domingo, 2 de janeiro de 2011

3. Desejo Ardente


 Depois de três horas caminhando embaixo do sol , minha cabeça doia, minhas pernas pesavam como chumbo pelo esforço de andar na areia e a garganta estava trincando de tão seca pela sede. O pior era que,  as benditas pirâmides ainda pareciam estar na mesma distância do começo da minha caminhada. Senti um começo de pânico.   
- Respira Bella! - murmurei. Olhei em volta, mas, tudo o que via era um mar de areia alaranjado. Aliás, tudo ali tinha essa cor...as pirâmides, a areia, o sol...Continuei caminhando, o ar entrava quente em meus pulmões. Caí algumas vezes, o corpo no limite das minhas forças.  
Achei que morreria no deserto de insolação e desidratada. Pensei em meus pais e no Jake...Quando eles dessem por minha falta provavelmente seria tarde. Lágrimas caíam pelo meu rosto e eu me maldisse mais uma vez por ter me aventurado de maneira tão irresponsável.
O preço disso poderia ser a minha vida.  
- Eu não vou morrer! - exclamei entredentes. De pura teimosia forcei as pernas e continuei andando em direção as pirâmides. O sol formava ondas de calor no ar turvando a visão. Estava pensando nisso quando eu ví de longe o que me parecia um grupo de nômades. Estavam vestidos de preto alguns em camelos outros em cavalos.
Era um grupo bem grande.   Tentei gritar, mas, a minha garganta estava muito seca e meu grito saiu mais como um grunhido, então eu levantei os braços acenando como uma louca, usando o restinho de energia que havia em meu corpo na tentativa de chamar a atenção sobre mim... Um dos cavalos se separou do grupo e veio em minha direção. Cai de joelhos exausta e aliviada. Estava salva!  
Um homem alto, vestido com roupa preta tipica dos nômades do deserto (Tunica longa preta sobre calças compridas e um turbante na cabeça) com um tecido enrolado no rosto deixando somente os olhos de fora se aproximou de mim, falando em árabe.
Com dificuldade levantei a cabeça e ví dois olhos verdes como esmeraldas me fitando com preocupação. A última coisa que percebi, foi que os seus braços fortes me seguraram antes da escuridão me tomar.  
Despertei com a percepção de que estava deitada num lugar macio e fresco.
Não havia sol naquele lugar...permaneci com os olhos fechados usufruindo da sensação agradável! Será que eu morrí? Esse pensamento me fez abrir os olhos e ví uma mulher jovem, vestindo uma burka preta me olhando de perto. Ela sorriu para mim e levantou fazendo menção de sair da tenda onde estavamos.  
- Espere! - chamei  com voz rouca esticando o braço em sua direção. Ela parou e me fitou com grandes olhos negros.
- Você fala a minha língua? - perguntei depois de pigarrear tentando limpar a garganta. Ela murmurou alguma coisa em árabe e, cobrindo a cabeça com um véu saiu da tenda.  
Passei a vista pelo local. Estava numa tenda grande, tinha um imenso tapete persa cobrindo o chão de areia e um outro onde eu estava deitada em cima, feito de pele de carneiro. Algumas almofadas de seda me serviam de recosto. Suspirei e sentei com algum esforço.
Minutos depois a moça retornou seguida por uma figura alta, provavelmente o líder da caravana.   Ele estava sem o lenço e pude ver o seu rosto de uma beleza máscula. Os olhos verdes num tom profundo, o nariz reto, o queixo forte com um pequeno furinho. A única coisa que destoava daquele rosto altamente másculo era a sua boca. Seus lábios rosados pareciam macios...Ele deu um sorriso torto ao perceber minha admiração muda diante da sua beleza. Reconheci pelos olhos que aquele tinha sido o meu salvador.  
- Vo..Você fala a minha lingua? - perguntei com voz ainda rouca e levei a mão à garganta. Ele falou em árabe com a moça que se afastou e voltou com uma moringa de água para mim. Bebí com sofreguidão sentindo a água descer pela garganta aliviando toda a secura do meu corpo. - Obrigada. - falei depois de beber toda a água.  
- Agradeço por ter me ajudado. Se não fosse você eu estaria morta, neste momento.- disse a voz mais normal agora. Ele ficou em silêncio. O seu olhar me avaliando atentamente. Comecei a me sentir ruborizada. Ele ergueu uma sobrancelha e depois o seu sorriso se alargou.  
- Que bom que eu te divirto. - falei sem saber se ele entendia inglês. - Mas, ninguém aqui fala o meu idioma? Inglês?- insisti. Ele se virou e falou em árabe novamente com uma mulher. A voz dele era macia e rouca, em outro momento certamente acharia até sexy, mas, não nesse. Agora estava tentando imaginar como faria para voltar para o hotel ou pelo menos para a escavação.  
Ficamos parados nos olhando fixamente. Ele tinha um olhar penetrante, sustentei o olhar e me perdi nele. Não sei quanto tempo se passou até a mulher voltar seguida por outras que traziam uma enorme bacia de madeira, jarras de água e roupas de um fino tecido bordado e sapatilhas. Ele falou com a mais velha aparentemente dando instruções. A mulher assentia com a cabeça olhando ora para ele, ora para mim.
Depois disso ele me deu mais uma olhada e se retirou da Tenda.  
- Eu...Nura. - disse apontando para si. - Bella. - eu disse apontando para mim e ela sorriu. As outras mulheres se aproximaram rindo. Foram se apresentando... Ragda era a alta e forte, Samia a de estatura mediana e magrinha, a a baixinha morena que estava comigo quando acordei se chamava Mona.   
 - Elas não falar ingles . Eu falar pouco - disse Nura.
- Nura. Eu preciso ir embora, entende? - fiz um gesto com a mão apontando para mim e depois com dois dedos para baixo como se tivesse caminhando. As mulheres riam e Nura balançou a cabeça.  
- Muito perigo, Bella morrer. Banho agora - disse ela apontando para a banheira de madeira onde Samia e Ragda me aguardavam para ajudar. Quis protestar, mas desisti. Água naquele lugar era mais precioso do que o petróleo e era uma grande gentileza me oferecer o banho.
Seria muito indelicado e até mesmo rude com aquela gente que me salvou recusar. Levantei resignada e segui a Nura. As moças se aproximaram de mim sorrindo e começaram a tirar as minhas roupas.  
- Pode deixar que eu tiro - eu disse, mas, elas empurraram as minhas mãos rindo e continuaram indiferentes aos meus protestos. Resolvi permitir que elas cuidassem de mim.
 - Bella entrar - Nura disse apontando para a bacia. Entrei lá e as duas mulheres jogaram água das jarras sobre minha cabeça e o meu corpo. Enquanto uma lavava os meus cabelos com um shampoo de perfume exótico e delicioso, a outra com uma bucha cheia de sabonete líquido esfregava o meu corpo.  
Eu tapei o meu sexo com uma das mãos e estendi a outra pedindo o sabonete...elas se entreolharam e caíram na gargalhada, espreiando em seguida, sabonete líquido na minha mão. Eu me ajoelhei enquanto ensaboava as minhas partes intimas, tirando o sabão em seguida com a água limpa que estava na bacia. Elas jogaram água na minha cabeça e no meu corpo para tirar todo vestigio de sabonete e shampoo. A Mona se aproximou com uma toalha gigante aberta e me enrolou nela.  
Depois que eu sai da bacia, Ragda, Samia e a Mona sairam levando a bacia e as jarras e as minha roupas embora. Fiquei sozinha com a Nura que apontou para as roupas que tinham trazido.
- Bella vestir isso - empurrou uma túnica de seda vermelha ricamente bordado com fios dourados na frente e uma sapatilha que, surpreendemente coube no meu pé, de cetim com bordados no peito do pé. A roupa era extrmamente confortável, mas, a falta da roupa íntima me deixou um pouco inibida.  
Nura começou a pentear os meus cabelos suavemente enquanto cantava uma bonita canção árabe, Não entendia uma palavra, mas, a melodia era tinha uma nota de melancolia.Quando ela terminou eu me virei para ela.
- Obrigada, Nura. - disse sincera e ela sorriu.
- Nura, eu preciso ir embora.Tem pessoas esperando por mim que estão preocupadas, entende?.  - falei devagar e ví pelo brilho dos seus olhos que ela entendia. - Fale com seu líder por mim, por favor, Nura.- pedi. Ela balançou a cabeça e desandou a falar em árabe. Depois saiu para fora da tenda.  
Fiquei estarrecida.O que estava acontecendo? Cheguei a sair da tenda. Havia muitos homens lá e todos pareceram parar o que estavam fazendo para olhar para mim. Inibida por estar sem roupa intima no meio de todos aqueles homens resolvi voltar para dentro e esperar alguém aparacer.  
As mulheres voltaram com algumas tijelas contendo tâmaras e damascos secos, queijos, uma coalhada seca, pão árabe e azeitonas.
- Bella comer. - Nura falou no ingles ruim dela.  
- Bella "querer" falar com lider. - disse para ela que sorriu assentindo
- Depois líder vem. Bella comer agora - insistiu e eu sentei nas almofadas e comecei a comer. Sentia fome e não me fiz de rogada. Nura assistia eu devorar a comida com um sorriso nos lábios.  
 Ela colocou uma bebida no meu copo e eu senti um leve cheiro de aniz. Ele fez um gesto para eu virar e beber de uma vez. E foi o que fiz! A bebida desceu queimando. Apesar do cheiro ser suave o sabor era forte . Ela me ofereceu mais um e eu tomei virando outra vez e, em poucos minutos eu estava aquecida, relaxada e sorrindo. Quando acabei de comer as mulheres recolheram os pratos e sairam.  
Eu recostei nas almofadas esperando o lider chegar. Acabei adormecendo abraçada a uma da almofadas e sonhei com aquele árabe lindo se aproximando de mim e afastando do meu rosto uma mecha de cabelo que caira diante dos meus olhos.
- Bons sonhos, Bella. - ouvi sua voz rouca murmurar num perfeito inglês  
Acordei com as mulheres entrando na tenda sorrindo em grande alegria e  trazendo pão com manteiga, biscoitos e café para mim. Nura trouxe escova de dente, creme dental, uma toalha de rosto e uma bacia com água. Fiquei feliz de poder manter os meus hábitos de higiene no meio do deserto. Estava surpresa por eles estarem tão abastecidos com coisas do mundo "civilizado". Afinal eles eram nômades do deserto, não eram?  
Após a minha higiene matinal eu tomei o meu cafe da manhã. As minhas roupas foram devolvidas limpas e prontamente as vesti. Assim eu me sentia mais eu e capaz de enfrentar o seu lider e todos os outros homens que aparecessem na minha frente. 
Estava terminando o meu café da manhã quando ele entrou na tenda. Ele falou alguma coisa em árabe para as mulheres que saíram cochichando entre si e rindo.  
- Você está com uma aparência melhor, hoje. Sou Edward Mansen, lider dessa gente - ele disse num inglês de fazer inveja a muitos compatriotas meus ! Meu queixo caiu.
- Você fala inglês! - afirmei o óbvio.- Porque escondeu isso de mim? Porque não conversou comigo ontem?- indaguei curiosa e irritada.
 - Você não tinha nem consciência do que dizia ontem. Tomou muito sol na cabeça e estava desidratada.- disse dando aquele sorriso torto.  
- Bom mas, hoje eu sei exatamente o que estou falando.- disse indignada. -  Então, agradeço a sua hospitalidade e peço por gentileza que me forneça um guia com cavalos ou camelos para que eu possa chegar no meu destino. - pedí  e fiquei atônita diante da sonora gargalhada que ele deu.
- Posso saber o motivo disso? - perguntei o rosto vermelho de raiva. Ele parou e sorrir e ficou perscrutando o meu rosto atentamente.  
- Não posso deslocar um homem meu para levá-la daqui Bella.- disse e eu estremeci ao ouvir meu nome dito por ele com aquela voz macia. - Estaria pondo em risco não só a sua vida mas, a vida de um dos meus.- disse sério.
- E por que acha isso? - quis saber
- Por que o deserto é perigoso Bella. Quando não são os ladrões que roubam e matam, são as cobras ou os escorpiões. - eu estremeci levemente com o tom sério dele.  
- Pelo menos me ceda um cavalo que eu irei sozinha. Eu assumo os riscos. - pedi - Não posso fazer isso. - ele negou.
- Bom, então o que você sugere? Que eu viva como nômade pelo resto da minha vida junto com sua gente? - perguntei petulante.  
Ele estreitou os olhos perigosamente e seus lábios se espremeram numa linha como se estivesse segurando um desaforo.
- Não é preciso tanto. Estamos a caminho de casa. De lá poderei oferecer um carro com um motorista que a leve em segurança para onde quiser.
- E isso seria em quantos dias? - perguntei  analisando a sua proposta.  
- Em três dias. - respondeu ele.
- Três dias! Eu não posso demorar tanto.Tem pessoas me esperando. Se eu não aparecer antes disso vou causar grande transtorno. - disse angustiada. - Por favor, me ceda um cavalo! Eu pagarei por ele assim que chegar ao meu destino. - disse os lábios tremendo e segurando as lágrimas que enchiam meus olhos.   Ele me olhou sério por uns segundos e depois balançou a cabeça.
- Eu sinto muito. - disse e saiu sem dar tempo de me recuperar do choque.   Quando finalmente cai em mim, resolvi agir. Se ele não queria me ajudar eu daria um outro jeito. Sai da tenda para fazer um reconhecimento da área. Busquei as pirâmides e  avistei-as um pouco a oeste de onde estávamos. Não muito mais longe com certeza do que estava quando fui encontrada. Voltei para a tenda, troquei as sapatinhas pelas botas, peguei o meu chapéu e um pouco de água e alguns pedaços de pão seria o suficiente para chegar até lá caminhando.   
Os homens pararam para me ver passar e continuei caminhando em direção as pirâmides. Não estava longe quando ouvi o galope de um cavalo atrás de mim. Parei e olhei para cima vendo Edward chegar num enorme cavalo negro.
 - O que diabos pensa que está fazendo? - perguntou ele com os olhos brilhando de fúria.
- Estou exercendo o meu direito de cidadã livre de ir e vir. E, neste momento estou indo para as piramides a pé, já que você se nega a me ceder um cavalo para que eu chegue até lá mais rápido.- disse desafiante. Ele desceu do cavalo e se aproximou de mim me pegando pelos pulsos.
- Você está louca?Quer morrer? Ninguém em sã consciência desafia o deserto como está fazendo e escapa vivo! - falou entre dentes.
- Isso é problema meu! - disse enguendo o queixo Ele soltou um palavrão e, sem que eu esperasse me pegou nos braços me jogando sobre os ombros. Subiu no cavalo e voltou a galope para o acampamento, me prendendo na frente do seu corpo. Quando chegamos lá ele desceu e me colocou em pé. Os homes riam as gargalhadas falando alguma coisa em árabe para ele que o fez dar aquele sorrisinho torto que eu odiava. Empurrei ele na frente de todos e fui marchando de volta para a tenda, as risadas soaram mais alto e eu imaginei que agora realmente tinha me encrencado ao desafiá-lo na frente de todos.  
Não tive que esperar muito. O diabo em pessoa entrou tenda adentro e me pegou pelo pulso, os olhos brilhando em fúria. 
- Me solta. Você esta me machucado! - gritei tentando puxar o braço como não consegui me soltar dei um chute na canela dele. Ele praguejou em árabe me soltando, mas, só para em seguida me pegar pelos ombros e sacudir. Ficamos nos encarando, ambos furiosos. Seus olhos desceram para meus lábios e, por um momento achei que ele fosse me beijar.
- Não teste a minha paciência, Bella - falou pausadamente. - Pelo visto serei obrigado a protegê-la de si mesma. - Falou me soltando.
- O que quer dizer com isso? - perguntei temerosa com a ameaça implicita na sua frase.
 - Quero dizer que já que você age como criança, será tratada como tal. A partir de hoje e até chegarmos a minha casa vc tera um vigia dia e noite na sua porta para que não tenha a idéia idiota de hoje, outra vez.
- Você não pode me manter prisioneira como se eu pertecesse a você. - disse desafiando-o. 
 - Veremos. - disse e saiu me deixando boquiaberta.


Notas finais do capítulo

Huuuum...adoro quando ele faz assim...Edward dominante, machão e autoritário. Me domina que sou sua....ai,ai...e vcs, gostaram?