domingo, 2 de janeiro de 2011

Amanhecer de Edward Cullen- Capitulo 4

Presente inesperado

Depois de nos reconciliarmos na semana passada a nossa vida na ilha foi

maravilhosa. Nós passeávamos pela ilha ... algumas vezes, Bella fazia questão de ficar

em casa e nunca era suficiente. A curiosidade pelo local ficou em segundo ou até

terceiro plano. Minha fome de Bella parecia nunca estar saciada, e a dela por mim

também. Fizemos o amor mais lindo de todos os tempos ... nos amávamos completa e

intensamente. Fui um tolo quando imaginei que isso tudo não se repetiria antes de sua

transformação, o que resolvemos adiar por mais algum tempo. Bella estava feliz em

permanecer humana por enquanto, de poder desfrutar dessa parte de sua vida, e poder

conviver um pouco mais com seus pais e amigos.

À noite passada a sede chegou no momento errado. Estávamos nos amando

quando senti minha garganta queimar. Não sentia isso com tanta intensidade desde antes

do casamento. Acho que minha relação com Bella chegou a tal ponto que em alguns

momentos eu me sentia tão humano que a sede simplesmente desaparecia. Mas ontem

ela voltou ... e forte. Tive que me controlar um pouco mais e assim que Bella

adormeceu, deixei-lhe um bilhete, para que ela não se preocupasse em procurar por

mim.

“Espero que não acorde e perceba minha ausência, mas se acordar, voltarei logo. Fui caçar no

continente. Volte a dormir e eu estarei aí quando você acordar novamente. Eu te amo.”

Beijei de leve sua boca e sua testa e saí as pressas para poder retornar logo. A

viagem de lancha foi mais rápida do que quando chegamos. No litoral roubei uma moto

e segui em direção à serra. Devolveria a moto no mesmo lugar quando retornasse, era

mais fácil do que seguir correndo, poderia cruzar com problemas no caminho. A floresta

tropical não é tão povoada de carnívoros quanto Forks mas dei sorte. Encontrei uns

animais grandes numa floresta perto da cidade de Petrópolis. Me alimentei e voltei logo

para “minha vida”.

Cheguei em casa por volta do meio dia e assim que atraquei senti o perfume de

Bella vindo da grande casa. Voei para dentro seguindo seu perfume e encontrei Bella

dormindo no sofá da sala. Ela estava suando, sua testa estava úmida por conta do calor.

Fiquei olhando mas logo me aproximei sentando ao seu lado. Fui trazendo seu corpo

para o meu quando senti que ela foi despertando.

– Me desculpe. – Toquei sua testa quente. – Tanto cuidado. Eu não pensei em quanto

calor você sentiria comigo fora. Eu pedirei para instalarem um ar condicionado antes

que eu saia novamente.

Não sabia quanto tempo Bella ainda gostaria de ficar, então já fui planejando

algo. Estava pensando quando senti o corpo de Bella enrijecer.

– Com licença. – “O que houve? O que eu fiz?” Não entendia. Eu a abraçei ela teve

essa reação.

Bella se debateu e eu a libertei de meus braços.

– Bella? – Chamei quando ela saiu correndo pela casa em direção ao banheiro com a

mão na boca. “Ela está enjoada?”.

Corri atrás dela chegando antes podendo ver sua testa enrugada e o olhar de

pânico. Ela se enclinou no vaso sanitário e começou a vomitar violentamente. Segurei

seu cabelo e apoiei seu corpo que tinha espasmos a cada jorro. Ela respirava ofegante e

vomitava sem parar. Eu estava assustado. Era a primeira vez que via Bella passando tão

mal. Ela, apesar de todos os acontecimentos que surgiram em sua vida, desde sua

chegada a Forks, não a fizeram chegar nem perto de uma doença séria, tirando as

contusões, ossos quebrados e a mordida em seu pulso, provocada pelo maldito James.

– Bella? O que há de errado? – Mas ela não conseguia responder. Busquei em minha

mente as possíveis causas de seu estado. Os anos que estudei medicina, pelo menos a

teoria, e as vezes em que auxiliei Carslile tinham que me dar uma perspectiva do que

fazer.

– Droga de frango estragado. – Ela reclamou.

– Você está bem? – Perguntei novamente depois que ela parecia respirar um pouco

melhor.

– Bem. – Ela disse ainda ofegante. – É apenas intoxicação por comida. Você não

precisa ver isso. Sai daqui.

– Nem pensar, Bella.

– Sai daqui. – Ela tentou se levantar e eu a ajudei mesmo com ela tentando me impedir.

Até parece que eu a deixaria nessa situação sozinha. Bella nunca ficaria sozinha.

Já não bastava ter que ir caçar e deixá-la? Esperei até que ela se lavou e a carreguei nos

braços para a cama.

– Intoxicação por comida? – Como pode ter acontecido se tudo estava fresco na casa. A

geladeira funcionava perfeitamente ...

– É. ... Eu fiz um pouco de frango ontem. O gosto estava estranho, então eu joguei fora.

Mas eu comi um pouco antes.

– Como você se sente agora? – Pus a mão em sua testa para ver se ela estava febril.

Parecia até mais fria, menos quente que o normal. Sua cor, que antes havia quase

sumido, voltou. Seu coração que antes palpitava como um cavalo à galope, agora

estava mais controlado.

– Bastante normal. Com um pouco de fome, na verdade.

Bella queria ir direto para a cozinha. Ela estava com fome. “Mas como? Depois

disso tudo ela consegue ter fome?”, pensei. Não permiti, claro. Ainda não tinha

chegado à uma conclusão do que fazer exatamente para cuidar dela, e pensei em ligar

para Carslile. Dei a ela um copo de água, isso não faria mal e a levei para o sofá da sala,

onde o vento circulava mais e estaria mais fresco. Bella logo se deitou em meu colo e vi

suas pálpebras quase fechando. “Ela ainda está com sono?”. Bella se virou para me

beijar quando seu corpo enrijeceu de novo. Bella levantou correndo com a mão na boca.

Ela ia vomitar de novo, mas dessa vez foi direto para a cozinha, que estava mais

próximo. Voei ao seu encontro e segurei seu cabelo no alto. Ela estava passando muito

mal e eu não sabia o que fazer.

– Talvez nós devêssemos voltar para o Rio, ver um médico. – Disse quando ela estava

lavando a boca. Seu rosto agora estava vermelho, tinham pontos febris em toda a maçã

do rosto.

– Eu ficarei bem logo após eu escovar meus dentes. – Bella disse enquanto se afastava

de mim seguindo para o quarto. Ela pareceu ficar nervosa com a idéia de irmos

embora, mas era o certo a fazer.

Ela chegou logo ao banheiro e fechou a porta me impedindo de entrar. Dei um

tempo a ela, mas quando o barulho da torneira silenciou e Bella não saía começei a me

preocupar. Passaram-se alguns minutos e nada. Não aguentei a ansiedade, ouvia o

coração dela acelerando a cada segundo e isso me angustiou. Bati na porta para que ela

me permitisse entrar.

– Você está bem? ... Está enjoada de novo?

– Sim ... e não. – Sua voz estava estranha.

– Bella? Posso, por favor, entrar?

– S...im?

Encontrei Bella sentada no chão do banheiro de frente para a mala com os olhos

assustados e fixos. Mas ela não disse nada. Me sentei ao seu lado para poder examiná-la

novamente. Ela estava com a temperatura normal, com a que me acostumei, mas ela

ainda olhava fixamente, suas pupilas estavam dilatadas e ela parecia não me ver.

– O que foi? – Chamei por ela até que ela piscou.

– Quantos dias se passaram desde que nos casamos? – Ela disse baixinho.

– Dezessete. – Por que isso era importante? – Bella, o que foi? – Mas ela me

interrompeu. Seus lábios tremiam e ela falava silenciosamente, até para mim. Ela

estava pensando, mas em que?

– Bella! Eu estou perdendo a cabeça aqui.

Bella pareceu tentar falar mas nada saiu. Eu estava muito ansioso. Toquei em

seu rosto, tentando virá-lo para mim, mas ela procurava algo na mala, até que

encontrou. Ela pegou uma caixinha azul e a olhava fixamente. Só um segundo depois

me dei conta que eram absorventes femininos. Eu sabia que Bella tinha mudanças de

humor nesse período, mas nada comparado a isso.

– O que? Você vai colocar a culpa do mal estar na TPM? – Não aceitei essa teoria mas

disse passando a minha mão por sua cintura.

– Não – Ela dizia ofegante, olhando nos meus olhos. – Não, Edward. Eu estou tentando

te dizer que a minha menstruação está cinco dias atrasada. – nesse momento a ficha

caiu. – Eu não acho que tenho intoxicação alimentar.

Eu simplesmente congelei nesse momento. A minha mente trabalhava sem parar

juntando todas as peças enquanto parte dela ouvia o que Bella dizia.

“– Os sonhos ... Dormindo demais. O choro. Toda a comida. Oh. Oh. Oh.”

Conforme Bella ia falando as peças iam se encaixando.“Choro, vômitos, fome

exagerada, apetite sexual descontrolado” eu ia pensando também. Minha mente

trabalhava conforme as lembranças voltavam sem parar. “Mestruação atrasada, seu

corpo mais arredondado”. Lembrei de um período em que Carslile trabalhou como

único médico numa cidadezinha no interior de Ohio há alguns anos. Lá o ajudei nas

situações cotidianas, em que o sangue não estava envolvido. Lembrei dos livros sobre

concepção e parto. Analizei cada página. Tudo se encaixava, mas não era possível. “Sou

um vampiro, pelos céus!”.

“– Oh!” – Bella disse e pela minha visão periférica a vi se levantando, mas

simplesmente não conseguia me mover.

“– Impossível” – Bella disse mais de uma vez baixinho em algum lugar.

Eu imaginava que isso realmente era impossível, nunca na história ouvimos falar

nisso. Haviam as crianças imortais, mas eram bebês que foram mordidos e

transformados, não gerados. Sabíamos das vampiras que se relacionavam com humanos

no intuito puro e simples do sexo, o Succumbus, como Tânia, mas ela nunca ficou

grávida, mesmo tendo relações sexuais com homens que eram plenamente capazes de

engravidar uma mulher. Sabíamos que haviam vampiros que seduziam mulheres,

tinham a relação sexual mas apenas como pretexto de a envolver mais, depois bebia seu

sangue.

Em minha mente tudo foi se encaixando e ficando mais claro. Minha garganta se

fechou completamente. Não sentia nada, absolutamente nada.

“Nunca houve um casal como eu e Bella, um vampiro que suportasse chegar tão

perto e resistir a tentação do sangue e do calor humano, sem matar. Bella era capaz de

ter filhos ... eu era um jovem rapaz, congelado na forma que estava quando Carslile me

transformou. Se naquela época eu poderia ter tido filhos, se assim o destino quizesse,

eu poderia ter agora?” Vi em minha mente a imagem de Charlie nos acusando.

Perguntando se Bella estaria grávida! Lembrei que naquele momento eu tinha a certesa

do impossível, agora não mais.

Meu corpo se enrijeceu quando juntando os fatos eu imaginei o que Bella

estaria carregando. “Ela está grávida de um bebê vampiro? De uma coisa ... um

monstro sedento por sangue. Isso vai matá-la!”.

Ring! Ring! Ring!

Ouvi o telefone tocar mas o pânico que sentia me impedia de ter qualquer

reação. Seria Alice? Ela teria visto algo? Vi Bella se ajoelhando e mexendo em meus

bolsos. Eu estava completamente em pânico. O medo do que poderia acontecer me

apavorava. Mas o que ia acontecer? Não dava para prever. “Talvez Carslile ...” . Meu

pensamento foi cortado quando ouvi Bella ao telefone.

– Oi Alice. – Bella cumprimentou Alice e foi respondendo. – Sim. Hum .... O Carlisle

está aí? ... Eu não estou... cem por cento... certa ... Eu não tenho certeza. – Seu corpo de

enrijeceu ao lado do meu e ela ofegou – O que você viu?

Então Alice tinha visto realmente algo. Algo forte o bastante para fazê-la ligar na

nossa Lua de Mel. Ela havia prometido privacidade, não nos encomodaria nem ficaria

vasculhando nossa vida. Ela tinha prometido. O que Alice tinha visto para que ela

quebrasse essa promessa? Alguns segundos se passaram e Bella não falava, mas o

telefone ainda estava com ela, quando o silêncio foi quebrado.

– Eu... Eu estou um pouco preocupada com o Edward... Vampiros podem entrar em

choque?

Ouvi então ao longe voz de Carslile do outro lado da linha. Fui tomando conta

de meus movimentos lentamente enquanto ouvia Bella falando.

– Não, não. Apenas... pego de surpresa. ... Eu acho... bem, eu acho que... talvez... eu

possa estar...Grávida.

“– Quando foi o primeiro dia do seu último ciclo menstrual?” Ouvi Carslile falando ao

telefone.

– Dezesseis dias antes do casamento.

“– Como você se sente?”

– Estranha. Isso vai parecer loucura ... olha, eu sei que é muito cedo para qualquer coisa

assim. Talvez eu esteja louca. Mas eu estou tendo sonhos bizarros e comendo o tempo

todo e chorando e vomitando e... e... eu juro que alguma coisa mexeu dentro de mim

agora.

Me assustei com a voz e as palavras de Bella e saí do transe que me encontrava.

“O monstro já estava se mexendo?” Estendi minha mão, pedindo o celular a Bella. Ela

me olhou espantada. Vi uma lágrima em seu rosto e isso me doeu forte. Precisava falar

com meu pai. Ter sua visão da situação.

– Hum, eu acho que o Edward quer falar com você.

“– Ponha ele na linha.”

Bella lentamente me entregou o telefone.

– Isso é possível? – Disse com a minha voz se esvaindo. A voz não saía por que minha

garganta ainda estava meio fechada.

“– É a única explicação, Edward. Bella tem todos os sintomas. Mas o problema pode

ser muito maior. Entenda, você é um vampiro, e ela humana, com sangue quente. O que

você acha que pode estar crescendo dentro dela? – Simplesmente não consegui

responder e ele continuou. – Isso pode ser muito perigoso e está evoluindo

rapidamente.”

– E a Bella? – O medo me inundou e a trouxe para perto de mim.

“– Sinceramente não sei ainda o que esperar, mas uma possibilidade existe. O que quer

que seja que Bella está carregando, pode querer se alimentar como nós, pode querer

sangue. E esse sangue será o de Bella. Mesmo sendo um vampiro ou humano usará o

corpo de Bella como alimento. Preciso examiná-la rapidamente. Você precisa voltar

agora, Edward!”

– Sim. Sim, eu vou.

Disse e logo desliguei. Eu já tinha o número da compania aérea na memória do

celular e fui logo discando.

– O que o Carlisle disse? – Bella quiz saber o que tínhamos conversado e a conclusão,

apesar de que ela já sabia.

– Ele acha que você está grávida. – Disse com a voz ainda falha, sussurrando.

– Para quem você está ligando agora?

– Para o aeroporto. Estamos indo para casa.

Nos levantamos e a coloquei na cama, sentada confortável enquanto eu ligava.

Calculei em quanto tempo estaríamos no continente e fui logo reservando, mas todos os

vôos da compania que viemos estavam lotados. Precisava procurar em outras. Na pior

das hipóteses teria que fretar um jatinho, mas de alguma forma estaríamos em casa

breve e Carslile poderia nos ajudar. Eu discuti com a moça da compania aérea até que

ela me conseguisse dois assentos na primeira classe de qualquer empresa que nos

levasse para casa. Bella ia precisar de todo conforto e espaço, e do jeito que eu estava

nervoso, não seria bom que nenhum humano estivesse por perto.

Eu ia falando ao telefone e recolhendo nossas coisas. Separei as nossas roupas e

coloque sobre a cama. Bella ficava sentada me observando até que se levantou, se

arrumou, depois saiu do quarto. A velocidade normal não era tolerável agora. Tínhamos

que partir imediatamente. Finalmente consegui um vôo. Liguei para casa, disse a

Carslile o número do nosso vôo e horário de chegada, e larguei o telefone sobre a

cômoda. Coloquei tudo na mala, as coisas que estavam no quarto e no banheiro. Um

som diferente chamou minha atenção. Era a respiração de Bella. “Ela está sofrendo ...

ela está chorando”.Como um raio segui seu faro e a encontrei na cozinha, de frente

para a janela.

– Bella? – Gritei por ela, desesperado na porta da cozinha. Ela se virou e vi seu rosto

úmido e assustado. – Bella! – Me aproximei rapidamente a tempo de aparar uma

lágrima. – Você está com dor?

– Não, não ... – Ela se fazia de forte, mesmo nesse momento. “Não é hora de se

esconder atrás dessa fachada forte, amor!”

– Não tenha medo. Nós vamos estar em casa em dezesseis horas. Você vai ficar bem. O

Carlisle vai estar pronto quando chegarmos lá. Nós vamos tomar conta disso, e você vai

ficar bem, você vai ficar bem.

– Tomar conta disso? O que você quer dizer? – Olhei em seus olhos e agora vi que o

medo a tomava.

– Nós vamos nos livrar dessa coisa antes que ela possa machucar qualquer parte de

você. Não fique com medo. Eu não vou deixar essa coisa te machucar. – Disse para

tranqüilizá-la.

– Essa coisa? – Ela estava com medo, definitivamente.

– Droga! Eu esqueci que o Gustavo tem que ser pago hoje. Eu vou me livrar deles

rápido e volto logo. – Disse quando ouvi a lancha de Gustavo atracando.

Dispensei Gustavo mas antes que eles voltassem, Kaurê, que segurava um prato

em sua mão, começou a insistir em deixar nosso jantar. Eu disse que estávamos indo

embora, que não era necessário, mas ela insistia. Na sua mente, vi que ela percebeu meu

nervosismo, mesmo quando Gustavo nem se dava conta. Ela reparava em pontos que

normalmente eram despercebidos pelos humanos, mas ela não falava claramente, ela

queria checar Bella. Insistia forçando um sorriso no rosto.

– Sua esposa adorará a comida Brasileira, Sr. Eduardo. – Ela dizia e seguia em direção

à casa.

Passei a sua frente e fui de encontro a Bella, para explicar. Vi que ela ainda tinha

o rosto úmido. Limpei sua face, sofrendo junto com ela.

– Ela insiste em deixar a comida que ela trouxe, ela nos fez o jantar. ... É uma desculpa,

ela quer ter certeza que eu ainda não te matei.

Bella ficou um pouco preocupada, seus olhos se arregalaram quando Kaurê

entrou e colocou o prato sobre a mesa.

– Seu jantar senhora. – Disse Kaurê, mas Bella não entendia português. Ela olhava os

olhos de Bella e em sua mente as suas expectativas foram se confirmando.

– Muito obrigado, agora você poderia nos deixar a sós? – Disse num tom mais rude.

Não estava nos meus melhores dias.

A mulher me obedeceu mas quando se virou jogou o ar na nossa direção, foi o

que bastou. O corpo de Bella se enrijeceu e ela voltou a vomitar copiosamente na pia da

cozinha. “O cheiro da comida!”, pensei. Rapidamente joguei o prato na geladeira para

parar o cheiro e voltei para a pia. Eu segurava seu cabelo e acariciava sua face. Quando

Bella terminou e lavou sua boca, virei seu corpo em direção ao meu e a abraçei forte.

Percebi naquela hora que Kaurê ainda estava aqui, isso tinha me escapado. Na

sua mente vi Bella abraçada a mim e com a mão sobre o ventre. Kaurê agora confirmou

suas dúvidas e ela arfou. O choque pelas imagens que surgiam na cabeça de Kaurê me

assustaram. Ela lembrava nitidamente das lendas de seu povo. Ela teve pena de Bella na

mesma hora e estendeu a mão, querendo arrancar Bella de mim.

Trouxe Bella para as minhas costas, protegendo-a das palavras e da fúria daquela

mulher.

– Lobisomem. – Kaure gritava e vinha na nossa direção. – Não vou permitir que você a

machuque. Mê de ela, vamos cuidar dela!

– Não! – Dei um passo a frente, com Bella segurando meu braço. Começei a explicar a

nossa situação, em em tupi, a língua nativa de sua tribo. – Eu a amo, ela é minha

esposa! Nós não sabiamos que isso era possível! Estamos indo embora procurar uma

pessoa para nos ajudar. Eu a amo e vou salvá-la! Por favor vá embora, preciso ajudá-la!

Kaure se assutou quando começei a falar na sua língua. Ela ficou me observando

e a pena por nossa situação foi nascendo em sua mente.

– Quando descobriram?

– Hoje, há aproximadamente 2 horas. Não sabemos o que ela está carregando, mas está

crescendo rápido. Acho que a está consumindo. Eu sei o que você pensa e vejo na sua

mente que sua tribo sabe dessas coisas. Como vocês lidaram com isso? Preciso saber!

Preciso salvá-la? – Me virei tocando no rosto da “minha vida”. E vi Kaurê fazendo o

sinal da cruz.

– Você a condenou!

– Por favor me ajude. Preciso saber. Apenas pense que verei. – Disse estendendo minha

mão, mostrando Bella. Kaure nos olhava assustada.

– Entenda. A barriga dela crescerá rapidamente, ela ficará enorme em pouco tempo, e a

criatura sairá daí a matando. – Ela disse e fez a mímica, depois de dar mais um passo em

nossa direção. – Quando vocês irão?

– Estaremos em casa daqui a 16 horas. Temos um médico nos esperando.

– Seja rápido se quer salvá-la.

– Por que?

– Depois de alguns dias será impossível tirar o monstro.

– O que acontecerá? – Vi a cena em sua mente, era como se ela já tivesse visto algo

como isso.

– Morte. – Karure disse ao se aproximar de Bella, colocando a mão levemente sobre

seu ventre, suspirou e foi embora.

Me sentia impotente. Não conseguia me mexer novamente. Eu olhava a mulher

saindo da casa e pensava. “Não ... não permitirei!”, eu gritava em minha mente. “ Não a

minha Bella, não a minha vida. Não posso deixa-la ... não posso deixar que isso

aconteça. Eu a amo tanto ... que dor ...”. Minha mente girava e minha garganta se

fechava com as imagens mentais de Kaurê. Eles se foram, a mulher e Gustavo partiram

sem Kaure revelar a Gustavo o que tinha se passado aqui dentro. Bella estava estática ao

meu lado. Não dizia nada, só pensava. Ela ficou o tempo todo assim, parada com a mão

em seu ventre até que se mexeu, saindo da cozinha. Eu não queria ficar longe dela, nem

por um minuto, como se o nosso tempo não fosse suficiente, eu precisava estar com ela,

ela precisava de mim, agora mais do que nunca.

– Aonde você está indo? – Forcei a voz pela minha garganta que queimava agora, mas

não pela sede, mas pela dor.

– Escovar meus dentes de novo.

– Não se preocupe sobre o que ela disse. Não são nada mais que lendas, mentiras

antigas para diversão. – Tentei explicar, acalmá-la caso ela tenha entendido algo.

– Eu não entendi nada. – Ela me falou num tom despreocupado. Eu não acreditei, mas

não valia a pena discutir por isso, precisávamos ir o mais rápido possível, o horário do

vôo estava apertado.

– Eu empacotei sua escova. Eu vou pegar para você. – Fui até a mala e peguei sua

necessaire.

– Nós vamos embora em breve?

– Assim que você acabar.

Eu estava muito nervoso, se antes a angústia me fazia congelar, agora a agonia

me deixou inquieto. Assim que Bella terminou coloquei na mala e a fechei.

– Eu vou levar as malas para o barco. – Disse a ela, acariciando sua face antes de sair.

“Não vou demorar meu amor”.

– Edward... – Ela me chamou antes de eu sair e eu me virei.

– Sim?

– Você pode... empacotar um pouco de comida? Você sabe, só em caso de eu ficar com

fome de novo. – Ela me pediu com os olhos suplicantes. Bella estava nervosa. Seu

coração estava acelerado e eu via a angústia em seu rosto.

– Claro. – “Vou fazer tudo que você quizer meu amor” – Não se preocupe com nada,

nós vamos chegar até Carlisle em algumas horas, realmente. Isso vai acabar logo. – Foi

uma promessa. Ela assentiu e eu segui para a cozinha.

Na cozinha peguei todos os pacotes de pretzels e biscoitos que tínhamos e

coloquei numa bagagem de mão, assim não teríamos problemas no embarque. Disparei

para o deck e coloquei rapidamente as malas na lancha. Lembrei que precisaríamos de

transporte no continente até o aeroporto. Na situação de Bella e com toda essa bagagem,

não poderia simplesmente colocá-la nas minhas costas e correr. Coloquei minha mão no

bolso em busca do celular mas ele não estava alí. “Onde está meu celular?” pensei.

Voltei para buscar Bella e procurar o celular. A encontrei no nosso quarto com o celular

na mão.

– Você esqueceu. – Ela disse me entregando o aparelho.

– Vamos agora? – Ela assentiu. – Deixe carregá-la, não quero que se canse.

– Me deixe ir ao banheiro primeiro.

Peguei Bella em meus braços logo que ela saiu do banheiro e fomos para a

lancha. Antes de partirmos liguei para uma empresa de táxi e solicitei um carro para nos

levar ao aeroporto. Bella parecia calma e concordou com tudo o que eu fazia ou pedia e

isso não era natural dela. Normalmente Bella tinhas suas próprias opiniões e vontades,

mas hoje isso não me incomodaria. O que ela quizesse eu faria para sairmos o mais

rápido possível e voltarmos para casa, onde Carslile já nos esperava.

Segui rapidamente para o continente, encurtando a viagem em pelo menos 1

hora do normal. Assim que chegamos na marina já estava anoitecendo e o táxi nos

esperava. Fomos direto para o aeroporto.

Bella permanecia calada, só não tirava os olhos de mim. Eu estava muito

agitado, mas precisava manter a pose de tranquilidade para ela. Percebi que cada vez

que eu demonstrava uma iritação, seja pelo trânsito, seja pela lentidão na fila do

embarque ou quando o avião custou a decolar, uma ruga aparecia em sua testa. Ela

estava sofrendo, mas não parecia uma dor física, era estranho o sentimento que me

invadia quando isso acontecia.

Assim que o avião decolou Bella adormeceu em meus braços. Ela parecia

tranquila, até sorriu um pouco dormindo. Depois de duas horas de vôo Bella despertou

assustada, levou sua mão à boca e me olhou assustada. “Ela quer vomitar!”. Levei-a em

meus braços até o banheiro com as aeromoças nos seguindo.

– O que ela tem? Podemos ajudar? – Uma delas perguntou.

– Minha esposa está grávida. – Dei a única resposta que me veio a cabeça. Assim elas

não nos encomodariam.

– Parabéns, Sr. Caso necessitem de algo, não se preocupem em pedir. – Disse a

aeromoça sorrindo ao nos dar mais privacidade.

Bella logo se recuperou e me olhou sorrindo. Ela parecia bem melhor. Voltamos

para nossos assentos calmamente evitando movimentos bruscos.

– Estou com fome. Ainda tem daqueles biscoitos? – Ela me falou.

– Mas você acabou de vomitar, Bella. Acho melhor você esperar um pouco.

– Mas eu quero. – Ela me olhou suplicando. Claro que eu atendi sua vontade. Não me

incomodava.

Bella adormeceu logo depois. O vôo então foi tranquilo, Bella não se sentiu mal.

Quando o avião começou o procedimento de descida ela já estava acordade e começou a

ficar mais nervosa, mas não falava nada. Fiquei mais aliviado quando vi que minha

família nos esperava no portão de desembarque. Todos estavam lá ... inclusive ...

Rosalie?

– Finalmente. – Disse Rosalie e vi na mente dela a imagem de Bella grávida, mas não

como estava agora, com a barriga grande. Em sua mente também ouvia uma conversa

entre elas. “Bella ligou para Rosalie? Justo para Rosalie! Por que?” Minha pergunta

foi logo respondida.

Bella soltou de minha mão e correu para os braços de Rosalie enquanto eu

absorvia o pensamento de todos.

– Segurem ele. – Gritou Alice um segundo antes de eu entender tudo.

Bella havia tomado a decisão lá mesmo na ilha, e de lá ligou para Rosalie de

meu celular. Eu o havia esquecido dentro de casa. Bella estava decidida a levar a

gravidez do monstro à diante, mesmo sabendo do risco que estava correndo. Emmet

logo me deu um aperto de aço, impedindo que eu fizesse uma cena alí mesmo. Eu

queria acabar com Rosalie por estar apoiando e protegendo Bella ... de mim.

– Você não pode fazer isso, Bella! – Disse olhando em seus olhos, suplicando.

– Não posso matá-lo Edward ... não posso. – Bella chorava nos braços de Rosalie.

– Eu te amo, não faça isso conosco!

– Eu não posso Edward ... eu não posso. – Ela chorava com a mão sobre a barriga.

Senti nesse momento uma dor muito forte que percorreu todo meu corpo, era tão

forte que quase não conseguia ficar de pé. Ouvia e via na mente de todos tudo o que

aconteceu aqui, desde a descoberta da gravidez de Bella. E o que mais me assustou foi

ver na mente de Alice a visão onde Bella desaparecia a cada dia.