domingo, 2 de janeiro de 2011

2. Desejo Ardente


Segundo a mitologia egípcia, o deus Rá, após passar a noite lutando contra a serpente Apopis. Simbolicamente vencia a morte renascendo todas as manhãs, quando navegava pelos céus em uma barca solar.
O faraó, igualmente, após enfrentar a morte renasceria para navegar no Nilo celeste em companhia dos deuses. No funeral de cada faraó, barcas solares eram preparadas para tal intento. Qual não foi a surpresa dos arqueólogos ao encontrarem na década de 1950 uma das barcas solares de Quéops inteiramente intacta aos pés da grande pirâmide!
Após restaurada, a barca passou a ser exibida em um museu no local onde foi encontrada. Totalmente em madeira de cedro, tem impressionantes 43,6 metros. A proa desta impressionante barca se eleva a sete metros, com remos medindo oito metros.  
Para entrar no museu da barca solar é necessário pagar um ingresso à parte, que valeu cada centavo.
Fiquei encantada com essa, entre outras tantas relíqueas e tesouros arqueológicos expostos no museu.Saíndo de lá fomos procurar um local para almoçar. Como o Jake torcei o nariz para a comida tipica, resolvemos procurar um Mac Donald's.  
Uma curiosidade é que, em meio deste grande contraste do moderno e do arcaico que é o Cairo, podemos nos deparar com situações surreais como a tranqüilidade do jovem pastor de cabras, que atravessa uma avenida placidamente conduzindo seu rebanho por entre os carros e a moçada que faz lanche no Mc Donalds,  sendo servida por uma garota que usa lenço e roupas que cobrem o corpo totalmente por baixo do uniforme da cadeia americana de fast food.  
Jake e eu escolhemos um Big Mac cada com batatas fritas e coca-coca. Nada poderia ser mais americano do que aquilo. Depois que comemos resolvemos voltar para o hotel para tomarmos um banho, estavamos ambos suados pelo calor intenso que fazia e, esperar o sol baixar mais um pouco antes de sairmos novamente.
Quando o sol baixou um pouco  decidimos sair para visitar A mesquita Fatama al-Zahraa. Fundada no século X, a mesquita e universidade de El-Azhar foi batizada em homenagem à filha do profeta Maomé, Fatama al-Zahraa, mas o nome pode também ser interpretado em árabe como “a iluminada” ou ainda “a mais brilhante”.  
A belíssima arquitetura de Al-Ahzar é decorrência de diversas influências arquitetônicas ao longo dos séculos, demonstrando todas as fases históricas do Egito, desde as dinastias Fatimídicas, passando pelos sunitas, otomanos e mamelucos. Há cinco minaretes (fato único no mundo) e uma arquitetura de intrincados padrões em pedra e painéis decorativos em madeira. A área coberta pode também ser visitada quando não há orações.  
Os visitantes são muito bem recebidos na mesquita, e os estudiosos do islamismo fornecem gratuitamente livros e CDs com ensinamentos religiosos em diversas línguas para que o turista possa conhecer um pouco mais da religião do profeta. As mulheres precisam vestir uma túnica para cobrir todo o corpo, que é fornecida no próprio local.   
Era belo o conjunto de minatetes, arcadas e padrões em entalhes e relevos da mesquita.   O seu interior era decorado com pintura na madeira e belos candelabros. O piso inteiro era forrado por tapetes ricamente trabalhados.
Quando terminamos a visita resolvemos voltar para o hotel e jantar por lá mesmo. Nosso fuso horário ainda estava desregulando e o passeio nos cansou um pouco. Por esse motivo, resolvemos jantar no Hotel mesmo.  
No dia seguinte eu iria encontrar o meu ex-professor de arqueologia e decidi que já havia adiado muito o assunto. Estava na hora de falar com o Jacob. Convidei-o para tomar um refresco comigo na minha suíte o que ele aceitou prontamente.
Quando chegamos lá, peguei o telefone para fazer o pedido enquanto observava Jacob que se sentava na cama. Pedí uma jarra de suco de Tâmaras bem gelado e dois copos para o serviço de quarto e fui sentar ao lado dele. Jacob me abraçou e beijou carinhosamente.  
- Jake...- comecei hesitante pegando em suas mãos
- O que é? - perguntou percebendo que eu estava cheia de dedos para falar.   - Você sabe como eu amo tudo isso, não é? - perguntei e ele assentiu
- Quando soube que ganharia as passagens para vir até aqui, eu entrei em contato com um ex-professor meu de arqueologia que está comandando uma escavação aqui no Egito. Ele me convidou para participar por uns dias da sua escavação e eu aceitei. - disse enquanto fazia um carinho em seus cabelos.  
- Tudo bem Bella. Eu vou com você. - disse ele com um suspiro resignado.
- É esse  extamente o problema. Não posso levá-lo - aguardei enquanto Jake parecia digerir o que ouviu.   
- Você não acha que eu deveria ter sido consultado antes de ter aceitado o convite? - Perguntou um pouco tenso - Afinal, Bella eu vim com você nessa viagem para estar ao seu lado e não para ficar sozinho. - ele reclamou me tirando do seu colo e levantando.  
- Jake, por favor tente entender. Essa é uma oportunidade única para mim.  - vi pela sua expressão que ele não estava comovido pela minha súplica e tentei outra tática.
- Serão só alguns poucos dias e isso será muito importante para o meu currículo no futuro. E você me terá para sempre. - disse tentando abrandar um pouco a sua raiva.  
- Quantos dias, Bella? - perguntou ele desanimado
- Três a quatro dias, Jake. Não mais do que isso, eu prometo. - respondi caminhando em sua direção para abraçá-lo. Eu entendi porque ele ficou chateado.
- Tudo bem.Vou aproveitar e visitar uns museus por aqui. Estou mesmo precisando enriquecer meus conhecimentos sobre essa cultura já que minha futiura esposa será uma arqueóloga. - disse eu eu o beijei feliz por ele ser tão compreensivo. As vezes eu pensava que não merecia tanta dedicação do Jake.  
Uma batida na porta interrompeu o beijo e fui atender depois de lutar sorrindo para sair do seu abraço. Um funcionário do hotel deixou o suco e os copos na mesinha e saiu feliz após receber uma gorjeta.  
- Que suco estranho é esse? _ perguntou Jack fazendo careta para a cor ligeiramente marrom do suco.
- Tâmaras é muito gostoso e altamente revigorante. - respondi entregando um copo pra ele, enquanto bebericava o meu. O sabor era ligeiramente azedinho e doce e muito refrescante. jake ficou olhando no meu rosto para ver a minha reação quando bebi antes de arriscar tomar um gole da bebida. Eu rí com a careta que ele fez.  
- Isso é mais azedo do que limão! - falou bebendo outro gole - Mas, acho que gosto. - Aprovou afinal. ficamos um pouco mais por ali´deitados na cama, conversando sobre a beleza do que tinhamos visto hoje e fazendo carinho um no outro.  
- Eu acho um absurdo que a gente  tenha que dormir em quartos separados, Bella. Isso não faz muito sentido para mim. - reclamou ele após um beijo.
- Jacob Black! Já conversamos sobre isso e você concordou em esperar que eu estivesse pronta.- disse empurrando ele de cima de mim.  
- Eu sei. - disse e seu sorriso mais parecia uma careta.- Hora de dormir. - disse estendendo a mão para me ajudar a levantar. Eu aceitei a sua mão e o abracei pela cintura recostando a cabeça no seu peito.  
- Eu te amo Jake. - disse estreitando o abraço.
- Hey! Eu também te amo, Bells. Não fique triste. Está tudo bem. - ele me garantiu.  
- Amanhã partirei logo cedo, mas, 3 ou 4 dias passarão voando.- disse sorrindo para ele que assentiu.Jacob me deu um beijo na ponta do nariz se despedindo e foi para o seu próprio quarto.
Me despi e deitei tentando ignorar uma pontinha de remorso por deixá-lo lá sozinho e, logo depois caia no sono exausta.  
No dia seguinte acordei logo cedo.Arrumei uma mochila com alguma peças de roupa, o meu protetor solar e as ferramentas que usaria da escavação. Vesti uma calça cargo de algodão na cor caqui, uma regata canelada no mesmo tom e uma camisa de linho branco por cima com as mangas dobradas até o cotovelo.
Calcei botas própria para usar em escavações. Peguei o meu chapéu e os osculos escuros e desci para tomar café antes de sair. O meu professor dissera que próximo ao hotel onde estava hospedada haviam guias que levavam os  turistas para as pirâmides e outros passeios pelo deserto e que poderia contratar um por lá para me levar até as escavações que era proximo das Piramides de Gizé.  
Não precisei caminhar muito para ver dois homens com camelos parados e conversando em árabe. Assim que me viram foram logo  me abordando
- Guia, miss? - um deles perguntou num inglês sofrível. - Sim. Na realidade preciso. Tenho que chegar numa escavação arqueológica próximo as piramides de Gizé. Pode me levar lá? - perguntei
- Sim, miss. - disse com um sorriso que me causou um arrepio de medo. Deixando a cisma de lado encarei-o séria.
- Quanto me cobrará para me levar agora? - perguntei. - 150 dólares Miss - falou mostrando os dentes.
- Tudo isso? - me surpreendi. Achava que ele estava me explorando, mas, não tinha mais nenhum homem ou camelo por perto para tentar negociar, era pegar ou largar, então eu peguei.
- Tudo bem - disse resignada. Ele fez o camelo abaixar e me ajudou a subir. Acomodou a minha mochila e pegando as rédeas do meu camelo subiu no dele e partiu me puxando enquanto eu tentava me equilibrar em cima do camelo. As piramides dava para se avistar ao longe mas eu sabia que a viagem demoraria horas antes de chegar ao final.  
Estavamos na viagem a pelo menos tres horas e, já me sentia um tanto cansada. Andar de camelo deixou de ser excitante depois da primeira hora, agora eu sentia o meu bumbum dolorido, calor, sede...todo o desconforto dessa viagem.
- Praga do Jake - murmurei para mim mesma enquanto pegava o meu cantil para beber um pouco de água.   O meu guia parou  com o seu camelo bem próximo do meu e o fez abaixar. Descendo ele sorriu pra mim e sinalizou para eu descer também. - Não. Prefiro continuar e chegar logo lá. - disse teimosamente ainda em cima do camelo.
- Precisa esticar um pouquinho as pernas, miss - disse com cara de quem tava se divertindo às minhas custas.   Fiquei irritada com os modos dele, mas, a idéia de esticar um pouco as pernas e aliviar o bumbum foi tentadora e acabei descendo do Camelo.
Caminhei um pouco e alonguei os músculos sentindo o meu corpo protestar pelas horas travada em cima do animal.
- Quantas horas ainda temos de viagem, até chegarmos nas escavações? - perguntei virando-me para o guia.   Me assustei ao vê-lo em cima do seu camelo que, como o meu, já estava de pé. Ele sorriu maldosamente para mim e num grito dele os camelos partiram correndo para longe.
- Hey! O que está fazendo? Não me deixe aqui! Volte seu maldito! - corri atrás dele gritando, mas, não consegui alcançar os camelos. Para um animail que andava tão lentamente, o camelo era bem veloz correndo.  
- Inferno! Idiota! - praguejei sentindo raiva de mim mesma porque, na ânsia de chegar logo peguei o primeiro guia que encontrei. Deveria ter pedido uma indicação no hotel.
- Ladrão miserável! - xinguei como se ele pudesse me ouvir. - Não adianta chorar o leite derramado. - disse para mim mesma em voz alta. Virei-me em direção das pirâmides. Iria a pé para lá. Não tinha outra alternativa. Era mais perto seguir adiante do que tentar voltar. Respirei fundo e comecei a minha empreitada em direção as pirâmides.