Charlie até a minha hora de partir, às nove em ponto. Mas assim
que ele adormeceu e eu voltei a me esgueirar pela janela de Bella para passar mais uma
noite com ela.
– Oi. – A saudei assim que entrei no quarto de Bella.
– Oi. – Ela me disse já deitada em sua cama.
– Você está bem? – Disse e me aproximei.
– Sim, só pensando um pouco. – Ela me falou.
– O que te perturba? – Perguntei.
– Pensei que meu pai fosse ser mais difícil. – Bella me disse mas não pareceu que era
somente aquilo. Me ajoelhei ao lado de sua cama para saber mais.
– Você o ameaçou, lembra? – Lembrei a ela. – Ter você longe é a última coisa que ele quer.
– Lembro disso. – Ela disse.
– Tem mais alguma coisa, Bella. – Adivinhei.
– Você não vai querer saber. – Ela me falou.
– Me diga. – Insisti.
– É ... Jacob. – Ela disse e eu virei a cara. “Esse cara de novo”, pensei. – Desde que eu
voltei, ele não ligou, e não atendeu meu telefonema. Eu sei que meu pai contou a eles que
eu voltei.
Desde que Bella veio para a cidade, Jacob ficava rondando a sua casa, até no baile
ele foi nos incomodar. Claro que com a minha ausência ele ia se aproveitar, ele ia se
aproximar dela, mas o que eu precisava saber era até que ponto essa aproximação chegou,
até que ponto Bella se envolveu, mas precisava ir com calma.
– Você anda ligando para ele? – Perguntei fazendo o máximo para ser casual.
– Sim, ele é meu amigo. – Bella disse tranquilamente.
– Bella, deixa eu te explicar mais uma vez. – Disse forçando uma naturalizade. – Ele é um
lobisomem, eu sou um vampiro. Somos inimigos naturais. E você é minha ... namorada,
para todos os efeitos.
– Para todos os efeitos? – Ela me questionou.
– Sim. – Confirmei. – Bem, você é muito mais que isso, mas não podemos sair explicando
por aí que dormimos juntos praticamente todas as noite, podemos?
– Claro que não.
– E você também não é minha noiva, já que você ainda não aceitou meu pedido de
casamento, aliás que me magoou muito. – Disse fingindo magoado.
– Edward ... – Bella ia protestar mas eu não deixei.
– Eu sei ... Você prefere ser transformada por Carslile do que se casar comigo. – Disse.
– Não é isso, e você sabe muito bem. – Ela disse trazendo meu rosto de volta para ela. –
Eu tenho medo por Renée, ela vai enlouquecer ...
– Eu entendo, mas não aceito. – Disse. – Você quer passar a eternidade comigo, mas não
como minha esposa.
– Eu queria que fosse você. – Ela me disse e tocou meus lábios.
– Você sabe da minha condição, se quizer é só me dizer que resolvemos isso na hora que
você quizer. – Ofereci mas ela mudou de assunto..
– Depois que você saiu, meu pai começou a me perguntar sobre a faculdade. – Ela mudou
de assunto.
– Dartmouth pode ser uma ótima opção. – Sugeri.
– Não tenho o suficiente para Dartnouth, Edward. – Bella disse fazendo uma careta.
– Mas eu tenho. – Sorri.
– Nós vamos ter essa discução de novo? – Ela me disse.
– Bella, tudo que eu tenho, tudo que eu sou, é seu. Essa sua reação é ridícula. – Disse
acariciando seu cabelos.
– Não vou usar o seu dinheiro para faculdade. Venha. – Ela concluiu e me puxou para cima
da cama.
– Podemos tentar bolsa. – Sugeri. – Aposto que Dartmouth ficará interessado em você ...
assim como em mim.
– Não, Edward.
– Ainda está em tempo de enviarmos nossas cartas de admissão. Vou trazer as propostas.
– Faça como você quizer. – Bella disse e deu de ombros. – Eu estou economizando para a
Universidade do Sudeste do Alasca mesmo?
– Por que essa? – Questionei.
– É bem longe. – Bella foi dizendo devagar, calculando bem as palavras. – Quem sabe ...
depois de um tempo eu consiga me adaptar e quem sabe ... um dia eu possa voltar ... e ver
meu pai, novamente.
– Você não está pronta. – Disse firme. – Vou conversar com Carslile, ele vai ter que voltar
atrás.
– Não, Edward. – Bella protestou.
– Bella. Você tem que entender que não é fácil a vida que levamos, é muito difícil a
adaptação. Você viu Jasper, e ele tem muito tempo conosco. – Dei um bom exemplo para
ela.
– Você vai cuidar de mim. – Bella disse e tocou em meu rosto. – Eu confio em você.
– Vamos fazer o seguinte. – Sugeri olhando para ela. – Você termina o colégio, a gente vai
para Dartmouth e você pensa com calma ... Vamos ver se você vai conseguir ficar longe,
Bella. Não é fácil.
– Não. Universidade do Alasca.
– Tem Harvard também. Você iria adorar. – Dei outra opção.
– Você já estudou lá? – Ela me perguntou curiosa.
– Sim, há muito tempo. – Contei. – Vou trazer uns panfletos para você.
– Faça como achar melhor. – Ela disse e deu de ombros novamente.
– Bella? – Chamei. – Reconcidere.
– Não vamos ter esse discução. Você não vai se livrar de mim tão fácil ... tão rápido.
– Eu não quero me livrar de você, não fale bobagens. – Disse sério.
– Me desculpe.
– Eu só quero fazer o que é certo, já que vou ficar toda a eternidade com você. – Disse
olhando para ela.
– Eu te amo, isso não basta? – Ela disse tocando em meus lábios com a voz baixa.
– Basta, para sempre, amor. – Disse acariciando seus cabelos. – Mas não quero me unir a
você só pelo veneno, quero me unir a você de todas as formas, as humanas e as imortais.
Bella se esticou e me beijou. Naquela noite, como na anterior, parti mais cedo para
caçar e só retornaria para buscá-la para ir à escola, precisava conversar com Carslile.
– Ela não está pronta, Carslile. – Disse assim que entrei no escritório de Carslile, depois de
caçar uns cervos no caminho.
– O que é Edward? – Carslile me questionou, se levantando da cadeira onde lia.
– Você precisa voltar atrás na decisão de transformá-la. – Pedi.
– Não, Edward. É o que ela quer. – Esme disse quando entrou no escritório dele. Ela veio
atrás de mim.
– Vamos resolver isso entre nós. – Pedi. – Ela não está pronta hoje e não estará até a
formatura.
– Nós vamos ajudá-la, meu filho. – Esme falou.
– Não se trata do depois, é de agora que estou falando. – Disse a eles.
– O que está acontecendo, Edward? – Carslile me perguntou.
– Ela me falou que está juntando dinheiro para a faculdade do Sudeste do Alasca para dar
um desculpa a Charlie. É longe. Ela pensa em poder voltar. – Contei.
– Voltar? – Esme perguntou.
– Está entendendo? Ela acha que poderemos voltar um dia, ela acha que terá condições de
ver seu pai novamente. – Informei a eles.
– Não vai dar. – Carslile disse pensando nos problemas que isso poderia causar. – Nós
teremos que manter o controle dela o tempo todo. Como recém-criada, ela pode valicar a
qualquer momento.
– Ela pode atacar Charlie. – Esme completou.
– Ela não entende que depois de transformada, nós teremos que sumir por décadas. – Disse
a eles.
– Traga Bella aqui. – Carslile pediu, ele ia pensar sobre o assunto e discutir com nós dois.
– Charlie a proíbe de sair de casa. É da escola para o trabalho e do trabalho para casa. Ele
disse que só posso entrar depois do jantar e sair às nove.
– Não se preocupe. Vamos dar um jeito. – Carslile disse já fazendo planos. – Depois da
aula, traga Bella.
Peguei Bella em casa e fomos para a escola, eu ia aproveitar aquela hora para
conversar com ela, queria saber até que ponto foi o envolvimento de Bella e Jacob, eu havia
dado um passo naquele assunto na noite anterior. Naquele dia eu dirigi mais devagar,
precisava de tempo.
– Alice não vem hoje? – Bella me perguntou assim que entrou no carro.
– Não. – Respondi.
– Está tudo bem? – Ela me perguntou intrigada.
– Sim. Ela está cuidando de uns assuntos. – Disse, não precisava entrar em detalhes com
ela.
– E você não vai me dizer.
– Não, depois você vai ficar sabendo. – Falei. – Queria conversar com você antes de
chegarmos à escola.
– Espero que não seja sobre a faculdade. – Bella disse e virou o rosto para a janela.
– Não, não é sobre a faculdade.
– Nem sobre a minha transformação.
– Não. É sobre cinema.
– Charlie disse que não poderemos sair até ele me liberar. – Bella disse com um pouco de
raiva.
– Não estou falando do presente, estou falando do passado. Soube que você foi ao cinema
com Jacob Black e Mike Newton, é verdade?
– É verdade. – Ela disse e me olhou pelo canto dos olhos enquanto eu apertava forte o
volante com raiva e ciúme.
– Você gostou do filme? – Perguntei.
– Não muito. Mike passou mal e fomos embora.
– Jacob gostou? – Perguntei tentando ser casual.
– Acho que sim. – Bella disse e olhou para mim. – Onde você está querendo chegar?
– Só quero entender. – Disse.
– Entender o que?
– Óntem você estava tão preocupada por que não falou com ele. – Comentei.
– Jacob é só meu amigo, Edward.
– Para ele não é assim ... nunca foi. – Disse calmo.
– Mas para mim é. – Bella foi enfática.
– O que houve entre vocês enquanto eu estava ... fora? – Resolvi ser direto.
– Não houve nada.
– Não foi o que pareceu, Bella. – Disse e desliguei o carro.
– Edward Cullen? Você está com ciúmes do Jake? – Bella me olhou e cruzou os braços.
– Não devia? – Disse e olhei de lado para ela.
– Não. – Ela concluiu. – Vamos logo, vamos nos atrasar.
– Mais tarde então? – Eu não ia deixar o assunto esfriar.
– Sim, mais tarde. – Ela concordou.
Enquanto estávamos na escola, Alice e Jasper trabalhavam para liberar a tarde de
Bella. Carslile havia instruído Jasper a causar uma pane na parte elétrica da loja dos
Newton, de forma à precisar fechar a loja naquele dia. Alice estava no condado vizinho
onde o xerife de lá era muito amigo de Charlie. Ela deixaria pistas falsas de um suposto
sequestro que mobilizaria toda a cidade, e o xerife ia ser obrigado a pedir ajuda, e essa
ajuda viria de Forks. Charlie ia ficar fora a tarde toda e nem perceberia a falta de Bella ao
trabalho. Alice nos garantiu que Bella não ia ter problemas.
– Bella. – A Sra. Newton disse assim que Bella saiu do carro. – Você não precisa ficar hoje.
Tivemos um problema na fiação e os técnicos estão tentando resolver, só devemos abrir à
noite ou só amanhã. – Ela contou e Bella lançou um olhar rápido para mim. – Ainda bem
que hoje, nesse horário, tem pouco movimento.
– Ok, Sra. Newton. Amanhã venho no mesmo horário. – Bella disse e voltou para o carro.
– Até amanhã, então Bella. – A Sra. Newton se despediu e voltou para a loja onde os
técnicos tentavam resolver o problema que Jasper havia causado. Ele foi perfeito, os
técnicos iriam perder pelo menos três horas para descobrir, segundo Alice.
– Isso é coisa sua. O que está acontecendo. – Bella disse assim que eu liguei o carro e
peguei a estrada.
– Você vai saber.
– Charlie. – Ela lembrou.
– Não se preocupe, ele está ocupado no momento.
– Para onde você está me levando. – Bella quiz saber.
– Para minha casa, vamos conversar com Carslile. – Contei e ela ficou calada.
Bella não fez mais perguntas, ficou imersa em seus pensamentos até que chegamos
na minha casa. Esme veio sorridente nos recepcionar e me informou mentalmente que
Carslile estava na mesa de jantar, esperando por nós junto com Alice e Jasper.
– Olá, Bella. – Carslile a cumprimentou. – Junte-se a nós.
– O que está acontecendo, Edward. – Bella me perguntou congelada no meio da sala.
– Está tudo bem, venha. – Disse e peguei em sua mão.
– Oi, Bella. – Alice disse e Bella só sorriu.
Nos sentamos nos mesmos lugares da nossa última reunião e esperamos que Carslile
começasse. Alice e Jasper também estavam no mesmo lugar, os únicos lugares vazios eram
os de Emmett e Rosalie que estavam fora.
– Bella. – Carslile começou. – Edward ontem veio falar comigo sobre o nosso trato.
– Eu sabia. – Bella falou e me deu um olhar de reprovação.
– Calma, eu não voltei atrás. Só que temos que esclarecer algumas coisas. – Carslile
garantiu.
– Que coisas? – Bella perguntou mais calma.
– Primeiro, eu gostaria de te dizer que todos gostamos da segunda opção que Edward te
deu. – Carslile se referiu ao casamento.
– Principalmente eu. – Alice disse sorrindo e Bella sorriu de volta.
– Ele me disse que você tem a intensão de um dia voltar, de futuramente vir reencontrar a
sua família. – Carslile comentou.
– Isso não será possível, Bella. – Alice disse.
– Como recém-criada, você precisará de muito tempo para conseguir se controlar perto de
humanos. Você viu que é difícil até para mim, e eu te peço desculpas por aquilo.
– Esquece isso. – Bella disse e sorriu para o eu irmão.
Aquele foi o primeiro encontro real deles depois da nossa volta, Jasper estava muito
tenso. Ele fez questão de ajudar na farsa que levou Bella à minha casa, ele havia prometido
que faria de tudo para ajuda-la, no que ela precisasse. Bella às vezes me olhava enquanto
todos falavam, eu apenas observava.
– Querida. – Esme falou pela primeira vez. – Entendemos que tudo isso é confuso para
você, que você tomou essa decisão por vocês para ficar com Edward, mas sabemos o
quanto você ama seus pais e que não quer que eles sofram.
– Eu acredito que talvez, depois de um ano, ou um ano e meio eu esteja pronta para pelo
menos rever meus pais. – Bella disse. – Até lá, até eu estar pronta, ele vai pensar que estou
na faculdade, e como o Alasca é bem longe, ele vai entender se eu disser que não posso
voltar por causa da distância, ou da passagem cara.
– E se voce não se adaptar tão rápido? – Falei pela primeira vez. – Um ano, um ano e meio
é muito pouco para os das nossa espécie, Bella.
– Eu confio em você. – Bella disse e olhou para os outros. – Eu confio em vocês, eu sei
que só vou voltar quando eu estiver pronta.
“– Ela não vai desistir, vamos ter que prepará-la.” – Carslile pensou.
– Ok. Vamos então tentar uma outra estratégia. – Carslile disse.
– Do que você está falando, Carslile? – Perguntei intrigado, eu não queria aquilo, eu
queria que ele a convencesse a mudar de idéia.
“– Vamos ganhar tempo, Edward. Vou tentar preparar Bella, ela se sentirá mais segura e
quem sabe você consegue o que você quer.” – Carslile me disse mentalmente acalmando
meus pensamentos.
– Todos concordamos desde o início que Bella não é uma humana comum, então pensei em
uma preparação. – Ele contou.
– Preparação? – Bella quiz saber.
– Sim, Bella será preparada para a nova vida. – Ele comunicou a todos. – Nunca tentamos
isso, nem nunca ouvi falar em alguém que tenha feito, mas depois da decisão de Bella, eu
fiz pesquisas e estou disposto a tentar.
– E como isso ocorrerá? – Jasper perguntou intrigado, ele também não entendia como tudo
ia acontecer e não acreditava que pudesse dar certo. Para Jasper a reação à
transformação era uma coisa natuaral, não havia como minimizar as coisas.
– Ainda estou pensando na estratégia, mas basicamente será informações sobre a nossa
espécie. – Carslile contou.
– Não sei como faremos isso, Charlie está me mantendo prisioneira, não tenho como ficar
vindo aqui todo dia. – Bella comentou.
– Não se preocupe com isso, vamos te informar assim que Carslile se decidir, que será
daqui há ... uma semana. – Alice disse casualmente e sorriu.
Ao contrário do que eu queria, saímos da minha casa com a confirmação que o
acordo entre Bella e Carslile ainda estava valendo, e mais ... ela teve mais uma vez a
garantia de que Carslile seria capaz de transformá-la com segurança e com uma inovadora
proposta de preparação. Bella pareceu mais satisfeita e confiante, como Carslile havia
previsto.
No carro até chegarmos na sua casa, Bella disse que ficou feliz com o apoio da
minha família e com a proposta de Carslile, mas pediu que eu aceitasse a sua decisão, ela
sabia que eu não concordava com nada daquilo.
– Quero que seja você a fazer. – Bella me pediu mais uma vez.
– Você sabe o que precisa fazer para que seja assim. – Disse sorrindo para ela.
– Você vai insistir no casamento? – Ela me questionou.
– Sim, caso contrário, é entre você e Carslile.
Depois da minha última palavra, Bella ficou calada por todo resto da viagem até a
sua casa. Como Alice havia previsto, chegamos antes de Charlie e Bella não teve
problemas. Fui para minha casa e retornei dentro do horário estipulado por Charlie, ficando
na cozinha com Bella estudando e colocando a matéria dela em dia. Bella não falou muito,
estava muito pensativa e concentrada nos exercícios de cálculo. Até Charlie percebeu mas
não fez nenhum comentário, ele evitava ao máximo dirigir qualquer palavra a mim, só
observava.
Voltei quando Charlie estava dormindo, mas Bella permaneceu quase que o tempo
todo do mesmo jeito. Assim que eu entrei por sua janela, Bella esticou os braços me
convidando para deitar e se aconchegou. Ela não parecia chateada ou aborrecida, apenas
pensativa enquanto ficava deitada sobre o meu peito, como fazia todas as noites. Foi mais
de uma hora de silêncio absoluto naquele quarto, a única coisa que rompia o silêncio, pelo
menos para mim, eram as poucas mentes humanas ainda acordadas e o barulho dos animais
na floresta.
Bella não tentou me beijar nenhuma vez mesmo quando eu acariciava seus cabelos,
seu rosto e até mesmo sua boca, apenas pensava. Eu ouvi seu coração acelerando mas ela se
controlava. Eu não entendia o por que daquilo.
“– Será que ela ficou chateada com a conversa de hoje?”, eu pensava.
Eu queria questioná-la sobre o que aconteceu enquanto eu estava fora, sobre Jacob,
sobre Laurent e tudo mais, mas não havia como, eu teria que deixar para outro dia, para um
momento em que ela estivesse mais receptiva. Queria saber como ela foi parar na nossa
campina sozinha e como conseguiu escapar dele. Queria saber de tudo que aconteceu entre
ela e Jacob, entre ela e Mike, o porque dela ter ido ao cinema com os dois. Eu me sentia
como há mais de um ano atrás, quando eu tinha curiosidade sobre seu passado, sobre coisas
que eu não sabia sobre ela, mas tinha um porém, eu tinha causado aquilo tudo, eu tinha
deixado a razão da minha vida à merçê do destino.
Insegurança, esse era o nome para o que eu sentia.
Não queria simplesmente entrar no assunto, precisava de uma brecha, mas essa não
surgia. Para mim aquilo era pior, eu preferia que ela ficasse braba comigo, mas que me
falasse o que estava pensando, não saber era terrível, ainda mais conhecendo muito bem
Bella. Eu não pretendia caçar aquela noite, estava bem alimentado e pretendia ficar a noite
toda com ela e só sair uma hora antes de voltar para irmos à escola, mas o silêncio de Bella
começou a me incomodar profundamente, pela minha cabeça passavem centenas de coisas
ao mesmo tempo, eu imaginava dezenas de motivos para que ela ficasse daquele jeito sem
falar comigo.
– Você quer que eu vá embora? – Perguntei mais de meia noite.
– E se eu não me casar com você como você quer? – Bella arfou e levantou o rosto para me
perguntar como se não tivesse escutado a minha pergunta.
“– Então era isso.”, pensei e nos sentamos.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntei.
– Você não vai me amar mais se a transformação acontecer sem que eu me una a você
como você quer? – Bella foi dizendo as palavras com cuidado.
– Não existe essa possibilidade. – Disse acariciando seu rosto.
– Você só ficará comigo se for do seu jeito?
– Por que você está me perguntando isso, Bella?
– Me responda, por favor. – Ela me pediu.
– Bella, eu vou te amar para sempre. – Disse segurando seu rosto entre minhas mãos e
olhando no fundo de seus olhos.. – Sendo você a minha esposa ou minha parceira.
Bella sorriu e me beijou com paixão e urgência tal como ela fez no nosso primeiro
beijo, mas havia uma diferença, naquele dia eu acreditava que não teria aquilo para sempre