domingo, 2 de janeiro de 2011

Iris de Edward Cullen - Capitulo 4


Volterra
Não foi complicado achar Volterra. A Itália era o país com a maior concentração de
Vampiros do mundo e localizá-los não seria problema. Com o meu dom ficaria mais fácil
ainda, a mente do vampiro era muito mais fácil de localizar do que a de um humano e foi
em algumas que peguei as pistas que me levariam ao meu destinho, ao caminho que me
levaria ao fim.
Quando adentrei os grandes portões de Volterra já passara das dez da noite. A
cidade estava movimentada devido à grande Festa de São Marcus. Eles comemoravam o
dia em que o Padre Marcus expulsou os vampiros da cidade ... mas não podia estar mais
enganados, os vampiros nunca foram tão presentes na cidade como naquela época do ano.
As paredes da cidade estavam enfeitadas com lençóis e faixar vermelhar. Todos os
moradores e visitantes estavam animados ... eles usavam grandes capas vermelhas e
“presas de vampiro” de plástico.
De acordo com as informações que puder colher, eu pude perceber que eu estava no
caminho certo. Fui em direção ao prédio que escondia o covil dos Volturi, mas antes
mesmo de chegar lá fui recepcionado por dois capangas de capas pretas, ele haviam
farejado que eu não era um humano e nem tinha tal aparência, nós conseguíamos nos
reconhecer com facilidade.
– Olá visitante. – Me disse um deles.
– Preciso ver Aro. Diga que sou Edward Cullen. Filho de Carslile Cullen. – Me anunciei
formalmente.
– Carslile Cullen? Que viveu aqui? – Um deles se impressionou e eles se olharam. Pelo que
pude ver na mente deles, pareceu que Carslile era famoso por aqui, e ele nem fazia tal
idéia.
– Sim. Diga isso a Aro, por favor. – Pedi.
– Você disse que é “filho” dele? – O outro perguntou.
“Você é idiota ou o que? ...Será que eu não estou me fazendo entender?”, pensei um pouco
irritado e impaciente.
– Sim. ... Por favor me anunciem a Aro. – Pedi mais uma vez. Eu queria logo acabar com
isso.
– Nos acompanhe. – O primeiro ordenou.
– Ok. – Assenti.
Caminhamos até uma grande construção, passando pelo meio das pessoas. Eu estava
tão descontente com tudo que nem me dava ao trabalho de prestar atenção na mente dos
que me cercavam, a não ser que as palavras invadissem a minha mente de forma a chamar a
minha atenção. Os humanos não faziam a menor idéia do que estava acontecendo, do que
havia nos subterrâneos da cidade, muito menos dos membros mais ativos da sociedade ...
não só simples vampiros, mas os piores, os vampiros do Clã Volturi.
– Espere aqui. – Falou um deles e logo saiu do meu ângulo de visão.
Esperei menos de 5 minutos acompanhado pelo capanga que ficou aguardando ao
meu lado. Não tinha o que fazer, então passei a observar a mente dele e tentar descobrir
uma forma de convercer Aro a aceitar meu pedido. Em sua mente vi que ele tentava
desvendar o que eu quiz dizer com “filho dele”. Eles eram monstros tão horrendos que não
entendiam como pudesse existir uma família de vampiros, nem como eu poderia ser “filho”
de Carslile. Para ele a palavra estava completamente ligada ao fato da concepção por si só,
e mais nada. Mas não era assim conosco.
Carslile não era apenas me criador, era meu amigo e meu pai. Tínhamos um laço
muito forte e esse laço ficou mais forte com a chegada de Esme, minha mãe ao passar das
décadas. Pensar neles me entristeceu mais, mas não o suficiente para me fazer voltar atrás,
era tarde demais para mim.
O vampiro que havia se ausentado retornou rapidamente e com a mente confusa.
Aro tinha reclamado com ele. Li isso em sua mente “Por que não o trouxe imediatamente.
Todo o Clã de Carslile é bem vindo aqui! Traga-o agora.”. Essa reação o deixou
impressionado. Eu nunca tinha ido à Volterra, então Aro só me conhecia de nome. Carslile
sempre teve receio pelo meu dom, pelo que Aro pudesse fazer para tê-lo ... assim como o
de Alice. Aro colecionava raridades. Ele tinha Jane e Alec sempre por perto por terem dons
muito significativos, assim como muitos outros vampiros que moravam com ele e seus
irmãos. Aqueles dois que me recepcionaram eram provas concretas daquilo.
O maior era Felix, ele confiava muito na sua força e realmente ele era muito forte ...
provavelmente o mais forte que já encontrei, até mais forte que Emmet. O menor era
Demetri. Ele tinha um dom bem peculiar ... meio que uma mistura do que eu faço com o
que James fazia. Ele localiza a pessoa pelo “sabor de sua memória” e esse dom podia ir
muito longe. Mas nada disso fazia com que eu mudasse a minha decisão. O medo não
estava presente ... só a agonia e a dor.
Segui os dois por uma passagem no canto inferior de uma rua escura, pelos esgotos
de Volterra. Era escuro e úmido. Nada que incomodasse um vampiro, mas com certesa
desconfortável para um humano. Chegamos rapidamente a um grande salão, onde Aro me
aguardava.
– Seja bem vindo, Edward. Finalmente pude lhe conhecer. – Disse Aro muito educado e
com um sorriso no rosto.
– Olá Aro. – Eu já o conhecia dos quadros e das memórias de Carslile. Eu sabia de tudo o
que Carslile havia vivido aqui e como partiu.
– O que o traz aqui meu jovem amigo? – Aro perguntou curioso, ele não esperava por uma
visita por parte de Carslile.
– Preciso de seus serviços. – Fui direto. Disse olhando nos olhos escarlates dele.
– Dos nossos serviços? – Ele disse e intrigado veio até mim. Tocou em minha minha mão e
através de seu dom viu a que vim. – Oh.. – Ele disse enquanto via tudo.
– Por favor. Acabe com a minha agonia. É só o que peço.
Aro tinha um dom parecido com o meu. Eu podia ouvir os pensamentos das pessoas,
mas só quando elas estão pensando. Não o passado ou o futuro. Aro ouvia todos os
pensamentos até o momento em que ele a tocava.
Agora ele sabia de tudo ... eu revia tudo na mente dele, e sofria com as imagens de
Bella tão nítidas, tão vivas.
– É uma coisa muito ruim o que você está me pedindo. – Aro me disse pensando no que
aquilo poderia ser encarado por Carslile.
– Mas é preciso. – Disse.
– Carslile sabe de sua decisão? – Aro tinha uma grande afeição por Carslile e tinha uma
preocupação ... não por mim, mas por Carslile.
– Já deve saber. – Eu o garanti. Mas isso não faria diferença.
– Mas você é um rapaz tão talentoso. – Vi em sua mente a atração que ele sentiu pelo meu
dom, como Carslile havia previsto. Ele ficou intrigado e o queria.
– Por favor, Aro. Peço seus serviços para acabar com a minha agonia. – Pedi mais uma vez.
– Preciso me reunir com meus irmãos. – Aro disse e se afastou.
– Não é necessário. Uma ordem sua e estará tudo resolvido. – Eu queria acabar com tudo
logo, mas ele estava relutante. De uma forma ou de outra aquilo iria acontecer.
– Não é assim que as coisas funcionam nesse clã. – Aro me disse. – Você terá que aguardar
por nossa decisão.
– Eu esperarei.
– Fêlix! – Aro chamou seu capanga. – Leve nosso jovem amigo. Ele aguardará nossa
decisão. – Fêlix assentiu e eu o segui até uma espécie de quarto onde eu aguardaria.
– Aguarde aqui. Assim que os irmãos deliberarem virei buscá-lo. – Ele disse e eu assenti.
Me sentei no chão do grande quarto e fiquei aguardando.
Abracei meus joelhos e fechei meus olhos.
Aproveitei esses últimos momentos para me lembrar de minha família. Vi o sorriso
e a vivacidade de Alice, minha irmã caçula. Vi as lições de vida e de luta de Jasper.
Lembrei das gargalhadas e do sempre bom humor de Emmet, e das teimosias de Rosalie.
Lembrei amor incondicional de Esme, da experiência de vida e da amizade de meu pai,
mentor e amigo ... Carslile.
Deixei por último as memórias de minha Bella ... Seus olhos castanhos tão vívidos
ao olhar para mim, seus lábios que pareciam se aquecer mais quanto tocava nos meus, cada
uma das expressões de seu rosto lindo, de sua pele pálida, macia e quente, e principalmente
da batida de seu coração que indicava o ritmo em que eu vivia. Vi seu quarto ... nosso
quarto, nossa cama e nela Bella dormindo ... e eu a observando enquanto ela sonhava
comigo. Sua boca dizendo que me amava.
Eu me sentia culpado por sua morte ... profundamente culpado. Se eu não tivesse
aparecido em sua vida e não tivesse me apaixonado por ela, agora ela poderia estar curtindo
um passeio na praia de La Push, ou um cinema com as amigas. Eu era o monstro que lutou
contra o destino desde o primeiro dia em que a conheci, que a forçei a uma vida de perigo
constante por amá-la tanto. Eu não devia existir, e com muita sorte eu conseguiria isso
naquele dia. Não fazia sentido permanecer sem ela. Bella era a minha vida, sem ela nada
tinha sentido.
Fiquei alí por mais de uma hora, esperando, até que ouvi a mente de Demetri
chegando. Me levantei e fiquei esperando que a porta se abrisse.
– Venha comigo. – Ele me disse assim que a porta se abriu.
Segui Demetri até o mesmo salão onde tinha encontrado Aro, mas dessa vez os
outros irmãos também estavam presentes. Ao contrário de Aro, seus irmãos permaneciam
sentados e alheios ao meu sofrimento.
– Olá de novo meu jovem amigo. Você mudou de idéia? – Aro me perguntou assim que eu
me posicionei a sua frente.
– Não. – Fui infático.
– É mesmo uma pena. – Via em sua mente que o desejo de possuir meu dom era maior que
tudo.
– Vocês chegaram a uma decisão? – Eu não queria rodeios.
– Sinto muito querido amigo, não podemos acabar com um dom tão poderoso. – E ele me
deu uma outra saída em sua mente. Lembrou de nossa única e mais importante de nossas
leis. E essa seria a saída para meu dilema.
– Ok... mas de uma forma ou de outra isso terminará hoje. – Disse.
– Sinto muito. – Aro lamentou.
Me virei e saí para encontrar meu destino. Fui para um corredor que dava para a
grande praça, onde uma multidão se reunia.
Pensei na melhor forma de chamar a atenção do povo que invadia a grande praça.
Fazer uma cena seria a única forma de forçar uma reação dos Volturi, já que eles não
queriam atender o meu pedido da maneira mais fácil. Pensei em várias alternativas. Poderia
ser na forma mais simples, apenas morder uma pessoa no meio da multidão. Isso seria fácil
já que eu não caçava há mais de 2 semanas.
“Mas isso seria uma traição com meu pai”, pensei e voltei atrás.
Me encostei na parede e voltei a pensar. Eu já estava quase saindo das sombras.
“Quem sabe algo mais visual?”, pensei.
Várias opções vieram a minha cabeça.
Lembrei então do dia em que eu me mostrei para Bella na nossa campina. Ela ficou
tão feliz, nós ficamos felizes, e o mais importante foi o dia do nosso primeiro beijo ... o dia
em que senti pela primeira vez seus lábios quentes nos meus. Nesse dia eu entrei em sua
casa a seu convite, estive no seu quarto por sua vontade, acariciei seu rosto e deitei na nossa
cama pela primeira vez. Foi o melhor dia de minha existência. Nesse dia eu sentia a minha
parte humana, antes completamente adormecida, renascer. A partir daquele dia meu corpo
não ficou tão frio e duro. O amor que eu sentia por ela me fazia seguir em frente todos os
dias e esses tinham um brilho diferente. Tudo voltou a ter sentido, tudo tinha mais cor.
Lembrei dos raros dias de sol em Forks, em que eu via que Bella se sentia feliz e resolvi
fazer isso ao meio dia, quando o sol estava mais alto. Isso era em homenagem a ela. Isso
seria por ela. Morrer sob o sol que ela tanto amava.
Fiquei então no corredor, observando a praça que seria meu jazido, esperando que o
grande relógio batesse as doze badaladas. Conforme a hora se aproximava eu me sentia
feliz. A angústia e a dor cessariam. Foi o que aconteceu. A cada badalada eu me
aproximava do sol ... tirei a minha blusa para que o sol me envolvesse por completo.
Eu estava em paz.
Faltavam poucas badaladas e eu já estava a beira do portão. Era tão boa a sensação
de paz e liberdade que me envolvia que eu sorri com meus olhos fechados, imaginando o
rosto de Bella. Ela seria a última imagem que eu veria. Só mais um passo e tudo terminaria.
Ergui o pé que me levaria para junto dela quando tudo aconteceu muito rápido.
Senti um pequeno impacto no meu peito e por reação segurei o objeto que se chocou
comigo. Quando abri meus olhos era ela, Bella estava em meus braços.
“O paraíso existe”, pensei.
– Incrível ... Carlisle estava certo. – Disse.
Meu pai sempre tentou me convencer que havia algo para mim. Ele acreditava em
mim. Eu acariciei o rosto lindo de Bella. Ela estava com os mesmos olhos castanhos
expressivos, só um pouco mais magra, mas mesmo assim linda e corada. Fiquei feliz por
estar com ela, sabe-se lá onde. Isso não me importava nesse momento.
– Não dá pra acreditar no quanto foi rápido. Eu não sentí nada ... eles foram muito bons. –
Talvez a amizade por meu pai os tenha feito sentir pena por mim e foram rápidos e
indolores. – Morte, que sugou o mel da tua respiração, não teve nenhum poder contra a tua
beleza. – Fechei meus olhos, beijei seus cabelos longos e recitei as falas do Romeu que ela
tanto gostava. – Você cheira exatamente igual. Então talvez isso seja o inferno. Eu não me
importo. Eu fico com ele.
Do nada senti que ela se debatia em meus braços e eu não entendia. “Por que ela
quer fugir de mim agora?”, pensei e fui ouvindo sua voz chegando aos poucos em meus
ouvidos.
– Eu não estou morta. E nem você! Por favor, Edward, nós temos que nos mover. Eles não
podem estar muito longe. – Eu ouvia Bella sussurrar.
“Como isso era possível?”, pensei.
– Como é isso? – Perguntei
Tudo aconteceu rápido. Senti seu corpo quente em meus braços, o som do seu
coração invadiu a minha mente, seu perfume fez minha garganta arder de sede como um
sinal de “Boas Vindas”. Aos mesmo tempo ouvi os pensamentos de Fêlix. Ele estava vindo
junto com Demetri, a mando de Aro. Ele queria me convencer a ficar. Mas eu pensava que
estava morto e estava colocando nós dois em perigo.
Epa!
“Nós dois?”, pensei.
Bella realmente estava lá.
“Mas como? ... Alice!”, pensei de novo.
– Nós não estamos mortos, ainda não! Mas nós temos que sair da luz antes que os Volturi...
– Ela sussurrava em meu ouvido mas eu sentia medo em suas palavras. “Eu preciso salvála”,
pensei quando o instinto protetor por Bella soou em minha cabeça.
Saltei com ela para as sombras me colocando em sua frente, pronto para a luta.
Sentia seu hálito quente nas minhas costas e eu me sentia vivo novamente, seu perfume me
envolveu. Eu precisava protegê-la de Fêlix e Demetri. Eles não poderiam chegar perto de
Bella. Ela estava viva, graças aos Céus.
Não perderia Bella de novo. Ela veio ao meu encontro ... não poderia perdê-la de
novo. Não teria como correr com ela com o sol a pino e eles estavam chegando. Abri meus
braços protegendo ela.
– Saudações cavalheiros. – Disse antes mesmo deles surgirem das sombras. – Eu não acho
que estarei necessitando dos seus serviços hoje. Eu agradeceria muito, no entando, se vocês
enviassem meus agradecimentos aos seus mestres.
Pude sentir os pensamentos de Alice, ela estava lá também. Alice estava nos
observando através de visões, em uma dessas ela viu os capangas se aproximando de nós.
“Edward! Estou chegando!”Ela me disse em pensamento. Ela estava correndo para cá. Eu
só precisaria retardá-los.
– Vamos levar essa conversa para um local mais apropriado? – Ameaçou Felix. Em seus
pensamentos eu via que ele já havia farejado o perfume de Bella.
– Eu não acredito que isso vá ser necessário. Eu conheço as suas instruções, Felix. Eu não
quebrei nenhuma das regras. – Ameaçei de volta.
– Felix estava meramente tentando apontar a proximidade do sol. – Completou Demetri –
Deixe-nos procurar um esconderijo melhor.
– Eu estarei bem atrás de vocês ... Bella, porque você não volta para a praça e aproveita o
festival? – Precisava garantir sua segurança.
– Não, traga a garota. – Disse Felix. Ele já imaginava ela para ele, e isso me irritou. “Ela é
minha!” então gruni em pensamento.
– Eu acho que não. – E me posicionei esperando uma reação da parte deles.
– Não. – Bella disse baixinho atrás de mim.
– Shhh – A silenciei. Isso não ajudaria.
– Felix. Aqui não. – Disse Demetri. – Aro simplesmente gostaria de falar com você
novamente, pra saber se você decidiu se juntar á nossa força afinal.
– Certamente. Mas a garota fica livre.
– Eu temo que isso não seja possível ... Nós temos regras a obedecer. – Retrucou Demetri.
Mas era a mente de Felix que me preocupava.
– Então eu temo que serei incapaz de aceitar o convite de Aro, Demetri. – Devolvi a
ameaça. Eu sabia que Alice não se demoraria, precisava gastar tempo. Eles eram dois e
nós também, mas apenas um de nós teria condições de lutar.
– Isso está bem. – Felix então rugiu para mim. Ele estava disposto a uma luta. Ele já sentia
atração pelo perfume de Bella.O sangue dela não era só atrativo para ele, mas era mais
forte.
– Aro ficará decepcionado. – Demetri falou.
– Eu tenho certeza de que ele sobreviverá ao desapontamento.
Então me preparei para uma luta. Eles começaram a se mover e eu ouvi o coração
de Bella acelerando atrás de mim. Ela já esteve perto de uma luta entre vampiros, mas
estava meio inconsciente, já que James havia lhe mordido e ela estava muito machucada.
Não permitiria que ela se machucasse novamente. Eu teria uma aliada muito poderosa a
tempo. Olhei para as sombras de um beco e Alice surgiu.
– Vamos nos comportar, sim? Têm damas presentes. – Ela então chegou. Ver Alice foi me
sentir em casa novamente.
“– Desculpe a demora.” – Alice me falou mentalmente.
Felix e Demetri recuaram quando Alice se posicionou ao meu lado.
“Estou feliz em te ver.”, ela pensou. Assenti suavemente do jeito que sempre fazíamos.
“Lutaremos juntos por ela, mas parece que isso não será preciso.”
– Nós não estamos sozinhos. – Alice os precaviu.
A mente de algumas pessoas na praça chamou a minha atenção. Eles olhavam para
dentro do corredor que estávamos. Em suas mentes eles analizavam nossas posturas. Para
eles eu era um rapaz defendo a namorada e a irmã de dois homens estranhos. Eles
pensavam em se juntar a nóis.
– Por favor, Edward, sejamos razoáveis. – Demetri pediu percebendo o perigo de expor
todos nós.
– Sejamos. E nós vamos embora silenciosamente agora, sem nenhuma imprudência. – Eu
disse a eles.
– Pelo menos vamos discutir isso mais reservadamente. – Demetri não estava gostando da
situação li fora. Eles seguiam cegamente suas ordens, e ceder não estava em seus planos.
As pessoas na grande praça já estavam reparando.
– Não. – Disse firme para eles.
Eu queria acabar logo com aquilo, mas u ouvia outra voz se aproximando. Era Jane
e isso complicaria as coisas. Felix e Demetri perceberam logo sua chegada e relaxaram.
Eles viram, naquela hora, que as coisas caminhariam do jeito que eles haviam planejado.
Tive que me render por um tempo, não tinha como vencer contra eles, principalmente com
Jane no lado deles. Alice também relaxou mas não estava contente, suas mãos estavam
cruzadas no peito.
– Basta. – Jane chegou logo.
– Jane. – Eu a cumprimentei.
– Sigam-me. – Jane indicou e simplesmente virou as costas. Ela não tinha problemas com
aquilo, somente um inconsequente tentaria pegá-la por trás, ainda mais na presença de
Felix.
Felix e Demetri agoram tinham em suas mentes, a certesa de que tudo corria como
seus mestres desejavam. O sorriso no rosto de Felix para Bella quando nos indicava o
caminho me incomodou. Não foi somente o cheiro de Bella que o atraiu, ele viu nela a
mesma beleza que me atraía, mas eu não permitiria que ele encostasse um só dedo nela.
Puxei Bella para meus braços e olhei bem nos olhos dele. Bella me olhou e eu assenti.
Queria poder beijá-la mas alí não era o local nem o momento, primeiro eu teria que garantir
a nossa sobrevivência. Parte da minha mente ficou feliz com o “nosso”, novamente
envolvido em meus pensamentos. Alice estava nos acompanhando de perto, logo atrás de
Jane.
– Bem, Alice ... E creio que não devo ficar surpreso por te ver aqui. – Disse a Alice. É claro
que Bella não saberia como me encontrar nem adivinhar que eu já estaria sabendo de
tudo.
– Foi meu erro. Era meu trabalho concertar as coisas. – Ela respondeu.Mas em sua mente
eu ouvia “Me desculpe, mas você precisa saber que ela andou em grande risco”.
– O que aconteceu?
– É uma longa história. – Alice me indicou Bella e continuou. – Em resumo, ela pulou do
precipício, mas ela não estava tentando se matar. Bella anda praticando esportes radicais
ultimamente. – Ela resumiu mas na sua mente me passou o relatório completo.
“Ela não esteve nada bem. Eu te avisei que não seria bom para nenhum dos dois. Muita
coisa aconteceu, veja como a encontrei ... Charlie me contou tudo que se passou. Com a
sorte de Bella é difícil até acreditar que ela realmente está viva, pelo pouco que eu pude
apurar. Até com nossos inimigos ela se envolveu, e foi um deles que a salvou quando ela
pulou do penhasco ... aliás, ela ficou muito amiga de um deles. Jacob Black. Foram eles
também que a salvaram de Laurent. Ele reapareceu, Edward! E os lobos o mataram
justamente quando ele ia atacar Bella ... na campina de vocês. E Victória também... mas
ela não chegou perto, eles conseguiram afastá-la de lá a tempo.”
– Uh. – Disse simplesmente. Não queria alertar nenhum dos Volturi, por isso não entrou
muito em detalhes sobre os lobisomens, nem aparentar preocupação em relação a Victória.
Depois eu perguntaria a Alice quando isso aconteceu ... afinal eu a estava caçando.
Laurent morto era uma preocupação a menos, mas me despertou uma curiosidade ... Por
que ele resolveu voltar?
Seguimos Jane até que Bella travou. Alice havia entrado por uma das passagens
subterrâneas de Volterra que nos levaria a Aro e Bella se assustou.
– Está tudo bem, Bella, Alice vai te segurar. – “Depois de tudo que aprontou ficou com
medo de um buraquinho?”, pensei, mas no mesmo momento me lembrei de Felix e Demetri
atrás de nós. É claro que ela teria medo. Que humano não teria?
– Alice? – Bella se certificou. Ela tremia de medo. Eu queria poder correr com ela daqui,
mas isso só irritaria mais os Volturi e estimularia Demetri a me encontrar. Com certesa
nesse momento ele já havia memorizado o teor de nossas mentes, então ele nos encontraria
facilmente.
– Eu estou bem aqui, Bella. – Alice a tranquilizou.
– Pronta? – É claro que ela não estaria, seu coração pulsava forte. Seus olhos estavam
lindos quando olharam para mim. Segurei em seus pulsos e a preparei.
– Solte ela. – Alice falou lá embaixo e então eu a soltei, mas sabia que logo ela estaria em
meus braços.
Ainda na parte de fora da passagem olhei para Felix e Demetri. Eles estavam
tranquilos, não tinham a menor vontade de me atacar naquele momento. Eles estavam
seguindo fielmente as ordens de seus mestres, mas Felix estava preparado. Ele realmente se
atraiu por Bella, mas nem perto de como eu me sentia. Além do perfume dela ele a achou
bonita, como os machos da escola. Ela era diferente ... claro. Olhei novamente em seus
olhos, me virei e saltei para dentro do subterrâneo de Volterra. Assim que desci trouxe
Bella para meus braços e ela se agarrou em mim. Era ótima essa sensação de tê-la junto a
mim novamente.
Continuamos seguindo enquanto uma grande grade de ferro fechava a nossa
passagem. Foi ficando cada vez mais escuro ... para Bella. Ela estava assustada, seu
coração palpitava forte ... era a reação a nossa caminhada acelerada e o medo. Trouxe seu
corpo para perto do meu.
“Foi um erro. Eu devia ter confiado mais no meu destino e no destino dela, aceitado a
visão de Alice desde o primeiro momento ... não devia ter feito tudo aquilo com ela ...
conosco, com todos nós. Mas agora é tarde, preciso concertar isso de alguma forma.
Primeiro tenho que nos tirar daqui ... tenho que tirá-la daqui”, eu pensava e acariciava seu
rosto e seus lábios, beijava seus cabelos e inalava seu perfume, agora concentrado e não
uma leve lembrança, Bella então me abraçou com força. Ela também estava com saudades,
então beijei sua testa. A minha vontade era beijar sua boca macia, mas a mente dos outros
me trazia para a realidade.
“Que idiota ... ele gosta dessa humana? Que absurdo. Ela é comida para nós, só isso.”,
pensava Demetri.
“Como ele consegue ficar assim com ela? Tão perto do cheiro dela e não a matar...”,
pensava Felix. Eles nem faziam idéia ...
A cada momento nós descíamos mais para o subterrâneo e Bella foi ficando mais
nervosa. Seu coração batia freneticamente. Ela começou a tremer. Me afastei um pouco
dela para que ela não sofresse. Eu estava sem camisa ainda e isso a devia estar congelando.
Segurei em suas mãos mas por pouco tempo. Bella logo se agarrou em mim novamente.
– N-n-ão. – Ela disse com a voz tremendo.
Bella queria a proteção de meus braços e isso era bom para mim. Claro que me
preocupei com a sua saúde, mas cuidaria disso depois. Eu esfreguei minha mão livre em
seu braço para que a fricção a aquecesse um pouco.
“Mas que humana frágil e, lenta. Nesse passo demoraremos um século para chegarmos no
grande salão. Aro deve estar impaciente. Ela vai nos causar muitos problemas ainda.”,
pensava Felix atrás de nós e suspirou.
Agora não seguíamos o mesmo caminho que eu fiz anteriormente. O passo lento de
Bella não irritava apenas Demetri e Felix. Jane também estava intediada e queria logo
voltar para Aro. Ela nos indicou um caminho que passaria pela entrada social do prédio que
servia de fachada de uma empresa. Era a forma dos Volturi se esconder e ao mesmo tempo
atrair visitantes, era uma espécie de museu. Ele guardava antiguidades, aos olhos humanos,
que visitavam constantemente Volterra. Isso me preocupou. Seguimos em direção a um
elevador. Não gostei, mas Bella relaxou, ela não fazia idéia do que era aquilo tudo. O
cheiro de Bella ficaria concentrado demais dentro daquela caixa de metal, isso não era nada
bom. Felix ficaria perto demais. Alice também farejou o perigo e se colocou no outro lado
de Bella.
Dentro do elevador Felix e Demetri se sentiram em casa. Relaxaram e até deixaram
seus rostos a mostra. Jane já planejava em sua mente como nos mataria, ela tinha a
convicção de como isso acabaria. Eu fui lendo sua mente para conseguir qualquer brecha
para conhecer suas fraquezas, que eram poucas. Jane tinha um poder muito grande, mas só
poderia ser usado em uma pessoa de cada vez e nós éramos dois, Bella não contava para
ela, era só comida, não a considerava uma rival. Fui lendo a mente de todos os vampiros
que estavam ao meu alcance, sempre tentando aquecer Bella ainda agarrada à minha
cintura.
Saímos do elevador e continuamos a caminhada. Passamos pela recepção onde uma
humana tola servia de recepcionista.
– Boa tarde, Jane. – Ela cumprimentou.
Em sua mente eu via que ela se esforçava para agradar a todos. Ela realmente queria
ser uma de nós, mas ao contrário de Bella, o que a atraía era o fato do poder e riqueza e o
mais importante, para ela, a beleza de todas as vampiras e a eterna juventude.
“Tola.”, pensei.
– Gianna. – Jane a cumprimentou.
Felix cumprimentou Gianna em silêncio. Deu uma piscadinha e Gianna sorriu.
Nessa hora entendi. Ele se considerava um conquistador. Ele queria todas da mesma forma
que queria Bella. Isso me deixou mais tranquilo, a reação dele seria a mesma com qualquer
outra. Nada de especial em relação a Bella, no que diz respeito ao desejo e não a sede, o
perfume de Bella era atrativo para todos.
Continuamos seguindo e começei a captar outras “vozes”, todos estavam reunidos
no grande salão ao final do corredor,onde eu antes me encontrei com Aro e seus irmão.
Tinha muita gente. Por um lado isso me preocupou, por outro era uma forma de conhecer a
mente de todos.
– Jane. – Alec cumprimentou Jane no início do corredor. Eles eram irmãos ... gêmeos. Ele
tinha um grande poder. Anulava todos os sentidos de seu oponente, diferente de Jane, que
usava os sentidos do oponente contra ele mesmo.
– Alec. – Ela respondeu acenando.
– Eles te mandam buscar um e você volta com dois... e meio. – Ele observou Bella. – Bom
trabalho. – Jane riu da idéia de Alec. – Bem vindo de volta, Edward. Você parece de
melhor humor. – Aro já havia dado todos os detalhes para ele.
– Um pouco. – Respondi friamente, mas em meu interior eu estava exultante. Não sei se
meu rosto estava mais composto agora. Bella me olhou e me abraçou forte. Alec gargalhou
da reação dela.
– E essa é a causa de todos os seus problemas? – Ele me perguntou.
– É ... minha. – Felix soltou atrás de mim.
Não controlei meu mau gênio. Olhei para ele e rosnei. “Ela é minha!”, disse em
pensamento. Felix ainda queria Bella e me convidou para luta. Já me preparava para lutar
por ela de todas as formas quando Alice tocou em meu braço.
– Tenha paciência. – Alice me disse e pensou “Ele só está provocando. Não fará nada sem
a ordem de Aro. Ele é um capanga. Fique calmo, isso só pioraria as coisas. Temos que nos
concentrar em sair daqui em segurança”. Relaxei então.
– Aro ficará satisfeito em te ver novamente. – Alec me disse.
– Não vamos deixá-lo esperando. – Jane comentou e eu assenti. Os dois irmãos seguiram
então de mãos dadas. Eles mantinham o amor fraternal mesmo depois da transformação,
eram um o complemento do outro. Lutavam sempre juntos.
Seguimos então para o grande salão. Bella ficou mais tensa mas eu tentava lhe
passar segurança. O grande salão estava cheio. Muitos vampiros reunidos. Aro logo se
manifestou, ele estava impaciente mas mantinha a fachada tranquila e serena. Todos
pensavam que Aro era o mais complacente, mas na verdade ele sabia demais e usava seu
dom para saber exatamente como lidar com os outros. Ele também tinha umas ajudinhas,
outros vampiros com dons peculiares que mantinham todos seus seguranças e capangas
sobre suas ordens e desejos.
– Jane, minha querida, você retornou! – Ele então se aproximou mais, agora cercado por
seguranças.
Aro sabia que eu não seria fácil, não me entregaria e nem entregaria Bella. Ele a
percebeu logo que entramos, assim como Alice. Era como se ele já as conhecece, claro com
ajuda de minhas lembranças, e sabia do dom de Alice também. Ele se aproximou de Jane e
a beijou na boca. Um presente pelo serviço executado. Jane se sentia bem recompensada
pelos pequenos gestos de Aro para com ela. Ela o amava e o servia cegamente.
– Sim, Mestre. Eu o trouxe de volta vivo, assim como você desejou. – Ela respondeu.
– Ah, Jane. Você é um conforto tão grande pra mim. – Ele a parabenizou novamente. Na
mente de Jane esses gestos eram tudo que ela sempre esperava. – E Alice e Bella, também!
– Ele disse virando em nossa direção e batendo palmas como se estivesse muito alegre.
Agora ele podia ver com seus próprios olhos tudo o que viu em minha mente. – Essa é uma
feliz surpresa! Maravilhosa! – Então se virou para Felix e deu uma ordem. – Felix, seja
bonzinho e diga aos meus irmãos que nós temos companhia. Eu tenho certeza de que eles
não vão querer perder isso.
– Sim, Mestre. – Ele respondeu como um cachorrinho treinado e saiu, mas em sua mente
ele estava furioso por perder um segundo de tudo o que estava acontecendo. Ele torcia
para entrar em ação. Ele queria briga... comigo.
– Você vê, Edward? O que eu te disse? Você não está feliz que eu não te dei o que você
queria ontem?
– Sim, Aro, eu estou. – Disse trazendo Bella para mais perto.“Estou radiante na verdade”,
pensei.
– Eu adoro um final feliz. Eles são tão raros. Mas eu quero a história toda. Como isso
aconteceu? Alice? – Ele suspirou e olhou então para Alice. Queria a história completa. –
Seu irmão parecia pensar que você era infalível, mas aparentemente houve algum erro.
– Oh, eu estou longe de ser infalível. Como você pôde ver hoje, eu causo problemas com a
mesma frequência que os concerto. – Alice respondeu tranquilamente, mas se sentia
pronfundamente responsável por estarmos ali, o que eu não concordava. Para mim ela era
tão vítima quanto Bella. Alice também quiz tirar essa impressão de segurança. Ela havia
tido há alguns segundos uma visão dela mesma ao lado de Aro com os olhos vermelhos,
como Jane. Isso não a agradou, mas se controlou.
– Você é muito modesta. Eu ví algumas de suas incríveis façanhas, e eu devo admitir que
nunca observei nada como o seu talento. Maravilhoso! – Alice então me olhou, ela não
sabia do dom de Aro e não entendeu muito bem. “Como ele pode saber disso? Você
contou?, ela pensou. – Me desculpe, nós não fomos apropriadamente apresentados, fomos?
É só que eu sinto que já te conheço, e eu tenho a tendência de me apressar. O seu irmão nos
apresentou ontem, de uma forma peculiar. Veja, eu e o seu irmão dividimos um talento, só
que eu sou limitado de uma forma que ele não é.
“Uhm. Isso não é bom.”, pensei. Eu tinha visto na mente de Aro que ele se atraiu pelo meu
dom, mas agora ficava mais evidente, ele me queria e agora queria Alice também. Ele
tentou esconder, mas não conseguiu por muito tempo.
– E também exponensialmente mais poderoso. – Disse a Alice de forma que ela entendesse.
– Aro precisa de contato físico pra ouvir os pensamentos, mas ele consegue ouvir muito
mais do que eu. Você sabe que eu só posso ouvir o que se passa na sua cabeça no momento.
Aro ouve cada pensamento que a sua mente já teve. – E ela entendeu.
“Ele então sabe de tudo. De todos nós. Você está lendo a mente deles? Temos que saber
dos segredos deles também. Cave fundo, Edward. Busque uma forma de nos livrar daqui.
Quero voltar para Jasper o mais rápido possível, ele está tentando manter todos longe.”,
ela pensou e eu assenti.Claro que Aro nos observava e percebeu nossa conversa.
– Mas ser capaz de ouvir á distância... Isso seria tão conveniente. – Aro, como todos nós,
percebemos a chegada de seus irmãos que vinham juntamente com Felix, que estava
satisfeito por retornar. – Marcus, Caius, olhem! Bella está viva afinal, e Alice está aqui
com ela! Isso não é maravilhoso? Os irmãos foram em direção à grande cadeiras atrás de
Aro. – Vamos ouvir a história. – Aro então tocou a mão de Marcus antes que esse chegasse
ao trono, leu seus pensamento e eu rosnei quando ouvi suas mentes.
Marcos tinha um poder muito interessante, ele conseguia medir a ligação que havia
entre as pessoas e viu a ligação que nós três tínhamos e logo informou a Aro que esse seria
o ponto, romper nossa ligação e acabar logo com isso. Claro que eu não gostei.
– Obrigado, Marcus. Isso é muito interessante. Incrivel Absolutamente incrivel. – Aro
estava maravilhado com o Carslile conseguiu fazer, ele conseguiu transformar um clã em
uma família. Ele também estava impressionado com o laço que me unia a Bella, mas não
pôde sentir o laço que une Bella a mim, ele não conseguiu penetrar em sua mente como eu.
Isso sim foi interessante, Bella não mantinha somente a mim fora. Alice não entendeu a
minha reação então tive que explicar.
– Marcus vê relacionamentos. Ele está surpreso pela intensidade do nosso.
– Tão conveniente. É um pouco difícil surpreender Marcus, eu lhes asseguro. É tão difícil
de entender, mesmo agora. – Aro disse e olhou para Bella em meus braços e na mente dele
ele não conseguia entender como eu conseguia ficar assim tão perto dela. A sede queimava
a minha garganta, mas eu não me importava, ter Bella em meus braços superava toda
queimação e a dor tinha simplesmente desaparecido. – Como é que você consegue ficar
assim tão perto dela? – Ele então perguntou.
– Não é sem esforço. – Respondi.
– Mas mesmo assim ... La tua cantante! Que desperdício! – Era o nome que eles davam a
pessoa que cheirava para alguém como Bella cheirava para mim. E ele simplesmente não
entendia. Me considerava um idiota por não me deliciar em seu sangue quente e apetitoso,
que ele sabia que eu já havia provado, e ele havia sentido em meus pensamentos.
– Eu considero isso mais como um preço. – “Um preço muito baixo para tê-la comigo.”,
pensei
– Um preço muito alto. – Ele disse.
– O preço da oportunidade. – “O preço que pago com o maior prazer, ainda mais agora
que a tenho viva em meus braços, e espero ter pelo tempo que ela estiver viva”, pensei.
– Se eu não tivesse cheirado ela através das suas memórias, eu nunca teria acreditado que o
chamado do sangue de alguém pudesse ser tão forte. Eu mesmo nunca sentí nada assim. A
maioria de nós trocaria qualquer coisa por tal coisa, e ainda assim você...
– Desperdiça. – Eu completei seu pensamento.
– Ah, como eu sinto falta de meu amigo Carlisle! Você me lembra dele ... só que ele não
era tão raivoso.
– Carlisle me excede em muitos outros sentidos também. – Elogiei então meu pai. Senti
falta dele naquela hora.
– Eu certamente nunca esperei ver Carlisle perdendo o auto-controle entre todas as coisas,
mas você consegue superá-lo.
– Dificilmente. – Isso já estava me cansando.
– Eu estou gratificado com o sucesso dele. As suas memórias dele são um verdadeiro
presente pra mim, apesar de elas terem me deixado extenuosamente aturdido. Eu estou
surpreso de como isso... me agrada, o seu sucesso com os métodos incomuns que ele
escolheu. Eu esperava que ele fosse desistir, enfraquecer com o tempo. Eu ridicularizei seus
planos de encontrar outros que dividissem a sua visão particular. Mesmo assim, de alguma
forma, eu estou feliz por estar errado. – Em sua mente ele dizia “Se não fosse assim eu não
teria a oportunidade de juntar essas duas raras figuras em meu clã.”. Não respondi. – Mas
a sua resistência! Eu não sabia que tal força era possível. Ignorar a sí mesmo á um chamado
tão urgente, não apenas uma vez mas de novo e de novo ... se eu mesmo não tivesse sentido
isso, eu nunca teria acreditado. – Aro lembrou agora do perfume de Bella – Só de me
lembrar o quanto ela é apelativa pra você...Eu já fico com sede. –Não gostei disso e ele
percebeu quando a tensão passou pelo meu corpo.. – Não fique perturbado. Eu não
represento perigo pra ela. Mas eu estou tão curioso, sobre uma coisa em particular. – Ele
olhou para ela , estendeu a mão e depois rapidamente para mim. – Posso?
– Pergunte a ela. – Disse friamente. Depois de ver que Marcus não conseguiu captar o laço
entre Bella e eu, também fiquei curioso. Como o dom de Aro não a machucaria não vi
problema nisso, na verdade foi bem conveniente.
– É claro, que rude da minha parte! – Então olhou para minha Bella. – Bella. Eu estou
fascinado que você é a única exceção para o impressionante talento de Edward ... é muito
interessante que uma coisa assim ocorra! E eu estava imaginando, já que os nossos talentos
são similares de tantas formas, se você seria gentil de me deixar tentar ... pra ver se você é
uma exceção pra mim, também?
Bella me olhou com medo, mas olhei em seus olhos castanhos e assenti. Ela me
conhecia o suficiente para saber que eu não a colocaria em perigo. Aro observou nossa
troca de olhares e ficou intrigado. Ele ainda não conseguia entender o nosso amor.
Bella então estendeu sua mão para Aro, e ela estava tremendo. Aro se aproximou
olhando nos olhos de Bella que estavam presos aos dele enquanto eu lia a mente dele e via
que ele não conseguia penetrar na mente de Bella. Todos aguardavam enquanto viam o
rosto de Aro mudar de excitação para decepção.
– Muito interessante. – Ele disse e soltou a mão de Bella. Virou-se, caminhou alguns passo
e parou. Ele estava analisando a informação. – A primeira. Eu me pergunto se ela é imune
aos nossos outros talentos... Jane, querida?
– Não! – O ódio me dominou e eu rosnei ferosmente para Aro. Vi na mente dele que ele
queria outro teste. Ele queria que Jane a testasse e eu não iria permitir. Ainda tinha
dúvidas se Jane poderia machucá-la e eu não permitiria. Alice segurou meu braço com
força mas eu queria me libertar.Vi a mente de outros ... Felix satisfeito atrás de mim dando
um passo, mas parou depois do olhar de Aro.
– Sim, Mestre? – Jane respondeu.
– Eu estava imaginando, minha querida, se Bella é imune a você. – Aro disse sorrindo
curioso.
Me soltei de Alice ainda rosnando irado. A raiva me tomava. O instinto protetor que
eu tinha em relação a Bella e o amor, me fizeram reagir. Me coloquei na sua frente,
protegendo-a dos olhos de Jane. Não permitiria. Bella era muito frágil. Ela com certesa não
resistiria. Jane sorriu em minha direção.
– Não! – Alice gritou quando teve a visão do que aconteceria comigo, mas isso não me
impediu. Me lancei contra Jane, mas seu poder me alcançou.
Uma dor insuportável me consumiu e tirou minhas forças. Não conseguia lutar, não
conseguia evitar a dor e essa era dobrada por que eu via a força que Jane estava impondo
contra mim. Nem gritar eu conseguia, parecia que eu estava sufocando.
– Páre! – Ouvi minha Bella gritar e a dor piorou por ela estar sofrendo por mim.
– Jane. – Aro então disse e a dor foi diminuindo lentamente. Ainda não conseguia me
mover.
– Ele está bem. – Alice disse para Bella enquanto a segurava longe de mim.
Ainda caído no chão da grande sala, olhei para Bella ... ela estava sofrendo por mim.
Então vi no pensamente de Aro que ele indicava a Jane que continuasse, mas não em mim
... em Bella. Meus olhos fincaram nos de Bella. Eu tinha medo de que ela sofresse metade
do que eu havia sentido. Me levantei rapidamente esperando para amparar seu corpo ... mas
nada aconteceu. Olhei para Jane. Ela estava usando mesmo seu poder, mas esse não atingia
Bella. Estava realmente provado então que ninguém conseguiria invadir a mente dela.
Relaxei e me aproximei de Bella. Jane ainda tentava, ela fazia muito esforço mas nada
acontecia, e ela não estava contente com isso. Jane ficou com raiva de Bella nessa hora.
Peguei Bella para mim então.
– Ha ha ha! Isso é maravilhoso! – Aro falava. Ele estava observando todas as nossas
reações e ficou maravilhado com a imunidade de Bella. Jane por outro lado estava tão
furiosa que se inclinou para atacar Bella, mas Aro a impediu tocando em seu braço. – Não
fique chateada, querida. Ela confunde todos nós. – Mas a fúria de Jane não passou ela
apenas obedeceu ordens. – Você é muito corajoso, Edward, por ter suportado em silêncio.
Eu pedí pra Jane fazer isso comigo uma vez ... só por curiosidade. – Sua mente calculava
todas as possibilidades rapidamente. – Então o que fazemos com vocês?
Era a hora da verdade. Chega de preliminares, chega de joguinhos, estava na hora de
decidirem o nosso destino.
– Eu não acho que exista alguma chance de você ter mudado de idéia? – Aro se dirigiu a
mim. – O seu talento seria uma grande adição para a nossa pequena companhia.
As mentes de Felix e Jane ficaram oriçadas. Eles não falavam claramente mas não
gostaram da idéia. Isso foi engraçado.
– Eu ... prefiro ... não. – Controlei minha voz. Era engraçado ver o ciúme por trás deles.
– Alice? Será que você poderia estar interessada em se juntar a nós? – Ele dirigiu a Alice.
– Não, obrigada – Ela foi enfática, mas sempre delicada. Sempre Alice.
– E você, Bella? – Ele se dirigiu então a Bella. Eu sabia claramente a sua resposta, mas
não gostei. Aro já imaginava como Bella seria como vampira, se o fato dela não permitir
que invadissem sua mente seria um dom peculiar em sua forma humana, e isso era a última
coisa que eu queria.
– O que? – Caius então se manifestou.
– Caius, você certamente vê o potencial. Eu não vejo um talento tão promissor desde que
encontramos Jane e Alec. Você pode imaginar as possibilidades se ela se transformar em
uma de nós? – Aro disse a Caius, mas foi Jane que não gostou da comparação. Ela se
considerava impressindível para Aro, e ter uma rival a altura não estava em seus planos.
Tive medo por Bella naquele momento e um rosnado foi surgindo em meu peito a cada
pensamento maudoso que via na mente de Jane e as expectativas na mente de Aro.
– Não obrigado. – Disse Bella baixinho.
– Isso é uma pena. Tanto desperdício. – Aro disse finalmente.
– Se juntar ou morrer, não é isso? Eu já suspeitava quando nós fomos trazidos a essa sala.
Tanto por suas leis.
– É claro que não. – Aro disse, como se eu estivesse ofendendo. – Nós já estávamos
reunidos aqui, Edward, esperando pelo retorno de Heidi. Não por você.
– Aro. A lei clama por eles. – Caius então se manifestou.
– Como é isso? – Na sua mente vi que ele já estava cansado de tanto falatório. Por que
para ele era só matar Bella que estaria tudo encerrado. Ele tinha a convicção de que assim
eu e Alice nos juntaríamos a eles, Bella era só comida. Um impecilho que sabia demais.
– Ela sabe demais. Você expôs os nossos segredos. – Ele disse para mim, mas apontando
para Bella.
– Tem alguns humanos nessa sua piadinha aqui, também. – Disse me referindo à
recepcionista humana, Gianna.
– Sim. Mas quando eles já não forem mais úteis para nós, eles vão servir pra nos sustentar.
Esse não é o seu plano pra essa aí. Se ela trair o nosso segredo, você estaria preparado pra
destruí-la? Eu acho que não. – Ele na verdade tinha a certesa.
– Eu não iria ... – Bella tentou argumentar mas parou nos olhos de Caius.
– Você também não tem a intenção de torná-la uma de nós. Portanto, ela é uma
vulnerabilidade. Apesar disso ser verdade, por isso, só a vida dela deve ser penalizada.
Vocês podem ir embora se quiserem. – Ele terminou. Fiquei irado com o pensamento dele
... com as palavras dele e rosnei, mostrando minhas presas. – Foi isso que eu pensei. –
Minha reação o fez ter certesa de suas palavras.
– A não ser... – Aro interrompeu justamente quando Felix se preparava para me atacar
pelas costas. – A não ser que você tenha a intenção de dá-la a imortalidade.
Nesse momento ouvi um diálogo entre Alice e Bella na mente de Alice. Ela tinha
dito a Bella que tinha a intenção dela mesma transformar Bella, para acabar de vez com a
minha agonia. Na mente de Alice isso resolveria todos os nossos problemas, inclusive o
dela. Elas poderiam ser amigas para toda a eternidade. Não foi à toa que Alice pensou nisso
e eu entendi.
– E se eu tiver? – Eu não tinha essa vontade, mas precisava dizer. Era como um aviso a
Alice.
– Ora, então você pode ir pra casa e dar as minhas lembranças ao meu amigo Carlisle. Mas
eu temo que você tenha que ser sincero. – Ele então nos deu uma saída. Talvez a amizade
dele por Carslile fosse maior que todos imaginavam, e talvez isso fosse uma forma de
agradar um amigo, dando a chance aos seus filhos.
– Seja sincero. Por favor. – Bella me pediu quando olhei nos seus olhos. Ela sempre quiz
mas eu não faria aquilo com ela. Desviei meus olhos dos de Bella para os de Alice tão
rápido que ela nem percebeu. Foi o suficiente.
Alice se afastou de nós indo em direção a Aro. Ela queria mostrar a ele a sua visão.
Ela realmente tinha tomado a decisão. Os seguranças de Aro bloquearam sua aproximação
mas logo recuaram a uma ordem de seu mestre. Aro, sem dizer uma só palavra se
aproximou de Alice, excitado por ouvir seus pensamentos.
Alice o mostrou quase tudo, ela conseguiu bloquear algumas memórias, mas não
todas. Deixou que ele visse a visão que ela havia tido há alguns segundos quando a
convicção de transformar Bella em vampira ficou mais forte. Mostrou-lhe a visão em que
eu aparecia com os olhos vermelhos depois de sugar o veneno do corpo de Bella em
Phoenix, isso não me agradou. Mostrou uma visão de Bella vampira correndo comigo. Eu
via tudo junto com eles. Aro estava maravilhado, extasiado, principalmente quando uma
visão ficou mais evidente, ele viu Alice, Bella e eu lá, em Volterra. Na visão nós havíamos
nos juntados a eles. Mas o que Aro não sabia, que Alice não deixou escapar foi a
informação de que as visões mudam. Alice tinha tomado a decisão de que no futuro, depois
da transformação de Bella, nós nos juntaríamos a eles. Alice sabia muito bem como
manipular seu poder.
– Ha, ha, ha. Isso foi fascinante! – Aro disse então.
– Eu fico feliz que você tenha gostado. – Alice respondeu.
– Ver as coisas que você viu ... especialmente aquelas que ainda não aconteceram!
– Mas que irão.
– Sim, sim, isso já está bem determinado. Certamente não há nenhum problema.
– Aro – Se manifestou Caius curioso.
– Querido Caius. Não tema. Pense nas possibilidades! Eles não se juntam a nós hoje, mas
nós podemos sempre esperar pelo futuro. Imagine a alegria que a pequena Alice traria para
a nossa casa... Além do mais, eu estou tão terrívelmente curioso pra ver como Bella se sai!
– Aro estava decidido então.
– Então estamos livres pra ir agora? – Perguntei.
– Sim, sim. Mas por favor, visitem de novo. Isso foi absolutamente fascinante.
– E nós também visitaremos vocês. – Caius disse irritado. – Pra ter certeza de que você
fará o que promete. Se eu fosse você, eu não demoraria muito. Nós não damos segunda
chance. – Ele ameaçou. Eu assenti.
Felix não gostou em nada do rumo que a situação tomou. Ele queria briga, comigo.
Ele queria o sangue de Bella.
– Ah, Felix. Heidi estará aqui a qualquer momento. Paciência. – Foi a minha deixa.
– Hmm. Nesse caso, é melhor irmos logo do que deixar pra depois. – Disse.
– Sim. Essa é uma boa idéia. Acidentes podem acontecer. Por favor esperem aqui até
anoitecer, se vocês não se importarem. – Aro pediu.
– É claro. – Tive que concordar.
– E aqui. Pegue isso. Você parece um pouco suspeito... Combina com você. – Ele disse
enquanto tirava dos ombros de Felix um manto cinza e colocava em mim. Tive nojo mas me
contive.
– Obrigado, Aro. Nós esperaremos lá embaixo. – Disse rindo dos pensamentos de Aro. Ele
realmente estava certo que um dia eu usaria aquilo.
– Adeus, jovens amigos. – Aro se despediu finalmente.
– Vamos. – Chamei apressando Alice e Bella, precisávamos sair logo.
Eu ouvia a mente de humanos chegando. Eles seriam o lanche da tarde, não seria
bom Bella estar por perto, nem queria que ela visse nada do que estava prestes a acontecer.
Alice também percebeu a chegada. Puxei Bella para meu lado e Alice ficou do outro.
Demetri nos indicou por onde ir e seguimos ele de perto ... apressadamente.
– Não fomos rápidos o suficiente. – Alice disse ouvindo todos os humanos se aproximando.
Todas as pessoas condenadas foram passando por nós com uma guia bem peculiar á
sua frente. Elas observavam tudo. Demetri nos fez sinal para dar passagem e nós
obedecemos. Não podíamos fazer nada, isso sempre acontecia por lá e o meu foco era tirar
Bella e Alice logo dali. Não poderia mais manter Bella sobre esse teto, ela estava muito
abalada.
"Bem vindos, visitantes! Bem vindos á Volterra!" – Aro falou no grande salão com a voz
delicada e fina recebendo todos ... para o SEU banquete.
Todos ouvimos, inclusive Bella, então acho que ela foi juntando as peças enquanto
observava tudo e seu coração disparou. Trouxe Bella para mais perto antes que ela
começasse a gritar, estava por um fio. Demetri nos levou por uma passagem e eu a puxei
logo por que senti as suas lágrimas molhando a mão que acariciava seu rosto. Uma vampira
vestida sensualmente veio em nossa direção observando Bella ao meu lado, assim que ela
sentiu o cheiro percebeu que se tratava de uma humana e sua mente ficou confusa.
– Bem vinda ao lar, Heidi. – Demetri a cumprimentou.
– Demetri. – Ela o cumprimentou de volta.
– Boa pesca. – Demetri a parabenizou pelos humanos que ela atraiu por estar vestida tão
sensualmente. Esse era o trabalho dela, e com a cidade cheia foi fácil para ela.
– Obrigada. Você não vem? – Ela perguntou a Demetri imaginando porque ele estava indo
na direção contrária do “banquete” com dois vampiros e uma humana. Ela olhou de novo
para Bella e percebeu que ela não fazia parte dos humanos que ela trouxe. Isso a deixou
mais intrigada, mas deixou para lá.
– Em um minuto. Guarde alguns pra mim. – Ele então pediu, Heidi assentiu, olhou mais
uma vez para Bella.
Apressei o passo quando ouvi no grande salão a porta sendo fechada. Todos os
humanos já haviam adentrado e estavam encurralados por todos os vampiros. A carnificina
não demoraria a começar. Bella estava quase correndo ao meu lado, mas era melhor
sairmos logo dalí.
Antes de conseguirmos pegar o elevador para a recepção a gritaria se iniciou no
grande salão e Bella entrou em pânico. Ela tremia em meus braços e eu praticamente a
mantinha em pé. Fiquei impressionado com a força dela, uma pessoa normal já teria
desmaiado ou saído correndo aos gritos, mas não minha Bella. Ela permanecia firme, na
medida do possível e o mais importante ... ao meu lado o tempo todo. Ela não tinha medo
de mim, que era uma coisa que sempre me apavorou. Nunca quiz que ela tivesse medo de
mim pelo que eu sou.
Assim que saímos do elevador, seguimos para um canto mais reservado na
recepção. Gianna estava atrás de uma grande mesa fazendo seu papel como se trabalhasse
numa empresa humana normal, mas tinha consciência de tudo ... exatamente tudo que
ocorria nos subterrâneos do grande prédio. Ela olhou para mim e observou a minha
vestimenta “Será que ele resolveu se juntar a nós? Mas a humana ainda está com ele ...”, a
dúvida passava por sua mente, e o fato dela já se incluir na “companhia” Aro me chamou
atenção.
– Não deixem até que esteja escuro. – Nos avisou Demetri. Eu assenti e ele correu para o
grande salão, não queria chegar tarde ao banquete. Já estava irritado por ter servido de
babá.
– Você está bem? – Perguntei a Bella.
Mesmo naquela hora, sentindo que realmente nós tínhamos uma boa chance de
sobrevivermos, a culpa por eu ser o responsável por tê-la colocado em risco, mais uma vez
não me deixava. A culpa por tê-la deixado nas mãos de lobisomens imaturos e
principalmente ... de Victoria e Laurent. A visão de Alice me tirou dos meus pensamentos.
Ela via Bella desmaiando dali a 30 segundos.
– É melhor você sentar ela antes que ela caia. – Disse Alice – Ela está caíndo aos pedaços.
Bella tremia muito naquela hora e as lágrimas desciam como enxurradas de seus
olhos. Acho que em sua mente ela se dava conta realmente do que passou e isso a estava
desesperando. Era demais para ela. Senti que a coisa estava saindo do controle com Bella
começou a sussurrar.
– Shh, Bella, shh. – Acariciei sua face, a peguei no colo e fui em direção ao sofá mais
distante da aspirante à vampira.
– Eu acho que ela está ficando histérica. Talvez você devesse dar um tapa nela. – Alice me
disse e claro que eu não aceitei. Dei um olhar de reprovação para ela.
– Está tudo bem, você está a salvo, está tudo bem. – Eu repetia sem parar em seu ouvido
enquando íamos para o sofá. Lá talvez Bella ficasse mais segura ... em meus braços.
Trouxe logo Bella para meu colo. Ela sempre gostava de ficar assim comigo ... eu
não me esqueci. Passei o manto que eu estava vestindo por seu corpo, agora bem junto ao
meu. Não queria que ela sentisse frio. Era assim que ficávamos em casa.
– Todas aquelas pessoas. – Bella me olhava e sussurrava em meio aos soluços e as
lágrimas.
– Eu sei. – Foi a única coisa que pude dizer.
– É tão horrível. – Ela disse ainda chocada.
– Sim, é sim. Eu queria que você não tivesse que ter visto aquilo. – Eu disse enquanto ela
se aconchegava em meu peito e enxugava as lágrimas no manto que ainda caiam de seus
olhos.
– Há alguma coisa que eu possa pegar pra vocês? – Gianna surgiu às nossas costas. Ela
estava apenas cumprindo o seu papel.
– Não. – Disse secamente a dispensando com o meu pior humor. Eu queria aquela mulher
longe de Bella.
– Ela sabe o que está acontecendo por aqui? – Bella me perguntou assim que Gianna estava
longe, de volta à recepção.
– Sim. Ela sabe de tudo. – Respondi.
– Ela sabe que eles vão matá-la um dia?
– Ela sabe que é uma possibilidade. Ela está esperando que eles decidam ficar com ela. –
Contei então.
– Ela quer ser um deles? – Bella me olhou e disse horrorizada com a idéia. – Como é que
ela pode querer isso? – Ela disse agora de cabeça baixa. – Como é que ela pode ver
aquelas pessoas enchendo aquela sala odiosa e querer ser parte disso? – Ela me olhou
novamente e eu não disse nada, apenas pensei “Você também queria”, pensei, mas Bella
não queria pelos mesmos motivos que Gianna, ela queria para poder se juntar a mim ...
pela eternidade. – Oh Edward! – Ela me disse e voltou a chorar compulsóriamente. Ela
soluçava em meus braços e eu não entendia sua reação.
– Qual é o problema? – Eu perguntei alizando suas costas com o intuito de confortá-la.
Bella passou os braços pelo meu pescoço e se aconchegou mais. Era muito bom
sentir seu corpo e seu coração batendo perto do meu. Só uma leve e fina camada de tecido
separava nossos corpos e eu ainda estava com o peito nú. Seu perfume me envolveu e eu
me senti em casa de novo. A apertei mais para perto de mim e meus olhos se fecharam.
Inalei seu perfume ... A queimação na minha garganta não me incomodava mais, fazia parte
de mim ... parte do que eu escolhi naquele momento para minha vida...
– É realmente doentio da minha parte estar feliz agora? – Ela me dizia com a voz trêmula.
– Eu sei o que você quer dizer ... Mas nós temos muitas razões pra estarmos felizes. Pra
começar, estamos vivos.
– Sim. Essa é uma boa. – Ela concordou apenas.
– E juntos. – Completei suspirando por poder dizer isso novamente e Bella assentiu com a
cabeça.– E, com alguma sorte, ainda estaremos vivos amanhã. – Disse.
Eu faria tudo para mantê-la viva, continuaria lutando contra o destino que ainda
fazia de tudo para nos afastar, para levar Bella de mim. Era isso que eu sentia. Que o
destino havia ficado irado comigo por estragar seus planos quando me recusei a matá-la no
laboratório de biologia da escola, novamente quando a salvei da van de Tyler e das
inúmeras vezes em que ela foi salva de suas garras.
– Espero que sim. – Ela me disse me olhando nos olhos.
– As chances são muito boas. Eu vou ver Jasper em menos de vinte e quatro horas. – Alice
disse então e eu olhei para ela.
Eu estava tão envolvido na minha felicidade de ter Bella que simplesmente fechei
minha mente para todo o exterior. Quando despertei vi a mente de Alice. Ela tinha tido
visões esse tempo todo em que eu e Bella estávamos imersos na nossa própria bolha. Ela
havia visto nossa saída daqui ... ficaríamos livres em pouco tempo, era só esperar que Alec
viria nos dispensar em breve. Isso foi realmente um alívio. Eu sairia daqui com Bella e
Alice em pouco tempo e partiríamos para casa. Olhei para Bella e ela ainda tinha os olhos
grudados em mim.
– Você parece tão cansada. – Disse acariciando sob seus olhos inchados de tanto chorar e
roxos de exaustão.
– Você parece com sede. – Ela observou.
– Não é nada. – E momnaquele realmente não era nada. A felicidade que eu sentia por têla
viva em meus braços era tudo o que me consumia ... e com prazer.
– Você tem certeza? Eu posso ir me sentar com Alice. – Ela não acreditou. “Não! Que
absurdo!”, pensei.
– Não seja ridícula. Eu nunca tive mais controle dessa parte da minha natureza do que
agora. – Disse. Bella pareceu querer falar alguma coisa mas freou as palavras em sua
boca. Seus lábios tremiam mas não de frio. Fiquei curioso e prendi meus olhos nos dela,
tentando desvendar seus pensamentos e ela parecia fazer o mesmo comigo.
Sempre fiquei intrigado com a troca e prisão de olhares entre Carslile e Esme, entre
Jasper e Alice e entre Rosalie e Emmet, mas naquela eu entendia, era sempre para aqueles
olhos que eu queria olhar, eles eram minha casa, eram neles que estavam o meu destino ... a
minha vida ... a minha Bella. Me aproximei mais dela e beijei sua face. Queria muito beijar
sua boca, mas alí não era o lugar ... não sabia qual seria a minha reação depois de tanto
tempo. Meu desejo por Bella nunca sequer diminuiu, pelo contrário. A imagem e a
lembrança do que senti no nosso beijo, em seu quarto, na noite fatídica de seu aniversário
estavam mais do que nunca em minha mente.
– Deixei nossas coisas sob o telhado de uma velha casa numa ruela da cidade. Terei que ir
buscar assim que sairmos. – Alice disse rapidamente e sussurando só para mim.
Começamos então uma troca de informações que facilitariam nossa saída mais
rápida. Sempre falando rápido e baixo.
– Ok. Minhas coisas estão na recepção, em uma pequena mochila, foi tudo que eu trouxe.
Você terá que pegar. Se eu me mexer demais Gianna perceberá. Seja rápida.
– Isso não será problema. Onde exatamente? – Alice quiz saber para não perder tempo
procurando.
– Sob a segunda mesa à esquerda de Gianna. – Disse para Alice mas ainda olhava para
Bella. Ela estava tão linda ... então beijei seus cabelos.
– Ok. Mas e as suas roupas?
– Eu larguei tudo para trás. – Eu falava para Alice mas também me concentrava em Bela.
Beijei então seu nariz e seu coração acelerou.
– Droga, terei que fazer compras. – Disse Alice segurando o riso. – E teremos que roubar
um carro. – Em sua mente eu via a lembrança dela e Bella dentro de um carro amarelo
muito veloz, foi o carro que as trouxe do aeroporto para Volterra. Era um Turbo 911.
– Até parece que será um sacrifício.
– Ok. Vou lá. – Alice então foi rápida. Saiu, passou por Gianna, voltou, colocou a pequena
mochila sob minha capa e nem Gianna e Bella perceberam..
– Parabéns. Isso foi mesmo rápido.
– Obrigado. – Ela disse com um sorrizo ainda encoberto.
– A coisa ficou feia lá dentro.
– É ... eu percebi.
– Que conversa foi aquelas sobre cantores? – Ela estava realmente curiosa sobre isso.
– La tua cantante. – Disse para ela e para Bella que agora parecia mais interessada
também, então falei mais lentamente.
– Sim, isso. – Alice falou.
– Eles têm um nome para as pessoas que cheiram como a Bella cheira pra mim. Eles a
chamam de minha cantora ... porque o sangue dela canta pra mim. – Expliquei e Alice riu.
Então a visão de Alice se realizaria naquele momento. Eu ouvi a mente de Alec se
aproximando e meu corpo enrijeceu, o de Alice também. Bella percebeu que algo estava
errado e se encolheu, então eu me apertei a ela.
– Vocês estão livres pra ir agora. Nós os pedimos que não se demorem na cidade. – Alec
nos informou. Ele parecia se divertir com a situação.
– Isso não será um problema. – Disse secamente para ele e Alec sorriu.
– Sigam o corredor direito ao redor da esquina para chegarem no primeiro pavimento de
elevadores. O sanguão é dois andares abaixo, e é a saída para a rua. Adeus, agora. – Disse
Gianna quando nos levantávamos se aproximando junto de Alec.
Assim que Gianna se aproximou Alice teve uma visão. Alice viu Gianna vampira,
mas muito tempo a frente. Ela viu Gianna olhando para Jasper num futuro bem distante mas
não gostou nada daquilo e olhou com ódio para a recepcionista que agora seguia para sua
mesa. Alice tinha um sentimento muito possessivo por Jasper, ele era simplismente dela,
nada mais que isso.
Seguimos logo para a saída informada por Gianna, dando de frente para a praça
lotada de moradores e turistas. Bella parecia mais tranquila, mas muito cansada. Ela ainda
olhou para trás, mas mantinha o silêncio. Passamos desapercebidos no meio dos humanos
que se fantasiavam de vampiros, mas agora eram os adultos que usavam as ridículas presas
de plástico. Alice então correu.
– Ridículo. – Cuspi a palavra simplesmente.
– Onde está Alice? – Bella então falou mais tranquilamente pela primeira vez.
– Ela foi recuperar as suas bolsas de onde ela as escondeu hoje de manhã.
– Ela está roubando um carro também, não está? – Bella disse e eu ri da naturalidade em
que ela aceitava as coisas.
– Não até estarmos do lado de fora.
Tínhamos ainda que caminhar toda a cidade em direção a saída, mas Bella estava
exausta e não conseguia caminhar nem no ritmo humano, então eu ajudei, apoiei parte de
seu peso em meus braços que agora estavam em sua cintura. Assim poderíamos seguir mais
rápido. Chegamos logo na ruela que dava para a saída e Bella se encolheu. Alice nos
esperava do lado de fora num Sedan preto. Abri a porta para Bella e a coloquei lá dentro.
Contornei o carro e me sentei, Bella logo se agarrou a mim. Desse lado eu tinha uma
melhor visão da estrada e da lateral direita do carro. Tinha que estar sempre alerta para
qualquer surpresa.
– Me desculpem. Não havia muita escolha. – Alice disse,já partindo pela estrada e se
desculpando ao mostrar no painel o velocímetro que ia somente até 180Km, muito lento
para nosso gosto.
– Está tudo bem, Alice. Eles não podiam ser todos carros de emergência Turbos.
– Eu posso ter que adquirir um daqueles legalmente. Foi fabuloso. – Disse ela lembrando
como correu essa manhã.
– Eu vou te dar um no Natal. – A surpreendi então.
– Amarelo. – Pediu Alice então.
Volterra então já havia desaparecido depois da primeira curva. Nenhum sinal de
vampiros nos perseguindo nem perigo eminente. Isso nos fez relaxar um pouco enquanto
Alice seguia para o aeroporto na velocidade máxima do carro. O motor gemia mas ela não
se importava. Ao meu lado, Bella se mantia firme e agarrada a mim.
– Você pode dormir agora, Bella ...já acabou. – Disse a ela, acariciando seu rosto.
– Eu não quero dormir. Eu não estou cansada. – Ela mentiu.
– Tente. – Mas ela balançou a cabeça negando. Eu suspirei com a reação dela. –Você
ainda é só uma teimosa.
Alice dirigia silenciosamente e logo chegamos a Florença onde ela estacionou o
carro numa vaga bem distante da entrada de embarque.
– Vou comprar algo para você vestir e as nossas passagens. Fique aqui. ... Bella, você vem
comigo. – Alice disse quando parou o carro. Bella não pareceu gostar. Olhou para mim e
eu assenti para que ela fosse. “Um minuto humano”, eu lembrei.
Eu fiquei no carro aguardando que as duas retornassem. Não seria nada bom passear
pelo aeroporto da forma que eu estava vestido. Assim que ouvi a mente de Alice e mais
ninguém por perto, saí do carro e fui me encontrar com elas. Peguei a camisa que Alice
havia comprado e vesti. Antes joguei a porcaria do manto numa lata de lixo, era onde ele
deveria ficar. Seguimos então para o embarque, o horário do vôo estava apertado.
Bella permaneceu quase o tempo todo em silêncio no vôo até Roma. Só respondia
quando era questionada. Às minhas carícias aceitava mas não tentava nada, se controlava.
Imaginei que era pelo fato dela pensar que a sede estava me queimando. Não a pressionei,
claro que ela teria todo o tempo do mundo para me perdoar, se assim ela quizesse.
Chegamos a Roma por volta das 11 horas da noite e seguimos direto para o próximo
vôo. Alice havia comprado os assentos da primeira classe de forma em que eu e Bella
tivéssemos mais privacidade e com o máximo de conforto. Ela sabia que Bella estava
exausta. Levantei o descanso de braço que separava nossos assentos e me abracei a Bella.
Eu sentei na janela novamente.
Alice falava baixo no celular atrás de nós. Ela estava feliz em voltar e estava
passando todas as instruções para que alguém de nossa família nos buscasse no aeroporto.
Assim que o avião, que nos levaria de Roma para Atlanta decolou, Bella pediu uma
coca a comissária. Eu não concordei, claro. Ela precisava relaxar e não ficar excitada, seu
corpo humano não aguentaria tantas horas acordado, ainda mais sob tanta pressão como ela
esteve nas últimas horas.
– Bella! – Eu reclamei, mas feliz em dizer seu nome sem sofrer.
– Eu não quero dormir. Se eu fechar meus olhos agora, eu vou ver coisas que não quero
ver. Eu vou ter pesadelos. – Entendi e aceitei então.
Durante todo o vôo eu fiz de tudo para matar um pouco a saudade que eu sentia.
Olhava em seus olhos castanhos e eu me sentia mais feliz. Eu acariciava sua face e beijava
sua testa e seus cabelos. Em seu pulso inspirei seu perfume alimentando a chama que havia
no meu peito, mas dessa vez eu gostei do fogo que queimava alí, não doía mais. Eu estava
feliz com ela, mas Bella permanecia calada. Ela apenas me olhava.
Quando eu acariciei seus lábios Bella teve a primeira reação. Bella soltou seus
braços e com suas mãos trêmulas tocou meu rosto. Sentir suas mãos foi maravilhoso,
instintivamente meus olhos se fecharam e ela deslizou seus dedos sob eles, sobre meu nariz
e principalmente meus lábios que se abriram ao seu toque. Eu podia ouvir e sentir seu
coração voar. Abri meus olhos e vi os dela ardendo. Controlei a vontade de beijá-la e ter
seu corpo.
A viagem pareceu passar rápido demais. Logo o sol estava nascendo no horizonte e
antes que alguém percebesse algo diferente eu fechei a janela. Estávamos chegando e um
certo receio caiu sobre mim. Para onde levar Bella? Charlie certamente estava desesperado
com a ausência de dela. Ele com certesa estaria me odiando. Mas eu enfrentaria tudo ... por
ela, sempre por ela ... tudo por ela. Bella permanecia calada, mesmo com nossa conexão de
Atlanta para Seatle não falou nada, só caminhava abraçada a mim, eu quase que suportando
seu peso em meus braços. No avião que nos levaria a Seatle Bella pediu outra coca. Ela
realmente queria estar alerta, mas por quanto tempo ela resistiria? ... Por que ela não
relaxava? Será ... logo um pensamento invadiu minha mente. “Será que ela acha que eu
estou fingindo como fiz na floresta?”. Não. Não poderia aceitar aquilo. Mantive meu
comportamento carinhoso com ela, mesmo sentado ao lado de Alice, que agora ia na janela.
Assim que descemos do avião e caminhávamos para o salão do desembarque pude
ouvir os pensamentos de minha família. Todos estavam lá ... até Rosalie. Disso eu não
gostei. Não queria ver Rosalie por perto por um bom tempo, mas fui forçado, não queria
causar problemas para Esme. Resolveria minha questão com Rosalie mais tarde. Aguentaria
por Bella, sempre por Bella.
Assim que saímos no portão do desembarque vi Carslile e Esme perto das sombras
de uma pilastra. Passamos pelos seguranças e fomos ao seu encontro. Alice saiu saltitante
para Jasper. Fiquei feliz pelo pensamento dos dois. Eles se amavam realmente então dei
privacidade a eles ... fechei minha mente para eles.
Esme estava emocionada. Veio logo na nossa direção e abraçou Bella pelo pescoço,
mesmo com Bella ainda em meus braços.
– Muito obrigado! – Esme disse nos ouvidos de Bella e então me abraçou também. – Você
nunca vai me fazer passar por isso de novo! – Ela disse furiosa para mim. Eu havia deixado
muito preocupada.
– Desculpa, mãe. – Sorri e disse. Foram as palavras corretas para o momento. Esme era
minha mãe e eu um filho querido para ela.
– Obrigado, Bella ... Nós ficamos te devendo. – Carslile disse para Bella.
Carslile estava surpreso por toda a coragem e força de minha Bella. Era
simplesmente fascinante para ele e naquele momento ele prometeu a si mesmo olhar por ela
por toda sua vida. Bella já era considerada da família, agora mais, uma filha para Carslile e
isso não poderia me alegrar mais.
– Dificilmente. – Bella respondeu e quase desfaleceu em meus braços, eu tive que apoia-la.
Bella havia lutado demais e já estava em seu limite.
– Ela está morta em cima dos pés. – Esme reclamou olhando para mim. Ela me culpava por
ter deixado acordada. – Vamos levá-la pra casa.
Esme foi de um lado e eu do outro apoiando Bella até que Bella perdeu as forças e
adormeceu em pé. Eu a peguei no colo seguindo Carslile a minha frente até o
estacionamento, sempre pelas sombras. Quando chegamos próximo ao carro meu corpo
enrijeceu ao ver a figura de Rosalie. Bella despertou olhou para mim, se virou para Rosalie
e Emmet então quiz descer do meu colo. Claro, eu deixei. Um rosnado então surgiu em
meu peito. Eu estava com raiva ... ela não deveria estar alí.
– Não. Ela se sente péssima. – Esme disse segurando meu braço.
– Ela devia. – Cuspi as palavras em direção a Rosalie.
– Não é culpa dela. – Bella disse agarrada em meus braços.
– Deixe ela se desculpar. – Esme pediu. – Nós vamos com Alice e Jasper. – “Droga”,
pensei.
– Por favor, Edward. – Bella me pediu. “Por ela ... Por ela.”, suspirei e pensei, então segui
para o carro com Bella ao meu lado.
No carro fomos no banco de trás, sempre com Bella abraçada a mim. Na mente de
Rosalie só existia uma frase “Me desculpe, por favor?”. Eu não tinha condições de
responder, eu não seria sincero naquele momento, estava com raiva. Ela era sim
responsável por ter sido muito irresponsável. Ela devia ter sido mais humilde e carinhosa
comigo e com Bella depois do que nós passamos. Um aviso do tipo “Alice foi para Forks
checar uma visão horrível, Edward. Ela viu Bella se jogando de um penhasco, mas não
acreditou. Ligue para Alice.” seria mais prudente ... mas não. Rosalie sempre só pensou e
si mesma. Nunca pensou na reação que Eu poderia ter, mesmo depois de presenciar meu
amor por Bella ... como eu fiquei quando James mordeu Bella, o que Bella passou naquela
ocasião e pior ... quando Jasper avançou contra ela.
“– Por favor Edward. Eu não sabia. Quando Alice ligou falando que Bella estava viva eu
me desesperei. Eu já tinha falado com você. Me desculpe. Você sabe que eu não faria uma
coisa dessas se eu soubesse que Bella e estava viva e que você iria para Volterra.”
– Edward. – Ela pediu agora com a voz alta.
– Eu sei. – Cuspi de novo.
– Bella? – Ela soube que eu não a tinha perdoado então apelou para Bella.
– Sim, Rosalie? – Bella respondeu meio que adormecida, arrastando as palavras.
– Eu lamento muito mesmo, Bella. Eu me sinto horrível com cada parte disso, e muito
agradecida que você tenha sido corajosa o suficiente pra ir salvar o meu irmão depois do
que eu fiz. Por favor me diga que vai me perdoar.
– É claro, Rosalie ... Não é culpa sua de jeito nenhum .... Fui eu quem pulou da droga do
precipício. É claro que eu te perdôo. – Bella sempre bondosa com o outro perdoou Rosalie.
Se ela era capaz disso eu também deveria ser ... pelo menos me esforçaria para isso.
– Isso não conta até que ela esteja consciente, Rose. –Emmet disse e gargalhou das
palavras arrastadas de Bella.
– Eu estou consciente. – Bella quiz garantir.
– Deixem ela dormir. – Eu pedi, agora deixando as palavras saírem sem farpas ou
espinhos.
O tempo todo eu via na mente de Emmet como Rosalie ficou assim que eu desliguei
o telefone e como ele reagiu também ... ele ficou muito preocupado e já se preparava para ir
atrás de mim quando Alice ligou do avião contando tudo para Jasper, e fazendo com que
ele segurasse toda a família. É claro que Alice tinha razão, se algum deles se aproximasse
de mim eu ouviria sua mente e me apressaria ... com certesa Bella era a única que poderia
me impedir e por isso ela se propôs ... na verdade exigiu que Alice a levasse ... o que deu
certo.
Emmet tinha se apegado a Bella também. Não era só pelo jeito desastrado e
humano de Bella agir que o divertia. Ele realmente ficava feliz com Bella por perto por que
ele sabia que eu estava feliz. Bella também foi sempre muito amável com ele, mesmo na
presença de Rosalie. Uma vez Bella o chamou de “Irmão Urso” e aquilo desarmou Emmet,
foi alí que ela o ganhou. Depois do que Bella fez por mim, sua admiração aumentou. Ele,
assim como Carslile, jurou proteger e cuidar de Bella por toda sua vida, e na mente dele
isso significava na vida humana ou imortal. Isso me fez mais feliz também.
Mesmo que algum dia Bella resolvesse não me perdoar ... ou me deixar ... ela ainda
seria protegida e cuidada. Pensar nessa possibilidade me doeu e eu a apertei mais perto.
Nessa altura Bella já havia desmaiado de cansaço e mesmo com meu abraço apertado não
despertou ... nem se mexeu. Eu acariciava sua mandíbula, seus olhos e seus lábios o tempo
todo. Pousava minha mão em sua bochecha e ela sorria.
Era a visão do paraíso para mim. Eu queria que essa viagem de carro fosse bem
longa, mas Emmet, como todos nós, corria pelas ruas e estradas em direção a Forks, tinha a
ordem de Carslile para nos levar diretamente para casa de Charlie. Essa parte me
preocupava. Charlie com certesa a manteria afastada de mim a todo custo e eu não queria
isso.
Quando viramos na esquina da rua de Charlie pude ouvir seu pensamento. Charlie
estava simplesmente desesperado. Ele sabia que Bella havia saído com Alice atrás de mim,
inclusive culpava Alice também, mas a afeição por ela minimisou a mágoa, mas não por
mim. Para Charlie eu era uma péssima companhia para Bella. Primeiro seu “acidente” em
Phoenix depois de “ter ido embora por que me amava e não queria fincar raízes em Foks”,
agora isso, ficar 3 dias desaparecida sem dar notícias. Como explicar? Como contornar a
situação? Não queria pensar nisso naquela hora. Precisava deixá-la lá com ele e depois me
esgueirar por sua janela e rastejar por seu perdão. Eu não mediria esforços para conseguir
isso ... e seu amor incondicional de volta, me ajoelharia aos seus pés se fosse preciso e se
assim ela quizesse.
Assim que o carro parou Charlie olhou pela janela e reconheceu o carro de Carslile.
Saiu correndo pela porta e foi um choque para ele ver Bella em meus braços. Ele esperava
por Carslile, não por mim, e assim que me viu teve a vontade de ter sua arma ao alcance,
ele queria simplesmente me matar por estar fazendo sua filha sofrer. Mas isso não seria
fácil.
– Bella! – Charlie gritou ao sair.
– Charlie. – Bella então despertou e murmurrou surpresa.
– Shh. Está tudo bem; você está em casa e a salvo. Só durma. – Disse baixinho em seu
ouvido.
– Eu não posso acreditar que você tem a cara de pau de aparecer aqui. – Ele cuspiu essa
para mim. Ele realmente estava irado comigo, como imaginei.
– Para com isso, pai. – Bella disse ainda em meus braços, mas suas voz era só um sussurro.
– Qual é o problema com ela? – Charlie então disse arregalando os olhos ao ver seu rosto
mais magro e pálido que o normal.
– Ela só está muito cansada, Charlie. Por favor deixe ela descansar. – Pedi.
– Não me diga o que fazer! Dê ela pra mim. Tire suas mãos dela! – Ele gritou comigo
novamente estentendo a mão tentando tirar Bella de mim. Eu não queria mas não tinha o
que fazer. Não naquela hora. Tentei dar Bella para seu pai mais ela passou as mãos por
meu pescoço e gemeu.
– Sai dessa pai. Fique bravo comigo. – Ela disse com a voz mais forte, e eu pensei “Ela não
me odeia, ela me ama ainda mesmo depois do que eu fiz”. Isso mudou minhas expectativas.
– Você pode apostar que eu vou ficar. Vá pra dentro. – Charlie disse irado com Bella
agora. Na sua mente ele não entendia a reação de Bella depois de tudo que sofreu e as
imagens vieram a sua cabeça. Sofri, claro. Mas nquela hora eu tinha uma outra
perspectiva do futuro que era mais forte para mim.
– Tá. Me ponha no chão. – Ela pediu e eu claro atendi, mas Bella não foi muito adiante.
Tentou dar um passo mas suas pernas não aguentaram e ela já estava desfalecendo. Num
reflexo a peguei nos meus braços e enfrentei a ira de Charlie por ela ... sempre por ela.
– Só me deixe levá-la até lá em cima. Depois eu vou embora.
– Não. – Bella gritou e começou a chorar novamente.
– Eu não vou estar longe. – Disse baixinho só para ela em seu ouvido, foi o que bastou
para secar as lágrimas.
Entrei na casa de Bella na frente de Charlie e subi as escadas indo em direção ao
quarto de Bella. Entrar lá novamente foi maravilhoso, tudo estava igual, era como se o
tempo não tivesse passado. Seu perfume estava em cada canto e ainda sentia o meu lá.
Coloquei Bella na cama depois de soltar seus dedos que se prendiam na minha
camisa. Ela olhou para mim mas não tive a certesa de que ela estava me vendo. Com
Charlie ao meu lado não pude lhe dar um beijo e tive que sair. Assim que Charlie saiu do
quarto de Bella ele desceu as escadas atrás de mim.
– Eu não aprovo nada disso. Você não a verá mais. Afaste-se de Bella.
– Não sei se posso fazer isso Charlie. – Me virei e disse a verdade para ele.
– Isso não é um pedido rapaz. – Ele se irritou. Charlie ia fazer de tudo para convencer
Bella a ficar longe de mim, mas se ela realmente tivesse me perdoado, nada a faria mudar
de idéia. Bella sempre foi muito teimosa.
– Eu sei Charlie, mas eu a amo, hoje mais do que nunca, e ficarei com ela, se ela me quizer
de novo. Me desculpe. – Disse e me virei para ir embora.
– Nunca mais ponha seus pés na minha casa! – Ele cuspiu essa para mim quando eu saía.
Entrei no carro sentindo a porta da casa de Bella bater às minhas costas.
– Vamos para casa. – Disse a Emmet.
– Você está bem? – Emmet perguntou.
– Estou. Vamos.
Seguimos rapidamente para casa. Todos estavam do lado de fora me esperando.
Alice estava lá, tinha visto tudo e tinha relatado toda a história de Volterra para todos.
Jasper medindo minhas emoções e também muito grato por Bella. Na sua mente a mesma
promessa de Carslile e Emmet.
– Meu filho! – Esme veio logo me abraçar. Ela estava sofrendo muito com tudo isso.
– Está tudo bem agora, mãe. Há uma boa possibilidade dela me perdoar. – Disse para
tranquilizá-la. – E vocês? – Disse olhando para todos. – Podem me perdoar por tudo o que
fiz passarem?
– Não vamos falar nisso. O importante é que você está de volta. – Disse Carslile tocando
meu ombro, e todos concordaram em pensamento.
– Venha, você precisa de um banho. – Esme disse me puxando para dentro de casa.
As coisas estavam quase como antes. Meu piano no mesmo lugar mas muitas coisas
ainda encaixotadas. Meu quarto era o único cômodo que estava exatamente como antes,
tudo no mesmo lugar.
– Rosalie fez questão de cuidar de seu quarto. – Disse Esme na porta.
– Espero que a partir de hoje ela pare de nos perseguir. – Disse para Esme mas sabia que
Rosalie estava ouvindo no andar de baixo. – Eu vou voltar para a casa de Bella. Preciso
acertar as coisas com ela, e ela precisa me ver assim que acordar.
– Você não terá problemas com Charlie. – Disse Alice chegando na porta.
Vi então a sua visão de Charlie ao telefone ligando para os amigos que também
estavam preocupados com Bella. Ele não a incomodaria. Tentou falar com Bella depois que
eu saí, mas Bella não reagiu e ele resolveu esperar que ela acordasse por si só. Ele a
colocaria de castigo com o intuito de afastá-la ao máximo de mim.
– Como se isso fosse possível. – Alice disse sorrindo para mim.
– Por favor, me dêem licença. Preciso mudar de roupa. – Disse então sorrindo.
– O que foi? – Esme perguntou a Alice.
– Só veremos ele amanhã. Hoje ele vai ficar na casa de Bella. Vamos Esme. – Alice
respondeu sorrindo. Ela estava feliz por mim.
Antes de uma hora depois de deixá-la em sua casa eu já estava de volta. Fiquei
sobre a árvore que eu normalmente usava para observar a casa. Charlie não estava com a
menor intenção de ir checar Bella, estava adormecido no sofá da sala, precisava dormir
também. Então me esgueirei por sua janela. Bella ainda dormia da mesma forma que a
deixei. Me aproximei e tirei seus sapatos e suas meias. Então com um movimento suave,
beijei seus pés. Eu faria isso com ela acordada se assim ela quizesse. Não me incomodaria.
Não estava frio demais mas comigo aqui o quarto logo esfriaria então abri a porta de seu
quarto e peguei rapidamente uma manta para ela no armário do corredor. A cobri e me
sentei à beira de sua cama, olhando ela até que Bella acordasse.
Por volta da meia noite Bella começou a sussurrar. Sua testa estava frizada, sua boca
enrrugada e seu coração disparado. Bella estava tento pesadelos. Toquei sua testa para
desfazer aqueles frizados. Bela suspirou, estava despertando. Me deitei ao seu lado e passei
meu braço por ela sobre a coberta. Ela me teria aqui assim que acordasse.
– Oh! – Bella despertou e se assustou. Levou suas mãos aos olhos e arfou.
– Assustei você? – Disse baixinho no seu ouvido com a voz calma e feliz assim que ela
olhou para mim. Mas seu rosto logo mudou. Bella parecia assustada, pensei naquele
momento que ter me deitado com ela foi avançar demais.
– Oh, droga. – Bella disse mas eu não entendi sua reação.
– Qual é o problema, Bella?
– Eu tô morta, não tô? Eu me afoguei. Droga, droga, droga! Isso vai matar o Charlie. –
“Acho que ela ainda não está totalmente acordada”, pensei.
– Você não está morta. – Odiei ter que pronunciar essa palavra.
– Então porque é que eu não tô acordando? – Ela me disse.
– Você está acordada, Bella. –Tentei convencê-la.
– Claro, claro. É isso que você quer que eu pense. E daí vai ser pior quando eu me acordar.
Se eu me acordar, o que eu não vou, porque eu estou morta. Isso é horrível. Pobre Charlie.
E Renée e Jake...
– Eu consigo entender que você esteja me confundindo com um pesadelo. Mas eu não
consigo imaginar o que você possa ter feito pra ir para o inferno. Você cometeu muitos
assassinatos enquanto eu estava longe? ... Obviamente não. Se eu estivesse no inferno você
não estaria comigo. – Claro que não estaria no inferno. Uma pessoa tão doce e bondosa
como Bella teria um destino mais digno. Suspirei.
– Aquilo tudo realmente aconteceu, então? – Bella se virou para olhar a janela e para
meus olhos. Depois de alguns segundo corou levemente.
– Isso depende. Se você está se referindo a nós quase sendo massacrados na Itália, então,
sim. – Disse com um sorriso forçado e meio sem vontade de voltar a esse assunto.
– Que estranho. – Ela parou por um momento pensando e me deixando curioso, como
sempre. – Eu realmente fui á Itália. Você sabia que o mais longe que eu já fui foi á
Albuquerque?
– Talvez você devesse voltar a dormir. Você não está sendo coerente.
– Eu não estou mais cansada. Que horas são? Por quanto tempo eu estive dormindo? – Ela
parecia se dar conta realmente do que estava acontecendo.
– É pouco mais de uma da manhã. Então, por umas catorze horas.
– Charlie? – Ela disse assustada depois de esticar o se corpo na cama ao longo do meu.
– Dormindo. – Disse então o que ela precisava saber, o que ela não ouviu por já estar
dormindo. – Você provavelmente devia saber que eu estou quebrando as regras agora. Bem,
não tecnicamente, já que ele disse pra nunca mais passar pela sua porta de novo, e eu vim
pela janela... Mas, ainda assim, a intensão era clara.
– Charlie te baniu da casa? – Ela disse e seu corpo enrijeceu.
– Você esperava outra coisa? – Disse mas ela não respondeu, ficou pensando.
– Qual é a história?
– O que você quer dizer? – Não entendi onde ela queria chegar.
– O que eu vou dizer pra Charlie? Qual é a minha desculpa pra ter desaparecido por...
afinal, por quanto tempo eu estive fora?
–Só três dias. – na verdade foram três longos dias para nós dois. – Na verdade, eu estava
esperando que você tivesse uma boa explicação. Eu não tenho nada. – Disse agora sorrindo
para ela.
– Fabuloso.
– Bem, talvez Alice invente alguma coisa. – Alice sempre tinha uma visão mais concreta
do que seria bem ou mau recebido.
– Então ... O que você esteve fazendo, até antes desses três dias? – Ela então resolveu fazer
as perguntas mais importantes.
– Nada terrivelmente excitante. – Não queria entrar em detalhes sobre a escuridão que foi
a minha vida nesses quase longos oito meses.
– É claro que não. – Ela disse e fechou a cara.
– Porque você está fazendo essa cara?
– Bem... Se você fosse, afinal, só um sonho, esse é exatamente o tipo de coisa que você
diria. Minha imaginação deve estar bagunçada.
– Se eu te contar, você finalmente vai acreditar que não está tendo um pesadelo?
– Pesadelo! – Ela disse bufando. Eu esperei por sua próxima reação. – Talvez. Se você me
contar.
– Eu estava... caçando. – Contei a verdade, mas não tão verdade.
– Isso é o melhor que você pode fazer? Isso definitivamente não prova que eu estou
acordada.
– Eu não estava caçando comida... Na verdade eu estava testando a minha sorte em...
perseguir. Mas eu não sou muito bom nisso. – Tive que dizer a verdade, mas ainda
incobrindo alguns detalhes. Isso não a deixaria contente, com certeza.
– O que é que você estava perseguindo? – Ela disse ainda insatisfeita.
– Nada de consequencia. – Disse tentando sair pela tangente.
– Eu não entendo.
– Eu – Não dava mais para fugir. Tinha que contar, mas antes tinha que perdir desculpas e
tentar me explicar. – Eu te devo desculpas. Não, é claro que eu te devo muito, muito mais
do que isso. Mas você precisa saber ... que eu não fazia idéia. Eu não tinha idéia da
confusão que estava deixando pra trás. Eu pensei que fosse seguro para você aqui. Tão
seguro. Eu não tinha idéia de que Victória – “a maldita.” – ia voltar. Eu vou admitir,
quando eu ví ela daquela última vez, eu estava prestando muito mais atenção aos
pensamentos de James. Mas eu não ví que ela seria capaz de responder dessa forma. Que
ela tinha um laço tão forte com ele. Eu acho que agora me dou conta do porque ... ela tinha
tanta confiança nele, que o pensamento dele falhar nunca ocorreu a ela. Era a grande
confiança que nublava os sentimentos dela por ele ... isso evitou que eu visse a
profundidade deles, o vínculo que havia alí. Não que isso seja uma desculpa para o que eu
te deixei enfrentar. Quando eu ouví o que você disse a Alice ... e o que ela mesma viu ...
quando eu me dei conta de que você teve que colocar a sua vida na mão daqueles
lobisomens, imaturos, voláteis, a única coisa que podia ser pior do que a própria Victória. –
custava para mim pronunciar o nome da mostra – Por favor saiba que eu não tinha
nenhuma idéia de tudo isso. Eu me sinto doente, com toda a minha essencia, mesmo agora,
quando eu posso ver e sentir você segura nos meus braços. Eu sou a desculpa mais
miserável por ...
– Pare. – ela cortou minha linha de pensamento. – Edward ... Isso tem que parar agora.
Você não pode pensar nas coisas desse jeito. Você não pode deixar ... essa culpa... mandar
na sua vida. Você não pode se responsabilizar pelas coisas que acontecem comigo. Nada
disso é culpa sua, isso é só parte do que a vida é pra mim. Então, se eu tropeçar na frente de
um ônibus ou o que quer que aconteça na próxima vez, você tem que se dar conta de que
não é o seu trabalho levar a culpa. Você não pode simplesmente sair correndo para a Itália
porque se sente mal por não ter me salvado. Mesmo se eu tivesse pulado daquele precipício
pra morrer, isso teria sido a minha escolha, e não sua culpa. Eu sei que é... a sua natureza
segurar a culpa por tudo, mas você realmente não pode deixar as coisas chegarem a esses
extremos! Isso é muito irresponsável ... pense em Esme e Carlisle e ....
– Isabella Marie Swan. – Dessa vez fiu eu que interrompi, ela estava sendo incoerente e
absurda em pensar daquele jeito – Você acredita que eu pedí que os Volturi me matassem
porque eu me sentia culpado?
– Não foi isso?
– Se eu me sentia culpado? Intensamente. Mais do que você pode compreender.
– Então... o que é que você tá dizendo? Eu não entendo.
– Bella, eu fui até os Volturi porque eu achava que você estivesse morta. – Disse olhando
bem fundo em seus olhos, feliz por tê-la aqui comigo. – Mesmo se eu não tivesse nenhuma
responsabilidade pela sua morte – foi difícil dizer isso. – mesmo se não fosse minha culpa,
eu teria ido para a Itália. Obviamente, eu devia ter sido mais cuidadoso ... eu devia ter
falado diretamente com Alice, ao invés de aceitar uma informação de segunda mão de
Rosalie. Mas, realmente, o que é que eu podia pensar quando o garoto disse que Charlie
estava no funeral? Quais eram as chances? – A ficha caiu. O destino sempre tentando tirála
de mim, uma vez depois da outra. – As chances! – Disse baixo para mim mesmo. – As
chances estão sempre contra nós. Erro após erro. Eu nunca vou criticar Romeu de novo.
– Mas eu ainda não entendo ... É disso que eu tô falando. E daí?
“E daí? O que ela está pensando?”
– Perdão?
– E daí se eu estivesse morta? – Ela me disse com os olhos esbugalhados.
Ela pensava que eu ... não me importaria? ... Fiquei olhando para ela, tentando
desvendar o que ela queria dizer por trás desse comportamento. Ela não tinha se afastado de
mim. Ainda estávamos juntos, aqui ... na nossa cama. Como ela podia duvidar ainda de
mim. Se eu não me importasse com ela eu a teria entregue para seu pai e ido embora
simplesmente dizendo um muito obrigado e não foi isso que eu fiz ...
– Você não se lembra de nada do que eu te disse antes?
– Eu me lembro de tudo que você me disse. – Ela me respondeu infatizando bem o “tudo”..
Eu precisava me explicar melhor. Acaricei seus lábios macios com a ponta dos meus
dedos. Eu queria beijá-la, estava controlando meu desejo mais do que nunca.
– Bela, você parece ter compreendido mal. – Era impossível que ela ainda pudesse ter
dúvidas depois de tantas carícias no carro na Itália, no avião. Balancei minha cabeça não
acreditando nisso. Eu teria que ser mais direto. – Eu pensei que já havia explicado isso
claramente antes. Bella, eu não posso existir num mundo onde você não exista.
– Eu estou...Confusa.
– Eu sou um bom mentiroso, Bella, eu tenho que ser.
De repente o corpo de Bella enrijeceu. Ela não parecia conseguir respirar. Fiquei
assustado. Seus olhos começaram a brilhar e ela não tardaria a chorar. Segurei em seus
ombros para que ela despertasse e pudesse respirar novamente. Bella parecia estar em
transe.
– Me deixe terminar! – Eu pedi antes que ela entendesse mal novamente. – Eu sou um bom
mentiroso, mas ainda assim, pra você acreditar em mim tão rapidamente. – As lembranças
começaram a aparecer na minha mente. Eu fui um idiota inconsequente. Um gemido de dor
surgiu no meu peito. – Aquilo foi... um tormento. – Bella olhava para mim sem piscar. –
Quando nós estávamos na floresta, quando eu estava te dizendo adeus ... Você não ia
desistir – disse sussurando para ela, me doía relembrar aquilo, mas era preciso para que
ela acreditasse em mim. – Eu podia ver isso. Eu não queria fazer isso ... eu sentí que me
mataria fazer isso ... mas eu sabia que se eu não te convencesse de que não te amava mais,
você ia levar muito mais tempo pra retomar a sua vida. Eu esperava que, se você achasse
que eu havia seguido em frente, você faria o mesmo.
– Um despedida limpa. – Ela sussurrou.
– Exatamente. Mas eu nunca imaginei que fosse tão fácil fazer isso! Eu pensei que fosse ser
quase impossível ... que você ia saber que era mentira e eu teria que passar horas tendo que
te convencer e plantar a semente da dúvida na sua cabeça. Eu mentí, e eu lamento ...
lamento porque te machuquei, lamento porque foi um esforço inútil. Lamento por não ter
podido te proteger do que eu sou. Eu mentí pra te salvar, e não funcionou. Eu lamento.
Eu sofria com as lembranças e com o remorso. Minha garganta se fechava mas eu
precisava forçar a saída de ar e da minha voz. Por ela eu tinha que aguentar a dor da
lembrança. Como vampiro tenho a vantagem de ter uma ótima memória, mas naquele
momento eu queria poder esquecer.
– Mas como é que você pôde acreditar em mim? Depois dos milhares de vezes que eu disse
que te amava, como é que você pôde deixar uma palavra acabar com a sua fé em mim? –
Bella ainda não demonstrava nenhuma reação, ficava calada me olhando e pensando. – Eu
podia ver nos seus olhos, que você honestamente acreditou que eu não te queria mais. O
conceito mais absurdo, mais ridículo ... como se houvesse alguma forma de eu existir sem
precisar de você! – Infatizei bem os pronomes para que ela entendesse.
Ela ainda continuava me olhando sem falar nada. Isso estava me deixando maluco.
Suas pupilas dilatavam e eu via as lágrimas se formando. Seus olhos estavam fixos nos
meus mas ela não reagia, parecia ainda estar em choque. Sacudi seus ombros para que ela
acordasse.
– Bella ...Sério, o que é que você estava pensando!
– Eu sabia. – Ela então falou em meio a soluços e muito nervosa. – Eu sabia que estava
sonhando.
– Você é impossível. – Ela estava pensando que eu estar aqui só pudesse acontecer num
sonho? Sorri da idéia absurda. – Como é que eu posso colocar isso de forma que você
acredite em mim? Você não está dormindo, e você não está morta. Eu estou aqui, e eu te
amo. Eu sempre amei você, e eu sempre ... Eu estava pensando em você, vendo o seu rosto
em minha mente, durante cada segundo em que estive longe. Quando eu te disse que não te
queria, aquele foi o tipo mais negro de blasfêmia.
Bella sacudia a cabeça ainda tentando acordar ou tirar a minha imagem de sua
cabeça ... não sei, só via as lágrimas molhando seu rosto lindo. “O que eu faço?”, pensava.
– Você não acredita em mim, acredita? – “Sou um idiota. Por que fui fazer aquilo ... Por
que? ... Ela agora não acredita em mim ... perdi sua confiança ...”, gritava na minha
cabeça. – Porque você consegue acreditar numa mentira, mas não na verdade?
– Nunca fez sentido você me amar. – Ela me dizia chorando. Eu me sentia o pior dos
homens por continuar fazendo Bella derramar lágrimas. – Eu sempre soube isso.
– Eu vou provar que você está acordada. – Peguei seu rosto em minhas mãos. Bella sempre
ficava mexida quando eu a beijava, a forma que nossos corpos se comportavam ... a
eletricidade não poderia ser imaginada, só sentida. Ela iria se convencer de que eu não
era uma imaginação, eu era real e estava alí, por ela ... por nós.
– Por favor não. – Ela disse assim que percebeu minha intenção. Virou o rosto quando eu
estava bem próximo. Eu já podia sentir seu hálito me aquecendo. Foi um choque para mim.
Bella nunca tinha negado um beijo a mim, nunca ... pelo contrário, sempre me suplicava
por mais beijos, mais carícias, mais toques. Por que isso agora? Por que ela estava se
negando a mim?
– Porque não?
– Quando eu acordar – Eu ia reclamar por essa idéia absurda mas ela recuou. – Ok,
esqueça essa... quando você se for de novo, já vai ser duro suficiente sem isso também.
A ficha então caiu novamente. Eu realmente tinha muito que aprender sobre as
reações humanas. Me afastei dela e a olhei. As dúvidas invadiam minha mente sem parar.
Eu a estava forçando.
Ela não me queria ... Foi muito difícil imaginar essa possibildade.
Seria verdade?
Seria por pena de mim que ela ainda não havia se afastado? ... Eu não sabia.
Mas então porque ela não tinha me expulsado de seu quarto?
Por que ela aceitou minhas carícias em Volterra, no carro e no avião e algumas
vezes as retribuiu acariciando minha face?
Eu não entendia ... simplesmente não entendia.
– Ontem, quando eu te tocava, você estava tão... hesitante, cuidadosa, e ainda assim era a
mesma. Isso é porque eu estou muito atrasado? Porque eu te machuquei demais? Porque
você realmente seguiu com a sua vida, como eu planejava que você fizesse? Isso seria...
muito justo. Eu não vou contestar a sua decisão. Então não tente desperdiçar seus
sentimentos, por favor ... só me diga se você ainda pode me amar ou não, depois de tudo
que eu te fiz. Pode? – Eu começei dizendo com a foz firme mas terminei apenas com um
sussurro. O fantasma da dor e da agonia estavam me assombrando.
– Que tipo de pergunta idiota é essa?
– Só me responda. Por favor. – Eu pedi ... apenas a verdade.
– O jeito como eu me sinto por você nunca vai mudar. É claro que eu te amo ... e não há
nada que você possa fazer pra mudar isso! – Ela me disse com toda a convicção que eu
poderia ter, com todo o vigor que eu queria ouvir e poderia aceitar.
– Isso era tudo que eu precisava ouvir.
Beijei a sua boca então com toda a urgência que meu corpo gritava por ela. Não
conseguia conter meus impulsos, e eu não queria que aquilo acontecesse, agora não mais do
que nunca eu sentia Bella em mim novamente. Eu a queria, queria minha Bella novamente
... minha, sempre minha Bella.
Bella girou mais o corpo e agarrou-me pelo pescoço rendendo-se também a paixão,
e naquele momento me pus sobre ela. Seu corpo estava todo sob o meu. Eu sentia os pulsos
de seu coração em todo meu corpo acendendo mais meu desejo. Eu segurava seus cabelos
que novamente se entrelaçavam me meus braços. Acariava sua face e não conseguia parar
de beijá-la. Minha mão desceu e eu toquei sua pele na cintura. Era macia e quente como
antes e antes eu tinha limites que a sede me impunha, naquele momento a sede
simplesmente desapareceu, mesmo estando há duas semanas sem caçar. Isso não me
incomodava. Naquela hora eu só queria poder desfrutar do nosso amor que finalmente
estava de volta em nossa vida. Era muito bom poder pensar assim novamente. Eu não
estava mais sozinho, eu tinha a minha metade de volta.
Os segundos iam passando e o corpo de Bella se inflamava e aquecia o meu. A
urgência por ela aumentava e a dela por mim também. Bella ofegava mas não queria parar
como eu. Ela acariciava meu rosto como eu fazia com o dela, puxava meus cabelos para me
ter mais perto. Seu coração voava tão alto, como era antes. Eu a sentia plena e convicta de
nosso amor.
– Bella ... – Sussurrei seu nome sem dor e voltei a beijá-la intensamente.
Podia sentir algo voltando em mim. Seria a minha alma humana? Não sabia e não
me importava. Eu estava feliz. Bella estava tão envolvida como eu que talvez tivesse até
esquecido seu próprio nome. O desespero que sentíamos um pelo outro era imenso e sem
limites. Deitei meu rosto sobre seu peito e ouvi seu coração martelando no peito enquanto
Bella ofegava sem parar. Fiquei alí ouvindo sua pulsação diminuir. Esse era o som que me
governava e que me regia.
– Aliás ... Eu não vou te deixar. – Disse respondendo a dúvida dela. – Eu não vou a lugar
nenhum. Não sem você. – Fui infático na minha resolução mas Bella não disse nada. Achei
estranho e fui ao encontro de seu olhar, ainda deitado sobre seu corpo. Ela ainda estava
pensativa e eu continuei a minha peregrinação por seu perdão. – Eu só te deixei em
primeiro lugar porque eu queria que você tivesse a chance em uma vida humana normal,
feliz. Eu podia ver o que estava fazendo com você... mantendo você constantemente na cara
do perigo, tirando você do mundo ao qual você pertencia, arriscando você a cada minuto
que você passava comigo. Então eu tinha que tentar. Eu tinha que fazer alguma coisa, e
pareceu que ir embora era o único jeito. Se eu não pensasse que você estava melhor
sozinha, eu nunca teria me obrigado a ir embora. Eu sou egoísta demais. Só você poderia
ser mais importante do que o que eu queria... ou precisava. O que eu quero e preciso é estar
com você, e eu sei que jamais serei forte o suficiente pra ir embora de novo. Eu tenho
muitas desculpas pra ficar ... graças aos céus por isso! Parece que você não consegue ficar
segura, não importa quantos quilômetros eu ponha entre nós.
– Não me prometa nada. – Ela me disse aos sussurros.
– Você acha que eu estou mentindo pra você agora? – “O que mais eu preciso fazer meu
Deus?” eu pensei. Não havia meios dela acreditar logo em mim, isso levaria tempo, mas eu
não me desistiria.
– Não ... não mentindo. – Ela sacudiu a cabeça. – Você fala sério... agora. Mas e quanto a
amanhã, quando você pensar em todas as razões pelas quais foi embora em primeiro lugar?
Ou no mês que vem, quando Jasper der a louca pra cima de mim?
Ela ainda estava cheia de dúvidas e eu não podia tirar a razão dela.
– Não é como se esse não tivesse sido o seu motivo pra ir embora da primeira vez, não é?
Você vai acabar fazendo aquilo que você acha certo. – Ela tirou suas conclusões, e estavam
corretas.
Realmente eu pensei muito antes de partir. Eu parti por ela, por sua segurança, nada
mais me importava nem meu próprio bem estar ... nem minha própria vida, mas eu estava
errado, e estava pagando por esse erro.
– Eu não sou tão forte quanto você acredita que eu sou. Certo e errado já deixaram de
significar tanto pra mim; eu já ia voltar do mesmo jeito. Antes de Rosalie ter me dado as
notícias, eu já estava cansado de viver a vida semana depois de semana, ou um dia de cada
vez. Eu estava lutando pra ver as horas passarem. Era só uma questão de tempo ... e não
muito tempo ... antes de eu aparecer na sua janela e implorasse que você me aceitasse de
volta. Eu ficarei feliz de implorar agora, se você quiser isso.
– Fale sério, por favor.
Ela ainda achava que eu estava falando as palavras da boca para fora, que não fosse
sério, mas nesse dia eu não havia vacilado nenhuma vez, eu estava ali, completo e total por
ela, para reconquistá-la e lutaria por isso.
– Oh, eu estou. – Disse olhando bem nos seus olhos, sem vacilar um segundo. – Será que dá
por favor pra você tentar ouvir o que eu estou dizendo? Será que você pode me deixar
tentar explicar o quanto você significa pra mim? – Disse firme para ela e a observava. Seus
olhos estavam abertos agora para minhas palavras. – Antes de você, Bella, minha vida era
uma noite sem lua. Muito escura, mas haviam estrelas ... pontos de luz e razão... E aí você
apareceu no meu céu como um meteoro. De repente, tudo estava pegando fogo; havia
brilho, havia beleza. Quando você não estava lá, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo
ficou escuro. Nada havia mudado, mas os meus olhos haviam ficado cegos com a luz. Eu
não conseguia mais ver as estrelas. E não havia mais razão pra nada. – Disse abrindo minha
vida para ela.
– Seu olhos irão se ajustar. – Ela tentou argumentar.
– Esse é o problema ... eles não podem.
– E a suas distrações? – Ainda haviam dúvidas.
– Só mais uma parte da mentira, meu amor. Não tinha nenhuma distração vinda da... da
agonia . Meu coração não bate a quase noventa anos, mas isso era diferente. Era como se
meu coração tivesse ido ... como se eu fosse um buraco. Como se eu tivesse deixado tudo
que havia dentro de mim aqui com você.
– Isso é engraçado.
“O que?”, pensei.
– Engraçado? – Disse.
– Eu quis dizer estranho ... eu pensei que isso fosse só eu. Muitos pedaços de mim ficaram
perdidos, também. Eu não estive capaz de respirar realmente por tanto tempo. – Bella então
inspirou e continuou agora mais aliviada. – E meu coração. Isso estava definitivamente
perdido.
Foi um alívio que senti com suas palavras. Fiquei muito feliz. Deitei novamente
meu rosto no seu peito, ouvindo agora não somente seu coração, mas o ar que entrava e saía
de seus pulmões, o ar que lhe dava alívio, que a mantinha viva aqui para mim.
– Perseguir não foi uma distração então? – Ela me perguntou.
– Não. Isso nunca foi uma distração. Isso foi uma obrigação. – Era uma coisa que eu podia
fazer por ela.
– O que isso quer dizer?
– Isso que dizer que, mesmo pensando que eu não esperava nenhum perigo de Victoria, eu
não ia deixar que ela se safasse ... Bem, como eu disse, eu era horrível fazendo isso. Eu
tracei o caminho dela tão longe quanto o Texas, mas então eu segui uma falsa pista no
Brasil ... e ela realmente veio aqui. – “Droga”, pensei comigo mesmo. –Eu não estava nem
no mesmo continente! E todo esse tempo, pior do que meus piores medos ...
– Você estava caçando Victoria? – Ela falou mais alto cortando minha linha de
pensamento. Charlie quase acordou.
– Não me saí bem ... Mas eu vou fazer melhor dessa vez. Ela não vai ter bom ar entrando e
saindo por muito tempo.
– Isso está.... fora de questão. – Ela disse balançando a cabeça.
– É muito tarde para ela. Eu devo ter deixado o outro tempo passar, mas não dessa vez, não
depois .... – Mas ela me interrompeu de novo.
– Você não tinha acabado de prometer que você não ia partir? Isso não é extamente
compatível com uma extensiva perseguição, é isso? – Ela me pressionou.
– Eu vou manter minha promessa, Bella. Mas Victoria – O ódio surgiu no meu peito na
forma de um rosnado – vai morrer. Logo.
– Não vamos ser precipitados. Talvez ela não vá voltar. A matilha de Jack provavelmente
assustou ela. Realmente não há razões para ir procurar ela. Além do mais, eu tenho
problemas maiores que Victoria. – “Maiores que uma vampira louca que a odeia?...Ah! Os
lobisomens realmente são perigosos e estão em maior número em Forks”, pensei e assenti.
– É verdade. Os lobisomens são um problema.
– Eu não estava falando de Jacob. Meus problemas são bem maiores do que um punhado de
lobisomens adolescentes colocando eles mesmos em problemas. – Ela disse depois de
bufar. Bella não parecia se importar com os lobisomens, isso seria um problema.
– Sério? Então qual seria seu maior problema? Que iria fazer o retorno de Victoria a você
parecer um inconseqüente assunto em comparação?
– Que tal sobre o segundo maior? – Ela propôs e eu senti uma tensão no ar. Deitei ao lado
dela, com meu corpo virado em sua direção e minha mão em sua cintura.
– Tudo bem. – Eu concordei em ouvir, mas curioso por qual seria seu maior problema.
– Tem outros que estão vindo procurar por mim.
– Os Volturi são só o segundo maior problema? – Pensei que seria o primeiro. O que
poderia ser pior que os Volturi. Eu estava perdendo algo?
– Você não parece tão chateado com isso.
– Bem, nós tempos um bom tempo para pensar sobre isso. Tempo significa algo muito
diferente pra eles do que significa pra você, ou até para mim. Eles contam anos do jeito que
contas dias. Eu não estaria supresso se você tiver 30 quando cruzar as mentes deles
novamente. – Bella então arfou. O medo estava visível em seus olhos. – Você não precisa
ter medo. – E as lágrimas surgiram em seus olhos. – Eu não vou deixar eles te
machucarem. – Prometi.
– Enquanto você estiver aqui.
– Eu nunca vou deixar você novamente. – Disse segurando seu rosto em minhas mãos e
seus olhos profundamente nos seus.
– Mas você disse trinta. – E as lágrimas caíram de vez. – O que? Você vai ficar mas me
deixar ficar toda velha de qualquer maneira? Certo.
– Isso é exatamente o que eu vou fazer. Qual escolha tenho eu? Eu não posso ficar sem
você, mas eu não vou destruir sua alma. – Isso era a coisa correta e certa a fazer.
– Isso é realmente... – Ela não completou o pensamento me deixando intrigado.
– Sim? – Perguntei então.
– E quando eu começar a ficar tão velha e as pessoas começaram a achar que sou sua mãe?
Sua avó?
“Que bobagem ...”, pensei. Enxuguei suas lágrimas com um beijo. Ela sempre será linda.
– Isso não significa nada pra mim. – Senti seu perfume e continuei. – Você sempre será a
coisa mais linda em meu mundo. É claro ... – A idéia de perdê-la novamente me doeu, mas
ela precisava saber que tinha opção. – Se você me superar ... se você quiser algo mais ... eu
irei entender isso, Bella. Eu prometo, eu não vou ficar no seu caminho se você quiser me
deixar.
– Você percebe que eu vou eventualmente morrer, certo? – Era uma verdade.
– Eu irei te seguir assim que puder. – Prometi.
– Isso é seriamente... Doente. – Ela disse seriamente para mim.
– Bella, é o único jeito certo ... – Mas ela me cortou.
– Vamos só voltar por um instante. Você se lembra dos Volturi, certo? Eu não posso
permancer humana para sempre. Mesmo que eles não pensem em mim até eu ter trinta.
Você realmente acha que eles vão esquecer? – Ela parecia estar com raiva naquela hora.
– Não. Eles não vão esquecer, mas...
– Mas? – Ela me cortou novamente. Bella estava definitivamente irritada. Ficar humana
não estava em seus planos, mas estava nos meus.
– Eu tenho alguns planos.
– E esses planos... Esses planos giram todos em torno de mim permanecendo humana. –
Ela disse como se isso fosse um insulto. “Absurdo”, pensei.
– Naturalmente. – Disse secamente também. Ela tinha sua opinião e eu a minha.
Ficamos alguns momentos medindo nossas convicções através do olhar. Bella
realmente estava irritada. Ela inspirou fundo e afastou o meu braço que ainda estava na sua
cintura. Fez um esforço e foi levantando.
– Você quer que eu vá embora? – Perguntei mesmo não querendo ouvir a resposta, caso
essa fosse negativa, claro.
– Não. Eu estou indo embora. – Ela disse e se levantou.
– Eu devo perguntar aonde você está indo? – Eu disse ainda deitado em sua cama. Era uma
situação engraçada.
– Eu estou indo pra sua casa. – Ela disse enquanto procurava os sapatos no meio do quarto
escuro.
– Aqui estão seus sapatos. Qual é seu plano para chegar lá? – Me levantei e lhe entreguei os
sapatos que estavam quase debaixo de seu nariz e fiz a pergunta mais óbvia.
– Minha caminhonete.
– Isso iria provavelmente acordar Charlie. – E não queríamos isso.
– Eu sei. Mas honestamente, eu vou ficar de castigo por semanas por isso. Em quão mais
problemas eu posso entrar? – Bella sempre me surpreendia.
– Nenhum. Ele vai me culpar, não você.
– Se você tem uma idéia melhor, sou toda ouvidos. – Ela então parou já arrumada e olhou
para mim.
– Fique aqui. – Óbvio.
– Sem chances. Mas você pode ficar. Sinta-se em casa.
Bella me disse irritada e foi para a porta. Eu cheguei antes. Ela me olhou feio, se
virou e foi para a janela. Cheguei antes de novo.
– Okay. Eu te darei uma carona. – Desisti antes que ela se machucasse.Quando Bella
cismava com alguma coisa era uma coisa muito complicada, foi assim que ela descobriu
tudo em relação a mim. Com convicção.
– Tanto faz. Mas você provavelmente deveria estar lá, também. – Ela deu de ombros.
– E porque isso?
– Porque você é extraordinariamente opinante, e tenho certesa que vai querer ter
oportunidade de expressá-las.
– Meu ponto de vista em qual assunto? – Eu só precisava de uma confirmação do meu
maior medo.
– Isso não é mais sobre você. Você não é o centro do universo, você sabe. Se você for
trazer os Volturi atrás de nós por causa de algo estúpido como me deixar humana, então sua
família deveria ter voz ativa
– Ter voz ativa em que? – Eles não passariam por cima da minha opinião simplesmente.
– Minha mortalidade. Eu estou colocando isso em votação.
Bella realmente estava convicta de sua posição e eu não conseguiria nada
facilmente. Eu continuaria tentando persuadi-la, mas naquela hora eu tive que assentir a sua
vontade, senão ela se jogaria pela janela, eu tinha certesa disso.
– Tudo bem, então. Sobe aí. – Não podia fazer nada mesmo.
Coloquei Bella nas minhas costas e saltei para o jardim, tomando cuidado para que
ela não se machucasse. Assim que estávamos no chão chequei para ver se ela estava bem e
corri. Bella estava com as pernas e os braços entrelaçados em mim, como sempre fazíamos.
Era muito bom ter esse momento com ela, apesar do que iria acontecer.
Durante o percurso, Bella estava quieta, seu queixo estava sobre meu ombro. Estava
pensando, mas o que? Não me preocupei com isso naquele momento, eu tinha outra coisa
em mente ... Uma forma de sair daquele “problema” ... daquele impasse. Eu tinha que
impedi-la de alguma forma. Somente duas coisas poderiam acontecer ... SIM ou NÃO para
a questão de sua mortalidade. Minha opinião eu já sabia e ela também. Bella tinha
convicção na opinião de Alice e eu também. Jasper era incerto, provavelmente apoiaria
Alice. Rosalie eu não precisava me preocupar. Emmet, Carslile e Esme eram as incógnitas
mais significativas.
Eu estava imerso em meus pensamentos quando senti a boca de Bella beijando meu
pescoço. Foi delicioso.
– Obrigado. – Eu disse sorrindo para ela. – Isso significa que você decidiu que está
acordada?
– Na verdade não. De qualquer forma, é mais que isso, eu não estou tentando acordar. Hoje
não. – Ela me respondeu sorrindo também, senti sua bochecha tocando em meu pescoço,
estava quente.
– Eu vou ganhar a sua confiança de volta de alguma forma. Nem que seja a última coisa
que eu faça. – Esse era meu objetivo de vida.
– Eu confio em você. É em mim que eu não confio. – Ela me disse, mas agora não sorria.
– Explique isso, por favor. – Fiquei intrigado e fui diminuindo o ritmo da corrida para que
eu pudesse olhar para ela quando ela estivesse falando..
– Bem ... Eu não confio em mim mesma para ser... suficiente. Para merecer você. Não há
nada em mim que possa segurar você. – Ela me disse enquando eu ainda me movimentava.
“Mas por que ela se sentia assim? Ela ainda não estava convencida de que eu a amava o
suficiente para não viver sem ela?”, pensei e a tirei de minhas costas trazendo-a para meu
peito, abraçando seu corpo junto ao meu.
– Seu laço é permanente e inquebrável. Nunca duvide disso. – Disse em meio aos seus
cabelos. –Você nunca me disse... – Eu ia continuar, mas não sabia se queria mesmo saber
a resposta.
– O que? – Ela perguntou curiosa.
– Qual é o seu maior problema.
– Eu vou te dar uma dica. – Ela disse olhando para mim. Se esticou nos calcanhares e
tocou a ponta do meu nariz me dando a resposta.
– Eu sou pior que os Volturi. – Disse balançando a minha cabeça. Eu já desconfiava. – Eu
acho que merecí isso.
– Apior coisa que os Volturi podem fazer é me matar. – Ela disse revirando os olhos para
mim. – Você pode me deixar. – Ela deixou bem claro. Tudo agora fazia mais sentido, sua
reação quando conversávamos, ela tinha medo de que eu a deixasse novamente. – Os
Volturi, Victoria... eles não são nada comparados a isso.
Isso me doeu profundamente. Eu sabia que merecia essa dúvida mas mesmo assim
ela ainda achar que eu a deixaria novamente depois do que passamos, do que eu lhe disse
aquilo não fez bem a nenhum de nós, eu não tentaria novamente. Eu tinha outras opções e a
manteria a salvo. Eu prometi mais uma vez para mim mesmo que conseguiria sua confiança
novamente. Nunca mais a machucaria desse jeito, não seria um idota. “Idiota!”, eu
pensava.
– Não. – Ela sussurou para mim tocando no meu rosto. – Não fique triste. –
“Como não ficar com você pensando que eu ainda seria capaz de machucá-la desse
jeito?”Dei um sorriso no canto da boca meio forçado. Eu precisava me esforçar para não
deixá-la triste.
– Se houve pelo menos uma forma de te fazer ver que eu não posso viver sem você. –
Sussurrei para ela. – Tempo, eu acho, é a única forma de te convencer.
– Tudo bem. – “Essa concordou comigo uma vez?”, estranho. – Então ... já que você vai
ficar. Será que posso ter as minhas coisas de volta? – Ela mudou então de assunto e eu ri da
tentativa boba dela em me distrair, imitando meu estilo..
– As suas coisas nunca foram embora. Eu sabia que era errado, já que eu prometí te deixar
em paz sem lembranças. Foi uma coisa estúpida e infantil, mas eu queria ter alguma coisa
minha com você. O CD, as fotos, as passagens ... elas estão todas embaixo do seu piso.
– Mesmo? – Ela pareceu feliz com isso e eu assenti. – Eu acho. Eu não tenho certeza, mas
eu imagino... eu acho que sabia disso o tempo inteiro.
– O que você sabia? – Fiquei curioso.
– Alguma parte de mim, meu subconsciente talvez, nunca deixou de acreditar que você se
importava com o fato de que eu vivia ou morria. Provavelmente era por isso que eu estava
ouvindo as vozes. – Ela me disse como se fosse a coisa mais natural do mundo.
– Vozes? – Perguntei quando não entendi onde ela queria chegar.
– Bem, só uma voz. A sua. É uma longa história. – Disso Alice não tinha me falado.
– Eu tenho tempo. – Disse querendo saber direitinho essa história de “vozes”. Fiquei
preocupado.
– É bem patético. – Ela tentou desconversar mas eu esperei.
– Você se lembra do que Alice te disse sobre esportes radicais? – Bella então começou a
explicação alí mesmo no escuro da floresta.
– Você pulou de um penhasco pra se divertir. – “Sim... e daí?”, pensei.
– Er, certo. E antes disso com a moto ...
– Moto? – Disse perplexo. “Epa! Disso eu não sabia. Ela estava perturbada mesmo para
andar de moto em Forks!”, pensei.
– Eu acho que não disse a Alice sobre essa parte. – Ela disse e em sua cara estava
estampado o deslize.
– Não. – Disse simplesmente.
– Bem, sobre isso... Veja, eu descobrí que... quando eu estava fazendo alguma coisa
perigosa ou estúpida... eu conseguia me lembrar de você mais claramente. – Ela me disse,
calculando bem as palavras. – Eu conseguia me lembrar do som da sua voz quando estava
com raiva. Eu podia ouví-la, como se você estivesse bem ao meu lado. Na maior parte do
tempo eu tentava não pensar em você, mas isso não me machucava tanto ... era como se
você estivesse me protegendo de novo. Como se você não quisesse que eu me machucasse.
E, bem, eu me pergunto se a razão pela qual eu podia te ouvir tão claramente era porque,
por baixo disso tudo, eu sempre soube que havia não havia parado de me amar.
Bella disparou todas as palavras para mim, e a cada palavra eu ia me preocupando
mais. Bella estava se arriscando por mim. Minha lista de desastres estava só aumentando.
Realmente foi o maior erro da minha vida me afastar dela pensando que estaria fazendo um
bem a ela. “Que idiota”, pensei.
– Você... estava...arriscando a sua vida... pra ouvir. – Disse quase em estado de choque,
forçando as palavras a sair pela minha garganta. Eu me sentia muito mal naquela hora..
– Shh. Espere um segundo. Eu acho que estou tendo uma revelação aqui. – Ela me cortou.
Bella ficou em silêncio pensando enquanto eu observava seu rosto mudando. Várias
emoções passavam por alí.
– Ah! – Foi a primeira coisa que ela disse ... mas não disse nada.
– Bella? –Perguntei.
– Oh. Tudo bem. Eu entendo. – Bella disse.
“Entende o que?”, pensei.
– Sua revelação? – Perguntei. Eu queria saber o que mais ela estava me escondendo.
Nunca quiz tanto poder ler sua mente, isso me deixava nervoso ... não saber.
– Você me ama. – Ela me disse com um lindo sorriso no rosto.
– Sinceramente, eu amo.
Bella estava estasiada por sua revelação. Agora ela não tinha mais dúvidas em
relação a mim, ela aceitava tudo o que aconteceu, acho que passou a entender o por que da
minha atitude. Seu rosto estava lindo, gritava felicidade. Não consegui conter a minha
felicidade por vê-la feliz e por conseguir consquistá-la mais um vez. Pus minhas mãos em
seu rosto e a trouxe mais para perto de mim e a beijei, com a mesma intensidade do beijo
que a dei no seu quarto ... nosso quarto. Cada vez que eu pensava em mim e Bella, como
um só, eu me enchia de felicidade. O coração de Bella disparava junto ao meu peito. Meu
corpo se aquecia nós ofegávamos no meio da floresta.
– Você foi melhor nisso que eu, sabe? – Eu disse a ela ainda ofegando. Estava difícil de
controlar agora. Minha testa estava junta da dela. Sentia a eletricidade seguindo de mim
para Bella e dela para mim.
– Melhor em que? – Ela me disse ainda sem ar.
– Sobreviver. Você, pelo menos, fez um esforço. Você se acordava de manhã, tentava ser
normal para Charlie, seguia um padrão para a sua vida. Quando eu não estava ativamente
perseguindo, eu era...complemante inútil. Eu não conseguia ficar perto da minha família ...
eu não conseguia ficar perto de ninguém. Eu tenho vergonha de admitir que eu mais ou
menos me curvei em uma bola e deixei a infelicidade me levar embora. – Disse sorrindo
para Bella. Era muito bom poder confessar a alguém tudo o que passei. – Isso foi muito
mais patético do que ouvir vozes. E, é claro, você sabe disso, também.
– Eu só ouví uma voz. – Ela me corrigiu olhando nos meus olhos e eu sorri para ela.
Não podia adiar mais e seguimos para minha casa. Eu mantinha Bella ao meu lado o
tempo todo abraçada a mim.
– Eu só estou satisfazendo a sua vontade... Não importa nem um pouco o que eles disserem.
– Agora isso afeta eles também. – Ela me disse justificando sua atitude, mas eu sabia que
ela estava era aproveitando a oportunidade de realizar aquilo que ela sempre quiz.
Estávamos perto de casa, logo não caminhamos muito. Acendi as luzes para Bella e
chamei todos. Bella olhava para a sala e seus olhos brilhavam.
– Carlisle? Esme? Rosalie? Emmett? Jasper? Alice?
Carslile foi o primeiro a chegar e logo cumprimentou Bella. Ele estava curioso por
nossa chegada de madrugada. Em sua mente passavam inúmeras coisas, Alice não havia
contado nada, mas ela sabia.
– Bem vinda de volta, Bella. O que podemos fazer por você essa manhã? Eu imagino, pela
hora, que essa não é uma visita puramente social.
– Eu gostaria de falar com todos de uma só vez, se estiver tudo bem. Sobre uma coisa
importante. – Bella então respondeu, mas deu uma olhada rápida para mim.
Assim que ouviu as palavras de Bella, Carslile olhou para mim. Na sua mente a
preocupação reinou.
“É muito sério?”, eu assenti levemente.
– É claro. Porque não falamos na outra sala? – Carslile disse então para Bella.
Fomos então para a mesa que usávamos quando precisávamos manter os ânimos sob
controle, como no dia em que eu salvei Bella da van de Tyler. Ela sentou na cabeceira da
mesa. Todos logo se juntaram a mim e quando viram onde estávamos ficaram aguardando,
quer dizer ... quase todos, Alice sabia de tudo e estava muito excitada pelo momento. Me
sentei ao lado de Bella e Carslile sentou do outro lado. Emmet estava se divertindo vendo
Bella aqui, ele já a considerava parte da família, mas não consegui disfarçar a curiosidade.
Rosalie tentou ser simpática ... até sorriu e Bella retribuiu meio tímida.
– O palco é seu. – Carslile disse para Bella indicando para que ela falasse.
Eu sabia que esse momento seria muito importante para Bella e muito embaraçoso
também. Seu corpo tremeu quando todos estavam olhando para ela. Bella sempre odiou ser
o centro das atenções. Eu mantinha a minha postura, ela sabia a minha opinião e que eu não
estava nada satisfeito com o que iria acontecer, mas segurei sua mão sob a mesa, dando
força para que ela tivesse coragem, mostrando que mesmo não concordando eu estava com
ela ... tipo “Na alegria e na tristeza ... na saúde e na doença”. Bella então começou.
– Bem. Eu espero que Alice já tenha lhes contado tudo o que aconteceu em Volterra?
– Tudo. – Alice informou.
– E na ida. – Bella perguntou.
– Isso também. – Alice disse.
– Bom. – Bella suspirou e continuou. –Então estamos todos na mesma página. – Bella
parou por um momento e depois deu prosseguimento. Eu olhava o tempo todo na mente de
todos, buscando algo para pará-la. – Então, eu tenho um problema. Alice prometeu aos
Volturi que eu me tornaria uma de vocês. Eles vão mandar alguém pra checar, e eu tenho
certeza de que isso é uma coisa ruim ... uma coisa pra ser evitada. E então, agora, isso
envolve vocês todos. Eu lamento por isso. – Ela olhou para todos e continuou. – Mas se
vocês não me quiserem, então eu não vou me forçar pra vocês, esteja Alice querendo ou
não.
Esme ficou muito preocupada e quiz considerar com Bella. Na mente de Esme,
Bella já fazia parte da família. Ela ia dizer mas Bella a impediu.
– Por favor, me deixe terminar. Todos vocês sabem o que eu quero. E eu tenho certeza de
que também sabem o que Edward quer. Eu acho que a única maneira justa de decidir é por
uma votação. Se vocês decidirem que não me querem, então... eu acho que vou para a Itália
sozinha. Eu não posso deixar que eles venham até aqui.
Isso já estava indo longe demais para meu auto-controle. Eu rosnei para a idéia. Não
permitiria que Bella voltasse a Volterra. Ela simplesmente nunca mais pisaria lá.
Bella continuou.
– Levando isso em conta, então, que eu não vou colocá-los em perigo de nenhuma das
formas, eu quero que vocês votem sim ou não no caso de eu me tornar uma vampira. –
Bella disse e indicou para que Carslile começasse.
Fui observando a mente de todos. Carslile estava decidido, mas ainda havia algumas
dúvidas. Ele na verdade sempre achou que esse seria a única solução, eu sempre tentava
persuadí-lo do contrário. Esme também concordava, mas se Carslile negasse ela o seguiria.
Rosalie negava veemente. Emmet ainda tinha dúvidas. Alice e Jasper concordariam. A
coisa estava acirrada.
– Só um minuto. – Me manifestei. Ela havia dito que eu era muito opinante, então eu iria
expor minha opinião. Bella me olhou zangada e eu apertei sua mão. – Eu tenho algo a
adicionar antes de votarmos. – Bella suspirou zangada, mas eu não parei. – Sobre o perigo
ao qual Bella está se referindo. Eu não acho que precisamos ser exageradamente ansiosos. –
na mente de Emmet eu vi a alegria por uma boa briga. Isso seria bom, ele caminhava para
o “Não”. Me animei, queria agora conquistar Jasper, ele sempre gostou de uma boa
trama. Coloque minha mão sobre a mesa e expliquei meu ponto de vista. – Vejam havia
mais de uma razão pra eu não ter apertado a mão de Aro lá no final. Há uma coisa na qual
eles não pensaram, e eu não queria precavê-los disso. – Sorri quando a lógica foi invadindo
a mente de todos, exceto Alice.
– Que era? – Disse Alice.
– Os Volturi são super confiantes, e com uma boa razão. Quando eles decidem encontrar
alguém, isso não é realmente um problema. Lembra de Demetri? – Disse e olhei para Bella.
Ela simplesmente assentiu com o ombro. – Ele encontra pessoas ... esse é o seu talento, por
isso eles o mantêm. Agora, durante todo o tempo em que eu estive com cada um deles, eu
estava vasculhando no cérebro deles por qualquer coisa que pudesse nos salvar, eu estava
pegando toda a informação que fosse possível. Então eu ví como o talento de Demetri
funciona. Ele é um perseguidor ... um perseguidor mil vezes mais talentoso que James era.
A habilidade dele é levemente relacionada á minha, ou o que Aro faz. Ele capta... o gosto?
Eu não sei como descrever isso... o tenor... da mente de alguém, e depois ele a segue. Isso
funciona a distâncias imensas. Mas depois do pequeno experimento de Aro, bem...
– Você acha que ele não será capaz de me encontrar. – Ela completou e a mente de todos
acompanhavam. Isso era bom.
– Eu tenho certeza disso. Ele se baseia completamente nesse sentido. Quando ele não
funcionar com você, eles estarão todos cegos.
– E como isso resolve alguma coisa? – Ela me disse ainda zangada.
– Obviamente, Alice será capaz de dizer quando eles estiverem planejando uma visita, e eu
vou te esconder. – “Simples”, disse em minha mente. – Será como procurar uma agulha
num palheiro.
Emmet adorou o rumo do meu pensamento e a idéia de caçadas, esconderijos, lutas
invadiam sua mente. Ele definitivamente gostou da idéia. Nos olhamos e eu assenti para
ele, concordando.
– Mas eles podem encontrar você. – Ela me disse.
– E eu posso cuidar de mim mesmo. – Respondi. Emmet gargalhou e me apoiou. Tocamos
um no pulso do outro. Um cumprimento nosso.
– Excelente plano, meu irmão. – Emmet me disse, tocando no meu pulso.
– Não. – Rosalie falou.
– Absolutamente não. – Bella disse também.
– Legal. – Falou Jasper, gostando da lógica e estratégia minha.
– Idiotas. – Alice disse baixinho.
Esme encarou me reprovando veemente em pensamento. “Você não vai aprontar
outra comigo!”. Bella percebeu que estava perdendo e continuou com a sua “reunião”.
– Tudo bem, então. Edward ofereceu uma alternativa pra vocês considerarem. Vamos votar.
Bella começou por mim, o que eu já esperava.
– Você quer que eu me junte á sua família?
– Não dessa maneira. Você fica humana. – Respondi para ela.
A mente de Esme chamou minha atenção. Ela pensava “Ele disse: “Não dessa
maneira”? Mas existe outra maneira de Bella entrar em nossa família?... Epa! Ele vai se
casar com ela? ...Não ... Acho que estou louca. A proximidade com noivinhos reformando
casas está mexendo comigo ...”. Eu esta prestando atenção quando Bella deu
prosseguimento.
– Alice?
– Sim. – Alice foi rápida na sua resposta.
– Jasper? – Ele resolveu seguir Alice. Jasper nunca apostava contra sua menina.
– Sim. – Ele foi rápido também.
– Rosalie?
– Não. – Disse Rosalie, mas antes que Bella desse continuidade, Rosalie quiz argumentar
com Bella. Rosalie considerava a hipótese um insulto. – Deixe-me explicar ... Eu não estou
querendo dizer que tenho aversões a ter você como irmã. É só que... essa não é a vida que
eu teria escolhido pra mim. Eu queria que houvesse alguém pra ter votado não pra mim. –
Bella assentiu e se virou para Emmet. Antes mesmo de Bella perguntar, Emmet já dizia..
– Que inferno, sim! A gente pode arrumar um outro jeito de arrumar briga com esse
Demetri.
Emmet entendia Rosalie, mas também entendia como era difícil para mim ficar com
Bella sem poder tê-la. Emmet achava que eu estava sofrendo demais por não poder
desfrutar do amor pleno, como ele e Rosalie. Ele não entendia como um amor poderia
existir sem ser completo, com envolvimento físico intenso, e isso só poderia ser possível
com Bella vampira. Ele disse sim pensando em mim, equanto eu não assim o fazia.
Bella então olhou para Esme.
– Sim, é claro, Bella. Eu já penso em você como parte da minha família. – Esme concordou
feliz.
– Obrigada, Esme. – Bella disse sorrindo para Esme.
Enquanto Bella olhava para Carslile ela percebeu que ele olhava para mim.
– Edward. – Carslile me disse mas na sua mente “Essa é a única solução. Me desculpe,
não vou correr o risco de te perder de novo, meu filho. Ela é o seu destino. Você já sabe a
minha resposta.”
– Não. – Eu disse grunindo para ele, pedindo. Eu sabia que se Carslile dissesse não havia
a possibilidade dos outros mudarem suas indicações.
– É o único jeito disso fazer sentido. Você escolheu não vier sem ela, e isso não me deixa
outra escolha. – Ele agora disse em voz alta para que todos pudessem ouvir.
Não podia concordar com isso. Larguei a mão de Bella e saí furioso ouvindo
Carslile falando para Bella. “– Eu acho que você sabe o meu voto.” .
Eu estava descontrolado. Ela estava se condenado para ficar comigo. Eles a estavam
condenando, mesmo sabendo que eu era contra, e ainda estavam felizes, mas não somente
por Bella, mas por mim também e eu não me sentia nada feliz com isso. Eu contava com
eles. Senti o desespero tomando conta. Me apoiei ao meu piano quando a visão de Alice
com Bella vampira invadiu minha mente. Minhas mãos voaram para meu rosto. Eu não
queria ver.
Pelos olhos de Carslile vi que Bella me olhava saindo. “– Obrigado.”, ela então
disse para Carslile. Estava acabado então. Isso me deixou mais desesperado. “Não!!! Eu
gritava em minha mente. e minhas mãos se chocaram com o piano da tal forma que ele se
dividiu em dois. Eu continuava a acompanhar tudo que acontecia pela mente deles.
“– Isso era tudo o que eu precisava. Obrigada. Me quererem. Eu me sinto exatamente da
mesma forma por todos vocês também.” – Disse Bella a todos. Ela estava emocionada e
feliz por ter conseguido tudo que queria. Eu não podia brigar com por ela querer ficar
comigo.
“– Querida Bella." – Esme foi abraçá-la e Bella retribuiu..
Era uma visão linda se não fosse o motivo pelo abraço. Eu ainda me contorcia no
desespero quando Bella olhou para Alice. Tudo aconteceu muito rápido.
“– Bem, Alice. Onde você quer fazer isso?” Bella disse e Alice se assustou. Ela queria ser
transformada hoje. Corri para a mesa para impedir Bella.
– Não! Não! NÃO! – Eu precisava impedir. – Você está louca? – Pela primeira vez eu
gritei com Bella. Eu estava desesperado. –Você perdeu completamente a cabeça?
Bella se assustou com meu comportamento e se afastou de mim com as mãos sobre
os ouvidos. Ela não queria me ouvir.
– Umm, Bella. Eu não acho que estou pronta pra isso. Eu vou precisar me preparar... –
Alice disse. Ela via meu desespero, mas havia a promessa.
– Você prometeu. – Bella pediu a Alice. Todos observavam quietos.
– Eu sei, mas... Sério, Bella! Eu não faço idéia de como não matar você.
– Você pode fazer isso ... Eu confio em você. – Bella continuava a pedir.
Alice então teve uma visão dela mesma mordendo Bella ... mas Alice não conseguiu
parar. Na visão Alice via ela mesma matando Bella. Um rosnado alto surgiu do meu peito.
Eu não permitiria. Alice se desesperou balançando a cabeça. Jasper a abraçou tentando
ajudar com seu dom. Alice então mudou de idéia e a visão desapareceu, mas outra surgiu.
Bella ainda vampira. Mesmo sem a ajuda de Alice, o destino ainda movia Bella para aquilo.
– Carlisle? – Assim que Bella viu que não conseguiria nada com Alice pediu ao meu pai.
Bella estava mesmo obstinada, mas eu ainda lutava. Trouxe seu rosto para o meu e
com a palma de minha outra mão, agora na direção de Carslile, tentei impedir. Carslile não
se importou.
– Eu posso fazer isso ... Você não correr nenhum risco de que eu perca o controle.
– Parece bom. – Ela ainda disse, mesmo comigo segurando seu rosto.
– Espere. Não precisa ser agora. – Eu disse com raiva. Eu forçei as palavras como se eu
estivesse apenas adiando. Eu queria tempo para tentar impedi-la.
– Não há razão pra não ser agora. – Bella me disse.
– Eu estou pensando em algumas. – Disse a verdade.
– É claro que está. Agora me solte. – Ela me pediu irritada por eu estar a impedindo, eu
claro, a soltei e me posicionei na sua frente de braços cruzados.
– Em cerca de duas horas, Charlie vai estar aqui procurando por você. Eu não duvidaria que
ele chamasse a polícia.
– Os três deles. – Ela debochou.
– No interesse de permanecer acima de qualquer suspeita. – Apelei para a maior de nossas
leis sabendo que Carslile não se oporia. Acabávamos de retornar na cidade depois de uma
saída súbita. Ficaria muito visível se Bella simplesmente desaparecesse, juntamente
conosoco. Já que não poderíamos permanecer. – Eu sugiro que ponhamos um fim a essa
conversa, pelo menos até que Bella termine o segundo grau, e saia da casa de Charlie. –
Disse para Carslile, já que ele era “cumplice” de Bella.
– Esse é um pedido razoável, Bella. – Ele concordou comigo.
– Eu vou considerar isso. – Ela se rendeu então. Isso foi um alívio, eu teria algum tempo,
alguns meses.
– Eu provavelmente devia te levar pra casa. – Disse para tirá-la logo de lá antes que ela
viesse com mais alguma das suas idéias geniais. – Só no caso de Charlie acordar mais
cedo. – Emendei.
– Depois da formatura? – Ela confirmou com Carslile.
– Você tem minha palavra. – Ele prometeu.
– Tudo bem. Você pode me levar pra casa. – Ela me disse então.
Levei Bella pela saída dos fundos. Ela ficaria mais furiosa se visse o que eu tinha
feito com o piano, já que ela adorava me ouvir tocar. Seria embaraçoso também. Eu teria
que ajeitar isso rápido.
“Pode deixar que eu cuido disso, Edward.”, Alice me disse em pensamento antes de eu
sair. É claro que Alice tinha tido uma visão e já sabia de tudo. Eu assenti sem que Bella
percebesse. “Obrigado”, eu disse bem baixo, para que só ela percebesse.
Corri para a casa de Bella com ela rigida nas minhas costas. Ela não falou nada ...
nem eu. Acho que não tínhamos o que falar mesmo. Subi rapidamente pela sua janela e a
trouxe para minha frente aninhando nos meus braços e depois a colocando gentilmente na
cama. Eu precisava pensar nas minhas alternativas, nas saídas para esse impasse.
A minha mente trabalhava rápido. Eu caminhava de um lado para o outro ansioso...
era uma forma de diminuir e controlar minha ansiedade. Eu tinha várias possibilidades para
tentar persuadir Bella, mas nenhuma delas era completamente confiável o bastante para
arriscar. De repente me lembrei do que ouvi na mente de Esme “Não dessa maneira”? Mas
existe outra maneira de Bella entrar em nossa família?... Epa! Ele vai se casar com ela?
...Não ... Acho que estou louca. A proximidade com noivinhos reformando casas está
mexendo comigo ...”.
Foi como um estalo na minha cabeça. Várias vezes Bella me falou do casamento
desastroso de seus pais e de como sua mãe se sentia em relação a isso. Outra coisa veio a
minha mente. Foi no dia em que eu levei Bella pela primeira vez na nossa campina. Quando
voltamos e eu a questionei se o seu pai podia saber que eu estava em sua casa, mas ela me
disse “Você não precisa me pedir em casamento nem nada.”, como se isso fosse algo
completamente impossível para ela. “Essa então era a chave! Casamento ...”, pensei. Claro
que eu corria um risco, mas adoraria pagá-lo. Lembrei então das vezes em que eu vi Bella
vestida de noiva nos braços de Charlie, mas nas minhas memórias eu sempre pensava nela
se casando com um mortal qualquer e eu tinha ciúmes disso.
– O que quer que seja que você estiver planejando, não vai funcionar. – Bella me disse
sentada na cama e me observando andar.
– Shh. Eu estou pensando. – Disse para ela.
– Ugh. – Bella bufou e se escondeu debaixo da coberta. Um breve momento criança da
parte dela. Achei engraçado em me deitei ao seu lado na cama.
– Se você não se importar, eu preferiria que você não escondesse o seu rosto. Eu já vivi sem
ele pelo máximo de tempo que eu consigo agüentar. Agora... diga-me uma coisa. – Disse
tirando a coberta de seu rosto e acariciando sua face rabugenta.
– O que? – Ela me disse.
– Se você pudesse pedir por qualquer coisa nesse mundo, qualquer coisa, o que seria?
– Você. – Ela disse com os olhos semi-cerrados.
– Alguma coisa que você ainda não tenha. – Balancei a cabeça. Sabia muito bem o que ela
queria dizer. O sexo era um dilema para Bella.
– Eu ia querer... Que Carlisle não tivesse que fazer isso. Eu iria querer que você me
transformasse. – Isso era novidade, mas eu não poderia deixar transparecer a minha
surpresa.
– O que você estaria a fim de trocar por isso?
– Qualquer coisa. – Como ela me deu essa respota eu tentei uma outra opção antes de usar
meu trunfo..
– Cinco anos? – Perguntei e ela pareceu horrorizada. Bella tinha horror a envelhecer. –
Você disse qualquer coisa. – Disse a ela.
– Sim, mas... você vai usar o tempo pra encontrar uma maneira de se livrar disso. Eu tenho
que bater enquanto o ferro está quente. Além do mais, é perigoso demais que eu permaneça
humana ... pra mim, pelo menos. Então, qualquer coisa menos isso.
– Três anos?
– Não!
– Será que isso vale alguma coisa pra você? – Forçei uma barra agora.
– Seis meses? – Ela propôs.
– Não é bom o suficiente. – Era muito pouco tempo para mim.
– Um ano, então. Esse é o meu limite.
– Pelo menos me dê dois. – Propus em retorno.
– De jeito nenhum. De dezenove eu passo. Mas eu não vou chegar nem perto dos vinte. Se
você vai ficar na adolescência pra sempre, então eu também vou. – Não tinha jeito, eu teria
que usar meu trunfo naquela hora. Aí dependeria somente dela, e se ela aceitasse eu teria
que cumprir a minha parte. Mas eu teria tempo de fazê-la voltar atrás.
– Tudo bem. Esqueça os limites de tempo. Se você quer que eu faça isso... então você só
vai ter que aceitar uma condição.
– Condição? ...Que condição? – Ela se preocupou então.
– Case comigo primeiro. – Disse lentamente. Quando as palavras sairam da minha boca
pintaram uma cena linda. Eu revi a minha lembrança de Bella vestida de noiva nos braços
de Charlie, mas era eu que a esperava no altar e eu estava muito feliz em estar alí. Bella
tinha um lindo olhar de felicidade.
– Tudo bem. Qual é o truque? – Ela me disse num tom de brincadeira. Eu tinha acertado.
– Você está ferindo o meu ego, Bella. Eu acabei de te pedir em casamento, e você acha que
eu estou fazendo piada. – Disse depois de suspirar.
– Edward, por favor fale sério.
– Eu estou sendo cem por cento sério. – Disse olhando nos seus olhos.
– Oh, vamos. Eu só tenho dezoito. – Seu coração acelerou e Bella foi ficando nervosa.
– Bem, eu já tenho quase cento e dez. Está na hora de me ajeitar.
– Olha, casamento não está exatamente no topo da minha lista de prioridades, sabe? Isso foi
meio que o beijo da morte pra Renée e Charlie. – Bella não conseguia me encarar. Ela
virou a cara para falar. “É ... acertei mesmo.”
– Interessante escolha de palavras.
– Você sabe do que eu estou falando.
– Por favor não me diga que você tem medo de compromisso. – A provoquei.
– Não é exatamente isso. Eu... estou com medo de Renée. Ela realmente tem umas opiniões
interessantes sobre se casar antes dos trinta.
– Porque ela preferiria que você se tornasse um dos eternos condenados do que te ver se
casar. – Sorri sem vontade.
– Você acha que está fazendo piada.
– Bella, se você considerar o nível de comprometimento entre uma união matrimonial e a
barganha de trocar a sua alma por uma eternidade como vampira... – Balancei a cabeça
negativamente para ela enquanto falava. Havia um diferença substancial entre as duas
formas de comprometimento. A vida. – Se você não é corajosa o suficiente pra se casar
comigo, então ...
– Bem ... E se eu fizesse isso? E se eu te disse pra me levar pra Las Vegas agora? E seria
uma vampira em três dias? – Ela me desafiou. Não acreditava que eu seria capaz.
– Claro. – Disse, mas tinha certesa de que ela daria para trás – Eu vou pegar o meu carro.
– Droga ... Eu te dou dezoito meses. – Ela então se rendeu, mas sua proposta não foi
melhor que a minha.
– Sem acordo. Eu gosto dessa condição. – Sorri para ela.
– Tudo bem. Eu peço pra Carlisle fazer isso quando eu me formar.
– Se é realmente isso que você quer. – Eu disse levantando meus ombros como “tanto faz”.
– Você é impossível ... Um monstro. – Ela disse ensaiando um rosnado.
– É por isso que você não vai se casar comigo? – Eu gargalhei das palavras dela.
Me inclinei para ela. Eu sabia muito bem a reação dela quando eu me aproximava
mais. Bella simplesmente se derretia pelo meu cheiro, ele o atraía tanto quanto o dela me
atraía. Uma das dezenas de provas foi na campina, no dia do nosso primeiro beijo.
– Por favor? Bella? – Ela ficou tão afetada e quase se entregou. Balançou a cabeça como
que para se recuperar, para voltar a pensar. – Será que isso teria funcionado melhor se eu
tivesse tempo de arrumar um anel?
– Não! Nada de anéis! – Ela gritou. Foi uma reação que eu não esperava. Se soubesse teria
sido mais cuidadoso.
– Agora você conseguiu. – Falei baixinho no seu ouvido. Charlie acordou assustado com o
barulho. Ele logo pensou que Bella tinha voltado a ter as mesmas reações de antes de eu ir
embora.
– Oops. – Foi só o que ela disse com as sombrancelhas levantadas e depois tapou a boca.
– Charlie está se levantando; é melhor eu ir embora. – Bella fez uma cara de sofrimento,
ensaiou até um beiçinho que me fez desistir. – Seria infantil da minha parte me esconder no
seu armário, então?
– Não. Fique. Por favor. – Ela me pediu mais uma vez. Eu sorri para ela e saí pela janela.
Eu não caberia no seu armário. Ela nem percebeu.
Fiquei sentado no telhado perto da janela dela feliz pelo desfecho momentâneo das
coisas e ouvindo o que eles conversavam.
“– Bom dia, pai.” – Bella estava sentada na cama esperando por seu pai. Pude ver na mente
de Charlie.
"– Oh, oi, Bella". – Charlie se surpreendeu por Bella estar bem. Ele não entendeu o grito
mas deixou passar. – "Eu não sabia que você estava acordada".
"– É. Eu só estava esperando você se levantar pra ir tomar um banho". – Ela disse
enquanto levantava.
"– Espera. Vamos conversar por uns minutos primeiro".– Charlie entrou no quarto e
acendeu a luz, Bella ficou atordoada com a claridade. Seus olhos estavam adaptados à
escuridão do quarto. Vi sua testa vincando. “–Você está com problemas". – Nessa hora vi
na mente de Charlie que ele iria interrogá-la. Ele só estava esperando que Bella estivesse
em condições, o que ela parecia estar ... para ele.
"– É, eu sei".
"Eu estava a ponto de enlouquecer nesses três dias. Eu volto pra casa do funeral de Harry,
e você está desaparecida. Jacob me disse que você havia fugido com Alice Cullen, e que ele
pensava que vocês estavam com problemas. Você não me deixou um número, e não me
ligou. Eu não sabia quando ... ou se ... você ia voltar. Você tem alguma idéia de como...
como..” – Charlie realmente estava preocupado e eu me senti mal por ele ... também. Já não
bastava ter feito Bella e minha família sofrerem? – “Será que você pode me dar uma boa
razão pra eu não te mandar pra Jacksonville nesse segundo?"
"– Porque eu não vou". – “Bella enfrentou o pai?”, pensei. Ela realmente estava convicta.
"– Agora só um minuto, jovenzinha ..." – Charlie não aprovou em nada seu comportamento
e do tom petulante de Bella. Na mesma hora ele lembrou da mãe de Bella, Renée.
"– Olha, pai, eu aceito completamente a responsabilidade pelas minhas ações, e você pode
me castigar por quanto tempo você quiser. Eu também farei todas as tarefas e vou lavar as
roupas e os pratos até que você pense que eu aprendi a lição. E eu acho que você está no
seu direito se você quiser me botar pra fora também - mas isso não vai me fazer ir para a
Flórida".
"– Você gostaria de explicar onde esteve ?"
"– Houve uma... emergência".– Bella agora vacilou. Eu devia ter pego alguma coisa com
Alice, mas ... "– Eu não sei o que te dizer, pai. Foi em grande parte um grande mal
entendido. Ele disse, ela disse. Saiu do controle ... Veja, Alice contou a Rosalie que eu
havia pulado do penhasco..." – “Ops! Duplo”, pensei e ri, era o que Bella diria. Charlie não
sabia disso. Eu ri da cara que Bella fez quando se tocou do deslize. "– Eu acho que não te
contei sobre isso. Não foi nada. Só me divertindo, nadando com Jake. De qualquer forma,
Rosalie contou pra Edward e ele ficou chateado. Ela meio que acidentalmente fez parecer
que eu estava tentando me matar ou alguma coisa assim. Ele não atendia ao telefone,
então Alice me arrastou pra... , Los Angeles, pra explicar pessoalmente".
"– Você estava tentando se matar, Bella?" – Nesse momento fiquei preocupado realmente
com Charlie. Foi um choque forte. Seu coração bateu descompaçado. Ele viu em sua mente
Bella morta e isso o fez vacilar.
"– Não, é claro que não. Só me divertindo com Jake. Mergulho dos penhascos. Os garotos
de La Push faz isso o tempo inteiro. Como eu disse, não foi nada".– Ela disse se
justificando mas Charlie não achou nada engraçado, inclusive colocou na sua lista ter uma
conversinha com Jacob.
"– Qual é a de Edward Cullen, afinal? Todo esse tempo, ele te deixou na mão sem uma
palavra ...” – Agora o alvo era eu e ele não iria ser fácil com Bella. Quiz naquela hora estar
ao seu lado, apoiando nossa decisão de ficarmos juntos, mas não seria fácil explicar a
Charlie o que eu estaria fazendo dentro do quarto de sua única filha adolescente naquela
hora.
"– Outro mal entendido".– Bella não deixou que ele continuasse.
"– Ele está de volta então?" – Ele quiz medir nossa relação agora.
"– Eu não tenho certeza de qual é o plano. Eu acho que eles todos voltaram".
"– Eu quero que você fique longe dele, Bella. Eu não confio nele. Ele é ruim pra você. E
não vou deixar ele fazer aquilo com você de novo."– Vi as imagens de Bella na sua mente
novamente e novamente me senti mal e culpado. Ele então atacou novamente. Percebeu que
Bella havia me aceitado mesmo depois de tudo e ele não queria isso.
"– Tudo bem".– “Tudo bem?”, pensei. Nem eu, nem Charlie entendemos essa.
"– Oh. Eu pensei que você fosse ser difícil".
"– Eu vou. Eu quis dizer “Tudo bem, eu me mudo”. – Essa reação de Bella foi outro choque
para o coração de Charlie. Era a última coisa que ele queria. Charlie amava muito a filha,
esse período de Bella em Forks foi o maior que eles passaram juntos desde que ela nasceu,
e Charlie estava adorando o real papel de pai. – “Pai, eu não quero me mudar. Eu amo
você. Eu sei que você está preocupado, mas você vai precisar confiar em mim nisso. Você
vai ter que facilitar pra Edward se quiser que eu fique. Você quer que eu viva aqui ou
não?"
"– Isso não é justo, Bella. Você sabe que eu quero que você fique".
"– Então seja legal com Edward, porque ele vai estar onde eu estiver". – Charlie agora se
enfureceu com a repentina rebeldia de Bella. Até eu me surpreendi, aliás, naquele dia Bella
me surpreendeu mais do que nunca. Ela foi muito forte.
"– Não embaixo do meu teto".
"– Olha, eu não vou dar mais nenhum ultimato essa noite ... ou eu acho que é manhã. Só
pense nisso por alguns dias, tá legal? Mas tenha em mente que eu e Edward somos uma
espécie de pacote".– Bella completou.
"– Bella ..." – Ele ia argumentar com Bella mas não pôde, teve medo de perdê-la mais uma
vez.
"– Pense nisso. E enquanto você está fazendo isso, será que você pode me dar um pouco de
privacidade? Eu realmente preciso de um banho.” – Ela praticamente o expulsou do
quarto. “Ela é braba”, pensei e ri.
Assim que vi na mente de Charlie a intensão de sair me preparei para correr para
dentro de seu quarto. Bella nem percebeu, só me viu já sentado na cadeira de balanço.
– Eu lamento por isso. – Ela me disse.
– Como se eu não merecesse coisa muito pior. Não comece nada com Charlie por minha
causa, por favor. – Eu a pedi. Já era demais ter feito Bella sofrer por mim, não queria
arrumar mais problemas para ela.
– Não se preocupe com isso. – Ela disse se preparando para um minuto humano. – Eu vou
fazer exatamente o que for necessário, e nada, além disso. Ou será que você está querendo
me dizer que eu não teria um lugar pra ir? – Ela disse se virando e me encarando como se
tivesse alguma dúvida mas eu via o humor nos seus lindos olhos castanhos.
– Você se mudaria pra uma casa cheia de vampiros? – “Bem que seria interessante ter
Bella comigo toda hora ...”, pensei.
– Esse provavelmente é o lugar mais seguro pra alguém como eu. Além do mais... Se
Charlie me expulsar, então não há necessidade de esperar até a formatura, não é? – Aí ela
provocou.
– Tão ansiosa pela condenação eterna. – Disse baixinho o absurdo.
– Você sabe que não acredita realmente nisso.
– Oh, não acredito?
– Não. Não acredita. – Olhei bem para ela e para o absurdo que ela havia falado,
esperando pelo complemento de seu pensamento.. – Se você realmente acreditasse que
perdeu sua alma, então quando eu te encontrei em Volterra, você teria se dado conta
imediatamente do que estava acontecendo, ao invés de pensar que estávamos mortos juntos.
Mas você não soube ... você disse “Incrível. Carlisle estava certo.”. – Ela então me disse
com um sorriso no rosto. – Existe esperança em você, afinal.
Não sabia o que argumentar com ela naquele momento. Ela havia tocado num
assunto delicado, e naquele momento, em Volterra, eu não parecia ser eu mesmo, estava
meio alienado.
– Então vamos os dois ter esperança, certo? Não que isso importe. Se você ficar, eu não
preciso do paraíso.
Acho que essa foi a declaração de amor mais linda que Bella já havia me feito. Ela
me queria para sempre, como eu a queria, só tinha medo por ela, por ser uma humana tão
próxima do perigo que eu representava para ela. Eu poderia ser o monstro que tiraria sua
vida e naquele momento eu estava tão feliz que a sensação de “Deixa pra lá, venha comigo
para a eternidade” passou como um lampejo. Eu imaginei como a eterninade seria linda ...
seria Bella.
Me levantei e fui de encontro com o meu destino ... minha vida ... minha Bella.
– Pra sempre. – Disse para ela, agora com as minhas mãos segurando o que de mais
precioso eu tinha no mundo ... seu rosto.
– Isso é tudo o que eu estou pedindo. – Ela me disse e se esticou para tocar em meus